O CH, a cruzada anticorrupção e os amigos corruptos do CH

Acho piada à malta que acredita religiosamente que o CH, se fosse governo, faria mais do que os outros partidos em matéria de corrupção.

Até porque o presidente-herói da maioria deles, Donald Trump, acaba de ser subornado pelo Qatar com um avião de 400 milhões de euros, e não se lhes ouviu um pio. Qatar que, recordem-se, é o albergue e financiador do Hamas. A matou centenas de pessoas na construção do Mundial.

Alguém se indignou?

Nem um.

Pelo caminho, ainda apertou a mão ao novo presidente da Síria, o antigo líder da Al-Qaeda lá do sítio, e prometeu levantar as sanções contra o país. Assim, do nada? Pelos vistos não. Parece que vai nascer uma Trump Tower em Damasco.

Alguém rasgou as vestes?

Claro que não. [Read more…]

Marine Le Pen é uma criminosa. Lidem com isso

Pode ser uma imagem de 2 pessoas e a o salão oval

A condenação de Marine Le Pen deixou a nu a hipocrisia da extrema-direita, que se diz contra a corrupção e outros crimes aparentados, excepto quando os visados são os seus pares.

Aliás, basta ver quem foram os mais vocais em sua defesa: Putin, o ditador que a financiou, Orbán, o primeiro-ministro mais corrupto da Europa, Salvini, o fascista que enverga indumentária putinista, e Elon Musk, o nazi que comprou as últimas eleições americanas. A fina flor da autocracia moderna.

Le Pen desviou dinheiro comunitário para financiar actividades do seu partido. Um partido que se confunde com a própria, como se da sua pequena monarquia se tratasse. Herdou-o do pai, vai entregá-lo um dia ao ex-marido da sobrinha. Nada nepotista. Agora, deve pagar pelos seus crimes. Não está acima da lei. [Read more…]

Pedro Pinto mostrou-nos o CH como ele é

O líder parlamentar do CH, Pedro Pinto, mostrou por estes dias ao país porque é que o seu partido é muito mais que radical: é extremista.

Extremista, violento e perigoso.

Quando alguém com as responsabilidades de Pedro Pinto vai à televisão dizer que “Se calhar, se [os polícias] disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem.”, está a dizer-nos outras coisas, para lá da clara apologia da violência que deve ser sujeita à avaliação urgente dos tribunais.

Está a dizer-nos que:

  1. Os polícias podem aplicar sentenças de morte.
  2. O Estado de Direito e a Democracia são irrelevantes para o CH.
  3. Tem um entendimento de “ordem” exactamente igual ao de Putin ou Xi.

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A liberdade que os gurus de André Ventura têm para nos oferecer

Qualquer semelhança com uma distopia inspirada nos regimes nazi ou soviético não é pura coincidência.

O duplo-padrão (e a hipocrisia) de Paulo Rangel

Devo começar por dizer que partilho da preocupação do eurodeputado Paulo Rangel. Preocupa-me que o PS e que o grupo S&D não se tenham já distanciado do SMER e de Robert Fico.

Aliás, já o deviam ter feito há muito, porque Fico não acordou populista e pró-russo esta semana.

Mas julgo que o critério que leva a imprensa nacional a omitir este facto será o mesmo que a levou, durante 11 anos, a omitir que o Fidesz de Viktor Orbán fazia parte do PPE, o grupo do PSD no Parlamento Europeu.

Orbán que teve (tem?) como consultor Mário David, outrora Secretário de Estado do PSD e colega de Paulo Rangel em Estrasburgo, algo que os mesmos media sempre foram exímios a abafar. [Read more…]

Visegrado putinista

Ainda me lembro quando a Polónia foi heroicamente elogiada, nas primeiras semanas da invasão russa, pelo seu contributo para o esforço de guerra ucraniano e pela forma como abriu as suas fronteiras aos refugiados que fugiam dos mísseis russos.

Quem ousou questionar o sentido de oportunidade de Varsóvia, foi imediatamente rotulado de putinista. O rótulo certo e eficaz para calar qualquer um que levante questões incómodas para a narrativa oficial.

