Pão e bolos

Diz o Primeiro-ministro:

Observador

Digo eu:

Expresso

Diário de Notícias

Jornal de Negócios

Nascer do Sol

Fui…

Populismo do bem: ser pela revolução e contra-revolução ou não saber o que se é

A Iniciativa Liberal desceu a Avenida da Liberdade. Depois de no ano passado a organização do desfile ter – de forma consciente e lúcida – recusado a participação de um partido que anteriormente havia dito que o verdadeiro dia da Liberdade era o de Novembro, nunca o de Abril, e mesmo tendo a IL descido na mesma – e bem, o espaço é público – este ano decidiram descê-la por sua conta e risco.

Ver um partido elitista, agressivamente capitalista e que em matérias económicas está sempre, sempre do lado dos mais poderosos, a descer a Avenida da Liberdade no 25 de Abril, como se aquilo fosse mesmo liberalismo clássico e estes fossem de esquerda, confesso, tem a sua ironia. Não se pode festejar Abril ao mesmo tempo que se quer uma Flat Tax… porque isso só é Abril para os ricos e Abril fez-se para todos.

Este partido capitalista, neo-liberal, acha que a Revolução foi feita para os grandes e poderosos e, por isso, desceu a Liberdade também… mas só depois de todos os outros, pois eles são gente fina que veste Pierre Cardin e Tommy Hilfiger e não se gostam de confundir com os esquerdalhos do 25 de Abril que compram boxers e meias aos ciganos na feira. Misturas como essa seriam um erro; se optassem por descer a Avenida ao mesmo tempo que todos os outros, ainda apanhariam a gripe marxista ou o vírus social-democrata… e também não querem arriscar, agora que acabaram as máscaras (vitória da IL, dizem eles… a sério, eles acham que foram os responsáveis pelo fim da obrigatoriedade das máscaras); e estar sujeito a ter de voltar a usar açaimes na cara por causa de mais um vírus maoista?! Nessa não os apanham mais.

Calculo e espero que também marquem presença no 1 de Maio, pois eles amam a liberdade (deduzo que só digam isso para a calar, mas depois vão ter com a outra). Se assim é, espero-os na Alameda, na luta pelos direitos dos trabalhadores (ou dos colaboradores, como eles lhes chamam), mas, tal como ontem, que só apareçam no fim quando todos tiverem ido embora (ah, e levem ucranianos para lhes explicarem como é que o capital os vai explorar cá onde… o “liberalismo faz falta”).

Capitão Salgueiro Cotrim Maia de Figueiredo, na sua chai… no seu jipe que costuma levar à Comporta, comportando-se como um esquerdalho arruaceiro.

Abril sempre

Fotografia: MAYO

Abril Sempre

Abril de calor
Abril de frieza
Abril de fervor
Abril de pureza

Abril da chuvada
Abril de saudade
Abril camarada
Abril liberdade

Abril que é verdade
Abril solto, Abril suado
Carregado de paixão

Abril sem entrave
Fraterno e inebriado:
Abril revolução.

Abril do passado,
Abril do presente:
25 de Abril sempre!

João L. Maio

3 lições que aprendi no mundo do trabalho

Devemos praticar a consciência sobre o que nos acontece. Pensar nas situações que vivemos e retirar delas lições, ensinamentos, pequenos insights que podemos usar no futuro a nosso proveito.

Tenho pensado muito no aglomerado das minhas experiências profissionais, sobretudo aquelas que envolveram trabalhar para outras pessoas. E penso que aprendi várias coisas, retirando várias lições, de situações que me aconteceram transversalmente. Ou seja, que acabaram por ser familiares com todas as experiências profissionais que tive.

Eis o que aprendi em 8 anos de trabalho para outros.

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The Daily Show: Macron vs Le Pen

