Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (4)

A Revolução de 25 de Abril veio provar que tinham razão aqueles que defendiam que a ditadura só cairia pela força das armas. Porém, derrubada a ditadura pelo MFA, durante alguns meses, sobretudo até ao 11 de Março de 1975, o espectro de um contragolpe de direita foi uma permanente ameaça e uma preocupação constante para os antifascistas.

Quando em 28 de Setembro de 1974, sob a inspiração do marechal Spínola, um dos membros da Junta de Salvação Nacional, o general Galvão de Melo, apelou a uma manifestação da «maioria silenciosa» – referindo-se a uma suposta maioria dos cidadãos portugueses silenciada pelo terror imposto pelas esquerdas – temeu-se que as direitas, quer as estruturas civis quer as militares, tentassem a via golpista para restaurar a ditadura.

Fizeram-se barricadas, o povo veio para as ruas armado com podia – e a montanha pariu um rato – afinal a direita não se atreveu a deitar a cabeça de fora. Só no ano seguinte, em 11 de Março, fez uma tentativa canhestra, rápida e consistentemente controlada pelo MFA, logo apoiado por manifestações populares que não deixaram dúvidas quanto ao que a maioria do povo português sentia. Aliás, como sempre acontece nestas coisas, a ameaça golpista de Spínola, deu lugar a um forte avanço das forças populares. [Read more…]

A presunção de inocência

O que vale a pena, tem sempre que ser conquistado, com determinação, com convicções, com muitas desilusões, mas há que porfiar e não desistir.

Uma delas, e esta reflexão resulta de vários comentários cruzados que temos tido aqui, é a questão da Justiça. Para além do que se pode fazer, melhorar a organização, assentar a progressão no mérito, introduzir meios modernos de gestão e informática, há algo com que temos de viver, sob pena de colocarmos em perigo a nossa liberdade.

As garantias que são dadas a todo e qualquer suspeito ou arguido de ter direito à sua defesa, de constituir advogado, de ter acesso ao processo, de se constituir assistente, gozar de tantos direitos que há quem lhe chame “garantismo”, isto é, que vai para além das garantias razoáveis, são uma uma trave mestra da Liberdade!

Mas tudo isto pode ser condensado numa frase. É preferível ter culpados livres, sem castigo, sejam quantos forem, do que ter um só inocente na prisão!

E este principio tem que ser levado até às últimas consequências, correndo o risco de favorecer quem tem mais meios para melhor se defender, ver casos de pessoas que uma e outra vez não são sequer acusados, pese embora as suspeitas, e mais que suspeitas, provas que aparecem na opinião pública, mas que não têm valor probatório em Tribunal.

No caso dos políticos, há o nível político e o nível do cidadão. Ao nível político, eu sou de opinião que um homem público não pode ficar indiferente ao que a opinião pública pensa dele, mesmo que nada esteja provado em Tribunal. Trata-se de alguem que está fragilizado perante os muitos interesses que tem que enfrentar, perde capacidade e eficácia na resolução dos problemas da governação.

Ao nível pessoal esse homem tem todos os direitos que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa. Não pode ser considerado culpado, e goza da presunção de inocência, enquanto não transaccionar em Julgado, decisão de Tribunal competente para o condenar.

É assim  o Estado de Direito! Podemos arrancar os cabelos, podemos não acreditar, podemos zangarmo-nos uns com os outros, mas aquele principio é sagrado!

Ai, de nós se assim não fosse!

PS: sou o mesmo LM que ataca uma e outra vez Sócrates e os outros políticos. Não estão enganados. Mas nunca me leram a dizer que são culpados. Mesmo no auge do Freeport, para além dos boys de serviço, eu fui dos poucos que nunca deixou cair essa dúvida. E se não for culpado?

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (3)

Numa reunião do comité central do PCP, realizada em Agosto de 1963, verificou-se uma grave dissidência entre a linha, estalinista, ortodoxa, a corrente maioritária, a de Álvaro Cunhal, e uma minoritária, liderada por Francisco Martins Rodrigues. Sendo insanável a divergência, este, acompanhado por outros elementos daquele órgão dirigente, abandonou o partido, acusando a linha dominante de ser «meramente eleitoralista».

Em Abril de 1964, esse dissidentes criaram a FAP- Frente de Acção Popular, através de cujo órgão de imprensa (o Luta Popular) defenderam a acção armada como única via de derrube do regime salazarista. Em 1965 os principais dirigentes e outros militantes foram presos pela PIDE. Porém seria a partir deste pressuposto, de que o regime só cairia pela violência e nunca pela luta legal, que iriam nascer organizações clandestinas como a LUAR e como as Brigadas Revolucionárias. Organizações que o PCP sempre acusou de serem «aventureiristas», «divisionistas» e «blanquistas».

Abro um parêntesis, para lembrar que «blanquismo» é um conceito proveniente do nome de Louis-Auguste Blanqui (1805-1881), político francês que defendia que a revolução socialista e a consequente tomada do poder, não seria obra das massas proletárias, mas sim de um grupo reduzido de conspiradores, bem organizados em estruturas secretas. Segundo Blanqui, a revolução seria consumada sob a forma de um golpe de estado. Na linguagem dos partidos comunistas ortodoxos, blanquismo é, portanto, um termo fortemente pejorativo. [Read more…]

Orçamento: governo não mostra o jogo

Constâncio já veio dar o pontapé de saída. O déficite tem que ser dominado já em 2010. Isto traduzido quer dizer que o governo vai tentar  a) controlo das despesas b) o investimento sabemos que não c) aumentar impostos,d) vender património e empresas

O a) sabemos qual é o resultado, não é controlado nada, pelo menos ao nível que seria necessário. o b) investimento, sabemos que pelo contrário, o governo não desarma dos mega-investimentos, o que virá aumentar a dívida e com taxas de juro cada vez maiores. Resta o c) aumentar impostos, e para ser rápido e pouco doloroso vai ser o IVA, o d) já pouco há a vender e os tempos não estão para compras.

