Olga Roriz… boring!

Na última sexta-feira fui ao Teatro Nacional S. João ver o espectáculo de Olga Roriz chamado Electra baseado / inspirado no clássico com o mesmo nome.

É verdade que a história é trágica, que existe uma coreografia, que não é um espectáculo literal, que a dança contemporânea não é das artes mais simples de apreender, e que se contam pelos dedos de uma mão os espectáculos de género que eu já vi.

Isso contextualiza a minha opinião… mas não a muda.
De qualquer forma anima-me o facto de outras pessoas com quem falei terem a minha opinião… embora isso provavelmente só queira dizer que são tão básicos como eu.

Resumindo… pelo menos no próximo ano, da próxima vez que tiver um conflito de agenda entre um espectáculo da Olga Roriz ou uma reunião da Campo Aberto já sei o que vou escolher…

Sócrates é o líder da oposição a Sócrates

Sócrates desgasta mais a imagem e a credibilidade de Sócrates do que Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas ou Francisco Louçã. Movimentando-se na cena política com a elegância de um elefante numa loja de porcelanas, confundindo público com privado, estado com foro pessoal, afirmação com provocação e arrogãncia, determinação com intolerância, Sócrates começa a ser questionado internamente pelos seus correlegionários. Imagino que o façam ainda em voz baixa e tom dúbio, tipo “não me comprometas” . No entanto, haverá quem comece a afiar as facas no Largo do Rato.

A iminência do trambolhão governamental

indefensável

No blogue do governo enumeram-se as malfeitorias do PSD com a comunicação social, um historial que ameaça chegar a datas anteriores à fundação do próprio PSD. O ataque por vezes é uma boa defesa, mas neste caso é a única defesa.

baralhado

Vital Moreira baralha-se e declara que as escutas a Paulo Penedos são ilegais, refere a imaginação fértil de um agente local do Ministério Público e jura que o governo nem sequer controla a RTP. Por muito menos chumbou muito aluno no tempo em que professava.

jugulado

Depois de um profundo silêncio jugular, FC atiça o PSD com a liberdade de expressão nos blogues (se bem sugerido o Grupo Parlamentar do PS ainda chama o Paulo Querido à Comissão de Ética e pior do que isso, ele vai), RCP lança um vago gemido (é possível que as ameaças de Cavaco tomar o poder o tenham recomposto e cantarole eu tenho dois tractores) e MJP descobre que o Sapo que é da PT ainda não apagou o blogue do Manifesto pela Liberdade. João Galamba canta vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. Vai chover, talvez um bocadinho menos que na Regra do Jogo, mas chove.

Jornalismo de buraco de fechadura? Excelente!

José António Saraiva diz e diz muito bem. «O grande jornalismo é aquele que vai aos bastidores, que vai atrás da cortina ou do buraco da fechadura. O trabalho jornalístico que verdadeiramente enobrece a imprensa é aquele que consegue desmontar e pôr a nu as coisas que o poder político, económico, judicial ou religioso pretendiam manter escondidas e camufladas e denunciar determinadas actuações ilegítimas do poder, e em que há notória cumplicidade do poder judicial» (via Desabrantizante)
E não venham os moralistas de pacotilha, que sopram para o lado que lhes convém, falar de privacidade e de intimidade. Quem está a cometer um crime não tem direito à privacidade.
Se os jornalistas espreitassem pelo buraco da fechadura para saber quem é a nova namorada de José Sócrates, os defensores do primeiro-ministro teriam toda a razão.
Agora, se os jornalistas espreitam pelo buraco da fechadura para saber se José Sócrates tentou dominar a comunicação social em vésperas de eleições, então não têm razão nenhuma. Porque para os criminosos não há direito à intimidade.

A Província Cisplatina (Memória descritiva)

A vermelho, o Brasil; a Sul, a Província Cisplatina, actual Uruguai.

