As viagens do governo, as mordomias, e a decência

Parece que o governo vai viajar nos lugares mais baratos quando voar pela Europa. Também parece que nem fica mais caro nem mais barato, porque a TAP dá borlas nos aviões (e a Carris deve dar nos eléctricos).

Claro que se trata de mera demagogia, cruzada com algum populismo: não é por aqui, mesmo que o estado pagasse os bilhetes, que se equilibram as finanças públicas, como é uso dizer-se.

Mas daí não vem mal nenhum ao mundo, e sempre dá um ar da sua graça. O que já não tem graça mesmo nenhuma é ver os que acabaram de sair do pote a apontar o dedo. E nem me dou ao trabalho de exemplificar com os esbanjamentos perfeitamente inúteis dos últimos anos, ou de repescar umas historietas a propósito do Falcon governamental. Constato apenas que em matéria de burguesia sempre preferi a tradicional, com aqueles tiques de dar esmolas aos pobres e a altivez toda, à burguesia recém-chegada, vulgo novoriquista, com o seu fedor a pato-bravo e a dificuldade em perceber que estes gestos fazem parte do jogo do poder, esses que lambem o pote até ao fim, lavando o fundo com a língua, e muito espantados ficam quando os outros deixam restos na mesa. Para estes não há mesmo pachorra.

Fundos comunitários e investimento público

Mais uma demonstração de que sem invenstimento público nem os fundos comunitários servem para coisa alguma:

Mas a verdade sobre os fundos comunitários, que é ocultada aos portugueses, é bem diferente. Até 31 de Março de 2011, Portugal não tinha utilizado 7.071 milhões € de fundos comunitários que a U.E. tinha posto ao dispor do País até a essa data; dito de outra forma, até ao fim de Março de 2011, Portugal só tinha conseguido utilizar 44,8% dos fundos comunitários programados para serem utilizados no período compreendido entre Janeiro de.2007 e Março de 2011.

Ler o restante artigo do Eugénio Rosa.

Angélico e a vertigem da velocidade

Que me lembre, é pelo menos o segundo caso de estrelas dos «Morangos com Açúcar» que acaba mal. Há uns anos, foi o «Dino» da terceira temporada da série, o jovem Francisco Adam. Agora, Sandro Milton Vieira Angélico, ou melhor, Angélico Vieira.
Compreendo que um jovem que de repente é famoso lide mal com tudo o que a fama lhe traz. Primeiro vem a exposição pública e, por arrastamento, o dinheiro, as raparigas, os carros. E há que experimentar de tudo porque é agora que somos jovens.
Sempre percebi mal a atracção que os carros exercem sobre jovens e menos jovens. Tive o meu primeiro carro depois dos 30 anos, conduzo porque tem de ser, numa conversa sobre o assunto desligo de imediato. Se ganhasse o Euromilhões, um carro seria a última coisa que pensaria em comprar.
Apesar disto tudo, compreendo que seja assim e se calhar eu é que estou errado. No caso de Angélico, o que me faz confusão é que ele já não é tão jovem assim, nem em idade nem na fama. Por isso, pegar por empréstimo um carro com aquela cilindrada, sem seguro, e fazer-se à noite sem pensar sequer em usar o cinto de segurança ultrapassa todos os limites do bom-senso. Os mesmos limites, mas de velocidade, que terão levado a que o pneu rebentasse em pela auto-estrada.
Como há pouco dizia Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, era bom que os jovens que ainda não conduzem vissem, pelos seus ídolos, que a vida não é tão cor-de-rosa como toda a sociedade nos quer fazer crer. Angélico, infelizmente, aprendeu-o da pior maneira.

Merdina Carreira, a queda de um anjinho

Medina Carreira “Salazar foi um bom gestor. Era bom termos hoje um bom gestor”

I

O resto da entrevista tem outras revelações: não existe esquerda nem direita (esta já a direita a diz desde que há esquerda), o FMI já devia ter vindo, e a repetida mentira de que a crise é da responsabilidade do estado que gastou de mais (os bancos devem ter roubado de menos).

Mas é bom que o político, ex-ministro do PS, assuma o seu salazarismo. Assim ao menos perde aquela arzinho de independente, tipo anjinho pairando acima dos outros, e  sabemos com quem contamos. Este não enganou poucos.

