França: As sondagens valem o que valem….

…. mas esta é assustadora.

Os “coletes amarelos” andaram meses a protestar em França. Uma boa parte da sociedade civil francesa radicalizou-se politicamente (basta somar as intenções de voto nos candidatos das extremas). Os chamados “partidos do centro” definham. E a Le Pen vai subindo de eleição para eleição. O Putin pode até nem ganhar a guerra na Ucrânia mas os filhos de putin estão a crescer a olhos vistos em quase todos os países europeus.

O mundo está a ficar perigoso.

UE apoia esforço de guerra russo com 35 mil milhões de euros

Holanda, Grécia, Itália, Hungria, Bulgária e Alemanha continuam a comprar petróleo russo. Se falarmos em compra de gás, o número de democracias (calma, não estou a incluir aqui a Hungria) que continua a financiar o massacre de ucranianos aumenta ainda mais. Entre o branqueamento comunista da barbárie e a hipocrisia colaboracionista de liberais, conservadores e social-democratas, venha o Diabo e escolha. Não se aproveita um.

O fim do mundo está próximo….

Metade dos portugueses dispostos a comer carne de laboratório. Alternativa chega ao mercado antes de 2030 e “promete ter impacto menor no planeta“

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Resolução ONU 2016

EUA votam contra resolução das Nações Unidas a condenar nazismo

Há uns dias relembraram-me disto. Foi em 2016 e lembro-me de ninguém ter abordado o assunto. Não houve indignação, ninguém se revoltou e ninguém se molhou.

Mas sim, é verdade. Em 2016, a ONU apresentou uma resolução de condenação ao nazismo. Os Estados Unidos da América, a Ucrânia e o Palau votaram contra a resolução de condenação do nazismo. Em 2018, nova resolução foi apresentada pela ONU e desta vez apenas os EUA e a Ucrânia votaram contra. Em 2020, nova resolução, que visava “combater a glorificação do nazismo”. Novamente, apenas os EUA e a Ucrânia votaram contra.

E Portugal? Portugal absteve-se… nas três resoluções.

Notícia na íntegra aqui.

Alemanha com “o gás de fora”…

There’s a structural problem Germany is waking up to: the competitiveness of its heavy, energy-intensive industry (chemicals, engineering, metals) is based in no small part on cheap Russian gas; take that away, and made-in-Germany may not that different to, ehem, made-in-Spain (Javier Blas, Bloomberg).

E onde diz Espanha podem substituir por Portugal ou outro exemplo. Por cada foto de Bucha ontem ou de Mariupol amanhã, fico na dúvida se os dirigentes alemães conseguem dormir em paz. O capitalismo selvagem é para o lado que dorme melhor. Provavelmente, eles também….

Gabriel Mithá Ribeiro e o racismo de Schrödinger

Ainda me lembro, até porque não foi assim há tanto tempo, quando Gabriel Mithá Ribeiro, durante 15 anos membro do PSD, lançou um livro de elogio à “nova direita europeia”, que na verdade é velha, bafienta e descendente da direita que nos deu a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e as ditaduras que, felizmente, acabaram todas derrotadas. A mesma direita que invadiu e matou (continua a matar) ucranianos, impunemente, todos os dias. É desta direita que falamos.

Para apresentar o seu “Um século de escombros”, que começa com dedicatória aos faróis ideológicos do agora deputado do Chega – Viktor Orbán, o Cavalo de Tróia de Putin na Europa e na NATO, Donald Trump e Jair Bolsonaro, entre outros extremistas que tem como referência – teve ao seu lado Maria Luís Albuquerque, então colega de partido que aceitou fazer a apresentação da obra de glorificação de neofascistas. À sua frente Passos Coelho, que também não faltou à chamada. Diz-me com quem andas…

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Vilnius

Junto à embaixada da Alemanha

O que é? Para que serve? ou Pela Boca Morre o Peixe

Na passada segunda-feira, o jornal Público decidiu lançar um vídeo explicativo. No vídeo, intitulado “O que é a NATO? Para que serve?”, a jornalista Cláudia Carvalho Silva explica meia-dúzia de factos. Na publicação da notícia no Facebook, comentei alertando para alguns factos que ficaram por enumerar, entre os quais a inclusão de antigos generais do exército Nazi na NATO ou o massacre levado a cabo nos Balcãs.

