Quem ganha com a invasão da Ucrânia?

Quem está a ganhar com a invasão da Ucrânia?

São os russos?
Os chineses?
Os americanos?
As gasolineiras?
Os bancos?
A indústria alimentar?
Os autocratas?

Não falta quem esteja a ganhar com a destruição da Ucrânia. A guerra é e sempre foi bom negócio para muita gente.

Em particular para aqueles que produzem e vendem armamento.

A Ucrânia precisa dele, os países da NATO foram forçados a aumentar o investimento, a tensão crescente estimula ainda mais o mercado e a perspectiva de uma guerra de longa duração, a juntar a todas as outras, menos mediáticas, garante volume de negócio para duas décadas.

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O timing de Nancy Pelosi

O timing da visita de Nancy Pelosi a Taiwan não é inocente e ameaça directamente a segurança da população daquele país. De todos os momentos que poderiam ter sido escolhidos pela speaker da câmara dos representantes, Pelosi decidiu escolher o momento de maior tensão mundial desde a guerra nos Balcãs.

Não é inocente e, parece-me, tem mais a ver com política interna norte-americana do que com as aspirações independentistas do povo de Taiwan. Um país que, é bom recordar, os EUA não reconhecem enquanto Estado soberano. E são apenas 13, os Estados que reconhecem. Os EUA chegaram a reconhecer, durante vários anos, mas a globalização, o capitalismo e os renminbis falaram mais alto.

Como sempre falam.

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Putin & Cotrim

23 de Fevereiro de 2014: Rússia invade e anexa a Crimeia.

28 de Fevereiro de 2014: Turismo de Portugal, liderado por João Cotrim de Figueiredo, anuncia operação ambiciosa de reforço da promoção de Portugal no mercado russo.

E vocês, também têm saudades dos tempos em que Putin podia invadir e anexar território de estados soberanos sem que isso tivesse impacto nas proveitosas relações comerciais entre o Ocidente e as ditaduras do bem?

Eu não. Mas há muito quem tenha. A Federação Russa, em particular a sua máfia oligarquica, era muito rentável para a aristocracia europeia e americana.

A NATO e a farsa democrática que nos rebentará nas mãos

O ano de 2022 tem sido fértil em tragédias e desilusões, com a invasão da Ucrânia à cabeça, perpetrada por esse antigo investidor de referência do neoliberalismo dirigente, hoje convertido em hitleriano ditador, a quem, ainda assim, continuamos a comprar commodities.

Contudo, do Kremlin nunca esperei democracia. Daí que considere mais preocupante, no que ao nosso modo de vida e à democracia diz respeito, assistir à capitulação da Suécia e da Finlândia, que se ajoelharam e ofereceram a democracia numa bandeja a outro ditador, que só não rosna mais por não se lhe conhecer arsenal nuclear.

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E eu e tu o que é que temos que fazer? Mandar foder o Putin.

Esteve bem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a repudiar o tom e o conteúdo do comunicado da Embaixada Russa em Portugal, que visa Pedro Abrunhosa. Senti-me duplamente representado. E é curioso que o tema da polémica, que se não me falha o Google é de 95, já na altura fazia referência à presença de fascistas em Moscovo, ainda o Adolfo de São Petersburgo estava na sua terra natal:

Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que fazer?
Talvez fo(der)

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Crise, inflação, capitalismo

A Estónia, supremo unicórnio liberal, lidera agora o ranking da inflação dos 27, que naquele país ronda os 22%. A situação não difere muito do restante Báltico ou dos países que fazem fronteira com a Federação Russa, e a causa é demasiadamente evidente, pelo que não perderei tempo a elaborar.

Contudo, importa recordar muitos dos que agora acenam, e bem, com a guerra da Ucrânia, e respectivas ondas de choque, como causas primárias para este aumento da inflação no El Dorado do crescimento económico a leste, são mais ou menos os mesmos que se recusaram a aceitar o impacto da crise de 2008 na hecatombe portuguesa que se seguiu. A culpa era do Sócrates, apenas e só do Sócrates, e de mais ninguém para lá do Sócrates.

