A soma de todos os medos

Aos referendos encenados em Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhia, com vitórias esmagadoras e nada surpreendentes para o Kremlin, ao melhor estilo de qualquer eleição organizada pelo regime de Putin, seguir-se-á o anúncio da anexação destes territórios ucranianos à Federação Russa. Não adianta espernear. Vai mesmo acontecer. E podia ter sido evitado, se não nos tivéssemos alegremente vendido durante 20 anos de lucros fabulosos para os big shots.

A Ucrânia tentará, com total legitimidade, recuperar os territórios sequestrados pelo Adolfo de São Petersburgo. A diferença, que não é um mero detalhe, é que tal tentativa será encarada por Moscovo como um ataque directo à sua soberania e integridade territorial. A partir do momento em que a anexação for anunciada, aqueles territórios passarão a integrar a Federação. E isto muda totalmente as regras do jogo.

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Tudo indica que Vladimir Putin vencerá as Legislativas

em Itália.

Valores europeus

A União Europeia, depois de décadas a apertar a mão a Vladimir Putin porque lhe servia os interesses, decidiu agora apertar a mão a um Putin de marca branca e com bigode.

O que nos vale é que este Putin está do lado do Ocidente e só invade países irrelevantes como a Arménia.

Os tão aclamados “valores europeus” de alguns, são a machadada na soberania de outros.

Fotografia: AFP

A farsa democrática em Bruxelas segue dentro de momentos

Durante 20 anos, Vladimir Putin foi o fornecedor de energia que garantiu o crescimento económico extraordinário que a Alemanha conheceu. Já era o que é hoje, já matava e invadia, já reprimia a oposição e enriquecia a oligarquia, mas o Ocidente não tinha dúvidas: Putin era um dos seus.

Agora que o mesmo Putin já não é um dos nossos, a União Europeia decidiu virar-se para Ilham Aliyev, o seu novo trustworthy energy supplier, que mais não é que um Putin mais pequenito, que governa o Azerbaijão como se fosse o seu quintal. Tem a sua oligarquia, tortura e fuzila opositores, viola direitos humanos, não permite eleições livres, controla a imprensa e promove o nepotismo a ponto de ter sucedido ao pai e de ter a sua própria mulher como vice-presidente do país. E, na falta de ucranianos para massacrar, massacra arménios, malta de quem em princípio ninguém quer saber. Era o que mais faltava, pôr em causa o negócio por causa de meia-dúzia de arménios.

Está de parabéns, a tia Ursula, e a democracia respira de alívio.

O timing de Nancy Pelosi

O timing da visita de Nancy Pelosi a Taiwan não é inocente e ameaça directamente a segurança da população daquele país. De todos os momentos que poderiam ter sido escolhidos pela speaker da câmara dos representantes, Pelosi decidiu escolher o momento de maior tensão mundial desde a guerra nos Balcãs.

Não é inocente e, parece-me, tem mais a ver com política interna norte-americana do que com as aspirações independentistas do povo de Taiwan. Um país que, é bom recordar, os EUA não reconhecem enquanto Estado soberano. E são apenas 13, os Estados que reconhecem. Os EUA chegaram a reconhecer, durante vários anos, mas a globalização, o capitalismo e os renminbis falaram mais alto.

Como sempre falam.

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A Cadeira que tramou Salazar, o Putin português

Foi a 3 de Agosto, do ano da graça de 1968, que o nosso Putin caiu da cadeira e bateu com a cabeça no chão. Foi pena não ter acontecido mais cedo, mas ditador que é ditador é sempre difícil de derrubar, mais ainda quando têm o respaldo da NATO, toda ela liberdade e democracia. Foi preciso vir uma cadeira. A Cadeira! Para sempre grato, Cadeira.

Putin & Cotrim

23 de Fevereiro de 2014: Rússia invade e anexa a Crimeia.

28 de Fevereiro de 2014: Turismo de Portugal, liderado por João Cotrim de Figueiredo, anuncia operação ambiciosa de reforço da promoção de Portugal no mercado russo.

E vocês, também têm saudades dos tempos em que Putin podia invadir e anexar território de estados soberanos sem que isso tivesse impacto nas proveitosas relações comerciais entre o Ocidente e as ditaduras do bem?

Eu não. Mas há muito quem tenha. A Federação Russa, em particular a sua máfia oligarquica, era muito rentável para a aristocracia europeia e americana.

