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farturas

A Voz Laboral

Via Partido Obrigado Troika.

Sobre a crise

Vale a pena ver este documentário, que explica as razões da actual crise, explicando como a solução encontrada para a combater, mais não foi que procurar apagar um fogo atirando-lhe gasolina. A próxima será inevitável…

 

Ainda sobre o salário mínimo

Obviamente que discordo do José João Cardoso e também do Vítor Cunha. Um e outro têm estado entretidos a esgrimir argumentos económicos contra e a favor o aumento do salário mínimo ou até a necessidade da sua existência. Ambos esquecem no entanto algo importante, diria mesmo fundamental. O direito individual. Se eu quiser trabalhar sem remuneração, ou por valor residual, devo ser impedido de o fazer? Nesta matéria entendo ser perfeitamente dispensável qualquer legislação. Cada trabalhador saberá melhor que ninguém o que pode ou não aceitar. Todos temos um valor abaixo do qual nem sequer mexemos um dedo. Só isso! A questão económica deriva da liberdade individual e não o contrário, como determina a existência de legislação, que tem o efeito perverso de colocar as pessoas no último lugar.

FAQ: Salário Mínimo

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O salário aumenta o desemprego?

Provoca e não provoca aumento de desemprego. Os empreendedores do salário miserável podem ter de fechar a loja, porque mais uns euros por ano fazem falta para as suas férias e há sempre outro negócio para montar. Mas, por pouco seja, aumento de salário é aumento de consumo interno, os beneficiários não fazem férias no estrangeiro, logo novos empregos vão ser criados.

Mas não há uns estudos sobre isso?

Há, se só estudarem o impacto do salário no encerramento de empresas chegam a uma conclusão. Se estudarem tudo, chegam a outra.

Porque é o nosso salário mínimo, e o médio, tão baixo?

Porque os patrões portugueses são dos mais calaceiros da Europa, investir tá quieto, conhecimentos de gestão, não faltava mais nada, a 4ª classe chegou-me perfeitamente para chegar onde cheguei, pá. [Ler mais ...]

Normas e anormalidades

multi-charger-wall-plug-car-plug-usbImagine uma civilização onde cada marca de lâmpadas tinha seu casquilho. Ou cada fabricante de electrodomésticos escolhia o seu formato de tomada. Era complicado.

Mais do que isso, enquanto consumidores ficaríamos obrigados a optar por um único fornecedor de lâmpadas, e teríamos de comprar uma tomada adequada a cada utensílio eléctrico, ou seja: limitávamos a inovação e pior ainda estaríamos condenados a escolher uma empresa fornecedora para a vida, criando inevitavelmente monopólios. E como toda a gente sabe desde que o capitalismo liberal despontou, onde há monopólio não há inovação, ou pelo menos ela ficará seriamente comprometida. [Ler mais ...]

República das bananas

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Mais uma prescrição no caso BCP. Que outra coisa seria de esperar de um sistema onde a banca tem nomeado ministros e secretários de estado de todos os governos das últimas décadas? Que fizessem leis e procedimentos que mordessem a mão que os alimenta, não? Era o que faltava. A seguir ir-se-ia exigir uma justiça igual para todos. Cada uma.

A tanga do não havia dinheiro para os salários é treta

Uma das lendas que virou propaganda, natural num país onde o jornalismo económico rivaliza com a sarjeta do desportivo, é a de que em 2011 não havia dinheiro para pagar salários e pensões, e por isso Sócrates chamou a troika.

Pura peta: há muito que se sabe que isso não corresponde à verdade, o próprio chamador anda agora a admiti-lo.

Portugal não tinha dinheiro para “amortizar a dívida pública que vencia nessa altura e a ajuda da troika veio para pagar aos credores, excepto 13 mil milhões de euros” destinados a “recapitalizar a banca” portuguesa – já o explicou José Maria Castro Caldas.

E antes dele Emanuel dos Santos, que era  Secretário de Estado do Orçamento. Os impostos chegavam para pagar os salários em 2011:

gr1 [Ler mais ...]

O regabofe em ajustes directos

3,5 milhões de euros. Aqui vai uma adivinha: qual era o partido que, entre 2005 e 2011, demonizou os ajustes directos?

Notícias do país que está melhor

Governo faz emissão sigilosa de dívida de 1265 milhões de euros.

A virtude da Teodora

teodoraPara quem tem dúvidas, lá está a etimologia para nos ajudar. O nome Teodora, compõe-se, providencialmente, de theo (deus) e doro (dom), isto é, Teodora quer dizer “dom de deus”. É por isso que ser Teodora é um elevar-se a alturas desconhecidas do comum dos mortais; é um aproximar-se da perfeição.

