Negócios do coração !

Angola pura e simplesmente não paga às empresas portuguesas que labutam no seu território. Teixeira dos Santos, lá foi ,mão à frente outra atrás, solicitar que o nosso dinheiro de uma linha de crédito aberta para utilização nas importações dos nossos produtos, fosse utilizada no pagamento às empresas portuguesas. Fomos lá pedir o que é nosso para pagar o que nos devem.! Isto sim, são negócios!

Entretanto, o nosso amigo do “coraçon” que subjuga a Venezuela, recebeu de braços amigos o seu amigo José, e concedeu que vai libertar o dinheiro que os 600 000 portuguese que lá vivem, reuniram para a ajuda humanitária à Madeira. Os termos, que são públicos, com que Sócrates se dirigiu a Chavez, solicitando as dávidas dos cidadãos portugueses, fazem corar o mais empedernido patriota.

Mas sempre que regressa destas viagens de “estado” com comitivas de dezenas de empresários, o sucesso é sempre fantástico, são assinados dezenas de acordos que, espremidos, não dão sumo para um refresco. Agora está na Argélia e Marrocos e é ver as assinaturas, os abraços, a fidelidade eterna, o incremento nas relações , enfim, preparem-se que vem aí a solução do desemprego .

O FMI anda por aí,  cada vez mais perto e, Sócrates, à sua maneira, foge da realidade como o diabo da Cruz. Cresce o desemprego continuamente? Sócrates descobre negócios em Marrocos. A situação é muito pior do que ele alguma vez sonhou? Descobrem-se milionários negócios na Venezuela. Os negócios são os mesmos de há dois anos, que não se concretizaram? Nada que preocupe, fazem-se outra vez. As empresas portuguesas fazem negócios e depois são pagas pelo nosso dinheiro? Nada que atrapalhe, temos que ajudar quem está em dificuldades e, além disso, são nossos amigos do coração.

O ridiculo mata, mas ninguem dá por isso!

O sonho de Sá Carneiro!

Nas últimas sondagens o PS tem 26% dos votos. Vamos admitir que não baixa mais ( ainda hoje soubemos que o FMI já anda cá perto, tal é a situação, o que quer dizer que pode ter menos) e que o BE e o PCP juntos alcançam os 20%. Alegre alcançava no máximo 46% dos votos, longe dos 51% necessários! Ganhava Cavaco!

O PSD na mesma sondagem aproxima-se dos 46% o que, nas legislativas, dá a maioria absoluta, por causa do método de Hont e que, o CDS, baixaria para o táxi, cerca de 5%. Ganhava  Cavaco!

As contas que estão aí em cima são já para a 2ª volta já que na primeira, Nobre, vai roubar votos à esquerda, principalmente ao PS, como se viu em 2004 dando cerca de 14% a Soares.

Ganharia sempre Cavaco, o problema é que há uma maioria de esquerda na sociedade portuguesa e que pode sempre libertar-se das “contas feitas” e relançar a incerteza. Outro factor, é que sendo as Presidênciais antes das legislativas, o voto comece a configurar o habitual. Se Cavaco está em Belém, então o governo não pode ser do PSD, tem que haver “balança”, o PS seria novamente governo.

Mas este caminho afigura-se absurdo, atendendo a que o PS está profundamento desgastado, as sondagens atribuem-lhe os tais 26%, como formar governo?

Poderemos ter Cavaco em Belém e um governo com maioria absoluta no parlamento, entre o PSD e o CDS, e ao fim de 30 anos o sonho de Sá Carneiro realizado. Um presidente, uma maioria, um governo!

E as reformas sempre adiadas poderem encontrar as condições políticas necessárias e suficientes para serem realizadas!

O regresso do rótulo ‘comunista’

Tenho assistido nos últimos tempos à utilização, por gente limitada e mal-intencionada, do rótulo ‘comunista’ para classificar quem discorde das ideias de que perfilham. É o estafado truque, a que, durante anos a fio, estive, ou melhor, estivemos submetidos no regime salazarista. 

Conveniente é esclarecer que o Estado Novo utilizava esse instrumento de forma consistente e, temos de reconhecer, inteligente. Ao agregar os opositores ao regime sob uma unicidade classificativa, comunista, atingia os objectivos de eficiência e eficácia pretendidos nos mecanismos de repressão aplicados.

Agora, como diria um meu amigo brasileiro, os “aprendizes de sapateiro” nem tão pouco são capazes de colocar um prego na sola. São fala-baratos desestruturados, auto-convencidos, sem tomar consciência de que a própria ignorância os expõe ao ridículo.

Tenho familiares e amigos comunistas, cujos ideais, embora discordando, respeito. Sucede até que, de determinada empresa industrial histórica, hoje transformada em armazém, fui afastado por um grupo de comunistas líderes da Comissão de Trabalhadores. O sucedido, por me recusar a filiar no PC, não provocou o meu desalinhamento pelos valores de justiça social e de esquerda, a que jamais renegarei. É na luta por valores socialmente justos, de que os socialistas e social-democratas portugueses são falsos defensores, que me empenharei até ao final da vida.

Portanto, nada me demove de pensamentos e doutrinas de sustentação dos meus ideais, sem ser comunista. E o meu posicionamento político não concede a terceiros o direito a críticas e epítetos gratuitos. Podem discordar e é tudo. Como, de resto, o faço em relação a comunistas com quem me relaciono, sempre em clima de diálogo e de mútua tolerância.

Presidênciais – Ovos no mesmo cesto?

Há quem diga que o povo português é muito intuitivo e sabichão e que será por isso que tem no governo um partido e na presidência o seu contrapeso. Um militante de outro partido.

A ver vamos, como diz o ceguinho, se é por ser prudente ou porque foi assim e ponto. É que o que aí vem é deveras engraçado e vai testar essa particularidade do bom povo. As sondagens indicam a quase maioria absoluta do PSD e, a ser assim, Cavaco não seria eleito, o que aconteceria pela primeira vez na política portuguesa, o Presidente em exercício não ser reeleito.