A Colónia do Sacramento, de que já aqui falei há semanas atrás, fundada por Portugal em 1679 e perdida para a coroa espanhola em 1777, voltou à nossa posse em 1817, quando D. João VI incorporou toda a região do actual Uruguai no Brasil. A região anexada recebeu o nome de “Província Cisplatina”- prefixo cis – do mesmo lado – e platina de Rio da Prata: portanto, do mesmo lado do Rio da Prata (que o Brasil). Durante um século, Sacramento fora por diversas vezes ganha e perdida nas lutas com as tropas espanholas ou nas guerras diplomáticas, até que o Tratado de Santo Ildefonso, assinado em 1777, a fixou como possessão espanhola.

Como sabemos, em Novembro de 1807, D. João VI, ameaçado pela invasão napoleónica, transferiu a Corte para o Brasil. No Congresso de Viena, em 1815, o Brasil foi integrada como Reino, constituindo o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Por outro lado, a ida da Corte para o Rio de Janeiro, levou o rei a preocupar-se com o engrandecimento daquela gigantesca possessão portuguesa.

Em 1815, a Casa de Bourbon fora banida do trono de Espanha pelas forças napoleónicas. D. João VI temeu que os espanhóis o imitassem, reproduzindo Espanha no novo Mundo, e na região circundante do rio da Prata nascesse um reino poderoso. Por isso, em 1816, a “Divisão dos Voluntários Reais”, sob o comando do general Carlos Frederico Lécor, invadiu região oriental, tomou Maldonado e ocupou Montevideu em 1817. Carlos Frederico Lécor, barão de Laguna (1764-1836) foi um militar e nobre português, mas que serviu o Brasil após a independência.

Gravura de Debret mostrando o embarque, na Praia Grande, das tropas portuguesas que participaram no cerco a Montevideu, em 1816. [Read more…]

ERC inquire Sócrates !

Estamos numa sala com pouca luz que entra pela freta de uma janela por onde espreita, de vez em quando, um gajo corpulento. A mesa, comprida, afasta de tal forma inquirido e inquiridor, que dir-se-ía não quererem olhar-se nos olhos . As vozes, amortecidas pelos generosos tapetes  que há muito não são limpos, ecoam de forma fantasmagórica. Um jornal, com um telefone dependurado na primeira página pousa, envergonhado, em frente do inquiridor.

Inquirido : A ERC a que o sr prof preside por minha vontade já chamou o director dessa sargeta ?

Inquiridor : Sr. Primeiro ministro, saiba V.Exª que estamos só à espera de saber o que pensa V. Exª para o trucidarmos aqui nesta mesma sala!

Inquirido : O que eu penso e que corresponde rigorosamente à verdade, é que nunca ouvi falar de tal coisa!

Inquiridor : Mas concerteza, nem isso está em causa, o que gostaríamos de saber é se há algum problema com sócios, bem, há accionistas que não são…

Inquirido : …mas , há accionistas… o que quer dizer com isso?

Inquiridor : o problema sr. primeiro ministro é que há accionistas que não são portugueses…

Inquirido : (pausa) respiração ofegante…então é por isso que essa m…saiu aí e não saiu nos outros?

Inquiridor : nem durmo, os outros não se atrevem, mas este…

Inquirido: já chamou o Vara? Nada de telefones. Ele arranja solução, agora que está lá para Oeiras…o sobrinho do de Oeiras ainda é taxista na Suiça? Afinal neste mundo global não se sabe quem são os accionistas. E aqueles gajos do banco que lhes enfiaram o barrete? esses gajos são capazes de ter ideias…

Inquiridor : está V. a ver como tenho passado mal os últ….