A NATO e a farsa democrática que nos rebentará nas mãos

O ano de 2022 tem sido fértil em tragédias e desilusões, com a invasão da Ucrânia à cabeça, perpetrada por esse antigo investidor de referência do neoliberalismo dirigente, hoje convertido em hitleriano ditador, a quem, ainda assim, continuamos a comprar commodities.

Contudo, do Kremlin nunca esperei democracia. Daí que considere mais preocupante, no que ao nosso modo de vida e à democracia diz respeito, assistir à capitulação da Suécia e da Finlândia, que se ajoelharam e ofereceram a democracia numa bandeja a outro ditador, que só não rosna mais por não se lhe conhecer arsenal nuclear.

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E eu e tu o que é que temos que fazer? Mandar foder o Putin.

Esteve bem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a repudiar o tom e o conteúdo do comunicado da Embaixada Russa em Portugal, que visa Pedro Abrunhosa. Senti-me duplamente representado. E é curioso que o tema da polémica, que se não me falha o Google é de 95, já na altura fazia referência à presença de fascistas em Moscovo, ainda o Adolfo de São Petersburgo estava na sua terra natal:

Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que fazer?
Talvez fo(der)

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“Vladimir Putin: go fuck yourself”

Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que fazer?
Talvez fo(der)

O cheiro a Venezuela logo pela manhã

Andaram décadas a embargar a economia venezuelana, pediram aos “parceiros” europeus que fizessem o mesmo (e Portugal acedeu a tudo, se bem se lembram, era Augusto Santos Silva – hoje presidente da Assembleia da República – Ministro dos Negócios Estrangeiros), condenaram um povo à miséria e à fome, com a conivência da comandita de Maduro, que com isso aumentava a sua política de opressão das massas, tentaram, mais do que uma vez, um Golpe de Estado à lá Operação Condor. E tudo isto sem que a Venezuela tivesse invadido alguém.

Em Portugal, andaram José Sócrates, Pedro Passos Coelho ou Paulo Portas a apertar a mão aos sanguinários políticos venezuelanos, na Venezuela, quando os interesses falavam mais alto; mas, quando voltavam a Portugal, lá vinham os da ‘team’ mocassim e os da ‘team’ ‘portas giratórias’ (dos Mesquitas Nunes aos Chernes) dizer cobras e lagartos do “socialismo” venezuelano… e depois lá iam, outra vez, à Venezuela fechar um qualquer acordo com aqueles sobre quem, em Portugal, diziam “nunca mais!”.

Agora, como virgens arrependidas e inocentes pedintes de mão estendida, querem o petróleo da Venezuela, porque o aliado Putin se virou contra eles, e querem-no a qualquer preço, tanto que, para esses patetas, é um escândalo que seja a Venezuela a impor as suas regras na venda do seu petróleo.

Para quem se acha dono do mundo, dos Putins europeus aos norte-americanos desde sempre putinistas, deve ser um forte revés no ego construído ao longo do último século, ter de implorar de joelhos ao regime venezuelano pela subsistência dos povos norte-americano e europeu. E, confesso, dentro da tragédia, até tem a sua piada. É o inferno de Dante para essa gente.

É bem feita!

Putin tem muito que aprender com Israel

A investigação da ONU, ao atentando que resultou no homicídio da jornalista Shireen Abu Akleh, concluiu que foi o exército israelita quem disparou na direcção de Shireen, Ali Samoudi e dois outros jornalistas no local.

Esta é igualmente a conclusão a que chegaram a Associated Press, o New York Times e a CNN, entre outros. Tratou-se, portanto, de uma execução. De um fuzilamento. De mais um episódio de brutalidade inqualificável, com a chancela do IDF, que passou entre os pingos da chuva.

Putin devia pôr os olhinhos em Israel. É possível oprimir um povo durante décadas, ocupar e anexar o seu território, fuzilar activistas e jornalistas, matar indiscriminadamente e, ainda assim, contar com a submissão dos valores ocidentais à sua agenda. Em bom rigor, se Putin fosse mais obediente, talvez não estivesse na enrascada em que se enfiou. E, com jeitinho, ainda era capaz de ter a Ucrânia debaixo da pata, sem que o Ocidente desse por isso.

Refugiados da Ucrânia que ninguém quer

Já se sabia disto há algumas semanas, mas assobiamos todos para o lado, na esperança que a coisa se resolvesse. E sim, esta situação era mais do que expectável. Por muito que o queiram negar, Portugal tem um problema de racismo e esta situação só o veio confirmar.

Segundo Laurinda Alves, vereadora da CM de Lisboa, estão cerca de 60 refugiados, vindos da Ucrânia, no abrigo temporário da autarquia, porque, afirma a vereadora, “ninguém os quer”.

