Lobby das renováveis: 1 – consumidores: 0

Henrique Gomes, que será substituído por Artur Trindade, director do serviço de custos e proveitos da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), encontrava-se há vários meses sob fogo cerrado, com a promessa de revisão dos subsídios pagos à indústria eléctrica, nomeadamente às empresas de energia eólica e à cogeração e com a EDP no alvo.

Leia mais no Público para perceber porque tem aumentado a sua factura da EDP

Alargamento é o ovo de colombo

Ufa! Estou mais tranquilo agora. Afinal Portugal e a Grécia se descerem de divisão… Ufa… Está resolvido!

A doce vertigem do eufemismo agressivo

A linguagem dos políticos (e a de Cavaco Silva) é feita de pormenores saborosos para o hermeneuta cínico em que me tornei. Na esteira da “abstenção violenta” enunciada pelo jovem idoso António José Seguro, venho propor a noção de “eufemismo agressivo”, em que se enquadram os ataques que os políticos portugueses (e Cavaco Silva) fazem uns aos outros. No fundo, não chegam a ser ataques, são pequenos empurrões carregados de um mal disfarçado erotismo.

Cavaco Silva, talvez por não ser um político, é bastante desajeitado no uso do eufemismo agressivo. Na verdade, ao querer pôr fim à situação que criou, aconselhando as pessoas a ler o prefácio do seu último livro na íntegra, acusa-as implicitamente, de serem estúpidas. Depreende-se que, uma vez lido o prefácio, deixará de haver razões para a polémica existente. Se é assim, prefiro não ler.

Nas declarações de Cavaco surge, ainda, um eufemismo agressivo que um político não desdenharia utilizar: “falta de lealdade institucional”. O eufemismo – neste caso, o supérfluo – está no adjectivo: o que interessa, evidentemente, é a deslealdade, atitude feia, seja institucional ou não. Estão criadas as condições para que um político mais arrebatado chame a “cabrão institucional” a um adversário político, sem que isso possa ser considerado sequer polémico.

Também delicioso, pelo seu treino na diplomacia, é Luís Amado, que usa a habitual argumentação em defesa da paz podre, sempre em nome da “coesão nacional” e desejando “amplos consensos”, mas nada disso se compara à doçura de qualificar a acusação de Cavaco como “relativamente injusta”, apertando o lóbulo da orelha presidencial e atingindo, ao mesmo tempo, as partes baixas de Sócrates, o que demonstra conhecimentos de artes marciais.

Já Vital Moreira, que não pode sentir o filósofo parisiense em perigo, é um impotente do eufemismo e, puxando dos seus galões de constitucionalista, dispara, sanguíneo, que o primeiro-ministro pode informar o Presidente quando quiser e que não pode estar sempre a dar conta de tudo o que se passa na governação, igualando a compra de agrafos à imposição de um PEC.

Em conclusão, e diante desta opereta, poderei dizer, à maneira de Cavaco Silva (ou de um político), que a política portuguesa é uma merda institucional.

Um desenho escolar, sem parque de estacionamento

Parece que Nuno Crato mentiu, inflacionando, os desvios financeiros da Parque Escolar. Irrelevante: depois de Maria de Lurdes Rodrigues e sucessora um ministro da educação que não minta até podia ser demitido do cargo. Não se tornou tradição: faz parte da função.

Quanto ao essencial da coisa parque escolar a essência nem são os desvios e a forma esquisita como foram distribuídas as empreitadas e escolhidos os arquitectos, mais trafulhice menos trafulhice isso é rotina. Quando se passa a propriedade das escolas portuguesas para uma empresa pública há um único é óbvio objectivo: privatizar, tal como se pretendia com as estradas.

O plano de Maria de Lurdes Rodrigues sempre foi esse: um modelo de gestão empresarial, uma classe profissional domesticada e barata, uma primeira experiência de municipalização e seguia-se a progressiva privatização pura e dura, ou pensam que as câmaras tinham dinheiro para pagar as rendas à PE?

