Invasão da Praça dos Três Poderes: estava escrito nas estrelas

Estava escrito nas estrelas: dois anos após a invasão do Capitólio, os brasileiros “do bem” invadiram a Praça dos Três Poderes e as várias instituições ali sediadas. Houve vandalismo, roubo e delinquência para todos os gostos. Parabéns a todos os que, também por cá, se bateram pela falsa equivalência entre Lula e Bolsonaro e pela normalização da extrema-direita. A vossa posição face à democracia é hoje mais clara do que nunca.

Força, Brasil! O extremismo não passará!

Falsas equivalências

No seu discurso de ontem, reagindo à barbárie que os apoiantes de Bolsonaro impuseram em Brasília, Lula da Silva chamou à extrema-direita aquilo que ela é: neo-fascistas de trazer por casa. Logo se levantaram, inconformamos, os empedernidos liberais do extremo-centro, dizendo que as declarações do presidente brasileiro polarizam e acicatam a reacção.

Esta posição é, apenas, e na verdade, mais uma das infindáveis tentativas de colar a extrema-direita à esquerda, quando sabem perfeitamente que o que está em causa não é uma questão de extremos, mas sim de fascistas versus democratas. Esta estratégia de fazer equivaler a esquerda, fundamentalmente social-democrata, à extrema-direita racista, xenófoba, homofóbica e corrupta é antiga, foi recauchutada e colhe hoje os seus frutos. Mas não há equivalência possível entre quem defende os pressupostos constitucionais que regem uma democracia e aqueles que, inscientes, a querem destruir, começando por corroê-la a partir de dentro, para depois extravasarem e passarem à violência declarada contra as Instituições democráticas. Em Portugal sucede o mesmo, sobretudo depois da entrada declarada da extrema-direita na Assembleia da República: a tentativa de colar o Chega, representante dessa direita retorcida e podre de bolor, aos partidos representantes da esquerda tradicional, como o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, partidos que, quer se queira quer não, quer se goste ou não, nunca tiveram um projecto político de destruição da ordem constitucional e democrática. A estratégia, diga-se, é igual aqui, no Brasil, na Espanha, na França ou na Itália.

Ao Brasil, aos democratas brasileiros, da direita moderada à esquerda, que não se revêem em tais actos e respeitam a democracia, vai daqui toda a minha solidariedade e a vontade de que esses insurrectos fascistas sejam postos no seu devido lugar: na cadeia.

Viva o Brasil. Vivam os brasileiros.

Fotografia retirada de: Revista Veja

Criança de seis anos dispara contra professora. Onde? No sítio do costume

Os tiroteios, no “farol da liberdade”, são mais que normais: são parte intrínseca da sociedade norte-americana, onde o lobby das armas é, de longe, o mais poderoso. Aquele que compra políticos de todas as cores e que determina quais guerras que vão de encontro aos interesses de “segurança nacional” dos EUA.

Mas que uma criança de seis anos tenha acesso facilitado a uma arma, e que a use para disparar contra a sua professora, é descer ao patamar de barbárie do Terceiro Mundo. Mas há quem por cá defenda iguais políticas. E, curiosamente, são os mesmos que defendem e arranjam desculpas para o que se passou ontem no Brasil. Os mesmos que se autoproclamam “pró-vida”, sem se rir.

Importar a lição e nunca repetir

Em Portugal, a direita representada por Iniciativa Liberal, CDS-PP e Chega, torceu para que Bolsonaro vencesse. Do filho de Paulo Blanco, passando pelo Ventura original e acabando no Ventura do Chega, os reaccionários sempre desejaram que isto acontecesse.

Tanto em 2018, quando Jair Bolsonaro venceu as eleições a Fernando Haddad, como agora em 2022, alguns representantes da direita portuguesa, dos liberais aos democratas-cristãos, tinham muita dificuldade em “escolher um lado”, para não assumirem, claramente, que votariam em Bolsonaro; já a extrema-direita, representada por André Ventura, nunca escondeu: Bolsonaro ou a guerra civil.

O resultado está à vista e sabemos a intenção futura: importar este tipo de caos para Portugal. É preciso chamar os bois pelos nomes: são neo-fascistas, mais ou menos assumidos. E não passarão, se nos impusermos já.

Imagem de: Tomás Nery

Direito à greve, sim, mas, dizem eles

Governos, instituições e pessoas reconhecem o direito à greve, mas, quando há uma greve, os governos, as instituições e algumas pessoas tendem a criticar a prática da greve ou porque estão a decorrer negociações ou porque irão decorrer negociações ou porque as afirmações ainda são meras propostas ou porque a greve – esta é a minha favorita – está a incomodar as pessoas.

