Indignados com Rendeiro na estreia da CNN Portugal?

Relativizem. O Observador abriu com um romance que tinha Mário Machado no papel principal.

O sistema de Ventura

Na passada Sexta-feira, no Parlamento, a criminalização da riqueza injustificada de titulares de cargos públicos e um conjunto de medidas anticorrupção foram aprovados, por unanimidade, por todos os partidos e deputados não-inscritos com assento parlamentar.

Todos?

Quase todos. Houve um deputado, o autoproclamado combatente anti-sistema, que faz da luta contra a corrupção uma bandeira, apesar do seu contributo parlamentar na matéria ser um redondo zero, que esteve ausente. Estava demasiadamente ocupado, com os seus amigos neofascistas, a passear por Bruxelas e a tirar boas fotografias, nomeadamente com Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita RN, que desviou 6,8 milhões de euros de fundos europeus para contratar assistentes para o seu partido, valor que se destinava a dar suporte aos representantes do partido no Parlamento Europeu. [Read more…]

A imunidade do milhão de portugueses recuperados da covid

Fonte: The Lancet

A parte sublinhada diz uma coisa muito simples: “vários estudos epidemiológicos e clínicos, incluindo estudos durante o período recente de transmissão de variante predominantemente delta (B.1.617.2), descobriram que o risco de repetição da infecção por SARS-CoV-2 diminuiu em 80,5-100% entre aqueles que tiveram COVID-19 anteriormente”.

Dito de outra forma, recuperar da infecção é mais eficaz do que ser vacinado. Segundo o PÚBLICO, há cerca de 1 milhão de recuperados da Covid-19. 10% da população.  Dado que esta perspectiva não é notícia habitual (aliás, é notícia?) e nem parece ser considerada nos planos da DGS (recuperados só têm direito a certificado até 180 dias depois da infecção), a questão óbvia é até quando a DGS vai manter a cabeça de avestruz enterrada na areia.

Talvez se possa pedir a opinião do consultor da Direcção-Geral da Saúde, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos, membro do Conselho Nacional de Saúde Pública e conferencista financiado pela Pfizer.

 

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A CNN Portugal acabou de nascer

E já morreu de velha.

Esquerda? Direita? Terceira Via?

Fotografia: Tiago Petinga/LUSA

Desde 2019 que o Partido Socialista decidiu seguir um caminho diferente daquele que foi sendo delineado, à Esquerda, a partir de 2015, juntamente com os seus parceiros, Bloco de Esquerda e Partido Comunista. Achando que poderia governar à lá carte, o PS foi negociando medidas à sua Esquerda (nomeadamente em questões sociais) e à sua Direita (no que às Leis Laborais diz respeito), conforme lhe fosse sendo mais conveniente e, sobretudo, obedecendo ao patrão (União Europeia), não querendo, com isso, pôr em causa a “coligação positiva” construída para destronar a Direita do poder.

Quem tudo quer, tudo perde. Chegados a 2021, depois de atravessarmos um período pandémico, previsto por ninguém, no que à situação espaço-temporal se refere, mas previsto por muitos, no que à saúde pública e ao ambiente diz respeito, era inevitável chegarmos a uma situação de crise (não só de saúde pública) económica e, por conseguinte, social. Ora, sabemos, de antemão que, perante uma crise, e se tivermos em atenção a História Política Mundial desde os anos 80, o caminho a seguir pelos governos do Mundo Ocidental, são sempre feitos à Direita. Reagan e Thatcher teorizaram. O Mundo Ocidental adoptou as suas teorias como pílula dourada. Temos, hoje, um mercado desregulado, prostrado aos poderes comuns de uma elite usurpadora da economia, o que leva à decadência económica das classes baixa-média e, por oposição, enriquece, ainda mais, a tal elite dominante. Não fosse isto ponto assente, saberia o PS que o caminho a seguir, depois dos acordos estabelecidos, teria de ser feito, obrigatoriamente, à Esquerda. Tendo escolhido o caminho de “eleições antecipadas”, é ao PS que nos cabe assacar as responsabilidades pela crise política em que vivemos hoje. [Read more…]

Foi você que disse “totalitarismo”?

