Tens alguma razão, Pedro. Às vezes, são os documentos que provam muito do que se quer provar. E se é verdade que, à data da publicação do Ajuste Directo o Secretário de Estado era desde há 7 meses Elísio Summavielle, a verdade é que o contrato foi assinado antes, ou seja, a decisão política – que é aquela que interessa – não foi dele. Assim, o reconhecimento do erro implica um pedido de desculpas aos dois que, embora tardio, vem ainda a tempo.
Seja como for, toda esta questão levanta um problema cuja gravidade poderá ser ainda maior do que aquela que eu levantei com o post inicial – ninguém negou que Elísio Summavielle deverá ser o Director-Geral do Património nomeado por Francisco José Viegas, nem sequer o próprio Summavielle.
E é grave porque se trata de uma nomeação completamente despropositada. Para além de ser reconhecidamente incompetente, como o considera a generalidade dos agentes ligados ao Património português, estamos em presença de alguém que foi Secretário de Estado de um Governo cuja política para o sector é completamente oposta à que este Governo preconiza.
Segundo Francisco Sande Lemos, a verdadeira razão para a nomeação [Read more…]
A Ler:
Numa altura em que tanto se fala sobre maçonaria. Numa altura em que tantos falam sobre maçonaria. Nada como ler uma entrevista do Prof. Adelino Maltez:
À procura do sorriso perdido
Não é preciso conhecer nenhum estudo científico para chegar à conclusão que os portugueses sorriem cada vez menos.” A situação económica e social potenciou a inibição da expressão (…) O sorriso é uma reação que advém de se viver com bem-estar e felicidade” – isso já sabemos. Apenas as crianças “continuam a apresentar mais frequentemente um sorriso largo” . As crianças não vêem as notícias e também não as querem ouvir na rádio – pedem música. Na televisão, passam os bonecos…
Lêem e vêem o que querem.
Se calhar é isso que devemos começar a fazer também, nós os adultos! Selecionar o que vemos, lemos e ouvimos, para bem da nossa saúde mental.
E há tanta coisa boa e bonita para ver/ler/ouvir.
Blogues, uma década depois, continuam vivos e recomendam-se
Uma década depois do boom, que é feito dos blogues?, pergunta o Público, para acrescentar a seguir
Uma década depois do boom, o blogue não morreu, mas perdeu mediatismo
Não é esse o caso do Aventar, nem de outros blogues portugueses. No nosso caso, e desde o início do blogue, o número de leitores e de visitas tem vindo sempre a aumentar e ainda não estabilizou. As notícias sobre a nossa morte, enfermidade, letargia ou o que seja são, uma vez mais, claramente exageradas. Mas nem sequer é verdade o que afirma o artigo sobre um certo adormecimento da blogosfera. Se, em vez de fazerem perguntas a “históricos dinossauricos”, tivessem consultado a lista do concurso Blogues do Ano 2011, chegariam à conclusão que os blogues continuam vivos. E estão melhores hoje do que no início.
Tirem os cilícios do armário e depois falamos dos maçons
Quando vejo meio-mundo a bater na maçonaria fico logo de pé atrás: historicamente isso costuma coincidir com tempos em que logo a seguir me vêm bater à porta.
Não sendo hoje a maçonaria o que já foi, sempre a instituição esteve do lado da liberdade, sobretudo no séc XIX, por muito que isso custe ao romancista Vasco Pulido Valente. E se acho a coisa hoje em dia patusca, a sua existência é o lado para onde durmo melhor.
É curioso que tendo o assunto vindo à baila de uma forma que belisca o governo veja tantos dos seus apoiantes numa desmedida e excitada caça ao maçon. Cheira a beato.
Haja aqui moralidade: Opus Dei’s, mostrem as vossas chagas, ou estão de tal forma entretidos na caça ao maçon que se esqueceram de olhar para o espelho em casa? Essa, a obra do franquista Escrivá dá-me pesadelos. Entre os do avental e os do cilício a História honra os primeiros. Os segundos são uma das mais tenebrosas organizações dos nossos dias, com um poder secreto e incomensurável, que faz dela a verdadeira herdeira da santa inquisição. O Herman mostra a diferença:
A Grana, o Coelho no Jardim e o Cavaco Sumiu
Em Portugal tinha a grana e a grana sumiu.
Alguém me traduz para português? O Acordo Ortográfico deixa-me cafuzo.
Hoje dá na net: Aguarde, por favor!
