Xeque-Mate a Portugal pelo Partido-Merda

O crime político-económico mais grosseiro alguma vez cometido em Portugal é recente e é este, repleto de coniventes, recheado de beneficiados, à testa dos quais-coniventes está, surpresa das surpresas, Cavaco Silva, com a sua velha flácida cumplicidade calculista ou tóina, escolham, pois promulgou tal prolongado estupro geral ao contribuinte pelas décadas das décadas. Nem é preciso repetir quais os supremos cretinos beneficiados sob a gestão calhorda do Partido-Merda. Capazes de tudo, mas tudo, por amor ao próprio estômago e ao próprio bolso. Ímpares no desprezo proverbial por todos e cada um de nós. Foram capazes de capar professores com mordaças burocráticas, algemas morais e estigmas profissionais. Foram capazes de criar todas as condições para chupar tudo e ir de férias. Vitalícias. Prendam-nos. Prendam-nos já, a esses infinitos cabrões!

Terapia do riso

Submarino Portugal

O episódio dos submarinos confirma a regra da impunidade portuguesa. A única coisa que o distingue de quanto coloca na berlinda essa espécie de político socialista no seu espavento burlão escondendo a grande saga de enriquecer o mais possível e o mais rapidamente possível, avidez recordista, arrivismo desastroso, é o facto de, por si só, o Caso Submarinos não acarretar a falência e o empobrecimento compulsório do Estado Português com a agravada e implacável desgraça dos mais pobres e vulneráveis dos portugueses. Não se ataca um caso. Não se atacam os demais. PSD/PS/CDS-PP unem-se nesta piromania corrupta que corrói o pecante projecto português de democracia e está na base do colapso de Nações, pense-se na bancarrota argentina e será suficiente compreender os antecedentes da nossa não muito diferente nem muito distante Tragédia. E tudo se anula na compita entre os vários episódios burlescos um após outro: Submarinos vs. Freeport + Cova da Beira + Independente + Face Oculta. É muito fácil dizer-se que todos os partidos, sem excepção, são cúmplices da falência executiva e moral do sistema de Justiça, se isso servir para escamotear o papel derradeiro e determinado do Partido Socratizado em anular-lhe qualquer vislumbre de eficácia e independência, comprometendo profundamente a paz social e a dignidade individual, quando a coisa tangia José Sócrates. Com que é que ficámos? O nosso Estado de Direito não o é. Com impunidade e descriminalização de políticos sem escrúpulos, como ele, ainda o é menos. De nada nos servirá não temer polícias nem juízes, mas assistirmos ao sorriso airoso de políticos que nos condenam e ainda ficam postos em sossego a ver de fora e de longe, pode ser Paris, o trajecto degradante da nossa desgraça, bomba-relógio que armadilharam para nós. Tal representa o fim da democracia e o começo de ainda maiores calamidades.

Filhodaputalogia

O cabrão brochista anónimo e assessor socratesiano típico está fartinho de disfarçar e atenuar o facto cristalino de Sócrates ter gamado em comissões, directa ou indirectamente, centenas de milhões de euros ao Estado, parte dos quais foram colocados em offshores em nome de familiares seus: vem no Correio da Manhã, tipifica o modo de contornar todas as eventualidades próprio dos variadíssimos corruptos impunes, imunes, intocáveis, protegidos, que temos por aí. O cabrão brochista anónimo e assessor socratesiano típico disfarça retoricamente o mais que possa que Sócrates se rodeou de escroques e meliantes, pelo menos nas onerosas assessorias, como a do cabrão brochista anónimo e assessor socratesiano típico «Luís, estou bem assim ou assim?» para vender chouriços de patranha e optimismos fode-contribuinte, pelas TV, homilias rascas pelas TV, sermões gesticulatórios de encher, pelas TV, e assinar contratos comissionistas com empresas amigas, bancos amigos, contratos esses que lesaram o País em milhares de milhões de euros e destruíram o desafogo fiscal das próximas gerações. [Read more…]