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Putin tem muito que aprender com Israel

A investigação da ONU, ao atentando que resultou no homicídio da jornalista Shireen Abu Akleh, concluiu que foi o exército israelita quem disparou na direcção de Shireen, Ali Samoudi e dois outros jornalistas no local.

Esta é igualmente a conclusão a que chegaram a Associated Press, o New York Times e a CNN, entre outros. Tratou-se, portanto, de uma execução. De um fuzilamento. De mais um episódio de brutalidade inqualificável, com a chancela do IDF, que passou entre os pingos da chuva.

Putin devia pôr os olhinhos em Israel. É possível oprimir um povo durante décadas, ocupar e anexar o seu território, fuzilar activistas e jornalistas, matar indiscriminadamente e, ainda assim, contar com a submissão dos valores ocidentais à sua agenda. Em bom rigor, se Putin fosse mais obediente, talvez não estivesse na enrascada em que se enfiou. E, com jeitinho, ainda era capaz de ter a Ucrânia debaixo da pata, sem que o Ocidente desse por isso.

Refugiados da Ucrânia que ninguém quer

Já se sabia disto há algumas semanas, mas assobiamos todos para o lado, na esperança que a coisa se resolvesse. E sim, esta situação era mais do que expectável. Por muito que o queiram negar, Portugal tem um problema de racismo e esta situação só o veio confirmar.

Segundo Laurinda Alves, vereadora da CM de Lisboa, estão cerca de 60 refugiados, vindos da Ucrânia, no abrigo temporário da autarquia, porque, afirma a vereadora, “ninguém os quer”.

E porquê?

Porque o tom de pele está no pantone errado.

Nenhum deles é branco.

São sobretudo estudantes de países africanos.
E, muito provavelmente, rezam a um Deus diferente.

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Adesão à UE: a mentira que estamos a vender à Ucrânia

Andamos a vender uma mentira aos ucranianos. A mentira de um sonho europeu que está a anos, décadas de distância, isto se algum dia a Ucrânia reunir as condições necessárias para conseguir a adesão. A menos que a União decida ignorar as regras, o que não é bem o seu estilo. Isto se não considerarmos os resgates da economia italiana, que não se chamam bem resgates. Resgates é para PIGS como Portugal ou Grécia. Para cães grandes do G8 usa-se um eufemismo qualquer que agora não me ocorre.

O processo de adesão, que é longo, tem várias etapas e exige uma série de garantias, não será acelerado, por dramática que seja a situação na Ucrânia. Não será nem pode ser. Porque é contrário às regras europeias, porque abre um precedente perigoso e porque a Ucrânia não está perto de cumprir os necessários requisitos. E ao contrário daquilo que alguns defendem, creio que não teria qualquer impacto prático na invasão em curso. Quanto muito aumentaria a probabilidade de alargar as fronteiras da invasão e transformá-la numa guerra a sério. E aí é que iríamos ver o que é inflação.

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Tiananmen-Ocidente-Kiev

O “incidente” de Tiananmen, eufemismo que o regime chinês usa a propósito deste horrendo episódio, fez ontem 33 anos. Foi um massacre, sobretudo de estudantes, que lutavam pela liberdade e por uma China democrática. Não sabemos quantas pessoas morreram, mas estima-se que possam ter sido alguns milhares.

E o Ocidente, sempre disponível para acudir às aspirações democráticas alheias, o que fez?

Fez o que sabe melhor: assobiou para o lado durante anos, para depois abrir as portas da OMC ao regime, garantindo lucros extraordinários a um punhado de aristocratas do capitalismo, cujo custo foi a destruição da capacidade produtiva de muitos Estados ocidentais, como é o caso do português.

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Em memória de Frédéric Leclerc-Imhoff

Frédéric Leclerc-Imhoff

Era operador de câmera. Tinha 32 anos. Trabalhava para o canal BFM TV. É mais uma das vítimas às mãos da tirania putinista, na Ucrânia. O jornalista francês fazia-se transportar numa caravana humanitária, quando a mesma acabou bombardeada pelo exército russo.

