Nicho de mercado

Desempregados de curta e longa duração lançam empreendedorismo político. O governo aplaude?

Carlos Abreu Amorim: franqueza e liberdade*

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Num mundo ideal, toda a franqueza e liberdade de opinião deveria ser sublinhada. Ou não. Não. Seria tão natural que nem sublinhada seria.

No nosso mundo, nada ideal, um deputado, mesmo independente, que critique um membro do governo que apoia, é logo apelidado de cínico. Mesmo que, a memória tem destas coisas, já o tenha feito antes mesmo de ser candidato ao que quer que fosse – o Carlos Abreu Amorim, no ano passado, tinha escrito (na sua página pessoal) e dito num programa da RTP, que não existia margem para novo erro por parte de Gaspar. Neste nosso mundo, cada vez menos ideal, num programa televisivo, o Carlos defendeu o governo durante 40 minutos e fez uma crítica de menos de um minuto e só essa vale. Só esse minutinho conta. Não é cinismo, são factos.

No mundo ideal, seria natural que quem defende um determinado ministro, lhe exija rigor. No nosso mundo, é uma demonstração de bipolaridade política. Sim, no nosso mundo, o tal não ideal, pessoas com a franqueza do Carlos são criticados por defenderem uma determinada posição e criticados pela liberdade de afirmarem que essa posição deixa de ser defensável se se persistir no erro dos números (e da realidade factual). Ou não fosse neste nosso mundo que o Povo tenha um ditado que é todo um tratado: “preso por ter cão e preso por não ter cão”.

Se tudo isto não é cinismo, é o quê? Eu respondo: Portugal…

*como contraponto ao meu camarada de blogue António Fernando Nabais.

Carlos Abreu Amorim: cinismo ou bipolaridade?

cinismoO convite do PS ao PCP e ao BE revela um cinismo político para além da redenção! E, sobretudo, pretende apoucar a capacidade de discernimento dos eleitores. No fundo, o tempo e o modo atabalhoado como a coisa foi feita, também exibe a confusão em que marinam as mentes dos lideres [sic] socialistas…

Carlos Abreu Amorim

Ficarei, mais uma vez, muito desiludido com o Bloco de Esquerda, se voltar a colar-se ao PS com a mesma falta de critério que mostrou nas Presidenciais. Juntar a isso, por exemplo, o apoio a uma figura do socratismo como Manuel Pizarro para a Câmara do Porto seria simplesmente indigno. [Read more…]

O negacionismo

Há dois anos o último governo de José Sócrates caiu, onde há muito em Portugal não caiam os governos: na rua.

Claro que para os negacionistas do PS fica bem soltar uma gargalhada, e garantir que não foi nada disso, a culpa terá sido de quem posteriormente não votou favoravelmente um PEC  criado e gerido para ser chumbado na AR, no que terão o apoio veemente dos que pensam a História uma cousa de gabinetes, reuniões, políticos, acordos, desacordos, troikas e outras ilusões. Negacionismo que alacançou todo o seu explendor nesta imagem canciana, tão bem titulada de “coisas verdadeiramente inexplicáveis“:

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Ficando a dois passos do ridículo e roçando sempre o caricato, o negacionismo entre nós teve outros esplendores:  o 25 de Abril enquanto golpe de estado não teria sido tão simples se a negação da realidade não estivesse estacionada na Pide/Dgs, que nem a avisos de congéneres estrangeiras ligou importância e viu o Março das Caldas como um ponto final na contestação de meia-dúzia de tropas acometidos de cobardia colonial. [Read more…]

Não Aguento 24 Horas de Indignação

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. [Read more…]

Cães de Atenas recebem animais da Troika

ÁÈÇÍÁ - ÓÕÍÁÍÔÇÓÇ ÔÙÍ ÅÊÐÑÏÓÙÐÙÍ ÔÇÓ ÔÑÏÚÊÁÓ ÌÅ ÔÏÍ ÕÐ. ÏÉÊÏÍÏÌÉÊÙÍ ÃÉÁÍÍÇ ÓÔÏÕÑÍÁÑÁ<br /><br />(EUROKINISSI/ÃÉÙÑÃÏÓ ÊÏÍÔÁÑÉÍÇÓ)
Troika recebida pelos cães vadios de Atenas à porta do Min. das Finanças – Fotografia Opinion Post, info via Artigo 21º.