Isto é o habitual, o Estado precisa de dinheiro vai buscá-lo ao bolso dos contribuintes!

Andou a utilizar o dinheiro dos contribuintes para fechar buracos na banca, resultantes de negócios especulativos e , a mais das vezes, fora da lei, mas com governos destes a música é sempre a mesma.

Hoje, na imprensa, já apareceram as vozes do costume, é preciso estabilidade, deixar passar o Orçamento, a Oposição não pode cair em tentação…

Ora, o que resta da margem de manobra política, tem que ver com a dívida, e esta tem que ver com os mega-investimentos, e estes têm contra, o Presidente da República e o PSD e, a favor, com nuances, o PS e o PCP e o BE.

O CDS está numa embrulhada quer investimentos mas para as PME, vai dar uma no cravo e outra na ferradura?

E o PCP e o BE com a dívida monstruosa, vão escolher o quê? Mais dívida? É por tudo isto que o PS e o governo não mostram o jogo!

Pelo menos atrasar os mega investimentos em TGVs, manda o bom senso que seja a a medida a tomar, mas contra o bom senso temos a fome insaciável das grandes empresas e dos gabinetes de advogados e consultores, e a Banca!

Hoje, já se fala sem rebuço, no congelamento de salários na função pública como única forma de conseguir suster a despesa. Milagres não há e, no nosso caso, também não há mérito, pelo que vamos assistir a trocas entre investimentos que não se fazem já, e cortes nos salários dos trabalhadores.

Como todos previam e que só Sócrates e o seu séquito, negavam. Mas o que tem que ser tem muita força, e o momento da verdade mais tarde ou mais cedo, chega. Vai chegar com o Orçamento!

Hugo Chávez discursa na cimeira de Copenhaga

Isto nada tem a ver com futebol

Há não sei quantos dias que os profissionais de um desporto profissional ou, melhor, de um espectáculo desportivo, estão em férias.

Enquanto isso, em Inglaterra, jogam furiosamente, de três em três dias, no período a que chamam “box day”. Recebeu o nome da caixa das esmolas que neste período se colocava à porta das Igrejas e nos largos das cidades onde se praticavam jogos,  cujos resultados revertiam em dinheiro para a tal caixa.

Esta forma de olhar para esta actividade tem consequências, como seja, que no próximo mês as nossas equipas vão jogar intensamente, recuperando o atraso, só que correm o risco de ficarem pelo caminho nos campeonatos europeus que dão a massa a sério. Iniciam Janeiro sem ritmo, ao sabor das rabanadas e entretanto, metade dos interessados já não sabem a quantas andam. Como se viu ontem em Alvalade. Quando lá cheguei, havia tão pouca gente que julguei ter-me enganado no dia.

Ao contrário, os Ingleses já despacharam grande parte do trabalho, com muito dinheiro a entrar nos cofres dos clubes e agora é só recuperar do esforço.

Esta é a visão dos dirigentes , não dos clubes, mas do dirigismo nacional, que precisam de férias no Natal e então maribam-se para os clubes, para o muito dinheiro que se pode perder e para os clientes pagadores.

Enquanto em Inglaterra, há a visão da programação, da eficácia, de manter uma actividade que é uma industria muito importante e que move milhões, em Portugal, a visão é a da preguiça, das férias , da falta de respeito por quem, legitimamente, acompanha o jogo da bola!

E o pior é que esta diferença se alarga a todas as outras actividades…

Regionalização: tachos x 5

Já que o referendo, esse instrumento tão democrático que passou num ápice, a mau da fita, tem sido glosado por todos quantos não concordam com a sua realização a propósito dos casamentos gay, recuperará o seu estatuto se for utilizado na Regionalização?

Temos cinco regiões a que correspondem cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e que o PS quer ver transformadas em cinco regiões administrativas com poderes alargados.

Nos últimos cinco anos os serviços foram desconcentrados em cinco regiões-plano num processo que já tem o Algarve como ensaio na gestão de competências autonomas. Falta agora acertar o processo de implementação que o governo quer ver ser objecto de um largo consenso com a Oposição.

Em 1997 esta matéria dividiu seriamente a opinião dos portugueses pelo que é natural que só se avançará com a garantia que um amplo consenso pressupõe, que no essencial só tem a oposição do CDS.

Se as vantagens são evidentes, o peso de mais cinco estruturas de políticos, num país tão pequeno e tão pobre como o nosso, faz temer que as desvantagens não sejam menores. Eu apostaria na legitimidade democrática das autarquias e avançaria para estruturas de coordenação regional, na proporcionalidade resultante das eleições autarquicas.

Este alargamento, com reforço de poderes (a par da legitimidade democrática, é o real reforço dos poderes e real descentralização de meios, o que realmente importa) permitiria o aprofundamento das políticas a nível regional em contraponto, com as políticas locais que a actual divisão territorial administrativa admite.

Sem o peso atrofiante de custos com estruturas políticas que nada acrescentam à eficácia da implementação no terreno, das políticas regionais fundamentais.

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (2)

Já vimos que os comunistas estavam bem organizados. E os anarquistas?

Os anarco-sindicalistas estavam, sobretudo, filiados na Confederação Geral do Trabalho. Tinham tido grande implantação entre as classes trabalhadoras, mas aos poucos, o PCP ia-lhes reduzindo o espaço de manobra e hegemonizando as organizações de classe. Em todo o caso, ainda estavam activos, mesmo depois de todas as suas estruturas terem sido ilegalizadas pelo golpe de 1926. Prepararam um atentado contra o ditador que, por muito pouco, não resultou.

