Freeport : O triângulo das luvas…

Freeport : investigadores ignoram novos índicios

A Sábado trás em exclusivo mais uma notícia sobre o Freeport, envolvendo num triângulo rigorosamente equilátero José Sócrates, Pedro Silva Pereira e Rui Gonçalves (ex-secretário de Estado do Ambiente no tempo do Ministro Sócrates).

Manuscrito revela eventuais subornos, o autor nega ter feito pagamentos, relata a revista e acrescenta: Em Janeiro, Sócrates, Silva Pereira e Rui Gonçalves estavam numa carta rogatória para quebrar os seus sigilos bancários em Londres. Mas a carta acabou por seguir sem os nomes”.

Ministério Público quis saber se Sócrates surgia nos movimentos bancários do BES Londres. Paes Faria e Vitor magalhães os investigadores do processo foram a Inglaterra e encontraram novos indícios contra José Sócrates.

Charles Smith terá telefonado para londres a pedir luvas para “gabinetes de ministros”. Rick Dattani, do Freeport, escreveu que Smith lhe pediu 2 milhões de libras para subornos.

O que falta? Foram enviadas duas cartas rogatórias para Londres e faltam as respostas; estão a fazer-se as reinquirições e preveêm-se mais arguidos ; relatório final; acusação, de onde poderão ser retiradas certidões para outras investigações.

PS: isto é tão interessante que a Sábado publica o exclusivo na página 58 com chamada à primeira página. Em letra pequenina…

Filosofia de bolso (1)

O nosso Prof. Raul Iturra, disse, recentemente, que “o nosso sítio de debates está a piorar“.
Da minha parte, e porque sempre mais vale  prevenir do que remediar, vou tentar elevar o nível intelectual desta casa, abrindo este meu pequeno espaço para publicar breves e avulsos pensamentos que me vão surgindo.
Pensamentos para serem levados ou não a sério, consoante a vontade de cada um.
Para começar, e por evidente razão de inspiração, aqui vai o primeiro:
– Quem critica a existência do Dia da Mulher, fala mal ou desdenha,  é porque não tem uma florista, nem um restaurante, nem uma tipografia que faça postais com corações. Como eu.

e agora..que fazemos? o pib no chile

Com a morte de Émile Durkheim, coube ao seu discípulo e sobrinho, Marcel Mauss, orientar a Revista Anual L’Année Sociologique, por si fundada em 1896, editada em Paris por Feliz Alkan. Por respeito ao seu desaparecido parente, quase um pai parra ele, quer por consanguinidade, quer por desenvolverem juntos o que Durkheim tinha aprendido na École Normal Superieur de Paris, Mauss deu continuidade à publicação, acrescentando-lhe um novo título: II série. A primeira série era a do seu tio, a segunda, dele. É nesta Revista, que escreve o seu famoso texto sobre reciprocidade, intitulado: Essai sur le don. Forme et raison de l’echange dans les sociétés archaïques, passando, mais tarde, a ser denominado apenas por Ensaio sobre a dádiva. E de dádiva, passa a ser designada reciprocidade, que eu analiso exaustivamente no livro editado em 2008, pela Afrontamento, para o qual remeto o leitor para maiores detalhes técnicos, científicos e históricos.

O que, de momento, me interessa é a reciprocidade. Defini-a como uma troca de bens com mais-valia, isto é, faz parte de um comércio feito sem moeda, caracterizando-se pelo intercâmbio de bens que não se têm por bens que se possuem. Nunca a pensei como uma dádiva que não espera recompensa, quase uma forma de caridade que tudo dá sem nada esperar em retorno.

Até que um dia deste ano de 2010, a 27 de Fevereiro, uma hecatombe abala o Chile e milhares de pessoas ficam sem casa e muitas outras morrem. Ainda não sabemos quantas, como relato no meu ensaio de Terramotos. Memórias Apagadas. Durante menos de um minuto, a terra tremeu na República do Chile, cidades completas ruíram, deixando as pessoas na rua, sem casas nem bens. Em sítios onde nunca antes tinha tremido, como a capital e todo o centro, desde Santiago até Temuco, 800 quilómetros de desolação, de terras abertas que engoliam seres humanos, que sumiam casas, que derrubavam paredes. Cidades inteiras ficaram sem habitações, sem ruas, sem abastecimento de água e de energia eléctrica, com os iminentes tsunamis sempre a ameaçar o que tinha ficado em pé. Histórias que todos sabemos

O problema não é voltar a mesma história. O problema é: o que fazemos agora?