Prova dos nove: o que faz hoje Maria de Lurdes Rodrigues, depois de meio-perdida a batalha? Alguma vez presidirá à FLAD alguém que não veja na empresa e no mercado a religião de todos os dias? [Read more…]

Regras para a escrita e adeus

CANETA%257E1.JPG

Se bem me lembro, são 61 anos que ando no jogo da escrita. Aprendi a escrever bem antes de ir a escola. Devo confessar, no entanto, que a escola nunca fui, foi a escola que apareceu em casa na pessoa de uma professora primária, que ganhava tostões extras por me ensinar. Devo confessar também, que o trabalho não era pesado para ela: aprendi as primeiras letras com os meus progenitores, como narro no meu livro mais recente Memorias de un extranjero extravagante, que escrevi en castelhano chileno. Língua muito semelhante ao luso europeu, onde não há palavras consonantes. A leitura, no colo do meu pai, a escrita, no da mãe, enquanto espreitava os livros que eles liam. Era filho único, até os cinco anos, data na que nasceu a minha irmã que adoro e, a seguir, outros quatro, que pareciam lutar por ser quem aparecia primeiro neste mundo. A distância entre todos eles variava entre 11 meses ou 12.

[Read more…]

Primadonna 2012

Depois de ter visto o vídeo que está a fazer furor mundo fora, Kony 2012, é difícil não pensar em Portugal, onde, à parte a fantástica e fecunda mobilização por Timor, ninguém parece capaz de mobilização para coisa nenhuma que nos sirva, nos ajude e justifique. Cala-se. Come-se. Emigra-se. Morre-se. Mas não deveria ser assim. Qualquer de nós, contribuintes e cidadãos esmagados de Fisco e em dificuldades para viver com o mínimo, gente normal, gente que não seja doente dos cornos passionais, como esse abjecto robot socratista Val-de-Broches, deveria sentir-se literalmente assassinado e rigorosamente envilecido. Porquê? Porque o crime compensa largamente os reles, os sujos, os que estão indiciados por inúmeras irregularidades, no seu curto currículo de responsabilidade política e manobras obscenas. O crime é protegido ao mais alto nível e nada acontece a quem possui um rasto espesso de corrupção, mas se mantém no seu reduto de invulnerabilidade e ainda se dá ao luxo de conspirar à distância contra os interesses nacionais.  [Read more…]

Soltem as guitarras, rasguem os tambores, o José Braga foi ouvir música para o inferno

Um dos homens mais cultos com quem me cruzei na vida. Da Cultura Clássica à música dos territórios mais inóspitos, o José Braga espalhava a sua biblioteca e sobretudo uma discoteca que ninguém mais tem pelos encontros por mais fugazes que fossem. Estivesse estacionado na velha discoteca Almedina, ou no meio da rua, se há gajo com quem sempre aprendi alguma coisa porque incapaz de se ficar por um olá e segurando-nos sempre na cereja das palavras, nunca se conseguia ter pressa quando se encontrava o Dr. No da Rádio Livre Internacional, ou o homem que na RUC bateu todos os recordes sem ir para o Guiness, o melhor de todos nós. Em Lisboa terias sido outra coisa, em Coimbra foste sempre nosso. Até já Zé, fica esta dos Auktion, o último grupo que me deste a saborear quando ainda andavas com paciência para o facebook. Guarda uma garrafa de Jack Daniels aí em baixo, hei-de ir virá-la contigo, mas foda-se, tu que sempre foste um homem sem pressas podias ter esperado um bocadinho.

Actualização: há coisas do homem-rádio aqui: Ruínas Circulares

Parque Escolar: tanto por saber

A revolução levada a cabo pela Parque Escolar teve intuitos meramente eleitoralistas, uma vez que a Educação nunca foi uma prioridade de José Sócrates. Reconstruir escolas constituiu, para o actual exilado parisiense, uma ocasião de inaugurar, mostrando obra.

A avaliação completa do impacte de toda essa revolução continua por fazer e deverá incluir referências ao aumento brutal dos gastos energéticos graças a opções delirantes, como as de criar salas sem luz natural, para além do recurso a materiais importados mais caros do que outros de qualidade similar produzidos em Portugal ou a aquisição de equipamentos cuja manutenção poderá estar além dor orçamentos depauperados das escolas.

