sem espinhas, no Expresso.
Henrique Raposo espatifa Ronaldo e outros futebolistas ao serviço do carniceiro de Riade
Varela: que esconde a SAD do FCP?
O FC Porto, clube que conheci como pessoa colectiva de bem há mais de sessenta anos, para o qual contribuí de forma desinteressada, ou seja pro bono, durante vários anos, no regresso de Moçambique, onde cumpri serviço militar, criou recentemente um espaço oficial de adeptos, o “maisfcporto“, o qual, pelo facto de ser oficial, pressupõe que aquilo que publica corresponde à verdade; o que não pode ou não deve sair da noite do silêncio manter-se-á aí, sem menção.
Ora, hoje, a meio da manhã, deparei-me com esta publicação no dito espaço:
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De imediato, muitos adeptos, tão revoltados quanto eu, começaram a comentar, protestando com a mentira do post: o nome de Varela, pasme-se, figura no site da Liga como devidamente inscrito…
Tentei também comentar, mas já não fui a tempo, a publicação tinha sido retirada.
Entretanto, alguns pasquins online, páginas brancas de não sei quem nesta coisa dos futebóis, citando OCS, multiplicaram-se a propalar, não sei a mando de quem, que terá havido um problema com o pagamento ao clube argentino donde provém o atleta, razão por que este não enviou atempadamente a documentação necessária à sua inscrição. Inscrição que, como podem ver, continua activa no site da LPFP:
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Para que não restem dúvidas, e para que a SAD possa sair o menos ferida possível de mais este tiro no pé, um desporto em que parece apostada para ser campeã nacional, seria bom um esclarecimento. Exijo-o como portista que, pela sua história, conquistou esse direito.
CDS em vias de extinção? Nuno Melo dá um empurrãozinho

Recorrendo ao populismo mais básico e demagogo, Nuno Melo, o último eurodeputado de um partido que caminha para a extinção, saiu-se com esta.
Segundo o líder do CDS, “a ganância de gente menor tomou conta da esquerda”, porque, no caso espanhol como no português, não será o partido mais votado a governar. Como de resto acontece em toda a Europa há muitos anos. Mas o que sabe Melo sobre a Europa, para lá dos restaurantes que frequenta em Bruxelas?
Claro que o lado mais risível desta intervenção patética reside no desfecho das regionais dos Açores, quando o partido mais votado, o PS, foi afastado do poder por uma coligação parlamentar maioritária que inclui PSD, IL, CH e…o CDS.
Será que Nuno Melo considera que o seu partido não sabe perder com honra?
Será que considera os militantes açorianos do CDS gente menor tomada pela ganância?
Deve ser isso.
RIP, CDS.
O patrão de Cristiano Ronaldo é pior que Vladimir Putin

Em 2022, o regime saudita mandou executar 196. O triplo das execuções em 2021, o sétuplo de 2020. Este é o número oficial, mas organizações como a Amnistia Internacional acreditam que o número seja bem superior, dada a opacidade que caracteriza o regime e a justiça, que não é mais do que a vontade momentânea da família Saud. Ou seja: não existe.
Entre as execuções possíveis, fuzilamento, decapitação e lapidação estão entre os métodos mais usados. A lapidação, ou apedrejamento até à morte, é mais comum entre as mulheres. E estas práticas tendem a ser realizadas em público, porque ao regime totalitário não chega matar estas pessoas. É preciso humilhá-las e manter as restantes aprisionadas no medo de serem as próximas.
Entre os executados, é frequente encontrar menores de idade. E condenações por bruxaria ou associação terrorista, duas tipologias suficientemente ambíguas para condenar qualquer dissidente, ainda que sem motivo. [Read more…]
O Peruca: da Argentina não sopram Buenos Aires
Então parece que dizem que o próximo presidente da Argentina é um boneco que defende o direito a vender órgãos e que não se opõe a que se vendam crianças porque, diz, é um “anarco-capitalista” (conceito interessante, uma vez que o anarquismo rejeita totalmente o capitalismo – ou seja, anarco-capitalismo é uma ideologia que não existe porque os termos são contraditórios em si).
E se isto não parece assustador, quando questionado sobre o que fará com o Ministério da Saúde, da Cultura, do Ambiente ou da Educação, a resposta de “O Peruca” (assim conhecido por ter um penteado que parece saído de uma festa com doses industriais de cocaína), confesso admirador de Donald Trump e Jair Bolsonaro, é: “Afuera”.
A Argentina não está bem. Tempos de crise, como se o guião já não estivesse escrito há mais de um século, são fermento para estes tolinhos alienados de extrema-direita. A Argentina vai ficar pior.

