Um Moçambique que passou


Ao fim da tarde, o whisky dos administrativos, na cantina local.

Hoje é Sábado e parece-me acertado fazer uma pausa nas nossas preocupações com o devir da nação da bola, com fumos de tabacos alheios ou com a transcendência das malandragens de outras personagens que preenchem alegremente o nosso dia a dia.

Indianos, numa rua da velha Lourenço Marques.

Assim, decidi apresentar-vos uma parte importante do trabalho executado pela minha mãe ao longo de décadas. Considero estes testemunhos pictóricos, uma fonte de informação única no âmbito da compreensão daquilo que foi e representou a fase final da presença portuguesa além-mar. Na linha daquilo que Jean-Baptiste Debret fizera no Brasil durante a permanência da Corte no Rio de Janeiro, a minha mãe começou desde cedo, a recolher aspectos característicos da vida na antiga colónia de Moçambique. Interessaram-lhe sobretudo, as incontornáveis cerimónias públicas, as actividades dos quadros administrativos locais, os sectores da economia, a vida familiar e sobretudo, a sua grande paixão pelos usos e costumes daquela excepcional gente que forma aquilo que hoje reconhecemos como povo moçambicano. As cantinas onde um pouco de tudo se vendia e onde ao fim da tarde o pessoal da administração bebericava o muito anglófilo whisky, a consulta ao feiticeiro capaz de curar maleitas e de afastar os maus espíritos, as ruas onde se aglomeravam gentes oriundas do então Indostão britânico, das Maurícias e “estranhos refugiados” europeus do pós-1945, as mesquitas, a comunidade macaense ou goesa e muitos outros temas que compunham com veracidade, a realidade moçambicana daquele tempo.
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Professores – como não podia deixar de ser…

A avaliação conta para o concurso de colocação dos professores. Vários tribunais (Lisboa, Porto, Beja…) depois de terem dado provimento às providências cautelares da FENPROF vêm agora de forma definitiva dar razão ao ME e aos cerca de 50 000 professores que entregaram a avaliação conforme directiva do ministério.

Claro que os sindicatos e todos os outros professores podem recorrer até ao Tribunal constitucional. O sindicato diz mesmo que pagará as custas aos professores que quiserem accionar acções judiciais, mas isto é uma forma de fugir à responsabilidade, o sindicato devia era pagar o efectivo prejuízo de todos aqueles a quem convenceu para não cumprirem. Claro que todas estes recursos não têm efeitos suspensivos pelo que o concurso e as colocações vão mesmo ser uma realidade!

Esta decisão dos tribunais não podia ser outra por razões simples e fáceis de explicar. i) é o governo que governa, não são nem os sindicatos nem os tribunais ii) quem cumpriu não pode em caso algum ver as suas expectativas goradas por ter cumprido iii) quem não cumpriu sabia ao que se sujeitava.

Mundial – não era preciso ser bruxo…

Como escrevi  aqui no Aventar  não era de esperar grande coisa deste campeonato. A ideia de alavancar a economia e a visibilidade da África do Sul é boa, mas o país em termos de segurança deixa muito a desejar. Acresce que nos últimos tempos, a extrema direita perdeu o seu líder branco, às mãos de um grupo de jovens negros.

Racismo, nazismo e ódio, não são ingredientes para resultar uma boa caldeirada, ou antes ,caldeirada resulta, apetitosa é que não. A violência campeia, a neta de Mandela morreu num desastre e as versões são mais que muitas não se afastando a possibilidade de um atentado. Jornalistas portugueses e espanhóis, no meio do nada foram assaltados enquanto dormiam e os jornalistas que cobrem o evento não têm rebuço em dizerem que têm medo.

Os senhores da FIFA estão hospedados em luxuosos hoteis, com toda a segurança, e no fim levam uns milhões muito largos, há já quem pergunte se valeu a pena fazer o campeonato na África do Sul, mas para os senhores do dinheiro isso é assunto que se vai ver no final. Nas contas!

Entretanto, pessoas que foram assaltadas nunca mais conseguem livrar-se do pesadelo, são assaltos à mão armada de extrema violência, no país os serviços de apoio estão cheios mas as autoridades dizem que a maioria das paessoas não pede ajuda, o problema é bem maior do que mostram as estatísticas oficiais.

