Ana Catarina e a beleza de normalizar fascistas

Foto: Leonardo Negrão/Global Imagens

Durante a ditadura, o regime glorificado por grande parte dos militantes e apoiantes do CH perseguiu, prendeu, torturou alguns daqueles que viriam a fundar e a militar no PS.

Há uma semana, o PS enviou Ana Catarina Mendes à convenção da extrema-direita, contribuindo para a sua normalização. Soares, com todos os seus defeitos, e Sampaio nunca permitiriam tal coisa. Porque tinham memória. [Read more…]

Esmifrar os cidadãos e engordar os poderosos

A forma colossal e brutal como este lema vem sendo posto em prática há décadas pela UE e pelos seus estados-membros (Portugal à cabeça) ultrapassa por completo a minha capacidade de discernimento. É com toda a consciência que esta criminosa geração está a conduzir-nos activamente para o abismo mortal da extrema-direita. É desesperante.

Aqui ficam excertos de um artigo da insuspeita revista alemã Der Spiegel:

Os bancos alemães arrecadam milhares de milhões do BCE

Enquanto as poupanças dos alemães continuam a perder valor, as instituições de crédito estão a ganhar muito bem com a política monetária do Banco Central Europeu. De acordo com uma estimativa, só em 2023, elas poderão ganhar 27 mil milhões de euros.

Os bancos beneficiam da subida acentuada da taxa de depósito, uma das principais taxas de juro do BCE. O Banco Central utiliza esta taxa para pagar juros sobre o dinheiro excedente dos bancos comerciais (…). Desde quinta-feira, a taxa tem sido de 2,5 por cento – e, portanto, tão elevada como a última em 2008. [Read more…]

E/ou

O Tribunal Constitucional (TC) chumbou, mais uma vez (a terceira vez desde que a Lei foi aprovada na Assembleia da República), a Lei da Eutanásia.

No seio da discórdia está uma conjunção. Quando se lê que, aquando do pedido do paciente para ser eutanasiado, este tenha de estar dotado de sofrimento “físico, psicológico e espiritual”, o TC questiona se “e” quer dizer “ou”.

Quando andava no ensino secundário, eu até era bom a Português. Ainda assim, a parte gramatical era a que me subtraía pontos em cada teste escrito. Contudo, acho que estou em condições de aferir que “e” significa “e” e não “ou”.

Em primeiro lugar, é improvável que uma pessoa que sofra fisicamente não seja, também, afectada psicologicamente. Se psicologicamente está afectada, por conta de questões físicas, então está afectada espiritualmente. Como tal, faz sentido o “e” na frase “físico, psicológico e espiritual”.

Em segundo lugar, há uns tempos, quando João Caupers (que, ao que parece, até é a favor da aprovação da Lei) foi anunciado como o novo presidente do TC, vieram a público umas (estranhas) opiniões sobre vegetarianismo e homossexualidade, algumas já datadas, por parte do mesmo. Escrevi aqui, deixando um conselho ao então recém eleito presidente do TC, “(…) Quanto a João Caupers, um conselho: coma folhas de alface. Ou leve no cu. É à sua escolha. (…)”. Ora, a conjunção “ou”, na frase supracitada, pressupõe a liberdade de escolha por quem é receptor das palavras proferidas. Se tivesse escrito “coma folhas de alface [e] leve no cu”, estaria a fazer uma relação entre as duas partes, como na frase “físico, psicológico [e] espiritual”, em que existe relação entre as três (em oposição a “físico, psicólogo [ou] espiritual” – se assim o fosse, pressupor-se-ia que o paciente pudesse pedir a Eutanásia caso as três características não fossem cumulativas).

O que é certo é que, agora, a Lei é devolvida ao Parlamento, deixando os deputados com uma batata quente nas mãos. Ao mesmo tempo, sabe-se que alguns dos juizes que votaram contra a Lei com base das conjunções e/ou sairão brevemente. Não se sabe é se serão substituídos por juizes mais progressistas.

