Frase brilhante
Graciano e a libertinagem
No lançamento da sua candidatura à CM de Lisboa, Nuno Graciano apresentou-se como democrata e militante de um partido democrático, onde aprendeu a lição da democracia, pese embora a ausência de qualquer referência à mui democrática lei da rolha, em vigor desde que André Ventura se sentiu ofendido pelo incorrectês da turba chegana nas redes. Podia dar-se o caso de ser democracia a mais e Nuno Graciano não quis arriscar.
No seu discurso de apresentação, rodeado pela elite da extrema-direita nacional, ao lado de um monumento mandado construir pela elite da extrema-direita que a antecedeu, Graciano alertou para o problema de confundir democracia com libertinagem, que condenou. Não percebo a confusão do candidato: a democracia é, precisamente, o tipo de regime que permite a libertinagem. É, aliás, o regime onde quem quiser ser libertino, seja no campo sexual, na rejeição dos preceitos religiosos ou na falta de disciplina, tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir. E seria de esperar que um democrata, militante de um partido Democrata, onde aprendeu a lição da democracia, tivesse as regras da democracia bem claras. Serão essa democracia, o partido democrata e a lição de democracia que Graciano aprendeu dessa nova estirpe iliberal? A julgar pelos militantes e aliados do seu partido, poderá dar-se o caso.
Black lives don’t matter anymore?
A propósito do silêncio na sociedade portuguesa, sobre o assassinato de mulheres e crianças em Moçambique.
150 anos da Comuna de Paris

A primeira grande experiência de poder operário aconteceu em Paris, há 150 anos. De lá para cá outras lhe sucederam mas quem vive do seu trabalho continua à procura de um regime político que abandone a exploração do ser humano pelo ser humano e abra caminho a uma sociedade baseada numa relação igual entre todos os iguais, sem que a propriedade dos meios de produção se sobreponha a tudo o resto. Enquanto não nos voltamos a encontrar nas barricadas, é ir lembrando o cancioneiro que os pioneiros nos deixaram.
Salvar o têxtil, reindustrializar Portugal
Estou no sector têxtil há 12 anos. Conheço bem, e por dentro, grandes marcas, pequenas confecções, retalhistas, centros comerciais, department stores, o luxo e o fast fashion, bem como o fluxo de matérias-primas e, sobretudo, a profunda dependência de todo o sector face à China, desde que o Ocidente democrático decidiu abrir-lhe as portas da Organização Mundial do Comércio, decisão da qual resultou, em larga medida, a destruição de grande parte do tecido produtivo de países como o nosso.
O resultado de anos de aprofundamento desta dependência, face a uma potência que não se rege pelos mesmos valores que as democracias liberais, onde, não raras vezes, o trabalhador se confunde com o escravo e os direitos laborais não passam de uma ficção – que muda e torna a mudar com um estalar de dedos no comité central – fez com que a China se tornasse mais “competitiva”, o que lhe permitiu ascender a uma posição monopolista, dominando, quase por completo, a manufactura e a produção de várias matérias-primas, tornando os sectores do têxtil e da moda totalmente reféns de regime totalitário chinês.
O que é que sucede?
Citações: Para o que der e vier temos o Lobo Xavier…