E porquê?

Porque o tom de pele está no pantone errado.

Nenhum deles é branco.

São sobretudo estudantes de países africanos.
E, muito provavelmente, rezam a um Deus diferente.

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Adesão à UE: a mentira que estamos a vender à Ucrânia

Andamos a vender uma mentira aos ucranianos. A mentira de um sonho europeu que está a anos, décadas de distância, isto se algum dia a Ucrânia reunir as condições necessárias para conseguir a adesão. A menos que a União decida ignorar as regras, o que não é bem o seu estilo. Isto se não considerarmos os resgates da economia italiana, que não se chamam bem resgates. Resgates é para PIGS como Portugal ou Grécia. Para cães grandes do G8 usa-se um eufemismo qualquer que agora não me ocorre.

O processo de adesão, que é longo, tem várias etapas e exige uma série de garantias, não será acelerado, por dramática que seja a situação na Ucrânia. Não será nem pode ser. Porque é contrário às regras europeias, porque abre um precedente perigoso e porque a Ucrânia não está perto de cumprir os necessários requisitos. E ao contrário daquilo que alguns defendem, creio que não teria qualquer impacto prático na invasão em curso. Quanto muito aumentaria a probabilidade de alargar as fronteiras da invasão e transformá-la numa guerra a sério. E aí é que iríamos ver o que é inflação.

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Tiananmen-Ocidente-Kiev

O “incidente” de Tiananmen, eufemismo que o regime chinês usa a propósito deste horrendo episódio, fez ontem 33 anos. Foi um massacre, sobretudo de estudantes, que lutavam pela liberdade e por uma China democrática. Não sabemos quantas pessoas morreram, mas estima-se que possam ter sido alguns milhares.

E o Ocidente, sempre disponível para acudir às aspirações democráticas alheias, o que fez?

Fez o que sabe melhor: assobiou para o lado durante anos, para depois abrir as portas da OMC ao regime, garantindo lucros extraordinários a um punhado de aristocratas do capitalismo, cujo custo foi a destruição da capacidade produtiva de muitos Estados ocidentais, como é o caso do português.

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Em memória de Frédéric Leclerc-Imhoff

Frédéric Leclerc-Imhoff

Era operador de câmera. Tinha 32 anos. Trabalhava para o canal BFM TV. É mais uma das vítimas às mãos da tirania putinista, na Ucrânia. O jornalista francês fazia-se transportar numa caravana humanitária, quando a mesma acabou bombardeada pelo exército russo.

A todos os jornalistas e foto-jornalistas que se encontram a cobrir situações de guerra e que vêem, todos os dias, os seus direitos subjugados às mãos dos imperialismos – silenciados ou mortos -, a minha solidariedade.

Ao Frédéric, um brinde.

Condecorem os estrategas geopolíticos de Vladimir Putin, já!

De forma inteligente e educada, e com o Kremlin enquanto alvo das suas declarações, o presidente finlandês explicou, há dias, o porquê do seu país estar à beira do fim de uma longa tradição de neutralidade, estando já em processo de adesão à NATO:

– Foram vocês que causaram isto.

Compreende-se. Se eu vivesse num país que partilha 1300km de fronteira com a Federação Russa, já teria metido os papéis mais cedo.

Sim, já sei que vou levar com malta a falar dos crimes da NATO. Não os ignoro. Nem vou perder tempo a argumentar porque a complexidade dessa discussão daria para um outro post, ou vários, mas não será este.

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Maria Vieira, incondicionalmente com Putin

Sinto-me na obrigação de elogiar Maria Vieira. Perante o surto de cobrado-hipocrisia na área mais extrema da direita, Vieira é uma lufada de ar fresco de honestidade. Diz ao que vem e quem diz ao que vem não merece castigo.

Duas décadas a financiar a extrema-direita, e é esta a paga que Putin recebe. Mas nem todos são traidores, ou dissimulados, ou sleeper agents. Algumas, como Maria Vieira, não cospem no prato que deu de comer ao projecto ideológico em que o seu partido se insere. Uma Europa de soberanias nacional-fascistas.