Por entre insultos, troço ou desvalorização do assunto que coloquei na mesa, por parte de outros internautas, eis que, entre eles, surge Bruno Vitorino. E quem é Bruno Vitorino? Para que serve?

Não farei um vídeo explicativo, mas poderei lançar umas achas para a fogueira. Bruno Vitorino foi deputado de 2011 a 2019, tendo passado pelas legislaturas do governo PáF e da Geringonça. Bruno Vitorino é militante do PSD-Barreiro, tendo sido o candidato à autarquia nas Autárquicas de 2021 (onde ficou conhecido por meia dúzia de tempos de antena, onde, com laivos de lunatismo, dizia que vivemos numa ditadura comunista – o sr. Vitorino confundiu Portugal com Havana, se calhar porque uma vez passou lá férias e achou que por haver muito sol nos dois lados, é tudo parecido).

No comentário que me dirigiu, fazendo a apologia da máquina de guerra que é a NATO, decidiu apoucar os factos que apresentei. Ora, em 2016, o Bloco de Esquerda apresentou, em sede própria, um voto pela libertação dos presos políticos angolanos e um voto de condenação pela repressão imposta pelo regime angolano sobre o seu povo. Relembro: Bruno Vitorino era, à data, deputado dos conservadores-liberais do PSD. Como terá votado estes dois tópicos? Com uma pesquisa rápida, descobrimos: no primeiro, absteve-se; no segundo, votou contra. [Read more…]

O PCP é como o algodão

Comunistas consideram que o presidente ucraniano tem tido “um conjunto de posicionamentos numa lógica de confrontação”, pelo que não o querem a falar na Assembleia da República, por videoconferência.

O vassalo de Putin infiltrado na UE e na NATO

Putin apressou-se a parabenizar Orbán pela vitória nas Legislativas de Domingo, sublinhando a importância dos laços que os unem, e que são sobretudo ideológicos.

Orbán é um dos líderes europeus que mais entraves tem colocado à estratégia da União Europeia para sancionar Moscovo, postura que já remonta à anexação da Crimeia. Nas últimas semanas, e só para dar alguns exemplos, opôs-se a sanções ao sector energético russo e à passagem de armamento oferecido à Ucrânia por outros estados-membros da União Europeia. E este Domingo, no discurso de vitória, deixou bem clara a sua posição:

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A China e as matérias primas

É verdade que as fábricas estiveram paradas por causa da pandemia de Covid-19. É verdade que a guerra na Ucrânia está a trazer problemas nos fluxos comerciais e o acesso a determinadas matérias-primas. Tudo isto é verdade. O problema é que existe um outro motivo, um pormenor segundo alguns. Um “pormaior“, segundo outros. Chamado China.

E qual é o problema chamado China? Já em Julho do ano passado as sirenes tocavam: a China estava a comprar matérias-primas em vários sectores em quantidades astronómicas e nada comuns. Estavam a ser criadas as condições para uma tempestade perfeita, diziam em Julho os especialistas. E em Novembro de 2020, já se falava sobre esta política chinesa: “En las últimas semanas hemos visto como el Gobierno Chino ha empezado a estar muy activo en los mercados de carne y granos. Los contratos de futuros de Soja, Aceites y los futuros de Cerdos se han vuelto muy agresivos“. Ora, a escassez de matérias primas a que estamos a assistir é um problema anterior à invasão da Ucrânia e fruto da política seguida pela China. Obviamente, a guerra só está a piorar uma situação que já era grave.

Por sua vez, Pedro Guerreiro já o tinha sublinhado no Observador em Fevereiro deste ano:

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TAP: se é para servir Lisboa, que a paguem os lisboetas

Já tive uma posição diferente sobre a situação e o futuro da TAP, o que não significa que tenha hoje uma posição fechada sobre um assunto que, de resto, estou longe de dominar. Mas não posso continuar a TAPar os olhos. A TAP é hoje um instrumento ao serviço do centralismo, que ignora os interesses e necessidades do Norte do país, onde está concentrada parte significativa da indústria que mantém este país a funcionar, a começar por Lisboa.

