Biografia breve do PAI NATAL

Séc. XX, Dezembro 1952, Aeroporto, Ilha de Santa Maria

A chegada do Pai Natal ao Aeroporto da Ilha de Santa Maria
(Dezembro 1952) © Grupo Facebook Memorias Santa Maria

QUEM É O PAI NATAL?
Chamêmos-lhe S. Nicolau, Papai Noel, Papá Noel, Père Noël, Viejito Pascuero (chileno), Santa Claus, Joulupukki (finlandês), Father Christmas, Ded Moroz (russo), ou Kris Kringle (um nome que se julga derivar do alemão Christkindl – Menino Jesus – apropriado pelo «vernáculo» dos primeiros colonos norte-americanos), é tido hoje como verdadeiro que mora longe, muito longe da grande maioria dos beneficiários da sua acção benévola: para lá do círculo polar árctico, no sopé de uma misteriosa montanha chamada Korvatunturi, com os seus duendes ajudantes, as suas renas e, enfim, toda a parafernália de espantosas excentricidades a que já nos habituou. Trata-se da mais intricada das fantasias demiúrgicas do nosso tempo, pejada de zonas sombrias, contradições e, claro, grandes cedências ao marketing, constantemente necessitado de renovados ícones.

Um concorrente de Jesus
Patrono dos marinheiros (sobretudo dos holandeses), dos comerciantes de todas as latitudes, dos guardas-nocturnos arménios, dos meninos de coro italianos, das raparigas solteiras e casadoiras, o multinacional padroeiro Nicolau terá sido antes de mais um protector dos fracos e dos oprimidos, fama que se por um lado o tornou amado um pouco por todo o mundo cristão, por outro o colocou em franca posição de concorrência com Jesus, o que terá determinado (juntamente com a Reforma protestante que aboliu o culto dos santos, e com a escassez de documentação sobre a sua vida) a decisão do Papa Paulo VI em retirar, em 1969, as festividades de São Nicolau do Calendário Oficial Católico. [Read more…]

O natal de Portugal

Não me parece ser uma realidade, é apenas uma escrita livre. Vamos deixar as leis e a Constituição do Estado. É o dia de começar a preparar o Natal. Antigamente, era o dia de preparar a árvore, com luzes a cintilar, a espera de uma consoada que, no passado, era de bacalhau com repolho, batatas, ovos cozidos e couve lombarda, com vinho ou água-pé, a comida mais tradicional de Portugal nas aldeias, onde normalmente tenho passado a Noite Boa, com os trabalhadores rurais que habitam em elas. Todo isto, caso não se não houver peru, champagne, vinho do Alentejo, carne asada e presentes, como passou a ser a seguir o 25 de Abril de 1974.

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Atropelamento e fuga

Hoje, uma menina de 9 anos foi atropelada mortalmente em Gaia. O DN refere que ela “estaria a atravessar a estrada pela passadeira quando surgiu um carro que a veio a atropelar, tendo a viatura depois abandonado o local, numa possível fuga”.

Ela estava na passadeira! E mesmo que não estivesse.

É preciso estar muito mal da cabeça para fazer uma coisa destas e fugir.

Quem foi? O que terá levado aquela pessoa a conduzir desta maneira? O que estará a pensar a esta hora?

Ponho-me no lugar desse homem ou dessa mulher.

Que desespero tamanho, que ódio está dentro dele ou dela?

Não sabemos.

Matar alguém…

As loucuras que se fazem sem emenda possível. Não há volta a dar. Não há retorno. Acabou. Não há inversão de marcha para a morte.

Ponho-me no lugar dos pais dessa menina. Que dor absurda!

Não há comentários. Os meus sinceros pêsames. Sinto muito.

Pensei na minha filha que não estava comigo.

Não está certo. É uma brutalidade.

Sinto muito. Não é justo.

Matou e fugiu!

Hoje é um daqueles dias que não deveria existir. O fim do mundo chegou. Para nós por uns minutos, os do choque. Para a passadeiramãe, para o pai, para o irmão chegou de forma definitiva – A menina deles morreu!

Uma Aluna do 5º ano, ainda com a manhã triste, tão triste que parecia noite, estava a chegar à escola (o Google Maps mostra a localização). À sua, à nossa escola. Despediu-se da mãe, a caminho do trabalho, colocou o pé na passadeira, depois outro e foi o FIM…

Morreu!

E quem matou, fugiu!