Fotografia retirada de opendemocracy.net

Ela (Marine Le Pen) revê-se em Putin? Quer dizer, sendo justo, perguntaram-lhe sobre Putin em 2017, e na altura ele só adulterava eleições e envenenava pessoas. Era demasiado cedo para estar contra Putin. Fora de brincadeiras, foram visões como esta que levaram a que Le Pen não vencesse as eleições presidenciais francesas em 2012 e em 2017. Mas, tal como um Terminator, Le Pen fica mais esperta a cada sequela e é isso que a torna realmente perigosa. Depois das últimas eleições, Le Pen começou a reformular-se, agora como uma ‘afável e gentil’ racista. Sim… ‘será que o posso levar de volta para a sua terra, cavalheiro?’… E a forma como o fez foi simplesmente deixar de falar tanto sobre esses assuntos, sem nunca abandonar as visões fascistas. Basicamente, é como quando estamos numa reunião no Zoom e o enquadramento só mostra aquele canto muito arrumadinho do nosso apartamento; mas isso não apaga o facto de continuar a haver uma família de doninhas a comer restos de comida chinesa no nosso sofá. Percebem o que digo? É o mesmo mundo. E Le Pen não começou a ‘moderar’ apenas as suas palavras, mas também renovou a sua imagem para cultivar uma imagem mais ‘amável’ dela própria. E é aqui que se encontra a França, a caminho das eleições do próximo Domingo: um candidato à reeleição, um moderado que com fraca aprovação por parte do povo, espera derrotar uma aliada de Putin, xenófoba, que regressa para uma última tentativa de eleição. É por isto que gosto tanto da política francesa: é tão diferente da dos EUA…

Trevor Noah no seu The Daily Show.

Quanto a ligações e/ou adorações a Putin, não nos esqueçamos (apesar desta panóplia de batedores no PCP): do VOX de Espanha a André Ventura e ao seu CHEGA em Portugal; de Marine Le Pen na França a Viktor Orbán na Hungria, passando por Trump, nos EUA, sabemos quem depende, directa ou indirectamente, do proto-czarista russo, por mais ou menos maquilhagem que coloquem – nada vos tapará a real face. 

O AL e a decisão do STJ

O Supremo Tribunal de Justiça decidiu, através de um acordão, que não é possível existir Alojamento Local (AL) em prédios de habitação (frações autónomas de imóveis constituídos em propriedade horizontal destinadas a habitação).

Esta decisão pode representar uma verdadeira mudança no sector. A verdade é que o AL foi (e é) muito importante na reabilitação dos centros históricos das cidades. Porém, vieram criar um novo problema: a falta de habitação para arrendamento (e a preços condignos). Um bom exemplo é o que se está a passar aqui, em Maiorca (Ilhas Baleares, Espanha): a falta de habitação para os trabalhadores está a causar problemas gritantes de falta de mão de obra no sector do turismo. Estabelecimentos comerciais que nunca fechavam passaram a ter de fechar um dia por semana por falta de trabalhadores. E porque falta mão de obra? Porque os trabalhadores não conseguem arrendar um simples apartamento pois quase todos estão destinados a Alojamento Local. E os poucos que sobram estão a valores exorbitantes. E a solução não é, ou não pode ser “apenas”, o Estado construir habitação.

O turismo é importante? É. Mas não existe sem trabalhadores. Não existe sem cidades, sem territórios equilibrados.

“Não há graça que não faça o FMI”

Bartoon, de Luís Afonso, no jornal Público.

Elon Musk, o Twitter e os outros

A tentativa “hostil” de Elon Musk tomar conta do Twitter tem sido tópico de discussões acesas. Podemos confiar tão poderoso instrumento de geração e partilha de informação a um homem só, ainda por cima tresloucado? Que ameaça poderá representar este homem, tão poderoso, com ainda mais poder?

É interessante assistir a esta discussão, quando o próprio Twitter tem, entre os seus accionistas, um príncipe Saudita e vários fundos abutres. Quando Bezos é dono do Washington Post e a grande maioria da imprensa mundial está nas mãos de oligarcas do bem. E mesmo que Musk tomasse conta do Twitter, que é uma empresa privada como outra qualquer, ainda ficaria a anos-luz de Mark Zuckerberg.

Qual será, então, a nova ameaça que o dono da Tesla representa?

Suspeito que nenhuma. Suspeito, aliás, que terá incomodado alguém com poder, para estar agora debaixo de fogo. Ou então é circo para entreter o povo, que se vai esquecendo que o essencial não é quem manda nas redes, mas a ausência de regulação sobre o imenso poder das tecnológicas.

Vivi um ano sem redes sociais: eis o que aprendi

Há uns anos decidi, num acesso de consciência, apagar todas as redes sociais. Facebook, Instagram, Twitter, tudo. Deixei apenas o Whatsapp por forma a comunicar com as outras pessoas (as SMS’s estão em desuso, não estão?) mas a verdade é que cortei toda e qualquer ligação às chamadas redes sociais.