Tenho aqui uma sugestão para aquela malta que vem colando às medidas de combate e contenção da pandemia o rótulo de totalitarismo: construir uma máquina do tempo e ir em excursão até à Alemanha Nazi, se possível entre 1941 e 1945, e ficar lá um mês. Na condição de serem todos judeus, claro.

Findo esse mês, regressam todos ao presente, caso tenham sobrevivido a Auschwitz, Dachau ou a qualquer outro “centro de vacinação”, momento em que – nova sugestão minha – poderão responder à seguinte pergunta:

  • Perceberam o que significa totalitarismo, ou querem lá voltar mais um mês?

Tenho a profunda convicção de que teríamos o problema semântico resolvido. E, seguramente, ninguém quereria lá voltar. Se quisesse, em princípio, é porque também não faria grande falta por cá.

Omar Souleyman

Fotografia: Stuart Sevastos

O músico sírio Omar Souleyman foi detido na passada quarta-feira, na Turquia, por acusações de terrorismo.

Suspeito de ligações ao PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que defende a auto-determinação e a liberdade religiosa do povo Curdo, considerado “organização terrorista” pela Turquia, os Estados Unidos da América e a União Europeia, Omar acabou por ser libertado no passado dia 19 de Novembro.

O PKK, partido que se define como socialista, nacionalista curdo e marxista, trava, desde os anos 80, uma luta contra a Turquia pela auto-determinação do povo curdo, minoria étnica e religiosa, historicamente ostracizada pela maioria muçulmana na Turquia e noutros pontos do globo. A maioria dos seus componentes foram sujeitos à pena de morte, aquando do Golpe de Estado na Turquia em 1980, tendo outros conseguido fugir para a Síria, onde se radicalizou e aproveitou o florescer da Primavera Árabe e da Guerra do Iraque para marcar posição. [Read more…]

Só se for na PlayStation

Temo ter de relembrar, àqueles que se revêem nos actos de Kyle Rittenhouse e o desculpam com base na “liberdade individual”, que a vida real não é o GTA.

Deus é mentiroso

Rodrigo Moita de Deus, na sua casa de fados, em Cascais, durante a interpretação de “Nasci para ser ignorante”.

 

Pode um mentiroso ser da família de Deus? Será uma questão teológica, mas, em Portugal, se nos referirmos a Rodrigo Moita de Deus é uma questão de (in)decência. Já não é a primeira vez que este parente do Senhor diz, na televisão pública, mentiras e alarvidades sobre os professores.

O comentador televisivo é, muitas vezes, um espécime da linhagem do tudólogo, que fala de tudo, mesmo, ou sobretudo, se não dominar o tema. Rodrigo Moita de Deus é, portanto, parente próximo de Nuno Crato ou de Carlos Guimarães Pinto.

Deixo uma ligação para o vídeo com a intervenção de Deus no Último a Sair e remato, mais abaixo, com um excerto de um texto copiado do facebook do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), para aqueles que quiserem verdadeiramente informar-se.

Os que não quiserem informar-se, podem limitar-se a ver o vídeo com a palavra de Deus. Com gente desta na família, é natural que as pessoas se afastem da Igreja.

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A normalização de um homicida sob a égide da Liberdade Individual

Fotografia: GETTY IMAGES

Lido aqui no Aventar: “(…) falamos de um jovem que agiu em legítima defesa.”

No dia em que “agir em legítima defesa” seja sair de casa, do sítio onde se estava sossegado, de escopeta em punho, seremos todos heróis da auto-determinação para matarmos quem nos apetecer. Será esta a tão afamada “liberdade individual”?

O liberalismo costumava estar do lado de quem é oprimido. Agora, posiciona-se sempre do lado do opressor. Não é defeito, já é feitio. Mas é muito pouco liberal.

Dito isto, está um indivíduo a passar aqui na rua de casaco amarelo. Odeio a cor amarela, vou buscar a escopeta.