Da série: diz o roto ao nu

Sticker de @filhobastardo

Foi notícia:

Rui Moreira critica excesso de opinião de Marcelo

O Rui Moreira que:

1 – Rui Moreira acusa PSP de “tentativa de cosmética”;

2 – Rui Moreira perplexo com custos da JMJ. Portugal “vive de festas e eventos”, quando “aqui e ali está a cair aos pedaços”;

3 – Rui Moreira: “Marginalizar o Chega é excelente para Ventura, mas objetivamente mau para o sistema político”;

4 – Rui Moreira admite restrições ao automóvel no Porto já fora do seu mandato;

5 – “É preciso ter uma lata descarada para dizer que a descriminalização do consumo de droga é um sucesso”, diz Rui Moreira;

6 – Rui Moreira questiona capacidade do IPMA para prever fenómenos torrenciais;

7 – Rui Moreira agradece apoio da China no início da pandemia;

8 – Rui Moreira recusa que Pedro Nuno Santos seja “único responsável” pela situação na TAP e fala em “vícios instalados”;

9 – Rui Moreira sobre estacionamento em segunda fila: “É absolutamente intolerável”;

Carvalho da Silva em entrevista à TSF e JN: um exercício de clarividência

Manuel Carvalho da Silva, antigo dirigente da CGTP. Foto: Leonardo Negrão

Perto do fim de uma entrevista conduzida por Domingos de Andrade (TSF) e Rafael Barbosa (JN), Carvalho da Silva elenca os problemas que deveriam ser as prioridades de qualquer governo.

“A preocupação primeira do Governo, do presidente da República e de quem quiser intervir na política deve ser a de olhar para os bloqueios com que o país se debate. Há quatro ou cinco grandes questões que têm que passar para o centro da observação de forma clara, ou vamos andar na reprodução contínua de casos e casinhos, ou de intervenções do presidente, umas vezes a meter a mão por baixo do Governo, outras vezes a dar-lhe uma martelada. Isto não tem interesse nenhum. A questão em que nos devemos centrar quando discutimos hipóteses de futuro, é, em primeiro lugar, como se resolve o baixo perfil da economia e do tipo de emprego. E aí há três coisas a considerar. A desvalorização salarial e das profissões como estratégia da economia não pode continuar. Não é possível termos um futuro melhor se as empresas portuguesas não se posicionarem melhor nas cadeias de valor. Não é possível persistir-se nesta ideia de que o modelo de turismo que temos é a grande salvação e secundarizar-se a industrialização. O segundo grande problema é o demográfico. Não podemos estar a exportar jovens que formámos, quando necessitamos deles, e, por outro lado, não podemos utilizar a imigração como fator de manutenção de baixos salários e de exploração. São os défices na habitação, na mobilidade e na coesão territorial. É o problema da pobreza estrutural, tema a que nem o Presidente da República, nem outras instituições dão grande atenção. É chocante a condescendência com a pobreza que temos.”

Uma entrevista muito interessante, da qual deixo mais algumas partes.

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Balada de Despedida do 5º Ano Jurídico 88/89 – Toada Coimbrã

Ah!, saudade. Até uma ou outra nota semitonada tem outro encanto.

PSD: Montenegro ainda não percebeu?

Ao longo das nossas vidas fomos conhecendo pessoas. Na nossa rua, na escola, na universidade, no trabalho, etc. Umas parecidas connosco. Algumas muito diferentes de nós. E foram diversos os laços criados. Aliás, seja na rua, na escola ou no trabalho as diferenças existem. Criam-se grupos, existem lados e fazem-se escolhas. É a vida em sociedade.

Quem nunca teve um amigo mais bronco? Daqueles que sabíamos que tanto nos podia deixar perdidos de riso como cobertos de vergonha? Quem nunca? Aliás, quem teve “grupos” de amigos sabe que existia sempre um que era como aquele tio que nos deixa desconfortáveis nas festas de família. Porém, com o tempo, e sobretudo com a seriedade das coisas e dos momentos, a nossa complacência para com o amigo bronco vai desaparecendo. Em princípio pela vergonha perante as suas atitudes e depois pelo nosso sentimento de incapacidade. Não fomos capazes de lhe explicar que a cor da pele, o credo, a ideologia, a orientação sexual não faz das pessoas nem melhores nem piores. Fomos incapazes de lhe incutir os chamados “mínimos de civilização”. E com o agravar dos sintomas a amizade perdeu-se na medida em que a esperança se foi. E essa foge-nos entre os dedos com o passar dos anos. Porque “burro velho não aprende línguas” e nós não podemos estar sempre nem a justificar o injustificável nem em permanente explicação. Não. Primeiro deixa de ser um amigo, depois deixa de ser um conhecido e finalmente transforma-se num activo tóxico.