Fica-se com a impressão de que a greve deveria ser apenas um adorno legislativo que servisse para provar a existência de democracia, deixando-se ficar quietinha e bonitinha na letra da lei, sem se sujar na rua.

Está a decorrer uma greve de professores, para fingido espanto e aparente revolta de um ministro alegadamente ofendido com as mentiras que os grevistas dizem, estratégia habitual deste e de muitos ministros que o antecederam

O discurso que reconhece o direito à greve, mas já está em vigor, como se pode notar num texto da Federação das Associações de Pais do Concelho de Gaia. Realço esta pérola: «Entendemos que os professores têm direito à greve como um direito inabalável consagrado na Constituição Portuguesa. O que nos parece mais difícil de aceitar é o modelo de greve que tem como objectivo causar grandes alterações à vida dos alunos e pais com um custo muito baixo para quem a faz.» Como diria Vasco Santana, “Desculpa que te diga, mas és um ilusionista!”

Brasil no seu pior

O Brasil a imitar o pior da América trumpista.

Não é só no Brasil e na América. A humanidade vive tempos de loucura colectiva, penso que será a melhor forma de descrever este delírio que vive de teorias da conspiração, potenciadas pelos algoritmos das redes sociais.

Extrema-direita brasileira imita trumpistas e invade Congresso Nacional (vídeo em directo)

Fascista que é fascista não tolera a democracia. Bolsonaro fugiu para os EUA, mas deixou plantada a semente do ódio. É enfiar esta escumalha em Carandiru.

Há 13 anos, hoje e sempre: amor vincit omnia

Fotografia retirada do Instagram de: Bloco de Esquerda

Assinalam-se hoje, dia 8 de Janeiro de 2023, 13 anos desde que a Assembleia da República aprovou e legislou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em 2010, uma das lutas mais antigas do Bloco de Esquerda foi aprovada com os votos a favor do próprio partido, do Partido Socialista, do Partido Comunista Português e do Partido Ecologista “Os Verdes”. O Partido Social-Democrata e o CDS-PP votaram contra, sendo que sete deputados/as do PSD se abstiveram e duas deputadas independentes do PS votaram contra.

Os direitos não são eternos, conquistam-se e, se não houver zelo, num instante os perdemos. É, então, necessário mantermo-nos alerta e não deixar que as forças reaccionárias de direita revertam os direitos sociais que foram conquistados nos últimos 20 anos.

Voltamos a estar numa situação em que forças extremistas de direita querem usurpar o Estado de Direito para si, para assim o poderem destruir para criar outro em que o Direito não dite leis fundamentais.

Se a votação decorresse hoje, seria novamente aprovada, como é óbvio. Perante a nova conjugação de forças, é sabido que os que aprovaram a lei em 2010 (BE, PS e PCP), a voltariam a aprovar. Não é linear, hoje, a posição do PSD, uma vez que nos últimos anos vários militantes e figuras de proa do partido assumiram, em público, a sua homossexualidade; mas desconfio que se absteriam. O CH votaria contra, ocupando o lugar do CDS. E a IL, apesar de alguns movimentos conservadores dentro do partido, votaria a favor, tal como o PAN e o Livre.

Mas, por muito que a aferição nos diga que, hoje, a posição talvez saísse reforçada, há tendências da sociedade cada vez mais extremistas que nos fariam questão de lembrar que, para além dos ciganos, das gajas e dos pretos, os gays são um dos maiores problemas da sociedade.

Zelemos pelos nossos direitos e digamos a quem ainda não se habitou: é lidar.

Portugal, o atraso económico e os empresários terceiro-mundistas

Quando se discute a fuga de jovens para o estrangeiro, o debate centra-se muito na questão fiscal e muito pouco nos baixos salários e na ganância de empresários que querem CVs de excelência a preço de imigrante ilegal de Odemira. Profissionais qualificados têm um custo proporcional às suas competências. E, se o ordenado for proporcional e justo, os impostos serão um problema menor. Não é à toa que as sociedades mais prósperas assentam em modelos sociais apoiados em impostos altos.

Um tecido empresarial com visão terceiro-mundista é inimigo do desenvolvimento e nunca, em momento algum, alavancará uma economia de primeiro mundo. Passamos os dias a falar nos fracos políticos que temos, mas é igualmente importante debater, sem medos, o problema dos empresários que querem pagar 760€ a jovens com mestrados. Quando não são doutoramentos. Sem noção não saímos da cepa torta.