Nulo Silêncio Perante Clamorosa Impunidade

Portugal é o que é. Um país de misteriosa cobardia institucional: aquilo que, no grau e no tom, uma PGR nos faz ou não faz diz tudo da impunidade que o Dinheiro acumulado ilicitamente paga para sua criminosa salvaguarda e dano agudo dos nossos interesses colectivos. Do ponto de vista cívico, Portugal consentiu Sócrates duas vezes. Coisa sem perdão pelos séculos dos séculos, dado o preço altíssimo que todos pagamos por um só charlatão, absolutamente desonesto e insondavelmente dissoluto. Pior ainda: Portugal consentiu um tipo de controleirismo canino, sufocante, através dos media, graças a um sistema tentactular, caro ao Erário, assente em elevadíssimo número de avenças e bocas advocatórias. Portugal consentiu-o duas vezes. As guerras mais estéreis e as confusões mais convenientes vieram por meio dos media, como manobras de diversão relativamente aos negócios e negociatas que se faziam nos bastidores, especialidade e finalidade exclusivas de esse tipo charlatão de Governo. [Read more…]

Teremos sempre Paris

Onde estiver José Sócrates, leia-se Passos Coelho.

Não me inscrevo no PS, porque sou socialista

Foi o que Piteira Santos respondeu a Mário Soares e é aquilo que penso. Obrigado pela informação, Baptista Bastos.

Valupi, Bicharoco Grunho Passional

Não se pense que não dou razão a Valupi quando assevera que o seu insano Sócrates não é uma figura banal na sua idiossincrasia. Gastei parte das minhas energias de blogger civicamente comprometido com a res publica a escrever precisamente sobre esse fenómeno de MegaLogro, colossal manipulação, gigantesca pefídia, não porque Sócrates fosse um burlão banal, mas porque significou a mais gigantesca golpada de sempre no Estado Português. [Read more…]

Ladrão que acusa ladrão não deixa de ser ladrão

PS acusa Governo de colocar em causa a escola pública

Desumanizar a Escola: um projecto PS/PSD/CDS

A melhor Escola possível deve ser uma comunidade dotada de autonomia, um espaço suficientemente pequeno para que os alunos se sintam protegidos e suficientemente grande para que se sintam desafiados. Deve ser um espaço em que os alunos possam participar em várias actividades e clubes, em que possam contactar com várias artes, em que não sejam confrontados com invenções curriculares e legislativas constantes. [Read more…]

É absolutamente normal

Sócrates gasta 15 mil euros/mês em Paris. O ex-primeiro-ministro que anunciou aos portugueses as medidas de austeridade que afectam hoje tanto as famílias como todos os sectores económicos nacionais, vive na capital francesa, num apartamento de luxo com renda mensal de sete mil euros.

Correio da Manhã

A propósito de deslealdades

Confesso a incómoda náusea causada por essa espécie de epístola cavaquista, endereçada aos portugueses no prefácio do livro “Roteiros VI”. Ao estilo de carpideira, que chora o que não sente, o mais oco dos presidentes da actual república lamenta-se agora ter sido alvo de infame deslealdade por parte de José Sócrates. Invoca a violação do Art.º 201.º pelo ex-PM, ao omitir-lhe  a negociação e existência do PEC IV.

Sei desde longa data o que foi Sócrates, que Cavaco não demitiu. Tive o privilégio de nunca ter sido  seu apoiante ou votante. Ao contrário, fui crítico, aqui por exemplo.

Sinto-me livre de poder dizer que este enredo ao jeito de novela mexicana, a que ainda ultimamente o PR voltou a dar vida na visita ao navio-escola “Sagres”, é, como muitas outras novelas, um passatempo de mau gosto  e uma desforra política inoportuna e ofensiva para os portugueses.

Imagino Sócrates instalado em qualquer “bistrot” de luxo do Boulevard Saint-Michel, a saborear o revivalismo das tropelias passadas, em divertida tele-conversa com Silva Pereira. Como outros anteriores, incluindo o próprio Cavaco Silva, goza do estatuto de inimputável. Não é, de facto, o único.

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A doce vertigem do eufemismo agressivo

A linguagem dos políticos (e a de Cavaco Silva) é feita de pormenores saborosos para o hermeneuta cínico em que me tornei. Na esteira da “abstenção violenta” enunciada pelo jovem idoso António José Seguro, venho propor a noção de “eufemismo agressivo”, em que se enquadram os ataques que os políticos portugueses (e Cavaco Silva) fazem uns aos outros. No fundo, não chegam a ser ataques, são pequenos empurrões carregados de um mal disfarçado erotismo.