Anacleto Ribeiro não aguentou

Há muitas formas de não aguentar. Anacleto Ribeiro não aguentou o desemprego, a falta de moedas para as gomas do filho doente, e escolheu a pior forma de não aguentar: fugiu com ele para a morte.

Outros têm seguido essa fuga: cada vez mais, por muito que pela válida razão de evitar o contágio tal não seja noticiado.

Mais tarde ou mais cedo alguém  tentará partir com outra companhia, a de um de tantos culpados. Nada resolve.

Há outras formas de não aguentar. Há aquela que vingará o Tiago e o Anacleto Ribeiro: demitir os mentirosos que se instalaram no governo e enrolados na própria incompetência e estupidez andam a bater recordes velhos de 38 anos. Com a grande diferença de que em 1975 se recuperavam 48 anos perdidos, séculos de redução de um povo à miséria. Agora, muito simplesmente, arrasa-se Portugal.

Os direitos conquistam-se, perdem-se, recuperam-se. É da História. A morte dos que não aguentam, essa, é um caminho sem retorno. Por isso quem com ferros mata pode ter a certeza que desta vez com ferros morre. Mais tarde ou mais cedo, às mãos de um povo.

A idade dos processos

Sabem como é a idade dos casamentos? Quando todos os nossos amigos se casam? Depois há a idade dos baptizados, a idade dos divórcios e a idade dos funerais. Mas eu acho que existe uma outra idade, a dos processos na justiça. Antes de a ela chegarmos é como se fossemos seres sem freio a navegar no mar dos decretos, sem atender às ondas das alíneas nem aos furacões dos regulamentos. É um tempo de liberdade onde pequenos nadas se vão depositando num dos pratos da balança até que um dia alguém solta o fiel e o braço tomba para um lado. É o momento onde se constata que o outro prato poderá vir a ser equilibrado pela lei mas que isso só acontecerá em pequenas prestações a chegarem durante vários anos. E quando os anos trouxerem esse último quinhão, descobre-se que a ferrugem já colou o eixo, impedindo a balança de alguma vez voltar a ter equilíbrio. Até tremo por pensar que um dia chegará a minha idade dos processos.

11 de Março de 1975

Muito bem explicado a quem não sabe.

Futebol, PREC e as voltas da vida

(na morte de João Rocha)

Em 1975 Portugal era um manicómio sem gerência: cada qual agia como lhe dava na gana. O PC, que sobre ser ditatorial e estalinista, não tem senso de humor nem graça nenhuma, gastava as 24 horas do dia a fazer ensaios, mais ou menos violentos, da revolução bolchevique (com que ainda sonha). Levava a coisa tão à séria que até Cunhal, quando desembarcou em Lisboa, se empoleirou numa chaimite com um um soldado de dum lado, um marinheiro do outro, à Lenine. Transposto no tempo e em Portugal, ficou um quadro de revista a que não faltava o folclore, entre colorido e foleiro, daquele colar de missangas a que se convencionou chamar de extrema esquerda.  O país não comunista, que era a maior parte, gastava as mesmas 24 horas do dia a trocar as voltas aos de obediência soviética e a inventar tudo quando os pudesse avacalhar. A resistência foi sofrida e dura, mas feita com ar de riso e cantigas (como agora). [Read more…]

Que partidos?

A crise que temos vindo a sentir na pele tem servido para quase tudo – ainda vamos ouvir que os dinossauros e o meteorito e tal…

Uma das coisas que está mais clara para mim foi escrita por José Adelino Maltez no seu facebook  e refere-se à dificuldade sentida pelos partidos “não-centrais” em conseguir capitalizar a alternativa à desgraça da troika. O CDS é sempre central quando cheira a taxo e por isso não conta – discordo de Adelino neste ponto.

No entanto, já estou mais tentado a concordar no caso do BE e do PCP  – parecem dois putos na noite de  S. João à procura do martelo de plástico do pai, isto é, andam completamente perdidos.

Se esticam a corda para capitalizar descontentamentos correm o risco de extremar posições e, com isso, afastam os eleitores mais moderados.

Se ficam calminhos no seu canto, deixam de fazer sentido porque não se distinguem dos partidos do centro.

A mudança, real, a acontecer só poderá vir de dentro do PS ou do PSD.

Estamos perdidos?

