Portugueses Pelo Mundo

Os Chegasnos têm um novo mantra: o Querido Líder é vencedor nos círculos da emigração. Tem fundo de verdade? Tem. Mas vamos lá destrinçar isto.

André Ventura vence na emigração, nos locais onde há portugueses menos qualificados, mais pobres e com menos instrução a nível académico (padrão que, de resto, se mantém em Portugal), isto na Europa. Quais são esses locais? Por exemplo, Andorra, França, Luxemburgo ou Suíça. Os mentecaptos Chegasnos usam tal argumento como bandeira, esquecendo o que referi no supracitado: para além disso, a França está numa situação económica lastimável e a Suíça é um paraíso fiscal. Andorra é mão-obra portuguesa barata e no Luxemburgo (um exemplo que pode dar outro texto: país construído em larguíssima escala pelo trabalho de imigrantes de vários locais, mas sobretudo de emigrantes portugueses – os discursos do anterior primeiro-ministro, Xavier Bettel sobre imigração poriam no lugar a taberna de 60 suínos que estão no extremo direito do hemiciclo português, mas deveriam envergonhar também quem, no seu direito, mas em contradição, vota Ventura no Luxemburgo) a esmagadora maioria dos portugueses trabalha no sector primário (construção, limpezas, distribuição). André Ventura vence também em África, onde há empresários portugueses, vários com ligações ao luso tropicalismo de antanho. Saudosistas, portanto, que por lá continuam a sacar recursos ao povo africano ou simples oportunistas modernos que sabem onde está a fonte do enriquecimento de luvas calçadas.

E no resto? Vamos ao que me interessa. Como se vê pelas imagens abaixo, António José Seguro esmagou (como esmagaria qualquer outro candidato democrático) nos países nórdicos. Primeiro, para os países nórdicos emigram, fundamentalmente, portugueses altamente qualificados, com altos níveis de escolarização e formação académica. E o que é que os países nórdicos têm, historicamente, que Portugal não tem? Várias coisas, a começar por políticas de esquerda a sério: [Read more…]

Jornalixo Nacional

Julgo que descobri, finalmente, um bom uso para um dos termos favoritos dos novos fascistas, dos populistas, dos nacionalistas que veneram alemães, dos adolescentes que odeiam mulheres, porque nenhuma está para os aturar, e dos extremistas de direita em geral.

Falo-vos, claro, do termo “jornalixo”.

E se há caso em que o termo faz realmente sentido, esse caso é esta capa do jornalixo do CH, que dá pelo nome de Folha Nacional.

Todos conhecemos vários casos de mentiras descaradas, manipulação de dados e estatísticas ou sondagens marteladas – mais um dia no escritório lá do sítio – mas fico-me por esta capa que, em boa verdade, resume muito bem o que é a propaganda do CH: um contínuo de aldrabices e de insultos à inteligência de qualquer ser humano. [Read more…]

O controlo da imigração descontrolada

Como algumas pessoas sabem, até há poucos dias havia em Portugal uma imigração completamente descontrolada, com a velha ponte que liga Valença a Tui (neste caso, Tui a Valença) a ameaçar ruir sob o peso dos imigrantes naturalmente descontrolados. Também descontrolados, entravam outros imigrantes em Elvas, em magotes saídos de Badajoz. Mais abaixo, em braçadas descontroladas, imigrantes saltavam para o Guadiana em Aiamonte e desaguavam em Vila Real de Santo António.

Em muitos cafés, portugueses passaram a desconfiar uns dos outros. Numa certa adega minhota, alguém disse:

  • Acho que o Joaquim da Zeza é imigrante.
  • Porra, a que propósito?

  • Então, o gajo bebeu uns copos e ficou descontrolado. Como os imigrantes.

O que vale é que, do dia para a noite, isso acabou, porque o governo de Luís Montenegro disse que acabou. E todos sabemos que, quando Luís Montenegro diz uma coisa, a coisa passa a ser verdade: ainda há dias se descobriu que o verdadeiro autor dos Cadernos de Lanzarote é Sophia de Mello Breyner, descendente de imigrantes ainda não descontrolados, que irá receber, a título póstumo, o Nobel da Literatura de 1998, o que levou Pilar del Rio, outra imigrante outrora descontrolada, a assumir a paternidade de Miguel Sousa Tavares.