A reflexão sobre todo este processo não pode, evidentemente, descurar a importância do investimento público e, sobretudo, a necessidade de que os edifícios escolares estejam em condições, no mínimo, dignas, o que não é o mesmo que dizer que era fundamental transformar tantas e tantas escolas em estaleiros, que serviram, muitas vezes, para que arquitectos ignorantes impusessem projectos irrealistas, ao arrepio dos pareceres de quem conhece o terreno, prática habitual.

No entanto, se o processo da Parque Escolar, tal como foi conduzido por Sócrates, constituiu um disparate, a iminente extinção da empresa não deveria significar o fim das obras nas muitas escolas em que elas são necessárias.

Portugal, no entanto, é um caso de bipolaridade governativa, em que, por ausência de planeamento ou por opções ideológicas, se faz a mais ou a menos, fugindo-se, sempre, à medida justa.

Daniel Oliveira, advogado da Parque Escolar, contraria aqui os números apresentados por Nuno Crato, a propósito da auditoria da Inspecção Geral de Finanças. A ser verdade o que diz o primeiro, por tendencioso que seja, continuamos perante um derrapagem orçamental, o que é grave, e é igualmente grave que o Ministro da Educação se possa ter enganado tanto nos valores dessa derrapagem.

Os interessados em ler as conclusões da auditoria podem fazê-lo aqui.

Há um ano, voltou a fazer-se História na Praça da Batalha


Completa-se hoje um ano sobre o histórico 12 de Março da Geração à Rasca.
No Porto, se bem se lembram, o 12 de Março foi celebrado na Praça da Batalha, palco histórico de outras lutas e outros protagonistas. Ali, há 121 anos, no dia 31 de Janeiro de 1891, os revoltosos republicanos tentaram ocupar os Correios e o Telégrafo, que ali se encontravam, para informar o país da vitória da República. Barrados na actual rua 31 de Janeiro pelas tropas fiéis ao rei, foram dizimados. 120 anos depois, voltou a fazer-se história na Praça da Batalha.
Um ano depois, o que ficou dessa luta? Infelizmente, prefiro não responder.

Vamos à próxima?

Escolhi este vídeo, entre tantos bem profissionais e de grande qualidade, para assinalar o 12 de março de 2011.

Porque é uma simples captação de imagem, se calhar com um telemóvel,  feita no meio da multidão. O 12 de março foi assim, sem profissionalismos, com instrumentos de comunicação muito primitivos (mesmo dentro das redes sociais a coisa foi um bocado naive), onde uma multidão de gente que foi dando uma ajudinha espontânea.

Porque apanha os Homens da Luta, cuja vitória no festival das cançonetas foi um ponto fundamental na mobilização, brilhantes e inexcedíveis no aproveitar do tempo de antena para espalhar a notícia. Houve quem desse por isso, já sem tempo de correr atrás do prejuízo. E o 12 de março foi alegria, seja a luta assim enquanto puder ser.

Isto foi o 12 de março. Muito à portuguesa, juntaram-se vários acasos e o povo saiu à rua. Voltará a acontecer? Há agora muito mais motivos para isso. Só faltam os acasos.

PS: fantástica a ideia do Público:  ir buscar como “especialistas” para comentar o 12 de março dois apoiantes do governo de então, no fundo tal como os 1% dos únicos que não foram para a rua. Nesta senda aguardo que Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa sejam entrevistados para uma análise séria e objectiva das equipas adversárias.

Hoje dá na net: Os 39 degraus

Filme realizado por Alfred Hitchcock, em 1935, com Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Mannheim, Peggy Ashcroft and John Laurie. O argumento baseou-se num romance de John Buchan: um homem é injustamente acusado de homicídio e é obrigado a fugir para provar a sua inocência. Um dos primeiros filmes do mestre do suspense, filmado ainda em Inglaterra. Sem legendas. Para além do interesse cinéfilo, é especialmente aconselhado a todos os que queiram deslocar-se ao Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, no Porto: até 24 de Março, está em cena uma comédia baseada no filme.

