Dúvida (i)nocente

Netanyahu agora apresenta o boletim meteorológico?!

Bruno Lage

O regresso do cavalheiro.

31093: FC Porto e a História de mãos dadas

Há muitos anos que o futebol feminino era assunto no FC Porto, mas não pelas melhores razões. Há quem quisesse muito a categoria no Clube, outros nem tanto. A verdade é que enquanto outros clubes portugueses iam fazendo história e a seleção portuguesa também melhorava os seus resultados, por aqui existia apenas um debate de ideias sobre a possibilidade de existir uma equipa.

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Elon Musk e liberdade

Nos últimos tempos, temos visto crescer a imagem do oligarca sul-africano Elon Musk como um deus da liberdade de expressão, um rei libertário das massas oprimidas no Twitter.

Se a visão de um oligarca como “um defensor da liberdade”, seja ela qual for, já é abusiva, todo o endeusamento à volta do bilionário atesta o delírio colectivo. Isto porque “liberdade” e “bilionário” são duas ideias contraditórias entre si; nenhum bilionário nos trará liberdade, mas ao assumir-se como um paladino da mesma, nós, comuns mortais, estamos a assegurar a sua. E a sua liberdade é a de poder continuar a lucrar desmesuradamente com os seus negócios, aqueles onde nós investimos, mesmo sem nos apercebemos. Não pode ser uma musa da liberdade aquele que se opõe a que os seus trabalhadores usufruam das liberdades a que têm direito como, por exemplo, o direito à greve, ao qual o oligarca Musk se opõe.

Elon Musk não é exemplo de nenhuma virtude, a não ser a aparente virtude de ter muito dinheiro. Se é que isso é uma virtude por si só (plot twist: não é). Mas pode vir a sê-lo, basta querer. Em primeiro lugar, pode começar por re-admitir aqueles que despediu: os moderadores de conteúdo que tinham a tarefa de monitorizar crimes na internet. Excluir as carradas de contas de nazis que deixa andar livremente por uma plataforma mainstream, pode já ser um passo.

Depois, é simples, fecha as portas da Tesla na China, no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, na Hungria e na Turquia, países onde não existe… liberdade de expressão.

Até lá, será apenas o rei da manipulação com um objectivo único: manter-se no topo da lista dos oligarcas mais oligarcas do mundo. E se Portugal seguisse o exemplo do Brasil, poderíamos começar a pensar em libertar, finalmente, os nossos jovens do jugo das redes sociais vistas como “mundo real”.

Liberdade haverá quando não houver espaço para nem mais um Elon Musk.

Montenegro é a nova Anita

Já nas bancas a mais recente aventura de Anita: Montenegro na lancha.

Elon Musk é um hipócrita

Wannabes com posters de Musk e Andrew Tate na escrivaninha julgam que o dono do Twitter é um paladino da liberdade de expressão.

Estão enganados. Musk é só mais um hipócrita que está no topo da cadeia alimentar da elite que diz combater, a dar lições de moral que não tem.

O braço de ferro com o Brasil, por exemplo, é meramente ideológico. Uma cultural war. Porque se a sua preocupação fosse a liberdade de expressão, que não é nem nunca foi, fechava a operação da Tesla na China, que de resto tem a sua rede bloqueada.

Elon Musk é um hipócrita. E está tão preocupada com a liberdade de expressão como com os direitos dos seus trabalhadores.

Capitão Haddock

Depois de “Montenegro numa lancha”, apresentamos “Montenegro num carro dos bombeiros”, seguido de “Montenegro num carro de patrulha” e finalizando com “Montenegro numa sala de partos”.

Se a moda pega…

Macron não descansa enquanto não entregar o país a Le Pen

Primeiro destruiu o centro, depois governou como um Napoleão da Wish, agora confirma aos franceses que não é confiável. A direita alegadamente liberal e moderada é, cada vez mais, a melhor amiga extrema-direita.

Afinal, qual é o limite da liberdade?