Há, aqui, uma janela de oportunidade para Manuel Alegre, o povo de esquerda todo à volta do poeta para contrabalançar o governo de Passos Coelho. E os vinte por cento que elegeram Sócrates e que agora lhe escapam para o PSD, vão votar Alegre, mesmo não sendo de esquerda? É que se não for assim Alegre não ganha, poderá ir a uma segunda volta, mas aí a situação será muito complicada. Ainda não haverá governo aquando das presidenciais, será muito dificil que o Presidente em exercício não seja reeleito, Alegre não obtem o pleno na esquerda, única forma de ganhar.

Mas se Cavaco ganhar os votos fogem ao PSD, atendendo à sabedoria do povo que não quer os ovos todos no mesmo cesto? Votam no PS exaurido, desgastado, sem soluções e a quem, nas sondagens, ameçam dar 26% dos votos?

Isto de porreiro não tem nada, pá!

A Telefónica cerca PT!

…à medida que sobe o preço oferecido pela Telefónica, de 5,7 mil milhões passaram para 6.5 mil milhões e a saída da posição accionista que tem na própria PT de 10%. A Telefónica não desiste dos 50% da Vivo na posse da PT, e a administração desta já reuniu hoje de urgência. Já se ouve dizer, pela administração, que o preço ainda não reflecte o valor estratégico, é preciso mais, o que juntando ao que Faria de Oliveira já afirmou publicamente, palpita-me que “o valor estratégico” é sinónimo de “mais massa”.

Como já disse  aqui, é só o vil metal que está em jogo, o resto é conversa fiada, faz-me lembrar a história dos “centros de decisão nacionais” quando se tratou das privatizações, compradas as empresas por ” tuta e meia” logo venderam os centros de decisão nacionais a quem deu mais (rima e é verdade!).

Nós, por cá, é que caímos uma e outra vez na conversa fiada de quem nos goza a seu belo prazer, o Estado agita a “golden share” como se a maioria accionista aceitar o preço , seja possível impedir a OPA. Vão fazer o mesmo que fizeram com a anterior OPA da Sonae, convencer e comprometerem-se a remunerar “principescamente” o accionista, para isso cá estamos nós a pagar as telecomunicações mais caras da Europa!

É só estratégia e patriotismo!

A Palestina, pasto de uma geração de ódios.

A questão da Palestina não será resolvida pelas actuais gerações no poder, cresceram com o ódio, não há família que não chore um morto ou um estropiado. É uma questão de orgulho pessoal, já pouco contam os verdadeiros interesses da paz e dos povos. Antes morrer que recuar ou ser visto como perdedor, mesmo que ganhem todos.

As gerações mais novas, libertas desses constrangimentos, já conseguiram estabelecer pontos de entendimento, o que abre caminhos para a negociação e para a vivência em comum. Se querem ter uma vida fraterna, próspera e em paz vão ter que conviver uns com os outros, uma parte importante da população de Israel é de proveniência Palestina, têm a sua vida repartida pelas universidades Israelitas e a sua família trabalha em empresas do Estado de Israel. Não há volta a dar, a não ser o entendimento!

Mas se para quem vive no local é dificil, incompreensível se torna que pessoas longe do conflito, sem sofrer as sequelas da guerra, lance lenha para a fogueira meramente por razões ideológicas. Não dão um passo no sentido da paz, da compreensão do problema. Tudo se resume a quem está do nosso lado e a quem não está. Quem está ,ideologicamente, perto ou longe dos USA assim reage, sem cuidar de saber se tal posição ajuda ou aprofunda o problema.

Sempre contra Israel, sempre a favor dos palestinianios! Sempre contra os Palestinianos, sempre a favor de Israel.

Como o Nuno Castelo-Branco mostra aí nesse belo e avisado artigo se calhar o problema é mais complexo e, em vez de ódio, exige discernimento! E a Ana Paula, mesmo tomando partido, clama segundo o direito internacional aplicável. Com ódio é que se não vai a lado nenhum!

Condenar Israel – Apoiar a Palestina!

Chocante e inqualificável é o mínimo que se pode dizer da actuação de Israel contra os activistas pró-palestinianos que tentavam fazer chegar alguma ajuda humanitária a Gaza. A persistência do cerco e a agressividade sistémica contra os territórios ocupados da Palestina, faz lembrar métodos de extermínio dissimulados que não passarão incólumes na História, reconhecido que é o exercício abusivo do terrorismo de Estado de Israel. É urgente que o povo israelita e a comunidade judaica dê o rosto e a voz contra esta permanente violação dos Direitos Humanos, sob pena da comunidade internacional, pelo menos, em termos de sociedade civil, deixar de reconhecer a legitimidade do Estado de Direito de Israel… porque, em pleno século XXI, Israel não fará o mundo recuar nos seus princípios democráticos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, pela persistência patológica do seu desempenho como Estado agressor. Enquanto Israel mantiver esta postura de tudo atacar (consequência de uma deformação cultural assente no medo e incentivada, política e socialmente, pela manipulação doentia de um trauma materializado na catarse de uma permanente lógica de guerra), as palavras de ordem continuarão a ser: Solidariedade com a Palestina, Já! Solidariedade com a Palestina, Sempre!

(Este texto foi também publicado AQUI)

Eurostat: O desemprego em Portugal subiu para 10,8%

Pobreza

O primeiro-ministro, José Sócrates, bem se pode ufanar do crescimento de 1% do PIB no 1.º trimestre do ano. O propagandeado sucesso ficou dissipado por um fenómeno económico-social dramático: desemprego atinge novo recorde e chega aos 10,8%, segundo o jornal “i”.

Quando se estanca esta chaga social que, à luz das novas medidas acordadas entre PS e PSD, intensificará a miséria de ainda mais milhares de portugueses? O país real, que uns governam mal e a que outros pedem desculpa, é cenário de milhares de dramas em crescendo, amassados na indigência, na fome e na incapacidade de acesso a uma vida minimamente digna.