Javier Milei venceu as primárias argentinas.
Fotografia: ALEJANDRO PAGNI / AFP
Almeida Garrett continua disponível
Já que na terra dele o ignoram (lembrei-me logo da “pátria que vos foi ingrata“, de Vieira), aproveite-o Lisboa, depois da nega do 17.º Patriarca.
Meloni e Salvini ao serviço da banca

O governo italiano surpreendeu meio-mundo com o anúncio de um pesado imposto a aplicar aos lucros extraordinários da banca: 40%.
A direita que quer normalizar a extrema logo alertou para o lado esquerdalho da medida, aproveitando para se lançar nas habituais falsas equivalências.
De pouco lhe valeu.
Porque a extrema-direita, ao contrário da esquerda, não recua perante a banca. Opta antes por lhe fazer a vida negra, sem receios de corte de financiamento, que de resto não existe, porque a banca não financia os seus antagonistas.
Já a extrema-direita, em Portugal ou em Itália, recebe generosos donativos da elite financeira. Porque, mais direito humano, menos direito humano, serve os seus interesses. E, depois do puxão de orelhas dos “mercados”, Meloni limitou a medida a apenas 0,1% dos seus activos totais da banca. E puf, mais um rato foi parido.
Fracos com os fortes, fortes com migrantes, com as minorias e com os beneficiários de apoios sociais. No fundo, apenas mais um fantoche do sistema que dizem combater.
Portugal República das Bananas, perdão, dos Abacates
Portugal, uma República das Bananas onde os abacates crescem à grande, até ilegalmente, saqueando a água e depois se lhe chama seca.
É ignóbil um país que permite que os seus cidadãos sejam roubados do bem mais precioso e encolhe os ombros. Isto não é um país, é um luna parque da impunidade.
Looking for sugar man I Shall Be Released
Na semana que passou morreram dois músicos, Sixto Rodriguez (dia 8 de Agosto, com 81 anos) e Robbie Robertson (9 de Agosto , com 80 anos).
Sobre o primeiro há que ver um filme sobre a sua vida, Searching for Sugar Man. Foi tão só uma bandeira anti-apartheid para a juventude da África do Sul no início dos anos 70. Um trovador esquecido durante trinta anos. Uma vida.
Sobre o segundo, dizer que foi o guitarrista da banda de suporte de muitos músicos, tendo-se transformado naquilo que hoje conhecemos por The Band. Ele foi o cimento, por exemplo, do célebre álbum que Bob Dylan gravou, Blonde on Blonde (1966) e o ainda mais célebre The Basement Tapes (gravado na chamada casa The Big Pink) álbum conceptual gravado em 1967, após o acidente de moto de Bob Dylan, mas apenas lançado em 1975.
Robbie Robertson tornou-se o músico (bandas sonoras e arranjos) de Martin Scorsese em muitos filmes.
Claro que todos nos lembramos do filme (e respectivo triplo álbum) The Last Waltz.
Há que ouvir.
Trickle Down Economics- O MITO

