Atenção, há um elefante na sala

Chegámos ao fim da primeira semana de campanha. Na sala, estão José Sócrates, Passos Coelho e um elefante que se chama troika. Passos Coelho começa por acusar Sócrates de andar a esconder nomeações, que não são publicadas em Diário da República por ordem do governo. Sócrates responde a Passos que não existem nomeações de manhã, mas, à tarde, lá vai dizendo que afinal foram nomeados seis governadores civis. Passos pede mais explicações. O elefante boceja. Sócrates diz que Passos quer fazer política de casos. Passos garante que afinal o que se anda a esconder são gastos públicos. Cita relatórios. O elefante mexe-se na cadeira. Sócrates ensaia uma aula de economia: transferências entre organismos do Estado não aumentam o défice – é tirar de um lado e pôr no outro. Passos responde com a falta de transparência. Agora, são as contratações. Sócrates está indignado, chocado ou com qualquer outro estado de espírito perturbador. O elefante olha para o relógio, no respeito dos prazos democráticos, antes de entrar em cena: vai ter de estar na sala com aqueles dois pelo menos mais uma semana. No entretanto, o tema passa a ser o aborto. Passos votou sim no referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), mas considera necessário reavaliar a lei. Sócrates percebe que a intenção do líder do PSD é a de voltar atrás na lei. Sócrates está novamente indignado, chocado ou com qualquer outro estado de espírito perturbador. O elefante começa a ficar impaciente e ausenta-se, por momentos da sala, para reavaliar um novo empréstimo à Grécia e passar os olhos nas últimas do caso DSK. Na sala não há casos – daqueles que envergonham a política e que são esmiuçados pela comunicação social até ao ponto do condenável – há casosinhos. E não é com casosinhos que se esconde um elefante.

Exposição de Onik Sahakian

Onik Sahakian Nasceu em 1936, na capital do então Império Persa. Em criança, recebeu uma bolsa de estudo para a frequência do Curso de Pintura de Miniaturas Persas, no afamado Honarestan Zibaé Keshwar (Instituto de Belas Artes de Teerão). Em 1956 partiu para os EUA, ingressando na Chouniard Arts School de Los Angeles, concluindo o seu Master em 1964, tendo estudado as técnicas dos pintores clássicos, sendo influenciado pelas escolas francesa, holandesa e italiana, embora numa fase posterior, viesse a interessar-se pelos impressionistas franceses. Foi consultor da Imperatriz Farah Diba, no âmbito do Centro Cultural Niavaran.

Conheceu Salvador Dali em 1958 e essa amizade perduraria até ao fim da vida do pintor espanhol, inevitavelmente sendo também atraído por uma certa visão do mundo, plasmada no irresistível apelo do Surrealismo Daliniano. Em 1987, Onik estabeleceu-se em Lisboa e aqui realizou a sua primeira exposição em território nacional, onde o seu multifacetado talento proporciona trabalhos de pintura e joalharia – algumas das jóias de Gala eram de sua autoria -, escultura, cenografia e guarda roupa para ballet.

O Aventar convida todos os leitores para a inauguração da sua exposição “Time for Wine and Roses”, a realizar-se no dia 2 de Junho de 2011, pelas 19.00H, na Galeria MAC – Movimento Arte Contemporânea (Av. Álvares Cabral 58-60, Lisboa).

êta-lê-lê, ki-bê-lêza…


Há uns dias, foi dizendo que dentro em breve teria de iniciar os discursos de forma diferente, onde a par dos “amigos e amigas, companheiros e companheiras”,  coubessem também os “camaradas”.

Paulo Portas esteve na feira de Sátão, lá para as bandas do Cavaquistão. De cravo na mão, foi dizendo coisas acerca do seu estado de espírito, “mais esquerda que o PSD” . Culminou esta acção de campanha, com uma visita a uma exposição de murais sobre o 25 de Abril. Sim, leram bem, é isso mesmo.

Com um bocadinho de sorte, um dia destes, Jerónimo de Sousa ainda o convida para substituir o desaparecido MDP/CDE, fazendo ingressar o CDS na CDU. Como a Frente Nacional da antiga RDA.

O mundo em que até o futebol apodreceu

O Barcelona venceu a ‘Champions League’, ao derrotar o Manchester United por 3-1 em Wembley.

Os aficionados do clube catalão, naturalmente, saíram à rua para festejar o título e aconteceu aquilo que o vídeo nos mostra: cenas de grande violência, entre manifestantes e as severas forças policiais locais. Resultado: 132 feridos são citados pelos jornais La Vanguardia e “i”, estando 2 desses feridos em estado grave.