Na manhã de 4 de Julho de 1937, na Av. Barbosa du Bocage, em Lisboa, Salazar saiu do carro que o transportara até junto da capela particular de um amigo para assistir á missa dominical quando a escassos metros rebentou um engenho explosivo. O atentado fora preparado com cuidado, estudando a rotina do ditador nas manhãs de domingo, a bomba fora colocada, sob o pavimento, no local onde o carro costumava parar e seria accionada manualmente por elementos escondidos num prédio vizinho.

Tudo correu como o previsto, só que o carro estacionou a metros do local habitual e o visado apenas apanhou um susto. Emídio Santana (1906-1988), um dos autores do atentado, foi perseguido. Fugiu para Inglaterra onde acabou por ser preso e, entregue às autoridades portuguesas. Foi condenado a 16 anos de prisão. [Read more…]

Tony Blair a contas com a Justiça

Um juiz Inglês aceitou a acusação formulada por um magistrado contra Tony Blair por, enquanto Primeiro Ministro, ter mentido ao povo inglês acerca das razões que o levaram a envolver o país no ataque ao Iraque!

Os que acham que a Democracia e o Estado de Direito não é o melhor dos sistemas para governar um país deveriam reflectir sobre esta notícia.

Enquanto cá, em Portugal e na UE, um dos homens que mentiu a tudo e a todos, Durão Barroso, recebeu como prémio ser promovido a “grande irmão” como paga por estar ao lado dos “Bush” deste mundo. Na velha e democrática Inglaterra, que se vê atacada por terroristas que se acolhem nas sua generosidade democrática, um ex-primeiro- ministro é chamado à Justiça. Por ter mentido ao seu povo!

É capaz de não ser necessário mais argumentos. Quem não quer entender a diferença jamais entenderá…

E já se tinha percebido, para quem quer ver, porque perdeu Tony Blair a corrida à Presidência da UE. Foi o seu próprio país que não o apoiou. É fácil, muito fácil, ignorar o que faz a diferença, mas é mais dificil perceber que o Estado de Direito dá muitas garantias de exercício dos Direitos cívicos. Nós, cá em Portugal, não temos uma sociedade civil forte, que se faça ouvir. Temos esse direito mas não o exercemos. É mais fácil colocar postes como este.

E dizer mal dos países democráticos!

Entretanto, vamos dando toda a simpatia a sistemas que mantêm os seus povos na idade média, as mulheres humilhadas, que apoiam ataques terroristas, que dominam as manifestações populares com assassínios e prisões em massa, sem qualquer garantia de verem os seus direitos defendidos por um advogado ou por uma imprensa livre (ou perto disso).

Os US nem sequer têm um sistema de saúde para proteger os seus cidadãos, usam a força (o mais poderoso usa a força, sempre!) é quase um pais desumano pela competitividade desenfreada, é tudo isso, mas lá os direitos são exercidos.

E os senhores do Iraque um dia destes vão responder em Tribunal.

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (1)

Todos sabemos até que ponto as lutas partidárias, a degradação da economia, as frequentes revoltas e revoluções, a intervenção militar na I Guerra, tinham desgastado a República desde 1910 até 1926. As classes possidentes, os grandes industriais, a Igreja Católica, alguns meios intelectuais, mostravam sinais de impaciência. Porque o novo regime, em que tantos tinham depositado esperança, não resolveu nenhum dos problemas fulcrais que flagelavam a Monarquia dos últimos anos – o subdesenvolvimento e o analfabetismo, entre outros.

Quanto a esses sectores de opinião conservadora era preciso disciplinar o País. A Ditadura Militar a que se seguiu o Estado Novo impuseram a ordem que tantos desejavam. No entanto, durante os 48 anos que mediaram entre o pronunciamento de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974, e em que reinou uma ordem imposta pela força, houve acções armadas contra o regime ditatorial, desencadeadas por militares (o chamado «reviralhismo»), por civis ou por organizações clandestinas. É algumas dessas reacções violentas contra um regime imposto e mantido pela violência que a nossa memória irá visitar.

Nos anos que se seguiram ao golpe militar de 28 de Maio de 1926, verificaram-se algumas revoltas. Como besta desabituada de usar sela ou albardas, o povo português escoiceava e tentava sacudir os aprestos que, dia a dia, lhe iam pondo no dorso sob a forma de novas medidas repressivas e da supressão dos direitos fundamentais outorgados ainda durante a monarquia, desde a proclamação da Carta Constitucional, e na I República, entre 1910 e 1926 (com o breve interregno do consulado sidonista).

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Suícidas sem experiência…

…é por isso que morrem, se tivessem experiência safavam-se. Quem tambem morre por falta de experiência são as vítimas dos atentados. Quem não morre mesmo são os experientes, que cheios de patriotismo e de braço dado com os deuses, vão mandando para a morte , um após outro, inocentes e inexperientes!

Os Muçulmanos são mandados para a morte ao abrigo das delícias do paraíso, os Americanos caminham para a morte à espera de uma renda vitalícia.

A única maneira de sair disto é, aos primeiros , mostrar-lhes que não há deus nenhum que exija o seu sangue e, aos segundos, que não há conforto nenhum que mereça o seu sacrifício. E, de um lado e outro, acabarem com os “vendedores de promessas”.

Sempre que eu abordava o meu pai no sentido de fugir à tropa e à guerra, o meu pai chorava, como se fugir para França equivalesse a perder-me…

Um dia, com uma grave depressão, ainda na tropa, consultei um médico civil que me  ouviu calmamente e me disse serenamente : “tenho três filhos que estão em Paris, eu próprio os levei lá. Filho meu não veste fardas nem vai para guerras.”

