O ministro Relvas, acossado pela significativa desobediência civil à ordem carnavalesca do governo, apressa-se a proclamar que, em 2013, também não haverá tolerância de ponto no Carnaval – eu até não sou dado a festas carnavalescas, fora o Brasil, mas entendo que outros gostem do que eu recuso. Do actual governo, por exemplo.
Miguel Relvas, loquaz viciado, é o governante mais prolixo em declarações públicas. Debita proclamações umas atrás das outras, a propósito ou a despropósito, mesmo que a segunda nada tenha a ver com a primeira e assim sucessivamente.
Como a última palavra tem sempre de ser sua, também ao jeito de ‘Dupond e Dupont’, há tempos reforçou o conselho de que os jovens portugueses deixassem a sua ‘zona de conforto’ e emigrassem – conselho lançado para a opinião pública pelo obscuro secretário de estado Mestre.
Gente desta, como políticos da governação, é incapaz de ter a mínima percepção das tristes figuras que fazem perante os cidadãos que julgam governar. Na estreiteza de pensamento e capacidades que os atinge, revelam absoluta inépcia na compreensão do real fenómeno de emigração e da vida dos emigrantes. Dos mais 15 milhões de portugueses que estão no mundo, cerca de 1/3 residem e trabalham fora do País.
Dispersámos pelo mundo uma massa humana, heterogénea e que usufrui de níveis socioprofissionais e económicos assimétricos. A ‘zona de conforto’ de uns diverge, e de que maneira!, das ‘zonas de conforto’ de outros, carregados de árduos trabalhos e de dificuldades financeiras.


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Os sábios quadros do Ministério da Saúde, a começar pelo titular da pasta e ex-bancário Macedo, têm uma imaginação prodigiosa e um apurado sentido de melhoria da produtividade na função pública. 





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