Como os tristes acontecimentos de violência não fossem, já por si, suficientes, em Santiago de Compostela, uma jovem de 17 anos morreu, por acidente diga-se, quando também festejava a vitória do Barça.

Registe-se que, nos confrontos na capital catalã, não se envolveram os “acampados na Praça da Catalunha”. Reforçou-se, assim, a falta de qualquer justificação para a violência de que foram alvo há dias por parte dos ‘mossos d’esquadra’ e polícia urbana catalãs, como denunciou aqui o João José Cardoso.

O ‘acampados’ da Praça da Catalunha lutam contra o tipo mundo em que nos transformámos; ignominioso, corrosivo e em que tudo, até o futebol e o que o rodeia, apodreceu. Triste.

Paulo Portas: eu sou uma pessoa que gosto de manter a coerência

2013, 5 de Junho

waveofthefuture

Trabalho baseado n’ “A Grande Onda de Kanagawa”, de Hokusai.  Imagem do início dos anos 90,
então lançada pelo Boston Computer Museum  e por uma  revista chamada  The High Tech Times, com
o nome “A onda do futuro”.  Mais detalhes no post “A onda do futuro é agora o passado” (em inglês). 

 
Faz hoje dois anos que decorreu o acto eleitoral que ficou conhecido por “as eleições da troika”. Tem sido uma quarta-feira infernal e daqui a pouco, em directo nos três canais televisivos privados, o líder da oposição falará ao país. Talvez algum desses viciados da bloga repita a boca “ó Luís, fico melhor assim ou assim?” mas poucos se lembrarão desse episódio quando Sócrates falar. [Read more…]

Problemas no PSD: Passos Coelho discorda de si próprio

Depois de ter concordado com Santana Castilho, que discordava do programa apresentado pelo PSD no âmbito da Educação, e após afirmar que a lei do aborto deverá ser revista, apesar de ter votado a favor no referendo, e tendo concordado em cumprir algo que não assinou, o Aventar soube que Passos Coelho entrou numa fase em que discorda das suas próprias opiniões segundos depois de as ter formulado. Um dos seus assessores do presidente do PSD, diz que chegou a haver violência física, tendo sido necessário chamar a segurança, uma vez que Passos Coelho chegou a esmurrar o próprio nariz, tendo, ainda, tentado pontapear-se nos testículos. Miguel Relvas já manifestou a sua preocupação: “Isto já chegou a um ponto em que o Passos até já anda a dizer que, mesmo que ganhe as eleições com maioria absoluta, não se vai convidar a si próprio para Primeiro-Ministro.”

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Passageiros à Espera

do comboio na estação de São Pedro do Estoril.

A explicação (o humor não engana):

Caro packardemrodagem, o humor responde:

 

Um pequeno-almoço a saber a azia

O Fabio Coentrão é uma coisa: o camarada Mário de Almeida deu-lhe a volta e o miúdo lá se prestou a aparecer na campanha de Sócrates.

Souto Moura e Siza Vieira não jogam à bola (embora o primeiro tenha construído um dos mais belos estádios do mundo). Têm outra idade, empenhamentos políticos, outra forma de estar na vida.

Sócrates tinha agendado para amanhã um pequeno-almoço com os dois. Tinha, mas mal Siza soube que era uma acção de campanha reforçou o seu apoio à CDU. Souto Moura pelos vistos disse logo que tinha mais que fazer. O pequeno-almoço sumiu-se da agenda de campanha.

Este episódio, somado à idiotice de ir arrebanhar carneiros para o Martim Moniz, um bocadinho menos discreto que nas aldeias do costume com as oferendas habituais, é mais uma prova de como a máquina eleitoral do PS está de rastos. Fim de ciclo, a derrota avizinha-se. Até Almeida Santos já deu por isso.

Querida, encolhi o pavilhão*

 

* título e vídeo roubados no blog “A aba de Heisenberg”.

Marquem na agenda: 26 de agosto há futebol

A abrir a temporada, promete ser o jogo do ano: Barcelona e FC Porto, as duas equipas que melhor futebol jogam na Europa, encontram-se no Mónaco.

Como já escrevi, no dia seguinte os jornais vão ter no cabeçalho

Villas-Boas vinga Mourinho

Sim, é uma profecia.