Bernie Sanders mostra um quadro lapidar que desmente – para quem ainda não soubesse – todo o paleio com que nos querem enrolar de cada vez que alegam que dar borlas fiscais aos ricos é para o bem de todos nós. Where we are today: The top 10% GETS IT ALL!!
Parafraseando Susana Peralta: “Parafraseando a ministra das Finanças sueca, em entrevista ao PÚBLICO em 2022, é “interessante” e até “fascinante” observar “como os portugueses aceitam isto”.”
O Sérgio

Fotografia retirada do site https://observador.pt
O Sérgio veio de um lar humilde e pobre. O Sérgio aprendeu, desde cedo, que quem nasce no berço de vime tem de trabalhar a partir do berço. O Sérgio foi feirante, depois jogador de futebol.
O Sérgio começou na Académica de Coimbra, de onde é natural. Aos dezasseis anos, o Sérgio foi para o Porto para jogar no FC Porto. No dia seguinte, morreu-lhe o pai. Poucos meses depois, morreu-lhe a mãe. Ainda nem tinha completado a maioridade e o Sérgio já se via sozinho no mundo. Singrou no FC Porto, depois de um empréstimo bem sucedido a um Felgueiras treinado por Jorge Jesus.
Depois, foi para Itália. Naquela altura, o Sérgio era um dos melhores jogadores da Serie A, o melhor campeonato do mundo nos anos 80 e 90. Voltou ao FC Porto já na fase descendente da carreira, passou pelo Standard Liège na Bélgica e acabou na Grécia, no PAOK. Na memória ficarão, para sempre, os três golos marcados à Alemanha no Europeu de 2000. E a sua postura aguerrida e intempestiva.
O Sérgio fez-se, depois, treinador. Começou no Algarve, em Olhão, e foi escalando muros. Voltou à terra-mãe para treinar a Académica, esteve no SC Braga e no Vitória SC e emigrou para França onde fez uma excelente temporada no modesto Nantes. E é então que surge, novamente, o FC Porto. Em 2017 volta à cidade Invicta e ao clube do coração, o que nunca escondeu.
E, quem segue mais vezes o coração do que a razão, não sabendo encontrar o balanço, acaba vítima da sua própria paixão. É o caso do Sérgio.
O Sérgio é um excelente treinador. É, aliás, o melhor treinador português da actualidade. É o único treinador que, no FC Porto do Papa Pinto, conseguiu manter-se mais do que três anos no cargo. E, ao contrário do que transparece dentro das quatro linhas e da opinião generalizada dos rivais, o Sérgio não é um arruaceiro ou mau Ser Humano. Pelo contrário, o Sérgio tem mostrado, fora dos estádios, ser uma pessoa com bom coração, acudindo a diversas causas sem pedir nada em troca. [Read more…]
Salário emocional e eu a ver
Em linguagem deliciosamente pedestre, há quem se queixe de estar a ser fornicado e a ver. O utente desta expressão mostra-se objecto passivo da fornicação e usa o acto como metáfora de prejuízo. Ao mesmo tempo, a dita expressão mostra que a vítima, ainda que ciente do que lhe está a acontecer, não tem poder para impedir que o acto prossiga. Está a ver.
Por estes dias, e comprovando, mais uma vez, a minha vasta ignorância, descobri a existência da expressão “salário emocional”.
Note-se que não me parece descabida a ligação entre salário e emoções. Efectivamente, o salário pode ser causa de várias emoções, desde a alegria festiva até à depressão chorosa. Também neste caso, talvez possamos dizer que não há salário como o primeiro ou que o mesmo salário é eterno enquanto dura. Não me espantaria que o próximo livro de António Damásio tivesse o título O Erro de Marx. Emoção, Salário e Cérebro Humano. [Read more…]
Eu sou SÉRGIO CONCEIÇÃO

Não, não é nenhuma derivação do “je suis” qualquer coisa. Quando digo que sou Sérgio Conceição, digo-o porque me identifico avassaladoramente com o seu carácter, com a sua determinação, com a sua honorabilidade, com a sua empatia pelos outros, etc. E acima de tudo com a sua Educação. Sim, com a sua Educação.
[Read more…]Slava Ukraini, mas só às vezes