Lembrar Fukushima um ano depois

fukushima

Fonte: Jornal “Folha de São Paulo”

Completou-se hoje um ano de uma das mais horrendas tragédias humanitárias. Tudo se passou, no nordeste do Japão, com devastadora celeridade: um terramoto, um tsunami e o desastre na ‘central nuclear’ da Tepco – Tokyo Electric Power Company, em Fukushima.

Os mortos e desaparecidos imediatos, estimados em cerca de 19.000, foram hoje lembrados e lamentados por familiares e amigos. Com a solenidade e o estoicismo próprios da cultura japonesa.

Há anos, um cidadão japonês afiançava-me, em Paris, que o conceito ocidental do bem e do mal era estranho à filosofia de vida do seu povo. O lema, para as gentes do seu país, consistia em reagir perante os factos da vida, adversos ou favoráveis, com determinação, coragem e espírito de conquista. Hoje lembrei-me do seu discurso, justamente pelo tipo de resposta das populações atingidas perante a tragédia de Fukushima e outras cidades da região – Rikuzentakata foi a cidade com maior número de vítimas.

Mas atenção!, as contas de mortos e vitimados pelo trágico acontecimento ainda estão longe do fecho. Na opinião de alguns cientistas, a maior radiação recebida por centenas de milhares de cidadãos, a partir de Fukushima, irá causar um aumento na  taxa de cancros, durante as próximas décadas. Serão muitos os atingidos, sendo impossível prever números.

Nuclear? Não obrigado, Srs. Patrick de Barros e Mira Amaral!

Tantas vezes foi o Vilar à fonte que um ficou lá a asa

Tribunal Constitucional confirma condenação por financiamento ilegal ao PS

Actualização, onde estava ©arguido Vilar, passa a ser condenado Vilar.

Memória histórica, hoje é 11 de março

As nacionalizações são saudadas à esquerda e não são contrariadas à direita. O PPD apoio-as, aliás, embora previna que “substituir um capitalismo liberal por um capitalismo de Estado não resolve as contradições com que se debate hoje a sociedade portuguesa

Leia a memória do 11 de março da Joana Lopes

A Nextpower Norte é um bocadinho nossa…

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que conheci o Fernando Moreira de Sá. Foi no primeiro convívio do Aventar, no Machado, um restaurante onde se come e bebe como se não houvesse amanhã e onde ressalta, no menu das sobremesas, a «Cabeça do sr. Pinto da Costa».
Eu e os outros – o Vítor Silva, o Isac Caetano e o Miguel Dias – esperávamos à porta pelo Fernando, que nunca tínhamos visto na vida. Cada homem que entrava era alvo dos nossos comentários. Seria aquele? «Não», disse eu a certa altura, «este não tem cara de blogger». Afinal, era mesmo ele, que ouviu o comentário e veio ter connosco.
Os tempos foram-se passando e o Fernando Moreira de Sá assumiu-se como a alma do Aventar. Aquele que começara por ser apenas um Sinaleiro da Areosa tornara-se numa figura fulcral do blogue, muito mais do que um simples autor de posts. Prova disso mesmo foi o convite que endereçou a todos os autores, em Maio de 2010, para um fim-de-semana na sua casa do Douro, acabadinha de construir. O Aventar esteve lá antes da sua própria família!
Tudo isto para dizer que nunca poderia faltar, ontem, à festa do primeiro aniversário da Nextpower Norte, um spin-off da Nextpower, fundada pelo Rodrigo Moita de Deus em 2010. [Read more…]

O futuro está lá trás

Boas notícias?

Boas notícias seria este governo ter a lucidez de perceber que a escola pública cresceu e ganhou qualidade com um outro modelo de gestão. Não foi com esta coisa estranha, que nem é carne, nem é peixe.

A Escola Pública não precisa de gestores. Precisa, com urgência, de mais pedagogia, de autonomia (que nunca existiu, apesar de ter sido decretada vezes sem conta) e de Democracia!