Venturoso país este que, num ápice, num ai, no sopro de um decreto, acaba com a imigração descontrolada. Venturoso país.

Igreja Universal do Reino de Trump

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Não tenho toda a informação que gostaria para ter uma opinião formada. À velocidade que hoje circula, já não dá para acompanhar porra nenhuma. A overdose de temas, polémicas, romances, notícias, tiktoks, cenas do futebol, cenas da CMTV, escândalos, dramas, tweets e duelos virtuais danificou irreparavelmente o meu foco.

Ainda assim, tenho a forte sensação de que o ICE se transformou numa espécie de Gestapo, com as suas máscaras e passa-montanhas, o seu equipamento táctico e o seu orçamento militar, a aterrorizar não apenas imigrantes ilegais, como residentes e cidadãos regularizados e documentados. Às ordens directas do pior dos presidentes.

Já se viram congressistas e senadores estaduais e nacionais detidos, um juiz algemado e ameaças de uma possível detenção e deportação de Zohran Mamdani, o socialista em ascensão no Partido Democrata, aparentemente o melhor posicionado para vencer as autárquicas em Nova Iorque. Chega a ser comovente, ver artistas de variedades sul-americanos e caribenhos, que cantaram e dançaram por “Mr. Trump”, agora detidos, deportados e indignados:

  • Una injusticia!

Pois claro que é uma injusticia, Janet. Mas estavas à espera de quê? Não o ouviste dizer ao que vinha? Achavas que contigo ia ser diferente, se nem alguns cidadãos nascidos em solo americano estão a salvo?

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Francisco e os hipócritas que invocam o santo nome de Deus em vão

                                                                                                                                                        1.

Francisco partiu. O Papa que tentou e conseguiu reaproximar a Igreja das pessoas já não está entre nós. Mas deixa um legado disruptivo, fundado numa mundivisão mais próxima dos ensinamentos de Jesus Cristo, que colocou os pobres, os migrantes ou as vítimas de abusos sexuais e da violência armada no centro da sua acção. Para grande irritação dos extremistas que instrumentalizam o Cristianismo como arma de arremesso na sua cruzada por um Ocidente mais autoritário, mais intolerante e menos livre.

A disrupção causada por Francisco, contudo, não se esgota na narrativa. Longe disso. Francisco foi o primeiro jesuíta e o primeiro latino-americano a liderar a Igreja Católica. A lista de visitas pastorais incluiu países periféricos e pobres como a Albânia, o Sri Lanka, a República Centro Africana, o Bangladesh ou Myanmar. Visitou Lampedusa e ali rezou pelos migrantes que se afogaram no Mediterrâneo. Foi o primeiro papa a visitar o Iraque. Apostou no reforço do diálogo inter-religioso com ortodoxos, muçulmanos, judeus e budistas. E não teve medo de agarrar o touro dos abusos sexuais na Igreja pelos cornos, não se limitando a abordar o tema, mas tomando medidas efectivas para responsabilizar os membros do clero envolvidos.

Francisco foi um papa corajoso.

Não se acomodou ao status quo de uma instituição naturalmente conservadora.

Aliás, a sua coragem foi tal que abriu um precedente inesperado, permitindo que os padres católicos abençoassem casais do mesmo sexo e manifestando-se contra a negação da comunhão a políticos católicos que defendessem o direito ao aborto. Não porque fosse defensor da homossexualidade ou da prática do aborto, contra a qual de resto sempre se opôs, mas porque entendia com clareza a mensagem de tolerância que está na génese do Novo Testamento. Uma mensagem que muitos católicos parecem não ter percebido ainda, por muitos terços que rezem. Porque ler a Bíblia dá muito trabalho.

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Vamos falar do nojo

jornal Público

Vamos falar um bocadinho do nojo?! Vamos, pois.

Anda toda a gente a cavalgar a onda. Sem informação, sem um pingo de empatia, sem um esgar de humanidade. Só cavalgar. Mas vocês são quem, o D. Quixote? Assim montados são mais a Cicciolina.