Aguarde, por favor! é uma curta-metragem de Tiago Cravidão filmada no meu bairro com a paciência e mestria de quem faz filigrana. Um bordado de luz e sombras onde se procuraram os recantos e as horas certas. Entre a beleza formal escorre o tempo de uma desempregada:
Os dias organizam-se à volta do correio electrónico, da consulta obsessiva de sítios de emprego, da deriva pela cidade e da ida ao café onde o movimento da rua parece mais lento: altera-se a percepção. Habita-se um tempo que afasta os outros: dos que estão integrados no processo produtivo, que não têm tempo, que estão sempre com pressa, de fugida, que depois dizem alguma coisa, ou que mandam um mail a combinar. (…) E escuta-se: “Passe cá noutra altura.” “Aguarde, por favor!” “Depois entramos em contacto.” “O seu curriculum fica arquivado.” “Agora, não estamos a recrutar.”
União Europeia: A Austeridade Assassina
Jeff Madrick publicou ontem no NYK blog, “The New York Review of Books”, um texto de severa crítica à política de austeridade europeia. Tem o título “How Austerity is Killing Europe”, sendo ilustrado pela imagem aqui reproduzida de um cidadão grego a passar na frente de um ‘graffiti’ em Atenas.
O artigo, embora de incidência sobre teorias económicas, está redigido e estruturado de forma clara, com análises e ideias consistentes. É transversal em relação à UE e à Zona Euro, como áreas da geografia de sistemas económico-financeiros agregados; e sobretudo é implacável para governantes e tecnocratas da governação que, convencidos de obter resultados inversos, executam políticas de assassinato da Europa. Os crimes são de diversa natureza, mas o desfecho é, de facto, empobrecer, torturar e destruir a vida de milhões de cidadãos do Velho Continente. Eis um excerto do 1.º parágrafo do artigo em causa:
A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de dívida florescente, levando a medidas radicais de austeridade, que por sua vez mais enfraquecem as condições económicas e resultam em novas políticas agravadas do governo com cortes prejudiciais nos gastos públicos e alta de impostos.
Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (2 / 2)
Estas pessoas falaram em nome dos seus partidos e em apoio da lei que lhes mereceu unanimidade: Gabriela Canavilhas (PS, autoria), Carlos Zorrinho (PS), João Oliveira (PCP), Teresa Anjinho (CDS-PP), Catarina Martins (BE) e Conceição Pereira (PSD). Tendo recebido unanimidade, também os Verdes a apoiam, só não sei quem foi o porta-voz do disparate.
É uma lei que toma por criminosos quem compre um dispositivo de armazenamento digital. Retribuo o cumprimento:

Portugueses, a bem de Portugal, o melhor é desaparecerem
A obsessão dos actuais ministros com o envio de portugueses para a emigração começa a ganhar foros de política oficial de governo.
Agora foi Miguel Relvas a elogiar a “juventude bem preparada” que emigra. Apenas esta frase seria suficiente para escrever um tratado sobre a realidade nacional, a política de desenvolvimento, o investimento educativo e o desinvestimento no país. De passagem, poderia aflorar-se para a forma desprezível como estes governantes olham os cidadãos que tiveram o azar de nascer em solo doméstico, o esquecimento a que votam os que emigram, o que historicamente acontece aos portugueses que se fixam noutras paragens e seus descendentes (raramente voltam – a descolonização é uma excepção e por circunstâncias de falta de alternativas – e ao fim de duas ou três gerações cortam qualquer relação com a terra dos pais/avós).
Além disso – e eu sei que os tempos andam maus para patriotismos – ouvir de um ministro da república portuguesa que ficou agradado
“com a sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão”
só pode dar uma certeza aos portugueses: morram ou desapareçam, este país só conta convosco lá longe, aqui estão a mais e não fazem falta nenhuma, este governo ou não tem soluções, ou tem coisas mais importantes em que pensar.
São curvas as rectas num final não vazio
Com todo o respeito pelo Camané, da banda sonora do José & Pilar esta é a cantiga que mais gosto: Noiserv, Palco do Tempo. E qualquer coisa me diz que o David Santos podia cantar mais vezes em português, mas ele lá sabe dos seus versos.
Loja Mozart vai abrir espaço no Cascais Shopping
Foi possível apurar que a Loja Mozart irá expandir o seu negócio, no seguimento da fuga recente de muitos dos seus membros, e irá comercializar os seus serviços num espaço arrendado para o efeito no Cascais Shopping.

O negócio principal continuará a consistir na compra e venda de influências, podendo estender-se ao aliciamento de árbitros de futebol e ao desbloqueamento de telemóveis. Efectivamente, Luís Montenegro declarou que “como em todos os negócios, é importante diversificar e a Assembleia da República já se tornou pequena para um negócio desta dimensão. É por isso que vamos, também, comercializar os nossos aventais, pretendendo, com isso, atingir novos targets, como, por exemplo, as donas de casa. Para além disso, estamos a pensar criar um espaço “minimaçom”, para os mais pequeninos, porque acreditamos que a iniciação deve ser feita o mais cedo possível, que estas coisas, quanto mais tarde, pior.”
