Primeiro levaram os Judeus mas eu não era Judeu….

Via José Milhazes:

Hoje, Dmitri Medvedev, antigo presidente da Rússia, vice-chefe do Conselho de Segurança, voltou a defender o desaparecimento da Ucrânia, processo que será acompanhado pela “desnazificação” e “desucrainação”.
Ontem, num artigo publicado na agência noticiosa oficial russa RIA-NOVOSTI, um analista político respondia à questão: “O que deve a Rússia fazer com a Ucrânia?”
Ele, ente outras coisas, escreveu: “os nazis [ucranianos] que pegaram em armas nas mãos devem ser liquidados ao máximo no campo de combate. Não se deve fazer grande diferença entre militares, batalhões nacionalistas e grupos locais de defesa.
Além da cúpula, que deve ser “desnazificada”, leia-se liquidada, é também culpada parte significativa das massas populares que são nazis passivos, apoiantes dos nazis… Só é possível um castigo justo para essa parte dessa população se ela tiver de suportar os fardos inevitáveis da guerra justa contra o sistema nazi”.


E depois de liquidada a Ucrânia? Medvedev, também conhecido pela alcunha de corrupto “Dimon”, desenha “o futuro radioso da humanidade: “finalmente criar uma Eurásia aberta de Lisboa a Vladivostoque”!

Zelenskyy distribui leite Mimosa em Bucha

Chamem-me parolo, mas encheu-me de orgulho ver um bocadinho de Portugal a fazer a diferença naquela terra onde o horror da invasão atingiu proporções doentias. Não vamos ganhar a batalha pelos ucranianos, mas temos sido enormes no apoio àquelas pessoas. Somos, como os ucranianos, um grande povo.

Não nos conformamos com os horrores da guerra

Já passámos por algumas guerras, já soubemos e vimos crimes de guerra hediondos, estudámos muitas mais do passado mais ou menos longínquo mas, ainda assim, continuamos a não nos habituar ao horror da sua crueldade, da sua ignomínia, da sua bestialidade nos dias de hoje.
O Ser Humano, horroriza-se com a cruel desumanidade que também lhe é característico.

Continuo a acreditar que o mal e o bem estão dentro de todos nós e o que faz a diferença é o carácter das acções que praticamos a cada momento.
Felizmente, somos muitos os que se sentem horrorizados com a crueldade de outros, mas reparem que o horror da guerra não deverá variar consoante o lado que nos é mais dilecto em cada uma.
Guerra é guerra. O horror que produz é sempre horrendo.
Saber evitá-la, saber travá-la, saber pôr-lhe termo é um caminho incessante de paz. O outro caminho [Read more…]

Alexandre Guerreiro, André Ventura e Putin entram num bar…

Foi o Daniel Oliveira que recordou estas duas publicações de Alexandre Guerreiro. Para quem, como eu e o Aventar, anda atento ao que Alexandre Guerreiro diz e escreve, não é novidade nenhuma.

A Rússia de Putin financia a extrema direita europeia. Obviamente, o Chega só por mero acaso seria uma excepção. Daí a este filho de putin estar sempre embevecido pelo Ventura é mais do que um salto. Com sorte ainda vamos descobrir que Guerreiro era o “homem da mala” entre Putin e o Chega. Alegadamente, claro….

Sobre a ganância e o parasitismo dos super-ricos

Segundo a Administração Biden, a taxa de IRS dos multimilionários rondou uma média de 8%, muito abaixo do que paga um trabalhador médio. Como é possível? Nos EUA, como na Europa, o IRS incide sobre os rendimentos gerados em cada ano (salários, juros, mais-va­lias, dividendos). Multimilionários como Elon Musk ou Jeff Bezos não recebem salário das suas empresas e passam anos sem vender as participações. Os custos das vidas luxuosas que levam são imputados às empresas e fundações ou pagos com recurso a empréstimos que têm como garantia os investimentos financeiros.