Pela evolução dos números, nem a OCDE acertará na previsão da taxa média de desemprego de 10,6% para 2010. A probabilidade de um valor superior é, de facto, elevada. Como dizem certos especialistas, o desemprego não pode ser visto simplesmente como uma estatística, “uma contagem de cadáveres”. A UE, os governos dos países e os partidos de oposição têm a obrigação de concertar e aplicar  medidas para contrariar tamanha calamidade social. Ou então, a coesão social, na Europa, é o que sempre pareceu: uma farsa.

 

A Turquia e a Grécia – problema político que dá dinheiro!

Este é um assunto político que deveria ter uma solução política. E que se saiba uma solução política não precisa de sustentar 100 000 soldados de um lado e outro, nem precisa de seis submarinos de um lado e outro.

Seria por aqui que a União Europeia deveria pegar no assunto para resolver o déficite das contas públicas da Grécia e, ao mesmo tempo, trazer a Turquia para dentro da União. É fácil, é barato e dá milhões! Mas assim, a vender armamento, temos a Alemanha a emprestar o dinheiro dos contribuintes alemães à Grécia, tão mal vista pelos alemães, os mesmos que vão lá cobrar uma taxa altíssima para remunerar as poupanças dos cidadãos alemães que estão tão zangados com a Grécia! Confusos?

Não estejam que eu explico outra vez. A Alemanha afunda as finanças públicas da Grécia , vendendo-lhe armamento e depois empresta-lhe o dinheiro dos seus cidadãos, para que a Grécia pague os submarinos, assim, fica a Grécia com os submarinos que não servem para nada e com a dívida e os Alemães com o dinheiro cobrado dos submarinos e o crédito. Por sua vez a Grécia pede dinheiro aos outros países europeus para pagar os juros e a dívida que, por sua vez, pedem dinheiro à Alemanha para poderem emprestar à Grécia! Confusos?

Então agora façam o mesmo racíocinio para Portugal, Irlanda, Islândia, Espanha …

PS: troquem só os submarinos pelo TGV…

CGD – A miopia de Faria de Oliveira

O presidente da CGD, Faria de Oliveira, nos telejornais de ontem, admitiu a venda dos 7% detidos pela instituição no capital da Portugal Telecom. “ É apenas uma questão de dinheiro, tudo se vende na vida excepto a honra…”, argumentou o ex – Ministro do Comércio, ex – IPE e ex – mais não sei quantos lugares e funções.

A falta de perfil e competência do Eng.º Faria de Oliveira para o exercício do cargo actual já se manifestara em intervenções anteriores. Apesar de utilizada para investimentos e parcerias sem nexo, a CGD tem também em carteira participações de carácter estratégico para o país. Uma delas é justamente na PT, por sua vez detentora de parte do capital da operadora Vivo, brasileira e alvo de aguda cobiça pelos espanhóis da Telefónica.

As declarações de Faria de Oliveira denotam miopia empresarial. Com efeito, reduzir a participação na PT a mera questão mercantilista – o dinheiro é que conta, considera ele – é demonstrar falta de visão estratégica. Murteira Nabo, conhecedor da matéria, corrigiu o ‘tiro’ de Oliveira. O desejável, disse, seria lançar um contra-ataque à posição da Telefónica na Vivo, acrescentando: “ E há parceiros disponíveis”.

As tecnologias de telecomunicação são, de facto, estratégicas em qualquer país. Portugal já alcançou sucessos de relevância mundial. A própria PT, através da TMN, lançou o primeiro serviço de telemóvel pré-pago do mundo; citem-se também os desenvolvimentos das ATM e ‘Via Verde’ pela SIBS. Sem uma operadora, cuja expansão internacional é facilitada através da Vivo, fica muito mitigada a capacidade de progresso na área das citadas tecnologias por Portugal, incluindo desenvolvimentos através de plataformas ‘Internet’ e da TV Digital. Faria de Oliveira não entende isto.

A carga dos quase 300 000…

Quem diz à Inês de Menezes que as mulheres polícias são gente de trabalho?

Na Jugular conta-se a versão “porreira”. Estavam acabados de chegar ao Rossio, a beber a  cerveja da praxe, quando a polícia carregou, assim, sem mais . Corre que corre, olha se eu tivesse levado a minha filha de 5 anos, mas que não levei mas podia ter levado, quase sempre a levo, olha se a tivesse levado…

O meu amigo Vitor, estava no mesmo sítio, no Largo de São Domingos a beber uma jinginha com os camaradas do partido e topam um grupo de camaradas jovens a prepararem-se para atacar dois polícias, logo os acalmaram “camaradas, não façam isso, logo nas televisões só vão falar do vosso ataque e esquecem a manifestação dos 300 000…” Entretanto os dois polícias ao verem-se encurralados já tinham chamado por socorros.,

Mas como não há duas sem três, um comentador na Jugular vem dizer que um polícia levou uma cabeçada de um dos manifestantes, eram só dois polícias tiveram que chamar reforços…

De Paula Cabeçadas a 30 de Maio de 2010 às 16:02

Olá boa tarde,
Por mero acaso, e porque, depois da Manif, estava a beber a minha imperial nas Portas de Santo Antão, como de costume assisti, desde o princípio à cena de que aqui se fala.

Tenho pena que as pessoas que não testemunharam o que se passou façam juízos de valor precipitados.

Aqui fica o testemunho: [Read more…]

Social – Democracia ! Começar de novo!

A Social – Democracia arrancando os povos à miséria e à guerra, atacada à esquerda por quem não apresenta nenhuma alternativa válida e à direita pelo Liberalismo feroz, soçobrou nos últimos 30 anos. Que fazer?

Começar de novo! Temos que aprender a criticar quem nos governa, agora mais do que nunca que somos governados por pigméus, eleitos por uma massa acritica e acéfola de pessoas que não aspiram à cidadania. O programa é vastíssimo, mas é concreto, consistente, pragmático ao contrário das”manhãs que cantam” e da “meritocracia” sem alma.