Numa altura em que o mundo anda preocupado com vários conflitos, a pergunta que mais se devia colocar é sobre a liberdade. Mas a liberdade como um fim em si mesmo, sem olhar ao lado que nos dá jeito e depois arranjar argumentos que se equiparam ao bola na mão ou mão na bola. Infelizmente, desde há muito que nos foi retirada a real possibilidade de colocar questões legítimas sobre as ações de determinados estados. Sim, podemos colocar as questões, mas não são levadas a sério e não obtém respostas além de um “cala-te, querias viver na Rússia ou na Coreia do Norte, era?”. Vivemos numa era em que um militar antipático interpreta tecnicamente uma guerra e é considerado um assalariado de Moscovo, mas que se idolatra um populista pró-Ucrânia por ter mulher ucraniana e um barbudo que grita asneiras na televisão. Nada procuram sobre a verdade, procuram cavalgar a popularidade de um assunto e desta forma mostrar um caminho àqueles lá em casa que não percebem nada disto.

O Ocidente percebeu que o povo já não tolera a falta de pilares básicos para o funcionamento de uma democracia, entre eles a possibilidade de votar e a liberdade de expressão. Desta forma, teve de arranjar outra forma para controlar as massas. Através de uma falsa ideia de liberdade de expressão, limita as opções dos outros através dos seus instrumentos democráticos. Em vez de permitir apenas comer carne de vaca, permite comer vaca e porco. Aqueles que são beneficiados por este sistema e que alinham no seguidismo ocidental que têm como maiores bastiões os EUA e a NATO dirão que ao menos há democracia. Eu acredito que devemos ser muito mais exigentes com a nossa liberdade, pois estamos mais próximos de sermos a Rússia do que sermos um povo livre.

Condenar agressões a protestantes pró-Palestina em países europeus não é desculpar as atrocidades cometidas pelo Hamas. Defender o direito de Israel existir não é defender um genocídio. Defender Pavel Durov, fundador do Telegram, e a possibilidade de haver informação de dois lados da barricada numa rede social não é defender a invasão russa. Defender que os EUA promoveram uma escalada na Guerra não é defender que a Ucrânia não tem direito a ser defendida. Defender a liberdade de expressão de uma forma ampla no ocidente e combater a turba defensora de governos corruptos e corporações que nos governam oficiosamente não é legitimar ataques aos direitos humanos na Arábia Saudita, na China, no Irão, no Afeganistão, etc.

A liberdade é um bem tão precioso que merece ser cuidada todos os dias como um bem em si mesmo e não apenas quando favorece o meu quintal. Lembremos que nenhum Estado está em condições de dar lições de moral aos outros e que o mundo não se esgota na Europa agradável que temos para viver. Num mundo global, se há algum par que não é livre, então eu não posso ser realmente livre.

É burro, é

Até porque, sabemos todos, os imigrantes – como os emigrantes – são objectos inanimados.

É burro, é…

Harris v Trump

Votar em Harris e lutar politicamente 4 anos, ou votar em Trump e não votar novamente. (Palavras do próprio)

A clareza de Hugo Soares

A dificuldade assumida pelo líder da bancada parlamentar do PSD, sobre escolher entre Donald Trump e Kamala Harris, diz-nos quase tudo o que precisamos de saber sobre as suas convicções ideológicas e sobre o tipo de sociedade que defende. Sobretudo porque a agenda de Kamala assenta essencialmente no modelo social-democrata que surge no nome – e apenas no nome – do PSD.

Mas as palavras de Hugo Soares dizem-nos algo mais alarmante: dizem-nos que um alto dirigente do partido que governa Portugal, e um dos homens mais próximos do primeiro-ministro, considera como opção válida alguém que tentou um golpe de Estado por não aceitar os resultados eleitorais.

Alguém que sugeriu que Putin invadisse aliados da NATO.

Alguém que elogia o estilo de Xi Jinping e se diz amigo de Kim Jong-un.

Obrigado pela clareza, Sr. deputado.

President Harris

Kamala Harris, o discurso de aceitação

Ao contrário do aventador António de Almeida, eu nunca acreditei muito no potencial da candidata Kamala Harris.

Hoje, dou a mão à palmatória: o António de Almeida tinha razão. Assisti em directo, através da CNN Internacional, ao discurso de aceitação de Kamala Harris.

A primeira parte é um tratado de comunicação de massas. Poderoso. Que vai ao coração do eleitorado que importa e a América adora uma boa história “lamechas”. A terceira e última parte, internacionalista, foi de tomates – nem Obama iria tão longe (as mulheres sempre tiveram mais “tomates” que os homens, diga-se). Israel e Palestina no tom e modo certo. Foi preciso esperar por 2024 para voltar a ouvir um grande discurso de aceitação, o último tinha sido em 2008, com Obama.