O Que Fracciona a Deputação Socratesiana

Sabe-se que o grupo parlamentar do PS está apostado na defesa da herança Sócrates a propósito da vergonhosa-insultuosa derrapagem da Parque Escolar, EPE. Mas está dividido no grau e extensão dessa defesa tribal. Como defender um sinal, entre muitos outros, do despesismo e do descontrolo, ainda por cima em contra-ciclo, dos anos socratesianos? Como defender o lastro socratesiano que representa ainda mais dívida, ainda mais derrapagem e infinita insensibilidade objectiva com os contribuintes portugueses, insensibilidade engendrada no mundo à parte, optimístico e fantasista, que o Primadonna Playboy Parisiense criou para si?! Os deputados socialistas, entre os quais o zeloso deputado Paulo Campos e o deputado leal Zorrinho, podem dourar como quiserem a pílula amargosa do Partido Socratesiano, partido descarado, desastrado, trágico, de evidente Desgoverno e Favoritismo: o Primadonna Playboy Parisiense que falte explicar aos portugueses será a seu tempo explicado em teses de vários tomos. Sugere-se-lhes que se poupem à canseira.

Jardins de Portugal

Jardins de portugal

fotografia via a funda são e explicação toponímica

Hoje dá na net: Steamboat Bill, Jr.

Steamboat Bill, Jr. é um clássico mudo de 1928. A estrela é Buster Keaton. O filho frágil de um comandante de um barco a vapor junta-se à tripulação.

Cavaco meteu atestado médico

Será que um Presidente pode meter atestado médico?

Gostava tanto de um dia ligar a telefonia e ouvir esta notícia! Não porque lhe deseje mal. De todo, antes pelo contrário – tenho em muita consideração a saúde dos nossos reformados, que ainda por cima vivem com dificuldades, mas em nome da pátria, abdicam do ordenado e vivem só da reforma.

Acho que seria bom para o país estar uns tempos, sei lá, uns 100 anos, sem as suas infelizes intervenções.

Mas, será que isto pode acontecer? Em breve? E o Professor vai ao médico ou à consulta de recurso? Estou curioso…

Acordo Ortográfico não entrou na ordem jurídica portuguesa

É o que diz este documento assinado por um Juiz. Já tive ocasião de afirmar que as questões jurídicas, face às enormidades linguísticas do AO90, são para mim, leigo em questões de Direito, pouco importantes, mas a verdade é que tudo indica que existem, também, problemas legais que, tal como os linguísticos, continuam sem resposta.

Nada disto é de admirar, num país em que os feudos partidários ou algumas quintas universitárias se dispensam do dever de reflectir e de explicar, preferindo impor, mesmo contra factos e argumentos e, pelos vistos, ao arrepio da legalidade.

De Cavaco a Sócrates, venha o diabo e…

A História do País, sobretudo o Portugal de há 500 anos, não merecia políticos da estirpe de Cavaco e Sócrates; e ainda de todo um exército de funestas figuras que o têm dirigido nas últimas três décadas e meia – a estrondosa maioria, incluindo os que integram o actual governo, está distante de corresponder aos padrões de excelência – excelência, palavra recorrente deles próprios – da História e dos desafios da actualidade.

Parte significativa do povo do País, a determinante na escolha dos políticos que nos têm (des)governado e continuam a (des)governar, merece exactamente os Cavacos, os Guterres, os Sócrates, os Coelhos que têm tido e outros do mesmo grupo genético que, no futuro, a sua escolha elegerá.

Da comunicação social às diferentes vozes que por aí se ouvem, muita gente atingiu o clímax com o prefácio de Cavaco. Problemas de ‘ejaculatio praecox’. Contentam-se e entusiasmam-se com este jogos frívolos até uma dormente exaustão.

De massa cinzenta escassa e fatigada pela ejaculação incontrolada, a dita parcela de gente esquece-se do que está ser confiscado a centenas de milhares de portugueses, incluindo eles próprios, pelo actual governo – excepto se forem trabalhadores da TAP, da CGD e de outros paraísos que o Gaspar – quadro do Banco de Portugal – deixa impunes a cortes salariais.

