Todos os que se passam, passam na RUC

Ela não se vende às editoras, passa os discos que os que a fazem querem, e querem porque gostam.

Ela não faz fretes informativos, faz informação local, é uma escola de jornalismo de onde já saíram grandes jornalistas.

Ela é a rádio, talvez a única herdeira do espírito das rádios livres dos anos 80, domesticadas pela legalização que fez de quase todas barrigas de aluguer de empresas de comunicação nacional.

A minha Rádio Universidade de Coimbra faz hoje 26 anos. Parabéns aos que a fazem, parabéns aos que a fizeram. Sempre no ar.

Olhos doces

Ando em guerra com a Câmara Municipal de Lisboa há muitos anos. Ainda garoto, detestei a política abacaxizeira que o edil Krus Abecassis garantia poder transformar Lisboa em coisa irreconhecível. Mais uns anos e teria levado a sua avante, mas o seu legado destruidor prosseguiu alegremente, agora sob a égide da temível dupla “vai tudo abaixo!” Costa/Salgado.
Mas hoje não é este o tema. Os jornais noticiam a abertura de uma “casa” que pretende cuidar dos interesses daquelas raparigas que face à lei vigente, estão “naquela esquina à espera de taxi e sob a vigilância de um guarda-costas à força”.
A segurança, a saúde pública e tão ou mais importante, o direito das ditas raparigas, impõe a legalização e devida regulamentação da actividade. Não valerá a pena voltarem aqueles dois diferenciados grupos de sempre, com argumentários de “Marias Madalenas” ou “filhas de Lenine”. Basta.

Com a troika e o Gaspar, o desemprego sempre a avançar

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Fonte de dados: EUROSTAT

A imprensa, aqui e aqui, está a divulgar que, depois das revisões feitas pelo Eurostat, o desemprego em Portugal, entre Agosto de 2011 e Janeiro de 2012, teve a evolução que o gráfico demonstra.

Portugal, ao atingir a taxa de 14,8% em Janeiro-2012, subiu ao 3.º lugar no pódio, ex-aequo com a Irlanda. O 1.º lugar é ocupado pela Espanha (23,3%), cabendo à Grécia a 2.ª posição (19,9%). Das estatísticas publicadas, pode ainda inferir-se que, entre nós, o desemprego jovem (cidadãos até aos 25 anos), continua a crescer e subiu para 35,1%.

Os números do desemprego, em conjunto com as quebras do PIB e aumentos de falências, constituem um conjunto de indicadores de que as políticas da troika, na Grécia, Irlanda e Portugal, e as medidas de austeridade em Espanha, cuja cópia em Portugal era reclamada por iluminada gente no tempo de Zapatero, não constituem a terapia correcta para a crise. Antes pelo contrário, geram maior recessão.

Na hora da despedida da troika, Gaspar mostrou-se agradado pela avaliação do tirano triunvirato, proclamando que, em 2012, a taxa média do desemprego se fixaria em 14,5%. Com o valor de Janeiro, agora divulgado, será mais uma previsão falhada pelo governo, criem as comissões interministeriais que criarem.

Uma coisa é certa: com a troika e o Gaspar, o desemprego está sempre a avançar. Vamos para o buraco ou alguém duvida?

Mas a Senhora quem é?

adão cruz

Passei frente à loja onde se deu o crime e lembrei-me…

Mataram o meu filho, Sr. dr., e ele está aí.

Isto dizia a voz rouca do outro lado da linha.

Pousei o telefone e desci imediatamente à urgência que ficava no rés-do-chão. A primeira maca que vi no corredor tinha um corpo coberto com um lençol. Levantei a ponta do lençol e vi logo que era ele, o filho do Sr. José. Tinha um botão de sangue coalhado acima da clavícula, na parte esquerda da base do pescoço. [Read more…]

Amanhã…

… é Dia de Clássico!

Alguém tira este pé de cima da nossa cabeça?

Portugal está a ir ao fundo, ou antes, os portugueses estão a ir ao fundo e o Gaspar & Companhia ainda têm o descaramento de empurrar mais e mais… Será que não é claro que isto assim não pode ser?

