Dia de libertação dos impostos e custo do trabalho

Os portugueses vão precisar de trabalhar este ano até ao dia 4 de Junho para pagar impostos. É o que diz o relatório “The tax burden of typical workers in the EU 27” (“O fardo fiscal dos trabalhadores médios na Europa a 27″) disponibilizado pelo Público.

De que impostos se está a falar? Da contribuição para a segurança social, impostos sobre os rendimentos e IRS. Outras taxas, como combustíveis, tabaco, álcool, taxas de justiça, taxas de saúde, IMI, IMT, taxa da televisão, taxas na electricidade, taxas na água, contribuições extraordinárias no IRS, etc., etc. não foram consideradas (ver pág. 7).

Tenho  umas tristes notícias a vos dar. [Ler mais ...]

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BANIF, ou mais um assalto ao contribuinte

Enquanto o pau vai e vem, Conceição Leal já levou quase um milhão de euros para casa. Os assaltantes do banco ainda não foram detidos.

Merkel: Austeridade, eu?

Que Portugal e Grécia estão quase reduzidos a cinzas, que a Espanha para lá caminha, que os indicadores europeus são piores que nunca, ninguém duvida.

Culpados, responsáveis, é que não há, afinal não é só em Portugal que a culpa morre solteira. Já faltou mais para ouvirmos a sra. Merkel dizer que foi sempre a favor da mutualização das dívidas e de maior igualdade de tratamento entre os países europeus. Para já, vem dizer que foi sempre contra a austeridade (as palavras podem não ser estas, mas o sentido é).

A Alemanha tem alguma culpa na situação actual? Não, nem pensar, a culpa é de Barroso, esse indígena do sul, do BCE, essa instituição que funciona à margem da vontade alemã, e de interesses que a Alemanha desconhece, a iniciar pelas próprias eleições alemãs.

É, aliás, por causa das eleições alemãs, que Merkel inflecte o discurso e procura deitar areia para os olhos dos próprios alemães, numa altura em que no país se começa a entender onde conduz a política suicida da dupla Merkel/Schäuble, com o PIB da zona euro a contrair 0,2% e com a locomotiva alemã a crescer apenas 0,1% no último trimestre. [Ler mais ...]

Para o PIB, é óptimo se o Sporting for campeão…

…mas péssimo se for o Boavista. Contudo, sejamos realistas: antes o Benfica do que o F.C. Porto

Evidentemente, não existe qualquer relação directa (haverá relação indirecta?) entre o campeão nacional de futebol e a «Taxa de crescimento do PIB e PIB per capita» (por isso, peço desculpa pelo título e pela primeira frase). Se houver, é necessário que alguém, de preferência um economista, se entretenha a detectar a interferência do fenómeno futebolístico no produto interno e se disponha a apresentar parcelas – isoladas dos factores que têm, de facto, influência no PIB – devidamente justificadas (esta é a parte mais complicada do processo), em vez de resultados totais, como aqueles aqui expostos  Quando tal acontecer, retirarei imediatamente o meu “evidentemente, não existe qualquer relação directa…” e o ‘de facto’ e deixarei de achar que estas contas, cá entre nós, de pouco ou nada servem e podem dar azo a confusões do arco-da-velha. Sim, por vezes, acontece.

Contudo, a recente provocação de António Mexia (ninguém quis saber do Argel…), além de merecer a melhor atenção do presidente do F.C. Porto, teve a honra de ser objecto de comentários, aqui no Aventar, do João José Cardoso (que remete para os cálculos de Carlos Guimarães Pinto) e do Ricardo Ferreira Pinto (que os contesta) e, por isso, aproveitei quer o café a meio da manhã para fazer umas contas, quer o intervalo da tarde para as public(it)ar. [Ler mais ...]

Reshma Begum e os mortos por capitalismo

Reshma Begum tem 19 anos e não foi uma das 1.127 vítimas da tragédia numa fábrica têxtil do Bangladesh. Sobreviveu 17 dias com umas gotas de água e quatro bolachas, segundo revelou. Reshma trabalhava numa das fábricas que fornece empresas como a Inditex (espanhola), com lucros de 994 milhões de euros em 2012, a C&A (holandesa), que já em 2006 estava envolvida em situações de exploração de trabalhadores, e a H&M (sueca), que em três trimestres, em 2010, conseguiu lucros de 1,4 mil milhões de euros.