E quem mata assim e foge é um FILHO DA PUTA! E vai ter que viver com uma dor para todo o sempre. O de ser um assassino. Ainda por cima, um cobarde que deixa uma mãe com a filha nos braços, debaixo de uma noite longa que escurecia a manhã, que parecia não querer chegar.

Não sei se a culpa é da localização da passadeira ou da porta da escola, se da localização da própria escola, metida entre dois acessos à A1, perto da ponte da Arrábida.

Mas alguém tem que fazer alguma coisa – as Estradas de Portugal? A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia?

Ninguém pode voltar a ser vítima daquela passadeira!

É a fome senhores

[youtube http://youtu.be/4HGp0CNHMiI]

Pobres crianças – reportagem de Patrícia Lucas para o programa Linha da Frente da RTP.

Uma reportagem de choque, para ir ao focinho dos que insistem em que a crise não arrasta consigo a fome e a miséria e pensam que as pessoas são números. Inclui mais um momento Jonet:

Eu penso que é mais correcto falar-se em carências alimentares, porque há que relativizar até a situação que se passa nos países mais desenvolvidos e o que se passa nos países subdesenvolvidos, como África. E, portanto, temos que relativizar e falarem carências alimentares

Citação roubada ao artigo 58

O disparate não limites, mas a paciência tem

Sinceramente, espero que um dia destes haja limite para a benevolência. Fomos nós que deixámos estes rapazes passearem as calças bege mais os sapatos de vela e os penteados à fosga-se pelo nosso país fora. O problema é que subiram ao palco e a plateia não pode fugir, porque as saídas de emergência são apertadas. Mas pode atirar-lhe tomates e calá-los, que ninguém merece ouvir tanta asneira junta.

Então hoje é isto: “Novo líder da JSD quer acabar com saúde e educação gratuita para todos”.

E enquanto deixarmos, continuará a ser isto!

A Senhora Catalina Sabe, mas só fala quando lhe é conveniente

catalina
Sobre pedofilia sabe a senhora Catalina. Aliás sempre soube e de tudo o que sabia falou tarde e mal.
Agora também sabe dos abusos que o padres fazem. Só em Lisboa serão cinco os casos de que tem conhecimento.
Como estes abusos não terão sido perpetrados ontem, quando terá ido a senhora Catalina à polícia, fazer a queixa que se impunha? Não foi!
Falou agora que sabia dos casos e que os escondeu das entidades policiais.
Disse ainda que terá falado com os responsáveis da Igreja (ou não).
Qual a responsabilidade real desta senhora por todos os abusos que se verificaram desde que tomou conhecimento dos casos até à presente data?
A senhora andará a precisar de protagonismo agora? Porquê?

Tempo de moderação

Em Novembro, mal o comércio começou a expor decorações de Natal, apareceu na internet um leia-e-passe alertando para a conveniência de as pessoas não desatarem a comprar presentes para a família e amigos porque, dizia o lembrete, tudo isso é fabricado na China. Sugeria-se, de modo empenhado, que se desse a preferência a dias de férias, na neve ou nas Caraíbas, a   tratamentos dentários, dietéticos ou outros, a estadias em spas, a cursos de ioga e ginásios, a bilhetes para espectáculos, a jantares em lugares agradáveis, a entradas em programas de museus, a livros e discos.  Insistia-se no facto de aos familiares e amigos serem mais úteis estes presentes do que  objectos que logo enfastiam e se põem de lado. O objectivo era claro: defender a economia canadiana das sinuosas práticas do capitalismo selvagem, esse que se dá como Deus e os anjos com o comunismo chinês, explorando ambos a mão de obra barata e rebentando com o comércio de qualidade que existe no Canadá e um pouco por toda a parte.  Aviso legítimo mas, ainda assim, próprio de país rico no que se refere às sugestões de presentes.