“Segundo a UTAO, a execução orçamental de Janeiro mostra uma queda de 2,3% na receita fiscal da administração central e segurança social. No Orçamento do Estado (OE) de 2012, o Governo prevê um crescimento anual de 3,8%.”

Nós, os piegas de Portugal

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Já nem sei como nem porque escrevo. Custa-me tanto mexer os braços! Estou muito bem sentado no meu sofá, cheio de sono e de preguiça. Está-se tão bem sem nada fazer! É evidente que as minhas entradas deixam de existir, acaba o dinheiro e passo fome. Mas, só pensar  que tenho que sair para comprar e me alimentar e assim sobreviver, eleva a pinha preguiça à raiz cúbica. [Read more…]

Educação, a árvore e o beija-flor

O Ministério da Educação e Ciência pela mão do Ministro Nuno Crato tem estado a colocar no terreno um conjunto bem significativo de mudanças (está aí a segunda versão do documento da gestão), umas troikistas, outras nem por isso.

A legislação sobre a avaliação de desempenho está aí, mas basicamente atira tudo para amanhã: diz que este ano é só produzir papeladas, não há aulas assistidas e uma amostra de relatório serve.

Mas tenho uma dúvida existencial: não há progressão nas carreiras por força do congelamento na administração pública. Logo, fazer coincidir a avaliação com os escalões torna o processo uma coisa sem sentido – quando é que terminam os escalões de um tempo que não está a ser contado?

As alterações do MEC são inúmeras e começa a ficar claro o caminho que está a ser traçado. [Read more…]

Acordo Ortográfico: a gaguez de Francisco José Viegas

Esta entrevista a Francisco José Viegas (FJV) sobre o Acordo Ortográfico (AO) é um amontoado de gaguez, de indefinições e de disparates. Depois de ter ouvido atentamente, limito-me a aglomerar, também eu, alguns comentários, tentando gaguejar menos, definir melhor e evitar o disparate.

Francisco José Viegas começa por confessar que há coisas no AO de que gosta e outras de que não gosta, o que é irrelevante, porque a discussão sobre este assunto só faz sentido a partir do momento em que não se fale de gosto.

Depois, e após relembrar que o AO está a ser discutido há vinte anos, afirma que foi discutido à última da hora, o que é muito semelhante a um paradoxo. Sobre este arremesso alegadamente tardio, aproveita para ironizar acerca de uma tendência lusa para esperar até ao último momento e contestar uma medida há muito anunciada. FJV revela, assim, um profundo esquecimento acerca dos vários pareceres dados por especialistas.

Aproveitando a deixa de FJV, e analisando um outro tique português, a verdade é que, nas questões ligadas às Ciências Humanas e Sociais, há uma tendência do poder e da opinião pública para desprezar repetidamente os contributos dos especialistas nas matérias. Assim tem sido com a Educação, com o desprezo a que são votados avisos e contributos dos professores, e assim tem sido com a questão do Acordo Ortográfico, em que os muitos pareceres emitidos por linguistas foram ignorados e  considerados manifestações de mera caturrice. [Read more…]

Existe algo de muito especial…

… que une uma Nação, que nos faz grandes e, sobretudo, que nos faz diferentes. Não representa apenas uma Região, vai mais além. É uma forma de ser, de estar e de viver. Muitos estranham, boa parte não compreende. Competência. Rigor. Ambição. Paixão.

 

Nós somos ASSIM!

Orquestra CajaBucalho

Aviso prévio: sou amigo do João Carlos Rodrigues, por quem também tenho enquanto músico e professor uma admiração suspeita, é claro, mas que nem por isso deixa de ser merecida.