Em suma, nesta etapa do percurso, pode dizer-se que de Cavaco a Sócrates, venha o diabo e escolha! Sem esquecer os que estão entre ou depois deles.

Outra cavadela, outra minhoca


Muito bem fez o Parlamento quando aprovou o diploma que pune o enriquecimento ilícito. Com os votos do PSD, CDS, PC e BE, a unanimidade apenas foi quebrada pelo PS, alegadamente receoso da possibilidade da “inversão do ónus da prova”. Neste momento, esta posição poderá parecer inusitada, tais são os perigos que o bastante desacreditado regime terá de enfrentar nos tempos mais próximos. Decerto surgirão insinuações, boatos, meias verdades e outros tantos ditos – alguns bem verídicos -, apontando uma tentativa de ocultação. Melhor teria feito o PS em dedicar-se ao aperfeiçoamento do diploma, não o chumbando liminarmente. Em qualquer fila no supermercado, decerto ouvir-se-ão vozes em amenas cavaqueiras, perguntando …“quem querem eles proteger”?
Não é crime ser-se rico ou alguém milagrosamente ainda conseguir bons negócios, sejam estes decorrentes da venda de produtos ou da alienação de propriedades privadas. O que não é aceitável, é a rotineira presença das suspeitas acerca de fortunas que brotaram como folhas de trevo em verdes pastos, sem que se vislumbrem as origens das mesmas. Não provindo quintas, prédios, colecções de arte, jóias e outros benefícios de heranças, então a propriedade deverá encontrar-se limpidamente explicável. Para cúmulo, neste país existe um irresistível apelo ao recurso da colocação de “dinheiros fora de portas”. Será isto a que o PS se quis referir? Quem legitimamente fez fortuna e presta as suas contribuições, nada deverá temer, pois está no seu direito e conforme a lei. O que se torna inverosímil e absolutamente insuportável, é a legitimidade de posses que são escondidas um pouco por todo o mundo, cabendo precisamente este tipo de atitudes, nos pressupostos que o Partido Socialista alega temer, ou seja, a “inversão do ónus de prova”. Não existe qualquer “inversão” se os casos forem transparentes.
Uma vez mais Cavaco Silva actuou de acordo com os desejos do PS. Poderá estar dentro da razão em termos jurídicos, mas politicamente, este envio do diploma ao Tribunal Constitucional vai certamente ser interpretado da pior forma possível. Na situação apertada em que se encontra, o Presidente bem podia ter sido melhor aconselhado, recorrendo aos bons ofícios das dúzias de assessores que flanam em Belém. Politicamente, aqui está outra cavadela onde surge mais uma minhoca.

Sem aeroporto nem TGV, era preciso ganhar a eleição noutro lado

Os custos com a electricidade mais do que triplicaram em muitas das escolas intervencionadas pela Parque Escolar. Na sua resposta ao relatório da auditoria levada a cabo pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), a empresa justificou a situação com as novas regras de eficiência energética, aprovadas em 2006.

No seu relatório, a IGF conclui, contudo, que foram também utilizadas “soluções técnicas com custo ou qualidade excessivos, face à finalidade da obra”. Entre os exemplos apontados figuram a “aplicação de iluminação decorativa”, “utilização exagerada de equipamentos de halogéneo”, “instalação de potências eléctricas demasiado elevadas”, “duplicação de sistemas móveis de audiovisuais”, “dependência excessiva da ventilação mecânica”, e “uso massivo de estores eléctricos”.

Ao nível da construção, foram também utilizados materiais com custo excessivo. [… A IGF] lembra ainda que se registou uma degradação rápida de vários dos materiais utilizados. [Público]

A eficiência energética levar à triplicação dos custos de electricidade é um bocado ineficiente. Mas nós fechamos os olhos perante a areia que nos atiram, não há problema. Tenho ouvido repetidamente falar nas janelas que não foram feitas para abrir. A excessiva ventilação mecânica e a factura eléctrica, mais do que a iluminação decorativa, explicam muito.