Só a cultura faz homens livres!

O acordo pode ser mais ou menos?

Esta questão coloca-se muitas vezes na nossa vida corrente. Mantenho a minha vida confortável, o cantinho, os livros, os filmes, as viagens, enfim, o que conheço, ou largo tudo e vou atrás de uma paixão ?

No acordo, deixo-me estar a fazer o que conheço, mal ou bem, assim-assim, escrevo como sempre escrevi ou largo essa segurança e lanço-me na aventura de conhecer, analisar, escolher, descobrir?

Peço desculpa por não estar no tom solene que o assunto exige, mas a verdade é que cá para mim, este acordo serve, mais ou menos, para pôr algum padrão, alguma ordem, nas muitas e diversas formas que a vida, a real das pessoas, foi introduzindo na escrita e na fala e que vai continuar a pôr, quer os senhores doutores queiram ou não.

Mas se há palavras que apetece mesmo mudar, torná-las mais simples, há outras que não dá jeito nenhum andar a mudá-las. Por exemplo, Baptista! Dá mesmo vontade fazer desaparecer de vez com o “p” e tornar a coisa num Batista, bem mais legível. Mas, ao contrário, o que se fará com “facto” ? Passa a “fato” ? Eu apontei esse “fato” como importante para a discussão ! Qual, o azul?

Pelas razões apontadas ando muito desorientado e ansioso à espera dos conselhos ( o concelho também muda? estão a ver a confusão) dos “experts” (pecado! ) “connaisseurs ” (pior), académicos para me dizerem o que o povo deverá falar e escrever.

E voltando à imagem inicial, não é possível manter os cantinhos todos e arranjar uma namorada ?

Isto é, um acordo mais ou menos?

Poesia & etc. – Gira, gira…

Às vezes não vejo os vídeos que acompanham os textos e, portanto, compreendo que, relativamente aos vídeos que coloco, haja leitores que façam o mesmo. No caso de hoje, peço o favor de escutarem esta interpretação do tango «Yira, Yira» por Carlos Gardel, pois é importante ouvi-lo para compreender o que quero dizer:

Num texto de uma outra série, contei-vos os trabalhos que passei para traduzir um livro do grande escritor argentino Ernesto Sábato, («Heróis e Túmulos»). Estudara língua e literatura castelhana, mas a cada passo surgiam vocábulos que desconhecia e que os dicionários, incluindo o da Real Academia, não registavam. Escrevi então ao Sábato dando-lhe conta da minha dificuldade e ele, muito amavelmente, enviou-me um extenso glossário com termos argentinos e, inclusivamente com modismos «porteños», ou seja, bueno-airenses.

Na letra do tango cantado pelo Gardel, existem casos desses. A começar pelo título, Yira, Yira (pronunciado de forma semelhante á do português) – em castelhano dir-se-ia «Gira, gira», pronunciando-se como fonema fricativo velar surdo – velar, por ser articulado junto do véu palatino (os portugueses quando querem falar portunhol, resolvem o problema, transformando o «g» ou o «j» em «r» – exemplo – rúlio iglésias). [Read more…]

A língua portuguesa e os acordos ortográficos

1 de Janeiro deste ano de 2010 era a data prevista para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. No entanto, nada de concreto foi ainda avançado. Isabel Alçada, ministra da Educação, limitou-se a dizer que, no sistema de Ensino, o Acordo vigoraria no «início de um ano lectivo». Em que ano? Adiantou também que há adaptações a fazer, no plano técnico e no humano. Que adaptações? Reina, pois a indecisão. Enquanto esperamos, falemos um pouco sobre a fixação do idioma e na história dos Acordos Ortográficos.

O único documento que nos ficou do português proto-histórico, no que se refere à linguagem não literária, é um texto notarial, a «notícia de torto». Mais ou menos pela mesma época, em 1214, foi redigido o testamento de D. Afonso II que utilizou pela primeira vez o português em detrimento do habitual latim. No que respeita à linguagem literária, existem mais pistas. Carolina de Michaëlis datou de 1199 a cantiga «Ay eu, coitada, como vivo» que a investigadora atribuiu a D. Sancho I (1185.1211). No entanto, não existe consenso quanto a esta atribuição, há quem indique como autor Afonso IX de Leão (1188-1230) ou mesmo Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1252-1284). Como se sabe, a língua literária, por excelência, da corte leonesa era o galego-português. [Read more…]

Não tenham medo!

Não tenham medo! Ouvi esta frase da boca de João Paulo ll e fiquei impressionado, havia qualquer coisa que só ele sabia, e esta emoção que me transmitiu, não a coloquei em dúvida. Soube-me bem, apaziguou-me.

Mas que pensar desta coisa extraordinária que é sabermos que quer a Irlanda, quer a Grécia, souberam que estavam na bancarrota pelo Financial Times? E isto em dois países em que a democracia está instalada, onde a comunicação social deveria ser livre, onde os governos deveriam falar verdade .

Na comunicação do Presidente da República os perigos apontados, a situação caracterizada, é de tal forma diferente da apresentada pelo governo, que um deles está a mentir. O que temos certo é que há instituições internacionais que nos andam a avisar, sabemos que há a velha máxima : “se há alguma coisa que possa correr mal, corre mesmo ” , há mesmo quem desconfie que ainda há grandes “buracos negros” não descobertos, que 2010 será um manancial de más notícias…

E agora ? Tenho medo ou não?

E se tiver medo faço o quê? O governo anda a anunciar o fim da crise desde o dia em que ela começou, os partidos da oposição estão à espera que tudo corra mal para então, conversarem com o PS, sem Sócrates. E nós, lemos o Financial Times?

Não sai aí mais um “escândalo socrático” para que possamos ter direito à verdade? O homem ía à vida e nós podíamos dormir descansados!