E Mandela com 91 anos já não tem poder nem energia para voltar a liderar o seu povo!

Oaris

Oaris é o nome iconográfico da nova automotora apta a 350 km/h desenvolvida pela empresa espanhola CAF; o animal dispõe de bogies bi-bitola (para circular nas linhas de bitola ibérica e nas de bitola “europeia”) e capacidade para trabalhar sob duas voltagens de catenária (a de 3 kV “espanhola” e a 25 kV “portuguesa” e “europeia”). Este protótipo foi apresentado recentemente no Forum Ferroviário de Valência. Com as mesmas peculiares características não existe outro comboio igual no mundo.

Houve um tempo em que a tecnologia ferroviária mundial era guiada pelos ingleses, depois pelos franceses, pelos japoneses, pelos alemães…

A saúde no espaço europeu!

http://cnaturais9.files.wordpress.com/2008http://cnaturais9.files.wordpress.com/2008/03/indicadores-do-estado-de-saude-de-uma-populacao-novo.jpg/03/indicadores-do-estado-de-saude-de-uma-populacao-novo.jpgAgora já podemos ir a tratamento, se necessário, a um qualquer país europeu. Os países depois fazem contas. O que parece é que está ainda tudo muito no ovo, não se sabe bem o “modus operandi”, há limites, será para todas as doenças, é para quem é apanhado fora de casa, ou cada um de nós pode escolher?

Numa doença grave, para quem tem dinheiro e é informado, esta medida política tem vantagens extraordinárias, permite-lhe escolher os centros de excelência para aquela doença. Mas para quem não tem dinheiro ? Bem, assim, à primeira vista, parece que mesmo com estas dúvidas ninguem ficará pior, no mínimo o SNS, no nosso caso, ficará aliviado de uns milhares de doentes que irão lá fora, o que tambem concorrerá para a melhoria dos serviços e da qualidade.

Mas o Estado paga tudo? A estadia, os tratamentos, paga uma parte, paga segundo os rendimentos individuais? É que a factura que pode vir de um processo destes pode ser “insustentável”! E quanto aos seguros privados? Cobrem os tratamentos nos hospitais privados e não no SNS? Os hospitais públicos vão ser o “reservatório” de todas as doenças e doentes que têm custos acrescidos?

A medida é para mim, amigável, sinto que vamos no bom caminho mas faltam muitas respostas. Este modelo de saúde é insustentável, têm que ser introduzidos  factores de correcção tendo em atenção o rendimento de cada um.  Que ninguem fique sem tratamento por razões económicas, mas está visto que estes modelos estatais são muito humanitários mas inviáveis, se não pagamos na hora, pagamos mais tarde com impostos.

Como há muito se sabe e agora nos estão a recordar, com aumento de impostos, cortes nos vencimentos e nas  pensões. Ah! e as SCUTS que tinham, inicialmente um “S” de “sem” e passou a terem um “S” de só…

Publicidade e marketing infanto-juvenil…

Se o melhor de tudo são as crianças… nãos as explorem nem às famílias!

Das Leis dos Livros:

“LEI DAS PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS
 
Práticas comerciais consideradas agressivas em qualquer circunstância
São consideradas agressivas, em qualquer circunstância, as seguintes práticas comerciais:
e) Incluir em anúncio publicitário uma exortação directa às crianças no sentido de comprarem ou convencerem os pais ou outros adultos a comprar-lhes os bens ou serviços anunciados…”

“CÓDIGO DA PUBLICIDADE
Restrições ao conteúdo da publicidade

Artigo 14.º
Menores

1 – A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua vulnerabilidade psicológica, abstendo-se, nomeadamente, de:
a) Incitar directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a adquirir um determinado bem ou serviço;
b) Incitar directamente os menores a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem os produtos ou serviços em questão;
c) Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, bem como a sua saúde ou segurança, nomeadamente através de cenas de pornografia ou do incitamento à violência;
d) Explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou professores.
2 – Os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.”

Há que tornar a posições veementes em torno do marketing e da publicidade infanto-juvenil! Que enxameiam o mercado de consumo e atingem as crianças e os jovens nas suas fragilidades mais frisantes!
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SCUTS, Portagens e Desobediência Civil

No “Directo ao Assunto” da passada Quarta-feira, o Carlos Abreu Amorim teve a coragem de chamar os bois  pelos nomes e não foi nada meigo com os responsáveis do Ministério das Obras Públicas. Ele disse aquilo que todos pensam e até contou a velha história da tentativa falhada do Estado Novo de colocar portagens na Ponte da Arrábida. Já o desafiei para contar essa história na blogosfera.