Inquirido : ó, homem, cale-se! deixe-me pensar, ninguem resolve nada, é preciso ligarem uns para os outros quando estão com a massa na mão e é só dar um pulinho ali a Espanha?…

Inquiridor : mas…

Inquirido : Faça como o nosso PGR e o PTJ, bem fizeram, mande queimar tudo…

Azedo “regulador” já não vai a tempo, como mandar queimar tudo? como? Grossas gotas de suor escorrem-lhe cara abaixo…António! grita, António, é continuo e motorista que se apressa. Chame a Serrano, qual ? a Fernanda? Azedo lança-lhe um olhar de “animal feroz”, mas a nossa está de férias sr. Presidente, murmura António, então, e o outro vogal da administração, tambem não está? António, baixa a voz, o sr vogal desde ontem que está a escrever e muito zangado… já lhe despejei quatro cestos de papel com rascunhos…até trago aqui um para o sr. Presidente ver…

Azedo, desdobra o papel que tem como título : (Eventual) Apoio à manifestação a favor da liberdade de imprensa!

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO 2010 #11 Fev.

Foi nos Arcade Fire que conheci Owen Pallett mas foi como Final Fantasy que tive o grato prazer de o ver/ouvir ao vivo na Zambujeira. Um dos grandes regressos de 2010 com o seu novo trabalho Heartland by Owen Pallett. A não perder!

Ainda novos lançamentos de 2010 a não perder: Los Campesinos (Romance is Boring). Em grande, uma vez mais, as fantásticas First Aid Kit (The Big Black and The Blue), que foram uma das grandes revelações do ano passado e que se preparam para ficar na história como um dos melhores trabalhos do ano que agora começa. Aqui, no Aventar, sempre com as melhores novidades musicais.

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Apontamentos do campo (10)

(Por terras de Miranda do Douro)

Nem todos pela mesma liberdade, e que cada um tenha a sua

Um manifesto, e uma espécie de maniphestação à hora de almoço, despoletaram uma discussão interessante, entre a esquerda que a assinou e a esquerda (essencialmente algumas tendências do BE) que não assina.

Do lado do não, não,  não subscrevo, não assino (e reler Jorge de Sena vem a propósito) argumenta-se com as más companhias, as escondidas intenções de meter tudo nas mãos do sr. Silva, e uma subtil, ou descarada, defesa do PSP como mal menor em relação ao PSD.

Começando pelo último: é um velho vício de alguma esquerda portuguesa ver no PSP vestígios de socialismo arrumado na gaveta quando já nem há gaveta, sobras do antifascismo da longa noite, já para não falar na preocupação, saudável, em capturar algum do seu eleitorado.

É verdade que no PSP ainda sobrevive gente de esquerda (acredito porque conheço pessoalmente), mas já é cegueira não entender que na actualidade a sua função é meramente decorativa. Mesmo dos democratas de outros tempos sobra pouco mais que ninguém, seja pela lei natural da vida que Cunhal tanto gostava de referir, seja porque muito simplesmente se fizeram à vida, e ninguém merece consideração política pelo que foi se hoje já não o é.

O PSP não passa de uma agência de emprego, com critérios muito rascas como se vê pelos envolvidos nas calhandrices da face oculta, que tem como política a que lhe encomenda quem manda.  Tem uns laivos de progressismo em cousas da moral & costumes, e é importante aproveitá-lo, mas sempre relembro os que ainda andam saudosos do último referendo à IVG que o primeiro se perdeu por conta do na altura partido de Guterres (e da falta de jeito de muita feminista também). Já nem republicanos são: reproduzem a mesma casta aristocrática, simbolicamente representada no  Presidente do Centenário, as comemorações mais insultuosas à memória histórica que se fazem em Portugal desde 1940. [Read more…]

O Carnaval do MIDAS


Tirado daqui

As noites de lua cheia…

… é um filme de Rohmer de que gosto muito. Aliás, como quase todos os filmes de Rohmer. Não vou falar do filme ( há por aí, desde que o homem bateu a bota,  uma data de caixas dvd disponíveis no mercado)que faz parte da série comédias e provérbios. O provérbio que dá o lema ao filme  reza assim: “aquele que tem duas mulheres perde a alma, aquele que tem duas casas perde a cabeça”.  Quanto ao senhor da foto está tudo dito.

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Desculpe, disse? #3

Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa”.