Hoje, enquanto ouvia o Fórum TSF, descobri que a gestão da TAP quer acabar com a ligação à Milão. É preciso não ter noção nenhuma daquilo que é o sector têxtil, e da sua importância para o país, para tomar uma decisão absurda como esta. Falta de noção partilhada pelo ministro Pedro Nuno Santos, que acha que a procura de voos para Milão se reduz à MICAM. Nem por ter família ligada à indústria do calçado…

Se chegamos ao ponto em que a TAP está reduzida a um sorvedouro de recursos públicos, paga por todos para servir Lisboa, então talvez seja mesmo o tempo de fechar a torneira. A oferta será substituída por outros operadores, que é precisamente aquilo que está a acontecer no Porto, há vários anos, para uma série de destinos estratégicos para a indústria e para o turismo do Norte de Portugal. Ou então que mandem a conta para a CML, para a AML ou para a CCDR LVT e deixem os nossos bolsos em paz.

Primeiro levaram os Judeus mas eu não era Judeu….

Via José Milhazes:

Hoje, Dmitri Medvedev, antigo presidente da Rússia, vice-chefe do Conselho de Segurança, voltou a defender o desaparecimento da Ucrânia, processo que será acompanhado pela “desnazificação” e “desucrainação”.
Ontem, num artigo publicado na agência noticiosa oficial russa RIA-NOVOSTI, um analista político respondia à questão: “O que deve a Rússia fazer com a Ucrânia?”
Ele, ente outras coisas, escreveu: “os nazis [ucranianos] que pegaram em armas nas mãos devem ser liquidados ao máximo no campo de combate. Não se deve fazer grande diferença entre militares, batalhões nacionalistas e grupos locais de defesa.
Além da cúpula, que deve ser “desnazificada”, leia-se liquidada, é também culpada parte significativa das massas populares que são nazis passivos, apoiantes dos nazis… Só é possível um castigo justo para essa parte dessa população se ela tiver de suportar os fardos inevitáveis da guerra justa contra o sistema nazi”.


E depois de liquidada a Ucrânia? Medvedev, também conhecido pela alcunha de corrupto “Dimon”, desenha “o futuro radioso da humanidade: “finalmente criar uma Eurásia aberta de Lisboa a Vladivostoque”!

Zelenskyy distribui leite Mimosa em Bucha

Chamem-me parolo, mas encheu-me de orgulho ver um bocadinho de Portugal a fazer a diferença naquela terra onde o horror da invasão atingiu proporções doentias. Não vamos ganhar a batalha pelos ucranianos, mas temos sido enormes no apoio àquelas pessoas. Somos, como os ucranianos, um grande povo.

Não nos conformamos com os horrores da guerra

Já passámos por algumas guerras, já soubemos e vimos crimes de guerra hediondos, estudámos muitas mais do passado mais ou menos longínquo mas, ainda assim, continuamos a não nos habituar ao horror da sua crueldade, da sua ignomínia, da sua bestialidade nos dias de hoje.
O Ser Humano, horroriza-se com a cruel desumanidade que também lhe é característico.

Continuo a acreditar que o mal e o bem estão dentro de todos nós e o que faz a diferença é o carácter das acções que praticamos a cada momento.
Felizmente, somos muitos os que se sentem horrorizados com a crueldade de outros, mas reparem que o horror da guerra não deverá variar consoante o lado que nos é mais dilecto em cada uma.
Guerra é guerra. O horror que produz é sempre horrendo.
Saber evitá-la, saber travá-la, saber pôr-lhe termo é um caminho incessante de paz. O outro caminho [Read more…]

Alexandre Guerreiro, André Ventura e Putin entram num bar…

Foi o Daniel Oliveira que recordou estas duas publicações de Alexandre Guerreiro. Para quem, como eu e o Aventar, anda atento ao que Alexandre Guerreiro diz e escreve, não é novidade nenhuma.