Esta é a realidade do PSD em pleno 2023. Nem dilema pode ser.

E seja claro, não há linhas vermelhas nem azuis nem amarelas, o que existe é um só caminho: Não se dá a mão a grunhos. Não há espaço para saudosistas de ditaduras, para racistas, para homofóbicos, para machistas ou marialvas de pacotilha. E não, a frase do enganador do Ventura está errada, a frase do PSD deveria ser esta: “Não há governos de direita em Portugal com o Chega!”

Ao longo da sua vida o PSD procurou ser uma espécie de “grande casa do centro direita e direita” em Portugal. O albergue espanhol daqueles que eram conservadores ou liberais ou democratas cristãos ou de qualquer outro grupo de centro direita e direita. E sabia que existiam uns tipos meios raros, os tais aparentados daquele nosso amigo grunho. Nos vários conclaves, melhor dito, nos grandes eventos do partido não era assim tão estranho no meio de toda aquela gente existir uma (ou duas ou três) ave rara que, num corredor ou no bar, entre uns finos, tivesse uma qualquer tirado sobre as maravilhas do tempo da outra senhora ou que arrotasse umas coisas desagradáveis sobre africanos ou ciganos ou sobre o lugar das mulheres. Com o passar dos anos, tal como nos nossos grupos de amigos, o grunho foi-se sentindo rejeitado. As piadas já não resultavam em risadas e o desconforto era notório. Era um activo tóxico. E ele percebeu que estava na hora de se juntar aos seus e partiu.

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O PSD já percebeu?

…ou é preciso fazer um desenho?

O Chega é, também, isto. Sou insupeito, como bem sabem os leitores do Aventar, de gostar de Catarina Martins/BE mas ainda menos de grunhos e o PSD/Montenegro ainda não percebeu o que para ali vai..

Por falar no Santander…

O virtuosismo frugal que não assiste ao povo de nababos que somos, oportunamente assinalado pelo CEO do Santander Portugal, – um homem com “um apelido muito forte na banca” – trouxe-me à memória alguns casos, mais ou menos recentes, envolvendo a divisão portuguesa do banco espanhol.

O primeiro destes casos remonta a 2015. O Banif estava em colapso iminente e uma notícia bombástica da TVI levou à queda abrupta do seu valor em bolsa, acelerando a morte do banco insular. O Banif acabaria na carteira de activos do Santander, pela módica quantia de 150 milhões de euros, com o alto patrocínio dos contribuintes portugueses, que lá decidiram aplicar 2,4 mil milhões dos seus impostos a fundo perdido.

À data, a TVI era propriedade do grupo Prisa que, imagine o caro leitor, tinha o Santander como accionista da referência. Parece conveniente, mas, na verdade, não passou de uma triste coincidência, rapidamente aproveitada por essa gente que só protesta contra a banca porque é invejosa. [Read more…]

Os professores e a simpatia da opinião pública

Só devemos falar daquilo que nos preocupa. Marcelo Rebelo de Sousa não está preocupado com os professores.

Há poucos dias, deixou escapar um pequeno pontapé na semântica, mas percebe-se o que quis dizer. O Presidente afirmou que a “simpatia da opinião pública pode virar-se contra os professores”.

Curiosamente, Marcelo é especialista em ser simpático contra outros, parecendo que está a ser simpático com outros. Sobre os problemas dos professores não tem uma palavra que não seja muito redondinha ou muito previsível.

O que Marcelo quis dizer, na verdade, é que os professores poderão perder a simpatia da opinião pública.

Tem toda a razão e até acredito que os professores estejam preocupados com isso. Por outro lado, quando alguém está convencido da justeza da sua luta, é natural que deixe de se preocupar com a simpatia dos outros.

Blanche Dubois sempre dependeu da bondade de estranhos, mas não acabou bem. As sufragistas, por outro lado, não se deixaram abalar pela antipatia da opinião pública.

Há muitos sítios onde enfiar simpatias desnecessárias.

Introdução ao Grunhez, por João Tilly

João Tilly, oficial de alta patente da Unipessoal de André Ventura, brindou-nos com esta aula de Introdução ao Grunhez. Percebe a influência que tem no partido. Comparado com a esmagadora maioria da extrema-direita, o professor de Grunhez é um filósofo.