E o Irão, como poderá evoluir?

Não são só os aguerridos movimentos de oposição democrática que representam uma ameaça para o regime, os movimentos separatistas de regiões multi-étnicas, Curdos, balúchis,Azerbaijanas e Árabes que constituem 44% da população do país, dominado pelos Persas, são uma ameaça maior.

Trabalhando em conjunto, movimento democrático e movimentos separatistas poderão constituir uma alternativa muito séria, mas que até agora têm sido dominados pelas elites religiosas, militares e comerciais Persas que  têm negado o apoio às exigências das minorias.

Um dos objecticos é a autonomia regional sob a Constituição existente, outro é uma confederação de estados e, por último, a independência. São estes movimentos separatistas que os US estão a alimentar com armas e dinheiro “os americanos estão ocupados a construir uma conspiração.”

O pano de fundo desta situação é um regime totalitário, dominado pelos extremistas religiosos e com um plano militar nuclear de que todos têm medo. Se os movimentos de oposição interna mantiverem a pressão, organizando-se e juntando-se, é muito possível que se abra uma janela de oportunidade que leve Israel e os US a atacarem e destruírem as zonas de  desenvolvimento nuclear. Isto seria o fim do regime!

A repressão parece ser o único caminho que resta ao regime para sobreviver, já que a negociação é praticamente impossível e a revolução vai intensificar-se o que poderá levar a um estado de “rebelião generalizada.”

PS: Selig S.Harrison no i

Repor a família tradicional

Repor a família no centro da política social, sem motivos morais, mas porque é a melhor forma de proteger crianças e adultos.

A maior preocupação, não é a forma de relação dos pais, mas a que mais e melhor estabilidade e qualidade der às crianças e aos adolescentes.

E daqui se parte para políticas concretas e que o Estado deve promover: a) apoiar activamente o papel do pai e as responsabilidades partilhadas entre ele e a mãe. b) substituir incentivos fiscais por apoio público à família nos momentos chave c) construir redes de apoio para ajudar adultos e crianças a ultrapassar situações de divórcio ou de rupturas .

É desta forma séria que se discutem os problemas inerentes à família, na velha e democrática Inglaterra. À direita, não se resiste à tentação de se ver na família tradicional e no casamento um superior princípio moral, à esquerda, não se resiste à tentação de desvalorizar em absoluto esta forma de vida.

A verdade é que famílias intactas produzem excelentes resultados no futuro das crianças (quando comparados com os resultados de crianças criadas em outros ambientes) e não interessa se há ou não casamento, o que interessa é que exista família intacta: pai, mãe e filhos.

Não há, nestas propostas, qualquer sentido moralista, mas sim porque é na família tradicional que as crianças e adultos concretizam o seu maior potencial.

PS: ver Martim Avilez Figueiredo no i “Politics for a new generation,the progressive moment” de 2007 e “The progressive manifest” de 2004 -livros de Antony Giddens.

Poesia & etc. – Manuel da Fonseca

Esta série que hoje inicio tem um formato diferente das que anteriormente dediquei à poesia – neste espaço vão conviver poetas famosos, poetas populares, poetas menos conhecidos… Não será apenas gente já falecida – em alguns casos falarei de poetas vivos. E, de vez enquando, meterei um poema meu.. Para começar escolhi o Manuel da Fonseca, grande poeta e ficcionista.

Falei com Manuel da Fonseca por duas vezes. A primeira, faz hoje (precisamente) 50 anos, foi na noite de 2 de Janeiro de 1960. Como é posso referir com precisão, a data? Porque sei que foi no Inverno de 1960, no dia do aniversário do Mário Henrique Leiria (foi só ver em que dia tinha nascido – 2 de Janeiro de 1923).

Um grupo numeroso – o António José Forte, o Virgílio Martinho, o Saldanha da Gama, o Henrique Tavares e mais alguns de que não me recordo, fomos convidados para a festa de aniversário do Mário Henrique. Quando chegámos à Vivenda Maria Xavier, em Carcavelos, residência do Mário, uma das pessoas que já lá estavam, era o Manuel da Fonseca. [Read more…]

Todos de acordo com Cavaco!

Os partidos estão todos de acordo com o que o Presidente disse na sua declaração de Ano Novo.

E o que é que ele disse?

-Economia baseada na produção de bens transaccionáveis e competitivos com os produtos estrangeiros.

-Finanças Públicas equilibradas, especialmente a dívida externa e o déficite

-Apoios sociais numa situação de tão alto desemprego

E então?

O “cassete” Assis jurou a pés juntos que os investimentos no TGV não prejudicam em nada a dívida, e tornam altamente competitivos os bens transaccionáveis que não temos.

O “eterno” Guedes diz que é exactamente o que o PSD anda a dizer desde que se conhece e, é por isso, que não cumpriram o acordo sobre a Justiça (sem o que não há desenvolvimento)

O “medicinal” Semedo observa e bem, que é por estarem atentos que dão prioridade ao casamento gay.

O “obscuro” Macedo diz que o Dr. Portas depois fala sobre o assunto

O deputado ? do PCP que eu nunca vi antes, diz que sim mas só se for como eles querem.

Claro que o Presidente, aproveitou a oportunidade para colocar o comboio nos carris, é preciso chamar para o centro do debate os verdadeiros problemas, que são muito dificeis e, é por isso, que nós assistimos a manobras de diversão todos os dias.

O Orçamento, peça essencial da política a implementar, está no segredo dos deuses, vem aí borrasca e da grande, é preciso garantir que nos próximos anos os grandes negócios não tenham margem para voltar para trás, mesmo com alteração da cor política do governo.

