Uma década depois da Geração à Rasca

Faz hoje dez anos que muitos de nós ocuparam as principais ruas do país e da diáspora, naquele que foi o primeiro grande protesto contra a precariedade, organizado por fora das estruturas habituais. O que começou na Geração à Rasca continuou na Plataforma 15 de Outubro, na Acampada do Rossio, na Primavera Global e por fim na plataforma Que Se Lixe a Troika. Estou convencido que cada um destes movimentos, com méritos e defeitos próprios, nasceram todos neste dia e fazem todos parte de um movimento mais amplo a nível internacional, que esteve nas acampadas de Madrid, de Wall Street ou na ocupação da praça Tahrir, no Egipto, e marcou, de forma indelével a última década da resistência. Em Portugal não se teria derrubado Sócrates tão cedo e a Troika da Pàf talvez tivesse durado mais um governo. Não sabemos, mas sabemos que ninguém se arrepende de ter dado o corpo ao manifesto.

Os liberais que afinal são estatistas

Desde que começou a pandemia, um ataque comum aos liberais é tentar provar que estes afinal querem que o Estado exista. Uma semana já não é a mesma coisa se não for dito que afinal os liberais gostam do dinheiro do Estado. Lembro-me de uma intervenção do género do primeiro-ministro dirigida a João Cotrim Figueiredo e, mais recentemente, um artigo de opinião no ECO de Pedro Sousa Carvalho. Será que os liberais afinal querem que o Estado exista?

 

Sim, querem. Se não quisessem, não eram liberais. Esta estratégia usada pela esquerda para descredibilizar os liberais e também usada pela direita magoada por não os ter atrelados é muito fácil de explicar. Criam a ideia que os liberais não querem o Estado para nada e atacam esta mesma ideia que inventaram cada vez que se fala em Estado. Basicamente, os liberais não são refutados, mas sim aquilo que gostavam que os liberais defendessem para facilitar. O liberalismo ainda é muito desconhecido neste canto da Europa e isso justifica a facilidade com que se mete palavras na boca de quem nunca as disse. Qualquer dia, inventam que os liberais querem é acabar com a saúde pública e a educ… Não, isso já fazem.

 

Afinal, o que querem esses perigosos liberais? Querem um Estado forte, mas pequeno. Um Estado que proteja as liberdades individuais, social e economicamente. Um Estado que garanta um acesso universal à saúde e à educação, mesmo que não seja sempre o prestador, colocando a escolha do cidadão em primeiro lugar. Uma justiça independente, ao serviço dos cidadãos e não do Estado. Um Estado que estimule a criação e a inovação em vez de ser um entrave, através de cargas fiscais que fazem corar os nórdicos e burocracias ao estilo caricaturado pelos Gato Fedorento no “Papel? Qual papel?”. Um Estado preparado para apoiar os mais vulneráveis, garantindo a igualdade de acesso às oportunidades. Um Estado com menos intervenção na economia, garantido que temos uma economia capitalista e não uma economia amiguista, em que conta mais ter um primo na Câmara Municipal do que ser o melhor empresário da tua terra. Um Estado transparente e que valorize a separação de poderes, diminuindo assim a corrupção pela raiz. Um Estado que garanta que nenhum indivíduo é discriminado pela sua natureza. Um Estado que dê liberdade de escolha aos cidadãos no que à vida privada diz respeito. Resumindo, um liberal defende que todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade e que devem ver as suas liberdades respeitadas, sem condescendências ou paternalismos.

 

Os socialistas dizem que os liberais vivem numa fantasia – Estónia e Irlanda riram-se – quando defendem que são medidas liberais que ajudarão Portugal a crescer, mas que se tornam estatistas com a realidade. Será assim?

 

Os liberais, ao contrário de quem afirma isto, vivem na realidade. Ao contrário do que os socialistas fazem com as suas ideias, qualquer liberal admite facilmente que o liberalismo não é perfeito. Um liberal não tem como maior ambição provar que estava certo ou enriquecer à custa dos contribuintes, porque se fosse para isso mais valia ser do PS. O que um liberal quer é dar a oportunidade às pessoas de melhorarem a sua vida e… tem resultado. O objetivo não é provar à força toda que Friedman ou Hayek estavam certos, mas sim adaptar estas ideias à nossa realidade. E como os liberais vivem com os pés no chão, sabem que os portugueses têm um enorme esforço fiscal e que o Estado português não se pode queixar de falta de dinheiro dos contribuintes nos seus cofres. Se este dinheiro não serve para apoiar pessoas numa pandemia, para que serve o Estado então? Sustentar companhias aéreas e bancos falidos? Pagar o café com cheirinho da comitiva?

