Sobre a expressão “as pessoas em casa”
Apesar de a Carla Romualdo, com o irritante brilhantismo do costume, já ter glosado esta expressão, numa rede social felizmente perto de mim, deixo aqui o meu contributo. Ou contribruto.
O mundo da comunicação social está pejado de gente que sabe tudo aquilo que sentimos e está a par de tudo o que desejamos, para além de saber muito bem, talvez melhor do que nós, o que é que sabemos.
É vulgar, portanto, ouvir frases como “As pessoas em casa não compreenderiam que…”. Ouvi-a recentemente na boca de um político que consegue ser a pior versão das más versões dos políticos que temos.
Pergunto-me sempre como é que esta gente sabe o que é as pessoas em casa compreenderiam ou não compreenderiam. Sonho com o dia em que um telespectador ligue para um programa em que o público participa para comunicar que está em casa e ninguém sabe o que é ele compreende ou deixa de compreender e que agradecia que deixassem de falar dele ou por ele.
Uma variante desta frase tem um alcance ainda maior, porque não se limita à casa. É uma frase que vai pelas ruas, pelas avenidas e colhe, qual touro holístico, qualquer cidadão esteja ele onde estiver.
Essa frase tanto é usada por políticos como por concorrentes do Big Brother e pode assumir inícios como “Os portugueses sabem que…” ou “Os portugueses sentem que…”. Não há relativização, não há excepções, os emissários de tais frases incluem nos seus enunciados todos os portugueses, como se os conhecessem de ginjeira, incluindo a residência com número da porta e código postal, o restaurante da diária costumeira e a série preferida.
É verdade que somos um país pequeno, mas ainda deve haver um ou dois cidadãos de que nunca ouvimos falar e cuja opinião ou sentimentos não conhecemos.
Investigue-se a inércia na Justiça

Os últimos dias têm sido férteis para as nossas forças de segurança, em particular a Polícia Judiciária.
Há governantes investigados, empresários e autarcas corruptos detidos e até o terrorista que pediu um milhão para não abater Marcelo a tiro foi hoje apanhado numa operação à moda NCIS.
Qual é o problema? [Read more…]
Fernando Ulrich, um banqueiro em defesa da classe política