Nunca tive dúvidas sobre o regime polaco. Uma autocracia em construção, que vem concentrando poder e erodindo a separação de poderes e as instituições que o suportam. Um regime que, tal como o húngaro, professa uma ideologia que tem mais pontos de contacto com Moscovo do que com qualquer democracia ocidental. [Read more…]

A economia manda, a extrema-direita obedece, os trabalhadores migrantes entram

Vale a pena ler a peça de hoje no Público, que é todo um tratado sobre a hipocrisia da extrema-direita europeia. Ela demonstra, factualmente, que a retórica anti-emigração se está a desmoronar perante a falta de mão-de-obra em sectores estratégicos das economias polaca e húngara.

Sem trabalhadores, com taxas de natalidade baixas e perante o risco de arrefecimento da economia, o discurso xenófobo está agora a moldar-se à realidade e as empresas porta-estandarte dos dois regimes começam a encher-se de asiáticos e africanos de todas as nacionalidades. [Read more…]

Viktor Orbán, o André Ventura favorito de António Costa

O desvio do Falcon a caminho da Moldávia é um pequeno peanut. Grave é ver o primeiro-ministro reincidir na normalização de Viktor Orbán. Se António Costa quer rasgar as vestes a cada nova gritaria do CH – que até já lhe “cercou” a sede do partido – não pode a seguir alterar a agenda oficial para se sentar ao lado da principal figura da extrema-direita europeia a ver um jogo de futebol. Nem pode exigir clareza ao PSD na sua relação com o CH. Ou até pode, mas deixa a nu a sua hipocrisia. [Read more…]

Deputados do CH protestam contra corruptos e putinistas em Budapeste

Alguém me sabe dizer se os funcionários da CH Unipessoal S.A. se manifestaram contra os putinistas com quem o seu CEO se reuniu na Hungria na passada semana? Ou não quiseram estragar o networking do patrão?

Nada?

Nem um pio?

Não me digam que são todos uma cambada de falsos e hipócritas! Não posso crer. Gente tão virtuosa não pode ser assim. Aposto que foram lá manifestar-se com bandeiras da Ucrânia e cartazes a denunciar o regime autoritário e corrupto de Orbán. Mas isso não passam eles na TV.

Os bufos de Budapeste

Na Hungria, governada pelo virtuoso Orbán – antigo parceiro do PSD e do CDS no PPE, hoje farol de André Ventura e da sua unipessoal – o governo neofascista de Budapeste passou uma lei que incentiva os “cidadãos de bem” a denunciar famílias homossexuais. No fundo, a versão húngara dos bufos da PIDE.

Pena que a extrema-direita portuguesa se tenha lembrado de Salvini e não do principal aliado e infiltrado de Putin na União Europeia. Se era para trazer um putinista mauzão ao congresso, Orbán era uma escolha mais acertada que o cheerleader italiano. E perfeito para um workshop sobre como perseguir e retirar direitos civis aos homossexuais. Lá teremos que esperar que Ventura chegue ao governo para ver como a coisa funciona.

André Ventura recebe os amigos de Putin

Em menos de 24 horas, André Ventura recebeu o emissário de Orbán, principal aliado europeu de Putin e força de bloqueio de sanções da UE ao Kremlin, e questionou os aliados de PCP, BE e PS, com Moscovo nas entrelinhas e acusações de hipocrisia. [Read more…]

A extrema-direita europeia fala a língua de Putin. Ventura também.

Cito:

Eles mentem constantemente, pervertem factos históricos, levam a cabo ataques constantes à nossa cultura, à Igreja Ortodoxa Russa e a outras organizações religiosas no nosso país.

Vejam o que eles fizeram com os seus próprios povos: a destruição da família, da cultura e da identidade nacional, a perversão, o abuso das crianças e a pedofilia como norma. A norma do seu modo de vida.