Antes da citação, a pergunta: o Douto Jurista Lobo Xavier e/ou os tais clientes a que se refere, fizeram queixa às entidades competentes? E tendo-o feito, as ditas fizeram alguma coisa? E sobre a sua Opus Dei os clientes do douto jurista nada declararam? Nestas coisas não se pode ser selectivo. Não se deve, pelo menos. Isso e se não sabe se é verdade então não acredita nos seus clientes, é isso?
Logo de seguida, Lobo Xavier sublinha não saber “se isso é verdade”, mas diz que tem “desconfianças”.”Eu tenho desconfianças, leio livros sobre a maçonaria, conheço a história da maçonaria. Que haverá maçons existem. O problema é que eu não sei quem eles são, nem eles se declaram, tirando uma ou duas figuras em Portugal que assumem isso publicamente”, sustenta.
Cosas nostras do poder local
- Várias têm sido as vozes que o têm apontado, de quadrantes tão diferentes como a direita conservadora e a esquerda liberal, e, parece-me, cobertos de razão: Fernando Medina, presidente da CM da Lisboa, recandidato autárquico, putativo sucessor de António Costa na liderança do PS e, quiçá, na liderança do governo, não pode continuar a usar de um espaço de opinião na televisão pública. Ou pelo menos não deve. Mais ainda quando usa o seu gabinete presidencial para entrar em directo na TVI. Os próprios OCS deveriam ter vergonha na cara, por estender estes tapetes vermelhos ao poder autárquico. Diz-nos muitos sobre o estado de submissão de TVs e jornais e do poder quase-absoluto de grande parte dos autarcas deste país.
Como transformar…
A Deontologia vai de Expresso

Segundo o nosso leitor A. Rebelo Reis, o actual director do Expresso, João Vieira Pereira, acumulou o jornalismo com a assessoria enquanto responsável pela estratégia de comunicação da Federação Portuguesa de Golfe.
Este nosso leitor apresentou uma queixa ao Conselho Deontológico da Carteira Profissional no passado dia 10 de Março:
Serve este email para apresentar participação contra João Vieira Pereira, atual diretor do jornal “Expresso”, por prática de atividade incompatível com a profissão de jornalista.
Entre 2012 e 2016, João Vieira Pereira integrou a direção da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), presidida então por Manuel Agrellos, como é facilmente comprovável neste Relatório e Contas da FPG:http://portal.fpg.pt/wp-
content/uploads/2017/09/ RelatorioContas-2014.pdf Na apresentação da candidatura, Agrellos admitiu que o então diretor-adjunto do Expresso e também diretor da revista “Exame” ficaria “responsável pelo desenvolvimento da imagem e divulgação da Federação Portuguesa de Golfe”:
http://portugalgolf.pt/
paginas_212/noticias_varios_8_ 2012_04_02.htm Tal situação colide com o art.º 3 do Estatuto do Jornalista: “O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de: (…) Funções de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem (…)”
De igual modo, parece não respeitar o artigo n.º 11 do Código Deontológico dos Jornalistas: “O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios suscetíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional.”
Alguém admitiria que um diretor do Expresso ou de outro jornal de referência fosse, por exemplo, membro da direção da Federação Portuguesa de Futebol, ficando responsável pelo “desenvolvimento da sua imagem e divulgação”?
Na mesma altura em que João Vieira Pereira era diretor-adjunto do Expresso e membro da direção da Federação Portuguesa de Golfe, o semanário distribuía um suplemento de golfe que chegou a noticiar a participação do seu diretor-adjunto num torneio de golfe patrocinado pelo jornal:https://docplayer.com.br/
33047696-Uma-equipa-do- expresso-vai-pela.html Em 2016, João Vieira Pereira foi candidato a vice-presidente da Federação Portuguesa de Golfe na lista liderada pelo antigo ministro da Saúde Luís Filipe Pereira. A votação acabou, porém, por ser vencida pela lista adversária, liderada pelo atual presidente, Miguel Franco de Sousa.
Face ao exposto, solicito à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que abra o competente processo de contraordenação para avaliar se a atividade desenvolvida por João Vieira Pereira durante o período em que integrou a direção da Federação Portuguesa de Golfe (2012/2016) é ou não compatível com a atividade de jornalista.Melhores cumprimentos,
A. Rebelo Reis
Nos últimos tempos sucedem-se notícias nada agradáveis para o jornalismo em Portugal. Não sei se repararam mas, por exemplo, os telejornais da noite dos dois canais privados (SIC e TVI) misturam, cada vez mais, informação com peças “jornalísticas” a promover os seus programas de entretenimento.
Também tu, bruta?
Diz a regra que só há notícia quando o homem morde o cão. Assim, é natural que uma mulher ciumenta que esfaqueou o marido 22 vezes tenha sido notícia em Inglaterra. Por incrível que pareça, o marido sobreviveu, o que é tão insólito que tem também de ser notícia.
Em Inglaterra, a comunicação social pôs a ênfase no número de facadas. Por cá, o Correio da Manhã realçou o facto de o marido ter perdoado a mulher, que é, na verdade, outra faceta inaudita, mas talvez o limite do homem fosse a vigésima segunda facada. A vigésima terceira seria falta de respeito. Talvez a esposa enraivecida tenha parado, ao ouvir o homem ensanguentado e indignado: “Se voltas a esfaquear-me, está tudo acabado entre nós!”
Outra possível explicação para o número de facadas pode estar, ainda, na idade do filho. O rapaz tem 22 anos. Coincidência? Não me parece. O mesmo rapaz escondeu as armas do crime e chamou a ambulância, dizendo, de acordo com a notícia, que “o pai estava deitado no chão com ferimentos na cabeça e um furo nas costas.” Enquanto esperava, ficou a jogar futebol no jardim. Por um lado, parece ser um rapaz com grande poder de observação; por outro, não gosta de desperdiçar tempo.
Joanne declarou que não queria matar o marido, apenas magoá-lo. Tendo em conta o resultado obtido, só podemos reconhecer a competência da senhora. Para já, irá passar seis anos na prisão e, quando sair, terá o marido amantíssimo à espera, numa casa em que não haverá um único canivete. Manda-se vir tudo o que tiver de ser cortado e serão felizes para sempre. [Read more…]
O bom senso ficou em casa – e nunca mais saiu