Segundo algumas fontes, existe, até, a hipótese de vir a ser criado um franchising, para que a Loja venha a abrir em vários centros comerciais. Para mais tarde deverá ficar a implementação de um projecto paralelo no âmbito da restauração, onde serão vendidos pratos típicos da Maçonaria, como a deliciosa Tarte de Maçom.
Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (1.5 / 2)
Já que se tem a fama, que se tenha o proveito.
Hoje dá na net: Miedocracia, o poder do medo
O documentário que se segue é muito recente e foi emitido num canal de televisão espanhol há pouco mais de duas semanas, daí algumas referências à época natalícia. Descontando isso, que funciona como apêndice e “data” o programa, trata-se de um excelente trabalho e desmonta parte parte da situação que actualmente vivemos. Também, de certo modo, desmistifica os “mercados” e a falta de crédito ou de dinheiro. Quer investir? Desde que não seja em actividades produtivas há dinheiro de sobra para apostar na queda económica de Portugal, da Grécia ou até do euro. Mas não só…
Clique para ver a 2ª parte
Parem as rotativas: Zorrinho defende a renegociação da dívida
Até pode ser que esteja enganado, mas pareceu-me ouvir, há pouco, na SIC Notícias, Carlos Zorrinho, num debate com Ângelo Correia, a defender que a dívida deveria ser renegociada, porque a obsessão com o défice pode pôr em causa o tecido produtivo e o tecido social. Se não estou enganado, este é o mesmo Carlos Zorrinho que foi Secretário do Estado do segundo governo – por assim dizer – de Sócrates. A não ser que esteja a incorrer em erro, Sócrates foi o mesmo que acusou Louçã de demagogia, quando este defendeu, no debate para as últimas legislativas, que a dívida deveria ser renegociada. Se for tudo assim como eu estou a dizer, teremos de chegar à conclusão de que Louçã teve razão antes do tempo (ou a tempo) e o PS só consegue ter razão depois do tempo ou quando está na oposição. Corrijam-me, caso esteja enganado, mas este Zorrinho, em se apanhando novamente Secretário de Estado ou Ministro, terá um ataque da maleita conhecida actualmente como vieguismo e passará a defender, convictamente, o contrário do que defendia antes de ter – adoro esta, juro! – “responsabilidades governativas”. Votai neles outra vez, meus filhos, votai.
Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (1/2)
Houve consenso nos partidos com assento parlamentar quanto ao projecto de lei 118/XII, da autoria de Gabriela Canavilhas, sobre o regime jurídico da cópia privada. O Público explica o que é que esta lei significa. E outros desmontam muito bem o erro crasso que ela é:
- Sobre a lei da cópia privada. Carta aberta ao Grupo Parlamentar do PS.
- Para onde vai o dinheiro da Lei da Cópia Privada
- Corrigir o incorrigível – #pl118
- Lei da Cópia Privada
- #PL118 Os pareces “técnicos”
Depois há o grupinho que dará pareceres e, como bem refere a Maria João Nogueira, «não há UMA associação de defesa do consumidor, não há uma associação que represente o Creative Commons, não está ali representado o cidadão eleitor».
Esta é uma lei miserável feita por gente que não sabe o que está a fazer. Assume que todos os que tenham dispositivos de armazenamento digital os usarão para violar a lei e, por isso, devem contribuir para os autores. Ora, de cada vez que guardo uma foto de 5MB na minha Canon devo por isso contribuir para alguém? Mas serei algum ladrão por querer guardar as minhas fotos? Devo eu pagar pelo que outros façam? Já actualmente existe uma chulice de 3% sobre equipamentos, entregue sabe-se lá a quem. Mas não chega, há que cravar mais as unhas afiadas dos impostos nas costas dos contribuintes.
São estes os eleitos? Poupem-me a tanta mediocridade. Incentivo à economia, ó sr.ª Canavilhas? Ganhe juízo.
Heresia
A heresia paga-se cara.
Agora está na berlinda apontar baterias à migração de capitais, e seus benefícios fiscais. É capital de empresas, de famílias. Tudo vai.
Acontece que antes disso, assistimos à campanha de migração dos portugueses, com as sugestões do Secretário de Estado da Juventude e do próprio Primeiro-Ministro.
Talvez fosse tempo de se perceber que quanto mais se fala de emigração aos portugueses, mais dinheiro português se verá também a emigrar e menos capital estrangeiro se terá a imigrar na nossa economia.