Novas leis, regimes eleitorais diferentes, restrições ao lobbying” e ao financiamento dos partidos, reconhecimento da tensão e do conflito de interesses, contrariando a tese de Adam Smith de que o enriquecimento de alguns arrasta o bem estar de todos.  Queremos todos a mesmas coisas. É falso! O rico não quer o mesmo que o pobre! Como trazer as massas de trabalhadores para dentro do sistema, enquanto cidadãos e eleitores? As respostas da Social-Democracia foram muito superiores a tudo o que é conhecido, sem rupturas, sem revoluções, sem pulsões sociais.

É preciso “desmascarar” o Estado activista, que como vimos com Guterres e Sócrates é factor de injustiça, da criação de elites e de desigualdades, mas é preciso,  pensar o Estado reabilitado, democrático, de “juris”, regulamentador, facilitador da ascensão social e criador de oportunidades. O Estado Soviético e totalitário tem que ser rejeitado, mas sem nunca se retirar a palavra “socialismo” , embora tenha falhado em todas as experiências, ao contrário da Social-Democracia que superou todos os sonhos dos seus criadores.

Falta retirar as lições da “3ª via”; falta equacionar as mudanças demográficas e a sua penosa influência no Estado Social; falta entranhar as mudanças na política internacional como é o caso da China e o seu “dumping social”; falta analisar os erros das privatizações mas tambem o sucesso da entrega de serviços públicos a privados como é o caso da Escola Pública na Suécia. (esta experiência dura há 20 anos com assinalável sucesso).

A vontade colectiva faz mexer o mundo, não devemos ter medo que a mais pequena mexida seja vista como uma medida revolucionária! A Social – Democracia é novamente a esperança!

PS: com Toni Judt

Telemedicina e Tecnologias de Informação e Comunicação na Saúde

Há tempos elogiei no ‘Aventar’ a conclusão de um projecto de telemedicina, resultante de parceria entre a PT Inovação SA e a Universidade de Aveiro. O projecto, sob a insígnia ‘Medigraf’, permitiu criar a solução de captar e transmitir, em tempo real ou diferido, imagens médicas de ambulâncias para unidades fixas de saúde.

O interesse sobre tecnologias para a prestação remota de cuidados de saúde levou-me a participar no passado dia 27 de Maio, no Infarmed em Lisboa, no seminário ‘Telemedicine and Health ICT in Portugal in Norway’. O evento foi promovido por AdI – Agência de Inovação, Innovation Norway e Enterprise Europe Network. O Health Cluster of Portugal e empresas tecnológicas nacionais também estiveram presentes.

O Ministério da Saúde (MS), como usual em diversos governos, não participou uma vez mais em evento deste género. A ausência é prova do alheamento das autoridades da saúde por soluções inovadoras para a actividade prestadora e a gestão de informação médica.

Mas, esse alheamento ainda mais absurdo se torna, se atentarmos no facto do país parceiro, a Noruega, dispor das mais avançadas soluções tecnológicas, a nível mundial. Tudo resultado do trabalho científico da Universidade de Tromso, da principal operadora de telecomunicações norueguesa, e ainda do NST – National Centre of Telemedicine – estas entidades não têm vocação mercantilista relativamente às infra-estruturas tecnológicas demonstradas.

Com serviços de telemedicina na maioria das especialidades médicas, suportados em tecnologias de informação e comunicação electrónica, o SNS da Noruega garante condições de fácil acessibilidade a serviços de saúde a toda a população. Em Portugal, sem médicos e alternativas, encerram-se unidades de saúde. E um dia até o próprio SNS.

O povo saiu à rua…

Ontem, a manifestação da CGTP juntou, em Lisboa, centenas de milhar de pessoas que, vindas de todo o país, partiram de diversas concentrações disseminadas pela cidade para, a partir do Marquês de Pombal, descerem a Avenida da Liberdade até aos Restauradores. Das interpelações feitas aos participantes mostradas pelas televisões é digno de nota o tom pacífico e o sentido cívico revelado. Não se tratou de uma manifestação política marcada por sentimentos agressivos como muitas outras. Não! Tratou-se de uma expressão pública de descontentamento e de urgente chamada de atenção para o impacto social das medidas económicas adoptadas. Por isso, as declarações da UGT, tal como disse à TVI, o seu ex-dirigente Torres Couto, não se identificam com o sentir dos cidadãos, desempregados e trabalhadores. A manifestação de ontem foi um sinal claro de que o activismo cívico e o sentido de participação democrática estão ainda vivos, em Portugal. Estranho seria se assim não fosse e, a assim não ser, só poderia significar que os portugueses vivem suficientemente bem para poder suportar os custos da austeridade, sem sérias e até graves dificuldades. Não é o caso. Os portugueses, além de cerca de 600 mil desempregados, vivem, em significativa percentagem, no limiar da pobreza não denotada apenas ao nível dos seus salários mas, pela correlação com as suas taxas de endividamento e o custo de vida que, de facto!, lhes reduz, o poder de compra. Mais do que uma manifestação contra o Governo, esta manifestação foi contra a política económico-financeira que, a partir da Europa, afecta de forma agravada os países do Sul, cujas economias apresentam debilidades estruturais que, em alturas de crise, denotam com evidência os custos desses problemas. Por isso, seria justo e sinal de boa-fé que, ao invés de ignorar a autenticidade e a dimensão do sentir da população, o Governo revisse algumas das medidas adoptadas recentemente, designadamente, a que se refere a cortes nos apoios sociais aos mais fragilizados pelo desemprego ou pelo auferir de salários muito baixos. Para além do reforço fiscal junto dos grandes agentes financeiros, como a banca!, pensar em questões como as que, hoje, o DN exemplifica, é, de facto, prioritário (ler AQUI).

Social – Democracia. Alternativas?

O liberalismo que se afunda em desigualdades e que defende a “lei da selva” a lei do mais forte? Cada um por si? Ou o socialismo, aprisionado em Estados omnipresentes e omnipotentes, criadores de elites que se perpetuam no aparelho de Estado e que não consegue responder às justificadas ambições de melhor níveis de vida das populações?