Continuo sem perceber: a estranha forma de colocação de pórticos na A28 que livrou as câmaras socialistas de portagens; a isenção da Via do Infante e da A25, A23 e A24, entre outras; a forma “mole” como o povo do Norte está a reagir, ainda, a mais esta afronta; como se vai pagar as ditas portagens (Via Verde? e quem não tem? e os automóveis  de matrícula estrangeira? e quem não é da região mas por aqui passe?); quanto custaram os pórticos e quanto vai custar ao Estado as “vias verdes” gratuitas? Quanto vamos pagar todos, via contratos, às empresas concessionárias e quanto do que vamos pagar directamente em portagem vai corresponder em diminuição de pagamento do Estado às concessionárias?

Como Se Fora Um Conto – O Opel Corsa, o Rúben e a Torrada de Pão de Regueifa

Era ainda de manhã, cedinho, de uma sexta-feira feita para engenheiros de pontes. Ontem, muitos, demasiados, festejaram o dia do meu País como se tudo estivesse bem.  À mesa do café onde muitas vezes desjejuo, leio distraído o jornal do dia. A revista que o acompanha também está por ali, com a sua capa colorida a tentar chamar-me a atenção.

Entre uma leitura de títulos da primeira página do jornal e da revista, e uma espreitadela às fotografias que os acompanham, fico sabedor do que mais importante se passou no dia de ontem, ou nos que o antecederam.

Aos poucos vou tomando consciência do que é interessante para os Portugueses.

Assim, pedindo desculpas pelo tratamento muito informal que vou dar às pessoas, fiquei a saber que a Sofia e o Nuno, [Read more…]

Começam o Mundial e as Perguntas do Rui Santos

Rui Santos pergunta: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha?”

Passei há umas décadas pelo jornalismo desportivo, no ‘Norte Desportivo’ e na ‘Capital’. Conheci, nesses tempos, ilustres jornalistas desportivos, homens de cultura sólida. Alves Teixeira, Manuel Dias, Alves dos Santos, Vítor Santos, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Homero de Serpa, Viriato Mourão, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha, Neves de Sousa e outros cujos nomes me escapam agora. Com eles aprendi.

Hoje em dia, o jornalismo desportivo rege-se por outros padrões e práticas. Falar e escrever bom português, por exemplo, não é regra imperativa. Os meios de comunicação social, com RTP, SIC e TVI em destaque, dedicam horas a fio e em exclusivo aos chamados três grandes, Benfica, F.C.Porto e Sporting. No caso da RTP, a falta é agravada por ser estação pública.

O formato dos ‘programas de debate’ é comum nos vários canais. Nem sequer, em qualquer destes, há o bom senso de privilegiar a análise dos jogos e de seleccionar como protagonistas os intérpretes do espectáculo. O resultado é simples: assistir a discussões, cujo tom varia entre os sons da tasca e do café de bairro, por gente, ao que se diz, muito bem paga. Já que de ilustre, ninguém duvida que é mesmo.

Outro formato recorrente consiste em colocar um ou dois comentadores em estúdio. Interrogados ou convidados a falar pelo(a) locutor(a) de serviço, falam durante longos intervalos de tempo, sem que nada digam. Um destes casos, e quanto a mim o mais típico, é o de Rui Santos na SIC Notícias. Quando inesperadamente o homem me aparece, “Ah ‘zapping’ para que te quero!”.

Fujo dele – e dos outros – a sete pés. Há, todavia, um embate de que não consigo livrar-me: são as ‘perguntas do Rui Santos’ anunciadas nos intervalos televisivos. Assim, hoje começa o Mundial da África do Sul – os tempos preliminares já ficaram tristemente marcados para Mandela – mas, como dizia, começa o ‘Mundial’ e as ridículas perguntas de Rui Santos. Estou a imaginar uma: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha? – é uma demonstração do jornalismo de sucesso, de hoje. O exercício felino sobre o relevante para os jogos de futebol.  