Croniquetas de Maputo: o lixo e a chuva

Uma das primeiras coisas que nos assalta os sentidos, em Maputo, é o lixo. A visão do lixo, o cheiro do lixo, o cuidado com o lugar onde se põe o pé. A cidade não está preparada para lidar com o lixo que produz, a política de recolha e transformação é quase inexistente, os raros contentores parecem ter sobrevivido em mau estado a campanhas sucessivas no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, nos campos de treino de uma escola para bombistas, amolgados, retorcidos, a tombar para os lados. Servem como mera indicação de uma zona geográfica em volta da qual se acumulam quantidades enormes de lixo. Não é raro, de dia ou de noite, encontrar lixo a arder, contentores em chamas, fumo negro toldando pequenas zonas da cidade. Outras vezes sentimo-lo à distância pelo cheiro de mil e uma coisas diferentes em combustão simultânea.

Em alguns locais, em algumas ruas, o lixo vai-se acumulando sobre o lixo, pessoas e automóveis pisam-no e compactam-no, nivelam-no, entupindo escoadores e valetas, tapando buracos aqui e ali. Os pobres dos pouquíssimos trabalhadores dos serviços de recolha, desprovidos de meios, acompanham camiões de lixo que há muito deixaram de ser basculantes, colocam um lençol de plástico no chão e vão empilhando lixo sobre ele, depois levantam-no, balançam-no uma, duas, três vezes e upa,  [Read more…]

A Economia Portuguesa tratada com ‘Brufen’ e ‘Melhoral’

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Atribuímos diversas alcunhas a políticos cá em casa – algumas de uso reservado, para evitar riscos de processos judiciais. Limito-me à divulgação de dois cognomes, por entender serem pacíficos. Ao Gaspar chamamos-lhe ‘O Brufen’; em alternativa, o Álvaro é o ‘Melhoral’.

Esta condensação do pensamento ‘farmacológico-político’ deriva da avaliação da eficácia dos ministros, entendidos como meios terapêuticos dos males e da crise que coloca Portugal no estado de dor e de pranto que sabemos.

Do ‘Melhoral’ a justificação é de dedução simples e facilitada pelo popular slogan ‘Melhoral!, não faz bem nem faz mal’. Este é, de facto, o juízo formulado por muitos portugueses sobre o inócuo governante – creio que até Passos Coelho cultiva a opinião. [Read more…]

O Grande Morto de Cera (II)

Um boneco para Belém. Ninguém notaria a diferença.

Indignação

Imagem roubada do Facebook

Imagem roubada do Facebook

Ando, desde que li sobre a última «pérola» eructada por antónio broche,s para escrever algo sobre o assunto.
Furiosa, danada, revoltada, usei a minha página pessoal do Facebook para o insultar livremente e sem qualquer tipo de pudor, mesmo sabendo que alguns dos meus «amigos» são meus antigos alunos e actuais formandas ou familiares já com alguma idade e pouco habituados a palavrões.
Mas até agora não encontrei palavras para mostrar a minha indignação aqui. Sei que o assunto já foi por cá abordado, mas preciso, ainda assim, de reflectir sobre isto. Sobre o significado de tamanha pouca vergonha.
Sendo, desde que me conheço, defensora dos direitos de todos (ou de quase todos, que neste momento não reconheço grandes direitos a certas «mentes-com-quantos-dentes-tens brilhantes»), as declarações do dito cujo, de quem não se espera nada de útil, calaram fundo na minha alma. Senti ondas de revolta, senti uma fúria pouco habitual. Se aquele ser ignominioso estivesse perto de mim, acho que seria desta que eu, uma pessoa pacífica, pacifista e pacificadora, apertaria o gasganete a alguém, tirando-lhe a tosse sem dó nem piedade.
Pensar sequer na hipótese de cortar no salário de quem ganha a côdea de 485 euros mensais com o pretexto de que assim se diminuiria o desemprego é uma ideia tão absurda que, sinceramente, não sei como a apelidar. E isto vindo de quem ganha o que ganha por ser Conselheiro do Governo.
Cada vez são maiores e mais frequentes os insultos que estes fulanos fazem ao povo que lhes paga os salários, as casas, os carros, as mordomias. Já não há decoro ou respeito. Acham-se no direito de tudo dizer, de verbalizar todo o lixo que lhes passa pelas mentes enegrecidas com tanto pensamento inútil. [Read more…]