Terça-feira dia dezasseis de março de dois mil e vinte e um – segundo dia do início do desconfinamento gradual – saio à rua para manutenção da minha saúde física e mental. Fazendo-me acompanhar da “nova” peça de indumentária facial que permite proteger-me a mim e a terceiros do “bicho”, bem como manter um certo anonimato, sigo a minha caminhada acompanhada pela sombra de um certo sentimento de culpa por cada metro que me distanciava do meu lar. Sentimento esse alimentado pelo apertado policiamento que muitas vezes presenciei através da minha janela, onde os meus jovens vizinhos cometeram repetidas vezes o vil crime de se sentarem nos bancos de jardim. Felizmente, durante o fim de semana fomos presenteados pela boa notícia – escrita em letras garrafais em rodapé durante o telejornal – que o usufruto dessa peça de mobiliário público já está outra vez disponível para exercer a sua função de forma legal. Haja boas novas!
Depois de zigezaguear por entre as ruas até à marginal, apercebo-me que um largo troço da mesma deverá de estar ainda (só pode) encharcada de vírus, o que obriga a quem pretende esticar um pouco as pernas e arejar a mente a restringir-se ao passeio de dois metros de largura do lado oposto, naturalmente forçando cruzamentos com estranhos onde a distância de segurança não é passível de ser respeitada. Sigo o meu caminho acompanhada pela minha (as)sombra, cujo tamanho aumenta um pouco sempre que um atleta se cruza comigo sem se fazer acompanhar pelo trapo que me obriga a deixar os óculos em casa (para poder apreciar devidamente todos os tons de côr do pôr do sol sem ser através da condensação). [Read more…]
A semântica da eutanásia
O chumbo da lei da eutanásia pelo colectivo de juízes do Tribunal Constitucional, levou Francisco Rodrigues dos Santos e André Ventura a celebrar uma vitória que é sobretudo semântica: a inconstitucionalidade da nova lei assenta, fundamentalmente, no texto apresentado pelos deputados, e enviado por Marcelo para subsequente validação do TC, e não naquilo que é o objecto e o conteúdo da lei.
Enquanto agitavam as suas bandeiras e decretavam a derrota da maioria parlamentar, que incluiu BE, IL, PAN, Verdes, a maioria dos deputados socialistas e 14 deputados do PSD, Rodrigues dos Santos e Ventura não terão certamente dado ouvidos ao presidente do Constitucional, sobretudo quando este afirmou que “O direito à vida não pode transfigurar-se num dever de viver em qualquer circunstância”, algo que pode ser traduzido à letra como “ser humano algum deve ser obrigado a viver em sofrimento atroz, se assim não pretender”, ao que eu acrescentaria “apenas para servir os interesses ideológicos e religiosos de pequenos lobbies que se estão nas tintas para a liberdade individual de cada um”. O presidente do TC foi ainda mais claro, quando afirmou que a inviolabilidade da vida “não constitui obstáculo inultrapassável”. Posto isto, parece-me claro que, ultrapassada a questão semântica, a lei passará pelo crivo do Tribunal Constitucional sem levantar grandes ondas. É uma questão de tempo e de gramática.
Compete agora aos deputados dos partidos proponentes, rever os textos apresentados no hemiciclo e rescrever a lei de maneira a ultrapassar os obstáculos semânticos que a fizeram bater na trave do Constitucional, em particular o conceito de “lesão definitiva de gravidade extrema”. De resto, estamos no bom caminho: no caminho do reforço das liberdades e dos direitos civis. Já faltou mais para nos libertarmos desta amarra conservadora e egoísta, que reserva o direito à morte medicamente assistida apenas e só àqueles que podem pagar pelo privilégio de o fazer na Suíça, ou noutro país onde o procedimento é legal.
Brevíssima apreciação da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
J’ai seul la clef de cette parade sauvage.
— RimbaudEs ist nach Disposition der Sätze (von denen der gewöhnliche I. Satz erst an 2. Stelle kommt) schwer möglich von einer Tonart der ganzen Symphonie zu sprechen, und bleibt, um Mißverständnissen vorzubeugen, lieber eine solche besser unbezeichnet.
— Mahler
***
Ontem, ao serão, um amigo enviou-me uma mensagem, na qual referia as denúncias que aqui amiúde faço acerca do aspecto da montra. Nessa missiva electrónica, o meu amigo mencionava concretamente a 2.ª série do Diário da República como fonte dos meus exemplos. Efectivamente, privilegio a 2.ª série, em detrimento da 1.ª, mas por meras razões de conveniência, devido à natureza dos actos, ao tratamento dos mesmos ou à dimensão dos diplomas. Todavia, com efeito, essa selecção de actos da 2.ª série pode dar aos leitores do Aventar a impressão errada de a 1.ª série ser extremamente virtuosa, digamos, uma espécie de paraíso do A090, no qual os fatos e os contatos não entram, em contraponto com o inferno da 2.ª série, e, lá está, lasciate ogne speranza, voi ch’intrate. Não é verdade. Um excelente exemplo do caos na 1.ª série foi dado através daquele que é, provavelmente, um dos diplomas mais marcantes do ano passado: a Resolução da Assembleia da República n.º 77/2020, de 6 de Outubro, com a apreciação da aplicação do estado de emergência, declarado pelo Decreto do Presidente da República n.º 17-A/2020, de 2 de Abril (pdf).
De facto, nessa apreciação, publicada na 1.ª série, encontramos vários o fato de