Depois, outro leia-e-passe apareceu aconselhando à sobriedade, demonstrando que é preciso manter o espírito de Natal, o amor da família e do próximo em geral, a alegria que se alimenta de valores espirituais e não de esbanjamentos que confrangem. Ora isto, em país habitado por imigrantes, só pode vir dos canadianos puros e duros, anglo-saxónicos e frugais, modestos e avessos a ostentação. Não são unhas de fome, são educados a não estragarem e esbanjarem. Eles têm razão. [Read more…]

Ontem à noite na TVI24, Mário Soares

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Maria, tu que és uma mulher culta e sensível, que foste a grande actriz que não esqueceremos, que amas a poesia e as belas letras, que tens sido a grande mulher por detrás do maior homem de Estado depois do 25 de Abril (embora se tenha feito e crescido Maria – como pudeste permiti-lo mulher? – à sombra da bananeira armadilhada dos EUA e da UE), tu que apesar de tudo isso és essa grande senhora, faz-nos o favor de amarrar o teu homem ao cadeirão e não o deixes sair à noite para ir à televisão fazer figuras tristes, que envergonham todos os que o respeitaram – e ainda mais os que acreditaram e votaram nele, vendo na sua acção um socialismo justo e no seu carisma amável a marca do génio dos grandes líderes democráticos, malgrado os elitismos e demais burguesismos que nunca o largaram, e fizeram do PS um partido de subidores de vidas, inspirados pelos exemplos e visões de grandeza desse teu homem Maria. Figuras tristes que, como se não bastassem, ainda por cima prejudicam a luta dos muitos que (infinitamente mais esclarecidos do que ele por estes dias) mereciam, com benefício para a informação do povo que está a ser dizimado pelo Governo Passos/Troika, esse espaço de antena Maria.

Sem comentários

fuga ao fisco

fuga ao fisco

Dedicado aos queridos comentadores que confundem Medina Carreira, o avô deste governo, com uma pessoa de bem.

Piromania futebolística

vieiraComeço pela tese: gostar de futebol e apreciar actos de desportivismo ou de grandeza constituem actividades quase incompatíveis.

Na minha qualidade de benfiquista, assisti com a emoção que se impunha ao jogo de ontem, um jogo suficientemente emotivo para que a melhor equipa pudesse ter perdido e a melhor equipa, ontem, foi a do Benfica. O Sporting, enredado numa estranha depressão, não consegue ser um todo, numa prova de que jogar com a cabeça é tão ou mais importante do que usar bem os pés. [Read more…]

Crueldade

Um dos meus DVD’s preferidos é uma colectânea de dezoito curtas sobre Paris. Chama-se Paris, je t’aime, título nada surpreendente quando se trata da cidade do amor. Lançado em 2006, aborda a cidade de pontos de vista tão diferentes e com estilos tão distintos, que creio que cada um de nós lá encontra a sua história, aquela que nos comove ou mexe connosco, ou nos faz rir à gargalhada, ou simplesmente nos faz parar e pensar.
Tenho tido muitos bons momentos com essas maravilhosas histórias de amor. Embora não seja muito romântica, há coisas que mexem comigo, com a minha sensibilidade. Uma delas é precisamente a curta que se passa na Bastilha. [Read more…]

Manoel de Oliveira, parabéns!

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Hoje comemora os seus 104 anos cheios de vida. O mais antigo realizador de cinema em actividade e de olhos postos em novos filmes! Parabéns.

É preciso muito fôlego para soprar tantas velas. – Isso não lhe falta!

Parabéns pelo seu amor à vida. P’ro ano quero desejar-lhe mais um «feliz aniversário»!

Triste mundo o nosso. RIP, José Adelino Guerra

Choca-me a morte trágica de qualquer ser humano. Choca-me ainda mais uma morte evitável. Onde estão os responsáveis?