 

O caso do Pavilhão da PT em Coimbra

Uma das missões a que se dedicou Rui Pedro Soares na PT, nos intervalos dos Figos e das TVI’s, foi a de vender o património imobiliário da empresa. Desse património fazia parte o pavilhão da PT em Coimbra, onde cerca de 150 jovens praticavam basquetebol e outros desportos. Não faltava mesmo mais nada: não é pessoal que valha a pena aparecer nas campanhas do PS, e o tempo em que as grandes empresas se preocupavam com as colectividades formadas pelos seus trabalhadores já lá vai, até porque como é sabido a PT é uma pequena firma à beira da falência.

“Fomos todos apanhados de surpresa. Fizemos todos os esforços para negociar a nossa continuidade, mas com esta decisão de termos de abandonar as instalações até 30 de junho, parece quase a morte anunciada para a prática da modalidade para tantos jovens”, disse à agência Lusa Fernando Antunes, coordenador da secção.

Antes de ser obrigado a abandonar a administração da PT o homem deixou o negócio fechado. Entretanto a Câmara Municipal de Coimbra prometeu uma alternativa. Prometeu. Os meus caros concidadãos que queriam ajudar a promessa a tornar-se realidade podem assinar esta Petição Por um Pavilhão em Coimbra – “Há 15 anos por Coimbra, deixem-nos continuar a jogar Basquetebol”.

aniversário de um filho

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aniversátio do Luís

Nasceu, sem os seus pais darem por isso, a 13 de Junho de 1977. Sem darem por isso, porque no rastro da sexualidade caminha o amor. Amor havia, e muito. O bebé nasceu numa segunda-feira, em tempos em que não se sabia se as crianças seriam rapazes ou raparigas. Rapariga já havia em casa, faltava o rapaz. Todo o progenitor adora ter um casalinho. E foi este o caso. Os irmãos adoravam-se. A irmã era como uma mãe para o irmão, como acontecia comigo e a minha irmã, com uma pequena diferença: eu dava-lhe banho por ser o mais velho vários anos. Até ao dia de hoje, essa minha irmã, toma conta de mim, como a irmã do rapaz. Era Luís Miguel, era Patrícia, sem segundo nome. Os dois gostavam um do outro, assim como os pais adoravam os dois. Eram os Pimentel Correia, desde muito novos inteligentes, sábios, companheiros. Não apenas brincavam juntos, também a irmã lhe ensinava as letras. Como a sua mãe Odete e o pai José Miguel. O tempo não passou em vão. Não eram apenas brincadeiras ou estudos antecipados em casa, eram também uma rainha com o seu rei a viverem juntos em casa dos pais, até cada um encontrar o seu par: a Patrícia, o seu Paulo, o Luís o amor da sua vida. Amor difícil para ele, que tanto adorava a sua irmã. Não havia rapariga que não tivesse ciúmes, não havia rapaz que estivesse contente: eram um casal…Apenas o Paulo foi capaz de seduzir essa rainha e raptá-la, a seguir aos seus estudos, completando todos as sua licenciaturas em Engenharia, como o pai.

O Luís era amigo dos seus amigos e, com a Patrícia já fora de casa, dedicava os seus verões a viajar, ou  a ir à praia ao pé da casa que os pais tinham comprado para eles em São João da Caparica, com os seus amigos ou com os primos que iam nascendo. A especialidade do Luís, de volta das suas viagens de férias, pelo Oriente, na casa da sua irmã, era ser o cavalo das suas primas mais novas. Tão novas, que não podia menos que ser o cavalo que todas elas montavam e ele, forte, musculado e loiro, as levava às cavalitas, especialmente a sua prima Marta, quase da sua idade. Uma irmã para ele, como a mãe de Marta, a sua tia Graça, a sua amiga, a sua confidente, a que sabia dos seus amores, a mulher livre que entendia os amores do Luís, como Patrícia e Paulo o seu marido e davam ideias, como Odete, a sua mãe.

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O carimbo!

Antes do 25 de Abril quem não era da situação, Estado Novo, Salazar, Mocidade Portuguesa, União Nacional, era carimbado de Comunista! Se não é por nós é contra nós! Já está e se possível a “lápis azul”! Comunista! Censurado!

A seguir ao 25 de Abril, passamos todos a ser fascistas! Carimbado à primeira hesitação. Facho!