A tragédia coloca várias questões, de vários prismas, pelo que considerarei apenas as que me parecem mais flagrantes: [Ler mais ...]

O PIB cresce quando o Porto é Campeão

futebol e pib
clicar para ver a 100%

Não sei quais foram os métodos usados por Carlos Guimarães Pinto para chegar às conclusões a que chega, mas suponho que tenha sido pura invenção.
Mas sabes uma coisa, João? Começando pelos últimos anos, em 2010 o Benfica foi campeão e o PIB desceu 3%. Já em 2011 o Porto foi campeão e o PIB subiu 5%.
Outro exemplo: em 2005 o Benfica ganhou o campeonato e o PIB subiu 3%. Mas no ano seguinte ganhou o Porto e o PIB subiu 5%. E no ano anterior, 2004, o Porto fora Campeão Nacional e Campeão Europeu e o PIB subira 14%.
Ou seja, o que me parece por estes números é que o PIB sobe mais quando o Porto é campeão e não o contrário. Para continuar a comparar, terei de ir a 1994, ano em que o Benfica foi Campeão pela última vez no séc. XX – já agora, nesse ano o PIB subiu 5%. Mas no ano seguinte, com o Porto Campeão, subiu 18%.
Os inícios dos anos 90 são paradigmáticos. Benfica campeão em 1989 e 1991 e subida do PIB de 8 e de 13%. Porto campeão em 1990 e 1992 e subida do PIB de 30 e de 22%.
E recuando mais ainda, poderia ir aos anos 80. O Benfica foi campeão em 1983 e 1984 e o PIB desceu 11% e 8%, respectivamente. O Porto voltou aos títulos e o PIB logo subiu 8% em 1985 e uns extraordinários 43% em 1986.
Os dados do Banco Mundial não deixam dúvidas. Podemos agora acabar com os disparates?

Nota: Limitei-me à comparação directa entre os campeonatos ganhos pelo Porto e pelo Benfica em anos consecutivos. Em quase todos os anos que não estão presentes no gráfico, foi o Porto o campeão, mas aí não havia termo de comparação com o Benfica. que desde 1983 ganhou apenas nos anos representados no gráfico.

1J – Povos Unidos

Não podem ser vencidos. A Historia já nos mostrou isso.
Vão buscar as agendas. Tomem nota desta data. Adiem o Dia Mundial da Criança. Comemorem com as vossas crianças noutros dias. Levem os vossos filhos.
Façam o que quiserem, mas vão para a rua. Lutem para que as vossas crianças continuem a ser crianças. Para que os filhos delas possam nascer e crescer num mundo onde se respeitam as pessoas acima, muito acima dos valores.
Façamos algo para mudar a escravização em curso dos países «menores» da União Europeia. Somos mais pequenos, somos mais pobres, somos mais fracos…
Mais fracos? Não, não somos mais fracos. Se quisermos somos mais fortes do que tudo o que nos querem fazer. Se unirmos esforços, seremos ainda mais fortes.
Com os nossos conhecimentos e especificidades como trabalhadores, com a nossa solidariedade, com a nossa experiência de vida, com tudo o que herdámos dos nossos antepassados, somos fortes, muito fortes. Juntos, conseguimos derrubar governos de gente que abomina a inteligência e as mentes esclarecidas. Conseguimos mostrar a quem nunca nada fez para ganhar a vida que o esforço vale a pena. O trabalho não é desprezível. Os trabalhadores (ou desempregados) não são lixo.
Cada um de nós tem muito valor. Cada um de nós tem muita força.
Todos juntos, somos uma força imparável.

Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal, a nossa luta é internacional!

It’s the economy, stupid II

Depois da ‘economia’ e do ‘euro’ de Argel, o PIB de Mexia.

Garcia Pereira na luta contra os ‘swaps’

garciapereira101212Garcia Pereira, que conheço pessoalmente e de quem discordo politicamente em muitas matérias, tem, ao menos, o mérito – e a seriedade – de se manter fiel ao seu MRPP, por onde passaram: Durão Barroso, Fernando Rosas, Arnaldo Matos, Saldanha Sanches, Ana Gomes, Maria José Morgado, Maria João Rodrigues, Pinto Ribeiro, Franquelim Alves, José Lamego (ex-marido de Assunção Esteves) e muitos, muitos outros que se espalham por aí entre a vida partidária no ‘bloco central’, a comunicação social e o “tacho” compensador de subserviências e serviços prestados com interesseira devoção.