A falsificação do conta-quilómetros de Ana Rita Cavaco

Há uns meses escrevi sobre as suspeitas que recaiam sobre a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que teria apresentado despesas de deslocações aldrabadas. Levei na cabeça, claro.

Agora, meia dúzia de meses volvidos, o Ministério Público acusou Ana Rita Cavaco e outros 13 dirigentes da Ordem de falsificação de documentos e peculato.

Segundo o acórdão do DIAP de Lisboa, os 14 acusados adulteraram informação “com o intuito de obter um benefício que sabiam ser ilegítimo”, através do “forjamento de mapas de deslocação, declarando quilómetros que não percorreram”. [Read more…]

PSD e PS ou o festival das falsas equivalências

Já se sabe que o Chega é um conjunto heteróclito de descontentes e/ou de oportunistas que, independentemente de tudo, não apreciam o jogo democrático e nem sequer o disfarçam, grunhindo ameaças sob a capa de uma alegada frontalidade politicamente incorrecta que é só vontade de bater em quem tem ideias contrárias.

Os melhores amigos da cheganada estão no Partido Social talvez Democrata e no Partido dito Socialista. As últimas letras das siglas parecem andar a perder força. O PSD continua a namorar o Chega, não vá dar-se o caso de os dois copularem e conceberem maioria; o PS continua a viver dos rendimentos que o namoro dos outros lhe proporciona, esvaziando uma esquerda que não sabe por onde subir.

Miguel Pinto Luz, vice-presidente do PSD, esteve na convenção do Chega e sentiu-se na obrigação de se justificar. Foi fácil: disse que o Chega estava para a direita como o Bloco de Esquerda estava para a esquerda, uma gente radical e barulhenta. Antevê-se o milagre: o PS aliou-se com o Chega de esquerda? O PSD aliar-se-á com o Bloco de direita.

António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar, apresentou no Parlamento um país que parece estar melhor do que as pessoas (nota-se aqui um aroma a Montenegro?). Quando Mariana Mortágua criticou a ausência dos problemas salariais no discurso do ministro, este acusou-a de ser retrógrada, inimiga das tecnologias, no exercício velhinho de confundir alhos com bugalhos. [Read more…]

O CEO do Santander os portugueses que vivem acima das suas possibilidades entram num restaurante…

Em 20 anos, os portugueses foram coagidos a despejar 22 mil milhões de euros na banca corrupta e incompetente deste país, que sempre viveu muito acima das suas possibilidades, mas volta e meia têm que levar com estes moralistas porque ainda ousam jantar fora. E continuam a dar créditos para tudo e mais alguma coisa, mesmo quando é evidente que o risco de incumprimento é real. Que grandes imbecis.

O Partido Comunista Chinês infiltrou-se na CM de Cascais

e comprou-lhe um imóvel a preço de custo, após investimento de 340 mil euros da autarquia. Serão Carreiras e Pinto Luz os mais recentes avençados do PCC?

Carta aberta ao Moreira

Um grupo de profissionais da Saúde e das Ciências Sociais e Humanas redigiu uma carta ao presidente da Câmara Municipal do Porto, o monarca Rui Moreira.

O conteúdo da carta pode ser lido AQUI.

Stencil e fotografia de: FILHO BASTARDO

Canção do Outono Japonês

Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins | Yasuo Kuwahara (1946-2003)

António Tânger Correia escolhe a violência

António Tânger Correia, outrora diplomata do sistema, hoje dirigente nacional do CH, foi à convenção dizer aos jotas do seu partido que gostava de os ver “a lutar na rua à cacetada com o MRPP e o PCP”.

Isto é incitação à violência. Literal. E há um PSD que se quer coligar com esta gente. Valha-nos Jorge Moreira da Silva, que não hesitou um segundo no momento de se demarcar deste esgoto de ódio. [Read more…]

Arrendar um armário por 330€/mês? Qual é o mal?

Então um armário reconvertido por 330 paus/mês, na zona de Lisboa, não é um excelente negócio? Nos anos 90 havia muito boa gente a jogar ao Verdade ou Consequência em armários mais pequenos e divertiam-se imenso. A malta nunca está contente com nada, essa é que é essa! E depois a culpa é dos senhorios, e da especulação imobiliária e de mais não sei o quê. Cambada de mimados. Que vão mas é trabalhar para serem nómadas digitais!

Do mau gosto

Se fosse na bola era vermelho directo!

Como expliquei aqui, o que se está a passar é muito grave. 