Cavaco tem agora uma tarefa fácil, já marcou o terreno, na verdade, o caminho é muito estreito e não há margem para invenções.

E as instituições internacionais tambem já começaram a empurrar na mesma direcção.

A real orquestra Sinfónica de Viena

Todos os anos, o mais belo espectáculo televiso, é transmitido no dia 1 !

É só despachar o almoço ( ainda cheios da noite anterior não custa nada ) procurar um lugar sossegado e deixar-se ir nas asas geniais da música de Mozart, Strauss, Malher, Haendel…

Num ambiente de uma beleza indescritivel, com gente bonita e culta que esgota a Ópera de Viena seis meses antes (belíssimo edificio, só para o visitar é preciso pagar, e nas suas cercanias actores vestidos a preceito, vendem e dão a conhecer tudo sobre a história daquele edificio) e executada por músicos exímios, a música de sempre tem um efeito de “levitação” que muito poucas vezes alcançamos.

A Companhia de bailado, com os artistas a dançarem nos largos e belos salões , a participação do público (profundamente conhecedor) em sintonia com a orquestra e o maestro (o maestro de hoje tem 83 anos), as vozes belíssimas dos jovens do “Coro de Viena ” todos com menos de catorze anos, constituem um espectáculo admirável que nunca perco.

E não acreditem que seja preciso saber música ou a história da música ou o ano de nascimento de Mozart…

Ajudar a manter a miséria?

Os sinais são já nitidos e nos próximos dez anos vão tornar-se ainda mais claros. O eixo do mundo económico e financeiro está a rodar, deixando a UE e os US e movendo-se na direcção dos BRIC ( Brasil, Rússia, Índia, China ).

Este movimento faz-se à custa de fronteiras sem barreiras e tambem da miséria da população trabalhadora daqueles países emergentes.

Os BRIC são já quem tem grande parte da dívida externa dos US, são quem compra e são proprietários de grandes empresas internacionais autênticos “icones” do capitalismo Ocidental.

Não podemos aceitar que estes movimentos globais  se façam à custa de preços muito mais baixos que os conseguidos no Ocidente, porque resultam de políticas de repartição muito desiguais, o que leva a que os US e a UE estejam, literalmente, a alimentar sistemas instalados nos BRIC que se baseiam numa enorme miséria da classe trabalhadora.

A continuar assim, será o Estado Previdência que pode estar em causa, a maior vitória social dos povos , desde sempre. Tem sido a partir da luta dos trabalhadores que os maiores avanços sociais têm sido conseguidos, no quadro mais amplo do Estado Social .Ora, sem os mesmos  apoios sociais do Ocidente ,esta luta global trava-se em condições muito injustas para os trabalhadores explorados até à miséria naqueles países emergentes.

Hoje, tambem é evidente que o desenvolvimento apoiado no petróleo, tem os dias contados, o preço/barril vai chegar aos 200 dólares, o que coloca em cima da mesa a questão de saber se os países emergentes estão dispostos a travar o seu desenvolvimento a curto prazo, para dar ínicio a uma nova era de desenvolvimento sustentado.

Para os países Ocidentais essa substituíção é muito mais dificil, porque toda a economia está apoiada em estruturas e logística que derivam do petróleo e seus derivados. Copenhaga já mostrou as profundas divergências e não se chegou a acordo.

A muito curto prazo a globalização será posta em causa, os países emergentes não estão dispostos a prejudicar o seu desenvolvimento, melhorando drasticamente o nível de vida das suas populações, o que vai levar os países ocidentais a fazerem movimentos de anti-globalização , no sentido de nivelar os custos e a qualidade dos produtos e bens!

Qual será a opção? É justo que a globalização se faça apenas ao nível do comércio livre, ou tambem é exigível que os trabalhadores daqueles países alcancem um nível de vida decente?

É que não há “jeanes” a dois euros…

Memória descritiva: Aquarela do Brasil – a mentira getulista

Memória descritiva, foi o título que dei a um poema incluído no meu livro «O Cárcere e o Prado Luminoso» (1990). Publiquei-o aqui, semanas atrás. Como se sabe, esta é a designação dada aos estudos preliminares de arquitectura, onde se define basicamente a tipologia do projecto, materiais a utilizar, tipo de acabamentos, etc.. O sentido aqui é diferente, mas também muito literal – a memória, a minha e a dos autores que leio, vai passando para pequenos textos – «memórias descritivas». Hoje, escolhi como tema a «Aquarela do Brasil», a canção de Ary Barroso. Já verão porquê. Primeiro, ouçamos a bela interpretação de Gal Costa.

No ano que acaba de terminar passam 70 anos sobre a composição por Ary Barroso de «Aquarela do Brasil». O hino nacional brasileiro foi criado por Francisco Manuel da Silva (1795 – 1865). Pois, para muitos «Aquarela do Brasil» é o como que um outro hino do país. Numa sondagem organizada pela Academia Brasileira de Letras, a «Aquarela» ficou em primeiro lugar. [Read more…]

A EDP não tem culpa…

Não tem culpa do temporal diz um senhor com um ar muito sério, os postes foram feitos para aguentarem ventos  até100 kms/h, se houver ventos acima dessa velocidade a culpa é dos prejudicados que levam com os postes em cima.

Isto é, a EDP coloca os postes por cima dos bens do pobre cidadão, que não é tido nem achado e depois ele que aguente com os postes e com os prejuízos.

Esta é a forma como estas empresas monopolistas, que ganham milhões no mercado interno sem concorrência, que absorvem as mais valias de quem trabalha, olham para o cidadão/contribuinte.

A falta de respeito pelas pessoas está aqui bem retratada por este senhor que não tem vergonha de apresentar uma justificação destas. É a irresponsabilidade, a prepotência, isto é uma forma rasteira de alijar responsabilidades, por uma empresa gigante que pratica os preços que quer a ponto de andar a investir em energia verde nos US, enquanto em Portugal constrói barragens e compra carvão ao estrangeiro.

