Panama Papers: o jihadismo financeiro explicado em 5 minutos

PPapers

Os fanáticos do directório liberal têm feito das tripas coração para defender a existência destas verdadeiras organizações terroristas mas depois dos vários escândalos a que temos assistidos nos últimos anos, com o caso Panama Papers a assumir-se como cereja no topo do bolo, poucos argumentos restarão para defender a continuidade destes esquemas potenciadores de corrupção, evasão fiscal, branqueamento e crime generalizado. [Read more…]

Panama Papers: deixem-se de conspirações

Snake

Estou estupefacto com muito do que se tem dito sobre o caso Panama Papers. Não me admira a defesa exaustiva que a direita ultraliberal tem feito dos paraísos fiscais, até porque muitos destes paladinos da selvajaria financeira são beneficiários directos destes esquemas de evasão fiscal e corrupção. Mas surpreende-me ver aqueles que, assumindo-se de esquerda e activamente contra a existência de offshores, olham para este caso como uma mera conspiração para destabilizar países como a Rússia e outros opositores do status quo ocidental. [Read more…]

Felizmente tinha uma arma…

Uma boa razão em defesa posse de armas. Espero que a Justiça o absolva, afinal não se perdeu nada, excepto não ter atingido os restantes…

Violar! MATAR! E Esconder o corpo

de uma idosa, não seria coisa para pena máxima? Pergunta de um ignorante em direito criminal.

“Tira a minha mulher da equação senão vou-te aos cornos”

Difamação, Injúria e coacção são os crimes que constam na acusação contra o marido da ministra. Claro que, no final do dia, a coisa acaba arquivada. Ser esposo de tão distinto membro da casta terá com certeza as suas vantagens.

Serviço Público

Diamante

Na sequência do julgamento de Rafael Marques em Luanda, a editora Tinta da China está a disponibilizar gratuitamente no seu sítio internet o livro “Diamantes de Sangue“.

A Escola de hoje explicada aos que não são professores

Cada um de nós tem um ponto de vista sobre a Escola e a Educação, quase sempre muito marcado pelo “no meu tempo“. No meu tempo os professores eram respeitados, no meu tempo os alunos aprendiam, no meu tempo… é que era.

Nada mais falso! Ou antes, nada mais presente. Isto é, eu explico.

Durante as duas últimas décadas do século passado a Escola foi confrontada com o desafio do crescimento. Em 1991 a taxa média de escolarização era de 4,6 anos e em 2011 era de 7,4 anos. Em 1970 a taxa de analfabetismo era de 25,7% e  em 2011 era de 5,2%. E, mais espantoso ainda, em 1991 o abandono escolar nos alunos entre os 10 e os 15 anos era de 12,6% e em 2011 de apenas 1,7%. Nos alunos entre os 18 e os 24, no mesmo intervalo de tempo, esta taxa passou de uns inacreditáveis 63,7% para 27,1%.

Obviamente, tudo isto foi possível com investimento. Segundo os dados disponíveis, em 1972 o investimento do Estado em percentagem do PIB era 1,4. Em 1980 3,1; em 1990 3,7; no ano 2000 de 4,8%, tendo atingido um máximo de 5,2% em 2002. Estamos, com Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, pela primeira vez, em muitos anos, abaixo dos 4%, algo absolutamente inacreditável no contexto europeu.

Em síntese, a Escola evoluiu e muito, algo só possível com investimento público. Claro que, com maiores taxas de sucesso, temos mais portugueses a acederem a mais formação e isso é um património que melhora a vida de cada um de nós, quer individualmente, quer no plano colectivo. [Read more…]

Why did the world ignore Boko Haram’s Baga attacks?

nigeria

Confesso que me identifiquei com esta pergunta do The Guardian.

Há uns anos, numa aula de estatística concluímos que a morte de milhares seria um número, enquanto a morte de um, se próximo de nós, seria uma tragédia.

Será esta a explicação? Será que vimos Paris com os mesmos olhos que vemos o nosso quintal, enquanto a Nigéria é noutro planeta? Será isto? Estará na nossa mente que alguém que morre em Paris é parte de nós e alguém que morre na Nigéria é algo extrínseco?