Elisabete Miranda, Expresso

Norte a planar

Há bastante tempo que não emito uma opinião pública sobre tantas e tantas coisas que se vão passando e arrastando no nosso País.  Sem medo. Porque este é um elemento estrutural do código genético do Porto, do Norte e seguramente de todo o país, com os brilhantes exemplos que temos dos Arquipélagos.
Na verdade , o Porto, Norte e Centro de Portugal não precisam da TAP para nada. Mas a TAP precisa destas regiões para sobreviver. E se não concordarem, retirem o proporcional de financiamento (contrário a investimento) e rapidamente chegarão a uma conclusão. Questão frugal, obviamente. Nada frugal é sabermos que Nação pretendemos, qual o estatuto mundial que pretendemos cuidar e atribuir à nossa língua portuguesa e que Embaixadores estamos disponíveis para ter, ou não, em concordância com o interesse de Portugal. De Portugal.
O Norte vai frouxo como nunca se viu. Tempos houve em que uma mera louça de casa de banho provocava um tremor de terra. Um tremor de terra de injustiça e de foco no que não é essencial, no que não é nacional. Aqui, falamos de Portugal, da língua, da cultura, da identidade, de tudo aquilo que se sobrepõe aos interesses miúdos. Mas para isso precisamos de graúdos, sem algemas de poder, sem medo.
Sem medo

Sandro Neves (Autor convidado)

Salgueiro Maia

Partiu há 30 anos o verdadeiro herói do 25 de Abril.

Roubados e tudo bem

Portugal é hoje o terceiro país europeu com maior parte da riqueza nacional parqueada em jurisdições offshore.

Como chegamos até aqui

A Abecásia e a Ossétia do Sul foram ocupadas pela Federação Russa em 2008. A península da Crimeia em 2014. Desde então, nunca foi segredo para ninguém que os separatistas do Donbass eram apoiados financeira e militarmente pelo Kremlin, que garantiu a subsistência dessa agressão à soberania ucraniana, no plano militar e financeiro, ao longo de oito anos.

Paralelamente, a oligarquia russa continuava a expansão dos tentáculos de Moscovo pelo continente europeu, de Bruxelas às sedes das principais organizações internacionais, sob tutela directa de Vladimir Putin, movimentando milhões de rublos e negociando diariamente nas principais praças financeiras do Ocidente, de Frankfurt a Wall Street, com escala em Amsterdão, Zurique e na City de Londres, ou Londongrado, alcunha que nos diz tudo o que precisamos de saber sobre a colonização levada a cabo pelo Kremlin.

Quando não estavam a transformar o produto do saque ao povo russo em dividendos e propriedades de impensável luxo, a corte de oligarcas russos ocupava os tempos livres em actividades como a compra e gestão de alguns dos principais clubes de futebol da Europa, fazia férias em Puerto Banús, no Mónaco e na Costa Esmeralda, licitava obras de arte na Christie’s, comprava diamantes em Antuérpia e fazia shopping em Paris e Milão, o que ajuda a explicar o lobby que grandes estadistas como Mario Draghi tentaram inicialmente fazer, para que as insígnias italianas e francesas de luxo, bem como a indústria belga de pedras preciosas, fossem poupadas à lista de sanções. Acabar com a guerra sim senhor, mas deixem o lifestyle dos senhores oligarcas em paz.

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Rússia – Os amanhãs que cantam

A Rússia é uma espécie de elefante na sala que muitos fazem de conta que não está ali mesmo, no centro da sala. Para muitos não é a Rússia, é Putin. Como ontem não era a Alemanha, era Hitler. O problema é que Bucha como tantas outras aldeias, vilas ou cidades da Ucrânia demonstram que Putin não está sozinho na insanidade.

Se foi Putin a dar a ordem para a invasão da Ucrânia foram, estão a ser, os seus soldados, os seus militares a transformar a tomada de territórios num horror inqualificável. Matar cidadãos indefesos, com as mãos amarradas atrás das costas é a insanidade potenciada ao extremo. Ouvir o testemunho de médicos a explicar que estão a receber crianças de Mariupol com lacerações vagino-anais é mais do que revoltante, é a demonstração plena de que não existe um Putin, existe uma parte de um povo que está disposto a cometer todas atrocidades possíveis e imaginárias em nome de uma tal de “Mãe Rússia” a quem nem de rameira podemos aplicar porque estas são incapazes de tais atrocidades.

