A criação de emprego segundo Paulo Portas

O político profissional Paulo Portas lembrou-se de perguntar quem tinha criado mais emprego, se o BE, se a Remax. Podia também ter perguntado quem foi o melhor marcador do último campeonato, se João Semedo ou se um jogador de futebol, mas não lhe apeteceu.

A mim apeteceu-me perguntar quanto emprego foi descriado pelo CDS ao lado do PSD, ou se quiserem por Paulo Portas e Passos Coelho. Descriado, destruído, arrasado, como queiram. Deu isto:

emprego portugal 2009 2013Dados INE, segundo a Pordata.

Podia ser pior? podia, mas estejam descansados que ele insiste.

 

Novos tempos

Quando, há anos, se começou a agudizar esta crise e apareceram as comparações com a de 1929, logo nos garantiram que tal tragédia jamais se repetiria, pois os Estados tinham, entretanto, criado novos mecanismos prudenciais e novas soluções para os problemas. Entendo agora. Dantes (bons tempos…), os banqueiros e os especuladores falidos atiravam-se das janelas. Agora, atiram-nos a nós.

Apagar fogos com combustível…

Várias vezes aqui tenho criticado a intervenção do Estado na economia. Esta funciona quando o Estado se remete ao papel de legislador, permitindo que o mercado funcione, deixando aos Tribunais o papel de corrigir eventuais erros ou punir os prevaricadores. Desafiado há dias pelo João Mendes a emitir opinião sobre a Reserva Federal, sobre esta digo que é um banco central, braço governamental que tudo distorce, funcionando ao serviço de políticos e empresas privilegiadas, ou seja as que financiam campanhas ou mantêm alguma proximidade com os corredores do poder. Não existem almoços grátis e há sempre algum retorno do investimento. [Read more…]

Luxembourg Leaks: uma história de gatunagem legal

(O esquema de evasão fiscal resumido em 3:10 minutos de boa animação)

A organização não-governamental Transparência Internacional revelou na passada Quarta-feira um relatório sobre a transparência na actividade das 124 maiores multinacionais do planeta. A avaliação foi feita com base em 3 critérios: transparência financeira, transparência organizacional e políticas anti-corrupção. E se os resultados como um todo não surpreendem, não deixa de ser surpreendente, verificar que petrolíferas como a americana Exxon Mobil ou a sua parceira estatal russa Rosneft, ou bancos predadores como a JPMorgan Chase estão melhor colocados neste ranking do que a Apple, a Google, a Canon ou a Walt Disney. A Walt Disney? Porra! Nem as crianças estão a salvo destes gangsters financeiros…

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O capitalismo (1/6)

Quais as origens do capitalismo? Tratar-se-á de uma evolução natural das sociedades humanas ou da aplicação de teorias elaboradas ao sabor das mudanças políticas e tecnológicas? Uma série documental do canal ARTE, em 6 episódios, todos aqui.

«Se a Europa deu consigo a criar uma moeda sem Estado em 1992

(…) foi porque esta resolução internacional foi concebida (…) no momento em que se pensava qe os bancos centrais tinham por única função a de ver passar os comboios (…). Foi assim que criámos uma moeda sem Estado e um banco central sem Governo. (…)» Thomas Piketty, O capital no século XXI

Catálogos IKEA

ikea
Quando uma capa de edredão custa 47 euros em Portugal e muito menos em todos os outros países do Euro…

Liberdade, capitalismo…

Dificilmente uma empresa estatal é inovadora. A busca de novas soluções, ganhos de eficiência e produtividade tendem a ser frequentes numa empresa privada. Porquê? Porque o seu principal objectivo é lucro. Novas soluções significam na maior parte das vezes novos produtos ou serviços, que levam à conquista de mercado, aumento de vendas, que se traduz no crescimento da empresa e retorno do investimento para o accionista. Não é linear que o número de empregos seja proporcional ao aumento de valor, mas a qualidade e remuneração do trabalho costuma andar de mãos dadas com estes princípios. Também não é por acaso que nos rankings anuais das melhores empresas para trabalhar surjam nos lugares cimeiros empresas que se enquadram no perfil que acima descrevi, detentoras de marcas que praticamente todos conhecemos e consumimos diariamente, muitas vezes sem sequer nos apercebermos. Também não costumamos ver estas empresas nos noticiários, excepto talvez nas páginas económicas quando realizam alguma operação em Bolsa ou anunciam lucros. São empresas que não costumam empregar políticos ou mendigar favores. E não passa pela cabeça de quem quer que seja defender a nacionalização de qualquer destas empresas, pois tal significaria o colapso imediato, com prejuízo para os Estados em matéria de impostos e aumento brutal do desemprego. [Read more…]