Sacerdotes são forçados a abençoar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. E eu quero dizer-lhes: leiam as sagradas escrituras, os livros de todas as outras religiões, está tudo ali. Incluindo que a família é a união de um homem com uma mulher. Mas os textos sagrados são agora questionados. [Read more…]

Mulheres letradas, a ameaça à economia que o wokismo tentou esconder

A extrema-direita…perdão, o centro-direita é pela família. Desde que a mulher se conserve no recato do lar, de preferência entre a cozinha e o local onde estão guardados o balde e a esfregona, que não há economia que aguente mulheres letradas.

Os talibans de Varsóvia e o futuro da democracia

O governo polaco quer impor penas de prisão até dois anos para quem for apanhado a blasfemar. Isso mesmo: quem fizer piadas sobre a Igreja Católica vai dentro. Aquela vibe sharia. E a União Europeia, que se apresenta hoje como o último reduto de liberdade e democracia, continua a revelar uma tolerância preocupante com estas manifestações de despotismo e fundamentalismo religioso, sem impor qualquer tipo de consequência à deriva autoritária que é contrária aos seus princípios fundadores. Tal como acontece com Orbán, que há dias fez um discurso tão racista, tão xenófobo que uma colaboradora de longa data se demitiu e acusou o PM húngaro de usar um discurso que não se distingue do nazi.

É mais um teste de resistência às democracias liberais, num momento de profunda fragilidade, de guerra e de provável mudança radical no status quo internacional. Os estragos que o nacionalismo protofascista causou nos últimos anos, e em particular nos últimos meses, da tentativa de golpe de Estado nos EUA à invasão da Ucrânia, poderão facilmente atirar-nos para uma distopia orwelliana, que de resto já se começa a desenhar do outro lado do Atlântico, onde uma guerra cultural e ideológica ameaça o equilíbrio de forças do concerto das nações.

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Viktor Orbán, o ponta-de-lança de Putin para destruir o projecto europeu

True love…

Vyacheslav Volodin, presidente da Duma, fez eco do velho coro fascista do colapso iminente da UE, objectivo que o regime do qual é vassalo tem financiado ao longo dos últimos 20 anos, e encorajou os estados-membros a abandonarem o projecto europeu.

Chamem-me putinista, mas há uma certa sensatez nestas palavras. De facto, países como a Hungria enquadram-se mais numa lógica de República Popular autoproclamada à sombra do Kremlin. Não partilha dos valores fundamentais da União, não-respeita a separação de poderes e não é um regime democrático. Mas não é o único. A Polónia pode ir pelo mesmo caminho.

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Viktor Orbán, o Salazar de leste a precisar de cair da cadeira

Retirado do About Hungary, um site de propaganda do regime, onde o culto da personalidade de Orbán ultrapassa todos os limites do lambe-cuzismo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó:

At the same time, he continued, the security of Hungary and the Hungarian people is more important to us than anything else. “This is not our war, so we want to stay out of it and we will stay out of it” he wrote, adding that the government is not willing to risk the peace and security of the Hungarian people, “so we will not deliver weapons and we will not vote for energy sanctions” Minister Szijjártó said that on all these issues, the Hungarian people on Sunday expressed a clear opinion and made a clear decision.

No fundo estamos perante uma espécie de salazarismo igualmente servil, que ao invés de se dizer do lado dos Aliados enquanto colabora com os opressores do Eixo, se diz do lado das democracias liberais, apesar de não passar de um emissário de Putin no seio da UE e da NATO. Espero que, tal como Salazar, tenha em breve a oportunidade de declarar luto nacional pela morte de Putin. Podendo também cair de uma cadeira, não se perde nada.

O vassalo de Putin infiltrado na UE e na NATO

Putin apressou-se a parabenizar Orbán pela vitória nas Legislativas de Domingo, sublinhando a importância dos laços que os unem, e que são sobretudo ideológicos.