Sobretudo, imperou em todo o seu discurso o bom senso e como este faz falta à política na actualidade

Luís Montenegro, o Action-Man português

Quando somos miúdos, grande parte das brincadeiras nas quais nos envolvemos tem que ver com a criação de realidades paralelas. Criamos os nossos próprios mundos, nos quais podemos ser quem quisermos. Sejam super-heróis, desportistas, músicos ou até um simples emular da idade adulta, fruto da ansiedade infantil de crescer.

Essa atitude vai diluindo-se à medida que vamos crescendo. Levamos a vida mais a sério, crescemos, ganhamos outro tipo de responsabilidades. E digo isto com pena, pois acredito que é saudável, sobretudo mentalmente, que essa atitude se vá mantendo. É uma questão de sanidade.

Um dos bonecos que eu tive em criança, e aquele que mais me marcou, era o Action Man. Uma figura tipicamente masculina do imaginário americano (afinal, foi uma resposta ingles , talhado para salvar o mundo, matar vilões e saltar de helicópteros. Quem melhor para me permitir evadir da vida infantil? [Read more…]

Mantém-te firme, André Villas-Boas

Evanilson foi vendido por 37 milhões a pronto mais 10 milhões por objectivos, dos quais 5 milhões, diz a imprensa, são perfeitamente atingíveis. O Porto assegurou ainda 10% de uma futura venda do jogador.

Por si só, estes números já me parecem configurar uma boa venda. Sobretudo para um clube deixado em falência técnica pela anterior gestão.

Mas a melhor parte desta transferência não são os milhões recebidos. São os milhões que não foram pagos aos intermediários do costume para vender o jogador. É a sensação, nova a refrescante, de não ver o meu clube pagar a não-sei-quem para fazer coisa nenhuma. A confirmar-se, estamos no bom caminho. Assim vale a pena pagar quotas.

Mantém-te firme, presidente!

Miúdos à porrada, no recreio

Ser adulto é um fingimento. No fundo, somos o que sempre fomos. Podemos engravatar a pose, podemos usar umas palavras mais perfumadas, mas basta um raspão na epiderme e lá está o miúdo que amua ou que se revolta ou que tem medo. Também lá está o bebé manipulador que aprende a chorar quando tem fome ou quanto quer atenção.

Do reino animal, ficou-nos, ainda, a ideia de que um olhar mais demorado é uma provocação. O país, o bairro, a escola, o clube, levam-nos também a acreditar que pertencemos a um grupo essencialmente virtuoso, num contraste sempre avassalador com os outros.

A nossa infantilidade pouco latente, contaminada pela agressividade do animal e pela doutrinação das histórias que nos enchem o imaginário de inimigos, criou os adultos que dirigem o mundo desde sempre, que se bombardeiam uns aos outros, quando antes chutávamos com mais força ou dávamos uns empurrões no recreio.

As razões apontadas pelos adultos que governam o mundo para se agredirem uns aos outros são variantes dos motivos infantis “Eu já cá estava!” e “Ele é que começou!”. No recreio, isso dava direito a um ou outro olho negro; no mundo actual, há gente com armas que custam milhões e matam milhões.

O Thomas Müller (com trema) é melhor do que o Pepe

Mas Pepe, por exemplo com as quinas ao peito, saiu sempre na frente do pelotão, numa atitude de custe o que custar, defendendo o que levava no peito, nem que isso significasse pegar-se com um alemão (Thomas Muller).
Luís Pedro Ferreira

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Faltou ao autor acrescentar os factos que se seguiram ao “pegar-se com um alemão”: Pepe foi expulso, Thomas Müller (com trema) marcaria mais dois golos (ao todo, marcou três) e a Alemanha goleou Portugal (4-0). Nesse jogo, Portugal perdeu com Pepe e foi humilhado por causa de Pepe. Foi Pepe quem impossibilitou e foi Müller quem brilhou. Os arruaceiros não são exemplo desportivo — como não são as pessoas sem boa educação e com falta de cortesia ou de delicadeza. Mas há sempre quem insista em contornar a realidade. This is NOT the West, sir. E este episódio foi só há dez anos.