Claro que, do grupo, excluo aqueles que, por acreditarem no ideário perfilhado e no combate contra a tentativa hegemónica do PCP, se perfilaram pelo crer nos objectivos da luta em que se embrenharam. Têm de aceitar, todavia, o erro. Os acima listados vivem em lugares e condições sociais próprias de elites, ao passo que os crentes comuns estão submetidos à arrogância de sucessivos governos injustos – de Cavaco a Coelho, passando por Guterres, Barroso e Sócrates – uns mais do que outros, mas geminados nos desmandos contra o interesse do País e dos Portugueses. [Ler mais ...]

O conselho que vem das Falkland (sem taxa e sem termos que esperar pelo Natal)

00-why-they-they-talk-the-talk-and-dont-walk-the-walk-15-09-12David Cameron afirmou, no âmbito da Global Investment Conference – iniciativa que se enquadra dentro dos trabalhos da “UK’s Presidency – G8” –  que o Investimento Directo Externo  (IDE) é a alavanca para o crescimento económico e sublinhou que o Reino Unido já começou a percorrer o seu caminho, sendo exemplo claro as recentes medidas anunciadas pelo Ministro das Finanças, George Osborne, para estimular o crescimento por via do incentivo às empresas, reduzindo o imposto cobrado de 28% para 24%, sendo previsto ainda a redução desta taxa em 20%, em 2015, tornando-se deste modo a mais baixa do G20. Esta medida posiciona o Reino Unido como o território mais competitivo do Mundo para atrair IDE (Investimento Directo Externo).

Em Portugal é suposto o cenário ser mais ou menos o mesmo.

Segundo o nosso Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, temos consciência de que é fulcral  a redução do IRC para nos tornarmos competitivos em termos ficais e conseguirmos ter capacidade de atracção para o tão esperado IDE. [Ler mais ...]

A guerra em 2013

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E enquanto os abutres da finança, representados pelos governos dos países a saque, nos forçam a uma austeridade sem fim à vista que não seja o desmantelamento das nações pelo confisco dos seus cidadãos e pela privatização dos seus recursos, o desemprego prossegue a sua marcha infernal, atingindo taxas históricas entre os jovens da Europa e dizimando especialmente os do Sul: 58% na Grécia, 55,7% em Espanha e 42,1% em Portugal. Na Alemanha e na Áustria as estatísticas ainda vão de feição para essa ideia de Europa que se constrói contra os seus povos. Mas há muitos milhões de alemães a viver com muito pouco.

Em 26 milhões de desempregados na UE, 19 milhões encontram-se na zona euro. E no entanto, um programa político de inflexão desta realidade, mediante a criação de oportunidades de emprego para os jovens na UE (em relação estreita e forçosamente necessária com um relançamento das economias nacionais) custaria apenas 1% do PIB - é Philip Jennings, Secretário-geral da união sindical Uni-global que o diz. De que mais evidências precisamos para abandonar o euro – já que esperar pelas políticas pós-austeritárias significaria ver Portugal deitado por terra como em nenhuma guerra declarada e com armas de fogo aconteceu?

(actualizado às 18h55)

‘Swaps’ – abordagens teóricas (V)

- continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas(IV) -

‘Swaps’ Exóticos

Até agora tratámos com carne e batatas dos mercados de derivados, ‘swaps’, opções, contratos a prazo e futuros. Exóticos são as complicadas misturas daquilo que muitas vezes produzem resultados surpreendentes para os compradores.

Um dos mais interessantes tipos de exóticos é a chamada taxa variável inversa. No nosso ‘swap’ fixo para flutuante, os pagamentos flutuantes oscilaram com a LIBOR. Uma taxa variável inversa é aquela que varia inversamente com alguma taxa como a LIBOR. Por exemplo, o padrão pode pagar uma taxa de juro de 20% menos a LIBOR. Se a LIBOR é de 9%, então o inverso paga 11%, e se a LIBOR sobe para 12%, os pagamentos sobre o inverso cairiam para 8%. Claramente, o comprador de um inverso lucra desde que o inverso das taxas de juros caia.