A Rússia está a sublinhar o que dela já muitos sabiam. A brutalidade dos Czares foi substituída pela brutalidade do comunismo e agora os amanhãs cantam mais umas décadas de brutalidade com Putin. São séculos de insanidade. Considerar que não é característica de um povo mas apenas e só dos seus líderes é não querer ver o elefante que está na sala…

Bucha

assim como Mariupol, assim como tantas e tantas aldeias, vilas ou cidades com nomes até agora desconhecidos e impronunciáveis e que ficarão para sempre na consciência do mundo. Como um ferro em brasa que nos torturará eternamente. Muito, pouco ou quase nada porque, ao contrário do que pretendemos crer, a excelência humana nunca foi tão rara quanto o é hoje.

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Habeck, o admirável ministro da economia alemão

As respostas de Robert Habeck, ministro da economia alemão, num talk show televisivo ocorrido há três dias, foram uma magistral lição de filosofia, economia, política, seriedade, coragem, autenticidade e visão.

Com uma paciência de Jó, com toda a simplicidade e nunca simplismo, Habeck, desprovido da arrogância, pretensiosismo e a habitual opacidade da esmagadora maioria de dirigentes políticos que ocupam os governos do mundo, abananou a sociedade alemã ao falar de forma brilhantemente diferenciada sobre as consequências da guerra na Ucrânia para o abastecimento de energia da Alemanha e as razões pelas quais continua a rejeitar um embargo energético contra a Rússia, enquanto tudo faz para libertar a Alemanha da dependência russa, assegurando também o abastecimento de electricidade à Ucrânia.

E aqui ficam algumas das clarividentes respostas de Habeck no programa de Markus Lanz, um conhecido moderador neoliberal da TV alemã, que acabou por engolir em seco as suas próprias picadelas sedentas de sensacionalismo, usando e abusando das fotos em que Habeck cumprimenta, inclinado, o emir do Qatar:

“A Alemanha sempre se apresentou como se nós fizéssemos tudo melhor, soubéssemos tudo melhor; e depois aprovámos Nordstream II no ano da anexação da Crimeia, e no ano seguinte transferimos parte da nossa infra-estrutura petrolífera para a Rosneft, a companhia petrolífera russa, no ano após a anexação da Crimeia! Os ucranianos agradecem-nos pelas armas, mas perguntam-nos, porque é que só as forneceram agora que o nosso povo já está a ser assassinado? Teria sido muito mais inteligente entregá-las antes, poderia até ter acontecido que nem sequer chegássemos a ser atacados; e nós só podemos dizer a nós próprios que estamos a fazer tudo bem, se partirmos de uma concepção política em que estamos sempre do lado moralmente correcto; mas não é esse o caso.” [Read more…]

A leste da realidade

De cada vez que um político ou guia espiritual neoliberal diz “estamos a ser apanhados pelo país X de Leste”, porque o indicador A ou B lhe é mais favorável, fico com a certeza quase absoluta que essa pessoa nunca esteve no país em questão. Achar que a aproximação da Roménia em termos de PIB per capita significa que o nível de vida lá é idêntico ao nível de vida aqui é de uma desonestidade só compreensível à luz da propaganda mais alucinada. Lembro-me sempre de uma aventura que tive em tempos, na Bulgária, a tentar ser atendido na espécie de SNS lá do sítio. PIB per capita é uma medida que nos diz muito pouco sobre a qualidade de vida global de um povo. Basta haver uma pequena percentagem de super-ricos para subverter os números. E nem vamos falar na qualidade da democracia, no apoio aos idosos e/ou mais desfavorecidos, na pobreza ou nas infraestruturas da esmagadora maioria dos países de Leste, excepção feita a parte do Báltico. Não há – ainda – comparação possível.

Congresso do CDS-PP

Arrancou o congresso do CDS-PP. O que vão decidir os congressistas este fim de semana? Um regresso ao passado “portista”? Um regresso de Manuel Monteiro? Sim, são inúmeras as jogadas de bastidores a tentar convencer Monteiro a avançar. Um novo futuro? Ainda não se sabe.

