Os golos do Sporting-Académica

Os pardalitos do Mondego foram a Alvalade alcançar a sua primeira vitória fora neste campeonato.

0-1

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A noite em que o George Clooney jantou lá em casa

E contra todas as probabilidades, à hora marcada, a campainha soou. Tirei o avental, admito que possa ter dado uma última espreitadela ao espelho, e fui abrir a porta. Lá estava ele, com o sorriso estudado e o fato aprumadíssimo, mas no seu olhar pareceu-me entrever alguma desconfiança. É natural, pensei, não é todos os dias que uma estrela de Hollywood vem jantar à Rua do Bonjardim.

Dei-lhe as boas vindas, agradeci a previsível garrafa de vinho e conduzi-o à sala. Ele mostrou um interesse diplomático pela casa, apreciou à distância alguma das fotos dispersas pela sala, olhou mais de perto uma peça de cerâmica, sem contudo se atrever a tocar-lhe, ensaiou uma espreitadela à varanda, mas desanimou-se e acabou por ir sentar-se no sofá. Movia-se com à vontade, num exercício de informalidade muito trabalhada.

Eu sentei-me no outro extremo da sala e a conversa foi avançando aos tropeções, em grande parte graças à minha fraca habilidade para evocar filmes nos quais ele tivesse contracenado. Depois um arranque titubeante, comigo a falar-lhe de filmes protagonizados por outros actores, perdi a paciência e confessei-lhe que sempre o vira como um Cary Grant dos tempos modernos, com a mesma subtil combinação de charme ingénuo e de atrevimento pouco picante. Ele gostou da ideia e, aproveitando o momentâneo idílio, resolvi servir o jantar. [Read more…]

max weber

Após ter escrito sobre os contributos, ou antes, a fundação da Ciência Social por Émile Durkheim e Marcel Mauss e os contributos de Bronislaw Malinowski para o desenvolvimento de ciência, parece-me o mínimo escrever sobre as ideias de um sociólogo, que, por escrever em língua alemã, quase passa desapercebido pelos Ocidentais de fala inglesa e francesa. É verdade também, que a Sociologia e a Antropologia nascem dentro dos parâmetros franco saxónicos, mas se não fosse por Max Weber, que dedicou a sua vida ao estudo da sociologia da religião, pouco ou nada saberíamos das formas criticadas por Marx sobre a acumulação capitalista. Marx nunca leu Weber, nasceram e faleceram em diferentes quartéis do Século
XIX. Enquanto Weber nascia Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14 de Junho de 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia, Marx organizava em Londres a Primeira Internacional ou OIT, estava a preparar a o seu livro mais importante, O Capital.

O Capital Weber, no entanto, estudou a obra de Marx e criticou a teoria materialista na que Marx baseava a sua crítica à acumulação do capital. Para Marx, essa acumulação era o resultado do valor a mais ou mais-valia, que rendia a fabricação de mercadorias para o proprietário dos meios de produção. Essa mais-valia definida por Marx em 1862 e 1863, como o excedente bruto que rendiam as vendas dos bens para o capitalista ou industrial: pela mercadoria, era pago ao produtor do bem um salário fixado previamente, na base de horas trabalhadas e não da quantidade de bens produzidos nem o preço com que eram vendidos no mercado. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – A Sra D. Hortélia

O RIO À MINHA FRENTE, CORRE CALMO, E EU ESTOU PREOCUPADO COM A SRA D. HORTÉLIA

O rio à minha frente corre calmo, muito calmo, entrando suavemente no mar.

Espalhados pela margem, meia dúzia de pescadores esperam pacientemente que algum peixe se digne morder a bicha e ficar preso ao anzol. Lá mais longe, à minha direita, o farol velho, agora sem utilidade prática e o outro, recente, ainda com as cores de novo, orgulhoso das suas riscas vermelhas e brancas.

De vez em quando, entra na barra uma traineira. Vem da faina nocturna, e se tiver corrido bem, estará carregada de peixe para vender na lota da Afurada.