Dívida pública

A Parque Escolar, as obras sem dinheiro e a dívida escondida

 

Como se sabe, há uma técnica clássica para se resolverem problemas nas contas públicas. Dizem que foi descaradamente usada na Grécia para falcatruar o défice mas que cá isso não aconteceu. Apesar do falso grande feito nas contas públicas, do truque dos dividendos da PT e da venda de património do Estado ao próprio Estado, o qual a seguir o Estado vai alugar a esse mesmo Estado. Fora isto, nada de especial. Cá não se escondem elefantes brancos debaixo do tapete.

Paixões não se discutem

Daqui a pouco, numa televisão perto de si, o jogo do ano, eu estarei a torcer pelo:

 

‘Porque hoje é Sábado’ e estar distante da campanha

São muitos os Sábados em que recordo e revisito o poema ‘Dia da Criação’, declamado pelo autor, Vinícius de Moraes, no vídeo exibido.

Até hoje, Sábado, tenho sido repelido pela burlesca,  zombeteira no mínimo, campanha eleitoral que PS, PSD e CDS, ditos partidos do ‘arco do poder’, têm protagonizado. A título de amostra, recorremos às últimas intervenções de Sócrates, de Passos Coelho e de Paulo Portas. Ilustram com rigor a qualidade dos conteúdos políticos da campanha eleitoral dos partidos subscritores do memorando da troika, publicado na última versão em 20 de Maio no sítio do Ministério das Finanças (A SIC ontem pretendeu lançar uma “cacha” com a notícia da 2.ª versão, mas a verdade é que a mesma já havida sido publicada sete dias antes).

Um parêntesis para destacar que, dos três líderes citados, Portas é quem tem tido o desempenho  mais inteligente, aplicando um tacticismo em que é deveras hábil, afirmando-se ao mesmo tempo como intérprete perfeito das teorias de Maquiavel em ‘O Príncipe’.

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Fotografia – Perafita

Afinal, o que foram fazer à troika?

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista foram criticados por não se terem reunido com a troika. Sinceramente, pareceu-me que essa atitude tinha mais prós do que contras. Face àquilo que se está a passar, começo a deixar de ver os contras.

Agora, os dois partidos que, para além do PS, assinaram o memorando aparecem surpreendidos ao saber que o documento que subscreveram não corresponde exactamente ao texto aprovado no Conselho Europeu.

CDS e PSD clamam que o Governo não os informou das alterações, o que é negado por Sócrates, o homem que, nas palavras elogiosas de Paulo Portas, “tem contactos curtos e intermitentes com a verdade.” Passos Coelho, por outro lado, assume que, seja como for, o novo texto será cumprido, deixando a impressão de que quaisquer outras alterações serão, ao mesmo tempo, criticadas e bem-vindas.

O governo, ao não informar o país e os partidos, está apenas a ser coerente, pelo que se impõe a crítica à sua actuação. Outra pergunta, no entanto, se impõe: o PSD e o CDS não se sentem igualmente desrespeitados pela troika? Se houve negociação e assinatura, não deveriam os dois partidos criticar a instituição que, pelos vistos, faltou à palavra? Ou será que, afinal, essa assinatura serviu apenas para marcar presença e ficar na fotografia, na esteira de Durão Barroso nas Lajes? Afinal, o que foram lá fazer os meninos?

PS poupa nos gastos públicos com a campanha eleitoral

Muito mais barato que o pesetero Figo ficou Fabio Coentrão – bastou Mário de Almeida assobiar, e o caxineiro lá foi dizer que não é socialista mas sempre foi do PS, manifestando uma elevada maturidade política: socialista e do PS é demais para um homem só.

Os Erros em Política

 

Foi um erro o não se divulgar o texto final do memorando saído da reunião do Ecofin. Como foi um erro a aliança à esquerda e à direita do PS para derrubar o governo. E, o que é ainda mais curioso, aceitando todos o “tiro de partida” de Belém. É a queda do governo a originar o pedido de ajuda externa neste momento e não num momento posterior. Momento posterior em que se sabia poderem ser as condições mais vantajosas para o país. Em política todos os erros têm um preço a pagar. Dia 5 saberemos qual a repartição do seu montante.

Porta entreaberta

Contrariando o pessimismo do Sr. Almeida Santos, no noticiário da uma da tarde, José Sócrates fez questão em elogiar o CDS e Paulo Portas. Não conseguindo tirar um coelho da cartola, aproveita para entreabrir uma porta.