 

Quem está a falhar com a sua missão é o Estado. E num país que tem um Estado tão pesado na vida das pessoas, esse falhanço é ainda mais grave. Quando um liberal defende, por exemplo, que alunos do privado e do público sejam tratados da mesma forma pelo Estado, não está a ir contra os seus princípios. Quem o acha é que está a colocar a sua ideologia acima da vida das pessoas. Ora, quando eu andei num colégio de freiras, os meus pais deixaram de pagar impostos? Não. Não deixaram. O problema é que o Estado tem um produto e faz fita quando poucos o querem. Sim, porque ao contrário de um socialista, um liberal não pretende criar o sistema de privado para ricos e público para pobres. Se todos os cidadãos cumprem com o seu dever, também devem ser tratados de igual forma. Caso contrário, confirma-se que temos um país e dois sistemas. Um país em que, como cidadão, tens de ficar em casa, mas como militante, podes ir a aniversários partidários.

 

O que o Estado está a fazer às pessoas, e espero que um dia se olhe para isto como erro a não repetir, é amarrar a população. Não deixa as pessoas trabalhar e, com a mesma facilidade, também não as apoia. Alguns, do alto da sua arrogância, até ridicularizam dizendo que afinal sempre é necessário o Estado. Isto é o mesmo que eu querer ir trabalhar, a minha mãe dizer que não, eu pedir-lhe dinheiro e ela exclamar: Vês como não és nada sem a tua mãe?

 

Quanto mais pobres estamos, mais desesperados ficamos. E este desespero leva à vulnerabilidade que é instrumentalizada por populistas que encontram um inimigo comum e por medidas milagrosas de redistribuição que colocarão o Ronaldo e um colega meu do Cerco com a mesma qualidade de vida em 3 dias. São piores que os moços com dobragens terríveis das televendas. Esta iliteracia financeira em Portugal reflete-se, por exemplo, no facto de um partido liberal apenas ter assento parlamentar em 2019, sendo um dos únicos países europeus que ainda não tinha. Também temos um dos maiores partidos comunistas da Europa, a par de países como a gloriosa Grécia. E não conseguimos resistir à evolução da direita populista que está a causar divisões sociais graves no leste europeu.

 

Os liberais não viraram estatistas. Os liberais, simplesmente, sabem que existe diferença em apoiar alguém que perdeu tudo devido à pandemia ou financiar as empresas dos amigos que “não podemos deixar cair”.

 

Os liberais pretendem criar pontes e permitir que os cidadãos possam confiar no contrato social, com um equilíbrio entre as liberdades positivas e negativas. Ao contrário deste sistema em que as pessoas votam e são afastadas quatro anos da política.

 

O Estado traiu a população. O Estado não cumpriu a sua função.

Com que direito se decreta a perversidade?

Mulheres afegãs assistindo a um evento no dia mundial da mulher. Foto: AFP

Foi noticiado hoje:

As raparigas e mulheres jovens no Afeganistão estão proibidas de cantar em público. O Ministério da Educação afegão decretou que mulheres jovens e raparigas com mais de 12 anos não podem cantar em público – nem sequer o hino nacional.

A decisão do Ministério da Educação é vista como uma concessão aos Talibãs, que, de acordo com um novo plano de paz que recentemente se tornou conhecido, deverão estar envolvidos num próximo governo.

As mulheres vão pagar um preço brutal pela paz com os Talibã. Não poder cantar em público pode ser apenas o início das muitas violações de direitos humanos que se vislumbram.

Onde nasce e de que se alimenta todo este ódio às mulheres?

A conferência de imprensa de Sérgio Conceição: precipitações e choradeira

Foto: DailyMail (https://bit.ly/38vmMtM)

Schwer… Est tut weh.
— Pinchas Zukerman

***

Anteontem, o FC Porto eliminou a Juventus e qualificou-se para os quartos-de-final da edição deste ano da Liga dos Campeões. Eliminada a Juventus e depois dos festejos, Sérgio Conceição, actual treinador do FC Porto, fez-se acompanhar por um assessor e dirigiu-se à sala de imprensa de Lo Stadium, para responder às perguntas dos jornalistas, através da plataforma Zoom. Passados 37 segundos, não havendo perguntas, o assessor e o treinador do FC Porto foram à vidinha deles, mas essa precipitação desencadeou outras precipitações.

Há cerca de cinco semanas, tive uma reunião de trabalho às 10 da manhã, via Teams. Duas horas antes da reunião, liguei o computador e este começou a actualizar-se. Fui tomar um café e arrumar uma papelada. Passados 30 minutos, regressei à máquina, mas a actualização ainda ia nos 7%. Rapidamente percebi que não iria ter aquela reunião naquele computador. Aliás, nem naquele, nem em qualquer outro, devido às restrições de circulação. Peguei no telemóvel e criei um grupo no WhatsApp, enfiando lá para dentro os colegas que participam no meu projecto. Ouvidas as instruções técnicas, instalei uma aplicação no telemóvel e, às 10 da manhã, como previsto, estávamos todos reunidos. O meu computador, lentamente, continuava entretido nas suas actualizações. Um colega fez o favor de passar os meus diapositivos e eu lá os fui explicando, enquanto me desenvencilhava com o telemóvel. Mas o mais importante de tudo foi o problema ter ficado resolvido. Podia dar outros exemplos meus e não só. Na vida a sério, convém encontrar soluções, aprender com os problemas que vão aparecendo e não perder tempo com choradeiras, como as dos meninos mimados da bola.