“União Europeia já não depende dos combustíveis russos, garante Bruxelas”, leio num rodapé na SIC Notícias.
Ora aqui está um pedaço de notícia interessante e pouco esmiuçado. Aparentemente, não vale mais do que uma nota de rodapé.
É bom que Bruxelas não dependa dos produtos petrolíferos de Moscovo, mas…será que já não consome?
Luciano Barbosa, o já falecido e saudoso vocalista dos Repórter Estrábico diria “consome, consome”. E teria razão. [Read more…]
Antes de serem católicos, são humanos

Fui lendo e ouvindo, aqui e ali, que estes milhares de jovens que vieram ao nosso país para as Jornadas Mundiais da Juventude não são como os outros. Não são como os índios dos festivais de Verão, não são como as hordas de ingleses no Algarve, não são como os hooligans do futebol.
É claro que (também) são.
São muitos, são feitos da mesma matéria que os demais, e, entre tantos milhares, haverá uma larga maioria que por cá passará de forma civilizada. E uma minoria de arruaceiros, como as há nos festivais de Verão, no turismo de massas e nos estádios de futebol. Profissionais ou ocasionais. Antes de serem católicos, são humanos. [Read more…]
Geração criminosa

Tantas vezes me lembro de uma frase da saudosa Fernanda – a aventadora que nos enviava Bilhetes do Canadá e que nunca conheci pessoalmente, mas tanto me marcou. Escreveu-me a Fernanda, num dos emails em que contava coisas do passado, que não se orgulhava da sua geração. Estranhei muito aquela ideia. Primeiro porque o orgulho é um sentimento de que não gosto. E depois porque não me faz sentido identificar-me com uma geração em bloco, na qual, como em tudo o resto, há de tudo.
Mas pensar na nossa geração (ou não), se calhar, é uma questão de idade. E hoje percebo melhor a frase da Fernanda. [Read more…]
De como os professores estão a ser roubados
Isaltino Morais e a censura do bem