Não quero acreditar que uma vida em Paris vale mais do que uma vida em África, mesmo sabendo que esta Lei Sagrada é todos os dias violada pelo nosso modo de vida ocidental.

Na Nigéria, segundo a CNN, poderão ter morrido milhares de pessoas numa ataque que poderá ter durado vários dias. Como sempre, milhares de inocentes.

Será normal que o site do público não tenha, na sua página inicial, qualquer referência a este acontecimento trágico? Nem o JN, nem a TSF, nem…

Será que as bombas transportadas por crianças com dez anos são menos criminosas que o ataque de Paris?

Não sei se o ovo e a galinha são o melhor exemplo para estudar a propriedade comutativa, mas não é argumento da Comunicação Social deixar passar o que aconteceu na Nigéria, dizendo que  os consumidores não querem saber. Experimentem ir para lá, façam imagens em directo, cobertura permanente do local e depois digam-me se a resposta dos consumidores é ou não a mesma.

É que isto de ser Charlie é muito bonito, mas de palavras…

Acabou a corrupção em Portugal

corrução

Excerto de O Economista Português

Sim, sim, já se sabe que o chamado acordo ortográfico (AO90) não prescreve a eliminação de consoantes articuladas, ou seja, as que se pronunciam (e até admite que umas consoantes possam ser articuladas ou não e, portanto, escritas ou não). É verdade que, com o AO90, por exemplo, facto deverá continuar a escrever-se facto, pelo menos no caso das pessoas que pronunciam o C, o que corresponde à maioria dos portugueses, sendo de ressalvar, talvez, os que pronunciam “atorze” quando querem indicar o dobro de sete.

Não é menos verdade, no entanto, que, apesar de tudo isso, há uma epidemia de quedas indevidas de consoantes, o que torna possível ler garrafais “contatos” em cartazes e descobrir frequentes questões “de fato” no Diário da República, para não falar em “patos de silêncio” ou em “patos com o diabo”, vade retro. [Read more…]

Portugal Surreal – Passos, Tecnoforma e trafulhice

Quem se sente surpreendido com o recente chafurdar na lama de Pedro Passos Coelho só pode estar a dormir há coisa de 3 anos. Quanto à honestidade do indivíduo já há muito que estávamos esclarecidos e sobre esse lodo chamado Tecnoforma só não viu até agora quem não quis. O que se compreende dada a apelativa oferta de lixo televisivo que vai prendendo tantas mentes neste país. Um tuga tem que ter as suas prioridades, se há cus, parolada e vacaria com força na TV, o país e o futuro podem sempre esperar.

Têm sido dias interessantes no desmascarar desse discípulo de uma longa linhagem de Cavacos e Sócrates. Que o Pedro abria muitas portas já todos sabíamos (leiam a entrevista do Fernando Madeira à Sábado, é reveladora). Que se relacionava com malta suspeita também. Que montou um esquema na blogosfera para destruir Sócrates e chegar ao poder o Fernando Moreira de Sá fez o favor do nos contar. Que deu à luz milhares de boys, mais até que a sua alma gémea Sócrates também não é novidade. O que aparentemente ninguém sabia, tirando aqueles que sabiam, é que este profissional do embuste poderá ter andado a receber umas coroas por fora enquanto deputado em regime de exclusividade. E quem lhe terá fornecido esses trocos? A Tecnoforma pois claro!

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O meu quase amigo mafioso

Quem vê filmes está farto de saber que mafioso que dê com a língua nos dentes frente a um juiz, e com isso atire para a choldra os seus antigos compinchas, tem de começar vida nova, com outro nome, noutra cidade, com outra ocupação, se quer manter-se vivo. O que muitos não sabem é que isso também se faz por cá, não é só na Pensilvânia  ou no Massachusetts, e eu também só fiquei a sabê-lo quando conheci o Alfredo (chamemos-lhe assim).