O mundo das crianças – a democracia do Chile – VI

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Maria de la CruzToledo, la primera Senadora do Chile

 O conceito democracia[1] foi criado na Grécia Clássica, com o significado de sermos todos iguais, excepto os nada possuíam como bens imóveis, Esses eram escravos até o dia de poder comprar a sua liberdade por meio de adquirir bens com o seu trabalho e pagar o devido a quem tinha sido o seu patrão. A escravidão existia desde a época do Império Romano de Rómulo e Remo, narrado por mim em capítulos anteriores. Os romanos no tomavam prisioneiros nem matavam aos derrotados: faziam deles trabalhadores grátis. Ideia que tem existido sempre nas sociedades compostas de pobres e ricos. Como era o caso do Chile.

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O mundo das crianças – guerras e debates – IV

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Os mais novos da família não conseguiam entender os desencontros dos mais velhos. Quem tinha mais família nas guerras de Europa, era a mulher do Engenheiro, bem como uma larga parentela no sítio em que estavam, em Valparíso, Chile , sítio em que estavam as indústrias, o comércio, as fábricas que eles tinham instalado ao começo do Século XX. No velho continente, duas guerras tinam começado: o levantamento das Forças Armadas na Espanha, contra a Segunda República desse reino. A primeira, tinha sido no Século XIX, contra a monarquia de Isabel II, quem teve que fugir para Itália com a sua corte. A bisavó e avó da mulher do engenheiro, iam nesse grupo. A Segunda República tinha começado com o levantamento popular contra Alfonso XIII, que já no governava, apesar de continuar a ser rei. Quem chefiava o país era o seu Primeiro-ministro, Miguel Primo de Ribera, com a protecção do Rei: as Cortes tinham sido abolidas e a Constituição não funcionava. Afonso XIII (nome completo: Alfonso León Fernando María Jaime Isidro Pascual Antonio de Borbon y Habsburgo-Lorena; Madrid, 17 de Maio de 1886Roma, 28 de Fevereiro de 1941) foi rei de Espanha entre 1886 e 1931. [Read more…]

O mundo da infância – III parte. Laguna Verde

laguna_verde.jpgO Senhor Engenheiro estava longe de se sentir um homem feliz. Tinham-lhe tirado o barco e o mar, especialmente a sua navegação. Adorava dar a volta ao mundo levando mercadorias no barco que comandava, e trazer de volta produtos exóticos, como crocodilos dissecados, dentes de elefante, peles de tigre, alfombras de Pérsia hoje Iraque -, que repartia entre todos os membros da família. Dar presentes era a sua felicidade, sentia-se mais dentro de família da sua mulher, por outras palavras, sentia-se em família. Com a sua família paterna as relações eram fechadas. Se a família da sua mulher tinha indústrias e propriedades ao longo do país e terras para lavrar pelo único filho varão do seu sogro, Engenheiro Agrícola, a família era grande e os trabalhos e propriedades eram repartidos ente todos, assim como os lucros. [Read more…]

Obrigado, Tomislav Ivic

(Foto do DN)

Obrigado, Tomislav Ivic, pela época de 1987/1988.

Eterno descanso, com eterna glória.

 

 

Peter Falk, 1927 – 2011

Columbo, um tenente com muito do actor, foi a primeira série policial a subverter a lógica do policial (não por acaso Steve Bochco, Spielberg e Jonathan Demme passaram por lá). Peter Falk RIP.

A sardinha quer-se como a mulher

(Foto do "Super Receitas")

Diz o povo que “a mulher quer-se como a sardinha: pequenina”.

Pois eu prefiro a sardinha como a mulher: boa. E sardinha boa é coisa cada vez mais rara. Não sei se se passa o mesmo convosco, mas este ano só me tem caído no prato sardinha congelada, e em pleno S. João. Uma miséria.

Uma foto quase desconhecida


A Comissão Oficial do Centenário da República, tem divulgado muitas fotos de exaltação da bandeira do seu amado regime. Aqui está uma imagem praticamente desconhecida, tirada pelo exército alemão na antiga União Soviética, há uns setenta anos. Num momento de ajudas da Alemanha, convém amansar os espíritos dos generosos patronos.