A social democracia não representa o futuro ideal se calhar nem o passado ideal mas não conhecemos nada que se lhe aproxime.O consenso social do após guerra representa o maior avanço social a que o mundo já assistiu, pela mão da democracia cristã, pelo conservadorismo britânico e alemão e a social democracia nórdica.Nunca a história assistiu a tamanho progresso, nunca tantos experimentaram tantas oportunidades de vida.

Mas o perigo espreita, com a admiração acrítica do mercado livre, o desdém pelo sector público, a ilusão pelo crescimento eterno. Até aos anos 70 todas as sociedades europeias se tornaram menos desiguais, graças aos impostos progressivos, aos subsídios dos governos aos mais pobres, os extremos de pobreza foram-se apagando. Nos últimos 30 anos deitamos tudo isso fora.

Adam Smith volta a ser citado: ” nenhuma sociedade será verdadeiramente florescente e feliz se uma grande parte dos seus cidadãos for pobre e miserável”. Sem segurança, sem confiança, as sociedades ocidentais ameaçam ruir. A insegurança alimenta o medo. E o medo – da mudança, medo do declínio, medo do desconhecido- corrói a confiança e a independência nas quais assentam as sociedades civis do Ocidente.

Essa rede de segurança social contra a insegurança foi uma das maioras conquistas do sistema, restaurando o orgulho dos perdedores do sistema, trazendo-os para dentro dele e não lhes virando as costas. Então o que falhou? A esquerda moderada continua a criticar, nostálgica das revoltas dos anos 60, sem apresentar qualquer alternativa consistente, abrindo brechas por onde entraram o individualismo feroz, a proletarização e fragmentação do colarinho branco. As maiores críticas à social democracia vêm da esquerda e são comprovadamente falsas, como se verifica pela capacidade do sistema em manter e sustentar as maiores vitórias sociais da humanidade. Uma maior igualdade, a liberdade e uma maior prosperidade.
PS: com Tony Judt – o regresso ao Estado providência.

Portugal é mais importante que Cavaco!

O actual governo está ligado à máquina, não tem capacidade nem força nem determinação para seguir um caminho que as circunstâncias aconselham e exigem. Pelo contrário, o que nós vemos é Sócrates uma e outra vez reafirmar os erros em que incorreu todos estes anos. Se lhe derem tempo, este governo, em desespero de causa, vai causar ainda mais problemas ao país, deixar uma herança de empobrecimento e de desemprego.

As circunstâncias mudaram completamnete nas últimas semanas. Já ninguem acredita no que Sócrates diz, o PEC está aí, os mais pobres vão tambem pagar a crise e os contribuintes já reagem como mostra a sondagem que dá 43,6% de votos ao PSD e cerca de 26% ao PS! Estão, pois, criadas as condições para que se avance a curto prazo para uma solução política, com novas soluções, revigorada, capaz de  responder isenta de compromissos que amarram Sócrates aos megalómanos projectos, à dívida monstruosa e ao desemprego que não pára de crescer.

Mas para tal, é necessário que Cavaco Silva coloque os interesses do país à frente dos seus próprios interesses, o país não pode estar à espera do momento certo para que estejam reunidas as condições ideais para sua reeleição . O Presidente da República não pode deixar que o pântano engula a esperança que resta, o tempo é crucial, quanto mais tempo passar sem que as medidas necessárias sejam implementadas, maior será a dor.

As adjudicações à pressa de investimento polémicos e inviáveis financeiramente, mostram bem que Sócrates já entrou na fase do “quem vem a seguir que feche a porta!”

Carlos Cruz – o senhor televisão

http://aeiou.expresso.pt/imv/0/315/694/ccruz2-5ecd.jpgA um mês de conhecer a sentença de um tribunal soberano, Carlos Cruz deu uma entrevista de 40 minutos na televisão, para falar no seu caso. O seu caso é diferente de todos os outros casos que esperam uma sentença de um tribunal soberano, mas que não têm acesso à televisão?

A que se deve esta entrevista?Qual é o objectivo? Influenciar o colectivo de Juízes?

Não sei se Carlos Cruz é ou não inocente, mas sei que perante a Lei é um cidadão com os mesmos deveres e os mesmos direitos de todos os outros cidadãos. Teve o direito de se defender, de constituir advogado, gozou e goza da presunção de inocência. Bem sabemos que nesta sociedade mediática há muito que foi trucidado, é culpado para muita gente sem que se cuide de saber se há ou não provas bastantes para o culparem, mas nem por isso deve ter mais direitos que todos os outros.

Comparou a sua situação com a de Paulo Pedroso que está em liberdade e nem sequer foi sujeito a julgamento, lamentando que em situações iguais, ou mesmo mais crítica, Pedroso tenha tido um tratamento de favor. Ocorre perguntar. Por ser um político? Por ser ex-ministro? Por ser do PS?

A quem se dirigia tal recado?

PSD à beira da maioria absoluta!

http://dn.sapo.pthttp://dn.sapo.pt/stohttp://dn.sapo.pt/storage/ng1298912.JPG?type=big&pos=0rage/ng1298912.JPG?type=big&pos=0storage/ng1298912.JPG?type=big&pos=0Na sondagem recentemente efectuada e já depois do apoio ao governo nas medidas do PEC, o PSD de Passos Coelho está à beira da maioria absoluta.

O PSD atinge 43,6% do eleitorado e o PS fica-se pelos 27%!

Taiwan e China Imperiais

A globalização, brutal e desregulada, vem causando às economias ocidentais graves crises económico-sociais. A Europa, continente pioneiro na criação e manutenção do Estado Social, é das regiões mais afectadas. Taiwan e China, e o estatuto imperial adquirido, constituem-se como adversários imbatíveis; sobretudo se mantida a conivência de organismos como a OMC e a OIT – atente-se, a propósito, no artigo publicado há dias pela insuspeita The Economist.

De facto, enfrentando a concorrência de países sem princípios e regras sociais, ou seja, de economias onde prevalece o chamado “dumping” social, é difícil, para não dizer impossível, aos governos europeus manter políticas de maior equidade na distribuição de rendimentos e manutenção de empregos e serviços de interesse público; em particular serviços das áreas da Justiça, da Educação e da Saúde; todos sob ameaça de desmantelamento, pelo menos parcial. Por exemplo, a subsistência do nosso SNS e da fonte inspiradora, o NHS do Reino Unido, está posta em causa. As medidas do actual governo e as intenções do candidato à alternância governativa em Portugal, assim como os propósitos anunciados pelo recém-eleito PM do Reino Unido, David Cameron, não suscitam dúvidas quanto ao esperado desfecho.