Lá fora, estou sentado no banco do passageiro do meu carro, está fresco. Não chega a ser frio. São oito da manhã e estão cerca de sete graus centígrados. O Inverno não vai ainda a meio, e nem tem sido rigoroso. Está um dia bonito.

Do local onde me encontro, consigo ver o mar, lá ao fundo. Não se notam quaisquer ondas. Não há vento. O céu, carregado de nuvens de um cinzento claro, não pronuncia chuva. Por entre elas, [Read more…]

era só uma brincadeirinha de carnaval…

Liberdade de expressão é monopólio de alguem?

É preciso saber o que é liberdade de expressão. Claro que é muito importante e faz parte da liberdade de expressão os jornais e outros meios da comunicação social terem liberdade para informar, dar opiniões, revelar casos que são do desconhecimento público. Mas alto lá, não acaba aí a liberdade de expressão.

Tão importante é a liberdade dos cidadãos, onde se enquadra a liberdade de expressão, nem mais nem menos que a dos jornalistas, aos quais não reconheço nenhum privilégio neste campo, bem pelo contrário, se há alguem que tem muitas culpas que a liberdade de expressão seja vista como uma quinta de maledicência são, justamente, os jornalistas.

Tal como Sócrates e o seu governo, o grande mal da comunicação social é  terem um déficite de credibilidade, já todos vimos muita notícia encomendada, muito estrume travestido de jornalismo.Dá impressão que o jornalismo não é criticável porque têm um poder enorme por serem lidos e ouvidos por milhões de pessoas. Isso não lhes dá direitos nenhuns , só deveres, de reserva, de transparência, do contraditório, não acusarem  pessoas que anos depois nunca foram acusadas de nada. A não ser assim metade do país andaria às voltas com a Justiça!

O que me faz ter vómitos quanto à personalidade do primeiro ministro é o mesmo que detecto nos jornalistas, o mesmo desprezo pelo país, pelos cidadãos, pela verdade, a verborreia ao sabor dos acontecimentos, a prepotência…

Mas se tiver que escolher entre um político eleito e um jornalista assalariado escolho o político, a este posso tirá-lo do lugar noutras eleições, posso ir para a rua gritar contra, mas em relação aos jornalistas nada posso fazer, só estar atento para apoiar os poucos jornalistas dignos desse nome!

Liberdade de expressão não é os jornalistas dizerem o que lhes metem nas mãos, andarem a conspirar ao estilo socrático, não fazerem o seu trabalho. Liberdade de expressão é cada um de nós dizer o que bem entende sem difamar, reconhecer o limite onde começa o direito dos outros.

Atiramo-nos a Sócrates porque ele e o seu governo querem limitar a nossa liberdade e apoiamos os jornalistas que querem fazer o mesmo? Os mesmos jornalistas que entregam a carteira no sindicato, vão para assessores de um qualquer governo e a seguir voltam para os jornais, campeões da liberdade de expressão?

Não, obrigado!

As notícias de hoje pelo buraco da fechadura…

O nosso Primeiro, esse grande defensor da Liberdade de Imprensa, exclama hoje sobre o que apelida de “jornalismo de buraco da fechadura” e eu a pensar que ele se estava a referir aos negócios do jornalismo por debaixo da mesa que, pelos vistos, os seus mais chegados andam a fazer. Até Cavaco Silva, vejam bem, apela ao respeito pela Liberdade de Imprensa. Amanhã, ou muito me engano, ou vai apelar a que devemos ajudar Sócrates a terminar o mandato com toda a dignidade. A vingança é um prato que se serve frio. Aqui e em Boliqueime.

É obrigatório ler o editorial do i. É uma forma de melhor compreender o que escrevi em cima.

Mas, na óptica dos portugueses, vamos lá falar do que interessa: o vírus Sá Pinto. Então não é que o fleumático Carlos Queiroz bateu no sensaborão Jorge Baptista? Deve ter sido uma coisa arrepiante. Tipo “lutadores de Sumo”. Espero pelas imagens deste túnel e do competente castigo a aplicar pelo menino da Liga. Ups, neste caso só a FPF e a ERC é que podem actuar. Deixem lá.