O mundo da infância – II parte: mudança de vida

 

Habituado a navegar e academicamente preparado para isso pela Universidade Católica de Valparaíso[i], como narrei na parte I, o mar era a sua delícia, navegar o seu objectivo, e esses encontros e desencontros com a sua mulher e o único filho desses tempos, sogros e cunhados, uma delícia. Estar todos os dias com as mesmas pessoas, poderia ser cansativo. Estava habituado a solidão dos campos, a montar o seu cavalo e percorrer o fundo em procura de amores ou amigos para cavaquear. Gostava dessas companhias, mas nem todos os dias nem com as mesmas pessoas. Era o patrão e gostava mandar ou pregar brincadeiras pesadas aos amigos, mas de que gostava brincar, era o seu prazer. Tinha começado os seus estudos na Universidade referida antes, em breves anos após a sua fundação, aos seus 18 anos: cinco anos de estudo mas a prática de engenheiro da marinha, acabaram por deixa-lo livre e com um bom ordenado em 1937. Aos 27 anos casou com a Senhora que pretendia mãe do bebe que foi a sua ilusão. [Read more…]

Cheques, ensino e bom senso

Não percebo o entusiasmo à volta da ideia do cheque ensino. Quem põe os filhos num colégio, não procura apenas a excelência do ensino, o rigor e a exigência. Procura, sobretudo, a segurança da segregação social. É a segregação social que dá garantias de sucesso. Quem opta por certos e determinados colégios fica sossegado por saber que deixa os filhos numa espécie de condomínio privado, onde se ensina a caridade, se cultiva comedidamente a piedade, enobrece sempre o carácter, mas longe de pretos, ciganos, brancos que são como pretos, demais proscritos.  (…) O cheque ensino, em abstracto, elimina constrangimentos financeiros, permitindo que famílias mais pobres possam optar por estabelecimentos de ensino privados, mas não apaga o resto. Quem é da Brandoa, da Buraca, de Unhos, do Catujal, será sempre desses lugares. Os pais que escolhem o ensino privado, se, de repente, vissem a prole acompanhada pela prole das suas empregadas, procurariam rapidamente outro colégio onde a selecção se continuasse a fazer. Não condeno as preocupações dos pais que assim agissem. Percebo-os perfeitamente. Se a escola dos meus filhos fosse, assim de repente, por imposição do governo, inundada por camafeus pequenos, tratando-se por você, armados ao pingarelho, também eu correria a tirá-los de lá. Gosto pouco de misturas.

Ana de Amsterdam

A Estação de Porto São Bento

Anos 20 do século passado.

Coisas Práticas: definições políticas

Francisco José Viegas, escritor, jornalista, editor e novo secretário de estado da cultura, reuniu crónicas num livro e chamou-lhe Dicionário de Coisas Práticas.

No final final da apresentação acrescentou duas definições que, supostamente por razões práticas, não couberam no dicionário: uma é que um ministério (qualquer um, dada a generalidade da afirmação) é um gueto. Outra é que uma secretaria de estado é, afinal de contas, um jogador que pode não abrir o jogo (pelo menos para já).

Reconheço que aprecio o imaginário “série B” de FJV. Todos sabemos, nem que seja pelas aventuras de Jaime Ramos, que com o jogo aberto é mais difícil fazer bluff.

A democracia grega

Os gregos não inventaram a democracia, quanto muito os atenienses criaram a palavra democracia para designar um regime em que menos de 10% da população decidia democraticamente da sua vida e aproveitava para decidir a vida dos outros.

Posto isto, com o notável contributo de governos locais corruptos, da Alemanha, da França, seus bancos e indústria de armamento, os gregos arriscam-se a inventar uma outra democracia, que começa nas ruas e pode acabar com a dividocracia.

Olhai para isto portugueses, já falta pouco.

Também na saúde o mercado funciona, e viva o empreendedorismo

Tenho de dar a mão à palmatória: qual Serviço Nacional de Saúde, o sistema de seguros de saúde é muito melhor, mais barato (dada a generosidade das seguradoras, essas grandes entidades filantrópicas) e eficaz. Aos que o criticam lançando atoardas sobre as pessoas que não conseguem pagar um seguro de saúde, deixo o exemplo de James Varone, desempregado, com uma hérnia a precisar de tratamento urgente, e sem seguro para isso. Demonstrando as vantagens da iniciativa privada e do empreendedorismo, James Varone dirigiu-se a um banco com uma folha onde escreveu: “isto é um assalto, dêem-me um dólar“, e o problema ficou resolvido com a chegada da polícia,  a sua detenção e envio para uma cadeia, onde os cuidados de saúde são poucos mais gratuitos.

Infelizmente um dólar é apenas um dolár, foi condenado por um pequeno delito e não passará tempo suficiente na choça para o tratamento prolongado de que necessita. Pois que para a próxima seja mais ambicioso, e peça mil dólares, já deve chegar.