E lembrei-me logo da altura do governo Passos Coelho/Paulo Portas, e da posição, assertiva e muito importante, do BE, através da sua eterna  Coordenadora  a  atriz  e deputada Catarina Martins, contra a extinção do Ministério da Cultura levado a cabo pelo governo da PAF.

A situação é igual. Só não é igual para Catarina Martins, que para uns tem uma posição e para outros tem outra. Transcrevo partes de  uma entrevista de 2012:

P: Num momento como este o governo prescindiu do Ministério da Cultura. É uma questão simbólica ou profunda? Significa que a cultura está a perder o seu lugar, a sua importância?

R: Acaba por se revelar uma questão mais profunda. O que foi dito é que não haveria ministério e que isso não era grave porque o Secretário de Estado estava na dependência direta do Primeiro Ministro e portanto a cultura ficaria mais perto do centro de decisão. Isto é logo uma ideia de subserviência da cultura. A cultura tem que estar mais perto do príncipe para ter algumas migalhas. Esta é uma ideia reacionária. 

É sintomático que nesta comissão interministerial estratégica do QREN, que é um conselho de ministros presidido pelo ministro das finanças, que não haja ninguém que represente a cultura. Está representada a educação, a defesa nacional, a administração interna, a solidariedade social, o ambiente e a agricultura, a economia e as finanças. Está lá tudo menos a cultura. Logo isto não é apenas um problema simbólico.

Julgo que há um outro sinal que é muito flagrante. A ideia que a cultura iria ser transversal. Há um parágrafo no programa do governo que é provavelmente o único parágrafo que eu concordo do princípio ao fim que diz que a área de intervenção prioritária da cultura tem de ser a presença da educação para a arte e a cultura na escola. Eu concordo, a nossa escola está distante da cultura, da arte. Mas fez-se agora uma revisão curricular que não tem nada a ver com isso. Isso foi aprovado no programa do governo, foi aprovado nas grandes opções do plano do orçamento e passados quinze dias a revisão curricular não tem uma linha sobre isso.

Na resposta a outra pergunta:

Em Portugal temos projetos que embora tendo tido financiamento estão a fechar as portas porque as CCDR – Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional não estão preparadas para lidar com o setor cultural. Nunca ninguém pensou que a cultura tinha uma palavra a dizer e lidam com as estruturas como se fossem obras públicas. 

O ensurdecedor silêncio de Catarina Martins e do BE sobre esta matéria continua.

Se quiserem saber a sério o que se passa estou disponível, e para o BE não preciso de ajuste directo nem de avença.

Este post é dedicado ao Aventador Fernando Moreira de Sá, que em boa hora me convidou para este antro de pecado que é o Aventar.

A horta do Garcia e o Garcia de Orta

ORTA
Si fazem, mas não em o mesmo dia, senão em outro dia despois, o qual banho he de preceito aos Bramenes e Baneanes, e a todo o Gentio, que nenhum dia comão sem lavar o corpo primeiro, e os Mouros lavamse, estando sãos, ao menos cada três dias.
Garcia de Orta, Colóquios dos simples e drogas da Índia. Ed. dirigida e anotada pelo Conde de Ficalho. – Lisboa : Impr. Nacional, 1891-1892.

***

Ontem, foi divulgado o traçado do Metrobus, “a nova mobilidade urbana verde” do Porto. Pelos vistos, começam hoje as obras na Linha Boavista – Império, etc., etc. Podeis ler tudo quer na página dedicada ao assunto, quer, mais concretamente, neste documento em pdf, onde se encontra um mapa com umas cores parecidas com as do Diário da República, quando passa pelas minhas mãos.

Por seu turno, Garcia de Orta, além de ser o nome de uma escola secundária do Porto e de um hospital em Almada e de aparecer aqui na moeda de 200 escudos,

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Os três estarolas

Imagem: RTP

O cocó, o ranheta e o facada. 

Que visão do inferno.

Eutanásia – uma discussão pervertida

Eu até sou a favor da eutanásia. Não sou é a favor de visões ideológicas e trafulhas sobre o problema.

Desde o tão bronco quanto imbecil e desonesto dogma dos “direitos individuais não se referendam” até à fraudulenta “mentira” dos “avanços civilizacionais, a grande parte dos argumentos aduzidos são uma” mão cheia de nada”. O que, infelizmente, não deixa de ser lógico e expectável porque a questão que devia ser algo transversal a toda a sociedade e bem acima dos espartilhos ideológicos, foi ilegítima e asquerosamente “confiscada” pela esquerda. E como em tudo o que tem o selo da esquerda, a infalível conclusão só pode ser: estamos a ser “endrominados”.