Tanto o flutuador normal e como os flutuadores de taxas variável inversa têm uma versão sobrecarregada chamada ‘super-flutuadores’ e ‘super-inversos’ que flutuam mais do que um para um, com movimentos nas taxas de juros. Como um exemplo de um ‘super-inverso’ de taxa variável, considere um flutuador que paga uma taxa de juros de 30 por cento menos duas vezes a LIBOR. Quando a LIBOR é 10 por cento, o inverso paga

30% – 2 x 10% = 30% – 20% = 10%

E se a LIBOR cai 3% para 7%, então o retorno na taxa variável inversa aumenta de 6%, de 10% para 16%.

30% – 2 x 7% = 30% – 14% = 16% [Ler mais ...]

It’s the economy, stupid

«Quando o Benfica é campeão, a economia vai bem, o Euro [sic] vai bem, as coisas encaixam-se»

A estética do desemprego

17,7%, número oficial. É um bonito número, dirá Gaspar convencido de que descobriu o teorema de Newton, a pólvora e  a roda, tendo apenas encontrado o caminho marítimo para a estupidez.

Entretanto a máquina ideológica de propaganda vai repetindo que os funcionários públicos têm o privilégio de não serem despedidos. É mentira, e mesmo o número de 1,9% que por aí circula levanta muitas duvidas, como o Miguel Madeira suspeita.

Mas o problema nem é de números. É óbvio que o desemprego aumenta porque as empresas vão à falência  ou despendem compulsivamente, fazendo contas ao que pouparão com o próximo contratado ao preço da uva mijona.  É claro que o fazem porque as leis foram flexibilizadas ao ponto de lhes ficar barato fazê-lo (e nem falemos aqui do trabalho precário). É elementar que a ideia é essa, a caminho de uma indústria têxtil num prédio à Bangladesh, que se lixem os humanos, o que é preciso é domesticá-los, proclamam os liberais da selva, no conforto do seu emprego garantido, normalmente por filiação de classe.

Numa situação destas havia que repor a  igualdade público/privado, então não era? Com uma imensa lata proclamam o despedimento de funcionários públicos tipo vingança (e que realmente combaterá o desemprego no privado: nas suas tarefas serão substituídos por empresas que pagarão tostões e lucrarão milhões, aumentando as despesas do estado). [Ler mais ...]

‘Swaps’ – abordagens teóricas (IV)

- continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas (III) -

‘Swaps’ de Moeda

FX (moeda estrangeira, abreviatura em inglês) representa o câmbio em moeda estrangeira, e os ‘swaps’ em moeda são algumas vezes designados ‘FX swaps’. Os ‘swaps’ em moeda são permutas de obrigações de pagar fluxos de caixa (cash-flows) numa moeda para obrigações a pagar noutra moeda.

‘Swaps’ de moeda surgem como um instrumento natural para cobertura do risco no comércio internacional. Por exemplo, suponha que uma empresa dos EUA vende uma ampla variedade de produtos da sua linha no mercado alemão. Todos os anos, a empresa pode contar em receber receitas da Alemanha na moeda alemã, ‘Deutschemarks’ ou DM em versão abreviada. As taxas de câmbio flutuam, isto submete a empresa a riscos consideráveis.

Se a empresa produz os seus produtos nos EUA e os exporta para a Alemanha, então a firma tem de pagar aos seus trabalhadores e fornecedores em US $ (dólares). Mas, está a receber algumas das receitas em DM (marcos alemães). A taxa de câmbio entre o US $ e o DM altera-se permanentemente. Se o DM aumenta de valor, as receitas recebidas da Alemanha têm um valor maior em US $, mas se o DM cai tais receitas descem. [Ler mais ...]

Comissão Europeia e da Confiscação

A SIC Notícias exibe no seu ‘site’ este vídeo.

Em título, a estação de Carnaxide anuncia:

Bruxelas admite que depósitos de 100 mil euros sejam convertidos em ações nos países em resgate

Por sua vez, o texto da notícia diz:

A Comissão Europeia admite que os depósitos bancários acima dos 100 mil euros sejam reduzidos ou convertidos em ações em países alvo de um resgate financeiro, tal como aconteceu em Chipre. Esta é a resposta de Bruxelas, depois de uma questão colocada pelo eurodeputado português, Nuno Melo.

Sublinhei propositadamente acima, uma vez que o texto altera radicalmente o anunciado em título – serão depósitos de 100 mil euros ou acima de 100 mil euros? A dúvida é mais do que natural. O erro jornalístico parece-me flagrante, sendo indispensável saber qual a informação que prevalece.