O mundo das crianças V – os problemas que as guerras europeias causam no Chile

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Puerto Varas - Colónia Alemã Sul do Chile

Parte de um capítulo do livro que escrevo para Aventar

A guerra civil espanhola foi um preambulo instigado pelo mais sanguinário ditador do mundo, o criador do genocídio para ocultar crimes de guerra, à maneira de Franco. A diferença estava em que o ditador da Espanha não queimava aos seus prisioneiros: os enterrava vivos. Genocídio e morte em vida, eram praticamente o mesmo crime. O ditador alemão, austríaco de nascimento e registo, como todo o mundo sabe, era filho de um trabalhador alfandegário. Líder político alemão nasceu a 20 de Abril de 1889, na cidade austríaca de Braunnau, filho de Alois Hitler e Klara Pölzl. . Responsável por um dos maiores genocídios da História, desencadeador da 2.ª Guerra Mundial (1939-1945) e mandante do extermínio de cerca de 6 milhões de judeus. Sem concluir os estudos de segundo grau em Linz, mudou-se para Viena (1908), onde o sonho de se tornar pintor foi truncado quando não conseguiu ingressar na Academia de Belas-Artes. Em 1913, muda-se para Munique, Alemanha, fugindo do alistamento no Exército de seu país. Com o início da 1.ª Guerra Mundial, em 1914, alista-se no Exército alemão como voluntário. Ferido em combate, recebe a condecoração da Cruz de Ferro. Em 1919, filia-se ao Partido Operário Alemão (DAP), rebaptizado em 1920 como Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) e apelidado de “nazi”. No ano seguinte, passa a chefiar o partido. Preso em 1923, após uma tentativa de golpe de Estado – o Putsch de Munique –, escreve o livro Mein Kampf , que me português significa “Minha Luta”. Suas ideias se baseiam no nacionalismo, no anticomunismo, no anti-semitismo e na crença na superioridade da raça ariana. Seu objectivo é construir um novo Estado (3º Reich) capaz de promover a autonomia económica da Alemanha, libertando-a do Tratado de Versalhes. Em 1930, torna-se cidadão alemão. Assume o poder como chanceler em 1933. Bane partidos políticos, prende opositores, reintroduz o serviço militar obrigatório e dá início à expansão militarista alemã. Ordena a invasão da Polónia em 1939, provocando a 2.ª Guerra Mundial. Manda judeus para campos de concentração e anexa vários países da Europa. Derrotado, em Abril de 1945, com as tropas soviéticas cercando Berlim, suicida-se no bunker da chancelaria [Read more…]

Vieux Farka Touré na Linha do Comboio

E faz boa música também.

 

Distrital do Porto do PSD a votos:

Esta primeira declaração foi um aviso à navegação. Os corporativos fartaram-se de escrever sobre “o pote” e procuraram passar uma ideia simples: se o PSD vencer vai “atacar” os lugares. Tal como foi feito na anterior legislatura pelo governo cessante. A primeira marca de diferença, de mudança, já está a ser colocada em prática e foi isso que Marco António quis deixar bem claro aos militantes do Porto.

 

Ler o resto AQUI

Assunções precipitadas.

Acabo de ler, via Cinco Dias, que um grupo de feministas do qual eu nunca na vida tinha ouvido falar, chamado UMAR, veio fazer um longo discurso laudátorio sobre a eleição de Assunção Esteves ao cargo de Presidente da Assembleia da República (para o cargo pode dizer-se presidente, para a titular é que não, pelos vistos, dizem os linguistas da praça).
O texto que começa com a pomposa arenga «UM SÉCULO PARA QUE UMA MULHER CHEGASSE A PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA» seria inofensivo e até engraçado se não fosse de uma ignorância atroz. As senhoras chegam efectivamente a comparar tão solene ocasião com o «do voto pioneiro de Carolina Beatriz Ângelo».
Não vou perder tempo a explicar a estas cabecinhas toldadas pela ignorância corporativista e ideológica que o que voto de Carolina Beatriz Ângelo significou, que foi o mesmo que nada, dado que a mulher até 1974 foi sempre tratada como menor, quase mentecapta, pela república portuguesa. Aliás, até os animais ganharam mais direitos depois de 1910, do que a mulher (excepção feita à mulher de Afonso Costa, claro).
Mas o mais ridículo é aplaudirem uma eleição que, de acordo, com a cartilha republicana é tudo menos democrática. Para além de ter sido a segunda escolha, depois de Nobre, Assunção Esteves apesar de se tornar a 2.º figura de Estado a nível protocolar, não passa de uma individualidade apagada cujo estatuto é semelhante ao de uma secretária de direcção, lugar outrora ocupado por senhoras de saia abaixo do joelho, óculos e muita moral. E não foi eleita directamente pelos cidadãos!
Bom mesmo seria que uma portuguesa tivesse alcançado o lugar da presidência da República. Mas isso,como sabemos, não depende de nós. Depende deles, do regime, dos políticos e dos partidos. E enquanto eles não quiserem, a democracia não funciona. É assim desde 1910. E tão cedo não muda.