A Rússia de Putin financia a extrema direita europeia. Obviamente, o Chega só por mero acaso seria uma excepção. Daí a este filho de putin estar sempre embevecido pelo Ventura é mais do que um salto. Com sorte ainda vamos descobrir que Guerreiro era o “homem da mala” entre Putin e o Chega. Alegadamente, claro….

Sobre a ganância e o parasitismo dos super-ricos

Segundo a Administração Biden, a taxa de IRS dos multimilionários rondou uma média de 8%, muito abaixo do que paga um trabalhador médio. Como é possível? Nos EUA, como na Europa, o IRS incide sobre os rendimentos gerados em cada ano (salários, juros, mais-va­lias, dividendos). Multimilionários como Elon Musk ou Jeff Bezos não recebem salário das suas empresas e passam anos sem vender as participações. Os custos das vidas luxuosas que levam são imputados às empresas e fundações ou pagos com recurso a empréstimos que têm como garantia os investimentos financeiros.

Elisabete Miranda, Expresso

Norte a planar

Há bastante tempo que não emito uma opinião pública sobre tantas e tantas coisas que se vão passando e arrastando no nosso País.  Sem medo. Porque este é um elemento estrutural do código genético do Porto, do Norte e seguramente de todo o país, com os brilhantes exemplos que temos dos Arquipélagos.
Na verdade , o Porto, Norte e Centro de Portugal não precisam da TAP para nada. Mas a TAP precisa destas regiões para sobreviver. E se não concordarem, retirem o proporcional de financiamento (contrário a investimento) e rapidamente chegarão a uma conclusão. Questão frugal, obviamente. Nada frugal é sabermos que Nação pretendemos, qual o estatuto mundial que pretendemos cuidar e atribuir à nossa língua portuguesa e que Embaixadores estamos disponíveis para ter, ou não, em concordância com o interesse de Portugal. De Portugal.
O Norte vai frouxo como nunca se viu. Tempos houve em que uma mera louça de casa de banho provocava um tremor de terra. Um tremor de terra de injustiça e de foco no que não é essencial, no que não é nacional. Aqui, falamos de Portugal, da língua, da cultura, da identidade, de tudo aquilo que se sobrepõe aos interesses miúdos. Mas para isso precisamos de graúdos, sem algemas de poder, sem medo.
Sem medo

Sandro Neves (Autor convidado)

Salgueiro Maia

Partiu há 30 anos o verdadeiro herói do 25 de Abril.

Roubados e tudo bem

Portugal é hoje o terceiro país europeu com maior parte da riqueza nacional parqueada em jurisdições offshore.

Como chegamos até aqui

A Abecásia e a Ossétia do Sul foram ocupadas pela Federação Russa em 2008. A península da Crimeia em 2014. Desde então, nunca foi segredo para ninguém que os separatistas do Donbass eram apoiados financeira e militarmente pelo Kremlin, que garantiu a subsistência dessa agressão à soberania ucraniana, no plano militar e financeiro, ao longo de oito anos.

Paralelamente, a oligarquia russa continuava a expansão dos tentáculos de Moscovo pelo continente europeu, de Bruxelas às sedes das principais organizações internacionais, sob tutela directa de Vladimir Putin, movimentando milhões de rublos e negociando diariamente nas principais praças financeiras do Ocidente, de Frankfurt a Wall Street, com escala em Amsterdão, Zurique e na City de Londres, ou Londongrado, alcunha que nos diz tudo o que precisamos de saber sobre a colonização levada a cabo pelo Kremlin.

Quando não estavam a transformar o produto do saque ao povo russo em dividendos e propriedades de impensável luxo, a corte de oligarcas russos ocupava os tempos livres em actividades como a compra e gestão de alguns dos principais clubes de futebol da Europa, fazia férias em Puerto Banús, no Mónaco e na Costa Esmeralda, licitava obras de arte na Christie’s, comprava diamantes em Antuérpia e fazia shopping em Paris e Milão, o que ajuda a explicar o lobby que grandes estadistas como Mario Draghi tentaram inicialmente fazer, para que as insígnias italianas e francesas de luxo, bem como a indústria belga de pedras preciosas, fossem poupadas à lista de sanções. Acabar com a guerra sim senhor, mas deixem o lifestyle dos senhores oligarcas em paz.