É natural que deixe aqui um apelo a que colaborem com os CajaBucalho no lançamento do seu disco. Além de achar que enquanto músico o João é do melhor que temos (quem tem a minha idade e é de Coimbra ou arredores lembrar-se-á da Banda do Arco da Velha, que teve o azar de terminar pouco antes de sair o primeiro álbum do Rui Veloso), sempre vos conto esta: perdi o João de vista quando ele foi para a Trafaria leccionar. Um belo dia encontro-o numa reportagem televisiva onde aparecia como professor modelo que num meio complicado ainda trabalhava com os miúdos depois de cumprido o seu horário (e os CajaBucalho também são um resultado disso). Passado algum tempo apareceu outra vez na comunicação social: pela primeira vez uma escola fazia greve em solidariedade com um professor agredido por familiares de alunos, era o João.

Na última dúzia de anos temo-nos cruzado  em coisas das recriação histórica, deu-lhe para inventar instrumentos e refazer sons, muito no que hoje chamamos música de fusão, com base na portuguesa. Agora lança-se na aventura de meter cá fora um disco, já gravado, sem editora a intermediar. Todos temos orgulho nos nossos amigos mas às vezes uns merecem mais orgulho do que outros. É o caso. Por 10 euros podem pré-comprar o álbum ou um bilhete para o espectáculo de apresentação. Deixo-vos o texto que podem ler no local apropriado para contribuírem[Read more…]

Souto Moura é a vergonha da Arquitectura portuguesa


Ao fazer um novo projecto para a Barragem do Tua, que em quase nada altera o projecto original, Souto Moura passa à História como um dos agentes da destruição do Vale do Tua e do Douro Património Mundial.
«De enorme qualidade», proclama, fremente de excitação, o presidente da EDP António Mexia. De «qualidade superior», carcareja o edil Artur Cascarejo de Alijó.
Afinal, onde está a pretensa genialidade de Moura? O enorme e disforme paredão continua por lá. A linha de alta tensão Tua – Armamar vai atravessar, com postes de mais de 60 metros de altura, dezenas de quilómetros do Douro Património Mundial. A linha férrea vai desaparecer. A paisagem única do Tua vai desaparecer. Genialidade aonde? Só se for na ponta do paredão.
O Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos refere logo no Preâmbulo que o Arquitecto é «intérprete e servidor da cultura e da sociedade de que faz parte, devendo ter sempre presente que a arquitectura é uma profissão de interesse público.» Ora, Moura será intérprete e servidor, sim, mas da Cultura do dinheiro – aquele que a EDP lhe paga.
Passando ao lado da dignidade que todos os Arquitectos devem demonstrar na sua profissão, dignidade essa de que Souto faz tábua rasa, o artigo 3.º deste Regulamento é bem claro: «Orientar o exercício da sua profissão pelo respeito pela natureza, bem como pela atenção pelo edificado pré-existente, de modo a contribuir para melhorar ta qualidade do ambiente e do património edificado».
Parece-me que está tudo dito. Não é por ter ganho o Prémio Pritzer, por ter feito um estádio de futebol e por ter projectado apartamentos para ricos que Souto Moura vai ficar na história. Depois de deixar o seu nome indelevelmente ligado à destruição do Tua e do Douro Património Mundial, ficará na história, sim, como a vergonha da arquitectura portuguesa.

Ministério da Saúde: guerra aos bombeiros!

Guerra contra bombeiros e taxistas, em favor de transportadores anónimos

O Ministério de Saúde (MS), dirigido pelo bancário Macedo e pejado de protegidos ‘laranjas’ que há anos têm a garantia do “tacho” pelo “tacho”, está a comprar uma guerra contra os bombeiros, metendo-os, inclusivamente, no mesmo saco dos taxistas; e juntando à festa uns outros, cujo perfil não é nítido, mas que, diz o governo, estarão habilitados a transportar doentes não urgentes.

O MS está, pois, a criar mais um imbróglio na saúde em nome do economicismo. Mas, ponderadas as contas, poderá causar graves prejuízos – até o mais grave de todos, a morte – a gente idosa e sujeita a elevadas prevalências de doenças crónicas no interior do país. Que é o caso da maioria da população do interior.

Um pergunta óbvia urge ser formulada:

Como é que os tais outros, alternativos aos bombeiros, estão em condições de se garantirem que os doentes que transportam não têm carácter de urgência?