[Read more…]

Abençoados os pobres

Estes cartazes estão instalados à porta da igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Praça do Marquês, no Porto.

Antes destes, outro cartaz, mais discreto, resguardado no interior da igreja, havia informado acerca dos valores conseguidos para as respectivas obras, graças ao apoio de uma instituição bancária, e, sobretudo, à generosidade dos fiéis. Mas afinal esse montante (algumas centenas de milhar de euros) tinham sido escassos e as obras da igreja ainda estão por pagar. Seguramente que não por muito tempo, já que imagino que quem vai à missa não se deve sentir muito cómodo com a ameaça de humilhação pública que pende sobre os caloteiros. Imaginam no que se transformaria a homilia se junto ao sacerdote se viesse colocar um desses cobradores ataviados de fraque? [Read more…]

Mais um quadro 2010

(adão cruz)

Os alunos mataram o professor de Música. Coitadinhos dos alunos

As declarações do Director-Regional da Educação de Lisboa à saída da Escola de Fitares são o retrato ideal das razões do estado actual da educação em Portugal: o professor era frágil emocionalmente, tinha problemas, mas os alunos, que até são bons alunos, têm de ser protegidos, coitadinhos, que é para não se sentirem culpados. De resto, já estão psicólogos a tratar do assunto. Quanto ao professor, parece que no seu estado actual não precisará muito de psicólogos.
Deu nisto a política educativa de Maria de Lurdes Rodrigues, que neste momento tem as mãos sujas de sangue. Não devia conseguir dormir de noite até ao fim dos seus dias. Um conjunto de medidas e de discursos, ao longo dos anos, que só tiveram como objectivo denegrir a classe dos professores junto da opinião pública e retirar-lhe prestígio e credibilidade.
As alterações ao Estatuto do Aluno, conjugadas com o novo regime de Gestão Escolar, fizeram o resto. Hoje em dia, a escola não tem poder para castigar de imediato um aluno indisciplinado, quando antes, de acordo com o Estatuto promulgado pelo ministro David Justino, o Presidente do Conselho Executivo podia suspender imediatamente um aluno até 5 dias. Hoje em dia, o Conselho de Turma pode nem sequer ser ouvido.
Para além disso, o Director da escola está hoje nas mãos dos Encarregados de Educação, que estão sempre em maioria no Conselho Geral, mesmo que não o estejam em teoria. A qualquer momento, os Encarregados de Educação podem dar cabo da vida de um Director e é por isso que mandam nas escolas. E como a maior parte dos nossos Directores não tem a fibra suficiente para pôr os pais no seu devido lugar, recebe 1, 2, 3, 7 queixas de um professor e acaba sempre por dar razão aos alunos. Ou não faz nada, o que vai dar ao mesmo.
Sei do que estou a falar.
«É da idade», dizia um dos alunos do 9.º B com mais participações disciplinares. Aos meus meninos de 9.º ano, eu explico-lhes gentilmente, logo na primeira aula, o que acontece a quem tem problemas de comportamento provocados pela idade. O professor de Música não foi capaz disso? Não é justificação para que pareça ser o culpado por ter morrido.
Não, não foi ele o culpado, mas sim um bando de 25 energúmenos que, por não terem recebido em casa a educação suficiente, cresceram com um sentimento de impunidade e de irresponsibilidade. E aí, a culpa já não é deles.

Pensamentos XLV e XLVI

XLV

Põe tudo em causa.

É melhor do que pores tudo em casa.


XLVI

Podes quebrar a rotina.

Mas dificilmente a voltarás a colar.

Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

As Directas PSD #3:

A eleição de um Presidente para o Partido Social-democrata reveste-se de superior importância por, entre outras, duas razões fundamentais: ser um dos maiores partidos portugueses e o escolhido arriscar-se a ser Primeiro-ministro.

Nas directas vamos conhecer a vontade dos militantes. Falta saber se essa escolha corresponde aquilo que os portugueses desejam para a presidência do PSD. A única forma que temos de procurar perceber qual o preferido dos portugueses é através de estudos de opinião que, bem sei, valem o que valem.

Segundo o estudo encomendado pela SIC/Expresso/Rádio Renascença que vai ser difundido amanhã, os portugueses preferem, de forma clara, Pedro Passos Coelho para Primeiro-ministro e, de igual forma, para Presidente do PSD. O Aventar, antecipando-se, já publicou parte dos resultados da sondagem – ver AQUI.