Por mim, tudo bem. Façam-no. Aliás, por mim, expulsem-nos a todos. Deixem só ficar os reformados ingleses, holandeses e alemães. Mas daqui a três, quatro, cinco anos, pio calado. Nem um ai sobre falta de mão-de-obra, sobre o colapso da Segurança Social, nem um sus sobre a estagnação total. Calem-se só.

Não há uma frase sobre os direitos e deveres de quem vem para cá fazer vida, trabalhar. Há, sim, o discurso punitivo, o “extraterrestre ilegal”. Eu tenho vergonha desta merda, porque havia gente no bidonville, amontoado, cheios de merda até ao pescoço, foram de cá para lá sem nada, eram empurrados, guetizados, ilegais. [Read more…]

Director Nacional da Polícia Judiciária ARRASA percepções (outra vez)

Director Nacional da Polícia Judiciária dá murro na mesa

Quatro minutos. Quatro. Foram o suficiente para o director nacional da Polícia Judiciária conseguisse desmontar as narrativas racistas e xenófobas da extrema-direita, às quais se atrelaram governantes alaranjados. Agora, esperamos a resposta do totó e macaquinho de imitação que é o Primeiro-ministro que temos.

Adoro velhas/os

 

A ilusão da identidade nacional

A extrema-direita gosta muito de falar de uma coisa a que chama “identidade nacional”, porque acreditam, uns, ou fingem acreditar, outros, que há uma definição muito simples para isso.

Para essa gentinha, os portugueses são muito católicos, descendem todos directamente dos que assinaram o tratado de Zamora e têm sangue de cristãos que bateram nos mouros entre 1147 e 1249, quando conseguimos expulsar heroicamente a mourama, atirando-a ao mar. Os bravos descendentes desses mesmos portugueses fizeram-se aos oceanos e deram novos mundo ao mundo, espalhando desinteressadamente, e para ilustração dos selvagens, a cultura e a Fé.

A História deu as suas voltas, mas, para a gentinha, a identidade ficou esculpida no granito do tempo, ao ponto de ser facílimo identificar um verdadeiro português ao fim de um curto questionário. Há um nós que não se confunde com os outros. Identidade, aliás, vem de idem, o mesmo – o outro é alter, Deus nos livre de tal coisa, especialmente de for o Deus de Ourique, porque não há outro melhor.

A identidade é algo que só se pode descobrir na sua absoluta incompletude, tal como uma fotografia nunca será mais do que um momento de uma pessoa e, mesmo assim, um momento incompleto, porque nunca está ali a pessoa toda, porque a pessoa é um contínuo cheio de descontinuidades. Só um tolo ou um desonesto poderá cair no simplismo bacoco e na consequente arrogância de explicar o que é isso da identidade nacional. [Read more…]

Birds of a feather, hate together

Os populistas e os fascistas de André Ventura uniram esforços com os nazis de Mário Machado. Por esta é que ninguém estava à espera.

É burro, é

Até porque, sabemos todos, os imigrantes – como os emigrantes – são objectos inanimados.

É burro, é…

Tarde demais, Biden. A menos que…

Biden demorou tempo demais a tomar a decisão inevitável. Travar Trump era já uma missão quase impossível, sobretudo após um atentado que, sendo o resultado directo da sociedade armada que defende, teve o expectável efeito de o transformar num mártir aos olhos do seu eleitorado e de reforçar a propaganda com imagens fortes de punho fechado, sangue na cara e bandeira a esvoaçar atrás.

Agora, parece-me, entramos no território da impossibilidade.

Porque confirma as acusações, até há dias ridicularizadas, de Biden não estar mentalmente apto para disputar a eleição. Ou para governar o país.

Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.

Porque as sondagens indicam que Kamala Harris não tem hipótese. [Read more…]

O preço civilizacional

Nos últimos dias, tem sido notícia que a população portuguesa está a crescer.

Mas, passaram os casais portugueses a ter mais filhos?

Sim, houve um ligeiro aumento da natalidade. Mas, a razão principal foi que importou-se gente.

O aumento dos imigrantes trouxe o tão badalado crescimento da população, que tanto tem excitado alguns dos que, há pouco tempo – e bem -, alertavam para os perigos do decréscimo demográfico e do envelhecimento da população portuguesa.

