O senhor Presidente da República está enganado

O senhor Presidente da República publicou uma nota na página oficial da presidência felicitando o actual Primeiro Ministro, António Costa, e o anterior, Pedro Passos Coelho, pelo “trabalho dos respectivos governos”, que permitiu a decisão tomada pela Comissão Europeia de retirar Portugal do Procedimento por Défice Excessivo.

Engana-se o senhor Presidente se acha que com esta declaração, discreta mas muito significativa, e que, curiosamente, omite o nome do seu antecessor no cargo, varre da memória dos portugueses a mais brutal legislatura da Democracia portuguesa, plena de intencionalidade e fulgor punitivo sobre quem “vivia acima das suas possibilidades” e haveria de empobrecer à força, além da Troika, custasse o que tivesse que custar. Essa injustiça com laivos de sadismo que, sob a batuta de Pedro Passos Coelho e Aníbal Cavaco Silva, se abateu sobre milhões de portugueses, custou um preço que a memória há-de preservar e transmitir às gerações futuras. E o senhor Presidente está enganado se pensa que pode reescrever a História com uma simples nota de rodapé onde, para mais, se esquece de felicitar também aqueles que, apoiando o actual governo, exerceram uma influência determinante na reversão de algumas das tremendas injustiças e malfeitorias herdadas e na obtenção deste resultado.

Golpe de Cavaco Silva e Passos Coelho – aniversário

Cumpre-se hoje o 6º aniversário do golpe palaciano engendrado por Cavaco Silva e levado a cabo por Passos Coelho, o chumbo do PEC IV, sem propor alternativa, contrariamente aos outros partidos, que levaria à demissão de José Sócrates e ao consequente pedido de “ajuda externa” consubstanciado no chamado “Memorando de Entendimento”, ou seja, a bancarrota e o resgate de Portugal, entregando a nossa soberania a uma “troika” internacional.

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Até hoje Passos Coelho nunca esclareceu razões credíveis que justificassem a rejeição daquele programa, negociado e aceite por Angela Merkel e pela Comissão Europeia, uma vez que afirmava, à época, que nunca mexeria nem nos salários, nem nas pensões, posição que mudou passado poucos meses depois quando passa a defender ir para além do Memorando de Entendimento.
Cavaco Silva, no discurso de tomada de posse do seu 2º mandato a 9 de Março de 2011, deixa muito clara a sua visão sobre as finanças de Portugal, bem como o seu ódio pessoal a José Sócrates, o qual, como sabemos era correspondido pelo visado. [Read more…]

O escritor apressado que baniu um Prémio Nobel da Literatura

Rui Naldinho

Presidenciais: Cavaco, o genial feiticeiro

Escrever livros é coisa normal em políticos, mesmo “amadores”. Depois de abandonarem os cargos para os quais foram eleitos, após um período de nojo, alguns escrevem as suas memórias biográficas. Outros escrevem ensaios sobre o seu pensamento político e filosófico. Mas em ambos os casos há uma vida para contar, um conjunto de experiências ao serviço da comunidade para transmitir aos mais novos, um estudo para debater e criticar, algo que possamos considerar uma marca cultural do exercício do poder.

O que não é normal em democracia, é vermos um ex-presidente com um passado político no mínimo duvidoso, a escrever um livro que mais parece uma vingança pessoal ou um ajuste de contas com um ex-primeiro-ministro.

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Anibal Cavaco Silva e os dias felizes

Cavaco e os dias felizes

O amor no ar.
Daqui: Manifesto 74.

Cavaco, as influências negativas e o elogio ao PCP e ao Bloco

csgang

Diz a imprensa, que não há paciência para ler 600 páginas escritas pelo sultão da democracia portuguesa, já chega ter que o manter ad aeternum a caviar, que Cavaco Silva, a propósito do episódio dos avanços e recuos da lei da interrupção voluntária da gravidez, terá afirmado que PCP e Bloco exercem uma “influência negativa” na governação do país.

Muito poderia ser dito sobre as declarações de um indivíduo com tantos amigos a exercer a mais nefasta das influências sobre o nosso país. Amigos que contribuíram activamente para a destruição da economia portuguesa, que roubaram e corromperam, e com quem Cavaco até fez bons negócios. Não admira que tantos estivessem na sua comissão de honra quando se recandidatou em 2011. De bancos percebe ele. [Read more…]

O livro

cavaco

O livro de Cavaco Silva, além de não ter qualquer garantia de verdade dos seus conteúdos – dado o autor, muito pelo contrário – é um golpe na fiabilidade da própria instituição presidência da República. A própria proclamação de Cavaco segundo a qual este livro é “uma prestação de contas aos portugueses” é – pela incapacidade do autor admitir o risco de subjectividade, considerando o texto completamente “objectivo” – a primeira e mais óbvia prova do pechisbeque político-literário que nos é oferecido. Mas os efeitos situam-se a outro nível. Quem estará disposto, agora, a ser completamente franco nas conversas reservadas com o presidente? Não que uma tal incomunicação – chamemos-lhe assim – impeça mistificações futuras, já que quem escreve este tipo de memórias mente quando e no que quer – sem ter, sequer, no caso presente, o mérito da qualidade literária. Mas, pelo menos, não será fornecido combustível para putativos incendiários políticos. Dir-se-á que Cavaco não tem credibilidade para provocar grandes prejuízos com as suas inconfidências e a parcialidade da sua narrativa. Mas o mal está feito e haverá sempre quem vá espojar-se neste material.

O sistema semi-presidencialista português tem os seus inegáveis méritos. Mas nem ele resistirá a muitos mais Cavacos e respectivas cavacadas. E se Cavaco Silva quer mesmo prestar contas ao país, todos temos imensas perguntas a fazer-lhe que nada têm a ver com este desleal e sujo exercício de quadrilhice institucional.

Cavaco Silva que nunca desconfiou…

… de Oliveira e Costa, de Arlindo de Carvalho, de Dias Loureiro, das acções da SLN não cotada em bolsa, de Ricardo Salgado (até aconselhou), …