Memórias de Salazar ou o regresso dos pobrezinhos

Luís Manuel Cunha

vinho-salazarEm Santa Comba Dão pretendia-se lançar uma marca de vinhos chamada Memórias de Salazar. O nome não foi autorizado sem que se perceba muito bem porquê. O facto é que, a marca do tintol nunca veio tão a propósito, arrastando consigo uma infinidade de recordações e de reminiscências de tempos que se julgavam para sempre desaparecidos.
Lembro-me ainda muito bem. No mundo da minha infância e por esta altura em que “a estrela de Belém corre pelos céus à procura da manjedoura e das palhinhas”, “não havia conto de Natal, não havia lenda infantil, não havia fábula natalícia que não trouxesse consigo, sempre disponíveis, os pobrezinhos”. A tradução narrativa de um mundo a preto e branco mas bem real, um mundo frio e famélico, tristemente alumiado pela luz da candeia que, no meio do casebre, projectava uma palidez esfomeada de um tempo disperso, “algures entre o apito da fábrica e o chiar da charrua”. Era a “casa portuguesa” salazarenta, documentada nos livros da escola primária e plasmada na imagem de capa do lavrador caseiro desgraçadamente feliz, de sachola ao ombro, regressando a casa, escancarada pela mulher desgrenhadamente feia, rodeada de filhos ranhosos e sujos pendurados nas saias. Depois, a broa embrulhada num caldo de couves e o terço murmurado maquinalmente sob o olhar protector de uma imagem da virgem de Fátima, como agradecimento ao Senhor por tamanha dádiva. Ao Senhor e a Salazar. Era o tempo do “pão e vinho sobre a mesa” e da disponibilidade de abrir a porta a quem a ela batesse, para se “sentar à mesa com a gente”. Só que, à porta dos pobrezinhos, ninguém batia.
Era um mundo de diminutivos e de diminuídos” do catecismo do Estado Novo e da Igreja Católica que, na ficção piedosa da padralhada debochada e rubicunda, entendia que o sofrimento e a miséria eram condições sine qua non se lhes abriria, aos pobres, o reino dos céus. Por esta altura, a beatada em peso, o professor e o padre derretiam-se em homilias da necessidade de ajuda ao pobrezinho. Que vivia “tristemente sentado nos degraus da igreja” ou “pacatamente esfomeado às portas das casas”. Era uma obra de caridade ajudar os pobrezinhos, dizia-se. “Minha senhora, está ali um pobrezinho a pedir esmola”. “Maria, dá qualquer coisa ao pobrezinho”. [Read more…]

Os ibéricos, esses malandros

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(c) Parlamento Europeu
Mário Soares, Rui Machete, Jaime Gama e Ernâni Lopes assinam o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia

12 de Junho de 1985: após oito anos de negociações, Portugal assinava o tratado de adesão que o colocaria em 1986 no clube dos consumidores europeus e grandes exportadores mundiais, então 320 milhões de indivíduos. A Europa dos ricos alargava as suas fronteiras aos pobres e recebia de uma assentada três milhões suplementares de desempregados. Jacques Delors celebrava o esforço comum empreendido em favor de «um mesmo ideal [que serviria] para reforçar as nossas economias, confortar as nossas democracias e partilhar as nossas culturas.» E foi assim, a imaginar que estávamos num clube filantrópico de amigos beneméritos, que deixámos a corrupção de sempre (a do sistema de poderes de tráficos e influências que prossegue minando de injustiça e imoralidade a vida dos cidadãos) tomar conta do Estado democrático. [Read more…]

Ada Lovelace

Augusta Ada King, Condessa de Lovelace (10.Dez.1815 – 27.Nov.1852) foi uma mulher fora do seu tempo. Foi-lhe ensinado matemática em tenra idade pela sua mãe, posteriormente teve aulas privadas com eminentes matemáticos da época e foi sócia da Blue Stockings Society.

Já casada, traduziu para o inglês um artigo escrito em francês pelo italiano Luigi Menabrea em que era descrito o Engenho Analítico de Charles Babbage, acrescentando extensas notas pessoais sobre a forma como ele poderia ser usado para calcular os números da série de Bernoulli. Esta descrição incluía os mecanismos que hoje fazem parte de qualquer linguagem de programação, valendo-lhe a menção de ter sido a pessoa que escreveu o primeiro programa informático.

No século XX (1983), o Dep.to de Defesa do EUA, em honra a Ada Lovelace, escolheu para a sua novel linguagem de programação o nome de Ada. Augusta Ada King, Condessa de Lovelace , faria hoje 197 anos.

* imagem copiada da Wikipedia: link.

Todo o homem é maior do que o seu erro

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Na mão tem um livro aberto. Procuro, com curiosisdade, ler o título: Todo o homem é maior do que o seu erro. «De quem será o livro que tem nas mãos?» – pensei.

José Duarte é um advogado de Paredes preso há oito anos por falsificação de documentos e usurpação de funções. O livro que referi é a sua tese de mestrado publicada e já praticamente esgotado!

Quer agora uma autorização da Direção-Geral dos Serviços Prisionais para frequentar as aulas de doutoramento, obrigatórias. Quer ser o primeiro recluso a concluir a tese de doutoramento!

Como disse um dia a mãe do Nobel da Literatura 2012, “Filho, o homem que me bateu [um guarda que havia agredido a senhora há muitos anos] e este homem não são o mesmo”.