A Câmara Municipal de Oeiras, liderada por esse cidadão e político icónico e exemplar que é Isaltino Morais, decidiu censurar este cartaz, violando, assim, a liberdade de expressão de um grupo de cidadãos que se decidiu manifestar desta forma. Com a total legitimidade que o Estado de Direito lhes garante.
Estranhamente, nada ouvi ou li ainda sobre socialismo, Venezuelas ou estalinismos, o que não me pareceu estranho. Isaltino cometeu crimes, pagou por eles na prisão e agora está, como sabemos, reabilitado. Um cidadão exemplar, renascido e reeleito. De maneira que, em princípio, foi censura do bem.
Este acto de censura, contudo, foi uma das coisas mais palermas que vi desde o início das Jornadas Mundiais da Juventude. Porque ao invés de abafar a iniciativa, deu-lhe ainda mais visibilidade, garantindo-lhe a cobertura mediática que não tinha. Uma proeza, considerando que o jornalismo monotemático atingiu, por estes dias, o zénite.
E o que sucede?
Sucede que, terminado o chinfrim, e dado o destaque mediático a um caso que só o era no Twitter, em parte da bolha de Lisboa e pouco mais, a CM de Oeiras restituiu o cartaz. O milagre da reposição da liberdade de expressão. Jesus no comando é isto.
Jesus é fixe
Absolutamente nada me move contra a realização das Jornadas Mundiais da Juventude em Portugal. E digo em Portugal porque o evento pode ser em Lisboa, e de facto é tudo lá, mas boa parte dos concelhos portugueses estiveram a abarrotar de jovens em festa nos últimos dias. O meu, a Trofa, foi um deles. Mas sim, já sabemos que centralismo e tal. Portugal não deixou de ser Portugal por ter cá as JMJ.
Em todo o caso, se é para fazer a festa, sou a favor. E os jovens católicos tem tanto direito de a fazer como os neohipsters do Primavera Sound ou os nómadas digitais da WebSummit.
Chateia-me a parte do investimento público.
Não por existir, mas por ser megalómano e pelas várias camadas de ajustes directos travessos, de São Bento à mais pequena das autarquias. De forma bastante descontrolada e opaca, alertou a Transparência e Integridade, mas que se lixe, porque sempre foi assim e não vai ser agora que vai mudar. Resignemo-nos, como sempre fazemos, que os brandos costumes não se vão perpetuar no tempo sozinhos.
Dizem que o certame traz retorno. E talvez traga. Mas é possível que esse retorno só chegue às mãos de dúzia e meia de suspeitos do costume. A enchente será fora de série, disso não há dúvidas, mas pelos vistos nem a hotelaria de Lisboa está com ocupação máxima. A ver vamos. Fingers crossed.
Mesmo assim, chateia-me também esta irritação desproporcionada com os jovens católicos, que têm andado por aí a fazer a sua festa. Porquê? Fizeram mal a alguém? Andaram a partir tudo em algum lado, tipo putos ingleses em Albufeira? Assaltaram pessoas? Puseram-se ao estouro no meio da rua com outros transeuntes?
Não?
Então deixem-nos celebrar a cena deles em paz e sossego, e se quereis pedir contas a alguém, talvez faça mais sentido pedir aos tipos que adiaram os trabalhos, gastaram mal gasto e usaram o evento para fazer as mesmas maroscas que já fazem durante o resto do ano. Jesus era um tipo fixe, até partiu as bancas aos vendilhões do templo e tudo. E estes miúdos não são responsáveis por escândalos de pedofilia. Já os méritos da má despesa pública, esses, vão todos para a mesma malta que nos deu a Expo98 e o Euro 2004.
Para quem governa o Ministério da Sáude?
A luta dos médicos pela dignidade da sua profissão e em defesa do Serviço Nacional de Saúde tem-se feito sentir de muitas maneiras. Desde logo pelas greves, que começaram em março, e voltaram mesmo durante a JMJ, sempre com adesões muito expressivas, mas também pela surpresa e significado de várias mobilizações. É igualmente visível no chão de cada serviço hospitalar, urgência e centro de saúde, onde cada vez mais médicos se recusam a ultrapassar o limite legal das 150 horas extraordinárias, deixando a nu a evidência de que faltam médicos ao SNS. Face a tudo isto e à unidade da classe em defesa do SNS, face ao baixo valor financeiro que as reivindicações laborais implicam, face ao evidente apoio da generalidade da opinião pública, alguém arrisca adivinhar para quem governa o Ministério da Saúde?
A teoria do eterno retorno e o mexilhão
Em Portugal, não há propriamente organização de grandes eventos, há grandes eventos sem organização. A norma é a derrapagem orçamental ou a feitura em cima do joelho, duas acções tantas vezes relacionadas, especialmente quando os dinheiros públicos estão envolvidos.
Os dinheiros públicos têm, para quem os gere, a grande vantagem de saírem da carteira de muita gente. As dívidas podem ser contraídas hoje e pagas pela gerência seguinte, que, como é costume, irá queixar-se da gerência cessante. Apesar de ser tudo feito em cima do joelho, nunca é o joelho que sofre, é o mexilhão, o molusco que paga sempre as dívidas que não contraiu e cujo salário mal dá para mexilhão.
Sempre que se (des)organiza um grande evento, no entanto, os que criam dívidas em nome do mexilhão garantem sempre que o dito evento, depois das derrapagens e da instabilidade do joelho, irá trazer retorno.
Ele é o retorno em noites de hotelaria, em litros de cerveja, em reservas de mesas, em taxas, em criação de empregos. No papel, as fortunas que se gastam nos grandes eventos são sempre ínfimas quando comparadas com os lucros que virão, o tal retorno, o milagre da multiplicação das notas que foram muitas e regressarão acompanhadas por muitas outras. [Read more…]
Obrigado, Navegadoras!