O mais provável é que Nuno Melo venha a ser eleito presidente do que resta do CDS. Contudo, os congressos do CDS são, quase sempre, uma caixinha de surpresas. Uma coisa é certa, na despedida, o ainda presidente não se ficou por meias palavras…

Notas sobre a agressão de Will Smith a Chris Rock

Sobre o caso da agressão de Will Smith a Chris Rock, porque é exactamente disso que se trata, de uma agressão, tenho sete coisas para vos dizer, sem nenhuma ordem especial. Aqui vão elas:

1) A liberdade de expressão é um pilar das democracias. Uma agressão é um crime. E ainda bem que é assim;

2) Quando ouço ou leio alguma coisa que não me agrada (e falo por experiência), por muito ofensivo que considere essas palavras, mesmo que me sejam dirigidas, não tenho legitimidade para bater no seu autor. Tenho, isso sim, a possibilidade de agir judicialmente contra essa pessoa. Somos seres civilizados, da polis, não macacos a lutar por bananas na selva;

3) Posso, ainda assim, armar-me em macaco e bater numa pessoa que diz ou escreve sobre mim coisas que me insultam. Cabe ao Estado e ao poder judicial pôr-me na linha. No caso em questão, presumo que as autoridades norte-americanas tenham todas as provas necessárias para fazer justiça. Espero que a façam. Um exemplo destes, vindo de uma figura pública que é um role model para milhões, não deve ser tolerado;

4) Will Smith podia estar a ter um dia mau, a passar por uma fase complicada, agravada até pela doença da esposa, e ter-se deixado levar pelas emoções mais primárias. Afinal, ele é um ser humano como qualquer um de nós e, como nós, comete erros. Não contem comigo para o catalogar como monstro por um acto isolado. Mais ainda quando é sabido que o próprio Will Smith viveu na pele o drama da violência doméstica, ainda criança. Tal não retira gravidade à atitude em si, mas as coisas nem sempre são tão claras como aparentam ser e o contexto é sempre importante;

5) Os limites do humor não são as nossas convicções nem a nossa sensibilidade para assuntos mais ou menos delicados. É a lei. Não foi Chris Rock que passou dos limites. Foi Will Smith;

6) Não são os limites do humor, a prioridade desta discussão. É a violência e a sua normalização enquanto método legítimo, que não é. Porque hoje é uma chapada por causa de uma piada sobre alopécia, amanhã poderá ser porrada por qualquer outra piada que incomode cada indivíduo na sua existência. E quem diz piada diz convicção social, fé religiosa ou ideologia política. Não somos Putins nem Xi Jinpings. Ou pelo menos não deveríamos ser;

7) Não haver um segurança que levasse Will Smith para fora do local da cerimónia dos Óscares diz tudo o que precisamos de perceber sobre o privilégio das elites. Will sobe ao palco, agride o apresentador, volta para o seu lugar, senta-se e fica ali, sereno, como se nada fosse, a aguardar pela sua estatueta. Qualquer um de vós que fizesse o mesmo numa cerimónia idêntica ia direitinho para a esquadra mais próxima;

Era isto. Continuação de uma boa tarde!

Sim, temos de estar dispostos a pagar este preço

Sahra Wagenknecht, a figura mais proeminente do partido alemão “die Linke“ (digamos, o BE alemão), convidada frequente em talk shows, afirma e repete que “a guerra económica contra a Rússia prejudica-nos sobretudo a nós próprios”.

E continua: “O Instituto Federal de Estatística calcula uma taxa de inflação de 7,6% para Março – a mais alta dos últimos 40 anos. Isto significa que os alimentos, o combustível e a energia estão a tornar-se cada vez mais caros para muitas pessoas. Especialmente as famílias com rendimentos baixos e médios estão assim a enfrentar graves problemas existenciais. Muitas famílias são empurradas para a pobreza devido ao aumento dos preços. A lei socialmente desequilibrada e completamente inadequada de alívio energético da “coligação semáforo” pouco fará para alterar esta situação.