Ora, este estudo, pela sua independência face aos interesses dos candidatos e garantias dos seus promotores é mais uma importante ferramenta de análise para todos os militantes do partido e mais um bom motivo de reflexão. Mais do que um Presidente para o PSD, os militantes vão escolher um eventual futuro Primeiro-ministro.

De memórias somos feitos

Lá estava o seu rosto velho e sulcado, arranhado do mundo e da vida, meio escondido na barba espessa e negra que o ninho havia impregnado de pequenas arestas de palha. Já quase não vivia, no magro sentido biológico. Apenas pensava. Por isso algumas vezes o julgaram morto quando ele verdadeiramente vivia. Outros apelidaram-no de filósofo.

Os olhos esquecidos por detrás das pálpebras negras e sujas não paravam nem por escassos instantes no rosto de alguém. Apenas um relance veloz como o raio constituía a única manifestação vital desse corpo, quando, frente a ele, alguém detinha ou abrandava o passo.

Todas as vezes que o vi me pareceu ver o meu retrato, mas sempre muito distante, muito longe. Um capote gasto e roto como a pouca vida que o mantinha ainda à flor da terra caía-lhe dos ombros magros como uma cruzeta. Há anos, muitos anos, que tal veste fora nova e de um castanho torrado como o cair da folha. Nunca deixara de cobrir aquele corpo, pois a ele o haviam cosido as mãos da miséria.

O próprio cachorro, cuja idade lhe comia no lombo grandes tufos de pelo, não reconheceria o dono sem capote, o dono cindido em dois. Cão e mendigo, esqueléticos e mudos, parados como um pântano, pousavam para o mundo, para a grande tela da vida. Constituíam os dois uma só peça, uma única escultura cinzelada numa só pedra.

Não falavam. Apenas de hora a hora gemiam. Se era a goela a queixar-se, mexia-se a mão apergaminhada e ossuda do velho a acariciar-lhe tremulamente o focinho esguio. Se o gemido nascia do peito humano, brandamente o cachorro se aconchegava a ele, lambendo-lhe os olhos e a boca, como se quisesse mostrar-lhe quanto valia o amor de um cão perante a pobreza do mundo. E o coração do pobre velho sorria sobre um mar de tristeza. [Read more…]

Ora vamos lá falar de professores

que apanham turmas porreiras. Aturar uma turma destas terá sido um dos motivos porque se suicidou um professor de uma turma do 9º ano.

Para se leccionar é preciso um certificado de robustez física e mental, emitido pelo Delegado de Saúde. Ou pelo menos era; o meu decorreu sumariamente:

– Tem algum problema psíquico?

– Não.

Como omiti ter vivido até aos 2 anos num hospital psiquiátrico escapei. Não vejo como os Delegados de Saúde possam resolver o problema, para despistar quem dificilmente suportará ser humilhado a horas certas várias vezes por semana e por vezes nos intervalos,  mas que é necessária uma forte robustez mental para esta profissão é,  e quem não a tem tá metido num grande sarilho, tá.

A Galinha de Luiz Pacheco

O Zé Rijo, se fosse vivo, fazia hoje anos. Não sei quantos, mas sei que fazia. Fomos amigos, pese embora a diferença de idades, pois eu sou da geração dos filhos dele.

Também eu, como tanta gente, abanquei por casa do Zé, com a vantagem de ter ficado independente, no rés do chão, encostadinho à olaria. Foi assim, com um pé fora e outro dentro, que fui assistindo ao cortejo dos que passavam pela casa. Quando lá cheguei, já o Luiz Pacheco teria já saído, tanto quanto me lembro (alguns anos mais tarde li alguns dos cadernos manuscritos durante essa sua estadia em Lagos).

Dizem que não há coincidências. Há-as e algumas muito belas por sinal. Pesquisava os romances do meu colega aventador Carlos Loures e vou dar à biografia de Luiz Pacheco. Autor, Carlos Loures. Ora, eu, quando me lembro do Luiz Pacheco, lembro-me da galinha e, quando me lembro da galinha, lembro-me do Zé, e hoje lembrei-me que o Zé, se fosse vivo, fazia anos, por recordar que fazíamos anos no mesmo dia.

A isto de ir em busca do Carlos Loures, sair Pacheco e ser dia de anos do Zé, chamo eu uma bela coincidência. Confusos? A história foi-me contada algumas vezes, uma delas pelo Zé Rijo.