Ontem de manhã, [Read more…]

Nullius in verba

[Diogo Hoffbauer]

Quando o tema é a COVID, há uma pergunta inevitável. O tom e o propósito variam, mas a pergunta é fatal. Ora surge condescendente e grosseira, ora desesperada e confusa e – menos frequente – pode assumir contornos genuínos de curiosidade.

“Mas então o mundo está enganado?”

Depende do que entendes por mundo. Se te referes ao povo, à plebe, às massas, sim, a maioria estará enganada – ainda que não todos – porque longe das lentes necrófagas da comunicação social, entre censuras organizadas e ataques incessantes de milícias de idiotas úteis amedrontados, ainda há quem esteja a lutar muito para que o pesadelo não se materialize. Se por mundo entendes governos, aristocracias, corporações e elites financeiras, não estás minimamente enganado. Pelo contrário: tudo corre de acordo com o mais meticuloso dos planos. 

 Para os mais distraídos, a elite política e financeira mundial reúne-se todos os anos para discutir como é que nós, populaça, havemos de viver a nossa vida. Essas reuniões chamam-se Fóruns Davos e são organizadas pelo World Economic Forum. Essa fidalguia velhaca anunciou que tem um plano para acabar com o capitalismo como o conhecemos. Baptizaram este processo com o pomposo nome de Great Reset. O seu lema é “In 2030, you’ll own nothing. And you’ll be happy”. É verídico: eles dizem-nos que não teremos nada. O sonho molhado dos comunistas e restantes veneradores da miséria. O propósito, claro está, não é acabar com a propriedade privada. Eles, claro, continuarão a ter o que quiserem. O lema não é “We’ll own nothing”, porque eles – naturalmente – não se incluem. E orgulham-se disso. Até puseram um macho beta a sorrir para percebermos o quão felizes seremos…sem nada.

Sei o que dizem do Great Reset, e sei porque o dizem. Uma teoria da conspiração, disseminada por negacionistas de extrema-direita, que difundem desinformação por esses redes afora, e que representam a maior ameaça que as democracias ocidentais alguma vez tiveram de enfrentar. Já ouvimos esta cantilena até à extenuação. Ninguém se dá ao trabalho de definir nenhum dos conceitos utilizados nesta análise. Já nem sabem do que falam. Como o jogo de telefone estragado, as pessoas que o repetem agora nem sabem o que dizem, vomitam as palavras, desconhecem a literatura, ignoram a realidade. Quem nada percebe do assunto, assume que o especialista na televisão fala a verdade: a Internet está cheia de notícias falsas espalhadas por um lado do espectro político – e só por esse lado – um lado fascista, monstruoso, cruel, sádico, repulsivo, e se acreditares nalguma dessas histórias é porque pertences a esse lado do espectro. As pessoas comem isto; e, mesmo as que reconhecem o truque, não se aventuram, com medo de serem rotulados, e optam pelo recato. Honestamente, se mais alguém me vier pregar acerca das fake news da extrema-direita, enquanto consome acriticamente a média mainstream, nem sequer vou prestar atenção ao que me disserem. Não é por arrogância: estamos, simplesmente, a falar de alguém que, simplesmente, não sabe quando lhe estão a mentir – como tal, pouco teremos a aprender com as suas considerações epistemológicas sobre a verdade.  [Read more…]

Liga dos Últimos: a imprensa desportiva em Portugal

O FC Porto eliminou da Liga dos Campeões o Juventus, eneacampeão italiano (9x consecutivas campeão de Itália – 2011 a 2020), e segue para os quartos-de-final da competição, estando entre as oito melhores equipas da Europa. Fundado em 1893, o clube do Norte de Portugal conta, no seu palmarés, sete títulos internacionais (duas UEFA Liga dos Campeões (1987 e 2004), duas UEFA Liga Europa (2003 e 2011), dois Campeonato do Mundo de Clubes (1987 e 2004) e uma Supertaça Europeia (1987)). O segundo clube português com mais títulos a nível internacional é o SL Benfica, com duas UEFA Liga dos Campeões conquistadas na década de 1960. A diferença, a nível internacional é, como se vê, abismal.  