Don’t tread on him? Não me fodas.

Como já li durante o dia de hoje:

“Parece que a extrema-direita supremacista e os liberais partilham mais do que ideias comuns sobre a economia. Também partilham símbolos.”

Fotografia: GETTY IMAGES

Kyle Rittenhouse, a prova viva da impunidade da extrema-direita americana

A 24 Agosto de 2020, Kyle Rittenhouse, de 17 anos, fez os 53km que separam Antioch, no Estado do Illinois, de Kenosha, no Estado vizinho do Wisconsin, onde decorreria, no dia seguinte, uma manifestação de protesto contra a violência policial, dias após Jacob Blake ter sido baleado sete vezes por um agente da autoridade, Rusten Sheskey.

Parece-me evidente que Rittenhouse foi à procura de problemas. De outra forma, não teria feito 53km até Kenosha, onde o aguardava a sua AR-15, para – alegadamente – proteger uma propriedade que nem sequer era sua. Uma característica comum entre os militantes da extrema-direita é precisamente essa: a ideia, contrária ao espírito da democracia e do Estado de Direito, de que é legítimo fazer justiça pelas próprias mãos.

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Nuno falta de vergonha na cara Crato

 

Crato diz que há professores a mais e que “redução é inevitável”

Falta de professores é um “drama anunciado há muito tempo”, diz Nuno Crato

Há muito para repetir (porque já foi tudo dito) sobre o consulado de Nuno Crato. No que se refere às duas declarações patentes na imagem, impõe-se uma pergunta básica: qual é o número mínimo de anos que corresponde a “muito tempo”? Relembre-se que  foi, alegadamente, ministro da Educação entre 2011 e 2015.

Nuno Crato foi um digno sucessor de Maria de Lurdes Rodrigues, cumprindo com denodo a tarefa de demolir a Escola Pública, o que incluiu um ataque continuado aos professores.

Tal como Maria de Lurdes Rodrigues, também Nuno Crato, por ter a mesma quantidade de vergonha na cara, aparece regularmente a dar opiniões sobre Educação. Está no seu direito, porque, em democracia, os incompetentes e os desavergonhados também têm direito a exprimir opiniões.

Don’t tread on him!

Esta semana, temos de celebrar o choro da fake media, da esquerda e de todos os que alinham com as agendas dos lobbies que usam a violência para defender as causas do bem. Kyle Rittenhouse foi considerado inocente, como só poderia ser. Perante organizações de extrema-esquerda, alimentadas por radicais que não olham a meios e pelo silêncio de quem não quer ser vítima de um cancelamento em grupo, poucos conseguem condenar os protestos violentos, mas facilmente apontam o dedo ou calam-se quando falamos de um jovem que agiu em legítima defesa. Se o Kyle já não estivesse entre nós, diriam que não podemos generalizar os protestantes e que acidentes acontecem.

Kyle Rittenhouse, nos seus 17 anos, apenas por se defender, atirando sobre indivíduos que o agrediram, aguentou aquilo que quem faz do ódio a sua maior causa nunca enfrentará.

Agora, que nunca se cale. Que não volte a passar por momentos como estes dos últimos dias, que bem devem custar. E que processe cada jornal, cada canal e cada pessoa que o difamaram.

Don’t tread on him!

This is Ameri KKK a

Rittenhouse, 18 anos, marcha sobre os activistas BLM; duas pessoas morreram às mãos do adolescente, agora ilibado, depois de fingir chorar em Tribunal

Kyle Rittenhouse, o adolescente que matou duas pessoas à queima-roupa durante um protesto anti-racista, foi ilibado.

Os Estados Unidos da AmériKKKa continuam pujantes. Quando, em Portugal, nos queixamos tanto da Justiça, vemos notícias como esta e sabemos: não estamos sozinhos no que à podridão da Justiça diz respeito.

Dançar o Vira

Greves, CGTP na rua, manifestações… até parece que há eleições em Janeiro.

Tudo perfeito, mas só agora é que se lembraram, sindicatos?