Trânsito e economia

Toda a gente ri (amargamente) das declarações de Pires de Lima, segundo as quais Portugal estaria “à frente de grandes economias mundiais”. Ora, de uma certa perspectiva – em linguagem da prevenção rodoviária, por exemplo – o ministro pode ter alguma razão. Ainda há pouco dei comigo à frente de carros que circulavam na minha rua a imprudente velocidade.e, apesar de estar sobre a passadeira de peões, vi jeitos de a coisa acabar mal.

“Estamos à frente de grandes economias mundiais”? Caramba! O melhor é fugir rapidamente, não vá dar-se o fatal atropelamento.

Um sistema bancário que respira saúde

Banco

 

(Reparem no semblante matador de Ricardo Salgado. As pobrezinhas da Comporta devem suspirar que nem umas malucas…)

Na pátria de grandes banqueiros como Oliveira e Costa e Dias Loureiro, o sistema bancário respira saúde. O BES é agora um Novo Banco mas as mil empresas Espirito Santo qualquer coisa ou qualquer coisa Espírito Santo continuam a causar estragos. A PT que o diga! Mas vêm aí os testes de stress do BCE e a “verdade” virá ao de cima. Aguardemos.

Por falar em testes de stress do BCE, parece que o BCP chumbou. Mas está tudo bem e nem os prejuízos acumulados ao mês de Setembro, uns irrisórios 98 milhões de euros, beliscam o optimismo da administração. O optimismo é tal que Nuno Amado fez questão de dizer que, se os testes fossem hoje, o BCP passaria com certeza. Essa malta do BCE é que escolheu aquela data mesmo para os lixar…

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Orçamento cavalar

cavalo de troia
Saiu o Orçamento Geral do Estado. Tantas promessas! Ainda há incautos que pensam que vão pagar menos. Ainda há quem pense que a maioria dos portugueses não paga impostos, só porque lhes poupam o IRS. Ainda há os convencidos da generosidade de um governo que apresenta como dádivas generosas aquilo a que é obrigado a ceder por ordem do Tribunal Constitucional. Ainda há quem se descuide com as armadilhas fiscais que abundam naquele documento.

Finalmente, há até quem festeje aquele truque do descongelamento das reformas do sector privado. “60 anos e 40 de serviço? é justo; até que enfim que fazem alguma coisa de jeito” – dizia, há pouco, um nosso concidadão, entre dois golos de cerveja. Erro. É mais um “troiano”, um “presente grego”( a referência é clássica, nada com os actuais gregos – excepto, talvez, os seus taxistas). É que o nosso alegre cidadão não sabe ainda que a “prenda” vem acompanhada de uma penalização de 36%, fora os apêndices. Esta medidas são a cara chapada destes artistas, émulos da bruxa má da Branca de Neve. O pior é que ainda há quem se tente pela maça envenenada.

Nestes tempos de enganos, lembrai-vos prudentemente das palavras do avisado sacerdote Laocoonte, quando os troianos se aprestavam a tomar posse do famoso cavalo de madeira: “Míseros cidadãos, quanta insânia! (…) Troianos (portugueses, digo eu), seja o que for, há dano oculto: desconfiai do monstro! Temo os gregos (os governantes, na minha versão) mesmo quando dão presentes!” (Virgílio, “Eneida”).