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Federação Russa: be careful what you wish for…

Uma hipotética implosão da Federação Russa poderá revelar-se uma catástrofe mundial sem precedentes. A transformação do gigantesco território russo numa manta de repúblicas “independentes” e “populares”, com a proliferação nuclear que daí resultará, multiplica por horrores a hipótese remota, mas não impossível, de um disparo fatal. A julgar pelos senhores da guerra que se seguiriam, como o carniceiro Checheno Ramzan Kadyrov, julgo que não demoraria muito até aparecer alguém a dizer “volta, Putin, estás perdoado”. Bem sei que é uma infâmia, sequer pensar uma coisa destas, mas o Saddam também era uma monstruosa besta e o que se seguiu foi bem pior. Sorte a nossa, as armas de destruição maciça não estavam lá. Acontece que a Federação Russa não é o Iraque e o que para lá não falta são nukes. Be careful what you wish for…

Iraq too, anyway

Com a idade, a memória vai esvanecendo, a verdade vem ao de cima e muitas vezes já estamos por tudo.

Não é? Que o diga George W. Bush neste discurso há uns dias. Até o próprio Bush andou estes anos todos incrédulo, por nunca ter sido julgado pelos crimes de guerra que cometeu.

Ainda sobre o comportamento da escumalha israelita no funeral de Shireen Abu Akleh

Ver estes merdas do IDF à bastonada contra os bravos que tudo fazem para que o caixão de Shireen Abu Akleh não se desfaça no chão, ilustra na perfeição aquilo que é o regime canalha instalado em Telavive: uma cambada de Putins branqueados nas lavandarias da propaganda ocidental.

Viktor Orbán, o ponta-de-lança de Putin para destruir o projecto europeu

True love…

Vyacheslav Volodin, presidente da Duma, fez eco do velho coro fascista do colapso iminente da UE, objectivo que o regime do qual é vassalo tem financiado ao longo dos últimos 20 anos, e encorajou os estados-membros a abandonarem o projecto europeu.

Chamem-me putinista, mas há uma certa sensatez nestas palavras. De facto, países como a Hungria enquadram-se mais numa lógica de República Popular autoproclamada à sombra do Kremlin. Não partilha dos valores fundamentais da União, não-respeita a separação de poderes e não é um regime democrático. Mas não é o único. A Polónia pode ir pelo mesmo caminho.

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Papa Francisco, agente do Kremlin

A direita não morre de amores por Francisco. Alguma odeia-o abertamente. E só não odeia mais, e mais vocalmente, porque a máscara cristã pode cair, o que é sempre chato.

As declarações feitas pelo papa ao Corriere della Sierra, sobre a invasão russa da Ucrânia, têm tudo para o transformar num perigoso neofascista a soldo de Putin, ou num comunista, que, segundo o Ministério da Verdade, é uma e a mesma coisa.

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O IV Reich passa por Estocolmo

O regime russo deu mais um passo em direcção a demência colectiva, lançando uma campanha de demonização da Suécia e do seu povo, que classifica, sem surpresas, de nazi.

Este grau de imbecilidade não surpreende, ou não vivesse eu num país onde alguma esquerda acusa toda a direita de filiação fascista, tal como um significativo sector da direita acusa toda a esquerda de estalinista, para não falar no anedótico PSD, que por estes dias acusou Costa de liderar um regime totalitário. Tolinhos ou aldrabões manipuladores, são todos a mesma merda, cagada no mesmo esgoto propagandístico.

A diferença, claro, é que as declarações russas tendem a preceder “operações militares especiais”, também conhecidas por “desculpa esfarrapada para justificar invasões motivadas pelo controle geopolítico e de recursos naturais”. Depois temos que aturar os líricos a falar sobre a paz, como se fosse possível negociar coisa que se parecesse com um fascista, financiador de outros fascistas, que acusa tudo o que mexe à sua volta de nazi. E ainda há quem se admire com a intenção da Suécia e da Finlândia de abandonar a neutralidade e aderir à NATO. Contra um pulha como Putin, mais vale prevenir – com armamento até aos dentes – do que remediar.

A União Soviética nunca existiu

Tal como certos e determinados camaradas do Partido Comunista da União Soviética foram desaparecendo “misteriosamente”, das fotos e da face da Terra, também Putin, experiente na arte de fazer desaparecer opositores políticos, pretende que a Ucrânia desapareça sem deixar rasto. As acções do Adolfo de São Petersburgo falam por si.

Azar o dele, a prática da lavagem cerebral torna-se menos eficiente do lado de lá das fronteiras russas, pese embora a adesão de vastas regiões do globo à propaganda, que a arrogância eurocêntrica, cheia de si, não consegue vislumbrar ou combater. Uma das traves mestras da sebenta fascista de Putin, é a ideia de que a Ucrânia não existe enquanto país, por resultar do colapso da URSS. Ora, por essa ordem de ideias, também a URSS nunca existiu como país, por resultar do colapso do império czarista. No limite, nenhum país existe, porque as fronteiras estão há séculos em constante mutação. Itália e Espanha seguramente não existem. Alemanha idem. Portugal também não tem grande esperança de existir, na medida em que resultou de um condado atribuído pela coroa de León a Henrique de Borgonha.