Está-se mesmo a ver…

Educação sempre a rimar com confusão: NO chegam ao Superior

A formação inicial dos professores corresponde, em termos simplistas, ao curso superior que confere a um indivíduo a necessária habilitação para poder dar aulas. Com o controlo que a mentalidade eduquesa vem exercendo, há vários anos, sobre as políticas educativas, a componente científica da formação inicial foi-se tornando cada vez mais irrelevante: o professor é, na realidade, visto como alguém que pode leccionar qualquer matéria, independentemente da especialização científica, como se pode confirmar no projecto de prolongar a monodocência até ao 6º ano.

aqui tive oportunidade de dar a minha opinião: a monodocência, mesmo no primeiro ciclo, é um disparate. Veja-se, por exemplo, o plano de estudos da licenciatura em Educação Básica da Escola Superior de Educação do Porto, curso esse que, complementado com o Mestrado em Ensino do 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico, permite a formação de professores “para a docência generalista, no 1.º e 2.º Ciclo do Ensino Básico.”. Assim, as almas que inventaram este plano acreditam que um jovem mestre, ao fim de cinco anos, está preparado para leccionar Matemática, Língua Portuguesa ou outra coisa qualquer a alunos do 1º ao 6º ano.

No Público de hoje, ficamos a saber que o Ministério da Educação pretende que as Escolas Superiores de Educação possam, também, formar professores para o Ensino Secundário. É claro que se trata de uma nova oportunidade de negócio que as ESE não quererão enjeitar, aproveitando as habituais frestas da legislação produzida: a formação de professores do Secundário só pode ser feita através de licenciatura, grau que, desde 1997, pode ser concedido, também pelas Escolas Superiores de Educação. Estranha-se que tenham levado tanto tempo a descobrir esta abertura, mas a necessidade aguça o engenho. [Read more…]

Bem-vinda, troika

vota 2011

Mais uma…

A oposição tenta mais uma cabala para denegrir a imagem do admirável e querido líder, apenas existem dois textos diferentes do acordo com a troika, porque um está escrito em inglês e outro em inglês técnico…

Apostar na língua pátria melhorará o Direito?

Com a aceleração dos cursos jurídicos e dos mais, em resultado da Declaração de Bolonha, há como que um abreviar das preocupações sobre que deveriam repousar os planos de estudo.

Curial seria que – com a deficiente formação, no geral, a português – houvesse logo no primeiro ano dos cursos jurídicos ou num “ano propedêutico” uma disciplina anual, a “hermenêutica jurídica”, susceptível de habilitar o escolar de leis a dominar as técnicas de interpretação, a aprofundar os conhecimentos da língua pátria, a ler de forma escorreita um texto jurídico, a fim de contrariar o quadro que ora se oferece que é o de chegar ao termo da formação escolar sem a destreza da língua, sem se alcançar uma interpretação fidedigna da lei, como diria Pereira Coelho, insígne Mestre com quem servimos em Direito Civil – Família e Sucessões, na Coimbra dos anos setenta do século transacto.

Com a agravante de que leis mal feitas exigem uma superlativa formação a português, que ora falece a quantos demandam a Universidade e os politécnicos.

E o fenómeno das leis mal feitas espalha-se como uma nódoa por todo o tecido do ordenamento jurídico.

Estranha-se que as escolas de direito (nas condições em que de tal se possa falar…) não sejam sensíveis ao fenómeno e nada façam para alterar o statu quo…

Mais tarde ou mais cedo… alguém terá de fazer algo para que se regenere a situação de clamorosa penúria no que tange à língua e da metodologia da interpretação da norma que aos juristas se impõe dominem.

Cruzamento e Interversão de Comboios

Acontece na estação de São Pedro do Estoril várias vezes ao dia.

solidariedade

aolidariedade

Bem queria eu aditar música a este ensaio, mas a máquina que uso não o permite. Pelo que experimento.

Experimento para agradecer o grande número de pessoas que me têm apoiado na escrita informática, especialmente a empresa que colabora comigo, que não vou referir por causa de propaganda, de todos eles, não resisto agradecer a quem tem a paciência de aparecer na minha casa para tratar das avarias que vão acontecendo no meu computador, Ricardo Fernandes. Como essa doce senhora que acompanha estes dissabores e ri às gargalhadas com os meus acidentes informáticos, por pura simpatia e solidariedade, como Carlos Loures, escritor e editor das minhas obras e que se ofereceu, enquanto o meu computador é tratado, a ser o meu correio e a publicar os meus textos no nosso Estrolabio e Aventar.