Caro e efémero. Mas a tempo de dar obra para a eleição que se avizinhava. E o que importa é ganhar, não é?

PS: Poderá alguém pedir um comentário ao sr. Albino Almeida, que ainda há um ano e picos reagia mais rápido do que a sombra?

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois falamos: Alexandre Soares dos Santos

 “que se acabe com esta mania nacional dos salários dos ricos, dos quadros”, criticou Alexandre Soares dos Santos.

“Temos de ter políticas salariais onde as pessoas que trabalham sintam que o produto deste também vai para elas. Têm de haver políticas de remuneração”, salientou o gestor. in RTP

Alexandre Soares dos Santos, segundo a Forbes, foi o único dos milionários portugueses que o ano passado assistiu ao crescimento da sua fortuna pessoal. A minha sugestão ao cavalheiro para uma experiência de vida fora da zona de conforto, do colinho da empresa que herdou do papá, da papinha do estado que acaba de lhe oferecer uma legislação laboral à medida das grandes superfícies comerciais, refere-se ao nosso salário mínimo nacional, com o holandês não vale, ok?

fotografia Luiz Carvalho

Jean Giraud morreu, mas Giraud e Moebius sentem-se bem

A banda desenhada foi, desde sempre, a par do comboio, um dos meus meios de transporte preferidos. Depois de um estágio na Disney, com a leitura dos Patinhas, em edição brasileira (perfeitamente legível, imagine-se), passei para a escola franco-belga, com o pequeno repórter Tintim e o ainda mais pequeno gaulês Astérix. A pulsão coleccionadora da revista Tintim proporcionou-me, ainda, o conhecimento de outros heróis e de outras escolas.

Habituado ao traço de Hergé ou de E. P. Jacobs, comecei por estranhar Corto Maltese e Blueberry, que, depois do estranhamento, se entranharam. Blueberry ainda por cima, fez parte de uma outra aprendizagem: a de que os índios eram seres humanos e a de que os brancos podiam ser desumanos.

Mais tarde, primeiro através de textos de divulgação publicados na própria revista Tintim e, depois, através da compra milionária de álbuns e revistas estrangeiros, tive ocasião de estranhar outros desenhos e outros heróis. Na revista Métal Hurlant, apareciam mundos desconhecidos, desfigurações espectaculares do traço franco-belga. Um dos autores assinava com o nome de Moebius e criava universos absurdos através de um traço absolutamente límpido.

Pouco tempo depois, descobri que Moebius era, afinal, uma espécie de heterónimo de Giraud, o autor de Blueberry. Sendo um homem das imagens, soube que teve, ainda, passagens pelo cinema e pelos jogos.

Hoje, morreu o cidadão Jean Giraud, criador dos autores Giraud e Moebius. É um bom dia para revisitar o tenente Blueberry e Jerry Cornelius.

Este país é para sardinhas

Mas não é para velhos: Pedro CDS Soares vai meter mais uma cama em cada quarto e assim os lares de terceira idade chegam para todos.

Herberto Helder já nos tinha contado do homem que queria resolver o problema da falta de espaço nos cemitérios enterrando os falecidos na vertical. Mas essa era mesmo ficção.

Vamos Todos Unir o PS

Alguns comentadores iluminados viram no famoso prefácio de Cavaco não um mas o factor de união do PS escaqueirado internamente e deslealíssimo ao “líder” Seguro, criando esta pastilha jornalística peregrina: a de que o ataque cavaquiano feroz ao Primadonna conseguiu unir o partido. Mas deve perguntar-se o que pode unir os Portugueses nesta hora aflitiva, numa união igualmente negativa. A noção de que o PS segundo Sócrates, portanto ele e o resto do gangue, governou segundo uma perspectiva de saque intensivo. É isso que não foge dos olhos agora que os Administradores da Parque Escolar, EPE (entidade pública empresarial), se demitiram, cercados de balanços e contas a indiciar absurdos abomináveis contra os contribuintes, balúrdios inqualificáveis e derrapagens asquerosas, pelo menos para um País com gente a privar-se de tanto, a passar fome [falo por mim que ando há semanas a comer pão com pão, um bife de pão com acompanhamento de pão au molho de pão recesso com entremeada de broa]. Entre alugar espaços em Lisboa na ordem dos 2,5 milhões de euros mensais e derrapagens na ordem dos 447%, lesando o Estado em muitos milhões de euros, a Parque Escolar não hesitou. Nem o diabo.