Mas não só.
Também encontramos diversos [Read more…]
Pandemia climática
Um ano depois, a sociedade, a economia, a política e o mundo em geral continuam reféns da crise pandémica, resultante do surto da SARS-CoV-2, a.k.a. covid-19. Lá longe vão os tempos dos arco-íris, do “vai ficar tudo bem” e do “vamos sair disto melhores pessoas”. De lá para cá, o business as usual voltou aos comandos da nossa mothership, de onde na verdade nunca saiu, e o novo normal não difere muito do velho normal. Os zilionários enriqueceram estrosfericamente com a crise, como sempre acontece com qualquer crise, com as 20 maiores fortunas do planeta a crescer na ordem dos 24%, durante o ano de 2020 (números da Bloomberg). Os pobres estão mais pobres, os remediados estão mais perto da pobreza e o fosso entre a super-elite e os demais aprofundou-se. O primeiro mundo luta entre si pelo acesso a mais vacinas, enquanto o terceiro depende da caridade do primeiro, que surge sob a forma de grandes operações de marketing, com grande mediatismo e poucos efeitos práticos. Micro, pequenas e médias empresas submergem sob o peso da burocracia e da inação política, contribuindo para o fortalecimento dos monopólios do costume. O desemprego e a miséria crescem, a precariedade e a exploração laboral florescem e a ausência de esperança é combustível para os novos populistas, que se alimentam do caos e da revolta.
Paralelamente a este cenário dantesco, momentaneamente esquecida ou relegada para segundo plano, a verdadeira pandemia avança, silenciosa e implacável, sem que nada ou quase nada seja feito para a travar. A tal crise climática, que nos arrasta, perigosamente, para um ponto sem retorno. A propósito, a directora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, María Neira, alertou no mês passado para a ligação entre o actual e anteriores vírus, como o Ébola ou o HIV, e os efeitos nefastos provocados pela acção humana no mundo natural. A médica espanhola aponta para a longa lista de vírus transmitidos de animais para humanos, que se relaciona, em larga medida, com a destruição de florestas tropicais. E se a palavra “Amazónia” é a primeira que nos vem à cabeça quando se fala em destruição florestal, é importante sublinhar que a coisa não se resume ao pulmão do mundo. Basta olhar com um pouco de atenção para aquilo que tem acontecido em zona como o Sudoeste asiático, para perceber isso mesmo.
Contas à Braz