O Grande Morto de Cera

«A revelação bombástica é que o corpo exibido, cheio de sigilo e segurança, em um super-caixão lacrado, não é de um ser humano normal, deformado por um terrível câncer. O cadáver seria um boneco de cera. O simulacro de um Chávez “embalsamado”.» Alerta Total

Cinza da brasa

Cumpri recentemente sete anos sem fumar e avisaram-me que a data costuma vir acompanhada, tal como acontece nos casamentos, de uma crise a que nem todos sobrevivem. Admito que tenho saudades dos cigarros, já não direi todos os dias, que seria um exagero, mas todas as semanas. Sim, a saúde, a carteira. Escusam de dizer-me quanto ganho todos os dias, ou pelo menos quanto deixo de perder.

Sete anos sem fumar fazem lembrar os sete anos que Jacob de pastor serviu Labão, pai de Raquel, serrana bela. Sete anos de penitência para alcançar a recompensa final, tão almejada. E a minha recompensa, qual será? Dizem-me que ter deixado o tabaco me trará meses de vida, umas quantas páginas em branco a adicionar ao meu livro de bordo. É bom, mas é incerto. Acidentes, meteoritos, governos catastróficos, sabe-se lá o que me espera, que isto é tudo uma questão de probabilidades, tudo é acaso e sorte. Congratulam-me porque pouparei recursos ao depauperado SNS, coisa que me apoquentaria pouco, porque os impostos pagos pelos fumadores cobrem amplamente os seus hipotéticos enfisemas. E é certo que agora subo escadas que é uma beleza, e que o meu coração deve estar afinadíssimo, e as minhas artérias mais desimpedidas que uma antiga scut. [Read more…]

Uma perguntinha

Estava eu aqui, sossegadinha, a escrever um post e fui repentinamente assolada por uma dúvida. Será que o António passa factura pelos broches que faz ao governo? Suspeito que não, já que o trabalho sexual não é legalizado…

Postalinho de Barcelos (2)

Onde Pára a Protecção de Menores?

É a pergunta que me faço

Privatização dos recursos naturais

c92ad2d20524074dc14e124e1e3437c6Populações que procuravam defender recursos naturais locais foram agredidas por polícia de choque que protege interesses privados na região grega da Macedónia. A história começa em 1995. Mais aqui.

Esquerda sec. XXI

À primeira leitura não vislumbrei grandes diferenças, mas aguardo que outros colegas e também leitores, nomeadamente os que pertencem à área política, me possam elucidar sobre o conceito de austeridade de esquerda.

Ainda em matéria de ideologia, não posso deixar de referir que o comunismo já não é o que era. Mao e mesmo Max, devem dar voltas no túmulo.

A cor do petróleo

O da Venezuela é vermelho. Não exactamente do vermelho que inundou as capas dos jornais, que era um vermelho-telemóvel embora haja quem o tenha imaginado vermelho-chávez.

Qual é a cor do petróleo saudita?

Um tribunal da Arábia Saudita condenou dois activistas políticos, fundadores da Associação Saudita dos Direitos Cívicos e Políticos, uma organização proibida pela monarquia saudita, a penas de dez anos de prisão.

Execução na Arábia Saudita (a 2ª é texana)

O fim do sonho

Uma entrevista imprescindível do filósofo José Gil à TSF/DN.

Quando eles

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Quando esperas horas com eles na repartição pública da empresa privada conhece-los, sabes quem são, os sacos pesados que carregam, as varizes das mulheres, a revolta dos putos enorme como uma bomba, basta que um primeiro diga mata. O que aí vem será a soma de tudo isso transformada por eles na mudança, a ira depois da desolação tornada motor da História, mas também o fim desta violência democraticamente legalizada, eles enfim a levantarem-se dos escombros a que outros quiseram reduzi-los e a ser essas pessoas para que nasceram – e não os animais destinados por esses outros ao abate.

Salazarismo

Como se paria em Portugal contado às crianças.

Relvas Street Art

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Mural Relvas nas Amoreiras, Lisboa, by Nomen; fotografia de Nuno Pinto.

Luto Nacional

Estou imensamente triste, desolado, inconsolável.

Que parte é que ainda não perceberam?

Clara Ferreira Alves explicou, no Eixo do Mal e em português de lei. Dúvidas? arranjem explicador.

As solenes exéquias

tintin_picaros_vivasA delegação cubana parte de Caracas

…e regressa à pátria, sobrevoando Havana

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