Professores e sindicatos: pistas para reflexão

O papel dos sindicatos, goste-se ou não, está, em relação ao poder, do outro lado da folha. Já aqui escrevemos sobre o papel destinado aos sindicatos que assinaram o acordo com o MEC – com comportamentos destes é absolutamente natural que os professores, quando se sindicalizam, escolham maioritariamente a FENPROF. Goste-se ou não, é o único sindicato de professores (para simplificar, porque a FENPROF é uma federação de sindicatos regionais).

Agora, as reflexões que têm vindo a ser feitas nos últimos tempos sobre o comportamento da FENPROF fazem algum sentido, nomeadamente porque permitem questionar a própria classe.

Duas ou três ideias para lançar a reflexão:

[Read more…]

(Des)lealdades


Há uns tempos, o Sr. Sampaio afiançava-nos a existência de uma “vida para além do défice”. Pois existe, tratando-se de um exercício de mãos nas mãos e à volta de uma mesa de pé de galo. É este, o odor a morte velha que paira sobre o esquema vigente.
Nos seus tempos, Mário Soares correu o país inteiro, invocando o seu direito à indignação pelas tropelias do seu próprio primeiro-ministro Cavaco Silva com quem aliás colaborou durante o inaugural mandato em Belém. Assim que teve azo, iniciou a guerrilha que culminaria com a feliz tomada de posse de um governo do seu Partido, tal como então declarou a quem o quis ouvir, ou seja, ao país que vê o telejornal.
Seguiu-se Sampaio, naquele vale de lágrimas fáceis que aquiesceram com múltiplas maluquices de primeira apanha, mas convenientemente relegadas para o baú das perdulárias ninharias, pois estava no poder o bonzinho Guterres. Não tugiu nem mugiu pelo descalabro de contas, boys a soldo e todo o tipo de dislates que transformaram Portugal no tal pântano que a alguns propiciou uma pouco airosa saída de cena. Teve de dar posse a um governo dos outros e foi fazendo o seu jogo até ao momento exacto em que decidiu dissolver um Parlamento maioritário e queiram ou não queiram, perfeitamente legítimo. Invocou trapalhadas, erguidas estas à figura de um dificilmente concebível conceito constitucional. Enfim, a partir de todos os choradinhos, fosquinhas e silêncios, criou um precedente que o seu sucessor tardou – mas não falhou – em aproveitar.
Cavaco Silva foi um conhecido colaboracionista estratégico muito pró-socrático. Assim que os 23% de eleitores – não muito menos daqueles que haviam “reeleito” Sampaio – decidiram a sua permanência em Belém, abriu de imediato as hostilidades no discurso de re-empossamento. Houve de tudo, desde intentonas a inventonas que apenas por milagre não fizeram entrar pregos por fechaduras adentro. Já desembaraçado do outro Partido, deu posse aos seus, para logo meditar acerca do seu improvável lugar numa História que dele pouco rezará. Terá o provável sonho de um governo “fora da canalha partidária”, daqueles que a União Europeia tem semeado um pouco por todo o lado. Não gosta do governo de PPC, porque apenas gosta de si mesmo e está a especializar-se no açular da partidocracia que tal como cão enraivecido, ignominiosamente corre atrás da sua própria cauda.
O PS está irritado. Porquê, se agora lhe acontece precisamente aquilo que os seus militantes belenenses um dia fizeram ao PSD?
Parece-vos possível tal coisa em Espanha, no Japão, Austrália ou na Suécia? Pois, gostem ou não gostem, a Monarquia tem certas e bem seguras vantagens.