Um ano depois apareceram “os amarelos” pró-fascistas. Objectivamente a favor da direita “ultramontana” e fascizóide! Carimbado e siga a marinha que isto não está para subtilezas.

Era de tal forma a carimbadela que o CDS era do CENTRO, não fosse pensarem que era da direita, o que, aliás, lhe valeu ataques e incêndios vários às sua sedes. O Partido Popular passou a PSD, social democrata de esquerda, não fossem pensar que poderia ser democrata cristão. Carimbo! O carimbo da direita levou a mortes e o carimbo da esquerda tambem, tudo a bem do povo, sim, porque tudo isto é sempre a bem do povo!

Em democracia, e muitos de nós passaram por muito e mau antes de chegar a ela, o fundamental é não carimbar quem pensa diferentemente de nós, é ouvir, tentar perceber as razões do “outro”, tentar chegar a um consenso, em Liberdade, até ao ponto em que ” a minha Liberdade começa a pisar a Liberdade do outro” e aí tenho que parar, firmemente, para não deixar que o “outro” pise a minha Liberdade, mas tenho que parar!

Só assim, vale a pena, aperfeiçoar a Liberdade, tratá-la, sem largar mão da ideologia que professo, mas respeitar as opiniões dos que não pensam como eu. Esta é a grande vantagem e a única que vale a pena, como se tem visto com as experiências que temos visto fracassar. Para além da Democracia e do Estado de Direito não há nada!

Só carimbos! E o pior é que o carimbo continua na sua incessante tarefa! Carimbar!

A vida desconhecida de Camões!

Numa antiga cripta de uma igreja transformada em moinho de farinha por alvará industrial de D.Maria, jazem os elementos de uma das famílias mais poderosas do tempo de Camões e onde o poeta teria servido como pajem.Os Menezes!

Estão lá D. Francisco de Menezes e D. Violante e os seus filhos, com excepção da benjamim, Joana de seu nome.O filho, tambem Francisco, foi resgatado de Alcácer-Quibir, tendo sido um dos jovens nobres que lutara ao lado de El.Rei D. Sebastião e lá perdera a vida nas areias quentes do norte de África.

Tinha acabado de ler o livro do Prof. Hermano Saraiva que revelava a existência desta cripta e, curiosamente, fazia agora parte da garagem de uma grande empresa industrial onde eu próprio trabalhava.Em vez de almoçar, juntamente com o engenheiro director industrial e, munidos de uma lanterna e roupa a condizer para quem tinha que rastejar para passar por entre instalações velhas de séculos, lá fomos à descoberta.

E, na realidade, lá estão os túmulos onde repousam em paz os elementos daquela família e que segundo o historiador é um elemento essencial para se compreender a vida de Camões. A lírica de Camões é considerada por alguns especialistas, de nível literário acima da épica, embora seja por esta que Camões seja conhecido mundialmente e há séculos.Toda a lírica de Camões, não seria mais que o relato pelo próprio, da sua atormentada vida, por onde passariam os amores perigosos com D. Violante e sua filha Joana e que levaria D. Francisco de Menezes, já ancião, a desterrar Camões, enviando-o para Macau, “onde carpindo estou saudoso amante” chora o Bocage, comparando-se a Camões na desdita.

Que a lírica de Camões é portentosa não restam dúvidas, que a sua vida foi atormentada e que morreu pobre e esquecido nada se sabendo da sua última morada, tambem é verdade, ( o que não deixa de ser significativo quando a sua obra já tinha sido publicada e reconhecida)e que o livro, com esta versão da vida de Camões me persegue e me encanta, está aqui a prova neste texto simples.

Conta como a minha singela, simples e modesta homenagem à figura da história de Portugal que sempre povoou o meu imaginário!

PS: tambem publicado no estrolabio.

E hoje também é dia de mentiras

Passam cinco anos sobre um dos maiores embustes da história do jornalismo nacional. Inventou-se um arrastão à brasileira, aterrorizou-se um país, vendeu-se a peçonha racista do costume. Desmontado peça a peça neste documentário, não tem sexo, mas tem mentiras e vídeo.
http://www.dailymotion.com/swf/video/xe4px?width=560&theme=eggplant&foreground=%23CFCFCF&highlight=%23834596&background=%23000000&start=&additionalInfos=0&autoPlay=0&hideInfos=0&colors=background%3A000000%3Bforeground%3ACFCFCF%3Bspecial%3A834596%3B
Diana Andringa: Era uma vez um arrastão

A valsinha das medalhas

Quando chega o 10 de Junh0 , só me lembro desta música. E de como, um dia, até esse vulto do jornalismo português que se chama Leonor Pinhão foi condecorado. E de como, um dia, até eu hei-de ser condecorado.