Se, no início, o choque foi grande, não só o vazio que de repente pareceu existir na minha vida, como a estranha sensação de perceber a clara dependência que tinha das redes, a verdade é que continuei focado na ideia e isso deu origem a um ano extraordinário, em termos de vivências e conquistas pessoais.

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Até onde estamos dispostos a ir para defender a democracia?

Pensar o futuro das relações entre o mundo democrático e as várias ditaduras na dependência das quais nos colocamos, em maior ou menor grau, é um debate que já devia ter feito correr rios de tinta. Ao invés disso, assistimos ao reciclar dessa relação tóxica, quando vemos, por exemplo, Boris Johnson a anunciar ao mundo o embargo à energia russa, que será substituída pela saudita. E uma pessoa fica logo mais tranquila, por saber que o ditador que envenena opositores no estrangeiro e está a tentar esmagar a Ucrânia será substituído por um ditador que fatia opositores no estrangeiro e está a tentar esmagar o Iémen. É reconfortante.

O próprio conjunto das democracias é, em si mesmo, uma agremiação sui generis. Inclui a Hungria e a Polónia, como se iliberalismo e autocracia não fossem uma e a mesma coisa, apresenta Singapura como um modelo elogiável e ignora os abusos das monarquias absolutas do Médio Oriente, não vá a liberdade dos mercados sentir-se ameaçada. Tirando um par de regimes que, por razões que a própria mão invisível desconhece, são excluídos. Temos ainda o elefante que nunca saiu da sala, e que no plano interno é uma democracia, no doubt about that, apesar de uma política externa que acumula invasões mais ou menos oficiais, falsas bandeiras, golpes de Estado, orquestrados ou patrocinados, e inúmeros crimes de guerra e violações do direito internacional, de My Lai a Guantanamo, com escala em Bagdad, Bagram e Abu Ghraib. Em todos estes casos, ainda que de formas diferentes, os princípios democráticos e liberais que nos definem – ou deviam definir, para bater a bota com a perdigota – foram e são constantemente violados, servindo posteriormente de argumentário para eficientes manobras de whataboutism, por parte das diferentes máquinas de propaganda das autocracias, como a russa, que aposta na China e noutros inimigos ou lesados do Tio Sam. Há boa informação disponível sobre o seu funcionamento, e inúmeros testemunhos de soldados e civis que estão absolutamente convencidos que todos os ucranianos são nazis, disparam mísseis contra a sua própria infraestrutura e são a encarnação moderna do III Reich.

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KKK e Comunicação do Sporting, a mesma luta

Aqui estou, Manuel Acácio

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, vai, na semana que vem, apresentar a proposta do próprio para a introdução de transportes públicos gratuitos na capital. Não é que Carlos Moedas queira muito, mas como a esquerda tem maioria na CML, lá vai ter de fazer o frete e cumprir com uma das medidas que lhes prometeu.

Com isto, muita coragem, sr. Moedas: no PSD ficará ligado à introdução de uma medida que o próprio PSD apelida de… “coisa de extrema-esquerda”. Depois de há uns anos ter ouvido Pedro Passos Coelho a defender o “Imposto Mortágua”, tudo é possível. Parabéns, Carlinhos!

Fotografia: Bruno Gonçalves.

Israel invade Mesquita de Al-Aqsa

Há poucas horas, mais um ataque israelita ao povo palestiniano.

Numa altura do ano em que os muçulmanos assinalam e celebram o ramadão, forças israelitas invadiram a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Este, onde centenas de palestinianos rezavam. O ataque, violento e indiscriminado, não poupou quem na Mesquita se encontrasse: mulheres, adolescentes, crianças.

Para já, contam-se 150 palestinianos feridos. Desde Quarta-feira, as forças de Israel mataram sete palestinianos.

É urgente travar a agressão israelita. É urgente parar com o extermínio de palestinianos. É urgente sancionar Israel e acabar com este regime de Apartheid.

De Kyiv a Gaza: a Palestina vencerá! 

Fotografia: MAYO.

Jimmy Savile, Netflix

Hoje, por motivos profissionais, não vou conseguir estar nas “Conversas Vadias”. De qualquer forma, aqui fica a minha sugestão da semana: o documentário sobre Jimmy Savile (Netflix). Assustador. Não só por tudo o que fez mas a forma como enganou a sociedade britânica (ou como esta preferiu ser enganada). Mesmo estando à vista de todos.