A todos os jornalistas e foto-jornalistas que se encontram a cobrir situações de guerra e que vêem, todos os dias, os seus direitos subjugados às mãos dos imperialismos – silenciados ou mortos -, a minha solidariedade.

Ao Frédéric, um brinde.

Condecorem os estrategas geopolíticos de Vladimir Putin, já!

De forma inteligente e educada, e com o Kremlin enquanto alvo das suas declarações, o presidente finlandês explicou, há dias, o porquê do seu país estar à beira do fim de uma longa tradição de neutralidade, estando já em processo de adesão à NATO:

– Foram vocês que causaram isto.

Compreende-se. Se eu vivesse num país que partilha 1300km de fronteira com a Federação Russa, já teria metido os papéis mais cedo.

Sim, já sei que vou levar com malta a falar dos crimes da NATO. Não os ignoro. Nem vou perder tempo a argumentar porque a complexidade dessa discussão daria para um outro post, ou vários, mas não será este.

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Maria Vieira, incondicionalmente com Putin

Sinto-me na obrigação de elogiar Maria Vieira. Perante o surto de cobrado-hipocrisia na área mais extrema da direita, Vieira é uma lufada de ar fresco de honestidade. Diz ao que vem e quem diz ao que vem não merece castigo.

Duas décadas a financiar a extrema-direita, e é esta a paga que Putin recebe. Mas nem todos são traidores, ou dissimulados, ou sleeper agents. Algumas, como Maria Vieira, não cospem no prato que deu de comer ao projecto ideológico em que o seu partido se insere. Uma Europa de soberanias nacional-fascistas.

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Federação Russa: be careful what you wish for…

Uma hipotética implosão da Federação Russa poderá revelar-se uma catástrofe mundial sem precedentes. A transformação do gigantesco território russo numa manta de repúblicas “independentes” e “populares”, com a proliferação nuclear que daí resultará, multiplica por horrores a hipótese remota, mas não impossível, de um disparo fatal. A julgar pelos senhores da guerra que se seguiriam, como o carniceiro Checheno Ramzan Kadyrov, julgo que não demoraria muito até aparecer alguém a dizer “volta, Putin, estás perdoado”. Bem sei que é uma infâmia, sequer pensar uma coisa destas, mas o Saddam também era uma monstruosa besta e o que se seguiu foi bem pior. Sorte a nossa, as armas de destruição maciça não estavam lá. Acontece que a Federação Russa não é o Iraque e o que para lá não falta são nukes. Be careful what you wish for…

Alterações ao Código Penal

Código Penal Português

Artigo 164.º

Violação

4 – Não haverá lugar a procedimento criminal se a presumível vítima tiver por qualquer meio provocado as condutas previstas no presente artigo. 

5 – Não haverá também lugar a procedimento criminal se a presumível vítima durante a prossecução dos actos aqui previstos não tiver responsavelmente cessado todas e quaisquer diligências, físicas ou verbais, que visassem a sua própria defesa ou a manutenção da sua integridade. 

Europa Salazar

Na semana passada, Federação Russa levou a cabo exercícios militares com mísseis balísticos Iskander, no enclave de Kaliningrado, o posto avançado do Kremlin no nordeste da União.

Segundo o Ministério da Defesa russo, o exercício consistiu numa série ataques contra posições que simulavam sistemas de lançamento de mísseis, infra-estruturas estratégicas e outras alvos militares. O exercício simulou também operações em contexto de radiação e contaminação química.

Moscovo está em alerta nuclear desde o início da invasão. Para evitar o envolvimento directo dos EUA e garantir que o espectro do medo continua a assombrar a Europa.

Existem inclusive relatos que dão conta de uma tentativa de normalização do uso de armas nucleares, através da imprensa russa, toda ela controlada pelo Kremlin.

Este clima de intimidação permanente não é tolerável. E por muito que a NATO tenha provocado a Federação Russa – e isso não é apenas factual, é uma constante, desde a desintegração da URSS – existe uma diferença abismal entre os jogos de xadrez da NATO, que a Federação e os seus aliados também praticam, e a destruição em curso da Ucrânia, com a ameaça objectiva de um ataque nuclear.