(peço desculpa pela qualidade do som, mas o meu velho vinil de 1986 já não está para grandes andanças).

A VALSINHA DAS MEDALHAS

Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas, e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

REFRÃO
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos

Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d’Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos heróis d’alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Índias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso

Entrevista a Luís Vaz de Camões

Herman José: Humor de Perdição – Entrevista Histórica a Luís de Camões

Café Central – O Tango ‘Mano a Mano’

José Sócrates é um político cercado por desventuras, uma das quais confessada, mas falsa: a solidão, por falta de parceiro da oposição com quem dançar o tango. Passos de Coelho, lembre-se, reagiu e afirmou publicamente estar indisponível para tal dança.

Desde a reabertura do ‘Café Central’, quem quis percebeu que o discurso de ambos é melífluo e simulado. Até porque, eles e respectivas tribos são impotentes para contrariar as ordens de Bruxelas, sob a poderosa batuta do par Merkel – Karkozy; com notória ascendência da alemã.

Ontem, conforme testemunho do Diário de Notícias, e da imprensa em geral, rosas e laranjas aprovaram na Assembleia da República o chamado PEC II; não, sem que antes essa pesada figura do ‘Cavaquistão’, Fernando Ruas, tivesse forçado o Ministério das Finanças a prescindir de controlar a admissão de trabalhadores por parte das autarquias.

Todavia, outras perversidades resultaram do acordo parlamentar entre PS e PSD: (i) efeitos da retroactividade do IRS aplicado aos rendimentos dos cidadãos; (ii) a isenção da redução das retribuições de assessores e todo um punhado de contratados políticos.

Os contributos para a crise assentam, em grande parte, no esforço do cidadão comum – assalariados do Estado e de entidades privadas, pensionistas vulgares (há os invulgares!) e desempregados. Os políticos, certamente a contragosto e por vergonha, lá contribuirão com 5% das respectivas retribuições, ao contrário dos tais assessores e contratados.

Com reclamações das minorias de direita e de esquerda, as tribos do ‘Café Central’ brindaram a aprovação do PEC II com ‘espumante da Bairrada’ – os tempos vão maus para ‘Moët et Chandon’ ou outros champanhes de renome. E, assim, no átrio do ‘Central’ os cabeças de cartaz, José e Pedro, dançaram mesmo o ‘Mano a Mano’, cujo último verso reproduzo:

“p’ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión’.

E ao José e ao Pedro não faltarão ocasiões para nos tanguear. O resto é conversa fiada. 

O dia de Camões, das não condecorações e das não comunidades portuguesas

povo esquecido

Luís Vaz de Camões (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de Junho de 1580), célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.

Quem queira saber mais, pode ler o meu texto, resultado de uma intensa pesquisa,  no nosso blogue Estrolabio, em http://estrolabio.blogspot.com/.

Que nasceu em Lisboa, sabe-se. Que descende de Galegos, sabe-se. Que foi soldado, pajem e descobridor, sabe-se. Que faleceu de peste no Hospital Santa Ana de Lisboa, antes da sua mãe, é conhecido demais. Que reformulou a escrita lusa, é bem conhecido. Que passou a ser famoso em 1880 e repousa no Mosteiro dos Jerónimos, após escavações no cemitério do Hospital, é por demais conhecido.

Que não se saiba ao certo de quem são as ossadas dos Jerónimos, é o que assalta todo o investigador camoniano, incluindo o meu grande amigo Carlos Loures. Que eu diga que não tem importância, é comigo: o interessante é ter um corpo que se pensa ser do alguém que transformou a escrita lusa e todos as línguas lusas do mundo, parte importante e real desta história, um sítio onde lhe prestar homenagem.

E as homenagens são outorgadas, em nome de alguém que em vida, não teve muita publicidade nem sorte, excepto com outro fantasma lusitano, El-rei D. Sebastião de Avis. [Read more…]

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Ref: E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

aparvalhando…

Cantiga, de Luís de Camões


Lida por Manuela de Freitas

Hoje é o Dia da Raça

Hoje é o Dia da Raça, da raça’s’parta, da raça do caralho…

Camões e a Tença

Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invoscaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Homenagem a Luis de Camões !