É como andar de carro à chuva, bater num carro estacionado e depois apresentar a factura ao temporal. O prejudicado esse, vai ao totta…

A máquina do tempo: em demanda de Eça* (5)

Eça está visivelmente cansado. Sem embargo da lucidez com que continua a responder, interrompe-se frequentemente para respirar, para tossir. À porta surge a D. Emília fazendo-me sinais para que termine.

– Uma última pergunta. Ao cabo destes anos de luta pela língua e pela literatura portuguesas, sente-se devidamente recompensado?

– Sabe, se eu tivesse nascido em França e dado romances ao Petit Journal, possuiria talvez 60 000 francos de renda.

– Sente-se então arrependido.

– De certo modo… a guerra da literatura é uma luta bem vã quando se empreende com uma pena na mão, em língua portuguesa. Todo o meu erro foi, quando era moço e forte como você, não estabelecer uma mercearia para o que aliás tenho jeito e gosto. Estava agora gordo e sossegado, com o toucinho que cobriria o meu balcão e, se você por lá aparecesse, eu diria com delicada superioridade: «Ó Sr. jornalista, temos aqui um queijinho que é de se lhe arrebitar a orelha. E seria o céu aberto! Mas enfim, agora é tarde para chorarmos sobre carreiras erradas…

– Arrependido?

– Não, meu amigo. Chalaceava apenas. E quando, há dois anos, cheguei à minha janela do Rossio para ver o cortejo cívico do centenário de Camões e a multidão me aplaudiu, senti que, afinal, nem tudo tem sido em vão.

Da porta, D. Emília com sinais mais incisivos, exige-nos que terminemos. Muita coisa falta ainda perguntar a Eça. Porém, o seu ar fatigado, a tosse, a voz que enfraquece, não aconselham a que continuemos. Agradeço a afabilidade com que nos recebera e se prestara a responder ás nossas perguntas. Confessa-nos que sempre teve paixão pelos jornais e que, na realidade, me considera um camarada de profissão, pois também ele na juventude fez jornalismo. Agradecemos, despedimo-nos, desejamos melhoras. Julgo ter conseguido disfarçar a enorme tristeza que a visão da ruína física de um espírito tão brilhante em mim provoca.
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De regresso ao centro de Paris, o Sousa lá me convence a sacudir a angústia que a visão de um Eça moribundo me causara e a dar uma volta pela Exposição. Uma vasta área, entre a Concórdia e o Campo de Marte, com pavilhões e palácios fantásticos. Uma viagem reproduzindo o caminho-de-ferro Transiberiano, entre Moscovo e Pequim, um cruzeiro pelo Mediterrâneo, a projecção num ecrã com quase trinta metros de largura dos filmes de Louis Lumiére, etc.. etc. Subo ao cimo da Torre Eiffel. À noite, a «fada Electricidade» que preside à Exposição, surge sob a forma de dezenas de milhares de lâmpadas num espectáculo feérico, inesquecível . [Read more…]

2010 é antes de 2011

Temos que começar pelas verdades incontestáveis, porque de outra forma começamos todos aqui a mandar abraços uns aos outros e  abraços “amando” todos os dias e mais que uma vez ! Até às pessoas de quem não gosto “amando” mas são os chamados “abraços de urso” bem apertadinhos, valha-me Deus, a ver se deixam de contribuir para o CO2.

Por isso, amigos meus, o que há a dizer é que 2010 não me pode dar nada que me tenha faltado em 2009, por isso o 2010, que me deixe em paz, faça de conta que eu ando por aqui mas não me vê. O drama de quem tem as necessidades básicas resolvidas e dinheiro para gastos é que, o que lhe falta, não se compra com a vinda do 2010.

Podem-me dizer, mas é pá, podes dar umas passeatas (já agora vou à China) mas o que é que 2010 tem a ver com isso? Em 2009 fui à argentina e ao Brasil e o 2009 teve a ver com a questão? Zero!

O que vai faltar em 2010 é o que falta a todos, todos os anos, à excepção dos corajosos, que vivem apaixonados pela vida, pela cultura, pelos filhos, pela namorada, pelos livros  e estão a marimbarem-se com o ano, o mês , o dia, e a hora…

Por isso, meus caros, há que viver, fazer a maior parte das coisas que dão prazer, incluindo o trabalho (é que nos divertimos e ainda nos pagam), aventar frequente e azedamente ( há quem avente com doçura) e sentir todos os dias “o fogo que arde sem se ver…) o que não quer dizer que seja por alguem que nos tire do nosso cantinho e dos nossos amigos ou que não nos mereça.

E, já agora, que fique bem claro. Se me deixarem pratico todos os pecados que há no cardápio,  da gula, da lascívia, do lazer (não me lembro de mais nenhum que valha a pena considerar como pecado)!

E prontos, pecados para todos, é o que desejo ! Se estiverem todos a pecar é porque têm saúde, não andam à chapada, não odeiam o Glorioso, têm amigos e família (é preciso ser feliz) e, assim, sim, vale a pena dar as boas vindas a 2010!

E não esperem para serem felizes! Mereçam-no!

Assombroso discurso de um veterano da guerra do Iraque

Bem sei que hoje devíamos só falar de coisas amáveis para não deixarmos o ano com azedumes. Mas este discurso de um soldado americano, veterano da guera do Iraque é, por assim dizer, imperdível. O Adão Cruz chamou-me a atenção para ele e, depois de o ouvir, não resisti à tentação de o partilhar com quem ainda não o ouviu. Está legendado em castelhano. Vejam e ouçam este impressionante documento:

A máquina do tempo: vale a pena?