É comovente ver a preocupação do comentador-fake-lampião Rui Pedro Braz com as contas do FC Porto. Eu já estou em lágrimas com a preocupação demonstrada por este antigo trabalhador da Benfica TV. O que diz o artista? Que o FC Porto precisa de 96 milhões nos próximos seis meses para pagar “dívidas“. Não te preocupes, pá. Vai mas é ouvir a explicação sobre o Sérgio Milhões, que é de borla e vai ver estas coisinhas para te aliviar a preocupação.
Genocida
Filipe Netto, youtuber brasileiro, foi intimado pela polícia por ter chamado “genocida” ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
O politólogo Daniel Cara, também professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, viu a sua conta no Twitter suspensa por ter adjectivado de “genocida” a gestão que Bolsonaro tem feito da pandemia.
Há seis dias, em São Paulo, milhares de mulheres brasileiras saíram à rua para protestar contra as políticas genocidas do presidente do Brasil.
Há quatro semanas, Lula da Silva referiu-se a Bolsonaro como um “genocida” por este estar a deixar morrer milhares de compatriotas, sem agir para que isso não aconteça. [Read more…]
Os milhões de Mexia e “as melhores práticas do mercado”
António Mexia, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do XVI Governo Constitucional, chefiado por Pedro Santana Lopes (é sempre importante recordar estas coisas, que parece que só são tema quando os visados são antigos governantes do PS), posteriormente presidente do conselho de administração da EDP, cadeira à qual chegou exactamente um ano após abandonar funções governativas, que ocupou até Julho de 2020 e da qual foi obrigado a abdicar após ter sido acusado de subornar Manuel Pinho, Ministro da Economia de Sócrates, o seu Assessor, João Conceição, o ex-Secretário de Estado Artur Trindade e o antigo Diretor-Geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto, está novamente nas bocas do mundo.
Felizmente – para ele, não para nós – não foi embora de mãos a abanar. E, seguramente, não lhe faltarão recursos para tentar o habitual brilharete das elites quando enfrentam a frágil justiça portuguesa: protelar, protelar e protelar, até à prescrição final. É que, graças ao acordo de cessação de funções e de não-concorrência, assinado com a empresa que geriu durante 14 anos – how convenient is that? – Mexia irá receber qualquer coisa como 800 mil euros por ano (mais uma série de extras, como um generoso seguro de saúde e um PPR gordinho), até 2023. Os valores envolvidos, sublinha a EDP, estão alinhados com “as melhores praticas do mercado”. E o que seria de nós, plebeus economicamente iletrados, sem o mercado e as suas melhores práticas?
Meghan, Harry e Oprah: a anatomia de uma encenação
AstraZeneca – E uma vacina para esta loucura?
Era o Vasco Pulido Valente que escrevia “O Mundo está a ficar perigoso” em inúmeros dos seus artigos de opinião. Imaginem o que diria hoje perante a novela da vacina da AstraZeneca.
Os jornais ingleses dizem que a UE está doida. A UE diz que a AstraZeneca está doida. Nós é que estamos a ficar doidos. Xalupas. Lélé da cuca. Nem meia dúzia de dias passaram sobre a esperança de uma abertura “quase plena” da economia no curto/medio prazo fruto das boas expectativas com as vacinas e os processos de vacinação. Nas notícias podíamos ler coisas como: “reservas de férias de verão do mercado alemão e britânico para Portugal, Espanha e Grécia sobem 600% com a perspectiva de vacinação em massa”. E nem dois dias passaram das notícias de aviões cheios de alemães rumo a Maiorca para a semana santa. E de repente…