Orbán é um dos líderes europeus que mais entraves tem colocado à estratégia da União Europeia para sancionar Moscovo, postura que já remonta à anexação da Crimeia. Nas últimas semanas, e só para dar alguns exemplos, opôs-se a sanções ao sector energético russo e à passagem de armamento oferecido à Ucrânia por outros estados-membros da União Europeia. E este Domingo, no discurso de vitória, deixou bem clara a sua posição:

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Orbán, Salazar, Putin e Hitler entram num bar

Salazar, figura maior do autoritarismo e da corrupção política deste país, mostrou os seus valores em plena Segunda Guerra Mundial, ora fazendo negócio com os Aliados, ora fazendo negócios com os Nazis, ora deixando-se fotografar com a foto do amado Duce na secretária, ora castigando Aristides Sousa Mendes por salvar judeus a mais, num acto de profundo e devoto Cristianismo.

Já Viktor Orbán, o Salazar de Budapeste, parece seguir as pisadas do fascista português. Diz-se ao lado das democracias ocidentais, apesar de repudiar o seu modo de vida, presta vassalagem ao Adolfo de São Petersburgo, agora estrategicamente suspensa, enquanto aguarda o desfecho da guerra, e não está disponível para auxiliar o esforço de guerra ucraniano, ou sequer de permitir a passagem, pelo seu território, de armamento fornecido por Estados-membros à Ucrânia.

O argumento do regime húngaro é não querer arriscar um ataque ao país, caso Putin se aperceba da passagem de tais armas. Argumento nobre para quem integra a UE, que se quer solidária, e a NATO, uma aliança militar que, em caso de invasão russa, será a única a vir em seu socorro, agora que os amigos do Kremlin estão na outra trincheira. A menos que Orbán seja o Facho de Tróia. Sim, o Facho. Ia agora insultar os cavalos porquê?

Orbán agradece a “neutralidade” do Estado português

A presidência portuguesa do Conselho da União Europeia termina dentro de poucos dias. Uma semana, para ser mais preciso. Ainda assim, essa curta semana serviu de argumento para que o governo português se recusasse a assinar uma carta subscrita por 12 estados-membros (Espanha, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia), que apela as instituições europeias para “utilizar todos os instrumentos à sua disposição para garantir o pleno respeito pelo direito europeu” face à legislação homofóbica aprovada recentemente pelo parlamento húngaro, que vem reforçar o segregacionismo da comunidade LGBT. O governo português, que alegou “dever de neutralidade”, por ainda ocupar a presidência do Conselho da UE, coloca-se, deste modo, do lado do opressor. Porque não existe verdadeira neutralidade quando perante um tabuleiro tão desequilibrado. Existe a coragem ou a rendição. E o governo português, sempre tão alegadamente progressista, escolheu vergar-se ao homofóbico neofascista Orban. Escolheu ceder quando não podem haver contemplações, como o primeiro-ministro holandês deixou hoje claro. E sim, isto deve preocupar-nos. Começam a ser sinais a mais de défice democrático.

A continuar assim, qualquer dia acordamos mesmo em Gilead

No mesmo dia em que a Hungria recebeu Portugal para o jogo inaugural do Grupo F do Euro 2020, o governo de Viktor Orban fez aprovar legislação que proíbe a “promoção” da homossexualidade junto de menores de 18 anos, e a “representação” da homossexualidade e da transexualidade em espaços públicos, no âmbito de um conjunto mais alargado de medidas, alegadamente orientadas para a protecção de menores e para o combate à pedofilia. Entre as medidas, filmes como o Diário de Bridget Jones e a saga Harry Potter serão proibidos a menores de 18 anos, por conterem menções à homossexualidade. O Harry Potter, então, é todo um tratado de ideologia de género. Wingardium LGBT.

Não é preciso ser um rocket scientist para perceber o que está aqui em causa. E o que está em causa é um novo ataque do governo húngaro aos direitos, liberdades e garantias de determinados cidadãos, em função da sua orientação sexual, para assim oprimir e segregar ainda mais estas pessoas, sob o falso pretexto da protecção de menores, demonizando a comunidade através da associação à pedofilia, sem qualquer tipo de fundamento, e tudo isto perante o silêncio cobarde/cúmplice (escolher uma, ou ambas) de uma União Europeia incapaz de fazer cumprir a sua Carta dos Direitos Fundamentais, que proíbe qualquer discriminação com base na orientação sexual. Sempre muito poderoso lobby, o LGBT!