Pagaremos cara, muito cara, a cobardia de não abdicar do conforto que o gás barato da oligarquia russa nos proporciona. Queremos armar a Ucrânia a todo o custo, mas somos incapazes de parar o fluxo de euros para as contas bancárias do Kremlin, que Putin usa para massacrar ucranianos. Esta Europa é como Salazar, a apoiar os Aliados e a vender volfrâmio aos nazis.

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Se vamos investigar o PCP, investigue-se o PSD também

Essa ideia de se investigar um partido, por ter uma posição com a qual não se concorda, parece-me uma ideia pouco democrática. Mas se é para ser, então que seja retroactiva. Porque se vamos investigar as ligações do PCP ao Kremlin, talvez fizesse igualmente sentido investigar o PSD, porque a ascensão meteórica de Durão Barroso, da Cimeira das Lajes para a presidência da CE, e daí para a do Goldman Sachs, para ainda ir parar à Aliança Global para as Vacinas, também dava uma bela de uma investigação.

Viktor Orbán, o ponta-de-lança de Putin para destruir o projecto europeu

True love…

Vyacheslav Volodin, presidente da Duma, fez eco do velho coro fascista do colapso iminente da UE, objectivo que o regime do qual é vassalo tem financiado ao longo dos últimos 20 anos, e encorajou os estados-membros a abandonarem o projecto europeu.

Chamem-me putinista, mas há uma certa sensatez nestas palavras. De facto, países como a Hungria enquadram-se mais numa lógica de República Popular autoproclamada à sombra do Kremlin. Não partilha dos valores fundamentais da União, não-respeita a separação de poderes e não é um regime democrático. Mas não é o único. A Polónia pode ir pelo mesmo caminho.

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Quem é amigo, quem é?

A todos os anormais putinistas, perdão, porque vossemecês não têm “tomates” para assumir isso, a todos os que acordam diariamente a pensar nos defeitos que nesse dia vão apontar à Ucrânia, aos Ucranianos ou ao Zelensky, defeitos obviamente encobertos pela imprensa ocidental, toda, mas mesmo “todinha” a soldo dos EUA (por contraponto ao jornalismo russo, esse zénite da liberdade) e porque a “tanga” do nazismo, da NATO, etc., já foi “chão que deu uvas”, ficam aqui algumas sugestões para poderem usar à vossa vontade:

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Papa Francisco, agente do Kremlin

A direita não morre de amores por Francisco. Alguma odeia-o abertamente. E só não odeia mais, e mais vocalmente, porque a máscara cristã pode cair, o que é sempre chato.

As declarações feitas pelo papa ao Corriere della Sierra, sobre a invasão russa da Ucrânia, têm tudo para o transformar num perigoso neofascista a soldo de Putin, ou num comunista, que, segundo o Ministério da Verdade, é uma e a mesma coisa.

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O IV Reich passa por Estocolmo

O regime russo deu mais um passo em direcção a demência colectiva, lançando uma campanha de demonização da Suécia e do seu povo, que classifica, sem surpresas, de nazi.

Este grau de imbecilidade não surpreende, ou não vivesse eu num país onde alguma esquerda acusa toda a direita de filiação fascista, tal como um significativo sector da direita acusa toda a esquerda de estalinista, para não falar no anedótico PSD, que por estes dias acusou Costa de liderar um regime totalitário. Tolinhos ou aldrabões manipuladores, são todos a mesma merda, cagada no mesmo esgoto propagandístico.

A diferença, claro, é que as declarações russas tendem a preceder “operações militares especiais”, também conhecidas por “desculpa esfarrapada para justificar invasões motivadas pelo controle geopolítico e de recursos naturais”. Depois temos que aturar os líricos a falar sobre a paz, como se fosse possível negociar coisa que se parecesse com um fascista, financiador de outros fascistas, que acusa tudo o que mexe à sua volta de nazi. E ainda há quem se admire com a intenção da Suécia e da Finlândia de abandonar a neutralidade e aderir à NATO. Contra um pulha como Putin, mais vale prevenir – com armamento até aos dentes – do que remediar.