De repente começam vários países europeus a suspender a vacina da AstraZeneca. Um a um. Só ontem: Portugal, Alemanha, França, Espanha, Países Baixos e Chipre. E porquê? Segundo o Público, “suspeita por estar relacionada com casos de formação de vários tipos de coágulos sanguíneos, com alguns casos de morte”. Quantos casos no todo? 30 em 5 milhões. Está montado o circo. E que circo. Numa altura em que Portugal se preparava para vacinar professores e assim abrir as escolas. Em que inúmeras companhias aéreas começavam a ter os seus voos cheios para a semana santa. E vários países a reabrir a economia. Ok, é favor desmontar as mesas e as cadeiras, recolher as camas de praia e regressar para dentro de casa.
Olhando para a bela relação entre a UE e a AstraZeneca e agora esta suspensão só posso finalizar com: Que comecem as teorias da conspiração.
Ditadura sanitária
Alguns portugueses que se encontravam em prisão domiciliária desde Janeiro, foram hoje colocados em liberdade condicional. Muitos outros continuam ainda encarcerados a cumprir igual sentença decretada pelo governo, com o patrocínio do Presidente da República.
Pode até ser legal, a escravatura também já o foi, mas é imoral, ilegítimo e aberrante, que o Estado encerre qualquer estabelecimento ou actividade, sem que tenha existido uma grave infração da legislação em vigor. E mesmo que tal se tivesse verificado, deveriam ser os Tribunais a decidi-lo e não políticos. [Read more…]
O Pravda de Carnide dixit

Ainda lhes dói, carago. “Falem agora”? Então não foram vocês que falaram? Para desvalorizar a vitória do FC Porto andou o vosso director adjunto a explicar que o homem estava acabado. Por favor, não acabem! Vocês são a nossa gasolina.
Porque será?

Porque será que uma pessoa olha para isto e só a convence de que é dito a sério o que concerne à criação de riqueza, oportunidades de negócio e, vá lá, de realização pessoal?
Citações: Ide ler o Miguel no jornal O Jogo, ide:
Hoje, o Miguel Carvalho publicou mais um artigo de opinião no jornal O Jogo. É de leitura obrigatória.


Que esquerda sobra a Medina ou como vencer Moedas e o regresso de Coelho e Portas?