O Alfredo é um tipo baixote, com papos debaixo dos olhos, nariz partido de boxeador, um intervalo entre os dentes da frente, cabelo reluzente e sempre penteadíssimo, calça vincada, sapatos de tacão sonante. Conheci-o no pão quente que abriu no meu bairro, um sítio que não teria interesse nenhum se não fosse o Alfredo, porque o pão é fraco, a sala – de paredes nuas e muito brancas, luz de unidade de cuidados intensivos – faz-nos sentir desconfortáveis, e à boa maneira portuguesa sopra ali vento por todos os lados. O Alfredo avançou para a mesa com passos enérgicos, ar de quem ia resolver logo ali um imprevisto que não permitiria que lhe arruinasse os planos, e atirou-me, à queima-roupa: [Read more…]

Duo olho negro

duo olho negro

(composição retirada do Face sem autor conhecido)

Lápis azul

no museu!

Sexo-Emboscada

Há quem perca a cabeça só para lhe sentir o cheiro enganador. [Read more…]

Os bancos, não só não são pessoas de bem,

como também são imunes à lei, através de chantagem simples. O HSBC que foi condenado a pagar 1400 milhões de multa, não vai ser alvo de acusações de carácter criminal (em inglês). Para os bancos fugir à lei não é mais do que o custo de fazer negócio.

Mais uma vez se demonstra

que os bancos não são pessoas de bem. – O castigo desta vez foi uma multa de 1400 milhões de euros. E, pergunto eu, foi alguém preso?

Canalha em Auto-Felação Falhada

Esta narrativa da vida foda-se real, ilustra os perigos puta que os pariu de certas famílias de classe média-alta que não orientam devidamente os seus rebentos no sentido do amor ao próximo, assim-tipo como se o coiro do próximo fosse o deles.

É extraordinário que um feixe de rapazolas, após consumo de bebidas alcoólicas, tenha decidido sacudir o tédio a atear fogo a uma casa-pardieiro para ver os sem-abrigo que lá estavam a fugir, assustados, saltar pelas janelas de um segundo andar, partir os ossos do pânico, no processo. Mais extraordinário ainda é que tais montes de merda não mostrem arrependimento pelo acto cometido.

É caso para pensar se não lhes passou pela cabeça ser governantes. Talvez um dia pudessem atear fogos mais vistosos, sacudir as piças, atirando a vida feita de professores, médicos e enfermeiros, pelas janelas insustentáveis do sistema. Nada mais divertido que milhares desprevenidos e sem chão a meditar sobre o significado de emigrar.

A classe média-alta pode ser fodida e, por vezes, acaba mesmo por parir as decisões mais sádicas sobre gente lamurienta cujos contratos com o Estado nunca estão afinal tão blindados como os deles-classe média-alta. E sem vestígios de arrependimento.

O criminoso volta sempre ao local do crime

Ângelo Correia no Prós & Prós discutindo as nossas secretas. Para a semana Vale Azevedo e Duarte Lima falam sobre os problemas da justiça.

Lavagem de dinheiro: fraude de mil milhões

Fraude que beneficiava Oliveira e Costa, Duarte Lima, e outros. Tudo boa gente.

Crime, diz ele

Perante o vídeo que demonstra inequivocamente que tudo no Chiado começa com uma carga policial completamente desproporcionada, logo ilegal, Diogo Duarte Campos mete os galões de advogado e diz que um crime é sempre um crime. Pois é. Assim a correr até eu, que desisti de Direito e seus dogmas sebenteiros, vejo vários crimes: abuso de autoridade, violação da liberdade de imprensa, agressão, e…

“Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública”

Diogo Duarte Campos faltou à aula de Direito Constitucional que tratou do artigo 21º. Só pode, que mesmo a cegueira da direita na defesa da polícia (ou seja, do velho tríptico Deus Pátria Autoridade) em toda e qualquer circunstância, não justifica tanta cegueira. E estão com azar: o único detido acaba de ser absolvido. Pelo tribunal, a quem compete, ou o julgamento deveria ter sido feito pela PSP?