Desculpa nº47 and counting…

A chocante falta de razão de quem não está solidário com a Ucrânia revela-se na forma como vão sucessivamente descobrindo argumentos que também sucessivamente são obrigados a deixar cair por… óbvia falta de razão.
Agora são o “maniqueísmo” ou o “macarthismo” dominantes.

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A União Soviética nunca existiu

Tal como certos e determinados camaradas do Partido Comunista da União Soviética foram desaparecendo “misteriosamente”, das fotos e da face da Terra, também Putin, experiente na arte de fazer desaparecer opositores políticos, pretende que a Ucrânia desapareça sem deixar rasto. As acções do Adolfo de São Petersburgo falam por si.

Azar o dele, a prática da lavagem cerebral torna-se menos eficiente do lado de lá das fronteiras russas, pese embora a adesão de vastas regiões do globo à propaganda, que a arrogância eurocêntrica, cheia de si, não consegue vislumbrar ou combater. Uma das traves mestras da sebenta fascista de Putin, é a ideia de que a Ucrânia não existe enquanto país, por resultar do colapso da URSS. Ora, por essa ordem de ideias, também a URSS nunca existiu como país, por resultar do colapso do império czarista. No limite, nenhum país existe, porque as fronteiras estão há séculos em constante mutação. Itália e Espanha seguramente não existem. Alemanha idem. Portugal também não tem grande esperança de existir, na medida em que resultou de um condado atribuído pela coroa de León a Henrique de Borgonha.

O mais triste nesta narrativa da não-existência da Ucrânia nem é a propaganda russa. Propaganda é propaganda, não é para levar a sério. O mais triste é mesmo haver quem viva numa democracia, com acesso livre a fontes informação sem censura, e acredite numa estupidez desta magnitude.

Viktor Orbán, o Salazar de leste a precisar de cair da cadeira

Retirado do About Hungary, um site de propaganda do regime, onde o culto da personalidade de Orbán ultrapassa todos os limites do lambe-cuzismo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó:

At the same time, he continued, the security of Hungary and the Hungarian people is more important to us than anything else. “This is not our war, so we want to stay out of it and we will stay out of it” he wrote, adding that the government is not willing to risk the peace and security of the Hungarian people, “so we will not deliver weapons and we will not vote for energy sanctions” Minister Szijjártó said that on all these issues, the Hungarian people on Sunday expressed a clear opinion and made a clear decision.

No fundo estamos perante uma espécie de salazarismo igualmente servil, que ao invés de se dizer do lado dos Aliados enquanto colabora com os opressores do Eixo, se diz do lado das democracias liberais, apesar de não passar de um emissário de Putin no seio da UE e da NATO. Espero que, tal como Salazar, tenha em breve a oportunidade de declarar luto nacional pela morte de Putin. Podendo também cair de uma cadeira, não se perde nada.

PSD, PS e CDS na rota da espionagem russa

Depois do escândalo em Setúbal, que ocupou o espaço mediático e os feeds das redes sociais durante todo o dia de ontem, pouco se falou sobre as exactas mesmas suspeitas em torno das autarquias de Albufeira, Aveiro e Gondomar. O facto de serem governadas por PSD, PSD/CDS e PS, respectivamente, não terá sido motivo de interesse, como se verificou no caso de Setúbal. E isto diz-nos muito sobre a agenda que norteia este debate, que parece ter mais a ver com a necessidade de manter o cerco ao PCP do que com o apuramento daquilo que realmente se passou ou com o perigo que tal representa para os refugiados ucranianos. Business as usual.

Igor Khashin, a ponta de um imenso icebergue de espionagem russa

Ainda não se sabe tudo, mas já se sabe o suficiente para fazer soar todos os alarmes. Aliás, já se sabia há um par de semanas, após uma entrevista de Inna Ohnivets à CNN, que passou algo despercebida: Igor Khashin, o homem do momento, ainda que pelas piores razões, controla a associação EDINSTVO, que está a participar no acolhimento de refugiados ucranianos em Portugal, apesar de ligação directa ao Kremlin, através da embaixada russa em Lisboa.