Isto não é liberalismo, é proxenetismo…

É o que me ocorre dizer a propósito deste post. Se o Hospital necessita contratar a mão de obra dos enfermeiros e está disposto a pagar 1200 Euros por 40 horas de trabalho semanais, não precisa contratar intermediários. Abre contratação e resolve o assunto. Caso a necessidade não seja permanente, existem soluções previstas na legislação, como a prestação de serviços. E provavelmente ainda reduzirá custos, pois se existem profissionais dispostos a trabalhar por 510 Euros, seguramente poderiam ser contratados abaixo dos 1200 Euros com ganhos reais para todas as partes, eliminando o intermediário. Nem vou entrar na discussão do valor, 510, 1200, poderia ser outra função e estarmos a falar de 5000, aqui importa sobretudo discutir o princípio. Este tipo de concursos é propício ao favorecimento de clientelas e desperdício de dinheiro público. Se averiguarmos bem estas empresas, acabamos por descobrir que pertencem a algum amigo do político X ou Y, têm ao seu serviço colaboradores ligados aos partidos… Isto nada tem a ver com liberalismo ou capitalismo, isto é outra coisa, bem mais feia de adjectivar!

Quo vadis Portugal?

Tenho lido por aí que o crescimento económico praticamente nulo, ou descida do défice em 1% são insuficientes, mas representam uma pesada factura paga pelos trabalhadores. Em consequência defendem renegociação da dívida, revisão do pacto orçamental entre outras acções. Vamos por partes. É hoje consensual que apesar do discurso político que Passos Coelho e apoiantes apregoavam no início da legislatura, quando defendiam uma diminuição da despesa em detrimento do aumento da receita, falharam. Poderemos catalogar de incompetente o actual governo, serei sem margem para dúvida subscritor desta tese. Mas então se falhou o objectivo de diminuir a despesa, sou todo ouvidos às sugestões que possam vir dos opositores ao actual governo. Nomeadamente do PS que se perfila para ser alternância. Quanto a renegociar, significa exactamente o quê? Incumprir? Imaginemos por um instante que dizemos aos credores “não pagamos”. Alguém no seu perfeito juízo acredita que apesar do peso dos juros que Portugal suporta, passado algum tempo não estaríamos em situação idêntica? E quando voltássemos a bater à porta dos mercados, quais seriam as condições e taxas a que obteríamos o financiamento? Seguramente bem piores, pois como diz o povo, “gato escaldado…” e perdida a confiança dos credores, a receita seria mais gravosa que a actual. [Read more…]

O adensar da catástrofe Espírito Santo

PT

(imagem: Expresso)

A confirmar-se que Governo, Presidência da República e Banco de Portugal teriam já conhecimento da situação do BES em Agosto de 2013, a situação em si adquire contornos de uma gravidade sem precedentes. Significa que houve negligência por parte do presidente da República que nos garantiu, por mais que uma vez, que as acções do BES eram seguras, significa que o Governo omitiu a gravidade da situação aos portugueses impedindo que medidas adicionais fossem tomadas e significa também que cai a falsa imagem de inocência e candura de Carlos Costa, o imaculado presidente do Banco de Portugal que agora se assemelha, mais do que nunca, ao seu antecessor Constâncio. O BCE poderá bem vir a ser a sua próxima casa.

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Fiscocídio sádico

Na sua habitual estratégia de sadismo comunicacional, vários membros do governo foram alternando palpites sobre se a carga (canga?) fiscal que pende sobre os portugueses ia subir, baixar ou manter-se.

1º andamento: baixa a carga fiscal. 2º andamento: talvez suba a carga fiscal. 3º andamento: a carga fiscal mantém-se.
– Sai o OGE e o que nos dizem? Que a carga fiscal se mantém.
– O que vemos nós? Que vamos pagar mais impostos.
– Conclusão: eles disseram “a carga fiscal mantém-se; não disseram manter-se-à”.
Q.E.D.

Mais do mesmo…

Há muito que deixei de acreditar no actual governo. Esta legislatura constituiu uma oportunidade perdida para reformar o Estado, à boleia dos compromissos externos assumidos. O pouco que se fez foi na maior parte das vezes errado. PPP’s, SWAP, foram mantidas, a Banca foi protegida em nome do conceito “to big to fail”, apesar de muitos classificarem este governo de liberal, a verdade é que a Liberdade individual é sistematicamente desprezada em nome do politicamente correcto ou socialmente aceitável. Nem me vou dar ao trabalho de discutir o Orçamento de Estado, pois teria que ir muito ao detalhe para encontrar alguns, poucos, aspectos positivos (descida no IRC e pouco mais). Sobre o grande objectivo de redução da despesa pública, com o qual obviamente concordo, não me é indiferente a forma como é alcançada e não me parece que aumento da carga fiscal possa ser defensável num país que já trabalha meio ano para pagar um monstro.