Ao cuidado da CMTV

Isto não é a Ribeira. E o <i> de Fontainhas não leva acento. É como o <i> de ladainha, rainha, grainha, etc. Siga.

“Cheias de Lisboa não preocupam Porto: cidade está ‘preparada’, garantem autoridades”

“As autoridades *diz que sim”. Se as autoridades *diz que sim, estou mais descansado. Menos bola, menos precipitação, menos espectáculo, menos propaganda (“está a ser reposta a normalidade”…) e mais rigor, sff.

As imagens do dilúvio de hoje, no Porto (c/videos)

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A culpa é do Passos!

 

 

O que se pergunta é o seguinte: a Sra. ex-Secretária de Estado da Agricultura regressa ao cargo (equiparado a Director-Geral) de Directora Regional de Agricultura e Pescas do Norte?

É que nem devia ter estado nesse cargo antes de ir para o governo.

E agora deve ser afastada. O que diz a Sra. Ministra? Quem a nomeou para Directora Regional?

Já se percebeu também que a CRESAP não serve para nada.

Estão em causa todas as escolhas (dessa CRESAP e dos membros do governo) para os cargos de Alta Direcção da Administração Pública.

 

 

 

 

 

 

 

Breve história da economia moderna

Já todos vimos este filme. Um colosso entra no mercado, trazendo uma dinâmica forte e preços altamente competitivos.

É proibido vender com prejuízo, se bem que demonstrar que a lei foi violada é uma tarefa hercúlea. E como se sabe, o Estado é magro e não tem ninguém para acompanhar o tema.

Porém, nada impede que se venda sem lucro e que se negoceiem condições com os fornecedores por forma a que existam produtos com custo residual (as famosas promoções com preço de arrasar). Afinal, se o fornecedor disponibiliza produtos a custo zero, ou perto disso, dificilmente a venda ao público será feita com prejuízo, mesmo praticando preços finais impossíveis. Está cumprida a lei.

Para aqueles que não têm capacidade financeira e negocial para competir, paciência. Que fechem as portas. O que importa é que o consumidor ganha melhor preços e mais oferta, certo?

Se a concorrência desaparece, paciência. Os empregos desaparecem ou dão lugar a condições precárias mas isso pouco importa. Porque no final do dia, consumidor fica a ganhar. Até que não seja esse o caso.

Cristiano Ronaldo, as ronaldettes e o regime saudita, igual ou pior que o russo

Descobri estes dias que tenho uma dívida para saldar com Cristiano Ronaldo. Como se não me chegasse o crédito à habitação e a dívida externa do país. Sorte a minha, é uma dívida de gratidão. Mas não deixa de ser uma dívida involuntária, na medida em que tenho que a aceitar, mesmo que me esteja nas tintas para o futebol jogado.

Quem não aceita a dívida sujeita-se ao homem do fraque. E, neste caso, o homem do fraque são as ronaldettes, que logo surgem, de tocha na mão, a exigir que se venere o melhor do mundo, garantindo que Ronaldo está acima da crítica e, por conseguinte, da liberdade de expressão e do estado de direito. O que é interessante, já que Ronaldo foi trabalhar precisamente para um país onde se cultiva a rejeição desses valores.

Eu disse cultiva? Queria dizer reprime. Com brutalidade medieval.

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Desejo-vos um óptimo fim-de-semana

Com o patrocínio da RTP.

No Linha da Frente transmitido ontem.

Exactamente.

Gianluca Vialli (1964 – 2023)

Gianluca Vialli foi um dos grandes craques que marcou a minha infância, para sempre ligado a uma Sampdoria que já “não existe”, mas que era adversário temível nos anos 90.

Foi com o seu talento, numa época quase perfeita, que emblema de Génova ganhou o seu primeiro (e único) campeonato, em 90/91, ano em que foi o melhor marcador da Série A.

Morreu hoje, cedo demais, aos 58 anos. Vítima do suspeito do costume. Que descanse em paz.

Portugal está “no pelotão da frente” (*)

 

Infografias: Visual Capitalist

(*) António Costa

Cotriquim

Nos últimos dias enquanto funcionário público, o CEO da Iniciativa Liberal cumpriu a promessa de tornar os liberais mais “populares”: agora chama-se Quim.

Moção de Folclore: o triste espectáculo que nos proporciona a classe política

Fotografia: Carlos M. Almeida/LUSA

Foi a votos, hoje, uma moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal.