Galp, abuso de confiança e incompetência

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Abastecermos a viatura na GALP, além de ser um sinónimo de preços mais altos, também significa perdermos o nosso precioso tempinho e a correspondente paciência. Seja em que bomba for, Amoreiras,  Oeiras Parque ou qualquer outra, o procedimento é sempre o mesmo: a muito natural bicha de espera para pagarmos ao operador(a) e num sorriso, a expectável explicação:

O senhor vá abastecer a viatura e depois volte para “levar a factura” (ou recibo?)…

Ainda não percebi se tal estupidez se deve a uma inglória tentativa de desencorajar os clientes, evitando-se aquelas maçadas contabilísticas de comprovativos de compra, números de contribuinte, impostos a pagar, etc. A quem vivalma não escapa, é ao sacramental dever de ir, vir e voltar à dita bicha – que por vezes é mesmo uma bichona a perder de vista -, num daqueles processos burrocráticos que nos fazem lembrar a extinta RDA. Aliás, a GALP é mesmo a única gasolineira que em todo o Portugaliae – desta vez reduzido do Minho ao Algarbiorum – nos obriga a estes fretes. A única.

Por aquilo que o meu pai dizia, nos tempos da Sonap Moçambique as coisas funcionavam  melhor, papelinhos entregues in loco e no momento. E o preço era outro, claro.

A culpa é deles

Malgastam o dinheiro do pequeno-almoço dos filhos pelos cafés, endividam-se com plasmas e férias em Benidorm, preferem comprar maços de cigarros ao livro de português do miúdo, entregam-se, irresponsavelmente, à farra das greves, provocam as forças da ordem quando insistem em sair às ruas e gritar. A cada dia, aumenta o seu rol de pecados: hoje, é o do desperdício alimentar. Compram comida a mais e deixam-na estragar-se no frigorífico, perdulários como são, com mais olhos que barriga.

Curiosamente, não se ouviram referências às campanhas publicitárias das grandes superfícies, que ainda na semana passada facturaram em grande com a recolha de alimentos para o Banco Alimentar. Muito menos se recordam os super-descontos em dia de greve, que levaram os tais perdulários a comprar mais do que precisariam.

Há consciências que precisam desse embalo, do sossego que advém do convencimento de que só é pobre quem quer. E a esses, aos pobres por opção, bem se pode tentar ensinar, com caridosa paciência ou ríspido autoritarismo, mas é difícil que aprendam.

120 psi | ciclismo urbano em alta pressão

FestaCicloficina301112011_53Pedro Portela

A explosão do ciclismo urbano ou utilização da bicicleta é uma realidade nova em Lisboa e em Portugal, de uma maneira geral. Demonstra uma diferente consciência em muitas vertentes da vida social.
Associada ao ciclismo urbano, encontra-se uma subcultura cheia de interesse.
Sem nos submetermos aos espartilhos das ciências sociais, esta exposição pretende lançar um olhar sobre as expressões associadas à bicicleta no meio urbano: os eventos que os adeptos da bicicleta se reúnem para organizar e participar, como as corridas alley cat e as oficinas comunitárias; a promoção da bicicleta na cidade e a luta por um lugar no espaço público; e os novos negócios que vão nascendo na paisagem urbana das nossas cidades à volta da realidade ciclável.
Estas imagens foram recolhidas durante o “Track Day” (encontro de ciclismo de pista, com bicicletas fixed gear) realizado no velódromo da Malveira e a “Festa da Cicloficina” (oficina comunitária semanal no Regueirão dos Anjos, em Lisboa), ambos em Novembro de 2011 e na Massa Crítica (encontro e passeio mensal de ciclistas urbanos de Lisboa) de Outubro de 2012.
(Em exposição na estação de Lisboa Santa Apolónia até final do ano)

Festas são Festas, Gozem até Acabar por Favor

estivadoresOs senhores estivadores continuam em greve, mas é só até 31 de Dezembro. Coitados, assim ficam com as festas cortadas a meio.
Estão em greve, mas não todos, o que se não compreende muito bem, já que os trabalhadores de Sines e os de Leixões, continuam a trabalhar nas condições em que estes que fazem greve não aceitam fazê-lo.
Já se diz por aí que o porto de Lisboa corre o risco de acabar.
Já se falou imenso, e eu também até já falei de mais sobre este assunto, mas, se estes senhores não querem trabalhar nestas condições, por certo que muitos há a fazer “bicha”  à espera que o lugar fique vago.
Estou cada vez mais certo de que tenho razão, muita, e que outros deveriam fazer greve ao mesmo tempo que estes senhores.
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Greve da CP