Actualmente, 43% dos alemães assumem que a sua situação económica pessoal será pior em cinco anos do que é hoje. (…) [Read more…]

A culpa é da Guerra

Parece que começou uma Guerra na Europa e, tal como sempre que acontece algo novo, várias hipocrisias foram colocadas a nu. De repente, o Ocidente descobriu que Putin é um autocrata e que quer fazer da Ucrânia seu território. Uma novidade da qual ninguém esperava. Enquanto o Ocidente das elites coloca-se contra a Rússia, esse perigoso país liderado pelo jovem Putin que apareceu há umas semanas, temos uma esquerda, que toldada pelo ódio aos EUA, não consegue condenar a Rússia por esta invasão. E aqui fica mais uma vez provado: a esquerda não é, nem nunca será, empática com pessoas, mas sim com as suas causas. São aqueles que lutam pela emancipação até de um pau de vassoura, mas que decidem quem é bom homossexual ou bom preto. É o mercado dos valores a funcionar. Estes são aqueles que querem a extinção de um partido, mas que protestam contra a extinção de partidos numa Guerra. No entanto, há que admirar a posição do PCP. O PCP foi igual a si mesmo e mantém a sua postura até ao fim. Manteve o seu fanatismo. Trata a Rússia sem liberdade como se um sistema capitalista tivesse. Para o PCP, quem tem mais de 5 euros no bolso já é capitalista.

Lá por esta visão sem ponta de humanismo, não quer dizer que os restantes sejam inocentes. Esta Guerra levou a que a maioria do espaço político não-socialista a usasse, seja com medidas inconsequentes para parecer bem ou em medidas que vão contra o próprio histórico do partido. Os EUA, depois de se espantarem com o facto de Putin ser autocrata, foram negociar com as democracias sólidas e liberais do Irão e da Venezuela. O que deve ter dado dificuldades, porque, no caso da Venezuela, reconheceram um presidente que não é o que se encontra em funções. A FIFA, essa instituição cheia de valores, também fez a sua parte. Expulsou a Rússia de um Mundial que será jogado no Qatar, país que respeita os direitos das minorias e, principalmente, dos trabalhadores. Em princípio, depois do Mundial, também se fará a marcha LGBT, nesse país tão democrático. [Read more…]

Liberalismo e cartelização

Alguns liberais – no sentido neoliberal da palavra – hipnotizados pelas teorias de Hayek e Friedman, ainda que alheados do mundo real, insistem que o mercado livre se autoregula, e que uma das vantagens da sua natureza concorrencial é que o consumidor paga sempre menos.

Sempre menos.

Pena que exemplos como este se multipliquem, invalidando o wishful thinking e a propaganda, revelando que concorrência, não raras vezes, degenera em cartelização. A desculpa, invariavelmente, chega-nos sob a forma de uma adaptação da boa velha máxima comunista: este não é o verdadeiro liberalismo. Os radicais, como os extremos, atraem-se. Nunca falha.

O capelão Licínio Luís terá tirado uma selfie em público

«Gouveia e Melo estava a ponderar readmitir o capelão Licínio Luís, depois de este [,,,] se ter retratado publicamente». Felizmente, temos o Público: «retractou-se publicamente». Efectivamente.

Marcelo vai a jogo

A presença “inesperada” na flash, no final do Portugal X Macedónia do Norte da passada Terça-feira, foi um prenúncio daquilo que seria a sua intervenção na tomada de posse do novo governo. Marcelo vai finalmente a jogo, num país de oposição minoritária, fragmentada e sem liderança, e assume-se, desde já, como contrapoder. E assim se manterá, até que a direita consiga encontrar um protagonista capaz de incomodar o poder quase absoluto de António Costa.

Vai ser interessante, assistir ao afastamento entre o Senhor Feliz e o Senhor Contente, dupla que fez aa delícias de milhares de portugueses, ao longo das duas últimas legislaturas. Mas será pelo melhor. Já era tempo de colocar um ponto final nesta farsa.

A caixa de pandora

Um dos grandes dramas deste ponto a que chegámos, é que as grandes crises (climática, covid, guerra) servem para empresas gigantes aumentarem os seus imorais lucros, enquanto as populações são espremidas até ao tutano. É obviamente inadmissível que os ganhos astronómicos das indústrias farmacêutica, do armamento, energética, sector financeiro, digitais, não sejam adequadamente tributados para mitigar os efeitos destas crises que abalam o mundo na proporção dos seus inesperados lucros.