Assim, perante a perplexidade geral, uma particular Teodora (neste caso a Cardoso) exerceu o seu virtuoso poder trazendo aos seus ignaros concidadãos um caminho salvador. Como acontece frequentemente com estes espíritos superiores, não foi compreendida, outrossim vilipendiada, maltratada na praça pública e pescada nas redes sociais.

E, todavia, Teodora teceu uma hipótese perfeita. Acompanhem-me:

a) éramos obrigados a receber todos os nossos rendimentos em determinadas contas bancárias;

b) de cada levantamento seria feita uma retenção, sendo que o total das retenções constituiria a base do nosso IRS;

c) e tais retenções seriam geridas por quem? – pelos bancos, claro;

d) uma vez que os bancos se encarregariam das operações – com muito gosto, claro – era justo que, além das gordas vantagens que essas avultadas reservas lhes trariam, fossem devidamente remunerados pelo trabalho;

e) e quem lhes pagaria, quem? – o ministério das finanças, claro;

f) e quem paga o ministério das finanças? – nós, evidentemente.

E é aqui que nos abeiramos da perfeição, do créme a la créme da sofisticação financeira: uma PPP em que os protagonistas são as finanças e os bancos! A pureza absoluta! O lucro sem porcarias, sem obras, sem concursos, sem necessidade de ministros corruptos. Uma ideia que é, ela própria, um… theo doro.

As armadilhas da pub online

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Para compensar a publicidade encapotada que tem enchido capas de jornais fica este momento haja esperança, quanto ao Banco Espírito Santo nada de novo na sua tradição secular de antro de malfeitores.

Como está a cotação de prescrições em Espanha?

BES multado em mais de um
milhão de euros por
infracções “muito graves” em
Espanha

Contas à moda do FMI

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Confrontado com a concorrência do FMI o próprio Ricardo Araújo Pereira admitiu que a sua carreira está em perigo, Herman José anunciou a retirada do mundo do espectáculo, enquanto João Miguel Tavares, Gomes Ferreira e outros humoristas dos jornais económicos confessavam o sonho de uma contratação para o departamento criativo da instituição internacional.

Tudo isto porque, num verdadeiro tratado de humor económico, o FMI acabou de demonstrar como a austeridade contribuiu para a redução da desigualdade em Portugal. As contas estão certinhas, embora contem apenas com quem vive do seu salário ou reforma e descontem os desempregados.

Nada como meter no mesmo saco os beneficiários do subsídio de desemprego e o Belmiro Amorim dos Santos, ou seja, a população inactiva portuguesa. Uns porque foram troikados, outros porque troikam. Todos iguais, uns ligeiramente mais que os outros.

Simples, não pagamos!

Felizmente percebo mais de bola do que de economia e por isso, continuo pobre. Não há aposta desportiva que resista a tanta ignorância. Ora, nas questões económicas sou mestre em procurar que no fim do dinheiro sobrem poucos dias, mas estou longe de ser um Jesus da alta finança.

Mas, não é preciso ser grande bisca nestas coisas para perceber que não é possível pagar a dívida do país e por isso os verdadeiros objectivos dos laranjinhas são outros: privatizar saúde, educação e água; baixar o custo do trabalho e refazer o estado salazarento.

Entendo e subscrevo o Manifesto dos 70, mas palpita-me que nem assim a coisa lá vai. Se eu só conseguir ganhar 100 euros por mês e tiver 20 meses para pagar a  minha dívida, segundo contas de alguns dos subscritores, seria necessário que a economia gerasse um crescimento de 7% todos os 20 meses, ou seja, seria necessário que em vez dos 100 euros eu conseguisse ganhar 107 todos os meses. Acontece que isso é praticamente impossível e quase nunca aconteceu. Logo, por maioria de razão, não vai acontecer.

Assim, a dívida não pode ser paga. Assumir a sua reestruturação é um primeiro passo que me parece acertado e equilibrado. É este o caminho. É por isto que o BE, o PC e o PS devem lutar. Desde já.

Sobre o manifesto que Passos não leu e sobre a sua reacção típica de pensamento único e de falar ser anti-patriótico, que a ditadura dos mercados poderá retaliar

Bagão Felix, um perigoso comunista, agora na Antena 1, citando entidades europeias: com uma dívida pública superior a 120% do PIB, será preciso, ao ano, reservar 7% da riqueza nacional para os encargos da dívida e respectiva amortização exigida pelos tratados  europeus que assinámos.