Colaborar no Aventar, transformou-se num vício. De manhã cedo, antes de me deitar ao trabalho, a primeira coisa que faço é visitar o blogue. À noite, antes de me deitar, dou-lhe uma última olhadela. Pelo meio, quando vejo mensagens na caixa do correio, vejo se são comentários; se sim, respondo ou não. A pergunta é – valeu a pena este trabalho?

A pergunta faço-a a mim mesmo. E fico agradecido se não me citarem o poema da «Mensagem». O Pessoa merece ser recordado por outras obras. Valeu a pena? O Professor Moniz Pereira, que formou tantos atletas de alta competição, compôs um bonito fado, afirmando que «valeu a pena». Canta-o muito bem Maria da Fé. Eu não afirmo – pergunto: «vale a pena?»Às vezes penso que sim. Outras vezes penso que não. [Read more…]

A máquina do tempo: em demanda de Eça* (4)

_ Já pudemos ver como Coimbra foi importante no despertar da sua vida intelectual. Lisboa pode considerar-se a segunda grande etapa dessa evolução. Que papel desempenhou a capital na sua obra?

– Eu lhe conto. Com a minha carta de bacharel num canudo, trepei enfim um dia para o alto da diligência, dizendo adeus às veigas do Mondego. Justamente nesse mesmo tejadilho ia um francês, um commis-voyageur. Era um colosso, de lunetas, duro e brusco, com um queixo maciço de cavalo, que à maneira que o coche rolava ia lançando através dos vidros defumados um olhar às terras de lavoura, aos vinhedos, aos pomares, como se os sopesasse e lhes calculasse o valor, torrão a torrão. Não sei porquê, deu-me a impressão de um agiota, estudando as terras dum morgado arruinado. Conversei com este animal; ele pareceu-me surpreendido da minha facilidade no francês, do meu conhecimento do francês, da política de França, da literatura de França.

E ainda recordo o tom de alta protecção, com que me disse, batendo-me no ombro: «Vous avez raison, il faut aimer la France… Il n’y a que ça! Et puis, vous savez, il faut que nous vous fassions des choses, des chemins de fer, des docks, des choses… Mais il faut nous donner votre argent…

– A França e a sua cultura influenciavam fortemente os políticos e os intelectuais portugueses. Aliás, é sua a fórmula: Portugal é um país traduzido do francês em vernáculo. Passados tempos, alterou essa formulação: Portugal é um país traduzido do francês em calão. [Read more…]

Mr Holmes e doutor Watson

É um filme que se vê bem, com as deduções do Mr Holmes que só ele consegue fazer a partir de pormenores que só ele vê.

A “visão americana” do filme é que está a mais, há cenas de pancadaria de ferver, efeitos visuais e coisas que tais que os americanos fazem, muito menos interessantes que o ambiente de ” jogo de xadrez” para inglês ver .

Há tambem umas paixões dependuradas, mal resolvidas, em que o Mr. Holmes deixa que as emoções travem o passo ao “raciocinio” , o que quase lhe foi fatal, e o doutor Watson anda às voltas com uma noiva que o Mr. Holmes tenta afastar por todos os meios.

Tudo realizado pelo senhor Ritchie, ex da Madonna. Esta é que  anda agora a namorar com um jovem de 21 anos brasileiro, chamado Jesus, e não teve  disponibilidade para fazer uma das “almas danadas” que apimentam o filme.

Divirtam-se que isto é bom mas dura pouco!

Isto é uma seca mesmo quando chove…

Querem saber porque temos a economia e os empresários que temos ?

Quando há seca o agricultor perde tudo ou quase tudo e quando chove tambem. O Estado, poderia fazer uma conta-corrente, ajudava quando havia prejuízo e recebia quando o agricultor tivesse dinheiro.

As verbas atribuídas, ou melhor, envolvidas, pelo Estado num esquema destes, seriam uma gota de água comparadas com as que são envolvidas nos negócios de “casino” em que a Caixa Geral de Depósitos é perita!

No BPN foram lá metidos dois mil milhões, que grande parte nunca ninguem mais vê. No BPP, foram lá metidos mais uns quantos milhões (não se sabe quanto, pois falta saber a quanto montam os avales que o Estado deu aos outros bancos que meteram lá dinheiro), no BCP está para se saber que montante foi necessário para o Estado ter o controlo do banco privado, na Cimpor a massa que lá anda a sair e a entrar é toda da CGD…

O negócio destes grandes empresários é ir pedir dinheiro emprestado à CGD e depois paga “com o pêlo do mesmo cão”. Se a coisa der para o torto, fazem-se uns ajustamentos “finos”…

Agora choveu e o que se ouve é a EDP dizer que nada tem a ver com o facto dos postes terem caído ( a ideia, muito boa, é que a culpa do temporal é dos agricultores por cujas terras passam as linhas de alta tensão…) a EDP só paga se não houver temporal, isto é, não paga nunca!

Seguros privados para a seca e para o temporal não há, e se há, são de tal maneira caros que inviabiliza a agricultura e as pescas.

Os meus caros leitores sabem como apareceu a “letra comercial”? Um vendedor de alfaias agrícolas nos US percebeu que, quando os agricultores precisavam das alfaias não tinham dinheiro e quando tinham dinheiro não precisavam das alfaias. Já tinham vendido a produção do cereal! Então ele passou a colocar as alfaias no campo contra um papel assinado, e o agricultor usava-as quando precisava delas e pagava-lhe quando vendia a produção. Foi o factor mais importante no desenvolvimento da agricultura nos US!

Pois é, é tudo o ovo de Colombo, o problema é que cá, enquanto se ganhar dinheiro com o “casino ” ,ninguem está preocupado com a lavoura…