Nota final: ainda pensei que tinha sido o Aventador Luís Moreira

Sá Pinto faz escola!


Carlos Queirós e jornalista Jorge Baptista à batatada no avião.
E agora, o que é que se faz? Não se faz nada. Jorge Baptista não é muito recomendável em termos de objectividade e isenção, mas o seleccionador não pode responder ao sopapo. Quem ele pensa que é? O Scolari?

Sócrates, a comunicação social e os sapos

Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:

Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.

O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:

do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo

e o segundo:

‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’

Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]

Moura Guedes, Eduardo Moniz, José M. Fernandes têm razão!

Nestes casos a razão está, sem qualquer dúvida, do lado de quem foi calado, perdeu o seu emprego, foi censurado pelo governo.

E nestes casos, que são gravíssimos, as vítimas deveriam levar os casos a tribunal. Bem sei que todos eles saíram com grandes indemnizações e isso acalma os ânimos, mas estamos perante a prepotência do governo, misturando-se com as empresas de comunicação social e influenciando a sua linha editorial.

Foram calados porque o governo não gosta que as notícias informem devidamente os cidadãos, utiliza a informação em proveito próprio, mente descaradamente e não quer ser contraditado. A democracia está em perigo quando as empresas do Estado são utilizadas para silenciar adversários políticos, para esconder os resultados da governação ou para calar as suspeitas várias que recaem sobre o caracter de José Sócrates!

Antigamente era a censura oficial do Estado Novo que utilizava estes métodos, o célebre lápis azul, agora é mais subtil, fazem-se negócios, a propriedade das empresas de comunicação mudam de mãos, e com os seus apaniguados nos lugares centrais filtram-se as notícias, entorce-se a verdade.

Tudo isto é tambem o maior labéu contra Sócrates, porque quem, como ele, está sujeito a tantas notícias que põem o seu bom nome pelas ruas da amargura, deveria pugnar mais do que ninguem pela liberdade de expressão, a melhor forma de mostrar a sua inocência.

Depois da queda do fascismo não esperava ter, novamente, que olhar por cima do ombro quando ouço determinada estação televisiva ou leio determinado jornal.

Antes era a PIDE e agora são os boys que pululam por tudo quanto é empresa pública?

Mais um post sobre futebol e cabelos

Manuel Solá-Morales, o arquitecto conhecido entre nós pelo edifício Transparente ? do Parque da Cidade no Porto – o que não se trata propriamente de um bom cartão de visita – escreveu há alguns anos um excelente texto – como quase todos – sobre a área metropolitana de Barcelona em que dizia, citando Cruifj – sim o treinador –, que um arquitecto/urbanista deve pautar a sua intervenção na cidade, tal como o jogador de futebol dentro do campo, em dois modos. O modo curto e o longo. No modo curto tem de perspectivar o campo de todo, o gesto deve ser entendido como uma manobra estratégica de longo alcance e no longo deve ser perspectivado por forma a permitir que o gesto curto se faça de maneira mais eficaz. Bem, eu não sou o Luís de Freitas Lobo, nem nunca poderia ser. Para mim, tácticas são como os indicativos dos telefones e o que eu quero é que o Benfica ganhe (como dizia o grande Artur Semedo) após o que cumprida essa premissa, o futebol é um jogo, não haja dúvida, fantástico.

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Questões e alternativas (Memória descritiva)

Já aqui tenho falado desta revista que um grupo de amigos editou em 1984 e da qual se publicaram quatro números. Até reproduzi, com algumas alterações, textos ali publicados e que entendi manterem alguma actualidade. A «Questões e Alternativas» foi uma iniciativa editorial que se baseou em reuniões de alguns militantes de esquerda, maioritariamente saídos do PRP, mas também do MES, da FSP, da LCI, da LUAR. E alguns independentes. Pode contar-se assim a história:

No chamado núcleo duro do projecto, só sábios éramos nove: o Carlos Leça da Veiga, médico, o Rui de Oliveira, médico também, a Augusta Clara Matos, bióloga, o Jaime Camecelha, bancário e dirigente cineclubista, o Bruno da Ponte, editor, a Clara Queiroz, professora universitária, o João Machado, sociólogo, o Pedro Ramalhete, na altura ainda estudante de Sociologia, e, como dizia o outro, um nono sábio que a modéstia me impede de designar.