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Campanha, dizem eles

Nem uma única palavra acerca dos compromissos assumidos com o FMI. Apenas folclore. É o que dá estas campanhas eleitorais que há muito que não são mais do que arruadas de circo de fracos palhaços, malabaristas e ilusionistas.

Memorando da troika: Governo engana os portugueses

Para grande surpresa, o memorando da troika que foi primeiro divulgado apenas em inglês e que o Aventar traduziu não é aquele que posteriormente foi assinado pelo governo na reunião do ECOFIN duas semanas depois. Existe uma segunda versão do documento e esta é que foi assinada pelo governo.

Diferenças:

  • Alterações menores (?) de calendário [Público]
  • «As empresas municipais e regionais passaram a ser mencionadas especificamente, ao contrário do que acontecia no documento original. Ainda que com prazos mais alargados, estas empresas a cargo das Câmaras Municipais e regiões autónomas vão ser sujeitas ao mesmo tratamento que as empresas tuteladas pela administração central.» [Expresso]
  • Concurso para nova licença UMTS/3G à qual não poderão concorrer os actuais operadores [Negócios]
  • As alterações à Taxa Social Única (TSU) têm de estar preparadas com um estudo a a concluído até Julho deste ano  o que significa, segundo Passos Coelho, que o governo já tenha decisões tomadas neste momento [ionline]
  • Alterados prazos para mudanças no regime de indemnizações por despedimentos [Público]
  • Alterações ao regime da contratação pública foram adiadas três meses [Negócios]

Como se tudo isto já não fosse mau, escreve o Negócios:

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Tratado de Semiótica da Imagem

O que vê nesta fotografia?

 

Passos Coelho e a Democracia

 

Ao longo destes anos de Democracia têm-se conhecido os mais variados tipos de políticos e têm-se assistido aos mais variados dislates. Nem vale a pena fazer-se o rol das asneiras – dava um livro! – basta recordar, a título de exemplo divertido, o expressivo “bardamerda” do defunto almirante Pinheiro de Azevedo e o discurso de tomada de posse do Pedro Santana Lopes. Foram momentos de enorme gozo e hilariedade. Houve – e há – nesta matéria de políticos, um pouco de tudo. Uns mais fleumáticos, outros mais emotivos, até mesmo coléricos. Todavia, no meio de tantas personalidades e de tão distintas idiossincrasias, não creio ter havido – pelo mesmo que me lembre – nada de comparável ao desastrado Pedro Passos Coelho. A sucessão de erros e equívocos são contínuos e exemplares. Nunca, em tão pouco tempo, um político se desacreditou tanto. Ainda ontem, informado Francisco Louçã sobre a surpreendente posição do líder do PSD acerca da IVG, reagia este, irónico, à comunicação social: “Ai o Dr. Passos Coelho disse isso esta manhã?! Então à tarde já muda de ideias!”. E foi. À tarde já o líder do PSD amansava a posição sobre um referendo e suavizava o motivo de ter abordado o assunto, desculpando-se com o facto de uma entrevistadora lho ter perguntado. E ele, na modéstia das suas próprias palavras “que é um homem de enorme franqueza”, lhe ter confessado o que pensava. Ignorando-lhe a sinceridade o facto de estar a responder aos seráficos microfones da Rádio Renascença… e pelas razões que toda a gente percebeu. Entretanto, à noite, não fora o dia suficientemente conturbado, pegou-se-lhe outra vez a asneira à franqueza e vá de desancar no Pacheco Pereira acusando-o de “semanalmente fazer campanha contra o partido”. O que até nem é de todo mentira, só que confunde o partido com ele próprio e não era a ocasião indicada de o dizer. O que lhe vale, para já, por parte do Pacheco ofendido o epíteto de… “caluniador”. Já hoje, depois dos incidentes ocorridos num comício do PS de ontem à noite, incidentes esses que contaram com a presença de elementos ligados ao PSD como foi noticiado pela TVI, em vez de se demarcar claramente do ocorrido condenando de forma inequívoca comportamentos atentatórios da liberdade de reunião e de expressão, limitou-se ao sacudir a água do capote num simples “lamentar o sucedido”. Mais! Ainda veio implicitamente verberar o comportamento policial, tentando adoçar as provocações e o comportamento dos provocadores, travestindo-os em “manifestantes”, coitadinhos, vítimas do excesso de zelo policial. Será que Passos Coelho nunca ouviu falar em ordem democrática? Ou, tendo ouvido falar, não sabe o que esse conceito significa? Terá saltado para a história directamente do 24 de Abril? Assim não vai lá. Era o que (nos) faltava!