Fernando Ulrich, banqueiro de uma longa linhagem de banqueiros e donos de Portugal, afirma não alinhar “na conversa de que temos maus políticos”. Compreende-se. É malta que nunca lhe falhou.
As fragilidades do SNS e outras áreas menos frágeis do sector público
Faltam médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares em praticamente todas as unidades de saúde do SNS. Não há dinheiro para mais contratações, alega o governo, mas depois vão contratar tarefeiros pelo triplo ou pelo quádruplo do valor pago aos profissionais com vínculo contratual. E depois queixam-se que os portugueses não acreditam na gestão pública. Pudera…
Num outro Portugal, numa galáxia far far away, vive-se uma realidade totalmente diferente, das autarquias ao Parlamento, onde não falta nem nunca faltou um euro que fosse para contratar assessores, adjuntos, chefes disto e daquilo e mais uns quantos profissionais do tacho político-partidário. Uma casta sobretudo proveniente do Largo do Rato e da São Caetano à Lapa, mas que vai hoje muito para lá do centrão das negociatas e dos escândalos de corrupção, fraudes variadas e tráfico de influências.
O perigoso trilho da personificação do mal
É indubitável que Vladimir Putin é um déspota, sem escrúpulos. E a questão essencial não é se há outros ou não. Até porque sabemos que há.
A questão essencial é se só agora ele se revelou como tal.
Obviamente que não. E, no entanto, todo o chamado “Mundo Ocidental”, do qual fazemos parte, hoje chocado e revoltado com a sua ofensiva bélica sobre a Ucrânia, num conflito armado que dizima vidas inocentes, não se inibiu de fazer negócios, de engrossar fortunas, e até, ficar na sua dependência.
Já se sabia quem era Vladimir Putin quando a Europa – leia-se França e Alemanha -, aceitou ficar em grande parte dependente do gás russo. Ou quando Portugal foi à Rússia vender vistos gold. Ou quando a OTAN começou a expandir-se para o outrora Bloco de Leste, rumo à fronteira com a Rússia, em violação do compromisso por si assumido de não fazer tal.
Tudo isto foi acontecendo enquanto jornalistas, activistas e opositores a Putin, eram assassinados; enquanto os envenenamentos se tornavam uma espécie de instrumento de política internacional russa, etc.
Da mesma forma que o “Mundo Ocidental” sabe bem quem é e que é Xi Jiping e a China. E se a China resolver invadir a Ilha Formosa, ou Taiwan, ou que se lhe quiser chamar, o mesmo “Mundo Ocidental” que deslocou para a China a sua indústria, e que se tornou dependente dos seus fornecimentos de bens e capitais, vai bradar “Sacanas dos chineses! Maldito Xi Jiping!”. [Read more…]
A manada
Como já várias vezes escrevi, Portugal não tem a exclusividade das “asneiradas”. Nos outros Países também as há. Muitas e parecidas. Só que aqui, por condições históricas e geográficas próprias que por várias vezes já tentei enumerar, são sempre muito mais “imbecis” (obviamente também porque as sentimos logo no “pêlo”). Temos uma espécie de política e políticos de “fabrico chinês”. Na qualidade. Porque no preço, são “de marca” e daquelas muito, muito caras.
[Read more…]A santa aliança entre Banca e políticos…
Esta semana, uma vez mais os principais banqueiros do rectângulo pretenderam cobrar comissões por transações nas ATM, história reciclada que nada tem de novo, a pretensão é antiga, mas que permitirá ao governo de esquerda, todo modernaço, dizer que não, defendendo o povo e fazendo frente aos tubarões da alta finança. O embuste do costume para enganar papalvos, como é timbre da equipa de mestres da ilusão que governa o país. Há favores por pagar e todos os banqueiros sabem quanto e quando têm de pagar a quem os auxilia sempre que estendem a mão. [Read more…]
Não lhes toquem no carácter, que faz cócegas
É curioso o modo como alguns amigos vêem as apreciações que aqui se fazem dirigidas a governantes – ex, actuais e futuros – quando estas tocam questões de carácter. Que não, que não pode ser, deve apenas divergir-se no pensamento e práticas políticas, nunca tocando aspectos de carácter. Não estou de acordo. Tais distinções podem fazer-se no desporto, na arte em múltiplas práticas sociais relevantes. Mas não neste domínio. [Read more…]
Os políticos vivem quase exclusivamente de corrupção e tráfico de influências

Perdoem-me, tive um momento André Ventura e não resisti ao facilitismo da generalização. Sim, eu sei que nem todos os políticos são corruptos ou traficantes de influências, mas é que são tantos a corromper e a ser corrompidos, tantos envolvidos no tráfico de colarinho branco, tantas luvas, tantos robalos, tantos favores e tachos, tanta promiscuidade nas nomeações, nas danças de cadeiras, nas obras públicas e nas grandes compras do Estado, tantos negócios viciados para amigos, familiares, antigos e futuros empregadores, que, estou certo, se a Aximage se sai com uma sondagem sobre o assunto, 98% da população acabará por concordar comigo. Os outros 2% são políticos e vivem mesmo quase exclusivamente da corrupção e do tráfico de influências. À beira deles, até o mais perigoso cigano se assemelha a um menino de coro. Corremos com os gajos?
As férias dos governantes

António Costa: perito em mergulhos enquanto a situação está explosiva (cuidado com o súbito aumento de granadas no espaço público).
Assunção Cristas: craque a assinar nacionalizações de bancos falidos, entre duas piña coladas, ao sabor relaxante da rebentação.
Aníbal Cavaco Silva: não leitor de jornais, inclusive em períodos aborrecidos enquanto se andava pela Casa da Coelha.
Pedro Passos Coelho: aquele que afirmou “se fosse necessário” interrompia férias devido à crise no BES. Ora, era o que faltava uns milhares de milhões se intrometerem na estadia na Manta Rota.
Paulo Portas: férias, sim, mas só depois de uma demissão irrevogável com direito a promoção.
Mas, já se sabe, agora é mau e dantes era justificável. Um par de estados nesta gente toda era pouco.
Portugal tem dos partidos mais ricos da Europa
Notícia do Diário de Notícias.