Corria o orwelliano 1984. Não se vivia a realidade distópica que o escritor irlandês criara na sua famosa ficção, mas vivia-se um tempo de difícil transição, de ajustamentos, de receios com fundamento. O socialismo real afogava-se no vómito dos erros cometidos, de numerosas traições ao espírito solidário e fraterno do comunismo. Aqui, Eanes ia, de hesitação em inacção, cedendo passo ao bloco central que chegava através de Mário Soares e do seu slogan de «socialismo em liberdade» (que nós prontamente traduzimos por «capitalismo à solta»). [Read more…]

O Mário Crespo não tem razão

Depois de tudo visto e ponderado Mário Crespo não tem razão.

Qualquer pessoa, incluindo o primeiro ministro tem o direito de almoçar em paz e se dirigir a um amigo ou conhecido e dizer-lhe que há uns quantos gajos que são um problema. O que no caso do Mário Crespo, em relação a Sócrates, até é verdade!

Mário Crespo, não pode, pelo facto de ser jornalista,  ter privilégios e utilizar uma coluna num jornal para se queixar que o primeiro ministro se referiu a ele como um problema. Se Mário Crespo acredita no que alguem lhe disse sobre o comportamento de Sócrates, só tem que tratar do assunto pessoalmente, ou tomar as medidas necessárias para se defender. Por exemplo, tratar do assunto nos tribunais!

Quando a conversa de Sousa Franco foi transcrita num “pasquim” onde escrevia uma determinada jornalista, que almoçava no PABE, muitos confrontaram-se com o facto de um jornalista poder utilizar o que ouve, sem contraditório, sem saber o enquadramento da conversa, sem saber se se trata ou não de uma bravata, ou se é uma conversa privada, o que é mais que suficiente num estado de Direito!

Ou os jornalistas são bufos? Ouvem, recebem umas encomendas e transformam tudo em notícia, isto é, publicam ? Acusam porque alguem ouviu dizer, ou porque alguem lhes deu um papel roubado, ou porque alguem achou um papel ou tropeçou num telefonema, ou num fax como o caso do Público, via DN?

A dignidade, a reserva, a privacidade já não contam face  à ganância do sensacionalismo a qualquer preço?

Aonde nos levará isto ? Há poucas coisas tão parecidas com o fascismo como a “bufaria” a qualquer preço, onde vale tudo. Lembram-se quando Portas, estava no gabinete de Tomaz Taveira a fazer-lhe uma entrevista e ouviu um telefonema com Miguel Cadilhe, então ministro das finanças, e publicou o telefonema privado no jornal sem pedir autorização aos próprios?

Tenho que começar a ter cuidado com o que digo aos meus amigos? Tenho que baixar a voz nos restaurantes? Não posso dizer mal de Sócrates em público? Tenho que voltar a olhar em volta antes de emitir uma opinião?

Antes eram os agentes da PIDE agora são os jornalistas?

As Pombinhas da Praia do Molhe

Rapidinhas Aventar #3:

Se eles não consideram censura a não publicação do artigo de Mário Crespo, então está tudo explicado. E os restantes comentadores do JN avisados. Para memória futura.

Rapidinhas Aventar #2:

Ok, se estas escutas não são as que foram destinadas a ser destruídas, é só esperar pela próxima edição do Sol para pasmar a ler as ditas…

Rapidinhas Aventar #1:

Meus caros, se este restaurante é o primeiro a permitir fazer sexo no WC, nós somos o primeiro blog a permitir fazer sexo nas nossas caixas de comentários. Cada tolo a sua mania.

Aproveitem enquanto a gerência do Aventar está a dormir.