No dia do jogo – ontem, portanto – a imprensa portuguesa agiu como se nem houvesse qualquer clube português na maior competição do mundo de clubes; tanto, que nenhum dos três principais jornais desportivos fez manchete com o jogo. Essa tinha um denominador comum, para Record, A Bola e O Jogo: importante, importante, era a vitória do 4º classificado da Liga Portuguesa, o Benfica, frente ao 12° classificado, o B.SAD. Isso sim, era de extrema importância para os jornais portugueses noticiarem na primeira página com pompa e circunstância. Hoje, depois da vitória do FC Porto na maior competição de clubes do mundo, todos eles se lembraram que o clube nortenho jogou. Não só verificaram que jogou (víssemos as capas do dia anterior e, desatentos, perderíamos o jogo), como passou a eliminatória e, de repente, Portugal orgulha-se. Ou talvez não. Estranho verificar que o FC Porto jogava para o mundo ver, mas que só em Portugal esse facto passava ao lado. 

Se tudo isto não bastasse para atestar o desprezo e o desrespeito (e, por que não, a isenção) com que o país trata o clube português com mais títulos internacionais e, por conseguinte, o clube português que melhor representa Portugal fora de portas, no fim do jogo, nenhum jornalista português…repito, para não haver equívoco: no fim da vitória do FC Porto frente ao eneacampeão italiano e consequente passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, nenhum jornalista português endereçou perguntas ao treinador do FC Porto, Sérgio Conceição. Nenhum. Jornalista. Português. Zero. Nada. Nicles. Niente.  

O que seria feito e dito se outro clube português carimbasse esta passagem a mais uma eliminatória da competição que todos querem jogar? Quantas manchetes de jornais se encheriam para fazer parar o país? Quantos dias se falaria do assunto, até à exaustão, carregando em ombros jogadores, equipa técnica e presidente? Quantos louvores se ofereceriam aos Deuses e a Jesus? Pergunto: quantos? É típico. Um país que, desportivamente, vive a invejar um clube regional, pequeno na sua expressão face ao poder Capital, e que, historicamente, se habitou a enviar manguitos, na forma de vitórias inequívocas, do Porto para Lisboa e para o resto do território nacional. Somos pequenos demais para o nosso próprio país e grandes demais para o resto do mundo do futebol. Somos Porto.

FOTO: VALERIO PENNICINO

O machismo politicamente institucionalizado no PSD

Nestes 102 candidatos, três (repito: três) são mulheres.

Adoro o cheiro a napalm logo pela manhã

“E eu que pensava que a riqueza reside na nossa enorme diversidade. E eu que pensava que todos contam e são iguais. Sou uma utópica, que, provavelmente, nada sabe sobre o que é ser lusitana” – Hermana Cruz, jornalista.

Melhor que ninguém, uma jornalista do Porto sabe bem o que custa esta espécie de insularidade para todos os profissionais, dos mais diversos ramos, em que se vive fora da “capital do império”. Seja no Porto, em Braga, Vila Real, Coimbra, Aveiro ou Viseu. Sem esquecer Faro, Évora ou Beja, só para citar alguns exemplos. Ontem, tomou como exemplo o Porto, o FC Porto. Volto a citar Hermana Cruz: “Nacionalismo assim, carregado de preconceito regionalista e clubístico, mostra-me o que é ser portuguesa”. Mas o futebol é apenas a ponta do icebergue de um país que, hoje, não passa de um arremedo. E o FC Porto é apenas uma vírgula em toda esta história. 

Vamos ao exemplo de ontem em que o FC Porto levou de vencida a Juventus de Cristiano Ronaldo. Por partes.

[Read more…]

Ainda a propósito do dia da mulher

Jens Wolf, dpa

No dia da mulher, dispensam-se flores e presentes (tanto quanto em qualquer outro dia, o que naturalmente não impede de o fazer em cada dia, a quem e quando apraz). O dia existe porque já se conseguiu muito, em lutas históricas, mas muito mais trabalho há ainda a fazer, para alcançar a equidade de género. António Guterres referiu seis áreas estruturais, qual delas a mais difícil de atingir (o bold é meu):

Em primeiro lugar, que assegurem uma representação igualitária – desde os conselhos de administração das empresas aos parlamentos, do ensino superior às instituições públicas – por meio de quotas e outras medidas especiais. [Read more…]

O Benfica é uma lição:

«Juventus aprendeu lição com o Benfica».

‘Cê sabe, cara?

“Bolsonaro, o senhor sabe que o presidente Lula ’tá vindo aí, não é?”

SURPRESA

Pega ladrão!

“E depois da eleição, você cobra resultado? 
Ou fica aí parado, de braço cruzado? 
Você lembra em quem votou p’ra deputado? 
E em quem você votou lá no Senado?” 

O Supremo Tribunal Federal do Brasil anulou, esta segunda-feira, todas as condenações de Lula da Silva, no âmbito da operação Lava Jato. 