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Rússia – Os amanhãs que cantam

A Rússia é uma espécie de elefante na sala que muitos fazem de conta que não está ali mesmo, no centro da sala. Para muitos não é a Rússia, é Putin. Como ontem não era a Alemanha, era Hitler. O problema é que Bucha como tantas outras aldeias, vilas ou cidades da Ucrânia demonstram que Putin não está sozinho na insanidade.

Se foi Putin a dar a ordem para a invasão da Ucrânia foram, estão a ser, os seus soldados, os seus militares a transformar a tomada de territórios num horror inqualificável. Matar cidadãos indefesos, com as mãos amarradas atrás das costas é a insanidade potenciada ao extremo. Ouvir o testemunho de médicos a explicar que estão a receber crianças de Mariupol com lacerações vagino-anais é mais do que revoltante, é a demonstração plena de que não existe um Putin, existe uma parte de um povo que está disposto a cometer todas atrocidades possíveis e imaginárias em nome de uma tal de “Mãe Rússia” a quem nem de rameira podemos aplicar porque estas são incapazes de tais atrocidades.

A Rússia está a sublinhar o que dela já muitos sabiam. A brutalidade dos Czares foi substituída pela brutalidade do comunismo e agora os amanhãs cantam mais umas décadas de brutalidade com Putin. São séculos de insanidade. Considerar que não é característica de um povo mas apenas e só dos seus líderes é não querer ver o elefante que está na sala…

Bucha

assim como Mariupol, assim como tantas e tantas aldeias, vilas ou cidades com nomes até agora desconhecidos e impronunciáveis e que ficarão para sempre na consciência do mundo. Como um ferro em brasa que nos torturará eternamente. Muito, pouco ou quase nada porque, ao contrário do que pretendemos crer, a excelência humana nunca foi tão rara quanto o é hoje.

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Habeck, o admirável ministro da economia alemão

As respostas de Robert Habeck, ministro da economia alemão, num talk show televisivo ocorrido há três dias, foram uma magistral lição de filosofia, economia, política, seriedade, coragem, autenticidade e visão.

Com uma paciência de Jó, com toda a simplicidade e nunca simplismo, Habeck, desprovido da arrogância, pretensiosismo e a habitual opacidade da esmagadora maioria de dirigentes políticos que ocupam os governos do mundo, abananou a sociedade alemã ao falar de forma brilhantemente diferenciada sobre as consequências da guerra na Ucrânia para o abastecimento de energia da Alemanha e as razões pelas quais continua a rejeitar um embargo energético contra a Rússia, enquanto tudo faz para libertar a Alemanha da dependência russa, assegurando também o abastecimento de electricidade à Ucrânia.

E aqui ficam algumas das clarividentes respostas de Habeck no programa de Markus Lanz, um conhecido moderador neoliberal da TV alemã, que acabou por engolir em seco as suas próprias picadelas sedentas de sensacionalismo, usando e abusando das fotos em que Habeck cumprimenta, inclinado, o emir do Qatar:

“A Alemanha sempre se apresentou como se nós fizéssemos tudo melhor, soubéssemos tudo melhor; e depois aprovámos Nordstream II no ano da anexação da Crimeia, e no ano seguinte transferimos parte da nossa infra-estrutura petrolífera para a Rosneft, a companhia petrolífera russa, no ano após a anexação da Crimeia! Os ucranianos agradecem-nos pelas armas, mas perguntam-nos, porque é que só as forneceram agora que o nosso povo já está a ser assassinado? Teria sido muito mais inteligente entregá-las antes, poderia até ter acontecido que nem sequer chegássemos a ser atacados; e nós só podemos dizer a nós próprios que estamos a fazer tudo bem, se partirmos de uma concepção política em que estamos sempre do lado moralmente correcto; mas não é esse o caso.” [Read more…]