Hoje fui matar saudades ao Twitter…

…e deu nisto:

lpedromachado: Há tempos,umas virgens queriam a demissão do PR por suspeita de baixa intriga política. O Sol mostra q o PM é criminoso. Onde estão elas agora?

e igualmente nisto:

Mesquita Machado afirma que Ricardo Costa, actual Presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, é “O homem de mão do Benfica. Isso não deixa qualquer tipo de dúvidas a ninguém”, naquele orgão da justiça desportiva.

Grandes Frases:

HenriquMonteiro: “Vivi muitas situações com o pais à beira do abismo, é a primeira vez que o vivo à beira da vergonha.” – M. J. Avillez, SIC Notícias.

Sócrates, Manuela Moura Guedes, Eduardo Moniz e os sapos

Entendamo-nos: Eu achava o programa de “informação” apresentado às sextas-feiras por Manuela Moura Guedes abjecto. Por isso não o via.

O cidadão José Socrates e seus acólitos eram livres de achar o mesmo que eu ou, até, pior. Desligavam a televisão e não viam. Sabendo-se insultados faziam o que faz um cidadão: queixavam-se a quem de direito, os tribunais.

O primeiro-ministro José Sócrates espero que não tivesse tempo para perder com o programa porque estava ocupado com assuntos do país, portanto não o via. Sabendo-se insultado fazia o que faz um cidadão a quem acontece ser primeiro-ministro. Como não tem tempo a perder com minudências, manda processar o programa. Ou não, se quiser passar a imagem de quem convive bem com as críticas. Toma a decisão – espera-se que um primeiro-ministro tome decisões – de apresentar ou não apresentar queixa e age em conformidade.

O cidadão-primeiro-ministro José Sócrates quis o melhor de dois mundos. Passar a imagem de quem convive bem com a crítica e acabar com ela como se fosse primeiro-ministro-cidadão do Irão.

Eu, olhando os personagens, não me sinto bem com nenhum. Mas, neste caso, estou com Moniz e Manuela Moura Guedes. Informo o cidadão José Sócrates que engoli um sapo para escrever esta última frase. Peço ao cidadão José Sócrates que informe o primeiro-ministro José Sócrates de que engolir sapos faz parte do cargo.

Não gostando de sapos resta a demissão.

O bailinho de Sócrates

Esta espécie de crise madeirense andava a dar-me comichão atrás da orelha. Sócrates e Teixeira dos Santos defendendo heroicamente o fim da sangria desatada que tem sido o financiamento do Carnaval de Jardim, contra todos, da esquerda à direita? Por reflexo pavloviano via-me obrigado a dar-lhes razão. Isto perante a informação que detinha. Ontem li este texto de Francisco Louçã no Facebook:

Há dois detalhes que pouca gente conhece acerca desta crise política artificial que Sócrates quer criar com a lei das finanças regionais:

1) O PS votou na Madeira, ao lado do PSD, CDS e PCP (só o Bloco não a aprovou), a lei que agora considera que é inaceitável e que poderia provocar a demissão do governo. A lei era mesmo inaceitável (com o voto do PS), porque levava a disparar a despesa e o défice, beneficiando o incumpridor (por exemplo, se o défice era ilegal, a dívida seria transferida para o país inteiro no mesmo montante da ilegalidade… Alberto João Jardim ganharia duas vezes). O Bloco conseguiu impedir esse disparate, retirar mais de 150 milhões desse despesismo, impor regras e conseguir transparência.

2) O Governo, que agora contesta esta lei (que o PS aprovou na Madeira), deu 79 milhões de euros ao governo regional da Madeira em aumento de dívida, em Dezembro deste ano. Foi Sócrates quem decidiu essa benesse, contra o parecer do ministro Teixeira dos Santos, que terá mesmo pedido a demissão. O governo que deu 79 milhões de euros debaixo da mesa não está disposto a impor uma lei que de controlo das contas e da dívida.

Assim se percebe como esta crise é artificial.

E a comichão passou-me num instante.

É só uma pergunta técnica

Depois de ver o alinhamento dos telejornais (apenas a SIC abriu e desenvolveu o caso Sócrates-quero-mandar-na-comunicação-social-toda) uma pergunta:

– como se defende o estado de direito português da hipótese de o Procurador Geral da República ser eventualmente e no exercício das suas funções conivente com um crime?