Mas pior, do lado do principal partido da oposição contradições no discurso entre destacados figurões não auguram nada de bom.

Informação

Factos ocorridos:
– Um cidadão, cumpridor e trabalhador vai pela rua e, subitamente, é parado por uma meliante. Esta exige-lhe a carteira e rouba-lhe todo o dinheiro. Incauta, a ladra não pediu o porta moedas nem lhe roubou o cartão multibanco. Assim, feitas as contas, restaram-lhe 11.20 € no porta-moedas e 400 € na conta bancária. Todavia, para a vítima, o roubo tinha sido coisa de monta, já que acabara de fazer um levantamento. Ficou, assim, tomado de desespero.

Versão do Telejornal:
Título – “Cidadão obtém ganhos de 411.20€!

- Abordado à saída de um banco, um cidadão, ameaçado por uma alegada assaltante, viu a sua conta contemplada com 400€ e obteve 11.20€ de dinheiro de mão. A assaltante explicou à vítima que era obrigada aquela operação por o seu chefe, estrangeiro, imagine-se, a obrigar a isso. Alegou ainda que o dinheiro de que se tinha apossado se destinava a um bem maior, sublinhando a sorte do cidadão, já que ainda lhe tinham restado meios que ela, se quisesse, poderia ter incluído na importância apropriada. Logo, tais meios eram um evidente ganho. O cidadão conformou-se.”

(Qualquer semelhança com os noticiários que se seguiram à apresentação do Orçamento Geral do Estado é pura coincidência).

Contra o Orçamento do Estado para 2015

É um orçamento evidentemente de rigor
— Miguel Macedo

 

Evidentemente.

Acerca do Orçamento apresentado às Cortes, em 1836, Francisco António de Campos, ministro da Fazenda no Governo de José Jorge Loureiro, de 18 de Novembro de 1835 a 20 de Abril de 1836 – além de autor quer de A lingua portugueza é filha da latina, quer da primeira tradução portuguesa das Metamorfoses ou O Burro de Ouro de Apuleio (nas palavras de Costa Ramalho, “uma tradução digna, ainda hoje, de ser lida”)–, escrevia o seguinte:

fac

Hoje, como acabámos de saber, foi dado mais um passo acelerado para a nossa ruína e verifica-se que, desde a proposta de 2012 (“em Outubro de 2011, Passos Coelho apresentou o seu primeiro Orçamento anual, o que passaria a vigorar em 2012“), a acção do tempo não foi reparadora.

Espero que António Costa mantenha a sensata decisão de votar contra a proposta que o Governo entregou há pouco na Assembleia da República. Efectivamente, como previsto ontem por Heloísa Apolónia, o Orçamento do Estado para 2015 é um “Orçamento do Estado da continuidade”. É verdade que Apolónia termina a frase com “da austeridade”, mas [Read more…]

Cavaco: entre o delírio e a inspiração divina

Cavaco desfocado

A minha dúvida relativamente a Cavaco Silva é se existe algum tipo de estratégia por trás de declarações deste nível de inconseguimento  ou se se trata apenas de perda progressiva de lucidez. Apesar de ambas as opções me parecerem válidas, estou mais inclinado para a segunda, até porque momentos de falta de lucidez são coisa a que o senhor Aníbal nos vêm habituando. Claro que, entre o batalhão de assessores e restantes membros da sua dispendiosa corte, alguém o deveria ter avisado que o Passos e Maria Luís já tinham informado o país sobre a inevitabilidade do efeito BPN sobre os contribuintes. A menos que Nossa Senhora de Fátima lhe tenha aparecido e revelado que estaria pronta para inspirar uma solução alternativa. Não seria a primeira vez que a sua inspiração intercedia por nós. Afinal de contas, ontem foi 13 de Outubro

Algum dia teremos de começar

a construir uma sociedade democrática para o século XXI. Um colóquio dá contributos. Já depois de amanhã, em Coimbra.
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Zeinal Bava e o Lince

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© Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC)

“Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância.