Um esclarecimento simples: até bombeiros socorristas, por vezes, enfrentam dificuldades em súbitos agravamentos do estado do doente tido por não urgente à partida. Não devendo esquecer-se de muitas situações de sucesso  – atente-se ao número de partos que realizam em plena estrada.

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Leituras de moralidade duvidosa

O Luís M. Jorge desembrulha um feitor em cada Camilo pregando a nossa salvação no teclado.

O Ricardo oferece memória a Cavaco, o privatizador das rádios livres (tordesilhasmente divididas entre o bloco central e pouco mais).

Passos em falso

Santana Castilho *

1. Pareceria elementar que alunos, famílias e professores pudessem confiar no Estado quanto às regras por que se pautam. Parece de senso mínimo que elas não mudem a meio do ano. Mas mudam. E não é de agora. O que é de agora é a incoerência de Nuno Crato, que faz hoje o que, ontem, impiedosamente criticava. Poderemos teorizar sobre as vantagens e as desvantagens de permitir aos alunos que escolham entre apresentar-se ou não à primeira fase dos exames nacionais. Podemos admitir que apenas os casos excepcionais recorram à segunda. Mas o que não podemos aceitar é que se decida sobre isto a meio do ano e, sobretudo, não se preveja alternativa para um impedimento forte, que escape à vontade do aluno e tenha por consequência a perda de um ano. Tal aberração está contida no despacho nº 1942, de 10 de Fevereiro, da secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário. Para que fique mais fácil de entender: um cidadão português, aluno de 18, que não entrou em medicina no ano passado, por insuficiência de média, num país que contrata médicos de 10, estrangeiros, e que tenha passado este ano a estudar para fazer melhoria de nota, se tiver o azar de ser atropelado a caminho do exame da primeira fase, ao qual tem obrigatoriamente que se apresentar, esse cidadão, caros leitores, dizia eu, perde outro ano e volta no próximo. Se não for piegas, ou não emigrar.
2. Na proposta de novas regras para a contratação de docentes, o Governo invoca o “princípio da igualdade” para permitir [Read more…]

A catequese e a sexualidade infantil. Um manifesto

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Hoje em dia sabemos a verdade. Sacerdotes célibes abusam às crianças. Antes, sem saber deste latrocínio, deste abuso ou crime de pedofilia, escrevi isto.

No seu texto inédito Pragtamisme et Sociologie, (manuscrito na minha posse) proferido na Universidade da Sorbonne de Paris, durante o ano de 1913-1914, o velho socialista e materialista histórico, Émile Durkheim, comentava que os velhos deuses estavam mortos e que a religião estava em vias de mudança.

Mas, acrescentava, nem tanto assim, porque todo o ser humano precisa de ritos, ideias, ética, interação moral, orientação na criação dos seus descendentes. Donde, a Religião, seja ela qual for, pelo menos define as relações emotivas e pedófilas (o meu acréscimo) entre pais e filhos, voir mães, pais, filhos, filhas. A nossa língua não tem ainda um conceito para designar estas relações, apenas excepto ascendentes e descendentes, palavras sem música e indefinidas. Era o que eu pensava antes de saber da existência da pedofilia[1], incesto[2] e adultério[3], que não são definidas na catequese, por conveniência de sevicio. [Read more…]

Carta do Canadá: Ou vai ou racha

Fernnanda Leitão

Há dias podia ler-se num editorial do New York Times, todo ele dedicado à situação na União Europeia: ”Porque é que os líderes da Europa se empenham em negar a realidade? A chanceler Angela Merkel,da Alemanha, e o presidente Nicolas Sarcozy, da França, mostram-se incapazes de admitir que vão por caminho errado. Estão deslumbrados com a sedutora mas ilógica noção de que todos os países devem copiar o “modelo exportador” da Alemanha, sem décadas de investimento público e taxas artificialmente baixas, cruciais para o sucesso germânico?  A Sra Merkel também parece determinada a inclinar-se perante os preconceitos dos eleitores alemães, os quais acreditam que o sofrimento é a única maneira de a Grécia,e os outros países da Europa do Sul, entrarem no bom caminho”.