Boris não dá a pata

Fotografia: TOBY MELVILLE / REUTERS

Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, dos Tories, foi multado pela polícia, juntamente com o Ministro das Finanças, por ter quebrado as regras impostas por conta da pandemia, nas fatídicas festas de Downing Street.

O primeiro-ministro do Reino Unido terá, agora, de pagar uma multa relativa aos crimes que cometeu, sendo que foi o Governo do próprio a impor as medidas que o mesmo decidiu, voluntariamente, quebrar. Boris Johnson diz que não se apercebeu de que estava a “violar as regras”.

Ou seja, aqui temos um PM que impõe X medidas, espera que a população as siga à risca, mas que depois as quebra porque, diz: “não as conhecia”. Só acredita nisto quem:

1 – For muito inocente;

2 – Fizer parte da cúpula.

Como sempre, é o povo quem anda a “toque de caixa”. Aos governantes, aos poderosos e aos que estão “à margem da lei” mas são protegidos pelos legisladores, nada acontece.

A Boris ficaria bem a demissão. Seja por não ter condições para se segurar no cargo, seja porque traiu o seu povo, impondo medidas que o mesmo decidiu que não se aplicavam a ele.

E, como sempre, só o povo salva o povo. Mas continuaremos nisto enquanto continuarmos alienados com a política do ódio e do medo.

“The best way to scare a Tory is to read and get rich”

O estado a que chegou a Biblioteca Municipal do Porto

Frementes de agitação e de movimento, os funcionários da Biblioteca Municipal do Porto afadigam-se, atropelam-se para entregar os 5 volumes diários permitidos aos 3 leitores presentes.


A pandemia começa a desaparecer, as medidas vão sendo suavizadas, mas há uma instituição – pelo menos uma – que não sai do caminho que trilhou e que vem dos tempos dos confinamentos.
Como se estivesse tudo igual. E a pergunta é: até quando?
A Biblioteca Municipal do Porto continua a apresentar barreiras incríveis a todos os que tentam fazer alguma coisa.
Continua a ser necessário fazer a requisição prévia -com dias de antecedência – do que se quer pesquisar.
No caso de periódicos, por exemplo, agora lembraram-se que só podem ser pedidos 5 volumes por dia.
Ou seja, quero fazer uma consulta rápida, porque sei exactamente a data que procuro. Demoro uma hora com os tais 5 volumes e não posso fazer mais nada o dia todo. Só no dia seguinte…
E tudo isto se tiver sorte. Se alguns dos volumes estiverem em mau estado e não puderem ser consultados, paciência. Só para terem uma ideia, toda a colecção do «Jornal de Notícias» está fora de consulta até cerca de 1970. Idem para outras referências da cidade como o «Comércio do Porto ou «O Primeiro de Janeiro».
Apesar de haver muitos dicionários e enciclopédias na Biblioteca, parece que por ali ninguém conhece o significado da palavra restauro. [Read more…]

De Kyiv a Jenin: abaixo a ocupação!

Fourth Palestinian dies after being shot by Israeli soldiers

Em menos de dois dias, as forças armadas israelitas mataram quatro palestinianos. Entre as vítimas mortais estão um adolescente (17 anos) e uma mãe, viúva, que deixa dois filhos órfãos (é provável que estes, como muitos outros, acabem integrados no exército israelita, depois de uma profícua lavagem cerebral). O apartheid israelita na Palestina e a ocupação ilegal tem de acabar. Israel tem de ser responsabilizado pelos crimes que vai cometendo livremente.

Aproveitando o caos na Ucrânia, legitimado tanto por Putin como por Zelensky, Israel voltou a atacar: em menos de 24h matou quatro pessoas, indiscriminadamente. A ocupação israelita nas terras da Palestina dura há mais de setenta anos. E nem as resoluções que dizem “Israel está a impor um apartheid e a cometer crimes de guerra” os param. Nem isso, nem ninguém, porque, aparentemente, há ocupações boas e ocupações más.

A ONU já reagiu. Pede “contenção”. Contenção, imagino, será matar apenas dois em vez de quatro de uma vez. Imagino eu. Pedir contenção não é suficiente. Imaginamos Putin aceder aos “pedidos de contenção” na invasão à Ucrânia? Tenho outra ideia não-peregrina: que tal impor sanções à economia israelita?