Cavaco Silva, talvez por não ser um político, é bastante desajeitado no uso do eufemismo agressivo. Na verdade, ao querer pôr fim à situação que criou, aconselhando as pessoas a ler o prefácio do seu último livro na íntegra, acusa-as implicitamente, de serem estúpidas. Depreende-se que, uma vez lido o prefácio, deixará de haver razões para a polémica existente. Se é assim, prefiro não ler.

Nas declarações de Cavaco surge, ainda, um eufemismo agressivo que um político não desdenharia utilizar: “falta de lealdade institucional”. O eufemismo – neste caso, o supérfluo – está no adjectivo: o que interessa, evidentemente, é a deslealdade, atitude feia, seja institucional ou não. Estão criadas as condições para que um político mais arrebatado chame a “cabrão institucional” a um adversário político, sem que isso possa ser considerado sequer polémico.

Também delicioso, pelo seu treino na diplomacia, é Luís Amado, que usa a habitual argumentação em defesa da paz podre, sempre em nome da “coesão nacional” e desejando “amplos consensos”, mas nada disso se compara à doçura de qualificar a acusação de Cavaco como “relativamente injusta”, apertando o lóbulo da orelha presidencial e atingindo, ao mesmo tempo, as partes baixas de Sócrates, o que demonstra conhecimentos de artes marciais.

Já Vital Moreira, que não pode sentir o filósofo parisiense em perigo, é um impotente do eufemismo e, puxando dos seus galões de constitucionalista, dispara, sanguíneo, que o primeiro-ministro pode informar o Presidente quando quiser e que não pode estar sempre a dar conta de tudo o que se passa na governação, igualando a compra de agrafos à imposição de um PEC.

Em conclusão, e diante desta opereta, poderei dizer, à maneira de Cavaco Silva (ou de um político), que a política portuguesa é uma merda institucional.

(Des)lealdades


Há uns tempos, o Sr. Sampaio afiançava-nos a existência de uma “vida para além do défice”. Pois existe, tratando-se de um exercício de mãos nas mãos e à volta de uma mesa de pé de galo. É este, o odor a morte velha que paira sobre o esquema vigente.
Nos seus tempos, Mário Soares correu o país inteiro, invocando o seu direito à indignação pelas tropelias do seu próprio primeiro-ministro Cavaco Silva com quem aliás colaborou durante o inaugural mandato em Belém. Assim que teve azo, iniciou a guerrilha que culminaria com a feliz tomada de posse de um governo do seu Partido, tal como então declarou a quem o quis ouvir, ou seja, ao país que vê o telejornal.
Seguiu-se Sampaio, naquele vale de lágrimas fáceis que aquiesceram com múltiplas maluquices de primeira apanha, mas convenientemente relegadas para o baú das perdulárias ninharias, pois estava no poder o bonzinho Guterres. Não tugiu nem mugiu pelo descalabro de contas, boys a soldo e todo o tipo de dislates que transformaram Portugal no tal pântano que a alguns propiciou uma pouco airosa saída de cena. Teve de dar posse a um governo dos outros e foi fazendo o seu jogo até ao momento exacto em que decidiu dissolver um Parlamento maioritário e queiram ou não queiram, perfeitamente legítimo. Invocou trapalhadas, erguidas estas à figura de um dificilmente concebível conceito constitucional. Enfim, a partir de todos os choradinhos, fosquinhas e silêncios, criou um precedente que o seu sucessor tardou – mas não falhou – em aproveitar.
Cavaco Silva foi um conhecido colaboracionista estratégico muito pró-socrático. Assim que os 23% de eleitores – não muito menos daqueles que haviam “reeleito” Sampaio – decidiram a sua permanência em Belém, abriu de imediato as hostilidades no discurso de re-empossamento. Houve de tudo, desde intentonas a inventonas que apenas por milagre não fizeram entrar pregos por fechaduras adentro. Já desembaraçado do outro Partido, deu posse aos seus, para logo meditar acerca do seu improvável lugar numa História que dele pouco rezará. Terá o provável sonho de um governo “fora da canalha partidária”, daqueles que a União Europeia tem semeado um pouco por todo o lado. Não gosta do governo de PPC, porque apenas gosta de si mesmo e está a especializar-se no açular da partidocracia que tal como cão enraivecido, ignominiosamente corre atrás da sua própria cauda.
O PS está irritado. Porquê, se agora lhe acontece precisamente aquilo que os seus militantes belenenses um dia fizeram ao PSD?
Parece-vos possível tal coisa em Espanha, no Japão, Austrália ou na Suécia? Pois, gostem ou não gostem, a Monarquia tem certas e bem seguras vantagens.