Ainda por cima, não é incomum ouvir declarações do género: “O Estado tem de retirar-se do papel de prestador, mesmo na Saúde e na Educação, limitando-se, isso sim, a exercer funções de regulação”. Quero crer que muitos dos defensores desta ideia o fazem porque acreditam nela. Eu estou entre os cépticos e questiono: “O que pode fazer isoladamente um Estado, ainda para mais reduzido de poderes como nosso, para através da regulação nacional controlar os efeitos económico-sociais adversos e enormes de um mundo globalizado e desregulado?”. E respondo: “Muito pouco” – para não dizer “Nada!”. [Read more…]

Valor estratégico – a EDP a Galp e a PT

Enquanto se anuncia a privatização do resto da Galp e da EDP, Sócrates e a fina flor juram a pés juntos que não venderão a PT! Porquê? Valor nacional estratégico!

É preciso compreender os grandes interesses nacionais, o verdadeiro objectivo nacional, seguir a célebre frase da política e da gestão: ” ter a coragem de mudar o que tem que ser mudado, ter paciência para deixar estar o que não pode ser mudado e ter a inteligêngia para saber escolher”!

Privatizar a Galp e a EDP e defender com unhas e dentes a PT é, à luz  daquele principio, uma prova de coragem, de paciência e de inteligência. Se os combustíveis faltarem não há problema nenhum, as refinarias existentes em Portugal são da Galp por isso, basta importar de Espanha .O mesmo se diga da EDP, a electicidade não tem qualquer significado, nenhum interesse estratégico, se faltar basta importar de Espanha. Isto, naturalmente, se a Espanha tiver em excesso e, em caso de zaragata, mesmo diplomática, estiver interessada em nos fornecer. Porque não há outro fornecedor!

Mas as chamadas, as telecomunicações, quem pode dizer o mesmo? No caso de um problema sério podemos nós contar com a Vodafone e com a Sonae? Sim, a Sonae que é a empresa que mais emprego oferece no país, que tem fábricas e centros comerciais, que não foge mesmo que quisesse? Aí sim, não teríamos saída nenhuma, sem telemóveis, sem escutas, sem os accionistas estrangeiros, sem fundos internacionais que ninguem conhece.

Estratégico? Perceberam agora a inteligência, a coragem e a paciência que são precisas para não ficar nas mãos de potenciais inimigos ou adversários mesmo que momentâneos? O país pára sem combustíveis?O país pára sem energia electrica? Pois bem, é por isso que podem ser privatizados!

O valor estratégico da PT está nos 46 milhões de clientes que tem na Vivo, está no seu enorme potencial de crescer e ganhar dinheiro para os accionistas. Dinheirinho! Nada mais do que dinheiro!

Eu quero o meu Porche!!!

Luís Campos e Cunha (ex-Ministro das Finanças de Socrates o Portugues – foto abaixo), acaba de entrar na imortalidade com a afirmação:
“Não sei para que é que querem gastar dinheiro no TGV se podem perfeitamente oferecer um Porsche a cada português gastando menos”.

O Hospital de São João dá o exemplo!

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É o caso do Hospital São João do Porto, que reuniu 38 medidas de poupança, num só documento.

A ARS do Porto já enviou este documento para outros hospitais para que o exemplo de contenção seja seguido.

“Um exemplo de boas práticas nesta área, na medida em que propõe e contempla acções no sentido da redução dos custos em áreas não assistênciais, nunca colocando em causa nem a acessibilidade nem a qualidade de atendimento dos doentes no SNS!”, diz o Presidente da ARS do Porto.

O plano centra-se em quatro áreas: eficiência na aquisição, gestão e utilização de matérias, medicamentos e reagentes; redução dos serviços externos não indispensáveis para o atendimento do doente; gestão mais eficiente dos recursos humanos; rigor na na referênciação entre hospitais.

Estima-se uma redução de de 3.1 milhões de euros no fornecimento de serviços externos e de 1,2 milhões de euros nos subcontratos, bem como a redução de 5% nas horas extraordinárias, de 8 % nas horas de prevenção e de  10% nas remunerações-base dos membros do Conselho de Administração.

Ora aí está como é sempre possível reduzir custos sem mexer no que é fundamental. A qualidade!

PECaminoso! – desempregados perdem apoios sociais

Algumas destas medidas que caem nem sequer foram implementadas,  é o que se chama “visão estratégica” tambem conhecida de “longo prazo”!

Cincoenta mil pessoas não vão aceder ao prolongamento do subsídio de desemprego por mais seis meses. Custaria 40 milhões de euros!

450 dias de descontos, prazo mínimo para ter direito ao subsídio de desemprego. Tinha sido reduzido para 365 dias.

Majoração em 10% do subsídio de desemprego a quem ,estando desempregado, tenha filhos a seu cargo. Nem sequer chegou a entrar em vigor.

O pagamento adicional do abono de família pago aos beneficiários do segundo ao quinto escalão previsto desde 2008.

A redução das contribuições para a Segurança Social (de 23.75% para 20.75%) pagas pelas pequenas e micro empresas com trabalhadores mais velhos. Abrangeria cerca de 200 000 trabalhadores e custaria cerca de 52 milhões de euros.

Os subsídios extraordinários às empresas que encerram temporariamente ou suspendem os contratos para darem formação aos seus trabalhadores. Abrangia cerca de 39 mil trabalhadores e custaria 53 milhões de euros.

Apoios à requalificação de 5 000 jovens licenciados.

Linha de crédito bonificado para os desempregados criarem a própria empresa é reduzida em 14.5 milhões de euros.

Alvo: os desempregados e os mais pobres!

A Telefónica quer vivamente a PT!