Como era expectável, a moção chumbou, ou não bastassem os deputados eleitos pelo Partido Socialista, em maioria, para a moção não passar. Com os votos contra do próprio partido do Governo, do Partido Comunista e as abstenções do Partido Social-Democrata, do Bloco de Esquerda e do Partido Animais e Natureza, só o proponente da moção, a IL, votou a favor, juntamente com a extrema-direita, representada pelo Chega.

Rui Rocha, deputado liberal e candidato à liderança da IL. Fotografia: António Pedro Santos/LUSA

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Em memória do pavilhão transfronteiriço de Caminha

Isto está de tal forma alucinante que, qualquer dia, já ninguém se lembra do Miguel, do Ricardo e do pavilhão transfronteiriço de Caminha. Falta-me a foto do pavilhão, mas isso é porque o pavilhão não existe. A culpa é da bolha mediática.

Vai mais uma demissão

12 em 9 meses. Sempre fica mais barato à dúzia, desde que não seja com indemnizações à maneira da TAP.

O fabuloso aperto de mão entre Pedro Nuno e Marcelo (c/vídeo)

É um aperto de mão mas podia ser uma medição de pilas. Diz-nos muito sobre o estado a que isto chegou.

A xenofobia da extrema-direita atropelada por um camião

conduzido pelo Daniel Oliveira. O artigo no Expresso é aberto e merece ser lido.

A nova soberania

Aparentemente, o mundo está organizado por países, com governos (às vezes democraticamente eleitos), onde os cidadãos (aparentemente) têm alguma voz no destino desses países.

Actualmente, isso é um proforma, apenas.

A nova soberania é ditada pelas grandes empresas globais. Quem não gosta, pode (aparentemente) consumir de outra empresa ou trabalhar em outra empresa. Os termos de utilização dos serviços valem mais do que as leis dos países. E estas empresas, funcionando dentro da lei, têm uma imensa capacidade de a moldar às suas necessidades (benditos sistemas eleitorais com campanhas financiadas por privados) e de a contornar quando lhes convém (p.ex. paraísos fiscais).

São estados ao lado do Estado. Ironicamente, o liberalismo que os tornou possível é o mesmo que cerra a malha às liberdades individuais, um tema querido aos liberais.

Infografia: Visual Capitalist

José Manuel Ribeiro mete o dedo na ferida sobre a ida de Cristiano Ronaldo para a Arábia Saudita

Luís Montenegro: do México, com amor

“O PSD não terá um segundo de descanso.”

Alguém ponha o Carlos Moedas a funcionar, perdão, a aquecer, que o PSD precisa de reforçar o sector da atacante.

Twilight zone bolsonarista VI

Os bolsominions são a espécie mais exótica do Brasil. É preciso criar um programa de protecção para evitar a extinção. São o mamífero mais divertido, a par do macaco. E Portugal devia contribuir para a conservação da espécie, criando um santuário para o professor Lemos.

Surrender – O striptease de Bono

Não, não vos vou falar sobre o Galamba ser ministro. Seria falar sobre um Portugal que jaz morto e arrefece e eu já não dou para esse peditório. Hoje vou escrever sobre um livro que me agarrou nos últimos dias de 2022 e no primeiro dia do novo ano. Literalmente.

Um livro que diz mais a quem foi adolescente nos anos oitenta e até noventa do século passado do que aos mais jovens leitores (e autores) do Aventar. Um livro que nos conta a vida e a obra de um irlandês adolescente em 1978 até aos dias de hoje. Eu não sou gajo de ter saudades do passado. Nisso sou como o outro, tenho saudades é do futuro. Mas não esqueço, pelo menos tento, não esquecer o passado e a verdade é que nos anos oitenta a personagem deste livro e os seus amigos mais chegados foram personagens na vida de muitos de nós. Na minha foram. [Read more…]

Teoria Geral do Equilíbrio – versão António Costa

Qualquer sistema tende para o estado de maior entropia. É um princípio bem conhecido da física, a segunda lei da termodinâmica, que se ensinava no secundário (talvez ainda se ensine, nunca se sabe com estas modernices das aprendizagens e das competências), segundo o qual as interacções de um sistema isolado resultam em transferências entre os diferentes componentes até que todos eles se encontrem no mesmo estado.

Ilustração da segunda lei da termodinâmica. Os líquidos dos dois recipientes acabarão por ficar à mesma temperatura.

Como se recordarão, António Costa foi particularmente efusivo quanto aos bons tempos que aí vêm. Parece que a “trajectória sustentada de redução do défice e da dívida coloca país ao abrigo das turbulências do passado” e que Portugal está “no pelotão da frente” (esperemos que não seja da frente ucraniana).

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