Quer dizer, pois, talvez, bem, olhem para a minha cara:

Pois, se calhar não há. Quer dizer. O meu ar de sofrimento? Nem sabem como tenho passado mal estas noites desde a publicação das escutas no Sol. Não se faz, não é? Mas olhem para mim agora:

Assim, ah, já estou mais convincente, pá. Ainda faltam dois dias para sexta. A manif? Qual manif, pá? Não há qualquer indício que a manif seja contra o PM, pá. Pela Liberdade?

Ó pá, pela minha saúde, pá.Bem, agora vou ali e já venho, tá?

A minha é maior que a tua…

Palmado AQUI

Dia europeu da internet segura

Foi o dia de hoje. Não ouvi ninguém falar das responsabilidades da micro$oft na insegurança de andar pela rede, no papel histórico do seu sistema operativo e do seu programa de navegação em abrir a porta de nossa casa sem o sabermos. Pior, a própria empresa participou no evento, com o descaramento que lhe é típico.

Agora disparates sobre redes sociais, e ignorância sobre aquilo a que chamam sexting (esta gente não percebe que muitos miúdos se expõem por razões culturais, sim os paradigmas mudam, e têm medo é de que os pais descubram, porque é aí que começa o problema), isso como de costume abundou. A colaboração interesseira da comunicação social que tem pela rede o mesmo horror que a natureza não tem em relação ao vácuo viu-se em todo o seu esplendor. Um dia bem passado portanto.

Os dias do fim – 9 de Fevereiro de 1910


via Póvoa 2010

Hoje, dia 9 de Fevereiro de 1910, não houve jornais. Ontem, comemorou-se a Terça-Feira de Carnaval, razão pela qual os jornalistas e tipógrafos não trabalharam.
No dia 8, o tema do dia era precisamente o Carnaval, com dois cartoons alusivos à quadra e um longo texto sobre a história do Carnaval.
Em Lisboa, fala-se da possibilidade de organizar uma grande Exposição Internacional, da qual faria parte a construção de um grande palácio no alto do Parque Eduardo VII.
No noticiário internacional, aventa-se, segundo informações vindas da capital francesa, que o cometa Halley vai chocar com a Terra. Dá-se também conta de um crime em Paris, com duas mulheres degoladas por motivos passionais.
Ainda no que respeita à criminalidade, a D. Maria Rosa de Almeida foi assaltada no Porto. Roubaram-lhe, no largo dos Lóios, uma bolsa que ela trazia no avental com 5 meias libras, 10$000 réis em dinheiro e um vigésimo da Lotaria de Lisboa.
Morreu José Galiza, «estimado e importante alquilador» do Porto. Foi ele que estabeleceu o serviço de carros eléctricos entre Vila do Conde e a Póvoa.
O «Jornal de Notícias», dirigido por Alfredo de Figueiredo e com 42 mil exemplares de tiragem diária, já é o jornal com maior circulação no norte do país.
Faltam 239 dias para a instauração da República.

É difícil explicar…

Diz o Liedson!
Eu por mim há muito que venho explicando aqui no Aventar e só não ver quem não quer!

0-1 por David Luis:

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/QFKatsBZo3baaYaIvsrl/mov/1

0-2 por Ramirez:

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/k8YQmSUA7oN2aVl6HWtp/mov/1
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«O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar» (Rui Pedro Soares)

MAIS ESCUTAS TRANSCRITAS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO «SOL»

continuação daqui

– «A confirmar-se a operação da TVI, terá algum fôlego na reorganização da comunicação social – as transacções do grupo Impresa nas últimas horas. Está tudo ligado.» (Paulo Penedos para um tal de Luis)

– «Está tudo a seguir o seu caminho. [Vou] jantar com o primeiro.» (Rui Pedro Soares, administrador da PT, para Paulo Penedos)

– «A abordagem está a correr bem. [Sócrates] diz que tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama sem o proveito.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «Já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «[Depois disto, espero] obter do chefe luz verde para lhe tratar da comunicação durante 3 meses.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos).