A “road show”, como diria o outro, está na estrada! A fina flor está em Nova Yorque a tentar convencer os accionistas e tudo o que cheire a dinheiro que cá a gente, está para dar e vender, não é nada como nos andam a difamar, que temos problemas, que não vamos conseguir pagar o que devemos, invejosos, é o que é…

A Telefónica quer a VIVO toda( 46 milhões de clientes), já tem metade, a outra metade têm-na a PT, é uma questão de dinheiro, mais tarde ou mais cedo. O que está em jogo é uma empresa, no Brasil, que já é a maior contribuidora de lucros no universo da empresa Portuguesa, cresce num mês, em termos de clientes, o que a PT cresce num ano,  num país que cresce a um ritmo seis vezes superior ao nosso.

A Telefónica, que já é uma das principais accionistas da PT, oferece um preço muito superior à cotação em bolsa, tentando desta forma convencer o Estado português, que tem uma “golden share” que pode travar tudo, a vender e assim ver os seus problemas das contas públicas resolvidos. Mas vender seria vender os dedos e os anéis. Perante isto , a Telefónica lançou uma OPA hostil, sobre 100% do capital da própria PT! Agora quer a PT e a VIVO!

A Telefónica é cerca de quatro vezes maior que a PT e moram ambas num condomínio onde imperam as regras,  que têm que ser cumpridas. Não podem viver nas bolsas de Nova Yorque e Londres com regras próprias, como é essa história das “golden shares”,  em que um accionista ultraminoritário pode decidir se sim ou não a uma OPA!

Mesmo que seja um Estado!

A Flexibilização das Leis Laborais é Mortal?

O Diário de Notícias relata: a empresa produtora do IPhone da Apple na China, Foxconn, já se deparou, desde Janeiro último, com dez suicídios de operários. O sucedido compeliu os responsáveis da empresa a solicitar aos operários a assinatura de documento a prometer que não se suicidarão. É uma história triste e exemplar do capitalismo global hodierno.

O caso suscita  interesse em diagnosticar as razões do repetido acto. Percebem-se, na análise, causas relacionadas com as condições de trabalho vigentes: 12 horas diárias em 6 dias da semana, proibição de falar; em suma, um ambiente de semi-escravatura e depressivo.

Lido o conteúdo, obtive a resposta à pergunta formulada no título: a flexibilização das leis laborais, a julgar pelo caso Foxcoon, pode causar a morte.

O patronato português ainda se manifesta insatisfeito com a proliferação de trabalhadores a recibo verde, de baixa retribuição, e as vantagens das alterações introduzidas no Código de Trabalho (CT) pelo governo anterior de Sócrates – lembre-se que a Sonae Distribuição do Eng.º Belmiro tentou usar a permissão legislativa de 12 horas de trabalho diário, segundo o estabelecido no CT. A flexibilização legislativa é reivindicação recorrente dos nossos patrões.

Para compor discursos, utilizam o argumento das dificuldades de investimento e de competitividade. O obstáculo, lembre-se, é a rigidez da legislação laboral.

Na grande guerra das fortunas, como em outras, a morte é desfecho normal. Mas atenção, neste caso só se pode suicidar quem seja operário, trabalhe 12 horas diárias em 6 dias por semana, se abstenha de falar com o camarada do lado e ganhe um salário muito, muito reduzido. “Uma flexibilização deste género é que nos assentava a cem por cento!”, concluem os grandes empresários portugueses. Grandes não. Enormes!

E a propósito: quando é que a OMC proíbe a concorrência de países com ‘dumping social’?

PECaminoso!

Aumentar os impostos sejam directos ou indirectos; retirar o 13º e 14º mês; aumentar os preços dos bens e serviços essenciais, como a água, electricidade, saúde, medicamentos, transportes, combustíveis, produtos alimentares, tudo tem a mesma finalidade: retirar dinheiro dos bolsos dos contribuintes.

Cortar na despesa seria eliminar serviços, fundações, funções inúteis que é o que há mais neste Estado rançoso e untuoso, cortar nas pensões acima de uma determinada verba, acabar com o multiemprego que é outra coisa que prolifera na função pública e nas empresas do Estado; cortar nas verbas afectas a despesas de representação ( os cartões de crédito usados sem limite ou mesmo com limite), viagens ( no orçamento deste ano na rubrica “deslocações” dos senhores deputados há um aumento de 25%); cortar nos fornecimentos, papel, tinta, luz, água, aquecimento, ar condicionado; nos motoristas, nas secretárias, e nos contínuos, redireccionando-os  para onde façam falta.

Os automóveis de alta cilindrada às dúzias nos ministérios, cada ministro ou secretário de Estado tem dois ou três, nas direcções-gerais, juntando-as entre as que fornecem “meios” e as que realizam “fins”, por exemplo, juntar secretarias-gerais, recursos humanos, finanças, informática, compras,, consultores, juristas , economistas, engenheiros e outros; e “os fins” as que fornecem serviços directamente ao cidadão.

Extinguir as milhentas “comissões” que só servem para pagar “senhas de presença” e que andam em roda livre, não apresentando qualquer resultado, como se viu agora com a “comissão das contrapartidas dos submarinos”, a verba que lhe foi atribuída esgotava-se nos vencimentos dos três administradores, nada fizeram, nada apresentaram, nada detectaram…

A salvação está nas PMEs exportadoras…

A EDP, a Galp, a CGD, os bancos, os centros comerciais, a TMN, a Refer, a Rave, as autoestradas, as pontes, o TGV, o aeroporto, as milhentas empresas que absorvem as mais valias do nosso trabalho, que não saem da órbita do Estado com boys e girls, as construtoras que apresentam milhões de lucros todos os meses, todas estas empresas não são chamadas quando toca o sinal de alerta!