Sei também que este anúncio, divulgado pelo eurodeputado Nuno Melo do CDS, numa ou noutra versão, é claramente um ataque à classe média e, sobretudo, à propriedade privada de que a direita tanto se ufana de ser ideológica e intransigente defensora. Ainda existe razoável número de depositantes que, ao longo de décadas de trabalho, teve a oportunidade de aglutinar poupanças até 100.000 euros ou de verbas acima desta. [Ler mais ...]

Gestores de empresas públicas deixam de ter carro e motorista

Os motoristas e o pessoal responsável pela manutenção estão incluídos na ‘redução da despesa pública‘? Se estiverem, isto é atirar arena para os óculos. Se não estiverem, aguardamos explicações.

‘Swaps’ – abordagens teóricas (III)

- continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas (II) -

‘Swaps’ de taxa de juro (2.ª parte)

É óbvio, a empresa podia também ir aos mercados de capital e contrair um empréstimo a taxa variável e então usar as receitas para transformar o seu empréstimo em taxa fixa. Conquanto isto seja possível, geralmente é bastante caro, porque exige a subscrição de um novo empréstimo e a recompra do empréstimo existente. A facilidade de entrar num ‘swap’ é a consequente vantagem.

O ‘swap’ especial seria um dos que permutou a sua obrigação fixa para um acordo de pagar uma taxa flutuante. Cada seis meses, concordaria em pagar um cupão com base em qualquer que fosse a taxa de juros vigente à época, em permuta de um acordo com outra parte  para o cupão fixo da empresa.

Um ponto de referência comum para compromissos de taxas flutuantes é a chamada LIBOR. Representa a LIBOR (London Interbank Offered Rate – Taxa Oferecida no Mercado Interbancário de Londres) e é a taxa que bancos internacionais mais usam para cobrar uns aos outros por empréstimos titulados em dólar no mercado de Londres. LIBOR é regularmente usada como taxa de referência para um compromisso de taxa flutuante, e, dependendo da credibilidade do mutuário, a taxa pode variar de LIBOR para LIBOR mais um ponto sobre LIBOR.  [Ler mais ...]

Razões para comemorações com champanhe

electricidade portugal

Fonte: The Economist. Gamado no Facebook

A quarta mais cara electricidade da Europa. Percebe-se porque é que na EDP se festejou com champanhe (disse-o o Ministro da Economia) quando foi demitido o secretário de estado que ia proceder a cortes nas rendas da EDP. Falta perceber duas coisas: 1) como é que o Ministro da Economia ainda não se demitiu perante a cedência que fez ao lobby energético e 2) até que ponto Passos Coelho acha que não topamos a mentira dele.

Já agora, lembram-se como é que Sócrates vendeu a ideia das renováveis? Que nos traria energia mais barata e maior independência energética. Está à vista. Depois do litoral destruído com construção, coube a vez às serras, desfiguradas com ventoinhas plantadas sem ordem e com o bónus da electricidade a preço de ouro. É o que dá ir-se na conversa da propaganda.

‘Swaps’ – abordagens teóricas (II)

- continuado de ‘Swaps –  abordagens teóricas (I) -

Contratos de ‘swaps’

‘Swaps’ são parentes próximos dos contratos cambiais e de futuros. ‘Swaps’ são acordos entre duas partes para trocar fluxos de caixa ao longo do tempo. Há uma enorme flexibilidade nas formas que os ‘swaps’ podem tomar, mas os dois tipos básicos são os ‘swaps’ de taxa de juro ou ‘swaps’ de moeda. Muitas vezes estes são combinados quando o juro recebido numa moeda é trocado pelo juro noutra moeda.

‘Swaps’ de taxa de juro (1.ª parte)

Como outros derivados, ‘swaps’ são ferramentas que as empresas podem usar para facilmente mudar as suas exposições ao risco e as suas estruturas de balanço. Consideremos uma empresa que contraiu uma dívida e registou nos seus livros a obrigação de reembolsar um empréstimo a 10 anos de US $ 100 milhões de capital, a uma taxa de cupão de 9%/ano. Ignorando a possibilidade de reembolsar o empréstimo, a empresa espera ter de pagar de US $ 9 milhões anualmente, por 10 anos e um pagamento total de US $ 100 milhões no final dos citados 10 anos. Suponha-se, porém, que a empresa está desconfortável por ter esta obrigação fixa nos seus registos contabilísticos. Talvez a empresa tenha um negócio cíclico, em que as suas receitas variam e possam, decididamente, cair até um ponto em que seria difícil fazer o pagamento da dívida. [Ler mais ...]