– «É uma cortina de fumo [o interesse da Telefonica na PT] para dar a ideia de que há mais interessados e que se trata de algo com mero interesse empresarial para justificar a operação.» (Paulo Penedos para José Penedos)

– «Se o Moniz é corrido sem nós entrarmos, é melhor para a PT, mas é pior para o chefe máximo.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos) [Read more…]

No Centenário: quando a Inglaterra visitou Portugal

9 de Agosto de 1902, consagra o verdadeiro início do século XX na Inglaterra. Nesta data foi coroado Eduardo VII e a Europa despediu-se do longo período vitoriano, durante o qual conquistou o mundo e se forjaram novos Estados, pela unificação imposta por nações e exércitos. A Itália e a Alemanha tinham deixado de ser meras expressões geográficas e cumpriam o seu decisivo papel no frágil equilíbrio de forças plasmado em alianças que mantinham o staus quo de fronteiras e regimes.

Ascendendo ao trono aos sessenta anos, o monarca assistira ao longo processo de consolidação dos nacionalismos continentais e à rápida transformação imposta por uma revolução industrial que tendo na sua pátria o berço, rapidamente teve réplica além-Mancha, originando uma outra realidade política e económica que não deixava de ameaçar a até aí incontestada supremacia britânica.

Como Príncipe de Gales e sucessor designado de Vitória, viajou e conheceu os grandes vultos do seu tempo, fossem eles políticos, financeiros ou artistas. Conviveu com os parentes que ocupavam os mais importantes tronos da Europa e foi talvez o primeiro habitante das Ilhas Britânicas a verificar a vantagem implícita no conhecimento in loco de outras sociedades potencialmente rivais da sua. O Grand Tour onde criou fama de bon vivant frívolo e mulherengo, permitiu-lhe o estabelecimento de contactos que décadas mais tarde, seriam preciosos esteios de um Foreign Office sempre mal amado pelas chancelarias europeias.
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Isto não é sobre futebol

Logo há um jogo Sporting – Benfica. Conta para quê? É de que campeonato? E o jogo de ontem? Conta? É para o campeonato, para a Liga ou para a Taça?

É uma imensa baralhada, tudo metido em cima uns dos outros , ninguém faz ideia nenhuma do que se trata, não contentes antecipam jogos, o Benfica vai à frente mas ao Braga falta-lhe um jogo, é assim ou ao contrário?

Estes dirigentes deviam ter um bocadinho de profissionalismo, ajudarem à organização, mas como decretaram férias em Dezembro ( quando em Inglaterra fazem uma festa, um hino ao futebol) agora atafulham tudo, tudo à martelada, vem aí o Campeonato do Mundo descobriram que a selecção pouco tempo tem para se preparar depois da bagunça ter terminado.

Não há mérito, não há profissionalismo, não há vergonha! E se fossem para casa e dessem o lugar a outros, a quem tenha só um emprego?

Outra saída é andarem à batatada uns com os outros como o seleccionador já deu o exemplo. Pode ser que sobrem uns quantos com pouca vontade de andarem a brincar com quem gosta de futebol!

A Liberdade e o "rabinho" entre as pernas…

Vem ao de cima! Mais tarde ou mais cedo vamos saber a verdade, mas é preciso termos em consideração que a verdade não é igual para todos. Para alguns, Sócrates fez o que tinha a fazer, usar o poder e o dinheiro que tem à disposição (embora não seja dele) para calar quem o ataca. Não é obrigação de quem é atacado calar quem o ataca?

Depois há os que consideram que a verdade pode ser prejudicial, não vá ser usada pelos adversários políticos e favorecer fins que os próprios não consideram saudáveis, pese embora prejudicarem a verdade.

E há os que que consideram que a verdade deve ser defendida porque estão convencidos que se nada agora fizerem, na próxima vai ser bem pior e assim a degradação da democracia é cada vez mais acelerada.

Isto é tudo muito conhecido, há dezenas de anos que os argumentos são os mesmos, os aproveitamentos, os “abraços de urso” , a táctica, a estratégia, o ver longe, o ser diferente, o botar figura, e uma e outra vez, sempre que os valores essenciais da democracia estão em perigo há uns meninos muito dotados que metem o rabinho entre as pernas e ninguem os vê!