Rui Tavares, devolve-me o voto pá

No dia das últimas eleições europeias fui votar propositadamente perto das 19h – deu-me para achar que a essa hora o Miguel Portas estaria mais que eleito, e fazia questão em votar mesmo na Marisa Matias.

Umas horas depois descobri que tinha votado no Rui Tavares, o que pesem diferenças ideológicas muito me alegrou. Um historiador é um historiador, e a minha costela libertária não é amputável.

Serve este intróito disparatado para dizer ao Rui Tavares que sou muito ecologista, desde 1973 e com episódios de militância, mas não votei nem queria votar nos Verdes. Nada de especial contra a social-democracia de inspiração pacifista germânica, mas não é o meu voto. Lamentei a seu tempo que em Portugal essa corrente não tenha sido criada, e posteriormente tenha sido sequestrada, até tenho uma micro-culpa no cartório de que já me tentei penitenciar, e chega. Se alguém quiser ir a correr atrás do prejuízo e fundar um Partido Verde pode contar com a minha assinatura, não com o meu voto.

Temos assim, Rui Tavares, que me gamaste o voto. E para quem conheça minimamente Cohn-Bendit, que tem tanto de distraído como de desbocado, é claro que já tinhas pensado nisso muito antes da desculpa que agora arranjaste, favor que de resto deverias agradecer ao Francisco Louçã. Já me tinham ido à carteira, à conta bancária, aos bolsos, ao voto é a primeira vez, e não gostei.

Avenida à Rasca 193

Estreia já no dia 1 de Julho, no Palácio de Laguares, Rua Professor Sousa da Câmara nº156, em Campolide, Lisboa.

Para mais informações:

Culturona – Fábrica de Comunicação

Feira da Arte do Desenrasca

Villas-Boas Facts*

. Mini-Mourinho? Bota Mini nisso.

. Não te preocupes com o desafio do Chelsea, André. Daqui a 2 anos estás a treinar o Besiktas.

. André Villas-Boas está, agora sim, na sua cadeira de sonho.

. André Villas-Boas é adepto do Chelsea desde pequenino.

. André Villas-Boas ficará no Chelsea enquanto o quiserem e, se possível, até ao fim da carreira.

. Junho de 2041. André Villas-Boas termina a carreira de treinador de futebol com um palmarés notável: 1 título de Campeão Nacional de Portugal, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça de Portugal e 1 Liga Europa.

. Um contrato de 25 milhões de euros para D. Luis André de Pina Cabral e Villas-Boas. Desde 1820 que nenhum membro da Nobreza conseguia um contrato semelhante.

. Chelsea? Está provado que D. André Villas-Boas tem mesmo sangue azul.

. Antes de aceitar o convite do Chelsea, André Villas-Boas foi confessar-se ao Papa.

. André Villas-Boas sentou-se um dia na sua cadeira de sonho. O problema é que essa cadeira não aceita a merda de qualquer um.

. O dinheiro com que André Villas-Boas vai ser pago provém de meios profundamente legais.

. «Estou na minha cadeira de sonho. Sou portista desde pequenino. Ficarei no FC Porto enquanto quiserem». Maior do que a língua de André Villas-Boas, só mesmo o seu nariz (de mentiroso).

. André Villas-Boas foi há um mês a Londres, mas só foi passear. Ver o Big-Ben.

. Quando André Villas-Boas foi passear a Londres, nem lhe passava pela cabeça sair da sua cadeira de sonho.

*Com um agradecimento muito especial ao Paulo Querido.