– ou, já agora, de ser atacado de doença grave que o incapacite para exercer o seu cargo com isenção?

Espero que alguém me responda, por estas e muitas outras a minha passagem pelo curso de Direito foi efémera,  e espero que a resposta não seja golpe de estado.

Quanta vida cabe numa mochila?

“Quanto pesa a vossa vida? Imaginem, por um segundo, que carregam uma mochila. Quero que a encham com todas as coisas que têm na vossa vida…”

Ryan Bingham, Up in the air

Podia ser o lema de Nas Nuvens (Up in the air): quanta vida cabe numa mochila? As coisas e as pessoas de que e de quem gostamos ocupam que espaço? O quê ou quem deixaríamos pelo caminho se não conseguíssemos transportar tudo e todos aqueles que consideramos importantes?

upintheair

Esta é uma das perguntas que nos ocorrem quando a personagem de Ryan Bingham realiza palestras sobre motivação profissional. E sobre o que nos cabe na mochila. O homem interpretado por George Clooney vive a fazer ligações aéreas. É nessas que ele é bom, é nessas que tem objectivos estabelecidos. As ligações pessoais não constam do seu cardápio. São passageiras, quase irrelevantes.

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solidariedade

Este conceito não foi criado por mim. Em 1883, Émile Durkheim definia a solidariedade como o apoio e coordenação de pessoas entre si. Nemhuma sociedade seria capaz de funcionar se não houver apoio mútuo. Bem sabia Durkheim que essa solidariedade era uma ilusão, como socialista que era. Ideologia Socialista Democrata aprendida das suas leituras da obra de Karl Marx e de trabalhar com outro socialista, bem mais avançado do que ele, Marcel Mauss. Durkheim apoiava a igualdade no seu texto acima citado e lutava pela abolição da propriedade privada, como refiro num livro escrito por mim em 2008: O Presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade, Afrontamento, Porto. Porque acabar com a propriedade privada? Porque dividia à sociedade em classes: os que tinham bens e os que nada tinham. Estes, trabalhavam para os primeiros por um salário que nem permitia alimentar a família.

O Grande Mestre lutou em favor dos que nada tinham e escreveu o livro de 1883, intitulado De la division du travail social. Étude sur lórganization des sociétés supérieures, editado por Félix Alcan, Paris. O que ele denomina sociedades superiores, refere a sua própria forma de organizar a sua vida na França, a sua Nação. Não é despreçar aos já conhecidos povos de uma outra forma de organizar a vida, denominados Nativos,povos que ele estudava e analisava, comparando as suas formas de vida como a dos franceses e outros povos europeus. A sua conclusão foi simples: havia dos tipos de solidariedade, a organizada pelo Direito, e a espontânea ou denominada por ele forma mecânica ou de apoio mutuo espontâneo. A dele, era solidariedade orgânica, por outras palavras, organizada pelo Direito e pela Economia. O seu texto é um debate com Adam Smith, como sabemos, sobre o seu livro de 1776: A riqueza das Nações. [Read more…]

Presente e futuro da advocacia: uma questão de República (3)

No seguimento do que escrevi aqui, começo por aquilo que, entre Advogados, causa maior divisão de opiniões: a massificação da profissão. É matéria controversa quanto baste. E se com ela começo, será também com ela que concluirei, em tempo, esta série de artigos.

Isto, porque a massificação da profissão de advogado – no que concerne ao actual estado e a possíveis soluções -, está na base da grande divergência dentro da classe.

Comecemos pelos números:

– Em 1991, a totalidade de cursos de Direito em Portugal “produzia” cerca de 1.500 licenciados por ano, sendo que a partir de 1994 passou para cerca de 2.000 por ano. Destes, em média, cerca de 82% inscreveram-se como Advogados (após conclusão do respectivo estágio).

– Em 2003, havia cerca de 20.000 advogados inscritos na Ordem dos Advogados (doravante OA).