A posição destes senhores é como o gajo que está em pleno campo de batalha e à ordem de avançar “desloca” um tornozelo e é vê-lo com ar revoltado na cama mais próxima do hospital de campanha.

Mas esteve lá! Para contar como foi!

Indiferente às notícias, ignorando que eram os seus últimos dias, cumpria o programa habitual

.

Sir Archibald Radcliffe-Brown

Para Ana Matias, no dia do seu aniversário, que coincide com a festa do amor.

Sir Archibald Reginald (Birmingham, 17 de Janeiro de 1881Londres, 24 de Outubro de 1955), cientista social britânico é considerado um dos maiores expoentes da Antropologia, ao ter desenvolvido a teoria do funcionalismo estrutural. Esta forma de análise, usada por ele e seguida por vários outros, é definida como: Funcionalismo (do Latim fungere, ‘desempenhar) é um ramo da Antropologia e das Ciências Sociais que procura explicar aspectos da sociedade em termos de funções realizadas por indivíduos ou as suas consequências para a sociedade como um todo. É uma corrente sociológica associada à obra de Émile Durkheim. Para Durkheim cada indivíduo exerce uma função específica na sociedade e a sua má execução significa um desregramento da própria sociedade. A sua interpretação de sociedade está directamente relacionada ao estudo do facto social, que segundo Durkheim, apresenta características específicas: exterioridade e a coercibilidade. O facto social é exterior, na medida em que existe antes do próprio indivíduo, e coercivo, na medida em que a sociedade impõe tais postulados, sem o consentimento prévio do indivíduo. Entre os académicos que usaram este método analítico da conduta social, estão: Michel Foucault, Bronislaw Malinowski , Alfred Reginald Radcliffe-BrownÉmile Durkheim , Talcott Parsons, Niklas Luhmann, Louis Althusser, Nikos Poulantzas,George Murdoch,Kinglsey Davis , Wilbert Moore, Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu. Fonte: textos dos autores mencionados com as palavras na wikipédia.

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Arte púbica. Já tinha ouvido falar?

Nunca as palavras arte, artista, artístico, estiveram tão banalizadas. Ele é a arte de tudo e mais alguma coisa, nem vale a pena tentar enumerar. Agora é a arte púbica. Se a arte pública é para ser vista por todos, a arte púbica é para ser vista só por alguns. Não gosta do nome? Nem eu. Mas também lhe chamam depilação artística. E aos depiladores, chamam artistas!


«Todos pela Liberdade» – Antevisão


Na quinta-feira vai ser assim

Hoje somos todos do 5Dias!

Como compreendo a malta do 5Dias.

O blog 5Dias, um blog assumidamente de esquerda, não foi de peneiras e juntou-se aos inúmeros blogues e bloggers nacionais no “Manifesto Pela Liberdade“. Resultado: a blogada situacionista, qual matilha, desanca-os de alto a baixo.

Sou um dos 50 bloggers que assinaram o Manifesto e, quando o fiz, nem perguntei quem era a companhia, apenas me limitei a ler o conteúdo e a ser indiferente ao embrulho. Como concordei e concordo com parte substancial, assinei sem hesitações. Mas quem eram os outros 50? Olhem, nem sabia que eram 50. O que me precupa é a Liberdade e não quem nela me acompanha.

Sobre a posição hipócrita do Arrastão, já aqui escrevi. Parece uma birra de meninos – eu não brinco com o Carlinhos, nem com Rodriguinho e muito menos com o André, buá, buá, buá. Claro que me faltou, para explicar o inexplicável, a arte e o engenho de Renato Teixeira que, no 5Dias, explica tudo muito bem explicado. Agora, também não queiram que o Jugular ou a Minoria Relativa e muito menos o Entre as Brumas da Memória, entre outros, alinhem neste manifesto transversal. Era pedir muito e seria uma violência para os próprios. Tal como não se pode pedir a algumas almas que critiquem a voz do seu dono, já basta a coragem da Cláudia. Heresia.