Dizia eu que o Luiz Pacheco viveu uns tempos em casa do Zé. Um dia voltou do mercado com uma galinha debaixo do braço. Panela – disseram os da casa. O Luiz não deixou. Que não, a galinha era dele, queria tratar do animal. A galinha andava solta pela casa, o Pacheco dava-lhe milho, vai daí cocó aqui, cagadela ali, uma vez por outra, um ovito acoli. O Zé protestou e a galinha recolheu ao quarto do Luiz Pacheco. Este, quando saía, amarrava-a aos pés da cama e ia apanhar ar. O Zé bem tentava convencer o Luiz a fazerem cabidela da emplumada, mas o Pacheco continuava inamovível. Ligara-se ao bicho, não havia nada a fazer.

Um dia vai dar uma volta e, quando regressa, tem uma cabidela fumegante à sua espera. Eu fico-me por aqui porque, há uns dias, encontrei a história da galinha contada pela Mena. Ela sim, estava lá, e desconfio que ainda chegou a comer uns trocitos do galináceo do Luiz Pacheco, que o Zé Rijo pôs na panela.

11 de Março – os dias seguintes (Memória descritiva)

Como geralmente acontece com os golpes militares, se falham, servem de pretexto para consolidar a posição de quem os neutralizou – foi o que aconteceu com o golpe spinolista – o rumo esquerdista dos acontecimentos acentuou-se: nacionalização da banca, reforma agrária, institucionalização do MFA, substituição da Junta de Salvação Nacional pelo Conselho da Revolução. Este novo órgão deliberou aprovar a opção socialista da Revolução. Mas vejamos dia a dia.

Logo em 12 de Março foram encerradas as fronteiras com Espanha a partir das 14.30 horas. O envolvimento dos serviços secretos espanhóis no golpe spinolista foi evidente – apoio logístico e, provavelmente numa fase mais adiantada, a promessa de ajuda militar. Os franquistas ajudariam a salvar a «democracia» e a esconjurar a «ameaça vermelha». [Read more…]

Faltam 420 dias para o Fim do Mundo

Nos últimos dias sucedem-se as notícias sobre bullying, agora foi um professor que se suicidou. Sobre o tema aconselho a leitura do artigo de Martim A. Figueiredo no i.

Este fim-de-semana temos congresso do PSD e alguns continuam a suspirar por D. Sebastião. Ou que Cristo desça à terra ou que em Mafra se cante “somos um Rio”. O Aventar estará atento. Pelo caminho, Passos avisa que colou cartazes, Aguiar Branco não acredita em Mosqueteiros (e não estamos a falar de supermercados) e Marques Guedes procura segurar Sócrates. Hoje é dia de sondagem sobre as intenções de voto nos partidos e amanhã é publicada a sondagem sobre as directas que o Aventar antecipou: os portugueses preferem Passos Coelho e os militantes?

Quem encontrar o caixote do lixo com as escutas terá direito ao Euromilhões

Rui Pedro Soares – o elevador social

Este rapaz por ser um boy do PS e sobrinho de quem é chegou a administrador da maior empresa do país aos 32 anos, sem curriculum, pois a PT é a única empresa que conhece e entrou de imediato para Director aos 28 anos, tudo num país onde, jovens de grande qualidade com curriculum académico e profissional relevantes, têm que abandonar o país para não cair no desemprego.

Um dos aspectos mais importantes para se avaliar a capacidade de um país no que ao mérito e à justiça social diz respeito é a igual de oportunidades. A capacidade que a sociedade e a economia de um país oferece aos seus cidadãos para, montados no mérito e mas capacidades individuais desenvolvidas, possam ascender socialmente. Portugal tem vindo progressivamente a perder esta capacidade! À emigração dos anos 60 formada por mão de obra não qualificada junta-se agora a emigração de gente qualificada.

Um país assim não tem futuro, andamos a treinar e a formar gente que custa muito dinheiro a todos nós para depois irem produzir para outros países que oferecem essas oportunidades de “ascenção social”. Quem nasce rico e em família rica e poderosa arranja emprego obscenamente remunerado, quem nasce pobre, mesmo que seja muito bom, a sociedade não lhe dá oportunidade para “apanhar o elevador social”!

Os amigos do rapaz e os boys e os que têm pretensões a boys e mesmo os que não sendo boys não vêm mais do que a cor do grupo, olham para estas críticas como se nada mais revelassem do que “inveja” ou confrontos partidários, fazendo crer que tudo isto é natural e quando as coisas mudarem tambem mudam os boys e as girls e adiante com a marinha. Mas não é assim, isto revela a incapacidade do país se desenvolver, de segurar os seus melhores, a injustiça social acentuada, a tendência para o empobrecimento.