Católico rico, católico pobre

Por vezes cruzo-me com cemitérios repletos daqueles grandes jazigos, autênticos palácios muralhados que se elevam sobre a campa rasa do comum dos mortais. Todos os cemitérios os têm, é certo, e todos são livres de construir os seus castelos para o descanso eterno. Mas ocorrem-me poucas coisas, no âmbito católico apostólico romano, que sejam uma tão gritante antítese daquilo que são os ensinamentos bíblicos, como a diferenciação, após a morte, entre católicos ricos e católicos pobres. A ostentação e a estratificação social, em absoluta negação da retórica da humildade e do desprendimento do materialismo, e no limite – ou para lá dele – de alguns pecados ditos mortais são um fenómeno que atravessou os séculos e que, ainda hoje, se mantém. Conseguem imaginar Jesus Cristo a defender cemitérios em que os filhos do seu Pai se diferenciam pela posse e pela condição social? Eu não. Eu imagino-o a fazer com esses jazigos o que fez com os vendilhões do templo. Sim, é uma hipocrisia e não podia estar mais a léguas daquilo que são os valores cristãos fundadores e ancestrais. E são um dos muitos espelhos de uma sociedade profundamente elitista, onde a religião, mais do que um fim em si mesma, é um meio para outras finalidades. Já a frugalidade sobre a qual assenta o protestantismo, as suas práticas e os seus templos, por contraste com a opulência reinante no mundo Católico, diz muito sobre onde eles estão e onde nós estamos. Nada, nem isto, é por acaso.

Problemas

“Temos um problema claro de crescimento e de ambição”

A sério? Temos? Em Portugal? Eu diria que temos um problema de salários e emprego. O que já são dois problemas. Mas isso sou eu… que não sou o Horta Osório.

Bailinho

O dia de ontem foi peculiarmente sumarento ao nível da exposição dos verdadeiros intentos da fraudemia.

Por um lado, ficámos a saber que a Madeira adoptou o sistema de castas que já prolifera por alguns países do mundo. Mercados, restaurantes, cabeleireiros e convivência social em geral é luxo inalcançável para quem não se sujeitar ao tratamento médico experimental imposto, nem sequer por médicos note-se, mas por sociopatas engravatados. Obrigarem os madeirenses não-vacinados a deixar crescer o cabelo demonstrou em definitivo que o menosprezo do estado de Direito e o uso da Constituição como papel higiénico não foi circunstancial, mas sim deliberado e permanente. Com esta agravante: a acreditar que a taxa de vacinação na Madeira é semelhante à do resto do país, quantos são os não-vacinados? Meia-dúzia? Considerar que representam um perigo de saúde pública não é não entender de epidemiologia, é declinar qualquer tipo de razoabilidade e honestidade. Direitos inalienáveis, diziam orgulhosas as prostitutas do sistema, proclamando-se amantes da liberdade, de cravo presunçoso na lapela. Que hilariantes montes de merda.

Porém, a melhor notícia de ontem foi a informação de que qualquer injectado com a mistela Janssen terá de tomar uma dose de reforço. Não é “poderá tomar”, que é o spin que foi dado por muita comunicação; foi bastante explícito que “terá” de o fazer. Esse reforço terá necessariamente de ser…de outra marca. Algum obscurantista poderia aqui especular interesses financeiros: para citar um apenas, fico-me pelo vencedor de um Globo de Ouro, o nosso amigo Popeye das vacinas, o herói nacional que diz que quem afirma que estamos a usar cobaias humanas por putrefactos interesses corporativos é um perigoso obscurantista, mas que esta terceira dose é inadmissível, porque é claramente usar cobaias humanas por putrefactos interesses corporativos. Poderíamos até, num assomo de loucura, ousar afirmar que reforços de vacinas completamente distintas não são reforços imunitários, é uma roleta russa que se torna particularmente anedótica se verificarmos que a taxa de mortalidade de infectados abaixo dos 50 anos é virtualmente de 0%.