Hoje, existem cerca de 31.000, dos quais cerca de 27.000 exercem, sendo cerca de metade, jovens advogados (com inscrição na OA há menos de 10 anos). Uma racio de um advogado para cada 350 habitantes (na Áustria será um para cada 4.200, na França um para cada 1.800).

– Hoje, com o chamado Processo de Bolonha, as licenciaturas deixaram de ter 5 anos, passando a ter apenas 4.

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ETA tanta coisinha da boa…

No dia em que o Aventar faz história com a posta mais hilariante da blogosfera nacional e já que se fala de terrorismo, ficamos a saber que a ETA também gosta de Óbidos, onde tinha aquilo que todos nós desconfiávamos mas as autoridades nunca quiseram assumir: a ETA utiliza Portugal como um dos centros operacionais.

Entretanto, a polémica lei com custos idênticos ao Euromilhões desta noite, acabou aprovada. Só falta saber se o governo vai querer continuar a prolongar este momento silly da season.

Em época de lampreia, nada como o regresso dos robalos como entrada para uma jantarada saudável. Mesmo quem não gosta do abrupto JPP, terá de concordar que o homem não é gago e está carregadinho de razão – nesta matéria.

O que fazer num avião quando o passageiro do lado é um chato

PASSO 1. Tirar o portátil da mala;
PASSO 2. Abrir o portátil devagarinho e calmamente;
PASSO 3. Ligar o portátil;
PASSO 4. Assegurar-se de que o vizinho está olhando;
PASSO 5. Ligar a Internet;
PASSO 6. Fechar os olhos por breves momentos, abri-los de novo e dirigir o olhar para o Céu;
PASSO 7. Respirar profundamente e abrir este site;

PASSO 8. Observar a expressão facial do vizinho

Nota de Rodapé: Sou alérgico a mailes reenviados.  Mas neste caso nem sequer precisei de tomar um anti-histamínico.

ISTO ESTÁ MESMO COMPLICADO….

Aquilo a que assistimos-e agora, com o orçamento de Estado , isso está tornar-se muito visível – é que não temos partidos com sentido de Estado,e todos são eleiçoeiros, procurando, exclusivamente , posicionamentos que lhes possam trazer votos, para aumentar bancadas, e sentar mais pessoas das suas familia politicas, ou pessoais, á mesa do orçamento de um estado debilitado,para se locupletarem .
Os partidos em vez de tentarem diminuir o deficit, pelo contrário, fazem-no crescer ,com o pretexto que é muito pouco, com o objectivo de terem simpatias nos seus eleitorados, para aumentarem os seus votos.. .. são sobretudo populistas,muito embora, com um argumento político de um decreto antigo aprovado por unanimidade,que mais tarde o PS rasgou .
Rompeu-se totalmente a solidariedade social.
Enquanto os sindicatos com o apoio do PCP se manifestam , fazem greves, e pedem aumentos- quando o que pode acontecer é, no mínimo,com o Pacto de Estabilidade que se tem de fazer, até 2013- o bloqueamento dos ordenados, o aumento das taxas da ADSE, cortes nas reformas ,e até, talvez cortes do 14º mês, senão, mesmo o seu fim.

Outras alternativas são piores ,porque se não preenchermos os padrões comunitários tornamos-nos para a CE um peso tal- como a Madeira se torna para Portugal- que isso não interessa à Europa,porque não produzimos riqueza, só recebendo fundos, que não sabemos investir corretamente.e à CE interessa lhe competitividade,para marcar um lugar no concerto mundial .

Por outro lado, a corrupção ao mais alto nível , o atraso no seu julgamento, e o exemplo também não vêm de cima. [Read more…]

Óculos para OUVIR melhor

Ideais para escutas.

Quinto quadro 2010

(adão cruz)

Amargas trevas invadem-nos, por vezes, já que o Homem é um ser atravancado de mitos. A arte, caminhando a par da razão e da matéria pura, no espinhoso percurso da prisão à liberdade, dá luz à utopia que ilumina as ruas sepulcrais da nossa cidade interior.