Quem olhar para o que a Federação Russa está a fazer na Ucrânia e depois olhe com seriedade para o que Israel está a fazer na Palestina, só pode escolher um lado: o lado do povo ocupado. O lado do povo ucraniano, o lado do povo da Palestina. Neste caso, a Rússia só invadiu… para ocupar. Israel já invadiu e já ocupou. As sanções à Rússia são tão legítimas como seriam as sanções a Israel. Mas por que razão uma ocupação é boa (Israel na Palestina) e uma ocupação é má (Rússia na Ucrânia)? Não vos sei responder, pois quem defende a ocupada Ucrânia mas depois defende o ocupador Israel, só pode ser mentecapto ou, em última instância, troglodita. Como não me enquadro em nenhum dos dois, deixo para que alguns comentadores o justifiquem.

O assassinato aleatório de palestinianos continuará. A ocupação israelita não parará. Israel não descansará enquanto não exterminar todo o sentimento e a identidade palestiniana. A solidariedade de quem se diz do lado da paz… bem, essa está reservada só para alguns. Espero que, tal como a Ucrânia tem direito à sua defesa, os palestinianos se consigam defender com o que têm à mão: escombros. Pode não magoar muito, mas se acertar num tanque israelita já será positivo. Defendam-se, nunca se rendam, o dia chegará:

Palestina vencerá!

Fotografia: AFP

O cabotino populista e a censura

Aqui há dias, André Ventura disse tudo o que queria dizer na Assembleia da República. Santos Silva, Presidente da Assembleia da República, interrompeu para deixar um reparo, tendo o dito Ventura retomado o seu discurso para dizer tudo o que quis dizer.

Enquanto dizia tudo o que quis dizer e depois de dizer tudo o que queria dizer, André Ventura fez-se de vítima, erguendo um queixo queixinhas e cabotino, pior do que o pior actor de um western spaghetti. Queixou-se – depois de ter dito tudo o que queria dizer – de que tinha sido alvo de censura e chegou, até, a invocar o 25 de Abril.

Ainda estão vivas pessoas cujos textos foram censurados e cujos livros foram proibidos. André Ventura sabe isso muito bem, mas não é um português de bem. Mesmo não merecendo o 25 de Abril, tem direito à liberdade de expressão.

Gabriel Mithá Ribeiro, o doutorado útil do Chega, explicou, por assim dizer, que o racismo acabou com a dissolução formal do Apartheid na África do Sul, em 1994 – ou seja, num dia, havia racismo e, no dia seguinte, a partir de uma determinada hora, já não havia (sim, isto é afirmado por alguém que usa o título de historiador). Pela mesma razão, a censura, a partir do momento em que foi legalmente abolida, também não pode existir. Mithá Ribeiro, que é o doutorado útil do Chega, deveria explicar isso ao chefe.

O Chega é uma trupe de maus comediantes com sucesso, o que é preocupante, especialmente pelo que diz de quem vota neles.

Finalmente, fazer-me ficar do lado de Santos Silva é praticamente um milagre. Chego a ter medo de vir a contribuir para a canonização de Ventura. Felizmente, existe a memória.

Condenar a ocupação

Setenta anos disto. Setenta. Vamos condenar a ocupação israelita na Palestina? Era bom aproveitar a boleia da invasão russa à Ucrânia, para começarmos a estar, finalmente, do lado de todos os ocupados. Sem pruridos nem vergonha. Façamo-lo agora, antes que todo um povo seja exterminado.

Liberdade para a Palestina.

Farfetch: como se constrói uma multi-nacional (parte 2)

Portanto, é de facto um tema de uma enorme prioridade, num momento em que se estima que cerca de 20% da população mundial vive com problemas de saúde mental, sendo a ansiedade e a depressão as perturbações com maior incidência. E, ainda para mais, sendo este um tema tabu em Portugal.

É assim que Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves (FJN), criada pelo CEO da Farfetch, introduz o “Guia para o desenvolvimento pessoal: como investires no teu bem-estar?”, em entrevista ao Diário de Notícias em Fevereiro de 2022.

Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves. Fotografia: Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

No texto introdutório do “Guia”, facultado pela FJN na ligação acima, podemos ler que “(…) vivemos num mundo em que ter “mais” parece ser o melhor para o nosso futuro. Trabalhar mais, esforçarmo-nos mais, competirmos mais, comprar mais, ter mais dinheiro. Até certo ponto pode ser verdade. E quando chegamos àquele nível em que para alcançarmos “mais” temos que perder? Começamos a perder horas de sono, tempo com a família, abdicamos do desporto e deixamos de cuidar de nós. Será que querer sempre “mais” continua a ser o melhor caminho?”. O que parece ser uma inciativa relevante, primordial e de valor, pode ser, afinal, um sinal de que há pessoas com responsabilidade dentro da Farfetch que não leram, ou não quiseram ler, o “Guia” fornecido pela fundação do CEO da empresa. Ou os deuses estão loucos.

Fundação José Neves

Instado a responder à pergunta Têm dados de quanto a pandemia veio agravar o problema e qual o impacto real dos problemas relacionados com a saúde mental?”, Carlos Oliveira responde que não, mas que “(…) obviamente, todos temos a noção de que a pandemia veio por a nu estas dificuldades, por diversas razões, desde alterações dos padrões de vida a que estávamos habituados a alterações nas dinâmicas de socialização, aumento de situações de stress emocional a que as pessoas estiveram expostas, etc”. De facto, é notável o peso que a pandemia teve ao nível da saúde mental da generalidade da população. Senão, vejamos o testemunho anónimo de um antigo trabalhador da Farfetch: [Read more…]

Farfetch: como se constrói uma multi-nacional (parte 1)

A Farfecth

Se acedermos ao endereço http://www.farfetch.com/ podemos ler o seguinte sobre a empresa:

“A Farfetch existe pelo amor à moda. Acreditamos no empoderamento da individualidade. A nossa missão é ser uma plataforma global para a moda de luxo, conectando criadores, curadores e clientes.”

Então, o que é a Farfetch? A Farfetch é uma marca de venda de moda de luxo. Concentrando as suas vendas no mercado on-line, a empresa foi criada em 2007, pela mão do empresário português José Neves. Trata-se, portanto, de uma multi-nacional de invenção lusitana. Conta, neste momento, com cerca de 4500 trabalhadores e tem sedes no Porto e em Londres. Os seus mercados predilectos são o norte-americano, o japonês, o chinês e o brasileiro.

Fotografia: Fernando Veludo

Quem é José Neves?

José Neves criou a Farfetch em 2007. O empresário já investia no mundo da moda desde a década de ’90. Em 2007 cria a B Store, uma empresa de moda com loja física e que apostava em marcas e designers jovens e inovadores.

José Neves, CEO da Farfetch. Fotografia: Público

É em 2007, numa viagem à Semana da Moda de Paris, onde se desloca para promover a sua loja B Store, que Neves tem a ideia de criar uma marca de bens de luxo que operasse on-line e investisse em valores emergentes ao redor do mundo. Em 2013, o The Economist dizia sobre a empresa portuguesa que esta “valoriza as suas origens, dando oportunidade a boutiques independentes, mas permitindo que estas mantenham a sua identidade, ao mesmo tempo que cimenta a sua posição no mercado mundial”. [Read more…]

Resolução ONU 2016

EUA votam contra resolução das Nações Unidas a condenar nazismo

Há uns dias relembraram-me disto. Foi em 2016 e lembro-me de ninguém ter abordado o assunto. Não houve indignação, ninguém se revoltou e ninguém se molhou.

Mas sim, é verdade. Em 2016, a ONU apresentou uma resolução de condenação ao nazismo. Os Estados Unidos da América, a Ucrânia e o Palau votaram contra a resolução de condenação do nazismo. Em 2018, nova resolução foi apresentada pela ONU e desta vez apenas os EUA e a Ucrânia votaram contra. Em 2020, nova resolução, que visava “combater a glorificação do nazismo”. Novamente, apenas os EUA e a Ucrânia votaram contra.

E Portugal? Portugal absteve-se… nas três resoluções.

Notícia na íntegra aqui.

O que é? Para que serve? ou Pela Boca Morre o Peixe

Na passada segunda-feira, o jornal Público decidiu lançar um vídeo explicativo. No vídeo, intitulado “O que é a NATO? Para que serve?”, a jornalista Cláudia Carvalho Silva explica meia-dúzia de factos. Na publicação da notícia no Facebook, comentei alertando para alguns factos que ficaram por enumerar, entre os quais a inclusão de antigos generais do exército Nazi na NATO ou o massacre levado a cabo nos Balcãs.

Por entre insultos, troço ou desvalorização do assunto que coloquei na mesa, por parte de outros internautas, eis que, entre eles, surge Bruno Vitorino. E quem é Bruno Vitorino? Para que serve?