‘Swaps’ – abordagens teóricas (I)

Segundo o ‘Dicionário Inglês-Português de Economia’, de F. Nogueira dos Santos,  ’swap’ significa:

Permuta; 2. Operação de reporte cambial; 3. Linha de crédito recíproco entre bancos centrais; 4. Substituição de um programa por outro.

Ultimamente, na comunicação social, na blogosfera e em debates informais na sociedade, tem-se, falado, de facto, de ‘swaps’ de forma abundante, avulsa e em muitos casos sem a noção do conceito subjacente ao termo, nem de outros que lhe estão associados.

Iniciei este texto com a reprodução dos significados de dicionário especializado, sobretudo atendendo ao que João Garcia, na página 8 do ‘Expresso’, edição de Sábado, apropriadamente, escreveu:

O problema é que, em geral, há uma incapacidade cognitiva e epistemológica (vivam os jargões!) para os entender. [Os ‘swaps’, acrescento eu]. [Ler mais ...]

Revoltante sensacionalismo

02052013-jornal_i_detailÉ muito triste confirmar o sensacionalismo em que caem alguns jornais, como é o caso do i. Como é possível concluir que Vítor Gaspar será o responsável por destruir mais 208000 empregos até ao próximo ano? Tendo em conta que esses números derivam de previsões feitas pelo próprio ministro das Finanças, é evidente que o número será superior.

Senhores jornalistas, mais rigor, por obséquio. Pelo menos, acertaram no nome do responsável.

Trofa

Realmente, eu que sou vizinho e utilizo as estradas da Trofa, fico doido. Parabéns aos autores:

VIDEO TROFA FINAL from JSDTROFA on Vimeo.

Os swaps e a leviandade de críticas insustentáveis.

Tenho ouvido e lido por aí a condenação generalizada do governo de Sócrates, no que respeita ao fecho de contratos de ‘swaps tóxicos’ – parte dos críticos nem sequer estão habilitados a perceber a diferença entre ‘tóxicos ou exóticos’ e os ‘vanilla swaps’ – estes últimos correspondem  a níveis de segurança mais elevados e são utilizados por gestores competentes. Sem os  enjeitar à partida, recorrem ao seu uso, numa óptica prudente de riscos pré-avaliados.

Deprimidos pelo desconhecimento, optam por personalizar a discussão. Segundo os padrões anglo-saxónicos, refugiam-se na subjectividade de acusações gratuitas a este e aquele, furtando-se à objectividade por ignorância, mentira ou motivações sectárias.

O pior de tudo é que, mesmo no plano da subjectividade, distorcem a verdade para atacar adversários e inimigos políticos que, natural e legitimamente detestam, fazendo da inconsciente ignorância uma arma pérfida de dolosa falsidade. [Ler mais ...]

Maria Luís Albuquerque, a ‘swinger’ dos ‘swaps’

Jornal de Negócios de 29--04-2013

Jornal de Negócios de 29–04-2013

Vá lá saber-se por que razão. Reminiscências de infância?  Resíduos de subconsciência? Ignoro o motivo. Sei que cada vez que me deparei com a figura de Maria Luís Albuquerque em declarações, discursos ou debates na TV, é infalível equipará-la à pureza de imagem da noviça Maria (Julie Andrews) em ‘Musica no Coração’.

A comparação é mero fruto de incontrolado sentimento. De facto, colocando os óculos a preceito e observando em pormenor, a noviça Secretária de Estado, do cariz purificado e credível, apenas tem ilusório aspecto. O lenço bem alinhado ao pescoço favorece-a na imaculada imagem. Distanciando-se das poses e do estilo ‘négligé de Saint Germain de Pres’ dos extensos cachecóis da Teresa Leal Coelho, a jantar, por hipótese, na Cervejaria Lipp com Carla Bruni e demais amigas da sociedade ‘snob’ parisiense. [Ler mais ...]