“Até às 8h circularam apenas dois comboios. Num dia normal, teriam circulado 431. Estes dois comboios não pertencem à lista de serviços mínimos. Dessa lista de serviços mínimos teríamos 28, não circulou nenhum”, [Read more…]

e-corrúpio

Em 2020 já não haverá livros, assegura-me ao telefone um amigo tomado de fascínio por essa visão pós-moderna da nossa existência próxima. Digo-lhe que não, que haverá sempre livros. Contra-argumenta lembrando a quota de mercado que têm actualmente os e-books, e afirma, insuflado de certeza pelas garantias da propaganda da tecnologia de ponta que o subjuga, que esse mercado vai crescer, que as pessoas já não vão querer ler livros em papel, que vão lê-los nos seus formatos digitais, com tablets e essas coisas que hoje também servem para ler. Digo-lhe que haverá sempre livros porque haverá sempre leitores de livros. Diz-me que esses leitores analógicos e anacrónicos vão morrer, e gradualmente dar lugar a novas gerações de leitores nada interessados no objecto-livro – segundo ele condenado, mais que não seja, porque é demasiado caro. Insisto que haverá sempre livros, e que pessoalmente não aceito participar desse programa de matança do livro. E para o calar remato: que me deixe às minhas utopias, sendo certo que essa espantosa engenharia das possibilidades se constrói com as cabeças que pensam e com as mãos que escrevem, com os olhos postos no Mundo que é preciso fazer nascer dos escombros – ruínas produzidas pelas mesmas tecnologias de mercado que reduzem pessoas a números indexados em bases de dados de consumidores-contribuintes dos e-Estados.

Desligo o telefone e baixo-me para apanhar um desses escombros: uma lamentável tradução recente de um livro de um grande escritor, talvez realizada num prazo absurdo para uma obra literária, num e-corrúpio à moda dos tempos, talvez unicamente revista num monitor de computador, talvez sem as sempre necessárias (e anacrónicas e analógicas, bem-entendido) provas de papel com emendas a lápis, ou talvez mesmo jamais revista por um revisor profissional, o que acrescentaria custos à edição – e sobretudo retiraria receitas aos editores reféns das lógicas monopolistas abjectas das grandes superfícies e suas cadeias de intermediários que, duma assentada, acabaram com as livrarias e com os ofícios da edição. E abro o escombro (editado por uma importante chancela, como agora se diz das editoras compradas pelos grandes grupos que se têm dedicado a dar cabo da edição de livros em Portugal) nas primeiras páginas para descobrir, atónita, a certificação que dá cabo de mim: as traduções dos livros desse escritor em Portugal são todas obrigatoriamente revistas por uma senhora professora doutora que assegura a sua qualidade. Como diria a minha filha tomada de perplexidade: what the fuck?!

Ponte Aérea

Cartaz 09A Dora e o Raul foram deixar a filha no aeroporto. O Alfredo e a Catarina foram deixar o mais velho no aeroporto. A Guida e o André foram levar o primogénito ao aeroporto. Manuel e Teresa foram deixar a filha no aeroporto. Maria Rocha e Jorge Ferreira foram levar o filho ao aeroporto. Artur e Laura foram deixar a filha no aeroporto. Emanuel e Sofia foram levar os gémeos ao aeroporto. Vítor e Yolanda foram deixar o rapaz no aeroporto. Manuela e Vitória foram deixar a mais velha no aeroporto. Fernando e Socorro foram levar o moço ao aeroporto. O Partido Socialista e o Partido Social Democrata construíram estradas ao lado de estradas e aeroportos a fazer de mortos para que finalmente, num certo dia, acabássemos por ir deixar a nossa juventude no aeroporto. A Procuradoria Geral e o Presidente da República fecharam diligentemente os olhos para que, num belo dia, pudéssemos deixar os nossos irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, no aeroporto. O Regime, os Corruptos do Regime, os Ladrões e Comissionistas Perpétuos dos Orçamentos do Regime, trabalharam arduamente para que nos não fosse de todo impossível deixarmos filhos, irmãos, cunhados e  genros, no aeroporto. Enfermeiros. Engenheiros. Arquitectos. Professores. Operários. Criativos. Ámen. Assim seja.