Quem não percebe isto não percebe nada!

Apontamentos de Óbidos (7)

(Óbidos vista das suas muralhas)

Sinais dos tempos

– Chove dentro do pavilhão? A culpa é do clima, dizem ministra e técnicos da Parque Escolar

Professor atira-se da ponte por causa das ameaças dos alunos

Menino de 11 anos escondia pistola dentro da mochila.

Apanhar no Lombo…

Nestas coisas de memória é necessário todo o cuidado. É como as lombas na estrada que nos magoam o lombo:

A verdade é que, apesar de todas as experiências falhadas no ensino público, apesar das ilusões igualitárias, apesar dos muitos ministros da educação que já aguentámos, apesar da má gestão de recursos, apesar dos professores com espírito de função pública ou sindicalista, apesar dos estudantes que se queixam do “sistema” quando deviam era ter juizinho e queixar-se de si próprios, apesar disto e do resto, a escola pública tem sido, nestas últimas décadas, o melhor, o mais eficaz, senão mesmo o único realmente eficaz, instrumento de mobilidade social na sociedade portuguesa. Num país cronicamente desigualitário, eis um dado sociológico que tem feito uma enorme diferença.
….
Mas quando penso em todos os meus ex-colegas que não contribuíram para a nossa subida no ranking ou que ficaram pelo caminho, não me ocorre atribuir responsabilidades à escola pública. Nem a eles. A vida é complicada.

Lomba DN 1-11-2007

Só à custa de um acaso é que uma pessoa acaba por se libertar do meio onde nasceu.

Tudo isto sugere que a cultura da imobilidade existente na sociedade portuguesa tem de ser combatida primeiramente através de uma ruptura na educação. Nada que não soubéssemos já, nem que não nos tivesse sido dito centenas de vezes. O que não nos disseram ainda é que temos ser capazes de quebrar alguns mitos que têm alimentado o nosso sistema de ensino. O projecto da mobilidade social requer uma educação mais diferenciadora, responsabilizadora e aberta.

Lomba, Público, 4-3-2010




PSD – Directas #2:

Ele há coisas assombrosas! No dia em que recebi por mail uma sondagem da SIC/Expresso/RR que vai ser divulgada no Sábado sobre as próximas eleições directas no PSD, eis que uma amiga minha recebe um mail para participar numa outra sondagem.

A militante abriu o documento/link, leu a primeira pergunta, avançou para a segunda e começou a desconfiar dos objectivos da coisa. Sentiu um leve cheiro a patranha, estilo questionário de time-sharing com ares de elevada seriedade mas com tiques de encomenda. De repente, a mensagem: Conto consigo! Sabe que pode contar comigo! Juntos vamos libertar o futuro, Paulo Rangel. Ok, estamos falados quanto à credibilidade do dito estudo de opinião…

Mas vamos então falar de coisas sérias, da sondagem da SIC/Expresso/RR. Ontem o Aventar abordou a importância de os militantes do PSD saberem o que pensam os portugueses sobre os seus candidatos. Pois aqui ficam os resultados do primeiro estudo de opinião sério, credível e independente cujos três órgãos de comunicação social encomendaram a uma empresa especializada e que o Aventar antecipa em 24 horas. No primeiro caso perguntaram qual o melhor candidato a Primeiro-ministro e no segundo caso quem vai vencer e as respostas foram estas:

Os golos do Benfica-Marselha

Este Benfica já viu jogos mais fáceis e, sobretudo, já tornou jogos muito mais fáceis. O Marselha posicionou-se sempre bem e campo, não cedeu espaços e, animado por Lucho Gonzalez, criou algumas situações de perigo. Mas o Benfica jogava na Luz e mandou sempre no jogo, pese o facto de falhar recorrentemente o último passe. A equipa das águias não esteve exactamente ao nível a que habituou os adeptos, não apenas por mérito do adversário mas, também, por deixar que algum nervosismo toldasse o raciocínio de alguns jogadores. O golo adversário chegou a estar à vista, não fosse uma excelente defesa de Júlio César a dois tempos. Com a entrada de Fábio Coentrão as coisas melhoraram e o Benfica marcou pouco depois, num lance em que beneficiou de alguma sorte. O resultado parecia feito, estando, ainda assim, o Benfica muito perto do 2-0 com um potentíssimo remate à trave de Ramires. Quando nada o fazia prever, ao minuto 90, surgiu o empate do Marselha. Um balde de água fria, muito fria, para as hostes da Luz. Oxalá não provoque uma pneumonia na deslocação a terrenos gauleses.