Fizeram história ao apurar-se para o Mundial, sucumbiram ao peso da inexperiência, mas bateram-se como as melhores entre as melhores e mais não se lhes podia exigir. O empate frente aos EUA, uma das selecções mais poderosas em competição, poderia muito bem ter terminado numa surpreendente vitória, não fosse o poste meter-se no caminho. Não obstante, foram enormes. E deixam em aberto um futuro promissor para a modalidade.
Respeito máximo, Navegadoras. Muito obrigado!
Turismo premium por low-cost…
Lisboa é por estes dias uma cidade cosmopolita, pressionada por elevada procura de turistas que nos visitam e contribuem fortemente para o PIB. São argumentos que todos já ouvimos até à exaustão. Agosto é por excelência o mês de época alta do turismo em Portugal, com os preços mais elevados do ano. O centro histórico de Lisboa, onde se incluem o Marquês de Pombal, Av. da Liberdade e Baixa pombalina, é obviamente incontornável para esta actividade económica. [Read more…]
Dia de Sobrecarga da Terra e terrorismo

Todos os anos abusamos mais do Planeta até ao colapso. Abusamos? Quem é que abusa? Os ricos em primeiro lugar. O 1%, os 10%, os abastados de cada país. Os pobres poderiam gastar mais alguns recursos sem abusarem do Planeta. Especialmente os países do Sul global.
É inadmissível e imoral andarem ricaços em SUVs, topos de gama, iates, resorts e toda essa espécie de supostas luxuosidades a açambarcarem recursos e a produzir CO2 acima do que lhes cabe. E um exército de neoliberais a proclamar que o direito ao luxo é um direito humano. E governos cobardes e vendidos a dar aos ricos direitos e isenções especiais à custa do bem comum e a tudo submeterem a um mercado dominado pelo sector financeiro.
Extinction Rebellion é o nível mínimo de ataque adequado aos terroristas do Planeta e da Vida.
P.S. “Um estudo da Oxfam conclui: um bilionário é tão prejudicial para o clima como um milhão de pessoas” #TaxtheRich
Lagarde: uma opção muito cara