Ficar-me-ei pelo optimismo: atendendo a que a população que tomou a mistela Janssen é maioritariamente composta por homens abaixo dos 40 anos, parece-me que irritaram o sector populacional errado. Esta não é propriamente a população mais impregnada da narrativa. Muitos destes jovens tomaram a injecção em troca de uma liberdade da qual nunca deveriam ter abdicado e rapidamente se aperceberam de que ela não irá voltar por continuarem a submeter-se aos apetites insaciáveis de uma elite psicopata e de compatriotas autoritários. Sentem-se defraudados e agora também assustados. Além disso, homens abaixo dos 40 são os que melhor sabem andar à porrada, o que será uma skill de grande utilidade quando inevitavelmente vivermos no limiar da guerra civil. A todos os jovens que se recusarão a injetar mais doses, bem-vindos ao grupo dos não-vacinados. Não se julgavam mentirosos conspiracionistas de extrema-direita? Não se preocupem, rapidamente os jornalistas vos vão informar de que são.

O bicho papão

O cão não ladra por valentia e sim por medo.
(provérbio chinês)

Portugal e Espanha – desenvolvimento no Sec. XXI

Passou ontem um documentário no Canal Odisseia, “Espanha desde o AR: 24 horas” que, apesar de demasiadamente sucinto, fornece-nos uma visão do desenvolvimento espanhol desde meados dos anos 90 do século passado, particularmente sobre a angariação e aplicação de fundos comunitários para o desenvolvimento económico e social de Espanha.

Aconselho vivamente a sua visualização enquanto estiver disponível, pois, apesar de mostrar muitos erros e crimes ambientais, envergonha, seguramente, todos os portugueses, em particular os políticos que nos têm governado e, mais em geral, os cidadãos do nosso país não se constituem, através de movimentos associativos e empresariais, como críticos e exigentes com quem elegem.
Creiam que vale a pena gastar esta horita e, espero eu, que nos convoque a reflectir para a urgente necessidade do exercício de uma cidadania activa.

A vingança de André Ventura

Foto: Eduardo Costa/Lusa@Público

Quero começar por endereçar os merecidos parabéns a Rui Rio, que teve visão e habilidade política para mandar o cordão sanitário às urtigas e escancarar os portões da democracia para a entrada da extrema-direita. Um ano depois, o resultado está à vista: perdeu eleitorado para os extremistas, viu o seu junior partner ser canibalizado, a ponto de ficar ligado às máquinas, e o acordo para os Açores está na iminência de cair à primeira birra de André Ventura, que andou a mendigar ministérios num hipotético governo PSD, não conseguiu e lá se vingou no arquipélago. Lição nº 1 da extrema-direita: a extrema-direita não tem palavra: move-se, única e exclusivamente, pela destruição da democracia, pelo ódio e pela agenda pessoal do seu dono. [Read more…]

José Guilherme, o amigo 14 milhões de Ricardo Salgado

quer “licenciar megacentral solar no Alentejo“. Se for tão eficaz como daquela vez em que se esquivou à CPI do BES, ao MP e ao DIAP, sem que isso afectasse a marcação no barbeiro, tem tudo para correr bem.

Ao colo uns dos outros

Um país que tem tantas pessoas a precisar de um salário determinado por decreto para sobreviver é um país condenado ao fracasso. O salário mínimo nunca beneficiará os mais desfavorecidos.

MOAMBA

  • Tens-te transformado numa coisa muito ruim! – disparou o homem enquanto comia uma garfada de bacalhau.
  • É o que tu dizes. Outras pessoas dizem o contrário. – respondeu a mulher mordiscando um palito de batata frita.

  • Quem? – quis ele saber.

O diálogo prosseguiu neste tom que a excessiva proximidade das mesas me impedia de não ouvir, apesar do ruído de fundo do restaurante cheio.

Refugiei-me na moamba e nas memórias de sabores que, no meu caso, recuam até à infância e a outras geografias.

Enquanto o homem se lamentava em voz alta e a mulher, em silêncio, se arrependia pela milionésima vez de se ter casado com aquela besta, eu sentia alguma nostalgia porque, se quase tudo é reproduzível, isso não acontece com o travo do óleo de dendém caseiro dessa infância longínqua, aquele que marca pela eternidade fora o verdadeiro gosto de uma boa moamba de galinha.