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Os pesos e as medidas

Chamar “homossexual” é um insulto? Isso pressupõe que ser homossexual seja insultuoso. Para quem? Para um homofóbico?

O gajo ouve “filho da p***” todos os jogos e faz queixa por ofenderem a mãe? Eu sou homossexual, e se alguém, na rua, me gritar “gaaaaaay!” eu grito “pois sou!”… onde está o insulto? [Read more…]

Nota de pesar pelo falecimento da liberdade de imprensa na Hungria

A radio Klubrádió, um dos últimos redutos de independência no seio do que ainda resta da comunicação social húngara, para lá da grande máquina orwelliana ao serviço da extrema-direita no poder, é a mais recente vítima do regime autoritário de Viktor Orban. A revogação licença para radiodifusão da estação, decidida pela entidade reguladora do país, nomeada e controlada pelo Fidesz, viu a sua decisão confirmada pela justiça, igualmente controlada pelo partido de Orban.

Neste momento, todo o espaço mediático é – literalmente – ocupado pela propaganda da extrema-direita, e os opositores do Fidesz deixaram simplesmente de ter voz. E isto acontece sob a batuta de um partido que integra o PPE, a família europeia da presidente da Comissão, Ursula Von der Leyen (e dos nossos PSD e CDS-PP), sem que nada de particularmente grave lhe aconteça por atropelar o Estado de Direito, a liberdade de imprensa e expressão ou a separação de poderes. [Read more…]

O Index e a nova Inquisição

Quem nunca ouviu aquela boa velha linha, que vai mais ou menos assim: “só dás valor às coisas quando já não as tens”? Eu já ouvi, várias vezes, em vários contextos e por vários motivos. A propósito dela, da boa velha linha, há algo que, em certos países, se está a perder. Um algo ao qual talvez não estejamos a dar o devido valor, e que, suspeito, estamos em risco de perder. E não é um algo qualquer. É o jornalismo, um dos pilares que sustenta o edifício das sociedades democráticas. Mais ou menos independente, a morte do jornalismo profissional é uma tragédia para a democracia. E está a acontecer. Aqui e agora, na União Europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

O jornalismo pode morrer de muitas maneiras. A mais comum e eficaz é a morte por autoritarismo. Chame-se o que se lhe quiser chamar: autoritarismo, nacionalismo, democracia iliberal ou totalitarismo. Ou o bolsoliberalismo evangélico, subespécie alternativa e ainda pouco estudada, que destrói o jornalismo ao mesmo tempo que cria páginas no Facebook e no Twitter, com pastores evangélicos que pregam o criacionismo e a teologia da prosperidade, através da qual burlam a ignorância e compram bons helicópteros. Com mais ou menos porrada, mais ou menos exploração, vai tudo dar – literalmente – ao mesmo. [Read more…]

O Estado de Direito não é negociável, senhor primeiro-ministro

É evidente e inquestionável, pelo menos para mim, que o respeito absoluto pelo Estado de Direito tem obrigatoriamente que ser condição sine que non, não para ter acesso ao bailout pandémico da UE, mas para integrar o projecto europeu. É até mais importante, mais indispensável para a pouca cola que ainda une este espaço de democracia liberal, onde a liberdade de expressão, o direito a exercer jornalismo livre ou a possibilidade de pertencer a movimentos associativos e sindicais são direitos invioláveis e inalienáveis. Não é coisa pouca, e basta olhar à nossa volta para perceber isso mesmo. Vivemos numa bolha de privilégio. Um privilégio pelo qual devemos lutar. Por nós e pela sua expansão a outros povos.

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Não é fofinho?

«“embora possa também ter uma sanção tipo suspensão”, admite o vice-presidente do PPE, Paulo Rangel»

Eis o grande democrata Rangel, sem tomates para apontar a porta de saída do ditador Orbán, mas de peito cheio para o regime do lado, na Venezuela.