Ressurreição de Carnaval

Vemos hoje tudo o que perdemos por ter pedido ajuda externa: níveis de desemprego, de falências, ratings da República, dos bancos: quantos anos vamos demorar a regressar aos níveis de há um ano?

No período de neo-jornalismo que atravessamos esta frase pertence a uma “fonte próxima do ex-primeiro-ministro“, ou seja a José Sócrates disfarçado de torneira. Depois da confissão de Judite, entrevistou de uma fornada 4 banqueiros 4 só para chamar a troika, veio a discussão grave do avô Soares:

discutimos brutalmente, amigavelmente, eu sempre a convencê-lo e ele a não estar convencido, e depois o ministro das finanças também interveio mais tarde e ele acabou por ter de ceder

e agora isto.

Há coisas que não se aprendem na escola. Uma delas, até por ser mórbida, é a dificuldade de alterar os factos históricos; pode lavar-se a imagem, coisa de comunicação e vendas a retalho, mas a ciência a seu tempo registará que José Sócrates tentou mais tarde desresponsabilizar-se pelo pedido de empréstimo externo ocorrido durante o seu governo e pelo qual será sempre o gajo que fez merda.

Outra, para desconsolo de viúvas, viúvos e viúv@s, é aquela de um morto de cara lavada não deixar de ser defunto.

Sócrates e Passos Coelho: Uma diferença

Quando ouvi o Presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto a propósito do encerramento dos Tribunais, referindo que todos os dias o Governo ataca um sector diferente (o que até é verdade) – serviços de Saúde, de Educação, etc. – lembrei-me de José Sócrates.
A verdade é que, apesar de tudo, há diferenças entre Sócrates e Passos Coelho. Independentemente das medidas, que são mais ou menos as mesmas – e por agora não me vou pronunciar sobre o encerramento dos Tribunais (que é diferente, ainda assim, de encerrar Escolas e Centros de Saúde), Sócrates personifica o que de mais odioso tem a política. Porque se Passos Coelho ataca os serviços públicos em nome do Orçamento, Sócrates atacava de forma constante os próprios funcionários, os próprios profissionais, em nome de guerras mesquinhas que tinham como única intenção pôr uns contra os outros.
Foram os Magistrados, depois foram os Professores e por aí fora. Nunca me senti insultado por Nuno Crato, por exemplo, apesar de não concordar com as suas medidas. Mas nunca fui tão insultado e humilhado, directamente, como no tempo da Prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues.
Estou completamente à vontade para escrever isto, até porque tenho batido em Pedro Passos Coelho, desde o princípio, com alegria e entusiasmo. Por isso rapidamente mudarei de opinião se vir que, afinal, estava errado.

A mini-hídrica do Mondego e o homem que odeia Coimbra

Imagine um rio pelo qual os peixes não sobem desde que lhe meteram um açude no meio. Ao fim de muitos anos lá se constrói uma escada para peixes que custou 3,6 milhões de euros.

Vai daí o governo do homem que têm um ódio profundo à cidade onde se formou como engenheiro técnico decide construir uma mini-hídrica 10 km acima. Custo: 3,5 milhões, obra já licenciada à… Mota-Engil. Bingo.

A mini-hídrica do Mondego não tem ponta por onde se lhe pegue: produzirá uma quantidade ridícula de electricidade, termina com as descidas do rio em canoa (500 000 euros/ano que vão rio abaixo) e sobretudo é um crime ambiental digno desse grande assassino de rios, de seu nome José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Para oferecer uma obra aos amigos que se lixe a lampreia, que se trame o turismo, que se dane o maior rio português. Pode ser que o Politécnico de Coimbra ainda lhe dê um doutoramento honoris causa.

Mais informações no blogue da Plataforma Mondego Vivo e assine a petição respectiva.

Volta Nuno Álvares Pereira, tens aqui muito trabalho

Depois de ter acordado a ouvir numa rádio Paulo Rangel garantindo que nunca nenhum país venceu as agências de rating (o homem tem uma geografia muito limitada, nem à Islândia chega) leio um banqueiro com BI português afirmando com toda a lata que “Perder a soberania orçamental num momento de crise é lógico.” Nos intervalos ainda apanhei mais uns penitentes da direita que se diz patriótica falando da nossa culpa, endividámo-nos, mentem eles porque eu não me endividei nem assaltei o BPN, e merecemos umas chicotadas como penitência, reza a canalha.