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/9GzRgZofkliIknB86gNa/mov/1

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/w5pkbVD3AgZiSigVQD5o/mov/1

A Brasileira do Chiado

Os cafés de Lisboa foram espaços do património e da história da cidade, coabitados por muitas gerações de intelectuais, personalidades de todas as artes, políticos e de outra gente que, apesar de anónima, desfrutava do prazer de convívios e conversas; convívios e conversas que preenchiam um extenso arco temático.

Os modernos estigmas de civilização e de modos de vida ditaram, entretanto, transformações profundas. Dos hábitos coloquiais, vividos à volta da mesa do café, acabámos por chegar aos dias de patéticas práticas de vida individualista e solitária. Uma tristeza. Nos balcões dos cafés, e não nas mesas, vejo mulheres e homens que mordem, a todo o vapor, tostas mistas, sandes de ovo com alface, ou não sei o que mais, servindo-se de uma bebida que corre, garganta abaixo, à velocidade das águas das ribeiras carregadas de chuva diluviana. Mal falam. As poucas palavras são para a empregada ou o empregado. Fazem o pedido e, no fim, perguntam: “quanto devo?” – A seguir partem, pensando e falando apenas de si para si.

Sem capacidade de resistir a esta desumana forma de vida, grande parte dos cafés de Lisboa, mesmo dos mais históricos, encerraram as portas e deixaram de sorrir para a cidade e suas gentes. Converteram-se em dependências bancárias ou em lojas de comércio abstruso, típicas do consumismo em voga.

Nos antigos espaços do convívio e da cultura, passámos, pois, a ter o gerente bancário Sousa a tentar vender o crédito para uma viagem à República Dominicana ao casal de namorados; ou a menina Vanessa a aconselhar a outra jovem um conjunto de mini – saia prateada e da blusa preta com a inscrição ‘Look at me, Love!”. O estrondoso sucesso é garantido, logo à noite, na festa da espuma – afiança a Vanessa. De facto, coisas destas fazem parte da espuma dos nossos dias.

Mas como de hecatombes e tempestades há sempre alguém que se salve, remanesce um número residual de cafés lisboetas que ainda conservam traços da história da cidade. Acima de todos, coloco ‘A Brasileira do Chiado’ inaugurada em 1905. Nas tardes das minhas deambulações pela zona, entro na ‘Brasileira’ com espírito idêntico aos devotos que acedem à Igreja de S. Roque que lhe está próxima. Olho para a sala, e em muda prece, oro em honra desse espaço e pela sua existência perene. Hoje, senti vontade de sonorizar esta oração, e desejar com muita fé que não venha de lá um Mc Donald´s igual ao que já nos levou a ‘Colombo’ e o ‘Café Roma’, entre outros.

O resumo do Atlético – Sporting

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/ZqnUaMnvaUBeoOV3ceLU/mov/1
Mesmo com nove, um excelente resultado para o Sporting, que tem o caminho aberto para passar a eliminatória.

Chile – Novo terramoto de grau 7,2

O nosso aventador Prof. Raúl Iturra, nascido no Chile e com grande parte da sua família a viver na terra natal, sofre os horrores de saber uma notícia tão dramática e não conseguir contactar a família.

Não sendo um homem de fé, interroga-se como coincidem no tempo, um terramoto político com a investidura como Presidente de um ex-ministro de Pinochet, 41 anos depois e a série de terramotos da mãe natureza que está zangada com o Chile e ninguem sabe porquê.

No money for the boys

Sejamos realistas. Ser presidente de junta de freguesia é uma tarefa difícil. Não é coisa para todos. E nem todos têm remunerações. Com excepção das grandes e médias freguesias, à escala nacional, os autarcas de freguesia não recebem nada. Melhor, quase nada. Vale uns trocos de ajudas de custo e as senhas de presença.

Determinados, os partidos da oposição querem cinco milhões para pagar aos autarcas. O ministro das Finanças não gostou. Olha para o que tem no cofre, olha para o que entra e para o que sai e está atrapalhado. Vai daí, acusa os partidos da oposição de quererem “money for the boys“. Não sei é o que os “boys” vão achar disto.