No estrolabio.blogspot.com o dia é dedicado a Luis Vaz de Camões. A sua vida e a sua obra. A  épica e a lírica. Vários autores abordam Camões de diferentes perspectivas!                                                                                          

Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente

Erros meus, má Fortuna,  Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

Luís Vaz de Camões

E indaha quem faça propaganda d’isto:

a patria onde Camões morreu de fome

e onde todos enchem a barriga de Camões!

Almada Negreiros, A Cena do Ódio

imagem Magnus Muhr

Conta! Conta! Conta!

Estamos todos à espera e já todos o esperavam

120 milhões de pobres na UE!

O que representa cerca de 25% do total da população da UE! Segundo outro  critério pode calcular-se em 80 milhões! Destes 19 milhões são crianças.

Bruxelas estabeleceu como objectivo tirar 20 milhões da pobreza o que representa baixar para 20% o índice de pobreza. Estes números estão correlacionados com a taxa de desemprego que a UE espera conseguir baixar para 25% entre as pessoas dos 20 aos 64 anos.

Na verdade, é com a criação de emprego que se conseguirá combater a pobreza e a exclusão social e não com subsídios, embora ajude temporariamente.. É um passo gigantesco que os 27 membros tenham conseguido chegar a acordo sobre uma matéria tão importante.

Há, agora, que cada Estado membro estabeleça um objectivo adequado à sua situação particular e fixar um quadro de acção, para que tudo possa ser agregado ao nível europeu pela Rede Europeia Antipobreza.

O velho ditado,sempre actual. ” Não me dês um peixe, ensina-me a pescar” !

Da vuvuzela e do massacre dos ouvidos

Nunca fui grande fã de filmes de terror. Sobretudo daqueles onde são aplicadas grandes quantidades de corante vermelho, onde há corpos cortados aos pedaços e zombies comedores de massa encefálica. Não pelo nojo perante a visão de sangue fictício mas porque, por norma, as fitas têm argumentos insossos, apresentando uma sucessão de cenas de carnificina com o intuito de impressionar cada vez mais.
Mas foi de um filme de terror deste género que me lembrei hoje quando fiquei a saber que uma vuvuzela faz mais ruído que uma serra eléctrica. A corneta, soprada à maneira, vai a uns simpáticos 127 decibéis. Está ao nível, por exemplo, da descolagem de um avião. A tristonha serra eléctrica não passa de uns míseros 100 decibéis.

Na primeira metade da década de 1970, o realizador Tobe Hooper contou que teve a ideia para o filme Massacre no Texas quando estava na área de mecânica de uma loja cheia. Pensava numa forma de fugir da multidão quando encontrou, com o olhar, as serras eléctricas…. The Texas Chainsaw Massacre foi lançado em 1974 e tornou-se um clássico do terror, mesmo que uma parte da audiência não tenha chegado ao final dos 90 minutos de duração.

Tanto tempo como um jogo de futebol. Esperemos, pois, que este Mundial não se transforme num South African Vuvuzela Massacre.

Hoje Morreu um Ferroviário

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Hoje morreu um ferroviário ao serviço.

Portugal, Campeão do Mundo de Futebol

Gosto de futebol, do jogo dentro das quatro linhas, confesso que não estou ainda a par do calendário, da divisão de grupos e dos jogos entre as selecções que ultrapassarem a primeira fase.

A ser verdadeiro este calendário, hoje fiquei mais esclarecido em relação às eventuais possibilidades de Portugal chegar, vá lá, às finais ou meias-finais. Dizia o empregado do café onde fui beber a bica que Portugal vai ser campeão do mundo. E explicava: Portugal vai ser segundo classificado neste grupo e, a seguir, vai ganhar à Espanha. Depois defronta e vence a Argentina. Algures, nesta scontas, aparecia ainda a Inglaterra, naturalmente cilindrada pelos apodados “navegadores”. A grande final será contra o Brasil, jogo difícil, claro, mas que os canarinhos perdem sem apelo nem agravo.

Fiquei com um dilema: a fé, ou é uma coisa invejável, ou faz perder todo o contacto com a realidade.