Além do trema que faltou ao “alemão” (falha indicada a vermelho, na epígrafe), o autor enganou-se no sítio do acento. Efectivamente, no título: *heróismo em vez de heroísmo.

Siga.

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Não merecemos os atletas que temos

Até ontem, poucos sabiam quem era Iuri Leitão. Ser campeão do mundo e triplo campeão europeu não chegou para fazer capa de jornal ou estar nas trends no Twitter. Até hoje.

O mesmo acontece com outros atletas, como a medalhada Patrícia Sampaio, a ginasta Filipa Martins, os canoístas João Ribeiro e Messias Baptista, a nadadora Angélica André ou os triatletas Vasco Vilaça e Ricardo Batista, agora mais conhecidos após participações de excelência nestes Jogos.

Dir-me-ão que o negócio é quem mais ordena e que as outras modalidades, para lá do futebol, não vendem.

Enquanto argumento estritamente económico, é legítimo. Enquanto statement de uma nação que as ignora durante 4 anos, com raras excepções, para depois exigir medalhas e considerar um quarto ou quinto lugar “fraco” não. É a prova de que não merecemos os atletas que temos. Mas temos e devemos ter muito orgulho neles. E exigir que tenham melhores condições para representar o país. O desporto português não pode ser só futebol.

Criptomoedas, uma das maiores fraudes da história

gerou perdas de 5,1 mil milhões na passada Segunda-feira.

Jogos Olímpicos? Criem os Jogos Transolímpicos…

Já temos os Jogos Olímpicos e já yemos os Paraolímpicos. Para manter a disputa de forma justa e leal criem os Transolímpicos. Não façam é merdas como esta que a atleta italiana sofreu. Uma vergonha.

Wokes de Direita

Até tu PC venezuelano…

Venezuela: as eleições fraudulentas e as fraudes democráticas

É claro que as eleições de ontem na Venezuela foram fraudulentas. Não existem eleições livres em ditadura. Nem na Venezuela, nem no Irão, nem noutros regimes ainda mais violentos, mas muito estimados pelo status quo ocidental, como o saudita ou o chinês. Eleições livres são um luxo de europeus e pouco mais. E mesmo na Europa não sabemos se por muito mais tempo.

Constatado o óbvio, vamos ao tema quente da semana passada. Se um político estrangeiro se apresenta em território venezuelano na qualidade de observador eleitoral, sem que para isso tenha visto para entrar no país ou convite oficial das autoridades locais para ser observador do acto eleitoral, é claro que pode ficar à porta. Seja na Venezuela ou nos EUA. [Read more…]

CH, um partido pró-vida que discrimina bebés

Que o CH é um partido dado às mais variadas punições e crueldades, já se sabia. A sua natureza autoritária e iliberal não dá para camuflar.

Que propôs, na Assembleia Regional dos Açores, que crianças caiam para o fundo da lista de espera de acesso à creche gratuita, caso os pais estejam no desemprego, não surpreende. Punir os mais fracos está no ADN de um partido financiado por multimilionários.

Que o PSD alinhe nisto, diz tudo sobre o fim trágico que espera o partido na barriga da extrema-direita. Como de resto tem acontecido a outros PSDs por essa Europa fora. [Read more…]

Entrada a pés juntos de Kamala Harris a Donald Trump

That Little Girl Was Me

Aquando das primárias do partido democrata em 2020, Kamala – munida de uma vulva e tez bronzeada, valiosos trunfos que a fizeram legitimamente sonhar com o cargo – teceu graves acusações direccionadas ao futuro presidente Bidé:

  • que acreditava nas mulheres que o acusaram de crimes sexuais;
  • e que, nos idos 1970’s, Bidé promovera políticas racistas que visavam impedir crianças pretas de frequentar a escola. Para adicionar carga dramática à acusação, usou o seu próprio exemplo, procurando torná-lo até um slogan: “That little girl was me”, que até chegou a colocar em t-shirts.

Reforço, sem embelezamentos ou cognomes jocosos, para que seja claro: antes de aceitar ser sua vice, Kamala acusou Joe Biden de ser um criminoso sexual e um racista activo que usava a sua influência política para segregar crianças pretas como ela própria.