Faltam 421 dias para o Fim do Mundo:

Nestes dias surpreende a violência. Gratuita, estranha, estúpida. Da mesma forma, sempre se disse que o diabo está nos detalhes e, pelos vistos, no Vaticano. Ao mesmo tempo, a crise agrava-se por terras lusas mas está forte em Madrid, com Florentino a querer abrir os cordões à bolsa enquanto a mulher de Kaká prefere fazer justiça pelas próprias mãos.

Nada como a senhora deputada/cantora/actriz para nos oferecer novas definições de mentira/aldrabice/peta. E Marcelo nos dar um novo tema para amplo debate na blogosfera enquanto outros se assumem rumo às directas.

Assim vai o nosso Mundo…

11 de Março – eu estava lá!

O diálogo  salvador (de boina capitão Sebastião Martins; de frente em cabelo capitão Diniz de Almeida; à esquerda um dos militares de Abril que entretanto chegara e a TV em directo-mulher)

Ao tempo vivia ali em Alvalade para aí a dois kms em linha recta do Ralis. Estava habituado aos aviões do aeroporto próximo mas aviões militares e bombas a deflagrar distinguiam-se bem. Fui à janela os aviões rasavam o Ralis e ouviam-se disparos.

Meti-me no carro e fui para lá ver o que se passava enquanto os aviões militares abandonavam o local, forças furtivas tomavam posição nas escadarias dos prédios próximos e nas galerias exteriores. Paraquedistas, via-se pelas boinas verdes, armados de G3, a arma por excelência naquela altura, capaz de disparar tito a tiro ou em rajada. Procurei o comandante da força, tinha saído há pouco tempo da “guerra” ainda me lembrava como se procedia para não levar um tiro, mesmo que ocasional.

A minha surpresa foi enorme, o comandante da força era um amigo meu do Liceu, um tipo muito popular, generoso, poderoso fisicamente, mas do melhor como pessoa. Fiquei logo a saber que com o Sebastião, à força, íamos todos para o “galheiro” ele era destemido como poucos, mas com cuidado ele era um coração grande. [Read more…]

E a doença, filho? O novo fascismo que nos pune com terramotos

o adeus à a Presidência do Chile

À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,
que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente…

Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?

Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.
Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere  e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos – ou mal dos outros porque nos tiraram a alma. Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado. [Read more…]

Novo ecosistema mediático prejudica jornalismo

Neste momento Portugal  está a abdicar da exigência democrática,diz o filósofo Jose Gil numa entrevista ao  Diário de Noticias.Na verdade   numa  conjuntura em que aqueles  que  têm alta responsabilidade em  defender a democracia se demitem da sua funçao  critica,  o sistema democrático perde,e  entra em crise.Refiro-me aos jornalistas .
Isto acontece por várias razões.
Tentarei  referir  algumas  que alteraram o ecosistema  mediático,e que se interpõem entre a informação e o cidadão,perturbando-o .
Como  actualmente tudo o que acontece  só existe  se fôr noticia, o que não é noticia ,não acontece.
A partir daí ,Governos,partidos,corporações, multinacionais , instituições, clubes,  empresas,universidades,hospitais,etc  começaram a perceber que em vez de serem os jornalistas a controlar a agenda mediática/política  , deviam  ser eles,  munindo-se de  gabinetes  que alegadamente  facilitassem a compreensão da notícia ,para comunicar com o exterior,mas  na verdade  serviam   para  controlar a realidade mediática  .
 