Que esses dois líderes pensem de forma tão redutora e pobre, não surpreende quem tem boa memória ou o salutar hábito de ler o que a História ensina. Há países onde as televisóes se preocupam em não deixar apagar-se a memória do sofrimento que a Alemanha, por má liderança, e a França, por cobardia das elites, inflingiram a milhões de pessoas. O Canadá é um desses países. Devo acrescentar que a cada passo oiço canadianos dizer a propósito da situação na UE: “A Alemanha, outra vez!”. E anglo-saxónicos puros e duros desabafando: “A França é  sempre a mesma doida”. Nestas expressões há receio, há desagrado, há um escondido grito de alarme. Dirão: é a mania da superioridade dos ingleses. Será, mas têm boas razões para isso: se não fossem eles, patriotas, a dar o primeiro grande passo da resistência, a Europa teria sido esmagada e abastardada por um punhado de facínoras. [Read more…]

Hoje dá na net: Ouro Azul

“Ouro Azul” / “Blue Gold – World Water Wars” é um documentário sobre a água e os negócios que se foram construindo à sua volta nomeadamente a privatização da sua exploração.
Baseado no livro “Blue Gold: The fight to Stop the Corporate Theft of the World’s Water” foca um tema absolutamente atual quando falamos na privatização das Águas de Portugal e que apresenta alguns casos práticos como o dos EUA e alguns países sul americanos.

Loucura total

Quem é que contou esta piada? Está mesmo boa! Imaginem que ouvi dizer que o João Jardim é o mandatário do Passos Coelho nas eleições internas do PSD! Este pessoal tem uma imaginação.

Então não se lembram deste vídeo, ou deste, ou… ou…

O Álvaro diz que Portugal está melhor

Álvaro Santos Pereira, Álvaro para os inimigos, o inventor do pastel de nata franchisado e o criador do gestor de carreira para desempregados, o Álvaro-emigrante-com-orgulho, apareceu agora a dizer que Portugal está “em condições muito melhores” do que quando o Governo tomou posse.

Ciente da minha profunda ignorância sobre as cerimónias religiosas que o Álvaro praticará no altar dos mercados e ignorando que fumos inebriantes inalará durante os sacrifícios humanos em que participa, ficarei sempre espantado com esta ideia, decerto miraculosa, com certeza salvífica, evidentemente estúpida, de que é possível um país melhorar à medida que a vida dos cidadãos piora, porque, de acordo com alguma ciência oculta, parece não haver nenhuma relação entre um país e os seus habitantes. Deve ser possível, porque o Álvaro até é professor de Economia e, portanto, deve perceber imenso acerca de dinheiro e de pastéis de nata e era o que faltava que o Álvaro, coitado, se pusesse a falar de pessoas.

Antecipar o futuro: MEC e sindicatos não chegam a acordo sobre concursos

É só uma questão de tempo, mas algures ali para o meio do mês de Março vamos ter uma notícia deste tipo. E isto vai acontecer por duas razões:

– a proposta tem elementos que são inaceitáveis do ponto de vista dos professores;

– os sindicatos não podem assinar, nos dias que correm nada com o governo.

No que diz respeito a este último ponto, a  FENPROF com a GREVE GERAL marcada para 22 de Março tem que encontrar elementos que ajudem a levar os professores para a GREVE, logo qualquer que fosse a proposta, estaria sempre presente um não.

Do lado da FNE a situação é muito mais delicada – os seus dirigentes são, em boa medida, militantes do PSD e a proximidade com o Governo é por isso muito maior. Com o acordo infeliz entre a UGT, o Governo e os patrões, os dirigentes não podem dar outro passo em falso.