Sendo Bidé o ungido pelo Deus dos warlords Barack Obama, isto valeu naturalmente a Kamala a perda de apoios, o que – a juntar ao seu caricaturalmente detestável e vil carácter, que fez com que nem sequer lograsse mil votos populares, num resultado absolutamente humilhante – a obrigou a largar precocemente a corrida.

Ressuscitada pelas referidas vulva e tez, é ver agora o partido que a rejeitou – bem como o comentariado americano mainstream, que os nossos Marques Lopes, a quem basta acenar uma cenoura apetitosa, adoram plagiar – a anunciá-la como a grande Candidata.

Que Bidé é um racista perverso não é propriamente informação fresca; muito menos o é a escandalosa hipocrisia e descaramento destes montes de merda que enxameiam o universo político – e, claro, a conveniente memória píscea dos agenda setters. Mas os poucos de nós que se recordam destas coisas têm obrigação de relembrar os outros, porque as massas só sabem o que lhes dizem os media das elites bem-pensantes e eu não estou a ver Marques Lopes a falar disto tão cedo.

Tarde demais, Biden. A menos que…

Biden demorou tempo demais a tomar a decisão inevitável. Travar Trump era já uma missão quase impossível, sobretudo após um atentado que, sendo o resultado directo da sociedade armada que defende, teve o expectável efeito de o transformar num mártir aos olhos do seu eleitorado e de reforçar a propaganda com imagens fortes de punho fechado, sangue na cara e bandeira a esvoaçar atrás.

Agora, parece-me, entramos no território da impossibilidade.

Porque confirma as acusações, até há dias ridicularizadas, de Biden não estar mentalmente apto para disputar a eleição. Ou para governar o país.

Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.

Porque as sondagens indicam que Kamala Harris não tem hipótese. [Read more…]

O preço civilizacional

Nos últimos dias, tem sido notícia que a população portuguesa está a crescer.

Mas, passaram os casais portugueses a ter mais filhos?

Sim, houve um ligeiro aumento da natalidade. Mas, a razão principal foi que importou-se gente.

O aumento dos imigrantes trouxe o tão badalado crescimento da população, que tanto tem excitado alguns dos que, há pouco tempo – e bem -, alertavam para os perigos do decréscimo demográfico e do envelhecimento da população portuguesa.

Na verdade, não se fez nada de relevante para os casais se darem ao luxo de ter mais filhos. Ou sequer ter filhos. Aliás, nem sequer a garantia de coisas básicas como salários dignos e acesso à habitação, foi objecto de real preocupação política de quem tem governado o país ao longo de décadas.

Faltam salários, faltam habitações, faltam médicos de família, faltam enfermeiros, faltam professores, faltam funcionários, etc.

Em suma, falta cumprir uma Constituição que está a caminho dos 50 anos.

Talvez porque saia mais barato, preferiu-se importar gente.

Se essa importação vai ter consequências culturais e religiosas de fundo nas próximas décadas, quer para Portugal quer para a Europa em geral, é algo que, pelos vistos, não importa avaliar. [Read more…]

O Deus de Frazão

Pedro dos Santos Frazão, deputado do Chega, escreveu no X aquilo que podemos ler na imagem mais abaixo. Segundo Pedro, que conhece bem a divindade – ou não se atreveria a escrever o que escreveu –, foi a mão de Deus que protegeu Donald Trump do caminho das balas.

Não sei quantas mãos tem o Deus de Frazão, mas, se forem duas, ainda ficou com uma desocupada. Talvez por já ter uma provecta idade, tal como Biden, o Deus de Frazão não conseguiu evitar a morte do pai que protegeu a mulher e a filha no mesmo comício em que Trump foi alvejado. Era muita coisa para fazer ao mesmo tempo e o velhinho de barbas brancas (Frazão deve ter um retrato em casa) teve de escolher. Ou então, assim como tem planos maiores para Trump, o Deus de Frazão tinha planos menores para Corey Comperatore. Também há a possibilidade de o Deus de Frazão não ter tido tempo para pensar em planos para o morto, abandonando-o à sua sorte, enquanto, no último segundo, desviou a cabeça de Trump. Fico, ainda, a saber que o Deus de Frazão não teve tempo ou planos para todas as crianças mortas em tiroteios nas escolas americanas. [Read more…]