Na verdade, não se fez nada de relevante para os casais se darem ao luxo de ter mais filhos. Ou sequer ter filhos. Aliás, nem sequer a garantia de coisas básicas como salários dignos e acesso à habitação, foi objecto de real preocupação política de quem tem governado o país ao longo de décadas.

Faltam salários, faltam habitações, faltam médicos de família, faltam enfermeiros, faltam professores, faltam funcionários, etc.

Em suma, falta cumprir uma Constituição que está a caminho dos 50 anos.

Talvez porque saia mais barato, preferiu-se importar gente.

Se essa importação vai ter consequências culturais e religiosas de fundo nas próximas décadas, quer para Portugal quer para a Europa em geral, é algo que, pelos vistos, não importa avaliar. [Read more…]

Admitam: os imigrantes fazem mais falta que o partido de André Ventura

Raro é o dia em que não lido com indianos, nepaleses, brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que chegaram à Trofa nos últimos anos, em busca de uma vida melhor.

Vamos sublinhar já esta parte: em busca de uma vida melhor.

Como aqueles portugueses que começaram a sair daqui quando Portugal era uma ditadura fascista. Fugiam de um regime opressor, fugiam da guerra e da miséria. Os mesmos motivos que levam indianos, nepaleses e brasileiros a fugir.

Ao contrário daquilo que afirma a extrema-direita e a direita radical, coro ao qual se juntou recentemente Pedro Passos Coelho, não se registou qualquer aumento de insegurança, ou mesmo da criminalidade, decorrente da chegada destas pessoas ao nosso país.

É falso e é uma canalhice usar este pretexto para atacar os imigrantes.

E é xenofobia também. [Read more…]

A escolha de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho entrou na campanha da pior maneira.

No Algarve, região do país que, de forma literal, não sobrevive economicamente sem os imigrantes que chegam ao país, o antigo primeiro-ministro escolheu a demagogia, associando a imigração ao aumento da insegurança em Portugal, sem um único dado ou facto que sustente a sua insinuação.

E, de uma assentada, o discurso de Passos Coelho teve 3 efeitos imediatos:

  1. Revelou a permeabilidade do espaço político da AD a uma das mais perigosas ideias populistas defendidas pelo partido de André Ventura, o que nos dá indicações preocupantes sobre o futuro.
  2. Demonstrou que o PSD está disponível para combater o CH no lamaçal da demagogia. Um erro já tentado noutros países, sempre com o mesmo resultado: com a derrota da direita moderada.
  3. Fez mais pela mobilização do eleitorado à esquerda que qualquer aprendiz de fascista. Um erro táctico.

Dir-me-ão que Passos estava só de passagem. Mas eu sou céptico e não acredito em coincidências na política. E elas começam a ser muitas.

Como a proposta de Paulo Núncio para referendar o direito ao aborto.

Caminhamos sobre gelo fino.

Uma besta política, será apenas e só, uma besta!

Se parece besta, fala como besta, então é uma besta!
Não há muito mais a dizer sobre um animal, estou a ser literal, sem qualquer elogio, que pretende restringir apoios sociais a quem tendo entrado legalmente no país, cumprido a sua parte, por qualquer motivo ao qual é alheio, se viu privado do emprego. Imaginem alguém foi convidado por empresa a vir trabalhar para Portugal, só que entretanto perdeu emprego por falência da entidade patronal. Para o líder do Chega, ou terá meios de subsistência ou será abandonado à sorte, apesar de ter trabalhado, pago impostos e contribuído para a segurança social.

Desculpem, fascistas, mas não vai colar

É possível que aquilo a que hoje assistimos tenha sido premeditado. Não tenho dados para o afirmar, mas é um facto que sunitas e xiitas têm um historial de hostilidade que fala por si. Mas mesmo que estejamos perante um acto terrorista, é curioso que o mesmo não tenha como alvo as instituições da democracia secular, que representam os “infiéis”, mas uma comunidade religiosa que reza ao mesmo Alá que o monstro que hoje assassinou duas mulheres com a brutalidade de um selvagem.