Primadonna 2012

Depois de ter visto o vídeo que está a fazer furor mundo fora, Kony 2012, é difícil não pensar em Portugal, onde, à parte a fantástica e fecunda mobilização por Timor, ninguém parece capaz de mobilização para coisa nenhuma que nos sirva, nos ajude e justifique. Cala-se. Come-se. Emigra-se. Morre-se. Mas não deveria ser assim. Qualquer de nós, contribuintes e cidadãos esmagados de Fisco e em dificuldades para viver com o mínimo, gente normal, gente que não seja doente dos cornos passionais, como esse abjecto robot socratista Val-de-Broches, deveria sentir-se literalmente assassinado e rigorosamente envilecido. Porquê? Porque o crime compensa largamente os reles, os sujos, os que estão indiciados por inúmeras irregularidades, no seu curto currículo de responsabilidade política e manobras obscenas. O crime é protegido ao mais alto nível e nada acontece a quem possui um rasto espesso de corrupção, mas se mantém no seu reduto de invulnerabilidade e ainda se dá ao luxo de conspirar à distância contra os interesses nacionais.  [Read more…]

Hoje dá na net: Os 39 degraus

Filme realizado por Alfred Hitchcock, em 1935, com Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Mannheim, Peggy Ashcroft and John Laurie. O argumento baseou-se num romance de John Buchan: um homem é injustamente acusado de homicídio e é obrigado a fugir para provar a sua inocência. Um dos primeiros filmes do mestre do suspense, filmado ainda em Inglaterra. Sem legendas. Para além do interesse cinéfilo, é especialmente aconselhado a todos os que queiram deslocar-se ao Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, no Porto: até 24 de Março, está em cena uma comédia baseada no filme.

Mas a Senhora quem é?

adão cruz

Passei frente à loja onde se deu o crime e lembrei-me…

Mataram o meu filho, Sr. dr., e ele está aí.

Isto dizia a voz rouca do outro lado da linha.

Pousei o telefone e desci imediatamente à urgência que ficava no rés-do-chão. A primeira maca que vi no corredor tinha um corpo coberto com um lençol. Levantei a ponta do lençol e vi logo que era ele, o filho do Sr. José. Tinha um botão de sangue coalhado acima da clavícula, na parte esquerda da base do pescoço. [Read more…]

Cama, crime e jóias

A manchete de hoje do Jornal de Notícias é mais um monumento em memória do jornalismo, tendo em conta que se trata uma actividade já extinta, substituída que foi pelo sensacionalismo. Note-se, a propósito, que as eleições regionais da Madeira merecem apenas um quadradinho lateral, não conseguindo sequer competir com o regresso apoteótico de um padre a Vouzela, uma semana depois de aí ter sido apupado. [Read more…]

O caruncho

Foi anunciado pelo Tribunal de Contas (TC) que o endividamento financeiro do arquipélago da Madeira é de € 963,30 milhões de Euros, tendo aumentado € 99,40 milhões de Euros.
Tal amontoar da dívida mina a sustentabilidade financeira daquela região insular do país e é, como fiel cópia do que se passa no continente, um exemplo claro de sucessivos erros de gestão do erário público, ao ponto de se pedir emprestado para se pagar empréstimos.
Lá, como cá, a lógica das carreiras políticas feitas à base do orgulho no estandarte de “homens de obra feita” deu nisto: muito betão e muito ferro que está a ser pago à custa da contracção de direitos sociais e laborais, do aumento dos impostos sobre o trabalho e da perda de soberania.
Um dos mais importantes instrumentos de combate a esta lógica despesista transversal a toda administração política do país é o TC, o qual deveria ser munido de efectivos poderes punitivos. É tempo de se promover a necessária revisão constitucional, de molde a atribuir ao TC autonomia financeira, bem como poderes sancionatórios sobre os titulares de cargos políticos ou sobre os gestores públicos, que actuem com grosseira negligência ou façam gestão ruinosa dos dinheiros públicos.
Mais do que nunca – como se pode ver pelo crescente poder das agências de notação financeira -, as decisões políticas ou públicas que agravam a dependência do financiamento externo, são matéria criminal de lesa-pátria.