Relembrando que em 1383 a maior parte da nossa nobreza, começando nos irmãos mais velhos de Nuno Álvares Pereira, tomou o partido de João de Castela, cheira-me a que isto só se resolve com a arraia-miúda a aclamar não sei bem quem, a mandar uns tipos de uma Sé qualquer abaixo, e a explicar a estes filhosdeumgandaputa que pesem os exageros míticos em Aljubarrota também tínhamos um exército muito inferior ao adversário.

Eu sei que esta deriva nacionalista não me fica bem e não parece de esquerda mas há alturas em que um gajo se passa e tem de chamar traidor à pátria a quem o é: Cavaco Silva, que trocou a indústria, a agricultura e as pescas por autoestradas e um gamanço generalizado de fundos comunitários, Durão Barroso que completa o ego em Bruxelas e Passos Coelho que apanha o avião de joelhos quando se dirige a Merkozy. Falta aí o Paulo Portas que baixa as calças a qualquer vendedor de armamento e José Sócrates que gostaria de estar no lugar do Passos. Foi assim no século XIV, repetiu-se no XVII, nas invasões francesas, em 1890, em 1914, é sina nossa que quando as coisas se complicam quem está no poder fica sempre do outro lado. Chamem-lhe fé, mas ainda acredito que eles se vão arrepender da opção que tomaram.

Sonhos de menino

Para o ex-primeiro ministro José Sócrates, pagar as dívidas “é uma ideia de criança” e pelo que parece, “as dívidas não se pagam, gerem-se”. Compreendemos o que quis dizer numa algaraviada de economês, mas a ideia que J.S. deixa urbi et orbi, vai ao encontro dos desejos mais recônditos de quem tem prestações a cumprir. O neo-filósofo parisiense, deixa transpirar um princípio tão mal compreendido, como perigoso. Se o leitor se esmifra para todos os meses depositar a devida quantia que lhe paga a casa, desista e passe a “gerir” a coisa, abrindo a possibilidade de um dos quartos ser utilizado à meia hora. Se por acaso lhe descontam os dois ou três centos de Euros que lhe garantem a condução do automóvel, não se rale, pois é melhor “gerir” a situação de outra forma, talvez recorrendo a trabalhos “extra” de esquina do próprio e da sua cônjuge.

Ainda ontem Mário Soares dizia em entrevista, que a política é que deve mandar nos mercados. Coisa fácil de proferir e que os ouvidos querem escutar. Com um bocadinho de sorte, talvez pretenda também uma “gerência” qualquer. Onde, isso é coisa que não sabemos.

A voz de Sócrates: a morbidez que a direita adora

Imaginava eu que José Sócrates estivesse politicamente defunto ou, pelo menos, em estado de morbidez profunda. Iludi-me. O homem, incapaz de assumir os danos infligidos aos portugueses, perfilou-se de súbito na boca de cena, no refúgio parisiense em que se albergou, declamando em tom pseudo-pedagógico:

A minha visão é esta, para países como Portugal e Espanha, agora é preciso pagar a dívida é uma ideia de criança…as dívidas dos países são por definição eternas…

A desastrosa intervenção dispensa comentários, porque já contém, em si, os ingredientes que a qualificam. Todavia, há a considerar as consequências para a dialéctica e a retórica no ambiente político nacional. Na hora, em que os portugueses são castigados com duras medidas de austeridade, a voz de Sócrates, remendada por esta desajeitada explicação, é um precioso activo que a direita no poder arrecada e com que se delicia.

A voz de Sócrates é, pois, a morbidez que a direita adora. Enquanto servir de tema central, esquecem-se os aumentos das taxas de moderadoras na saúde, o agravamentos dos impostos, a captura dos subsídios de Natal e de férias e mais o que está para vir, segundo se depreende da entrevista de Passos Coelho à SIC.

Só um pedido: “Cala a boca Zé Sócrates! Os teus disparates, mesmo de Paris, ainda fazem mossa.