De facto ,o  grande objectivo destes gabinetes de imprensa  é condicionar e controlar a  informaçao, de forma que só chegue ao cidadão o que lhes interessa que saiba .
Eles sao a “Fonte”,e a partir daí, o jornalismo está condicionado a ela.
A fonte só lhe fornece  os conteúdos  que filtra mas de que ele precisa para exercer o seu labor. 
Assim, o que  devia ter nascido como um serviço público para melhor informar, transformou-se num travão à informação,porque não  se pode ultrapassar essa “fonte” que conhece os factos e os dados,a única autorizada a divulga-los,tornando verdade  aquilo  que ´é uma   mera convicção .
Inclusivé, os próprios funcionários e técnicos  das diversas corporações estão proibidos de emitir opinões para fora.Tudo tem de  passar pelo gabinete de imprensa.
A  derrapagem começa a  acontecer quando  o que há a informar não é positivo.Então, há que manipular a informação, maquilha- la ,quiçá, transforma- la em  propaganda,segundo directivas superiores.
É neste momento  que o jornalismo deveria saber dar o salto para tornear estas dificuldades que  a fonte lhe pretende o pôr.
Pois é nesta fase que  o sistema pretende controlar a informação, sonegando ao jornalista aquilo que nao deseja que o cidadão saiba,mas que é de interesse publico.
Fica- se face a um muro informativo,em que não se sabem por ex. os números dos implicados na corrupção,  quantos  aderiram, ou não, a uma greve, quantas pessoas há em listas de espera, como estão funcionando as escolas, se a criminalidade violenta está a aumentar, ou   a situação verdadeira do emprego.
Invertida a correlação de forças  caímos em duas posições.Ou o jornalista se torna subserviente,  para não perder o posto de trabalho,ou  faz um jornalismo partidário.
Neste caso, começa a ser privilegiado  pelo gabinete de imprensa  que lhe fornece dados que a outros nao são  fornecidos ,e passamos assim a ter um jornalismo   acomadaticío, ou de trincheira.
Alguns jornalisas para fugirem a este  circulo vicioso socorrem-se das chamadas fontes anónimas,   muitas vezes peritos que não podem falar em seu próprio nome por receio de represálias,mas a fonte anónima descredibiliza o jornalismo, e  o jornal , retira ao cidadão um direito de  saber quem  responde pelo que disse, e  pode servir para manipular a informaçao de acordo com criterios subjectivos do autor da peça,ou do editor ,sem que ninguem posso vir desmenti-lo
Por isso é que quando cai um governo ou uma câmara , os gabinetes de imprensa mudam imediatamente ,pois são lugares de confiança politica .
Por isso em Portugal  há, cada vez mais,  um deficit democrático,como refere, e bem, o   filósofo  José Gil.
Precisamos urgentemente  de um jornalismo independente, que venha ao encontro das necessidades do cidadão,e lhe forneça os dados que precisa para ajuizar em consciência ,não dos governos,  dos partidos ,das empresas ou das câmaras  municipais.

AS

Pensamentos XLIII e XLIV

XLIII

Gostar de não gostar, é gostar.

Não gostar de não gostar, é chato.


XLIV

É mais fácil encontrares um sapo, beijando um príncipe,

que um príncipe, beijando um sapo.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

O que hoje é pedofilia ainda ontem era arte

Ganimedes, príncipe troiano, era uma bela criança por quem Zeus se apaixonou. Incendiado de paixão pelo rapazito loiro, Zeus  (que era, no que respeita aos prazeres sensuais, um omnívoro) transformou-se em águia e, descendo dos céus sobre o indefeso Ganimedes, raptou-o e levou-o para o Olimpo, onde consumou a relação que,  aos olhos de hoje, não escaparia a ser classificada como pedófila.

Na Praça da República, no Porto, exactamente em frente ao varonil quartel militar, garante do comportamento ordeiro, há uma bela estátua do escultor Fernandes Sá que representa o rapto de Ganimedes. Se o leitor fizer a experiência de se colocar de frente para a estátua, verá como ela lhe surge emoldurada pelo edifício do quartel, quase se diria protegida sob a alçada militar. [Read more…]

O 11 de Março (Memória descritiva)

O que se passou, há 35 anos, em 11 de Março de 1975? Algo que se esperava desde a Revolução – uma reacção revanchista da direita. Que essa reacção estava iminente era evidente para quem lesse o que se escrevia, ouvisse o que se dizia. A instabilidade social, a luta entre partidos, a deriva para a esquerda, com o primeiro-ministro Vasco Gonçalves em rota de colisão com Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, reflectindo as inconciliáveis posições das duas principais vertentes da esquerda militar.

A Revolução assumia contornos marxistas, alarmando os conservadores. A estes meios terá chegado a informação (oriunda dos serviços secretos espanhóis) de que estava planeada uma operação de grupos de extrema-esquerda, a “Matança da Páscoa”, na qual seriam mortos cerca de 1500 civis e militares entre os quais o general Spínola. Miguel Champalimaud e o tenente Nuno Barbieri, que colheram a informação, o coronel Durval de Almeida, José Maria Vilar Gomes, João Alarcão Carvalho Branco, José Carlos Champalimaud, reuniram-se para a discutir. Convencido da sua veracidade (provável manobra de intoxicação da secreta espanhola), Spínola decidiu avançar com um golpe. Alguns oficiais secundaram-no e a conspiração passou das reuniões para o terreno. As coisas foram mais ou menos como se segue.

Na madrugada de 11 de Março, começaram a afluir à Base Aérea nº3 (Tancos) viaturas com elementos ligados ao movimento, incluindo António de Spínola. Reuniram-se em casa do major Martins Rodrigues. [Read more…]