(Publicado no semanário famalicense “Opinião Pública” a 10/09/2011)

passos coelho e o diácono remédios

 

Felizmente a lei sobre a IVG é pacífica na sociedade portuguesa, integrando tranquilamente o nosso património social e cultural. Até alguns sectores do catolicismo mais radical acabaram por aceitar a IVG como aceitaram os métodos anticoncepcionais. Mantêm o discurso, resguardam a aparência da ortodoxia, ficam-se por aí. Levantar o assunto da IVG da forma como o fez hoje Passos Coelho aos microfones da Rádio Renascença, é uma manifestação primária de oportunismo político sublinhando o completo desnorte em que o PSD se encontra mergulhado. Para “caçar” meia dúzia de votos! É, provavelmente, o maior erro político de toda esta campanha. Lá diria o diácono Remédios: “num habia nexexidade!”.

(publicado em mais um packard em rodagem)

as minhas memórias-13-o dia de ontem e também o de hoje

o genocídio na Guatemala, e cruel e globalizado

A globalização do genocídio das crianças, antes, ontem e amanhã.

Embora os nomes dos actores tenham mudado, os factos continuam iguais. Não sou adivinho. Apenas observo o que acontece no mundo. Tremo de indignação.

Gostava de ver risos, notícias de que a vida está menos cara, saber que foi editada uma nova versão de uma obra de Bach, que o leite é mais barato, que os ordenados aumentaram, que a inflação está controlada por ter aumentado o Produto Interno Bruto (PIB)…. Que não é apenas o Presidente Chávez da Venezuela a recuperar o cargo, ou que a Rainha-mãe da Grã-Bretanha, foi um exemplo de vida cuja história me agrada ler; pregou um grande susto ao Fascismo na Segunda Grande Guerra, ameaçando o ditador nazi que havia de sofrer as penas do inferno, antes de este se matar em desespero, esse ditador que costumava dizer que Lady Elizabeth Bowes (Londres, [Read more…]

I love you, you pay my rent: comentários sobre a banalidade.

Sabe Deus o que me custa comentar notícias em cima do joelho. Bem sei que o ferro deve malhar-se enquanto está quente, mas eu, apesar de descender desta ilustre cepa de oficiais mecânicos, não aspiro, hoje, às artes da ferragem. Por isso, dispenso correr para cronicar sobre factos que a comunicação social atira à cara dos leitores, à espera que o barro pegue e seque.

As presidenciais são assunto que não interessa. Já o disse aqui. De resto não há grande assunto para falar. Os candidatos podem prometer (e prometem) mundos e fundos. Mas a única coisa que farão será cortar fitas, fazer discursos bonitos e limitar-se a cumprir a constituição. Dissolver o Parlamento? Para quê? Isso são resquícios de um anti-parlamentarismo que não combina com a ideia constitucional. Ao contrário do que diz o senhor Cavaco Silva, que faz homem do povo,  ele não é a aduela no arco institucional da república, nem a sua figura moderadora. O senhor Cavaco Silva é uma criação ideológica. Foi primeiro ministro, conhece muito bem o Estado e pertence ao aparelho partidário do PSD. É um hábil manipulador por detrás daquela imagem de wannabe-salazar, filho do gasolineiro de Boliqueime, pobre e honrado, como o de Santa Comba Dão que o país tanto amou, durante tanto tempo.  [Read more…]

Crime organizado

O cérebro é uma esquina em que as leituras se encontram por acaso. Estando eu a respigar os jornais, houve duas notícias que foram uma contra a outra e ficaram agarradas, independentemente da minha vontade: “Criminalidade desce mas é mais organizada” e “Tribunal de Contas arrasa prémios injustificados nos SUCH”.

Assim como as leituras podem encontrar-se por acaso, o Código Penal e o senso comum podem viver desencontrados, a ponto de um acto considerado criminoso numa conversa de café não ser legalmente um crime.

As notícias recorrentes acerca do desperdício de dinheiros públicos podem levar as pessoas a pensar que estará aí uma das causas da crise económica que nos impuseram. O passo seguinte poderá ser o de descobrir que os cortes nos salários e nas prestações sociais ou o aumento do IVA ou a imposição de portagens nas SCUT servem para pagar os abusos como os apontados pelo Tribunal de Contas. Não será isso um roubo, um crime? Se sim, a verdade é que a criminalidade não desce, aumenta. E é, efectivamente, muito organizada.

a materialidade dos afectos

duas mãos enlaçadas, o múltiplo do amor

Para os nossos discentes de Etnopsicologia da Infância.

As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo [Read more…]