Não farei um vídeo explicativo, mas poderei lançar umas achas para a fogueira. Bruno Vitorino foi deputado de 2011 a 2019, tendo passado pelas legislaturas do governo PáF e da Geringonça. Bruno Vitorino é militante do PSD-Barreiro, tendo sido o candidato à autarquia nas Autárquicas de 2021 (onde ficou conhecido por meia dúzia de tempos de antena, onde, com laivos de lunatismo, dizia que vivemos numa ditadura comunista – o sr. Vitorino confundiu Portugal com Havana, se calhar porque uma vez passou lá férias e achou que por haver muito sol nos dois lados, é tudo parecido).

No comentário que me dirigiu, fazendo a apologia da máquina de guerra que é a NATO, decidiu apoucar os factos que apresentei. Ora, em 2016, o Bloco de Esquerda apresentou, em sede própria, um voto pela libertação dos presos políticos angolanos e um voto de condenação pela repressão imposta pelo regime angolano sobre o seu povo. Relembro: Bruno Vitorino era, à data, deputado dos conservadores-liberais do PSD. Como terá votado estes dois tópicos? Com uma pesquisa rápida, descobrimos: no primeiro, absteve-se; no segundo, votou contra. [Read more…]

Sobre a ganância e o parasitismo dos super-ricos

Segundo a Administração Biden, a taxa de IRS dos multimilionários rondou uma média de 8%, muito abaixo do que paga um trabalhador médio. Como é possível? Nos EUA, como na Europa, o IRS incide sobre os rendimentos gerados em cada ano (salários, juros, mais-va­lias, dividendos). Multimilionários como Elon Musk ou Jeff Bezos não recebem salário das suas empresas e passam anos sem vender as participações. Os custos das vidas luxuosas que levam são imputados às empresas e fundações ou pagos com recurso a empréstimos que têm como garantia os investimentos financeiros.

Elisabete Miranda, Expresso

Norte a planar

Há bastante tempo que não emito uma opinião pública sobre tantas e tantas coisas que se vão passando e arrastando no nosso País.  Sem medo. Porque este é um elemento estrutural do código genético do Porto, do Norte e seguramente de todo o país, com os brilhantes exemplos que temos dos Arquipélagos.
Na verdade , o Porto, Norte e Centro de Portugal não precisam da TAP para nada. Mas a TAP precisa destas regiões para sobreviver. E se não concordarem, retirem o proporcional de financiamento (contrário a investimento) e rapidamente chegarão a uma conclusão. Questão frugal, obviamente. Nada frugal é sabermos que Nação pretendemos, qual o estatuto mundial que pretendemos cuidar e atribuir à nossa língua portuguesa e que Embaixadores estamos disponíveis para ter, ou não, em concordância com o interesse de Portugal. De Portugal.
O Norte vai frouxo como nunca se viu. Tempos houve em que uma mera louça de casa de banho provocava um tremor de terra. Um tremor de terra de injustiça e de foco no que não é essencial, no que não é nacional. Aqui, falamos de Portugal, da língua, da cultura, da identidade, de tudo aquilo que se sobrepõe aos interesses miúdos. Mas para isso precisamos de graúdos, sem algemas de poder, sem medo.
Sem medo

Sandro Neves (Autor convidado)

Bucha

assim como Mariupol, assim como tantas e tantas aldeias, vilas ou cidades com nomes até agora desconhecidos e impronunciáveis e que ficarão para sempre na consciência do mundo. Como um ferro em brasa que nos torturará eternamente. Muito, pouco ou quase nada porque, ao contrário do que pretendemos crer, a excelência humana nunca foi tão rara quanto o é hoje.