Os irresponsáveis responsáveis políticos das últimas décadas andaram – e continuam – a servir os interesses das gigantes multinacionais, a submeter tudo ao chamariz do investimento estrangeiro, deixando largamente abertas as portas à fuga para paraísos fiscais, às empresas “caixa de correio”, à compra, a preço de ouro, de títulos de propriedade intelectual de subsidiárias do mesmo grupo, assinando acordos de “livre comércio” feitos à medida dos interesses do grande negócio, sacrificando os direitos humanos e o planeta.

Os governos que elegemos como nossos representantes, entregaram-se, libertaram das regulações os negócios, enquanto a si próprios colocaram pesadas algemas limitadoras do direito a regular. Na mais benevolente das hipóteses, agora, têm medo dos monstros que pariram e continuam no trilho do abismo, para nosso mal. Mas vendo bem, por pensarem em horizontes de quatro ou cinco anos como é seu apanágio, não será medo, mas a mera inércia e conforto, que os impede de retomar as rédeas, de ter e realizar a visão de um mundo mais parcimonioso, duradouro e feliz, em vez de prosseguirem correndo atrás da engorda, de um contínuo crescimento balofo, vazio e destruidor, que só a uma minoria serve.

Rússia: A mentira e a perna curta

A Rússia tinha dito, nas reuniões bilaterais na Turquia, que como sinal de boa fé nas negociações de paz, iria diminuir drasticamente os ataques militares na Ucrânia. Menos de 24 horas depois, intensificou os bombardeamentos nos arredores de Kiev e noutras cidades. Está tudo dito sobre a vontade de paz por parte dos russos.

Putin não é de confiança mas mesmo assim ainda existe quem acredite….

Grupo parlamentar do CH estreia-se na AR com dedicatória a Vladimir Putin

André Ventura usou o termo “ocupar” para assinalar a chegada do seu partido à Assembleia da República. Tal como Putin, farol europeu da área política e ideológica do CH, Ventura quer ocupar o Parlamento por Portugal e pelos portugueses, que maioritariamente o desprezam, a ele e às suas ideias, tal como Putin quer ocupar o Donbass e outras áreas da Ucrânia, pelas populações russas e pelos “irmãos” ucranianos. Só lhe faltou afirmar que vinha para desnazificar o hemiciclo, mas o sector neo-nazi do CH poderia não achar muita graça, e Ventura já tem dissidências que cheguem com que se preocupar.

Mariupol e a firmeza que nos falta

Esta era a cidade de Mariupol, antes da invasão russa. Desconheço a real dimensão da destruição da cidade, tenho acesso às mesmas fotografias random que vocês, mas vi estas imagens no The Guardian, que me revolveram-me as entranhas. Uma zona habitacional deserta, que parece fumegar do chão, feita de edifícios bombardeados, alguns em ruínas, rodeados por estradas com o piso partido, árvores rachadas ao meio e destroços por toda a parte. Imagens que julgávamos não voltar a ver na Europa, depois da tragédia jugoslava do final do século passado. Estávamos enganados.

O cerco a Mariupol já reclamou pelo menos 5 mil vidas. Feriu gravemente centenas, perturbou mentalmente milhares, arrasou uma cidade e instituiu o terror. Há pessoas com medo, pessoas a chorar, pessoas revoltadas que nada fizeram para estar naquela situação. Pessoas a querer fugir sem conseguir. Pessoas às escuras, sem água canalizada. Pessoas a sobreviver de latas de atum, se a vida lhes estiver a correr bem.

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13 Anos de Aventar :: 30 Março :: 2009/2022

Aventar: São muitos anos a virar frangos…

O blogue Aventar nasceu a 30 de Março de 2009 em pleno período áureo da blogosfera em Portugal. O Aventar foi sempre, desde a sua origem, um blogue onde coabitam autores de diferentes proveniências ideológicas. Hoje, no nosso 13º aniversário, partilhamos convosco algumas curiosidades do Aventar: 

Desde 2011* que o Aventar já publicou mais de 35 mil artigos de opinião, recebeu mais de 170 mil comentários dos leitores para um total de audiência que ultrapassa os 20 milhões de leitores entre 2011* e 2022. Olhando para as estatísticas dos meses de Março nos últimos 4 anos, estas mostram que o Aventar volta a subir as suas audiências (de pouco mais de 75 mil leitores em 2019 aos quase 100 mil este mês de Março 2022) numa tendência que já se vinha a acentuar desde o início do ano. Aliás, a pandemia veio reforçar as audiências do nosso blogue. Será uma tendência da blogosfera?