Toda a direita, como não é surpresa, anda excitadíssima com a eterna promessa dos liberais-radicais, o pafiano Carlos Moedas. Uma espécie de Svilar, de Labyad ou de Imbula, mas oriundo da Harvard Business School. Carlos Moedas foi Secretário de Estado do famigerado governo de Passos Coelho e Paulo Portas que aprovou a lei das rendas que esvaziou, entre outras, a cidade de Lisboa, mas tem a distinta lata de chamar de “renovação” ao processo de estratificação da capital, com os pobres a serem expulsos do centro para aí dar lugar a uma disneylandia de hotéis e a uma catadupa de lofts, experiências gourmets e airbnbs, que transformaram o metro quadrado da capital num dos mais caros da Europa e do Mundo, uma Meca dos apreciadores do casino imobiliário. Não creio que haja memória, na já longa história da cidade, de um apartheid social como o que se verifica nos dias de hoje, patrocinado a duas velocidades pelos dois partidos do bloco central. Sendo Medina o outro lado da moeda de Moedas, haverá alguém de esquerda fora do arco da governação com capacidade de disputar um projecto de recuperação para a cidade que tenha como prioridade a devolução da cidade às pessoas que nela trabalham? Sobrará esquerda que perceba que tentar derrotar Carlos Moedas com Fernando Medida é o mesmo que caçar moscas com mel?
Citações: O Mexia da EDP ainda mexe no seu bolso

É perfeitamente ultrajante que António Mexia, que abandonou a chefia da EDP por questões judiciais, vá receber 800 mil euros por ano até 2023. É uma vergonha tão grande que ninguém imaginou que possa vir a ser preso, e continue a mamar da eléctrica que paga dividendos e salários à custa da factura obscena que mensalmente pagamos, tal é a certeza de que os processos contra poderosos nunca chegam a uma sentença e na maior parte dos casos prescrevem. Mexia, na minha opinião e escrevo-a há muito tempo quando ele era todo-poderoso e todos se curvavam perante ele e paguei por isso como imaginam (contarei um dia qualquer), é o chefe de fila das elites medíocres e incultas que continuam a encarnar o pior do País. Quem hoje luta para salvar as suas empresas, quem batalha para salvar os seus postos de trabalho, ao ver esta notícia ignóbil só pode sentir nojo deste repelente marajá de triste figura.Bom dia. Por Rui Calafate, Facebook
Graciano será o primeiro desastre de Ventura

Isto anda tudo ligado embora suspeite que os animais que estão ao colo não têm culpa nenhuma. Em todo o caso, centrando o debate onde mais importa, parece-me provável que neste contexto o Chega vá ter na CML o seu primeiro desastre eleitoral. Das duas uma, ou não elege vereadores ou elege Graciano o que, a bem dizer, ninguém pode vender como uma vitória. Estou de resto convencido que até o próprio Ventura votará Moedas sem dizer nada a ninguém.
Então e a lista de jornalistas prometida?

No meio de toda esta pandemia não se consegue estar atento a todas as notícias. Por isso deixo a pergunta: o Expresso já publicou a famosa lista de jornalistas avençados do BES? É para um amigo…
Rui Rio, o amordaçado líder da oposição
Quando confrontado com a expressão “democracia amordaçada”, utilizada recentemente pelo mesmo Cavaco que tentou amordaçar a arte de Saramago, Rui Rio afirmou que “não iria por aí”. Mas foi bom senso de pouca dura. É que, imediatamente a seguir, num acto de calimerismo político que não é novo, Rio queixou-se da falta de comentadores afectos ao PSD, indo mais longe e afirmando “Identifiquem-nos já comentadores que não sejam afetos ao PS”, transportando a discussão para o patamar da demagogia barata.
Em 2019, um trabalho jornalístico de Paulo Pena revelava já que, apesar da maioria de esquerda existente no parlamento, a representatividade dos partidos de direita no comentário televisivo era bastante superior à dos partidos de esquerda. Era, no fundo, desproporcional à sua representação parlamentar, sendo que, nessa óptica, o CDS surgia como o partido mais beneficiado, sendo o PCP o mais prejudicado. A tal comunicação social controlada por comunistas.









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