A democracia é uma chatice…

Confesso a minha quase total ignorância sobre a Islândia. À excepção da música de  Bjork e Sigur Rós ou Eiður Guðjohnsen, um jogador de futebol que andou por grandes clubes do futebol europeu, raramente ouvia falar deste país. Até à crise da Banca e posteriormente ao para mim impronunciável, vulcão Eyjafjallajökull. Após a crise da Banca e mudança política que se seguiu quando a população forçou a demissão do governo, muitos comentadores lusos que suspeito serem tão profundos conhecedores como eu da realidade islandesa, não perderam tempo a tecer loas ao governo social-democrata que assumiu o poder, procurando justificar em Portugal a defesa da tese do “não pagamos”. Com argumentação intelectualmente desonesta, foram omitindo propositadamente a presença do FMI e implementação de políticas de austeridade. Desenganem-se os portugueses que imaginarem que voltarão ao tempo das vacas gordas quando o PS for novamente governo. Procurando mais informação sobre a ingratidão do povo islandês, passei pelo Arrastão, 5 dias ou Jugular mas nem uma explicação, até tropecei na azia de quem se julga moralmente superior. Mesmo os especialistas cá da casa permanecem em silêncio. Não falta em Portugal quem considere apenas legítima a defesa dos seus pontos de vista, uma espécie de superioridade moral. Esquecem que é sempre do eleitor a última palavra…

Lucas, Cap.V, vs. 5/8

 E O Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do Mundo. E disse-lhe o Diabo: – Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se me adorares, tudo será teu.

Ele pensou um pouco. Fez contas e, ao contrário de outros ,aceitou. Foi assim que, a partir desse dia, se tornou executivo do GOLDMAN SACHS.

Só sei que estou vivo porque me esporrei

Calma, é só uma passagem do livro de Hugo Santinhos Pereira, «Quando dormes nunca te odeio», que a Caixa Geral de Depósitos pretendia oferecer aos seus clientes.
Uma passagem que, de resto, não tem nada de especial. E que não deixa de ser verdade. O Hugo Santinho Mendes só está vivo porque alguém se esporrou. É mesmo assim.
Pornográfico, isto? Mais pronográfica é a política do actual Governo para a Caixa Geral de Depósitos. Quem tem um instrumento como a Caixa para dinamizar a economia e insiste em ignorá-lo durante 2 anos é verdadeiramente pornográfico. Tão pornográfico que merecia sabem o quê? Perguntem ao Hugo Santinhos Pereira.

Um partido de banqueiros

Depois de ter criado o  BPN, o PSD vai criar um banco de fomento. Déjà vu?

Zona Euro está bem, Portugal também

O primeiro segmento deste texto parece contraditório em relação ao título, mas a razão ficará demonstrada ‘à posteriori’.

Comecemos pela parte negativa. O alemão Wolfgang Munchau, residente no Reino Unido e editor do ‘Financial Times’, afirmou ao ‘Expresso’:

Portugal vai precisar de um segundo resgate

Negando o acesso fácil de Portugal aos mercados – ponto de vista oposto ao de Gaspar e da ‘troika’ – Munchau prognostica para o nosso País um nível significativo de incumprimento da dívida, negociado ou não.

Sucede que Munchau e a mulher, Susanne Mundschenk, são fundadores do blogue Eurointelligence. Publicou, com sarcasmo, o ‘post’ intitulado ‘All is well in the eurozone’ (Tudo está bem na Zona Euro), a seguir traduzido:

Num texto ‘op-ed’ no New York Times, celebrando a capacidade de resolução de problemas da zona do euro, o presidente do Eurogrupo Dijsselbloem, o comissário Rehn, O conselheiro do BCE Asmusen, Regling do FEEF e Hoyer do BEI dizem que a evidência é clara e que a resposta política à crise é reequilibrar a economia e garantir a integridade do Euro. Eles explicam que a crise do Euro é a consequência da ‘falta de reforma’ do passado, levando a um acumular de desequilíbrios macroeconómicos e orçamentais que a UE está a trabalhar duramente para corrigir. A falta de uma união bancária é igualmente mencionada como uma falha de projecto estrutural, que também está a ser tratada. O ‘sério desafio social’ do ‘desemprego inaceitavelmente elevado’ é um lamentável custo das reformas necessárias, mas o BEI está expandir os seus empréstimos para solucioná-lo. O artigo também explica que as políticas do BCE não convencionais têm resolvido com sucesso a fragmentação dos mercados financeiros. [Ler mais ...]