São diversificados os seguidores do blogue Aventar. No Twitter são mais de 2300 enquanto que no facebook já se ultrapassaram os 13 mil. Entre os subscritores diários via wordpress e email já temos mais de 1600 leitores que, todos os dias, recebem notificação dos textos publicados. E de onde chegam, maioritariamente os nossos leitores? Do Google e das redes sociais.

E de onde são os nossos leitores? Em primeiro lugar, de Portugal e de forma destacada. Em segundo lugar, do Brasil e em terceiro dos Estados Unidos. Já tivemos leitores de todos os países do Mundo, segundo o WordPress. Contudo, das Ilhas Falkland, das Antilhas Holandesas, de Quiribati e de Monserrate apenas um visitante. Temos que melhorar os nossos conteúdos para crescer nestes territórios 🙂

Eu já por aqui ando desde 2009. Parece que foi ontem. Obrigado José Freitas pelo convite para esta casa. Obrigado Ricardo por a teres criado e me deixares andar por aqui.

 

*todos os dados estatísticos apresentados são posteriores a 2011. Infelizmente, foram perdidos os dados de 2009 e 2010.

Eu que não sou de intrigas…

Segundo notícias até agora divulgadas, parece que a reunião entre os representantes da Ucrânia e os representantes do invasor correu melhor que o costume. Alguma imprensa fala mesmo que os russos estão a retirar tropas das redondezas de Kiev. Vamos com calma. Tendo e conta a tradição russa, é melhor esperar umas horas e verificar o estado de saúde dos participantes na reunião de Istambul…

A Caminho de 30 de Março – IV

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

Papa Francisco e Macron são os primeiros a abrir os olhos para a paz

Após a abominável invasão da Ucrânia pela Rússia iniciada a 24 de Fevereiro assistimos a uma escalada ininterrupta de violência na ocupação de território por Putin, mas também a uma escalada de discursos belicistas por parte do Ocidente, seja através da OTAN, do Presidente dos Estados Unidos e da União Europeia.
Discursos de paz, de cessar-fogo imediato, de negociações sérias com o empenho dos mais poderosos, esbarram na compreensão pela revolta e resistência a que os ucranianos têm legítimo direito. No entanto, depois de tantos mortos a ocorrerem diariamente, será eticamente louvável continuar a incitar uma resistência que só provoca vítimas e que, a não ser que ocorra algo de muito inesperado, nada conseguirá em seu proveito?

Papa Francisco (imagem Agência Eclesia)

Depois do passeio de Joe Biden pelos seus domínios europeus, na reunião da OTAN, na participação no Conselho Europeu, na visita à Polónia, ficamos a saber, se é que dúvidas acalentávamos, que os Estados Unidos estão interessados na continuidade [Read more…]

André Ventura rendido ao politicamente correcto

André Ventura, membro proeminente da extrema-direita histrionicamente histérica, uma dessas minorias sobre-representadas de que muito se fala, usou hoje o Twitter para elogiar o chapadão que Will Smith espetou ontem à noite, durante a cerimónia dos Óscares, na cara de Chris Rock, que resultou de uma piada desconfortável de Rock sobre Jada Pinkett Smith, esposa de Will, relacionada com a doença da actriz.

Ventura, por estes dias à beira de um ataque de nervos por ninguém querer saber dele – só mesmo palermas como eu – aproveitou o estalo, e sobretudo o mediatismo do acontecimento, não para criticar o péssimo exemplo de uso da violência física, que para a extrema-direita é um método legítimo como qualquer outro, mas para expressar a sua tristeza por nunca ter tido a coragem de fazer o mesmo a Ferro Rodrigues. Parafraseando o extremista:

Que coragem! A vontade que já tive de fazer isto na AR ao Ferro Rodrigues e não executei.

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