Ainda o “corrupio” (lendo António Nabais)

 Armindo de Vasconcelos

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Sobre o tema aqui versado pelo António Fernando Nabais e comentado pelo João Esteves de forma superlativa, exemplarmente quando refere o “luxo” de contratar “revisores competentes” vs “ditames do lucro financeiro”, atrevo-me a chamar à conversa o extracto duma entrevista concedida por José Mário Costa, jornalista responsável pelo projecto Ciberdúvidas, à revista “Os meus livros”, em Fevereiro de 2012.

Sobre o panorama da tradução e revisão dos livros, referiu: “Como tudo o que nos cerca, nomeadamente nos tempos que correm, há do bom, mesmo do muito bom, e do pior. É um problema geral do País: a qualidade e a competência cada vez menos estimuladas”.

E, generalizando o horizonte da sua perspectiva, acrescentou: “Passa tudo pelo ensino do português desde a escola primária. Se até há cursos (universitários!) de jornalismo sem qualquer disciplina da área-ferramenta de trabalho nuclear da profissão, qual a surpresa da proliferação do mau uso do idioma nacional generalizado, hoje, tanto nos jornais como na rádio e na televisão?”. [Read more…]

Medina Carreira andava a branquear acima das suas possibilidades

medina carreira

O mandato de busca do juiz Carlos Alexandre “indicia que o nome de Medina Carreira foi encontrado nos documentos apreendidos a Canas como tendo três offshores geridos por Michel Canals, e que será mais um cliente da organização”.  (…) Ainda segundo o Sol, no caso de Medina Carreira estarão em causa apenas transferências do banco UBS, na Suíça, para Portugal, efectuadas desde 2006, no valor global de mais de meio milhão de euros. E a investigação terá de pedir informação ao UBS para perceber se o dinheiro em causa era de Medina Carreira ou de clientes seus. in Público

Claro que desmentiu tudo. Podia lá ser. Um homem acima de toda a suspeita. Incapaz de mentir. Sobretudo quando ataca os políticos, coisa que nunca foi.

Mr. Bean e Cristiano Ronaldo na hora de receberem uma rainha

O craque português esteve no Palácio do Pardo, em Madrid, para receber o «Premio Nacional del Deporte» como atleta ibero-americano que mais se destacou em 2011.

Mas receber um troféu das mãos da rainha Sofia enquanto se mastiga uma pastilha é coisa que não fica bem, pelo que o futebolista teve que encontrar uma solução rapidamente.

Ronaldo tentou cuspir a pastilha discretamente para a mão para a colocar no bolso, mas o gesto não passou despercebido.

Alguns convidados da cerimónia disseram que foi a presença da família Real que deixou Ronaldo mais nervoso que o habitual”.
CR inspirou-se em Mr. Bean! Tenho a certeza que o futebolista «viu à frente» a cena de Mr. Bean recebendo a sua rainha:

Mr. Bean 4 – CR 1. Ou será o contrário?

Contra a corrupção

musica+para+acordarNo próximo dia 9, celebra-se o Dia Internacional contra a Corrupção. A Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC) irá assinalar a data com a iniciativa “Música para acordar”, que inclui um concerto do Quinteto de Cordas do Norte, na Alfândega do Porto, às 17h. Os responsáveis pela organização anunciam que este evento “marca o lançamento em Portugal de uma grande campanha de sensibilização contra a corrupção. Vamos mostrar em primeira mão as ações e eventos que estamos a preparar para os próximos meses!” Acrescente-se que a entrada é livre.

O programa do concerto pode ler-se a seguir ao corte. [Read more…]

O Luto e o Alívio

Mais uma boa crónica de Miguel Esteves Cardoso! Só ele para se lembrar de escrever sobre «coisas» como o alívio.

O alívio é um prazer. Concordo. E é pouco elogiado. Concordo também!

Alívio parece nome de gente! – digo eu.

MEC escreveu ontem: “O alívio é o livramento do medo que acabou por não acontecer, do encargo da ansiedade, da angústia do trabalho depois de feito. (…) O alívio é a liberdade. É o tal grande peso que, num instante mas duradouramente, se alevanta do nosso peito e nos deixa respirar oxigénio puro como se fosse pela primeira (…)”.

Fui ao dicionário ver «alívio» e «aliviar». De «alívio», temos acto ou efeito de aliviar, diminuição de peso, de cor, etc.; descarga. De «aliviar», temos, para além do conhecido «aliviar a tripa», «dar à luz» e «aliviar o luto», que eu não conhecia, e que significa, esta última expressão, começar a usar um vestuário que não é totalmente de luto. [Read more…]