Agora, quanto à proposta em concreto, [Read more…]

Façam-me um desenho

 

(Figura do site Urbanidades)

Há dias li, de Paulo Trigo Pereira, uma bela sugestão: façamos perguntas incómodas aos nossos políticos. Exijamos esclarecimentos.
Exliquem-me que eu não percebo. É difícil aceitar e engolir «coisas» como: uma taxa de desemprego que deixaram chegar aos 14% , a maior percentagem de sempre de empresas falidas (uma subida de 60%),  a subida de impostos (não há margem para fazer subir mais), os cortes nos salários (se forem dar ouvidos ao Nobel da Economia, Krugman, eles vão cair na ordem dos 20 a 30%) e, sobretudo, que se despeçam trabalhadores “para assegurar a necessária diminuição de custos” quando, ao mesmo tempo, assistimos ao pagamento por parte da CGA de 31 escandalosas “pensões douradas” acima dos 4 000 euros.
Ainda podemos aceitar ou compreender que se possam providenciar pensões de

6 788,77 euros? [Read more…]

Paulo Rangel e o BPN

Não interessa apenas quem diz, mas o que diz

bpnNa edição do Público de hoje, Paulo Rangel levanta uma série de questões pertinentes a propósito do BPN; sobretudo da avaliação pública do que o actual governo está a promover no domínio da privatização do famigerado banco, a favor do BIC de Amorim e Isabel dos Santos, dirigido por Mira Amaral. Rangel questiona indirectamente a ética da forte injecção de dinheiros públicos, por aumento de capital (600 milhões de euros) e  através de um recente empréstimo da CGD (300 milhões), para transaccionar um banco por, apenas, 40 milhões.

Tudo isto sucede, diz ele, num momento em que o governo está a impor aos portugueses um programa de medidas de austeridade, cuja legitimidade tem de ser irrepreensível.

Discordante da nacionalização do BPN desde a primeira hora, devido à megalómana ideia de risco sistémico do sistema bancário, Rangel refere a opacidade da operação em curso, e respectivos custos, como, de resto, sublinhei há dias, neste texto.

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Uma pausa no Clube Literário do Porto

O Clube Literário do Porto vai suspender a sua atividade a partir de 31 de Março por motivos de reestruturação de todos os serviços da Fundação Dr. Luís Araújo a que pertence.

Desde que abriu em 2007/2008 (penso), o Clube Literário do Porto foi, na minha opinião, um dos locais mais relevantes para todos aqueles que gostam de partilhar ideias e conhecimento, basta olhar para o seu calendário de atividades para o perceber.

Para além disso era uma casa que estava sempre disponível a todos os pedidos de colaboração que recebia, pelo menos eu sempre tive resposta positiva a pedidos para utilizar as instalações do CLP, fosse através da Campo Aberto ou da Associação de Cidadãos do Porto e que me permitiram organizar bem mais para cima de uma dezena de debates.

Também assisti a algumas edições do Cooltiva-te e algumas exposições e o Aventar também andou por lá.

Claro que imagino que manter uma infraestrutura daquelas em funcionamento deva ser caro, mas espero que o consigam porque fazem falta ao Porto.

Porque deve a Alemanha aumentar os seus salários?

Porque os baixou. O que se segue, com uma ligeira adaptação, vem de um rascunho inspirado numa cimeira europeia, escrito se não erro em novembro. A visita de Paul Krugman e a sua afirmação de que devemos reduzir os salários comparativamente com os da Alemanha, embora  fosse “preferível subir os salários dos alemães – de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro“, fez-me ir ao baú.

Há duas crises na Europa, que se multiplicam: uma, desde 2008, foi provocada pelos mercados à solta com epicentro nos EUA, a outra chama-se Berlim. A Alemanha recuperou da reunificação moldando a Europa, particularmente os países do sul,  aos seus interesses, substituindo um marco que não lhe dava competitividade por um euro feito à sua medida.