São as PMEs que representam 80% do emprego e 70% do PIB que ninguem conhece, que não fazem primeiras páginas, que não vão ao Prós e Contras, essas, são as chamadas. Não pertencem ao PSI 20, nem frequentam os corredores do poder, labutam e operam em mercados altamente concorrênciais, onde ganha quem tem mérito, qualidade e preço competitivo. Estes empresários metem lá o seu dinheiro, muitas vezes garantindo empréstimos bancários com a propriedade da família, arriscando, persistindo…

Mas os melhores CEOs do Mundo estão nas grandes empresas de rendimento garantido, em monopólio ou perto disso, apoiados pelas “golden-shares” do Estado, onde trabalham os filhos e os netos de tudo o que é político ou que já foi, ganhando o que nunca ganhariam se estivessem num mercado livre.

Enquanto os portugueses não perceberem esta ganância, e andarem convencidos que estas empresas que vivem à custa do Estado e em condições particulares de “posição dominante”, são a chave do problema, nunca saíremos desta economia moribunda que não cria riqueza e que arrasta tantos cidadãos para a miséria. Sem aumentar a produtividade nem as contas públicas no “são” nos safam! Sem criar riqueza como pagamos as dívidas?

A prioridade são as empresas exportadoras que tambem substituem importações, que vendem valor acrescentado, que se dedicam a actividades onde o país tem vantagens competitivas. Peter Drucker, o célebre guru da gestão das empresas já cá fez um estudo a dizer tudo isto. Apontou as actividades a apoiar pelo Estado e os “clusteres” a desenvolver.

Mas, ao contrário, nos últimos trinta anos só ouvimos os políticos a defenderem as grandes obras públicas! Porque será?

A Justiça em Portugal – Os Comediantes de Negro

Les Comédiens

A justiça é um sector de graves ineficiências. Do Ministério Público aos Tribunais de diversos tipos e hierarquias, as regras, as leis e o funcionamento constituem fonte de inaceitáveis passividades e complacências. Os poderosos, grandes empresários ou políticos, são os primeiros beneficiários da ‘Torre de Babel’ do sistema de justiça português.

Além dos autoproclamados brandos costumes, somos o País das inexpugnáveis elites no poder, e na justiça em particular; elites tão inamovíveis, quanto um gigantesco bloco de mármore que, apenas à força de ser retalhado, se converte em peças dispersáveis. Todavia, a nossa incapacidade para retalhar as elites é congénita. Assim, a pesadíssima magistratura, ano após ano, lá vai permanecendo igual a si própria, aqui e acolá semelhante a uma máquina de museu, apetrechada de peças bastante truncadas.

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A Agenda Pessoal de Cavaco

Assistimos hoje em Portugal a uma agenda política bloqueada face aos timings da recandidatura de Cavaco Silva a um segundo mandato.
Continuamos também a assistir a uma forma de fazer política baseada apenas no calculismo frio e na gestão das agendas pessoais onde impera a táctica em detrimento de valores que deveriam ser intrínsecos a todos os que estão na vida pública.
Num país dito “normal” e depois de o Governo ter deixado o País no estado em que todos nós sabemos, só lhe restaria uma opção – o despedimento por justa causa. Depois de suspeitas, de mentiras, de trapalhadas, surgiu a crise e a falta de preparação de José Sócrates em liderar este processo de reacção. Já ninguém acredita que é o actual Primeiro-ministro que vai impulsionar o país. José Sócrates já nem consegue ter forças para moralizar as suas tropas (entenda-se os membros do governo) e muito menos para impor, junto dos seus, medidas de contenção e de rigor.
Mas quem está conivente com esta apatia é Cavaco Silva. O Presidente da República assume a sua cumplicidade com este clima de podridão, pois não toma as medidas certas que este tempo exige. Neste contexto, não se pode deixar em claro que o Presidente da República fez declarações ao país sobre o estatuo dos Açores, sobre um problema informático no seu computador (escutas de Belém) e recentemente sobre o casamento gay. Cavaco Silva recusa-se a comprometer o seu estado de glória eleitoral, apenas por ambições pessoais. O país precisa de mais do que intenções. O país exige que o Presidente da República tome medidas duras para dar sinais, internos e externos. O país exige sinais para poderemos sair deste estado calamitoso em que nos encontramos. O país exige que José Sócrates seja rapidamente substituído.
Face a esta realidade o maior partido da oposição está uma vez mais refém da agenda de Cavaco. Pedro Passos Coelho tem que jogar sempre à defesa, pois sabe que tão cedo não vai ter eleições e que tem que se resguardar. O líder do PSD sabe que não vai ser Primeiro-ministro já amanhã e que provavelmente o caminho vai demorar mais tempo que o desejo de muitos. O seu capital de esperança e de credibilidade que conseguiu granjear pode inclusive desvanecer ao longo do tempo… E sendo assim só resta esperar… Esperar uma vez mais por Cavaco!
Os interesses nacionais deveriam estar sempre à frente dos interesses particulares alicerçados na vontade de uma reeleição. Portugal merecia melhor.

Santíssima Trindade!

Eficiência económica, repartição social e liberdade! Esta é a Santíssima Trindade para que um país seja equilibrado , justo e próspero!

Quando não há criação de riqueza, o que há é a simples transferência da riqueza dos bolsos dos mais fracos para os bolsos dos mais fortes. É o que acontece em Portugal há pelo menos dez anos. Como se podem juntar fortunas se não há criação de riqueza? Como se pode suportar um Estado social se não há produção de riqueza? Isto, também explica porque há cada vez mais ricos por um lado e mais pobres, por outro. Sem criação de riqueza e sem um sistema eficaz de produção, não há um país justo.

Quando um país enriquece no seu todo, não há mal nenhum no enriquecimento de certa parte da população, desde que haja uma repartição da riqueza produzida capaz de melhorar o nível de vida de toda a gente. É inevitável a desigualdade da propriedade, e nada tem de mal, desde que o país enriqueça no seu todo e propicie as mesmas oportunidades a todos. A questão não é a igualdade na riqueza, é a igualdade de oportunidades e a existência do “elevador social”.

Por último, mas sendo a primeira e sem a qual as outras condições de pouco servem, a liberdade de viver numa democracia e num Estado de Direito, onde haja a primazia da Lei, em que as relações entre as pessoas, as empresas e o Estado estejam sujeitas a leis e a regulamentos a que todos, sem excepção, estão obrigados.