«“Tudo o que o PPE, o Parlamento Europeu e eu próprio, enquanto dirigente da maior família política da União Europeia, puder fazer para levar novamente a democracia e a prosperidade ao povo venezuelano, farei sem hesitar um segundo”, garante Paulo Rangel, num comunicado enviado à imprensa.»

«“O nosso objetivo é também pedagógico”, frisa Nuno Melo»

Não merece respeito que a ele não se dá.

«PSD e CDS estão entre os promotores de uma iniciativa “pedagógica” para forçar o político húngaro a cumprir regras da democracia e liberdade.»

Que fofinhos.

Os eurodeputados do PPE, barrados à porta da Venezuela, estavam à espera de quê?

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Parece haver alguma indignação, e até admiração, porque um grupo de eurodeputados do PPE, a família política europeia do PSD e do CDS-PP, foi barrado à entrada da Venezuela e recambiado para a Europa.

Não sei o que esperavam, depois de usarem o seu espaço mediático para informarem o mundo que iam visitar o novo “presidente” venezuelano, que ainda não o é de facto, e após o recente ultimato europeu que pede a queda do actual regime. Estariam à espera de ser recebidos de braços abertos e com honras de Estado, num país que ainda é controlado pelo mesmo Nicolás Maduro que querem ver na cadeia? Só se fossem idiotas, coisa que não são. Foram lá, portanto, provocar o regime ainda em vigor. Se o objectivo era baterem com a cara na porta e voltarem para trás, a esbracejar, estiveram muito bem. [Read more…]

A Venezuela europeia da direita portuguesa

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Viktor Orban, o fascista que a imprensa controlada pela extrema-esquerda apelida de conservador, não vá a PIDE do politicamente correcto fazer-lhes uma visita, deu mais um passo no sentido de fazer a Hungria Great Again.

A poucos dias do Natal, para que não restassem dúvidas sobre a matriz católica apostólica romana que o norteia esta nova Hungria, onde a extrema-direita assume, sem rodeios ou cosmética, o namoro com neoliberalismo, Orban decidiu aumentar de 250 para 400 o número de horas extraordinárias anuais que o patronato pode exigir aos seus trabalhadores – e aqui a palavra “seus” assume contornos notoriamente esclavagistas – bem como de um para três anos o prazo-limite para proceder ao seu pagamento. [Read more…]

O PSD e o CDS-PP já cortaram relações com esta gente?

Na Hungria, laboratório de testes do neofascismo contemporâneo, o governo de Viktor Orbán escolheu o Dia Mundial do Refugiado para anunciar novas medidas anti-imigração, entre elas a criminalização de ONG’s humanitárias que ajudem refugiados sem documentos, cujos representantes podem mesmo ser presos e as organizações as organizações banidas e vistas como uma ameaça à segurança nacional da Hungria. Sim, isto está a acontecer na Europa, o último bastião da democracia mundial. E não, as autoridades europeias ainda não mexeram uma palha para alterar este novo “normal”. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Marcha contra os amigos fascistas do PSD e do CDS-PP

Andam por aí uns palermas – desculpem mas é o mínimo que se pode dizer de tais indivíduos, que, no limite, acumulam a parvoíce com desonestidade intelectual – que tentam convencer as massas de que partidos como o Bloco ou o Syriza estão no mesmo saco que as Le Pens desta vida. Palermas, desonestos e manipuladores, não raras vezes financiados pelos mesmos interesses que financiam PSD e CDS-PP. Palermas que se agarram a questões como a permanência no euro ou na União Europeia para tentar colar o racismo, a xenofobia, o isolacionismo ou o elogio da violência, palavras de ordem dos fascistas em ascensão, aos partidos da esquerda exterior ao centrão dos negócios. Percebe-se: com o PSD em queda livre e o CDS-PP cada vez mais perto de competir pelo lugar do PAN do que pelo do PCP, o sistema precisa destes arremessos de lama, face à manifesta falta de argumentos para torpedear os partidos fora do velho arco da governação. [Read more…]