Recorde-se que o processo Lava Jato teve início em Março de 2014, pela mão do então juiz Sérgio Moro, posteriormente nomeado Ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo de Bolsonaro, cargo a que renunciou em Abril de 2020, depois de divergências com o presidente brasileiro. A operação condenou mais de cem pessoas, investigando, entre outros, crimes de corrupção activa e passiva, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e recebimento de vantagem indevida. A operação Lava Jato teve o seu término em Fevereiro de 2021.  

Uma das pessoas apanhadas na teia de suspeição foi o antigo presidente do Brasil e antigo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva. O ex-presidente brasileiro, suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acabou por ser condenado a nove anos e seis meses de prisão, em Julho de 2017. Proibido de exercer cargos públicos, Lula da Silva cumpriu 580 dias de prisão, depois de, em Abril de 2018, ter visto rejeitado o Habeas Corpus e ter sido, novamente, condenado à prisão (desta vez a doze anos e um mês). Depois do linchamento, da perseguição e da prisão, o socialista Lula foi libertado em Novembro de 2019, depois do Supremo Tribunal Federal ter considerado a condenação da prisão em segunda instância inconstitucional. Segundo a revista Veja, Lula da Silva é a personalidade brasileira mais visada por notícias de teor falso e calunioso.    [Read more…]

Sviatlana Tsikhanouskaia

Hoje é dia da mulher e como são todas umas complicadas, decidi dedicar umas palavras a uma mulher com um nome igualmente complicado. Da mesma forma que eu tive de ir copiar o nome da Sviatlana, todos deveríamos copiar a coragem e a força desta pessoa.

 

A Sviatlana é a verdadeira presidente eleita pelo povo bielorrusso, mas continua a ser oposição. É assim que acontece em ditaduras. A Sviatlana é a voz da resistência popular contra um ditador e merece toda a nossa atenção.

 

Não gosto muito deste dia. Aliás, eu nem gosto daqueles que apenas se lembram de mim no meu aniversário, como seria se fosse no dia em que se celebra o meu género… Nenhuma pessoa é menos por ser mulher ou por qualquer outra característica natural. Por isso, devemos combater o preconceito, mas parece-me errado tratar grupos sociais como um todo, para o bem e para o mal. As mulheres pertencem a um género, não é a um sindicato. Quem vê desigualdade estrutural hoje, verá sempre. Aliás, um dia, o dia da mulher será polémico celebrar-se, porque é um dia de privilegiados. Registem aí. Alguém defenderá isto.

 

Não por se tratar de uma mulher, mas gosto de exemplos de coragem como o da Sviatlana. Tenho pena que no meu país tenha sido convidada a visitar um museu dirigido por uma militante de um partido que é o único que não a reconhece como Presidente. Tenho pena que em Portugal as discussões de quem quer uma suposta igualdade gire à volta de características de linguagem ou escolhas livres, enquanto uma mulher anda a lutar pela liberdade de um país inteiro.

 

Pensemos, neste dia, em todas aquelas pessoas que ainda se vêem dependentes de um papel de género. Que não podem tomar escolhas livres independentemente do género que são. E infelizmente, são muitas. Neste aspeto, temos a sorte de vivermos na nossa sociedade.

 

Não quero igualdade de género, quero liberdade de género. Aliás, liberdade. Basta. Depois cada um sabe o que faz com a sua.

 

ERGUE-TE, põe-te a monte ó facho!

Graças a um leitor do Aventar fiquei hoje a saber duas coisas que desconhecia: que existe um partido chamado Ergue-te e que o dito partido plagiou um texto do aventar da minha autoria.

O tal partido Ergue-te é uma espécie de Chega mas ainda mais matarruano, o que não é fácil. Pelos vistos, não se limitam a plagiar o Ventura como também o Aventar. É o que dá quando o cérebro não atinge um tamanho superior ao de uma ervilha. Será que não existe por lá uma alminha que saiba escrever umas linhas de texto sem ter de plagiar terceiros? São assim tão limitados?

Só faltava andarem a plagiar o partido do Órban e serem como o tal do József Szájer que destilava ódio contra os homossexuais e depois foi apanhado numa orgia gay. Com jeitinho este plagiador do Ergue-te combate os homossexuais e depois anda para aí a abafar a palhinha do vizinho do 5º Esquerdo…

Derrubar o Padrão dos Descobrimentos e outros talibanismos

Não é um fenómeno novo, mas ganhou uma dimensão mediática que, numa era sem redes sociais, não seria possível de forma tão fácil, rápida ou impactante. Falo na tentação dos diferentes poderes, para, em determinado momento, quererem destruir estátuas, edifícios ou registos históricos de uma era ou tempo que rejeitam, ou ao qual se opõem, pelos mais variados motivos, legítimos ou não, que não é nova nem particularmente surpreendente. Mas é, regra geral, uma pulsão que peca por inútil, e que apenas serve para alimentar ódios e divisões, e evitar que as feridas sarem, para que seja possível, de uma vez por todas, seguir em frente.