Lagarde de Luxo empobrece poupadores e pensionistas
Eu não faço a mínima ideia qual é o salário de Lagarde e da sua equipa, mas não deve andar longe do meu salário de sonho. E sendo assim, não posso deixar de considerar esse custo como um autêntico desperdício porque tendo em conta o “elevadíssimo” nível de sofisticação técnica que desde sempre demonstrou (demonstraram), saía muito mais barato substituí-la por um simples aparelho. E nem precisava de ser algo como um super-computador ou qualquer coisa com inteligência artificial. Bastava um “spectrum” (para quem não sabe o que é: “googlem”).
Normalmente considera-se a crise de 1980 como a primeira crise inflacionista com semelhanças com aquela que agora vivemos. E qual foi a principal resposta dos supervisores financeiros? A subida das taxas de juro. Isto é, em quase 50 anos, a eficiência e a competência do sistema financeiro, evoluíram zero. O que Lagarde faz, está escrito há muito. Não implica qualquer genialidade ou qualquer brilhantismo particular que a distinga. Então se falarmos de inovação ou de rasgo científico, a única forma de os medir é na proporção inversa da subida das taxas de juro.
O que ela faz, podia ser feito por um pequenito computador onde se introduziram os dados da inflação e em micro-segundos, “pimba”, aparecia no ecrã em letras garrafais e a “bold”: subir as taxas de juro em X pontos percentuais! Podia ou não ser acompanhado do som de uma sirene. Saía muito mais barato e até a irritação que a sirene nos poderia causar era menor que a repugnância que se sente ao ouvir aquele exasperante tom de sobranceria e de condescendência que define a voz de Lagarde.
Pior, esta incompetência, esta pequenez de perspectiva, esta total falta de empatia humana que a definem, não são de agora. Este “robot” caríssimo (mais pela miséria que provoca que, propriamente, pela folha salarial) sempre foi assim. Na altura em que liderava o FMI era exactamente o que é agora. E com o mesmo grau de “erudição”. Crise orçamental, austeridade. Estão a ver o famoso “computadorzito” a trabalhar em vez dela, não estão? Introduzia-se o valor do défice orçamental e, “pimba”, lá aparecia o aviso: austeridade. “Prontos”, tiramos a sirene porque para o caso é algo de supérfluo. E superfluidades são coisas que não condizem com a filosofia de frugalidade que Lagarde apregoa, mas que, curiosamente, não cumpre pessoalmente.
Se o grau de evolução científica que os “sábios” da economia (como Lagarde) demonstram, fosse aplicado a outras áreas, enfim, imaginem. Basta regressar aos anos 80. E talvez consigam perceber o nível de anacronismo que este BCE revela.
Obviamente que a isto, é completamente alheio o “jeitaço” que a inflação dá ao sistema bancário. Porque se em tempos maus, não têm qualquer pejo nem vergonha em nos pedir ajuda, ainda por cima, sob a camuflada ameaça do eventual colapso do sistema, nos tempos de “vacas gordas”, é vê-los a baixar o “spread” para aconchegar os seus Clientes, é vê-los a prescindir da autêntica “ladroagem” que as taxas e taxinhas que criaram, representam ou a subir exponencialmente a remuneração dos depósitos. Não? Não me digam que os bancos não estão a fazer isto? Não pode ser. Isso transformava-os automaticamente em instituições sem qualquer credibilidade, dignidade ou sequer idoneidade. Isso colocava-os imediatamente ao nível de um qualquer “agiota de esquina” que, infelizmente, nestes tempos, pululam por aí. A diferença é que os “bancários” têm “estaminés” mais elaborados, usam gravata e falam sempre de modo (ultra) afectado.
E não. Isto não se resolve com proibições. Como qualquer esquerdista de “bem” que leia estas linhas, irá infalível e raivosamente sugerir. Isto resolve-se com liberdade. Mais liberdade. O mercado reage inevitavelmente. E se a oferta não serve a procura, forçosamente surgirão novas propostas que se adequem às necessidades dos consumidores. Não podem é serem impedidas de existir pelo monopólio do cartel bancário
Serviço público: a lição de demagogia de Miguel Pinto Luz

No rescaldo das eleições espanholas, que tem como desfecho mais provável a repetição do sufrágio, uma boa parte da direita portuguesa viajou no tempo, até 2015, e perdeu-se na boa velha ignorância sobre o funcionamento da democracia representativa. Ou então, influenciada pelos seus novos potenciais parceiros, deixou-se levar pelo populismo mais básico e infantil.
E porque chora essa direita?
Chora porque os seus amigos do PP venceram as eleições, mas não têm uma maioria para governar. Apesar do contributo dos neofranquistas do Vox.
É uma daquelas coisas chatas da democracia representativa: não governa quem fica à frente. Governa quem tem maioria no Parlamento. Porque são deputados que se elegem em Legislativas, não governos.
Aliás, não existe eleição alguma, em Espanha ou Portugal, para eleger um governo. Os governos, cá como lá, são uma emanação da arquitectura parlamentar. Governa quem consegue apoio maioritário para ser investido, no hemiciclo ou nas cortes.
E de pouco interessa, caras pessoas, se existem “pessoas que acham que votam em governos”. Também existem pessoas que acham que podem estacionar em cima do passeio, que o fazem impunemente, mas isso não as livra de levar uma multa. Mesmo que seja a primeira vez. [Read more…]








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