Claro que, para aqueles que fazem do ódio aos migrantes o seu ganha pão, a tragédia caiu-lhes que nem ginjas. Para esses, tenho duas palavras: Alcindo Monteiro. [Read more…]

Sobre os 4 mil imigrantes a sub-viver em três casas de Lisboa

Segundo notícias que surgiram em jornais como o Expresso e o Público, existem três casas numa rua de Lisboa onde vivem 4 mil migrantes.

Viver não será o termo correcto. Trata-se de uma prática de partilha de camas, o que mesmo assim parece de dificílima execução. Isto não é viver. É, quando muito, sub-viver. Não confundir com sobreviver. Há quem neste país sobreviva em muito melhores condições.

É aqui que as democracias abrem o flanco à extrema-direita. Ao não controlar o processo de entrada de imigrantes no país com mínimos de organização, decência ou dignidade, geram-se casos extremos que não são a regra, mas que acabam por ser amplificados e abafam os casos bem sucedidos de integração. [Read more…]

Luís Montenegro: a cópia, o original e o comunismo

Marcelo avisou, aquando das lamentáveis declarações sobre a imigração, mas Montenegro fez orelhas moucas. Talvez seja parte de uma estratégia de curto prazo para atrair eleitorado do CH, mas, no longo prazo, a lição do presidente da República será implacável: entre o original e a cópia, o original leva sempre a melhor. Sempre. E isso terá um custo enorme para o maior partido da oposição.

Não contente, o líder do PSD continua na senda da radicalização. Nos últimos dias, o discurso de Luís Montenegro vem a apostar num delírio populista, que assenta na ideia de um PS comunista. Nada o distingue, a este respeito, daquela que é a narrativa do CH. Mas nem o PS é comunista, nem o governo tem políticas comunistas. É uma absoluta falsidade com a agravante de ser deliberada. [Read more…]

Carlos Moedas e a imigração sem noção

Carlos Moedas fez um número de circo político como há muito não se via. Visivelmente incomodado com as críticas certeiras de Marcelo Rebelo de Sousa, que alertou a cúpula do PSD para os perigos de se remeter ao papel de cópia de um perigoso original, a propósito das intervenções infelizes de Moedas e Montenegro sobre os problemas da imigração, o edil de Lisboa saiu-se com esta:

Eu fui emigrante, sou casado com uma imigrante, não aceito lições de ninguém nesta matéria.

Imagino as dificuldades que atravessou o emigrante Moedas, numa frágil jangada de madeira a caminho do Goldman Sachs. Ou a arriscada travessia do deserto que fez, a pé e sem comida, de Portugal até Bruxelas. Que importantes lições terá aprendido, nessas jornadas onde a morte está sempre à espreita? A da noção não foi de certeza.

A xenofobia da extrema-direita atropelada por um camião

conduzido pelo Daniel Oliveira. O artigo no Expresso é aberto e merece ser lido.

Portugal, os imigrantes e os parasitas

Pelo vigésimo ano consecutivo, as contribuições para a Segurança Social dos estrangeiros que residem e trabalham em Portugal ultrapassaram largamente os apoios sociais de que beneficiam. A diferença é abismal.

Igualmente abismal é a diferença entre a realidade e a narrativa populista da extrema-direita e de parte da direita radical, que continuam a sua cruzada xenófoba, instrumentalizando politicamente o ódio, o medo e a ignorância, alicerçados na mentira de sempre: os imigrantes são uma cambada de parasitas a viver à nossa custa.

Só que não.

E Portugal precisa deles.

O Al-Amin

Vou falar-vos do Al-Amin.

O Al-Amin tem trinta e três anos, tem um filho, tem esposa, tem casa. O Al-Amin tem um mini-mercado em São Domingos de Benfica. O Al-Amin sorri muito, cumprimenta sempre, de vez em quando desabafa e mostra empatia por quem passa pela sua lojinha – pequena e apertada, mas arrumada e asseada.