Os caminhos do Senhor

O caso ocorreu recen-temente em Valpaços e foi notícia de destaque na imprensa nacional. Um padre católico recusou a comunhão a uma paroquiana, adolescente de 16 anos, argumentando com a “indecência” do decote que, ao que parece, nem era tão ousado quanto vislumbraram os olhos gulosos do abade. Ora, a teologia ensina-nos “que nunca o sacerdote deve arredar um só momento o seu espírito da contemplação de Deus e da meditação da Graça”. Não foi o que aconteceu neste caso. O olhar concupiscente do reverendo ter-se-á, ainda que por momentos, desviado do “corpo de Cristo” para se extasiar, libidinosamente, perante os seios disparados da adolescente. Pecando por pensamentos, o abade cedeu à sedução satanífera e vai daí decidiu logo ali recusar à jovem a recepção da Graça! [Read more…]

O exame de Matemática do 9.º Ano

Diz quem sabe que foi muito fácil. Eu não, que olho para aquilo dos senos e dos co-senos e é como se estivesse um boi a olhar para um palácio. Melhor vigilante do que eu não podiam ter encontrado.
Tirando isso, o trabalho de vigilante dos Exames Nacionais deve ser o mais chato do mundo. Durante duas horas e meia, que nalguns casos podem ser três horas e meia, não se pode fazer rigorosamente nada. Nem ler, nem escrever, nem falar, nem olhar para o telemóvel. Nada.
Apenas, e só, olhar para os alunos que estão a fazer o exame. Sentados (ou nem isso). Em pé. Andando de um lado para o outro a ver se os minutos passam mais depressa. De novo sentados. De novo em pé.
E quando um aluno pede que lhe cheguemos a sua garrafa de água (não a pode ter à sua beira porque podia fazer copianço no rótulo…), ou quando pede mais uma folha, é um momento tão emocionante que não queiram imaginar!

Para os que quiserem saber

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Venho por este meio divulgar que a informação que me foi fornecida e que mencionei neste post, estava certa. Há uma nova biografia do Felipe, e é do Geoffrey Parker. E tem 1500 páginas. E para abrir o apetite umas citações de Parker:

  “Entre las novedades, Parker destaca que los documentos en los que se observa cómo Felipe II a los 14 años escribía y “destrozaba” los libros que heredó y que ahora alberga El Escorial o las cartas de amor que le escribió a Isabel de Tudor en 1559.– Se vocês soubessem a minha histeria quando li esta parte das cartas de amor. Até dei três saltinhos. Eu tenho mesmo que comprar isto. 

Adentrándose en su personalidad, Parker resalta su comportamiento “obsesivo compulsivo” que incluye excesivo control emocional, austeridad, terquedad, insensibilidad y cierta astucia maligna que contrasta con las cartas que enviaba a sus hijos donde se mostraba lleno de afecto y de amor e incluso se permitía hacer ciertas bromas”. – 

(…) En este sentido, explica que Felipe había recibido una “herencia problemática” sin lengua, moneda, leyes o instituciones comunes y aún así estuvo cerca de alcanzar el éxito en sus numerosas empresas.

   Sobre los puntos oscuros de su reinado, Parker cita las muertes del príncipe Don Carlos, uno de los puntales de su leyenda negra, y de su secretario, Escobedo. Sobre la muerte de Don Carlos, Felipe II nunca dio una explicación detallada de lo sucedido. En cuanto a Escobedo, su asesinato fue organizado por Antonio Pérez con el consentimiento de Felipe II [Read more…]

Médicos mortos passam receitas a clientes falecidos

“Desde que morri, com a medicação que o meu finado médico me tem receitado, nunca mais tive dores.” – disse um falecido utente que preferiu manter o anonimato. “Fraude? Podem processar-me, mas não acredito que o tribunal me condene” – acrescentou.

Fundamentalismo religioso na Irlanda

Vá lá, digam outra vez que a intolerância religiosa só acontece nos países muçulmanos e no terceiro-mundo.

Um Parlamento mais nobre

 
Foto da “Visão”

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República.

Não por ser mulher, mas por ser a mulher que é.

Não adiro à lógica de que fica bem eleger mulheres para certos cargos ou para quebrar tradições. As escolhas devem ser por mérito, e não por género. Acho mesmo que é de um paternalismo sexista sem sentido a existência de quotas para mulheres em órgãos políticos, da mesma forma que é idiota nas fotografias oficiais as mulheres terem de ficar no centro do grupo, como se precisassem de amparo.

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves pela deputada que sempre foi. Por ser alguém com princípios, valores e – coisa também cada vez mais rara – ideias próprias, como demonstra a sua conduta política. Só em segundo lugar é que me apraz saber que é a primeira mulher a presidir à casa da democracia, porque prefiro o mérito ao género, pois que é assim que se consolida a nobreza das instituições.

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