Não se apaga a história: aprende-se com ela. E a memória viva dos acontecimentos trágicos, sejam eles o Holocausto, a Inquisição ou as diferentes colonizações – e todas as ondas de choque que delas resultaram, até às descolonizações mais ou menos violentas, que levaram ao poder novos facínoras, outrora combatentes da resistência contra as forças ocupantes – devem, em todos os momentos, servir como faróis para que a Humanidade não volte a cometer os mesmos erros. Por muito que a história insista em se repetir.

[Read more…]

Teófilo

Teófilo, Amigo de Deus. Rei das Antas.

Waldschmidt fala alemão

«Waldschmidt só fala inglês, não percebe o que eu digo nos treinos».

7 de março de 2020

Foi há um ano que fui ao futebol pela última vez. Já presenciei goleadas, já presenciei finais perdidas, já presenciei derrotas contra os maiores rivais… Mas nenhuma derrota é maior do que a tristeza de não te poder apoiar.

É muito mais do que futebol. É o clube, as cores, a cidade, o cheirinho a jogo, as bifanas, as conversas, o nervosinho, o bairrismo, as personagens… Este ano fez-me perceber que não sou propriamente adepto de futebol, mas sim adepto daquilo que o futebol nos dá. Mais precisamente o Futebol Clube do Porto. Quem sente um clube assim sabe que não dá para explicar ao certo o que é. Desejo que todos sintam algo deste género. Se nos faz feliz e não dá para explicar a razão, só pode ter um nome: Amor

Auriol Dongmo, Pedro Pichardo e Patrícia Mamona: três medalhas de ouro contra a arianização do orgulho nacional

Os racistas, como não gostam da diversidade do que é “ser português”, podem bem ir-se da sua terra. Estas medalhas não são de todos, são de todos os que não querem expulsar ninguém com base na sua cor de pele ou terra natal. Estas medalhas são de Portugal com tudo o que Portugal é, menos daqueles que insistem em voltar às cavernas onde Portugal era apenas filho de si próprio. Parabéns Auriol Dongmo, Pedro Pichardo e Patrícia Mamona! Parabéns Portugal!

Um uniforme do Ku-Klux-Klan

Foi o que pedi aos meus pais, quando, na adolescência, li, pela primeira vez, Os Maias.

Mathieu Van der Poel não é humano

À partida para a Strade Bianche, a primeira grande prova de um dia do calendário velocipédico internacional, já poderíamos predizer com um altíssimo grau de certeza que a prova seria discutida pelo denominado trio do cyclocrosse (composto por Mathieu Van Der Poel, Wout Van Aert e Thomas Pidcock) e pelo campeão do mundo de ciclismo de estrada em título Julian Alaphillippe, não obstante o gap ao nível de preparação desportiva apresentado pelo último em relação aos três primeiros, que sucede naturalmente, do facto destes se apresentarem em melhores condições devido ao facto de estarem em constante preparação desde o passado mês de Novembro no sentido de prepararem a sua participação na temporada de cyclocross, temporada que ocorre normalmente nos meses de paragem do ciclismo de estrada. Dos 3 citados, Van der Poel e Van Aert protagonizaram de resto incríveis duelos na terra quer na prova de Taça do Mundo disputada em Namur, quer nos campeonatos do mundo disputados em Oostend.

[Read more…]

António Costa, André Ventura e Mamadou Ba entram num bar

António Costa considera estar a abrir-se uma fractura perigosa para a nossa identidade. Até aqui, tudo bem. Tem razão o Primeiro-Ministro e prova que tem estado atento às conjunturas da política nacional, o que é natural, não fosse António Costa o primeiro representante do Governo português.
 
O pior veio depois. Em entrevista ao jornal Público, disse o Primeiro-Ministro, que “nem André Ventura nem Mamadou Ba representam aquilo que é o sentimento generalizado do país”. Partindo de um pressuposto verosímil, o Primeiro-Ministro formula uma opinião que mais não é do que uma tentativa de atirar areia para os olhos, e agora digo-o eu, da generalidade do país. Se pode ser verdade que nem todos os portugueses são da extrema-direita, também é verdade que nem todos os portugueses querem lutar contra o racismo. No entanto, esses portugueses existem, e o Primeiro-Ministro também os representa. Um pouco mais de tacto naquilo que diz não faria mal nenhum a António Costa, mas o mesmo já nos habituou a tiradas arrogantes do alto do seu pedestal moralista.
 