Porque num país onde o Governo passa a mensagem do “se queres ganhar a vida, emigra”, é um país que não oferece segurança para manter ou atrair capital.
Isso mesmo: o sagrado capital, que é deus convosco, na unidade do lucro santo!
A ancestral e monumental mentira
O ateísmo é uma mundividência filosófica, ética e livre, perfeitamente legítima. Não é uma crença nem coisa que para lá caminhe. O ateísmo é uma forma de vida e de pensamento que decorre do desenvolvimento da razão, da inteligência, do conhecimento e da ciência cada vez mais difícil de contestar. Estas as maiores riquezas do ser humano. O ateísmo não é uma verdade absoluta, não é um radicalismo preso às malhas da incoerência, é uma postura mental desenvolvida na verdade científica, uma verdade como qualquer outra, e, como tal, legítima e respeitável. [Read more…]
KIT ESPIÃO, um utensílio completo
Estou a pensar lançar no(s) mercado(s) uma promoção que, entre outras coisas, lhe assegurará, caro leitor, várias promoções e uma verdadeira carreira.
Esqueça os filmes do 007 e os romances policiais de Graham Greene, esqueça as pistolas, os tiros, as perseguições nocturnas, a vida sempre em risco. O Kit Espião Séc. XXI é, na verdade, muito simples, mas completo. Um telemóvel, vários cartões com números diversos para despistar escutas, uma boa agenda de contactos bem colocados, uma lista de devedores de favores, material de chantagem em suportes variados, um avental para certos rituais, um martelinho, um triângulo e uma cadeira de executivo pronta para instalar em gabinetes que passará a chefiar. O preço? É secreto, mas muito compensador.
A Ditadura de Pinochet
Leio no Público de hoje que o Presidente Piñera quer fazer aprovar um novo regulamento para eliminar a palavra «ditadura» das referências ao período entre 1973 e 1990 ( governo de Pinochet) e substituí-la por «regime militar» nos manuais escolares.
O general com “mão de ferro” , que depôs Salvador Allende (tio da escritora Isabel Allende e pai da senadora com o mesmo nome!), instaurou “um regime de brutal repressão política”. Veio a descobrir-se o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas e a prisão ilegal e tortura de 37 mil.
Lembrei-me imediatamente de Luis Sepúlveda, que conta em A Lâmpada de Aladino (2008), as atrocidades levadas a cabo por militares chilenos “a homens de talento” amigos do escritor, durante a ditadura de Pinochet. Vale a pena reler: ” O Siete era um jornalista chileno, desenhador talentoso além de fotógrafo, a quem um militar chileno tentou decepar a mão direita (…). O militar, uma besta (…) odiava, como todos os militares, as mãos dos homens de talento. Por essa mesma razão, antes de assassinar Víctor Jara [16/9/1973], outro (…) lhe cortou as mãos, atirando-lhe depois uma guitarra para que tocasse. Também ao maravilhoso pianista argentino Miguel Ángel Estrella tentaram cortar as mãos numa prisão uruguaia, mas o querido Chango continua a tocar. (…) [O Siete ] Com sete dedos apenas, a sua paixão pelo desenho transformou-se em mais do que uma necessidade, transformou-se num desafio. Aprendeu a segurar o lápis entre o polegar e o mindinho direitos e, entre outras obras de arte, falsificou durante anos os melhores passaportes e vistos de que precisávamos para sobreviver no exílio”.
Histórias que não se podem esquecer, antes contá-las aos mais novos e reavivá-las aos mais velhos.
Existe sempre uma primeira vez…
Um blog colectivo é mesmo assim. Um considera que é preto, outro considera que é branco e alguns pensam que é cinzento. Como sempre defendi e continuo a defender a liberdade de opinião, fico feliz ao ver esta diversidade no Aventar.
Essa mesma liberdade que me faz discordar, profundamente, do Ricardo. Não conheço Elídio Summavielle de lado nenhum. Li o seu esclarecimento, li o que o Carlos Osório publicou e li o que o Ricardo escreveu. Fiz perguntas e tentei informar-me.
Por isso mesmo, em meu nome pessoal, as minhas desculpas ao visado. Aliás, aos dois visados. Um pedido meu. Por entender que o devo fazer. Não escrevi o texto em causa. Não acusei nem deixei de acusar nenhum dos visados. Só que, também pertenço ao blogue e, enquanto tal, tenho a minha quota de responsabilidade, a saber, 1/30. É por isso que o faço.
Nunca antes, que me lembre, tive de “contrariar” um colega de blogue. Nunca antes, tive de publicamente discordar em algo tão sério como ofensa à honra e o bom nome de alguém, fruto de um post de um colega de blog. É a primeira vez. Fico triste.















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