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Greve é guerra

Alguém que avise os fofinhos plantados na comunicação social que uma greve é um braço de ferro. É forçar, desequilibrar, usar uma fisga para derrubar Golias.

Os fofinhos são jogadores – não são árbitros. Estão na equipa do poder estabelecido e fazem parte dos obstáculos a derrubar.

Foto via O Meu Quintal

A sessão fotográfica do urso

Como escreve Natalie B. Compton, “um urso fez uma pausa para uma extensa sessão fotográfica“. Onde? Em Boulder, CO, nos Estados Unidos da América.

N.B.: [Read more…]

Marçal Grilo escreve: “Os resultados da governação têm alguns aspetos muito positivos”

Discordo. Os *aspetos nunca são positivos.

Complexos de inferioridade

Na mouche, JVP; também não percebo. Só os negociantes do costume percebem, dominados pelos euros e por complexos de inferioridade de pequenos como moedas… Sentem-se maiorzinhos por gastarem e ostentarem.

O problema é que é à nossa custa.

BE: A querida líder

Após as eleições legislativas e perante o desastre eleitoral o PSD foi a votos para escolher nova liderança. O PCP fez exactamente o mesmo. O destroçado CDS idem. Todos os grandes derrotados foram a votos internamente. Todos?

Não. O Bloco de Esquerda nem pestanejou. A querida líder está agarradinha que nem uma lapa. Ainda bem. Já o outro dizia: Olha para o que eu digo e não para o que eu faço….

Agregar para reinar – o caso de Eddie Redmayne

Na imagem, Eddie Redmayne como Lili Elbe em “A Rapariga Dinamarquesa”, filme de 2015.

Em 2015, Eddie Redmayne interpretou Lili Elbe em “A Rapariga Dinamarquesa”.

Conhecido pelos seus papéis em “Os Miseráveis”, “A Teoria de Tudo”, “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” ou “Os 7 de Chicago”, em “A Rapariga Dinamarquesa” interpreta uma mulher trans, uma das primeiras a submeter-se a uma cirurgia de redefinição de género.

Pelo papel, Eddie Redmayne foi nomeado para o prémio de melhor actor pela Academy Awards, nomeado para o prémio de melhor actor pela British Academy Film Awards, nomeado para melhor actor nos Golden Globes.

A sua participação enquanto Lili Elbe mereceu, da parte da comunidade LGBTQI+, as mesmas críticas que agora recebeu André Patrício por interpretar uma personagem de uma mulher trans na peça de Pedro Almodóvar “Tudo Sobre a Minha Mãe”. Apesar do excelente desempenho enquanto mulher trans, o actor sofreu duras críticas e veio a público pedir desculpa por ter aceitado o papel, afirmando que se fosse hoje, talvez não tivesse aceitado interpretar Lili Elbe, uma mulher trans, sendo o actor inglês um homem cis.

Continuo a discordar desta ideia de que só actores e actrizes trans possam desempenhar papéis que personifiquem pessoas trans. No entanto, Eddie e algumas activistas trans, mostraram que se pode ter outra abordagem sobre o assunto, já de cabeça fria, e que ajude (nos ajude, enquanto sociedade) a entender os vários ângulos desta problemática. E como?

Eddie Redmayne decidiu ir fazer um workshop com actrizes trans e entender melhor os seus argumentos. Percebeu o que já sabia: as pessoas da comunidade LGBTQI+, sobretudo as pessoas trans, não têm as mesmas oportunidades no acesso e são muitas vezes excluídas em detrimento de actores e actrizes cis que vêem interpretar essas personagens. O actor inglês afirmou, desta forma, que enquanto não houver igualdade no acesso e no número de oportunidades, não voltará a interpretar uma personagem trans.

A discussão deve fazer-se nestes termos. Em “A Rapariga Dinamarquesa”, ninguém invadiu os locais de gravação, ninguém tentou ostracizar directamente o próprio Eddie, mas as críticas foram reais e a negrito, pelo que o actor decidiu voltar à escola.

Reflectir. Progredir. Não excluir. Ouvir. Falar. Aprender.