A incapacidade do Primeiro-Ministro em falar de frente para esses portugueses, quer os do lado do populismo da extrema-direita, quer os do lado do excesso metafórico recorrente do representante da SOS Racismo, denota, mais uma vez, a falta de noção do mesmo e a já recorrente incapacidade em descer à Terra. Saber pôr os pontos nos i’s não é uma das qualidades do Primeiro-Ministro, definitivamente. Para Costa, Ventura não é uma ameaça, mesmo sabendo que, mal possa, o PSD, maior partido da oposição, unir-se-á aos novos (que não são novos) fascistas do burgo. Se tal não preocupa o Primeiro-Ministro, é prova de que a cadeira onde se senta já começa a ganhar calos. Ver André Ventura e o Chega como uma ameaça “é dar-lhe a credibilidade que ele não tem”; deduzo, portanto, que a melhor arma contra o extremismo de direita, para António Costa, seja a indiferença. Acho que não preciso lembrar ninguém do resultado que deu essa estratégia no passado.

[Read more…]

Ressurreição

Cavaco Silva é a prova de que existe vida depois da morte.

No entanto, se a vida depois da morte tiver o aspecto actual do antigo Primeiro-Ministro e ex-chefe de Estado, digo já que não quero padecer desse mal.

Quem poderá traduzir “Lágrima de Preta”?

O racismo pretende construir muros e prisões. Estrutural ou não, deve ser combatido. O objectivo é erradicá-lo, extinguir o racista, não através da violência física, mas condenando-o à inexistência, através da educação, da cultura e das artes. Das artes, insisto. Tudo isto será utopia, mas é pela utopia que devemos ir.

O anti-racismo deve servir para derrubar muros, para explicar ao mundo que não estamos separados pela cor da pele. Como tantas lutas legítimas, também o anti-racismo está sujeito a exageros e perversões. Qual é a diferença? O racismo deve ser destruído, o anti-racismo precisa de ser melhorado. O problema de quem faz força em sentido contrário reside, por vezes, num excesso nascido da revolta ou da necessidade de compensar a força do inimigo.

Recentemente, na Holanda, surgiu uma polémica a propósito da tradução do poema que Amanda Gorman escreveu e declamou na tomada de posse de Joe Biden. Quando se soube que Marieke Lucas Rijneveld, a tradutora escolhida, era uma mulher branca, houve uma revolta tal que esta, apesar de avalizada pela própria autora, pediu desculpa e retirou-se. Pelos vistos, aquele poema só pode ser traduzido por alguém com a mesma cor de pele da autora.

O anti-racismo transforma-se, assim, num racismo de sinal contrário, mesmo que as intenções sejam, originalmente, as melhores. [Read more…]

Democracia comunista…

Ou democracia estalinista?

Ainda o Montijo

Num artigo que tresanda a spin para justificar a opção do governo, fica logo claro porque é que Montijo foi escolhido.

Mesmo descontando perdas motivadas pelos anos a mais que demorará a obra, o custo extra de uma infraestrutura construída de raiz, no caso, em Alcochete, ascende a 6 mil milhões de euros. É o quíntuplo do valor que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028 na reconversão da infraestrutura do Montijo e melhoramento e expansão da Portela. O custo de Alcochete ascenderia a 7,6 mil milhões – cujo custo iria necessariamente recair, ao menos em parte, sobre os contribuintes -, em vez dos 1,5 mil milhões no Montijo, assegurado pela ANA e financiado pelas taxas aeroportuárias. [DN]

“que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028”

Esta é a chave para a decisão.

[Read more…]

Moedas, family & friends

Há dias escrevi aqui que Carlos Moedas foi uma boa escolha de Rui Rio para a CM de Lisboa. Uma escolha forte e agregadora. Continuo convencido disso. E a quantidade de partidos que o apoiam parece confirmar a ideia, pelo menos no que ao factor agregador diz respeito: CDS, Aliança, MPT, PPM e até o RIR, do antigo autarca socialista e ex-candidato presidencial, Vitorino Silva, a.k.a Tino de Rans. Só falta a IL. Parece que o Chega foi pré-excluído por Moedas. Tem o meu respeito por isso.

Depois fui confrontado com um:

  • Mas tu sabes quem é Carlos Moedas?

Não o conheço, claro está, mas sei umas coisas. Lembro-me do tempo em que era o Secretário de Estado Adjunto de Pedro Passos Coelho, e um dos responsáveis por acompanhar o takeover da Troika. Um dos homens por trás da máxima “ir além da Troika”. Um político que, antes de chegar ao governo, esteve no Deutsche e no Goldman Sachs, dois dos beneficiários da desnecessária privatização dos CTT, com os resultados que se conhecem. Os CTT que, anos mais tarde, convidaram Celine Abecassis-Moedas para a administração da empresa.

Quem?

Exactamente: a esposa de Carlos Moedas.