Entendem alguns, poucos, que este manifesto pretende, acima de tudo e com toda a suspeita, patrocinar uma solução “presidencialista”. Desculpem lá, o quê? Olharam bem, com olhos de ver, para os 50 subscritores? Alguém duvida que, de entre os 50 subscritores, os que são de direita, são contrários a uma solução presidencialistas e logo com este Presidente e o seu historial de relacionamento com a Liberdade de Imprensa? Acreditam mesmo? Humm, cheira-me a desculpas de mau pagador.

Meus caros, este caso faz-me lembrar um outro, que ficou a meio: o Caso Moderna e o que ele representava de tomada de assalto ao poder através do domínio da comunicação social. Mas sobre isso escreverei mais tarde. A Liberdade não se discute percentualmente. Ou é a 100% ou não é Liberdade. Mas pode até ser outra coisa qualquer…

Por isso, hoje, pela liberdade, somos todos do 5Dias!

Olhó Carnaval a chegar!

Poema da Mente

“É possível enganar parte do povo, todo o tempo; é possível enganar parte do tempo; jamais se

enganará todo o povo, todo o tempo.”

Abraham Lincoln

…. é possível enganar o povo até ao ponto quando este decidir deixar de auto-enganar-se.

Rolf Damher

O POEMA DA ‘MENTE’

Há um primeiro-ministro que mente.
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sinceramente.
Mas que mente, sobretudo, impunemente…
Indecentemente… mente.
E mente tão racionalmente,
Que acha que mentindo vida fora,
Nos vai enganar eternamente.

Faltam 429 dias para o Fim do Mundo

…e continua a divulgação da manifestação Pela Liberdade. Enquanto isso, a imprensa não se cala com o processo Face Oculta, com ambos os lados da barricada a esgrimir argumentos. Agora, comparar o nosso primeiro com Berlusconi e Chávez não lembra a ninguém. Excepto ao Sarmento (hei, malta, olhem para mim, eu estou aqui, allô directas) que teve o descaramento de insultar estas grandes figuras internacionais e exemplos de defesa intransigente da Liberdade de Imprensa. Que maldade!

Por falar em maldade: a ERC está a pensar chamar o PM!!!

Por último, hoje é dia de bola na segunda circular e se uns se calam outros falam pelos cotovelos.

Ainda o Regicídio (Centenário da República)

Este texto é um apêndice de um outro que aqui publiquei no dia 1 de Fevereiro. Como disse na altura, o meu intuito não é resolver o mistério do Regicídio, mas sim esclarecer sobre o que se passou na tarde daquele dia, em 1908, no Terreiro do Paço. Não porque não gostasse de desvendar esse mistério, mas porque os dados que permitiriam saber o que verdadeiramente esteve por detrás do atentado têm sido sistematicamente ocultados.

Embora se saiba, sem margem para dúvidas, que uma conjura de monárquicos, mais concretamente de gente da Dissidência Progressista, liderada por José de Alpoim e pelo visconde da Ribeira Brava, esteve na base da conspiração. Diz José Luciano de Castro, em «Documentos Políticos»: «Os dissidentes, que para a generalidade do país, são os principais responsáveis da tragédia do 1 de Fevereiro de 1908, e que, se não destruíram a monarquia foi porque não puderam».

No meu romance «A Sinfonia da Morte» encontro uma explicação plausível e na qual acredito; mas trata-se de uma ficção, onde as suposições (plausíveis ou não) são permitidas. Inclusivamente, nos chamados romances históricos, é pelos hiatos da documentação histórica que a teia da ficção passa e se constrói. Mas hoje, ainda não vos falarei da tal célula clandestina dentro da própria Carbonária, a «Coruja» que terá, segundo se julga saber, planificado o crime. Isso ficará para um outro texto. Hoje vou falar do que se passou no Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908, cerca das 17 horas. [Read more…]

Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.