A reunificação serviu em primeiro lugar como desculpa para retirar ao trabalhador alemão os seus direitos:

Quando vim viver para cá, há vinte anos, não era preciso trabalhar mais do que oito horas por dia para ter direito a ganhar muito bem. Na primeira empresa em que trabalhei, todos os minutos dados a mais eram somados e convertidos em dias de férias. Todos os minutos.
Agora, os contratos de trabalho são feitos com isenção de horário.  (Helena no 2 Dedos de Conversa)

O Euro “foi o dumping salarial na Alemanha que originou um grande superavite na balança comercial” e quem acusa Angela Merkel de ser a mulher mais perigosa da Europa não sou só eu, é um dirigente da esquerda alemã.
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Acordo Ortográfico: a opinião de António Guerreiro

António Guerreiro, crítico literário do Expresso, escreveu um texto lapidar no suplemento Atual: aí faz a História do AO e deixa algumas críticas. Entre muitas citações possíveis, escolho uma: “Em várias e competentes instâncias, o AO foi criticado, desautorizado enquanto documento técnico-científico, considerado inepto e nefasto. Em sua defesa, porém, o mais que pudemos ler foram artigos em jornais, refugiados nas questões genéricas das supostas vantagens de um acordo, sem responderem aos argumentos dos críticos. É fácil perceber que a impermeabilidade à crítica e a imunidade do AO estavam garantidas pelo facto de se tratar de um instrumento político para servir a estratégia ideológica da lusofonia.” Para ler o texto completo, basta entrar por aqui na biblioteca do João Roque Dias.

Momentos Jeep

Podem encontrar mais fotos destas AQUI ou então mergulhar no mundo Jeep por ESTAS bandas. A cada maluco a sua maluqueira 🙂

Já fui poeta da luz

adão cruz

(Poemas de mãos dadas)

 Já fui poeta da luz quando a palavra alumiava o infinito e o sol nascia dentro de mim.

Quando a vida alumiava o infinito eu nasci na erva e dormi no feno e acordei com melros e rouxinóis e saltitei com os pardais.

Quando me vesti de sol e me despi de luar e estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.

Quando meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. [Read more…]

Piegas é a tua tia, pá…

Luís Manuel Cunha

Quando se fala de costumes em Portugal, convencionou-se acrescentar-lhe o adjectivo brandos. Portugal é um país de brandos costumes, diz-se. E, de facto, assim parece ser. Ainda hoje, sexta-feira, dia em que escrevo esta crónica, tive a prova mais que evidente disso mesmo. Uma vez mais. Cavaco Silva cancelou uma visita a uma escola secundária de Lisboa, dando como única explicação ter tido “um impedimento”. Ora, este auto-intitulado “provedor do povo” teve medo do que o esperava, uma manifestação de adolescentes. Foi esse o impedimento. Cagarola até ao inconcebível, Cavaco acobardou-se e deu ordem para o reconduzirem ao sossego e à segurança do palácio presidencial. O Presidente da República fugiu! Simplesmente, fugiu. Borrado de medo. Escusado seria tê-lo feito, facto bem evidente na afirmação de um jovem estudante que, entre gargalhadas, dizia: “Se fosse para lhe bater, chamávamos os gregos.” Ora, nas palavras escarninhas deste adolescente, está a demonstração cabal da brandura dos costumes lusíadas.

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E tudo começa no berço

O título deste texto é copiado descaradamente de outro de um livro lançado ontem. Já não é a primeira vez que trago ao universo do Aventar a magna questão do peso que os factores extra-escolares têm no rendimento dos alunos, questão essa recorrentemente ignorada pelos vários responsáveis políticos e teóricos da Educação.

Para não me estar a alongar, reitero alguns dos meus dogmas sobre o assunto: os problemas educativos têm, muitas vezes, causas exteriores à Escola; nada disso significa que a Escola deva desistir de contribuir para a resolução desses problemas, o que, de qualquer modo, só poderá ser alcançado através de uma cuidada conjugação de políticas sociais e educativas.

Assim, enquanto a Educação for uma área em constante revolução, com uma produção legislativa desordenada (com consequências, entre outros terrenos, no currículo e no estatuto do aluno), e em estado de permanente negação acerca da influência de vários agentes e circunstâncias variadas na vida escolar, os problemas continuarão por se resolver.