Dívida pública: um casamento de inconveniência

Para mim, que percebo tanto de Economia como muitos economistas, ou seja, nada, é aceitável a ideia de que os cidadãos de um país tenham de pagar as dívidas contraídas por esse mesmo país, tal como, de certo modo, deverá acontecer entre cônjuges num casamento com comunhão de adquiridos.

Recorrendo, ainda, à imagem do matrimónio, o modo como a história da dívida pública está a ser-nos contada pelos governantes poderia corresponder a qualquer coisa como um marido, depois de gastar o dinheiro comum em jogos de azar e em jantares com amigos, acusar a mulher de ter arruinado o casal por causa de um vestido que comprou há dois meses. O marido, representando, aqui, o governo, criticaria, então, a mulher, usando a frase da moda: “Tens andado a viver acima das nossas possibilidades.” Já se sabe que a pobre esposa será obrigada a contribuir para o pagamento da dívida, mas, a não ser que seja destituída, não admitirá que lhe atirem à cara culpas que não tem.

Tal como a esposa vilipendiada, até posso admitir que sou obrigado a pagar as asneiras de outros. Agradecia, no entanto, que não me dissessem que a gestão continuamente danosa de instituições como hospitais, meios de comunicação ou Segurança Social, a destruição sistemática do tecido produtivo ao longo de vários anos, as parcerias de lucros privados e prejuízos públicos, a nacionalização de um banco à custa dos contribuintes ou o desperdício sempre infindável e actual dos delírios madeirenses se devem ao facto de eu ter vivido acima das minhas possibilidades.

É claro que qualquer esposa tem, sobre mim, a grande vantagem de poder recorrer ao divórcio ou de usar uma frigideira como arma de arremesso. Mesmo não tendo escolhido o valdevinos com que me obrigam a viver, não só tenho de pagar o dinheiro que ele me gasta como ainda tenho de o ouvir dizer que a culpa é minha. Para além disso, não tenho força suficiente para atirar frigideiras para São Bento ou para Paris.

Tempo de minhocas e de filhos de meretriz

“O dia deu em chuvoso”, escreveu Álvaro de Campos. Num tempo soturno, melancólico, deprimente. “Tempo de solidão e de incerteza / Tempo de medo e tempo de traição / Tempo de injustiça e de vileza / Tempo de negação”, diria Sophia de Mello Breyner. Tempo de minhocas e de filhos da puta, digo eu. Entendendo-se a expressão como uma metáfora grosseira utilizada no sentido de maldizer alguém ou alguma coisa, acepção veiculada pelo Dicionário da Academia e assente na jurisprudência emanada dos meritíssimos juízes desembargadores do Supremo Tribunal da Justiça. Um reino de filhos da puta é assim uma excelente metáfora de um país chamado Portugal. Que remunera vitaliciamente uma “sinistra matilha” de ex-políticos, quando tudo ou quase tudo à nossa volta se desagrega a caminho de uma miséria colectiva irreversível.

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É o tempo, estúpidos!

Antes de começar: não me interessa entrar em nenhuma competição para descobrir se há classes profissionais mais prejudicadas do que outras. Não ignoro que há quem viva muito pior do que os professores, mas os que estão pior do que nós não nos devem impedir de falar dos nossos problemas. Finalizando este intróito, os problemas dos professores vão para além de questões meramente corporativas: é a Educação que está em causa.

Terminados os preliminares, passemos ao acto.

Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo. Para além disso, não é de mais relembrar que os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento, para além de terem de comprar muito do material necessário ao seu exercício profissional, financiando, na prática, a empresa para que trabalham. Como se isso não bastasse, ainda foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.

Uma reportagem de hoje sobre as tão célebres quão esquecidas aulas de substituição já foi comentada pelo Paulo Guinote, que deixou, igualmente, um desafio. A propósito disso, e muito brevemente, quero só lembrar que aos professores foi retirado, com destaque para os últimos seis anos, o bem mais precioso da profissão: o tempo. [Read more…]

Retrato de Sócrates enquanto jovem ministro

Um artigo de Helena Freitas, então presidente da Liga de Protecção da Natureza, datado de 2001 e dedicado ao ministro do Ambiente José Sócrates, agora ressurgido no Facebook da autora, é o retrato antecipado do que viria a ser o seu governo. Está lá tudo: a preocupação com imagem, a arrogância, a mentira, a estratégia de ligação com a cacicagem autárquica e da construção civil que o levou ao poder dentro do PS.