A leste da realidade

De cada vez que um político ou guia espiritual neoliberal diz “estamos a ser apanhados pelo país X de Leste”, porque o indicador A ou B lhe é mais favorável, fico com a certeza quase absoluta que essa pessoa nunca esteve no país em questão. Achar que a aproximação da Roménia em termos de PIB per capita significa que o nível de vida lá é idêntico ao nível de vida aqui é de uma desonestidade só compreensível à luz da propaganda mais alucinada. Lembro-me sempre de uma aventura que tive em tempos, na Bulgária, a tentar ser atendido na espécie de SNS lá do sítio. PIB per capita é uma medida que nos diz muito pouco sobre a qualidade de vida global de um povo. Basta haver uma pequena percentagem de super-ricos para subverter os números. E nem vamos falar na qualidade da democracia, no apoio aos idosos e/ou mais desfavorecidos, na pobreza ou nas infraestruturas da esmagadora maioria dos países de Leste, excepção feita a parte do Báltico. Não há – ainda – comparação possível.

Congresso do CDS-PP

Arrancou o congresso do CDS-PP. O que vão decidir os congressistas este fim de semana? Um regresso ao passado “portista”? Um regresso de Manuel Monteiro? Sim, são inúmeras as jogadas de bastidores a tentar convencer Monteiro a avançar. Um novo futuro? Ainda não se sabe.

O mais provável é que Nuno Melo venha a ser eleito presidente do que resta do CDS. Contudo, os congressos do CDS são, quase sempre, uma caixinha de surpresas. Uma coisa é certa, na despedida, o ainda presidente não se ficou por meias palavras…

Notas sobre a agressão de Will Smith a Chris Rock

Sobre o caso da agressão de Will Smith a Chris Rock, porque é exactamente disso que se trata, de uma agressão, tenho sete coisas para vos dizer, sem nenhuma ordem especial. Aqui vão elas:

1) A liberdade de expressão é um pilar das democracias. Uma agressão é um crime. E ainda bem que é assim;

2) Quando ouço ou leio alguma coisa que não me agrada (e falo por experiência), por muito ofensivo que considere essas palavras, mesmo que me sejam dirigidas, não tenho legitimidade para bater no seu autor. Tenho, isso sim, a possibilidade de agir judicialmente contra essa pessoa. Somos seres civilizados, da polis, não macacos a lutar por bananas na selva;

3) Posso, ainda assim, armar-me em macaco e bater numa pessoa que diz ou escreve sobre mim coisas que me insultam. Cabe ao Estado e ao poder judicial pôr-me na linha. No caso em questão, presumo que as autoridades norte-americanas tenham todas as provas necessárias para fazer justiça. Espero que a façam. Um exemplo destes, vindo de uma figura pública que é um role model para milhões, não deve ser tolerado;

4) Will Smith podia estar a ter um dia mau, a passar por uma fase complicada, agravada até pela doença da esposa, e ter-se deixado levar pelas emoções mais primárias. Afinal, ele é um ser humano como qualquer um de nós e, como nós, comete erros. Não contem comigo para o catalogar como monstro por um acto isolado. Mais ainda quando é sabido que o próprio Will Smith viveu na pele o drama da violência doméstica, ainda criança. Tal não retira gravidade à atitude em si, mas as coisas nem sempre são tão claras como aparentam ser e o contexto é sempre importante;

5) Os limites do humor não são as nossas convicções nem a nossa sensibilidade para assuntos mais ou menos delicados. É a lei. Não foi Chris Rock que passou dos limites. Foi Will Smith;

6) Não são os limites do humor, a prioridade desta discussão. É a violência e a sua normalização enquanto método legítimo, que não é. Porque hoje é uma chapada por causa de uma piada sobre alopécia, amanhã poderá ser porrada por qualquer outra piada que incomode cada indivíduo na sua existência. E quem diz piada diz convicção social, fé religiosa ou ideologia política. Não somos Putins nem Xi Jinpings. Ou pelo menos não deveríamos ser;

7) Não haver um segurança que levasse Will Smith para fora do local da cerimónia dos Óscares diz tudo o que precisamos de perceber sobre o privilégio das elites. Will sobe ao palco, agride o apresentador, volta para o seu lugar, senta-se e fica ali, sereno, como se nada fosse, a aguardar pela sua estatueta. Qualquer um de vós que fizesse o mesmo numa cerimónia idêntica ia direitinho para a esquadra mais próxima;

Era isto. Continuação de uma boa tarde!