O Barclay Card

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Hoje não foi no supermercado, hoje foi no sagrado momento de uma viagem de comboio; a menina a recibos-verdes-e-comissões do Barclay Card ligou-me para me dar um cartão grátis, uma proposta irrecusável. A menina vai-me desculpar mas não estou interessado. Mas este cartão é muito bom , não traz custos, agradeço mas não estou interessado. Repete o mesmo duas ou três vezes. E por alguma razão especial? – pergunta a resoluta menina. Respondo que com a banca tenho uma relação difícil, da banca só quero distância. Mas passou-se alguma coisa? – não, várias. Mas este cartão é diferente. Não estou interessado. E pode comunicar ao seu director: banca comigo era na linha de tiro, todos. Vou então transmitir, mas este cartão é muito bom. Obrigado. Foram três minutos de tempo deitado fora para mim e para menina que não me conseguiu oferecer um Barclay Card.

Belmiro de Azevedo

Merece não mais do que 3 palavras: Filho da Puta!

Notícias geek

O criador da moeda digital bitcoin poderá ter sido identificado.

“Erros meus, má fortuna, amor ardente”

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… murmurava poeticamente, com os seus botões, o banqueiro, olhando o desastroso resumo dos resultados do seu banco. Atirou com o papel, abeirou-se da janela do 20º andar, limpou uma imaginária impureza do seu casaco de seda, abriu a janela. Acendeu um havano, sorriu e, entre dentes, saiu-lhe: ” Que se lixe, alguém há-de pagar”.

Imagem: George Grosz, Swamp Flowers of Capitalism, 1919.

O assalto

Uma curta-metragem de David Rebordão.

Se uma petrolífera provoca um morto e cinco dias de incêndio

Pede desculpa com pizza grátis.

Com o devido respeito

Exactamente: with all due respect. Vítor Gaspar, hoje, duas vezes, no Público.

With all due respect, ‘eventualmente’, o tanas

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Joseph Stigliz, 2006, Reuters
Fonte: Líbération (http://bit.ly/1lVO8ZV)

Ao ler o ‘eventualmente’ neste

em artigo publicado no Expresso, Stiglitz acrescenta que “todas as crises chegam, eventualmente, ao fim”

adivinhei imediatamente aquilo que se passava no original:

Every downturn eventually comes to an end

Claro, evidentemente: ‘eventually’ = ‘eventualmente’. Um clássico. Desta vez, no conceituado Project Syndicate.

Acontece, however, que ‘eventually’ não significa ‘eventualmente’. Actualmente, aprende-se isto em boas licenciaturas e pós-graduações em Tradução ou em Interpretação de Conferência e, eventualmente, noutros locais. Antigamente, aprendia-se nas aulas de Inglês, quando havia aquelas listas de false friends (esta é óptima e eventualmente útil, para quem souber francês).

‘Eventualmente’ significa aquilo que pode ou não acontecer, ou seja, provavelmente, possivelmente, porventura.

‘Eventually’ significa por fim, finalmente.

Sendo, em português, eventual algo de casual, fortuito, contingente, possível, provável, e significando, em inglês, ‘eventual’ algo que é final,  definitivo, percebe-se rapidamente que o ‘eventually’ inglês (eventual+ly) não é, nem de longe, nem de perto, o ‘eventualmente’ (eventual+mente) português.

Por isso, ‘eventualmente’, o tanas.

Continuação de bom domingo.

O país hipócrita de João Rendeiro?

Engraçado. Lembrei-me logo da hipocrisia ortográfica.

E o meu Lamborghini   Aventador?

Infelizmente, só em Abril.

O restabelecimento da credibilidade de Portugal

Ao ler no New York Times a notícia do dia, lembrei-me imediatamente daquilo que Álvaro Santos Pereira disse há cerca de um ano:

Obviamente que é um passo importante na nossa caminhada de restabelecimento de credibilidade de Portugal perante a comunidade internacional.

Efectivamente, depois de a comunidade internacional ler “legal uncertainties” e “we are not able to safely offer the works for sale”, num texto sobre o cancelamento de uma venda “by decision of the Portuguese Republic“, creio que a credibilidade de Portugal é matéria com a qual já não precisamos de nos preocupar. Sim, “os mercados” andam atentos.

nyt

Today is your day

AtlasShrugged “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Ayn Rand

 

Pós troika, vida velha…

«Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!»

-Em vésperas da saída da troika, Portugal prepara o regresso aos velhos e maus hábitos, sinal que nada mudou, apenas as circunstâncias obrigaram os poíticos a tomar medidas. O PSD, pensando já em eleições, admite voltar a abrir a torneira a Alberto João. Por sua vez o PS não deixa margem para dúvidas, entre reduzir despesa ou aumentar impostos opta pela última. Não surpreendem.

Ser bolseiro não deveria ser profissão, mas condição.

mf Vale a pena ler Henrique Monteiro sobre a questão das bolsas. Cabe ao governo gerir correctamente os dinheiros públicos. Em matéria de bolsas de investigação importa defender os interesses do país, jamais o dos bolseiros. Ser bolseiro não deveria ser profissão, mas condição. Conheço bem Portugal, infelizmente sei o que a casa gasta…