Um documento histórico que aqui vos deixo, em imagem e texto: [Read more…]

Barragens e idiotas

O duo de governantes – José Sócrates e Pedro Silva Pereira – mais incompetente da democracia portuguesa (junte-se-lhes o Pinho e passa a trio, acrescente-se o Silva, o Lino, a Rodrigues e chame-se-lhe orquestra) deixou no país marcas perenes da sua idiotice e teimosia militantes.

Para além das dificuldades económicas que só agora os portugueses começam a perceber, o legado destes senhores é assombrosamente negro, apesar de todos os avisos vindos de algumas opiniões minoritárias mais esclarecidas, apesar dos estudos, apesar do bom-senso, apesar, finalmente, da crueza dos números. Vândalos e inimputáveis, chamou-lhes justamente  o Dario Silva.

Muita água deixará de correr debaixo das pontes até se avaliarem todas as consequências das decisões e mentiras desta gente.

Mas foram estes os únicos e os verdadeiros idiotas? Só se, paternalisticamente, acharmos que todo o país é apenas vítima passiva de malabaristas que actuaram furtivamente na insondabilidade das sombras.

Os idiotas que mantiveram estes idiotas seis anos no poder, os idiotas que os reconfirmaram na direcção do PS, não lhes ficam atrás em idiotia, muito antes pelo contrário. Foram precisos muitos idiotas úteis para eleger um idiota inútil.

Os profissionais da política

Fico triste por ver este país entregue, de forma cada vez mais acentuada, aos profissionais da política (vulgo, pessoas cuja experiência profissional se resume, grosso modo, a uns telefonemas e, eventualmente,  discursos em sedes partidárias). Sócrates, Assis, Seguro e Passos Coelho são a evidência de que a Lei de Gresham está em pleno vigor na política nacional.

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Respira-se melhor

A análise do ar em Portugal, hoje, revelou uma melhoria de qualidade. Tal deve-se à ausência das partículas socráticas que, ao longo de seis anos, infestaram a atmosfera, a ponto de alguns portugueses terem sofrido de alergias terríveis, causadoras de estupefacção e de desânimo.

Alguns especialistas, no entanto, começam a alertar para o perigo de uma variante da mixomatose que poderá transmitir-se aos seres humanos, com a estupefacção a ser substituída por estupor e o desânimo por abatimento.

Fala agora, Angela!

A Alemanha, que já arrastou o mundo para duas guerras, parece não conseguir desistir de um projecto hegemónico e racista, usando uma posição de força na União Europeia. Nos anos 80, com a prestimosa colaboração dos políticos portugueses, preocupados com a imagem do “bom aluno”, e em parceria com a França, esse país que sempre quis ser a Alemanha, os alemães contribuíram para matar o tecido produtivo português.

A sinistra Merkel, de modo coerente, vomitou umas críticas sobre a excessiva generosidade das leis laborais portuguesas. Se Portugal tivesse dirigentes políticos à altura, tais palavras deveriam ter merecido uma resposta firme, mas Cavaco, tão prolixo no Facebook, e Sócrates, esse animal tão feroz, emudeceram. Poder-se-ia pensar que era pura e simples cobardia, mas é mais do que isso: o arco do poder agradece qualquer contributo que permita retirar direitos laborais.

Para azar de toda esta gente, aparece agora um estudo em que se conclui que os europeus do Sul trabalham mais do que os alemães. Que dirá agora, a fuhrer?

Legislativas: a opinião de uma profissional do sexo

Voltámos a contactar Maria e conseguimos obter, novamente, depoimentos desta profissional do sexo acerca dos momentos de intimidade que viveu com os dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Já soubemos, entretanto, que Garcia Pereira irá interpor uma providência cautelar para que Maria seja obrigada, também, a recebê-lo. [Read more…]

Seis anos é pouco tempo?

Sócrates diz ter tido pouco tempo na televisão para apresentar ideias

Esta queixa da calimérica criatura é uma das últimas pérolas da campanha. Em primeiro lugar, durante seis anos, falou onde quis, com quem quis e como quis e teve uma comunicação social sempre pronta a reproduzir tudo o que lhe apetecesse dizer. Por outro lado, o homenzinho esteve seis anos a debitar vulgaridades e frases simples e só agora é que se lembrou que lhe falta tempo para exprimir ideias, precisamente aquilo que nunca teve? É, realmente, um “pobre político”.