Sim, temos de estar dispostos a pagar este preço

Sahra Wagenknecht, a figura mais proeminente do partido alemão “die Linke“ (digamos, o BE alemão), convidada frequente em talk shows, afirma e repete que “a guerra económica contra a Rússia prejudica-nos sobretudo a nós próprios”.

E continua: “O Instituto Federal de Estatística calcula uma taxa de inflação de 7,6% para Março – a mais alta dos últimos 40 anos. Isto significa que os alimentos, o combustível e a energia estão a tornar-se cada vez mais caros para muitas pessoas. Especialmente as famílias com rendimentos baixos e médios estão assim a enfrentar graves problemas existenciais. Muitas famílias são empurradas para a pobreza devido ao aumento dos preços. A lei socialmente desequilibrada e completamente inadequada de alívio energético da “coligação semáforo” pouco fará para alterar esta situação.

Actualmente, 43% dos alemães assumem que a sua situação económica pessoal será pior em cinco anos do que é hoje. (…) [Read more…]

A culpa é da Guerra

Parece que começou uma Guerra na Europa e, tal como sempre que acontece algo novo, várias hipocrisias foram colocadas a nu. De repente, o Ocidente descobriu que Putin é um autocrata e que quer fazer da Ucrânia seu território. Uma novidade da qual ninguém esperava. Enquanto o Ocidente das elites coloca-se contra a Rússia, esse perigoso país liderado pelo jovem Putin que apareceu há umas semanas, temos uma esquerda, que toldada pelo ódio aos EUA, não consegue condenar a Rússia por esta invasão. E aqui fica mais uma vez provado: a esquerda não é, nem nunca será, empática com pessoas, mas sim com as suas causas. São aqueles que lutam pela emancipação até de um pau de vassoura, mas que decidem quem é bom homossexual ou bom preto. É o mercado dos valores a funcionar. Estes são aqueles que querem a extinção de um partido, mas que protestam contra a extinção de partidos numa Guerra. No entanto, há que admirar a posição do PCP. O PCP foi igual a si mesmo e mantém a sua postura até ao fim. Manteve o seu fanatismo. Trata a Rússia sem liberdade como se um sistema capitalista tivesse. Para o PCP, quem tem mais de 5 euros no bolso já é capitalista.

Lá por esta visão sem ponta de humanismo, não quer dizer que os restantes sejam inocentes. Esta Guerra levou a que a maioria do espaço político não-socialista a usasse, seja com medidas inconsequentes para parecer bem ou em medidas que vão contra o próprio histórico do partido. Os EUA, depois de se espantarem com o facto de Putin ser autocrata, foram negociar com as democracias sólidas e liberais do Irão e da Venezuela. O que deve ter dado dificuldades, porque, no caso da Venezuela, reconheceram um presidente que não é o que se encontra em funções. A FIFA, essa instituição cheia de valores, também fez a sua parte. Expulsou a Rússia de um Mundial que será jogado no Qatar, país que respeita os direitos das minorias e, principalmente, dos trabalhadores. Em princípio, depois do Mundial, também se fará a marcha LGBT, nesse país tão democrático. [Read more…]

Liberalismo e cartelização

Alguns liberais – no sentido neoliberal da palavra – hipnotizados pelas teorias de Hayek e Friedman, ainda que alheados do mundo real, insistem que o mercado livre se autoregula, e que uma das vantagens da sua natureza concorrencial é que o consumidor paga sempre menos.

Sempre menos.

Pena que exemplos como este se multipliquem, invalidando o wishful thinking e a propaganda, revelando que concorrência, não raras vezes, degenera em cartelização. A desculpa, invariavelmente, chega-nos sob a forma de uma adaptação da boa velha máxima comunista: este não é o verdadeiro liberalismo. Os radicais, como os extremos, atraem-se. Nunca falha.