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Notas sobre a agressão de Will Smith a Chris Rock

Sobre o caso da agressão de Will Smith a Chris Rock, porque é exactamente disso que se trata, de uma agressão, tenho sete coisas para vos dizer, sem nenhuma ordem especial. Aqui vão elas:

1) A liberdade de expressão é um pilar das democracias. Uma agressão é um crime. E ainda bem que é assim;

2) Quando ouço ou leio alguma coisa que não me agrada (e falo por experiência), por muito ofensivo que considere essas palavras, mesmo que me sejam dirigidas, não tenho legitimidade para bater no seu autor. Tenho, isso sim, a possibilidade de agir judicialmente contra essa pessoa. Somos seres civilizados, da polis, não macacos a lutar por bananas na selva;

3) Posso, ainda assim, armar-me em macaco e bater numa pessoa que diz ou escreve sobre mim coisas que me insultam. Cabe ao Estado e ao poder judicial pôr-me na linha. No caso em questão, presumo que as autoridades norte-americanas tenham todas as provas necessárias para fazer justiça. Espero que a façam. Um exemplo destes, vindo de uma figura pública que é um role model para milhões, não deve ser tolerado;

4) Will Smith podia estar a ter um dia mau, a passar por uma fase complicada, agravada até pela doença da esposa, e ter-se deixado levar pelas emoções mais primárias. Afinal, ele é um ser humano como qualquer um de nós e, como nós, comete erros. Não contem comigo para o catalogar como monstro por um acto isolado. Mais ainda quando é sabido que o próprio Will Smith viveu na pele o drama da violência doméstica, ainda criança. Tal não retira gravidade à atitude em si, mas as coisas nem sempre são tão claras como aparentam ser e o contexto é sempre importante;

5) Os limites do humor não são as nossas convicções nem a nossa sensibilidade para assuntos mais ou menos delicados. É a lei. Não foi Chris Rock que passou dos limites. Foi Will Smith;

6) Não são os limites do humor, a prioridade desta discussão. É a violência e a sua normalização enquanto método legítimo, que não é. Porque hoje é uma chapada por causa de uma piada sobre alopécia, amanhã poderá ser porrada por qualquer outra piada que incomode cada indivíduo na sua existência. E quem diz piada diz convicção social, fé religiosa ou ideologia política. Não somos Putins nem Xi Jinpings. Ou pelo menos não deveríamos ser;

7) Não haver um segurança que levasse Will Smith para fora do local da cerimónia dos Óscares diz tudo o que precisamos de perceber sobre o privilégio das elites. Will sobe ao palco, agride o apresentador, volta para o seu lugar, senta-se e fica ali, sereno, como se nada fosse, a aguardar pela sua estatueta. Qualquer um de vós que fizesse o mesmo numa cerimónia idêntica ia direitinho para a esquadra mais próxima;

Era isto. Continuação de uma boa tarde!

Aventar: São muitos anos a virar frangos…

O blogue Aventar nasceu a 30 de Março de 2009 em pleno período áureo da blogosfera em Portugal. O Aventar foi sempre, desde a sua origem, um blogue onde coabitam autores de diferentes proveniências ideológicas. Hoje, no nosso 13º aniversário, partilhamos convosco algumas curiosidades do Aventar: 

Desde 2011* que o Aventar já publicou mais de 35 mil artigos de opinião, recebeu mais de 170 mil comentários dos leitores para um total de audiência que ultrapassa os 20 milhões de leitores entre 2011* e 2022. Olhando para as estatísticas dos meses de Março nos últimos 4 anos, estas mostram que o Aventar volta a subir as suas audiências (de pouco mais de 75 mil leitores em 2019 aos quase 100 mil este mês de Março 2022) numa tendência que já se vinha a acentuar desde o início do ano. Aliás, a pandemia veio reforçar as audiências do nosso blogue. Será uma tendência da blogosfera?

São diversificados os seguidores do blogue Aventar. No Twitter são mais de 2300 enquanto que no facebook já se ultrapassaram os 13 mil. Entre os subscritores diários via wordpress e email já temos mais de 1600 leitores que, todos os dias, recebem notificação dos textos publicados. E de onde chegam, maioritariamente os nossos leitores? Do Google e das redes sociais.

E de onde são os nossos leitores? Em primeiro lugar, de Portugal e de forma destacada. Em segundo lugar, do Brasil e em terceiro dos Estados Unidos. Já tivemos leitores de todos os países do Mundo, segundo o WordPress. Contudo, das Ilhas Falkland, das Antilhas Holandesas, de Quiribati e de Monserrate apenas um visitante. Temos que melhorar os nossos conteúdos para crescer nestes territórios 🙂

Eu já por aqui ando desde 2009. Parece que foi ontem. Obrigado José Freitas pelo convite para esta casa. Obrigado Ricardo por a teres criado e me deixares andar por aqui.

 

*todos os dados estatísticos apresentados são posteriores a 2011. Infelizmente, foram perdidos os dados de 2009 e 2010.

A caminho de 30 de Março

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.