Ao ler

Facto relevante: o comunicado da Oi que anuncia a saída de Zeinal

e

FATO RELEVANTE,

 

num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)

Nós dizemos ‘facto’, escrevemos o c. Os brasileiros dizem ‘fato’ não escrevem o c. Portanto, mantêm-se as grafias duplas.

Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico.

Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:

respectiva convertido para respetiva

respectivas convertido para respetivas

respectivo convertido para respetivo

respectivamente convertido para respetivamente

prospecto convertido para prospeto

perspectiva convertido para perspetiva

aspectos convertido para aspetos

Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”.

Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

O efeito perverso da legalização das drogas – II

Este estudo não muda o essencial da questão, nem sequer a discussão pode ficar limitada à Canábis. Várias substâncias à venda, como o alcóol ou tabaco também podem causar dependência. E apesar do fascismo dos costumes oportunismo fiscal dos vários governos, nomeadamente na U.E., não passa pela cabeça de alguém proibir a venda, sob o pretexto de censura moral, aproveitam para arrecadar receita. Existem limitações quanto à idade dos consumidores, mas ficamos por aí. O mesmo princípio poderia ser aplicável às substâncias ilícitas a que vulgarmente chamamos “drogas”. Manter o status quo, penalizando o consumo, apenas favorece organizações mafiosas que enriquecem enquanto tiverem o exclusivo do negócio, como aqui escrevi.

Negócios da China

Honk Kong

Numa altura em que ocidente democrático se insurge contra barbaridades variadas perpetradas por russos e árabes (só alguns claro, a Arábia Saudita, por exemplo, continua a ser uma excepção e um exemplo de respeito pelos direitos humanos), Portugal continua de portas escancaradas para o investimento dessa nação plural que é a República Popular da China. E se dúvidas restassem quanto ao grau de abertura e respeito pelos valores ocidentais que supostamente defendemos, a vice-ministra chinesa Xu Lin esclareceu-as por completo na sua recente visita a Portugal para integrar um painel da uma conferência organizada pela Associação Europeia de Estudos Chineses na Universidade do Minho. Foi um belo momento de convivência democrática.

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Liberdade e Capitalismo…

Nos tempos do maior criminoso da História da humanidade, capaz de suplantar em número de troféus vítimas, carniceiros como Joseph Stalin ou Adolf Hitler juntos, nasceu em Hangzhou, China, quando a revolução cultural estava no auge sob a liderança do pérfido Mao Tsé-Tung, um rapaz pobre, que actualmente conhecemos por Jack Ma.

A visita de Nixon à sua cidade natal levou hordas de turistas, atraídos pela rara beleza natural do lugar, com os quais o pequeno Jack (alcunha que um turista incapaz de pronunciar o seu nome, lhe atribuiu e que haveria de acompanhar Ma Yun até ao presente) conviveu, levando-o a aprender inglês o que mudaria a sua vida para sempre.
Vítima da política isolacionista, algo comum às ditaduras, não importa a ideologia, é manter o povo na ignorância, Jack Ma influenciado pela cultura ocidental, começou por fundar algo parecido com as páginas amarelas, com o apoio de colegas da faculdade, à qual apenas conseguiu entrar à 3ª tentativa, não é filho de dirigentes do Partido ou tem origem em famílias ricas tradicionais, fundou algo parecido com a Amazon, ou e-bay. Entrou recentemente na bolsa em Wall Street, com uma cotação inicial próxima do Facebook.
Pesquisem o que entenderem sobre a Alibaba, que não irão encontrar funcionários a trabalhar e dormir em turnos parecidos com submarinos em cenário de guerra, ou algo do género. Ao invés, irão encontrar instalações que nos habituámos a ver em Silicon Valley, com funcionários motivados. Para Jack Ma, os clientes estão em 1º lugar, os funcionários vêm em seguida e depois os accionistas, todos eles de grande importância, pois a falha em qualquer destes 3 vórtices implica o colapso.
A Alibaba também não é capitalizada pelo governo chinês, embora esteja obrigada a respeitar Leis e regulamentos, não muito diferentes de outros países no mundo, basta estar atento ao dossier Wikileaks, para perceber o envolvimento das agências governamentais na Google e outras empresa tecnológicas…
Aos detractores do capitalismo, crentes em economias planificadas, este exemplo mostra como é possível criar valor, melhorando a vida das pessoas, quando existe Liberdade. Empreendedores, pessoas visionárias, nascem em qualquer lugar, uns serão bem sucedidos, outros nem tanto. O que jamais terá sucesso será um burocrata financiado, obrigado a cumprir um qualquer obscuro caderno de encargos, apenas porque algures alguém decidiu que sim.
No fundamental, será isto que nos divide. E dividirá para sempre. Mesmo que algumas inovações estejam destinadas a fracassar, ou que o sucesso imediato de alguns não se confirme, serão sempre a busca do lucro e sucesso os motores do génio e criativiadade humanos…