Por isso sim, sei umas coisas sobre Carlos Moedas. Mas isso não invalida que seja um dos nomes mais fortes que o PSD poderia avançar, mais ainda se considerarmos o período particularmente delicado que o partido atravessa. Pese embora o mau arranque, com a péssima (e desnecessária) encenação do “sonho” e do “projecto de vida” de vir um dia a presidir à CM de Lisboa. Consegui visualizar o jovem Carlos, num banco do liceu de Beja, a sonhar com o dia em que entrava pelos Pacos do Concelho de Lisboa, com o colar ao pescoço. Não havia necessidade…

*

P.S. Estou particularmente curioso para saber se a IL alinha na coligação de direita, encabeçada por Moedas. Se fosse socialista, certamente teria direito a um cartaz @comPrimos. A ver vamos, se isto é uma questão de primos. Ou de socialismos.

Carta Aberta ao jornalista Pedro Tadeu (DN)

O jornalista Pedro Tadeu escreveu ontem, no DN, um artigo sobre jornalismo. Sobre o que se passa no jornalismo actualmente. Citando:

“Desde que esse meu amigo me contou o que se passou com ele, sempre que vejo uma notícia sobre a covid-19 fico desconfiado: “Será mesmo assim ou isto foi uma encomenda?” E quando constato a grande quantidade de peças que estão dentro da área de interesses destes “recrutadores de jornalistas”, quando vejo que essas peças se repetem no foco e na mensagem, exageradamente, nos últimos meses, fico espantado com a minha ingenuidade estúpida: “Como é possível eu ter achado que isto era, apenas, um exercício editorial insensato e incompetente, mas genuíno?” A seguir vem o desgosto: “Como é que a minha profissão chegou a este ponto!?”

Aqui fica a minha carta aberta ao Pedro Tadeu:

Caro jornalista Pedro Tadeu, eu tenho um amigo, não sei se o mesmo, que já nos idos de noventa me contava existirem jornalistas no activo a fazer assessoria de comunicação para privados. Esse meu amigo deparou com altos quadros, dirigentes, de canais de televisão cujas mulheres (ou irmãs ou mesmo primas, a minha memoria já não me ajuda muito) trabalhavam ou eram donas de empresas de assessoria de comunicação e ele, pasme-se, avisava que se o “pedido” viesse por essa mão amiga, a coisa teria direito a telejornal e tudo, veja bem. Isto já em pleno novo milénio e, suponho, não deve ter mudado assim tanto. E advogados comentadores nos media que, simultaneamente, tratavam dos problemas pessoais dos seus entrevistadores? E o mesmo se diga no tocante a médicos? Já ele me falava na confusão entre o que era pessoal e o que era profissional. Nisso e nos políticos que conseguiam ser, simultaneamente, informadores do jornalista A ou B e articulistas no mesmo jornal ou comentadeiras na mesma televisão. Uma festa. Ou, usando as palavras desse meu amigo (será p mesmo?), um festim.

Caro Pedro Tadeu, pelo que percebi do seu amigo e juntando com o meu, desconfio que não se fique apenas pelo Covid, ao que parece já não se pode confiar em praticamente nada do que se vê nos noticiários tal a confusão entre o que são noticias e o que são apenas encomendas. É claro que aqueles 15 milhões não ajudam nada. Isso e a propriedade actual dos meios de comunicação. De qualquer forma, obrigado pelo seu artigo e que nunca nos faltem os amigos.

Com os melhores cumprimentos.

A triste realidade do País em que a Burocracia e a Incompetência continua a fazer escola

O caso da jovem Constança Bradell é um daqueles filmes que tantas vezes vimos ao longo das últimas décadas no nosso país, em particular, nos casos que envolvem a relação entre o Estado e os portadores de doenças raras: é uma manifesta incúria, uma manifesta incompetência, uma manifesta negligência provocada por um sistema altamente burocrático que reflecte sobretudo a falta de empatia dos decisores e dos funcionários públicos perante o seu semelhante. Sim, o funcionalismo público português está, para nossa infelicidade, desde as camadas de base até ao topo, cravejado de funcionários que aparentam (ou talvez não tenham mesmo essa capacidade de tão insensíveis à dor do outro que se tornaram) não ter o mínimo de empatia perante o problema e a dor do próximo. A não ser que os visados pelo infortúnio sejam os seus filhos, os filhos dos seus colegas, os filhos dos seus hierárquicos ou os filhos dos deuses com pés de barro a quem lambem sistematicamente as botas à espera de benefícios.

[Read more…]

O negócio de Montijo

“Governo já tem proposta para substituir lei que bloqueou aeroporto no Montijo”

Essencialmente, o que António Costa e o seu PS, apoiado pelo PSD de Rui Rio, se prepara para fazer é deixar claro que estamos num Estado onde a lei não é o alicerce da governação mas sim um instrumento para se atingir um fim. Não é propriamente uma novidade mas é de registar que a inversão de valores não é alheia a este executivo. Também mostra bem de que lado está o Governo e não é do lado dos cidadãos.

Sobre o negócio de ocasião para a ANA e a Vinci, pouco há a acrescentar ao que anteriormente se disse. Excepto que é de se sublinhar que os dois submarinos ainda vão dar jeito ali.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)