A serem verdadeiras, as alegações do Expresso – que, até ao momento, não foram desmentidas – Khashin e a esposa, Yulia Khashina, estão a receber famílias ucranianas que pretendem refugiar-se em Portugal, no gabinete da Linha Municipal de Apoio aos Refugiados, pertencente à CM de Setúbal. Acontece que Igor não é funcionário da autarquia, pelo que não se compreende a sua presença no local.

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A escolha fácil entre Macron e Marine Le Putin

A vitória de Macron era expectável, mas não estávamos livres de uma desagradável surpresa. Felizmente, a extrema-direita fez aquilo que sabe fazer melhor: não passar. E não passou.

Se Macron seria o meu candidato, fosse eu francês? Seguramente que não.
Se eu votaria nele na segunda volta?
Sem pestanejar.
Quando as escolhas são todas más, opta-se sempre pelo mal menor. E Macron, na pior das hipóteses, era o mal menor. Infinitamente menor que a emissária de Putin no centro da Europa.

No Kremlin, as garrafas de champanhe voltaram para o frigorífico. Havia esperança, proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado da noite. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o coiso e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida, à mercê do Kremlin. Como diria o grande Diego Armando Maradona, “que la chupen y sigan chupando”.

P.S: Para aqueles que continuam a normalizar o CH, a começar pelo PSD de Rui Rio, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. Porque, no fundo, jogam todos na mesma equipa, diga o CH o que disser no Parlamento. Querem sentir o pulso à extrema-direita portuguesa? Ide ler a carta de amor de Maria Vieira ao regime russo.

PCP nunca mais

Desde que posso votar, há mais de 30 anos, votei quase sempre no PCP. Por causa da defesa dos trabalhadores, dos mais carenciados, do papel do Estado na sociedade.
Defendi sempre o PCP publicamente. Comecei a escrever no 5 Dias, um nome mítico da blogosfera, e foi a partir daí que nasceu o Aventar.
Nunca tendo sido comunista, via o PCP, ainda assim, como aquele que mais se aproximava das minhas posições.
A política internacional era outra coisa. A defesa sistemática de Ditaduras e de regimes autoritários. A Coreia do Norte ser uma Democracia. A China. A Venezuela.
Ao defender um regime nazi como o de Putin. Ao hostilizar um país que após décadas de opressão russa caminha finalmente, desde há 8 anos, para a democracia plena. Ao insultar Zelensky, um presidente democraticamente eleito em 2019 e que em três anos teve de lidar com uma pandemia e uma GUERRA. Ao relativizar uma invasão cujos argumentos não diferem muito dos de Hitler («conquistar espaço vital»), o PCP tem as mãos cheias de sangue.
E desta vez não dá mais para ignorar. As mãos sujas de sangue do cão assassino Putin não são muito diferentes das mãos sujas do PCP e de todos os que continuam a defender o indefensável.
Seja o Jerónimo de Sousa, seja o Miguel Tiago, seja a obscura e sinistra professora de Filosofia da Ponta do Sol a que o Aventar (infelizmente) em tempos deu guarida.
Para mim, PCP nunca mais. Acabou. Não vai dar para esquecer.

Não te enterres mais, PCP

Acho piada, mesmo muita piada, àquela malta do PCP que fica muito indignada por ver o seu partido debaixo de fogo, devido às posições ambíguas e altamente duvidosas sobre a invasão da Ucrânia, quais caixas de ressonância da propaganda do Kremlin, a dizer que o Zelensky é um facho e um nazi e mais não-sei-o-quê, e que o PCP fez muito bem e não estar ontem na Assembleia da República a ouvi-lo, porque ele baniu partidos e até levou um peido nazi da escumalha Azov ao parlamento grego. Sim, tudo isso é verdade. Imagino que Estaline também não terá morrido de amores quando teve que dar as mãos aos capitalistas para derrubar Hitler. Mas permitam-me um “foda-se” introdutório para vos dizer isto: quantos partidos existem mesmo no parlamento daquele regime que todos os anos é convidado para a Festa do Avante, chamado Coreia do Norte? E quem é que anda mesmo a financiar tudo o que é facho por essa Europa fora?

Exactamente.

Vá, deixem-se lá de merdas e não se enterrem mais.