O Al-Amin, tendo esposa e um filho, está sem a esposa e o filho. Tem-nos, certamente, sempre na memória e no sentimento. Pode vê-los, sempre que quer, na tela do seu telemóvel ou computador, a nove mil quilómetros de distância. Da tela do Al-Amin saem saudades que se alojam directamente na tela da sua família, no Bangladesh. E será, certamente, pelas saudades que, sabe, nunca são eternas, que se mantém em Portugal. O Al-Amin abre a sua loja todos os dias, de Segunda a Domingo e aos feriados também, das 8:00 às 23:00. Não tem folgas. É patrão e empregado ao mesmo tempo. Paga com todas as suas obrigações. Quase 60% do que factura ao fim do mês, envia para o Bangladesh. “Para a minha esposa e para o meu filho ir à escola”, contou-me um dia. [Read more…]

No país de Salvini, solidariedade é crime

Domenico Lucano, o autarca que permitiu que centenas de refugiados dessem nova vida à pequena vila de Riace, foi hoje detido por “auxílio à imigração ilegal”.

Comentário em destaque

Este texto é da autoria do nosso leitor Ernesto Martins Vaz Ribeiro, em resposta a este meu post.

Peguemos na conversa da emigração de um modo sério e vamos às causas de raiz para o problema.
A emigração NUNCA foi um problema, pois ela faz parte da universalidade. O Homem sempre emigrou e todos os países das Américas e da Austrália foram construídos com base na emigração.
A teoria do povo ariano puro, com as perseguições que conhecemos, caiu já há muito tempo.
Mesmo em muitos países europeus a emigração foi uma fonte de desenvolvimento, a começar com França e no mais de um milhão de portugueses que para lá emigraram desde os inícios dos anos sessenta
A emigração transformou-se num problema devido à “lavoura” que os americanos fizeram no Médio Oriente e em África. Nós continuamos com o politicamente correcto, incapazes de distinguir a realidade, porque temos prazer em enganar-nos e em fustigar-nos e proteger certas quadrilhas, em detrimento de outras. [Read more…]

A dualidade moral é…

… sentir-se chocado por alguém usar uma foto de uma criança qualquer para ilustrar o que Trump fez aos filhos dos imigrantes ilegais mas não escrever uma linha sobre as acções de Trump propriamente ditas.

 

Dizem esses que é por isto que as pessoas desconfiam da comunicação social, como se por trás destas imagens não estivesse uma realidade cruel. Chutam para canto, também, afirmando que é uma lei de Obama. Pouco lhes importa que a realidade seja outra, tendo-lhes bastado um site alt-right publicar um vídeo com tais afirmações para virem gritar para a praça pública.

Na verdade, pouco importa se a lei é de Obama ou não. O que interessa é quem é que a está a aplicar e como – o diabo está nos detalhes e o “como” faz muita diferença. Sendo uma lei miserável, importa também explicar porque é não tinha sido corrigida, especialmente quando Trump tinha uma maioria no Congresso para o fazer. Chutar para o Obama, perdão, para canto, é uma forma de menorizar o que está a ser feito. Mas quanto a isso, silêncio. O problema está em algum idiota ter dado o flanco ao usar uma imagem que não é das crianças separadas e enjauladas.

Não faltam materiais que essa gente gente pudesse comentar, mas aquelas duas fotografias…. meu deus! [Read more…]

Prender crianças por crime nenhum

Entretanto, na Land of the Free, crianças são separadas dos seus pais, na fronteira texana dos EUA, e enviadas para centros de detenção, onde são confinados a uma jaula, dormem com cobertores feitos de papel de alumínio e são autorizados a passar apenas duas horas por dia ao ar livre, o que é sempre algo de que uma (alegada) democracia ocidental se pode orgulhar. Isso e prender crianças por crime nenhum. [Read more…]

Sobre imigração

Estarei sempre de acordo com a eliminação das restrições à entrada de quem pretende viver ou trabalhar em Portugal, desde que cumpra as Leis do país e tenha meios para assegurar a subsistência. Por isso considero positivo não ser necessário um contrato de trabalho para conseguir uma autorização de residência. Mas não seria aceitável ou sequer tolerável, ver pessoas que nunca contribuíram a usufruir daquilo a que chamam Estado social, ou seja, na prática aumentar a despesa à custa dos que contribuem. Sabemos que há quem procure a Europa em busca de trabalho, mas também infelizmente quem apenas procure viver do assistencialismo, seguindo o triste e lamentável exemplo de alguns nativos, graças à permissividade dos políticos, sempre interessados nos votos… [Read more…]

Le Pen: em nome do pai

 

le-pen

Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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