FMI baralha e torna a dar

ponto2

O relatório de Outono do FMI, essa samaritana instituição que nos salvou das maleitas do socratismo destrutivo e que nos emprestou umas coroas a troco de uns “ajustamentos” temperados com austeridade em doses industriais, vem agora dizer-nos que o caminho para tirar a economia da crise passa por investimento estatal em infraestruturas públicas. Ou se preferirem, em português neoliberal, despesismo.

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Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

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“Contribuintes, vocês são o elo mais fraco”

banco bom banco mau

“Começou a ser escrito há mais de um ano e teve uma recta final alucinante porque, qual novela, não paravam (não param!) de acontecer coisas aos seus protagonistas. Chegou hoje às livrarias. E eu ainda estou num certo estado de estupefacção. Espero que gostem.” Rute Sousa Vasco

Companhia aérea de bandeira – III

-É absolutamente extraordinário que uma empresa decida criar uma filial e como reacção os seus trabalhadores convoquem greve. Mas verdadeiramente surreal é a empresa anunciar o recuo na decisão, obtendo como resposta dos sindicatos a manutenção da greve. Não me parecem estar em causa reivindicações salariais ou direitos laborais, que poderíamos concordar ou não, mas colocariam o assunto noutro tipo de discussão. A questão é uma corporação pretender afastar potencial concorrência em nome de privilégios. A aviação cívil, nomeadamente a europeia é cada vez mais um mundo à parte, causando prejuízos a contribuintes e consumidores…

Proxenetismo sob o pretexto de cópia privada

Assistir ontem à noite ao Prós & Contras permitiu confirmar algo que há muito suspeitava. Uma parte dos autores portugueses julga-se num patamar de superioridade aos restantes cidadãos, não importa as dificuldades económicas do país, exigem ser pagos mesmo pelo que não produzem. Consideram um direito adquirido e pronto, nada mais existe a discutir. Foi engraçado ver ali Tozé Brito, não tendo percebido se estava na qualidade de compositor que há décadas pouco produz ou quadro desempregado da indústria musical, pois era um dos responsáveis da Polygram e depois BMG. A indústria não se soube adaptar, caíram as vendas e ficou desempregado? Aconteceu a muitos outros. Quantas fábricas fecharam porque os produtos não vendem? Quantos pequenos empresários encerraram portas ou mudaram de ramo? Dos antigos alfaiates, sapateiros, mercearias, clubes de vídeo, fotógrafos, pouco resta. Teria lógica criar uma taxa sobre a roupa, porque um alfaiate ou modista não conseguiu competir com o pronto a vestir?

Mas vou um pouco mais longe. Politicamente alguns daqueles figurões até consideram que toda a propriedade é um roubo. O que pretendem de forma encapotada é espoliar direitos de terceiros. Não escrevo nacionalizar, pois o resultado do esbulho não irá reverter para o Estado, mas para eles próprios. Desiludam-se! Pela parte que me toca não o irão conseguir. Existem possibilidades de comprar online e até no estrangeiro. Não se trata de poder ou não pagar 15 euros quando compro um iphone. Trata-se de não querer contribuir para parasitas. Já basta a taxa de televisão. Posso ainda acrescentar que a maioria dos conteúdos que vejo ou ouço não são produzidos em Portugal, embora alguns o sejam, mas também não quero ser injusto para outros autores portugueses, que não se revêm na SPA nem andam de mão estendida em busca de subsídios. Esses merecem o meu respeito.

Boicote?

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Num café da minha rua, uma máquina de tabaco não aceita moedas de 1 euro alemãs e austríacas. Que é do símbolo, que cria uma espessura diferente das outras, diz o dono do café. Será?