Selminh… O simplório

Fotografia: Lucília Monteiro

Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, disse em tribunal que, no caso Selminho, foi “incauto”.

Para os mais distraídos:

in·cau·to
(latim incautus, -a, -um)
adjectivo
1. Que não tem cautela ou prudência. = DESPREVENIDO, IMPRUDENTE ≠ CAUTO, CAUTELOSO
2. Que é inocente e sem malícia. = CRENTE, INGÉNUO

Eu também sou “incauto” quando fico com a última fatia de bolo do prato. Nunca me aconteceu ser incauto para beneficiar a minha família em negócios imobiliários enquanto presidente de um município.

Cada um com a ingenuidade que lhe é característica…

Ontem, por causa desta foto

Foto: Especial

lembrei-me disto:

Pertenecemos a un continente cuya lengua materna es más o menos el castellano. Vivimos un tiempo en que tendremos que aprender inglés sí o sí y ustedes deberán ser un país bilingüe sí o sí, porque la fortaleza de las mujeres latinas es admirable y van a llenar este continente de gente que habla castellano y también portugués. Y también portugués.

Deixem as fardas em paz

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa@DN

Ainda o bem-sucedido processo de vacinação não estava concluído, já os portugueses se tinham rendido à eficiência e ao low profile abnegado do vice-almirante Gouveia e Melo. E foi, de facto, um trabalho notável e exemplar. Merece, a meu ver, todos os elogios. E a recusa categórica do messianismo foi a cereja no cimo do bolo:

Eu não sou político. Qualquer ser que apareça como o salvador da pátria é mau para a democracia, porque a democracia salva-se em conjunto com todos os atores do sistema democrático.

Não foram poucos, aqueles que, num ápice, se converteram à religião das fardas. Alguns por admiração, outros por desencanto de longa-duração com o funcionamento da democracia, outros ainda com os olhos postos numa solução autoritária, olhando para Gouveia e Melo como um meio para atingir um fim. Felizmente para nós, os militares portugueses têm tido um papel central nos combates pela democracia e pela liberdade, e, parece-me, são poucos dados a cantos de sereias fascistas. Basta ver o que fizeram aos antepassados desta nova vaga de extremistas de direita, naquela madrugada inicial, inteira e limpa.

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Inês Sousa Real meets Ricardo Robles

A confirmar-se que as empresas das quais Inês Sousa Real é ou foi proprietária recorrem a práticas pouco sustentáveis e amigas do ambiente, nomeadamente a agricultura intensiva e o uso de pesticidas, podemos estar perante o princípio do fim da carreira política da líder do PAN, que ainda agora começou. O episódio traz imediatamente à memória o caso Robles, também ele uma figura que teve uma ascensão meteórica, para de seguida cair com estrondo e desaparecer do mapa, descobertos que foram os seus negócios imobiliários. Tal como Sousa Real, Ricardo Robles não cometeu nenhuma ilegalidade. Mas feriu de morte parte essencial da narrativa do seu partido. Não é coisa pouca.

O momento em que este caso surge não é inocente. Ao colocar-se na posição de potencial muleta do PS, num hipotético cenário pós-eleitoral em que os deputados eleitos pelo PAN cheguem para António Costa conseguir maioria absoluta, Inês Sousa Real ficou na mira da direita, mas também dos partidos de esquerda, que disputam a parte do eleitorado mais sensível ao problema das alterações climáticas. Fez o pleno, portanto.

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Quem é Nuno Miguel Henriques?

é o militante do PSD que também quer liderar o partido e que vai obrigar Paulo Rangel a debater. The plot thickens…

A vida inteira com o salário mínimo

Uma reportagem do Público. Aumentar para quê? “O pouco que nos possam dar, para nós é muito. Vinte euros já me dão para ir ao supermercado e comprar comida para uma semana.” Ao cuidado dos chalupas da meritocracia.