O mais triste nesta narrativa da não-existência da Ucrânia nem é a propaganda russa. Propaganda é propaganda, não é para levar a sério. O mais triste é mesmo haver quem viva numa democracia, com acesso livre a fontes informação sem censura, e acredite numa estupidez desta magnitude.

Viktor Orbán, o Salazar de leste a precisar de cair da cadeira

Retirado do About Hungary, um site de propaganda do regime, onde o culto da personalidade de Orbán ultrapassa todos os limites do lambe-cuzismo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó:

At the same time, he continued, the security of Hungary and the Hungarian people is more important to us than anything else. “This is not our war, so we want to stay out of it and we will stay out of it” he wrote, adding that the government is not willing to risk the peace and security of the Hungarian people, “so we will not deliver weapons and we will not vote for energy sanctions” Minister Szijjártó said that on all these issues, the Hungarian people on Sunday expressed a clear opinion and made a clear decision.

No fundo estamos perante uma espécie de salazarismo igualmente servil, que ao invés de se dizer do lado dos Aliados enquanto colabora com os opressores do Eixo, se diz do lado das democracias liberais, apesar de não passar de um emissário de Putin no seio da UE e da NATO. Espero que, tal como Salazar, tenha em breve a oportunidade de declarar luto nacional pela morte de Putin. Podendo também cair de uma cadeira, não se perde nada.

PSD, PS e CDS na rota da espionagem russa

Depois do escândalo em Setúbal, que ocupou o espaço mediático e os feeds das redes sociais durante todo o dia de ontem, pouco se falou sobre as exactas mesmas suspeitas em torno das autarquias de Albufeira, Aveiro e Gondomar. O facto de serem governadas por PSD, PSD/CDS e PS, respectivamente, não terá sido motivo de interesse, como se verificou no caso de Setúbal. E isto diz-nos muito sobre a agenda que norteia este debate, que parece ter mais a ver com a necessidade de manter o cerco ao PCP do que com o apuramento daquilo que realmente se passou ou com o perigo que tal representa para os refugiados ucranianos. Business as usual.

Igor Khashin, a ponta de um imenso icebergue de espionagem russa

Ainda não se sabe tudo, mas já se sabe o suficiente para fazer soar todos os alarmes. Aliás, já se sabia há um par de semanas, após uma entrevista de Inna Ohnivets à CNN, que passou algo despercebida: Igor Khashin, o homem do momento, ainda que pelas piores razões, controla a associação EDINSTVO, que está a participar no acolhimento de refugiados ucranianos em Portugal, apesar de ligação directa ao Kremlin, através da embaixada russa em Lisboa.

A serem verdadeiras, as alegações do Expresso – que, até ao momento, não foram desmentidas – Khashin e a esposa, Yulia Khashina, estão a receber famílias ucranianas que pretendem refugiar-se em Portugal, no gabinete da Linha Municipal de Apoio aos Refugiados, pertencente à CM de Setúbal. Acontece que Igor não é funcionário da autarquia, pelo que não se compreende a sua presença no local.

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A escolha fácil entre Macron e Marine Le Putin

A vitória de Macron era expectável, mas não estávamos livres de uma desagradável surpresa. Felizmente, a extrema-direita fez aquilo que sabe fazer melhor: não passar. E não passou.

Se Macron seria o meu candidato, fosse eu francês? Seguramente que não.
Se eu votaria nele na segunda volta?
Sem pestanejar.
Quando as escolhas são todas más, opta-se sempre pelo mal menor. E Macron, na pior das hipóteses, era o mal menor. Infinitamente menor que a emissária de Putin no centro da Europa.

No Kremlin, as garrafas de champanhe voltaram para o frigorífico. Havia esperança, proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado da noite. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o coiso e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida, à mercê do Kremlin. Como diria o grande Diego Armando Maradona, “que la chupen y sigan chupando”.

P.S: Para aqueles que continuam a normalizar o CH, a começar pelo PSD de Rui Rio, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. Porque, no fundo, jogam todos na mesma equipa, diga o CH o que disser no Parlamento. Querem sentir o pulso à extrema-direita portuguesa? Ide ler a carta de amor de Maria Vieira ao regime russo.

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

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