Composição do parlamento resultante das últimas eleições
O combate político deveria ser o combate de ideias, não deveria ser o combate de orçamentos de propaganda. E se houvesse uma reforma do financiamento partidário que colocasse em primeiro lugar as ideias?
Proponho o seguinte:
Ainda sobre as Subvenções Mensais Vitalícias

O tema das Subvenções Mensais Vitalícias não tardou a sair do chamado “ciclo noticioso”, nada que espante. Mesmo assim, tanta pressa em abandonar o tema despertou-me curiosidade. Tentei atribuir partido a cada um dos 332 políticos que constam na lista publicada pela CGA. Esta não é uma tarefa fácil.
Lista de beneficiários da Subvenção Mensal Vitalícia
A Caixa Geral de Aposentações publicou uma lista com os nomes dos políticos que recebem a Subvenção Mensal Vitalícia.
Custo mensal 442 314 EUR
Nesta soma não estão incluídas as subvenções reduzidas parcialmente, totalmente ou suspensas
Disponibilizo neste post uma cópia em formato fácil de tratar:
- Lista Subvenção Mensal Vitalícia (XLS);
- Lista Subvenção Mensal Vitalícia (PDF original).
E em formato bom para os motores de busca:
Parabéns, Isabel Moreira!

Em Novembro de 2014, Isabel Moreira admitiu enviar a suspensão de subvenções vitalícias para o Tribunal Constitucional.
Pouco mais de um ano depois, aqui está o resultado: a subvenção vitalícia regressou.
Está de parabéns o Tribunal Constitucional, que agora certamente vai obrigar à devolução, com retroactivos, de tudo o que foi retirado aos portugueses normais nos últimos anos. Estão de parabéns todos os chulos deputados que vão receber milhares de euros até morrerem por terem estado meia dúzia de anos no Parlamento.
E está de parabéns, obviamente, Isabel Moreira, que afinal conseguiu o que queria. Definitivamente, quem sai aos seus não degenera!
Não é jornalismo José Gabriel, é demência
e se achas isto grave, o que dizer do 72º lugar do ranking ser entregue ao senhor Aníbal?
Os políticos enganam os cidadãos
A lei da limitação dos mandatos foi vendida desta forma:
Governo aprovou limitação de todos os mandatos políticos – Público – 8 de Ablil de 2005
Ou
O governo liderado por José Sócrates aprovou a lei que limita a duração dos mandatos para cargos políticos a um máximo de 12 anos ou três mandatos consecutivos. Aqui se incluem primeiro-ministro, autarcas e presidentes dos governos regionais. – TVI24 8 de Abril de 2005
Sem ambiguidades foi anunciado que os dinossauros seriam extintos em breve. Todos sabem qual foi a decisão do Tribunal Constitucional sobre este assunto: passamos a ter dinossauros itinerantes.
O maior problema nesta questão é a facilidade com que os políticos enganam os cidadãos (propositadamente ou por simples incompetência). Esta é apenas mais uma instância em que os cidadãos são burlados pelos políticos.
Pelo fim da subvenção
Pode ser demagógico, mas este é o momento do Governo mostrar que os tem no sítio. Querem cortar 10% nas reformas? Sugiro uma alternativa.
Quem foi político durante x anos tem hoje direito a uma pensão apenas por isso. Além da pensão de político têm ainda direito à pensão que resulte da sua actividade profissional normal.
Pois bem, com efeitos retroactivos, o governo corte a todos essa pensão, limitando a uma o número de pensões que cada um pode ter. Ajuste-se a pensão civil com um factor qualquer de ponderação mas é urgente que a classe política possa ser um exemplo.
Laranjinhas, será agora que os têm?
Os Privilegiados: o relato dos interesses, influências e benefícios da classe política
Veja aqui.
Perguntinha inocente
Os reformados vitalícios da política também vão sofrer a convergência das pensões públicas e privadas?
Frase de marear
O DN tinha ontem esta frase de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), um dos meus autores mais queridos:
Se mandar o seu povo atirar-se ao mar, ele fará uma revolução.
Quantas revoluções deixámos de fazer…
Sólidos, líquidos e gasosos
Antes de reciclar o DN de quarta-feira, ainda fui a tempo de ler uma crónica discreta como é discreto o seu autor, Baptista-Bastos, escritor que não embarcou no novo Acordo Ortográfico.
O seu pai, o de B.B., ensinou-lhe que os homens se dividem em 3 categorias: sólidos, líquidos e gasosos.
“Poucos homens sólidos há, hoje. A época tem sido fértil em amolecer carácteres e em estimular e premiar a velhacaria e a malandrice. Gosto muito da palavra «sólido» (…) ainda hoje me surge como um significado de dignidade. Conheço, agora, muitos mais homens líquidos e gasosos de que antes. (…) mentirosos sem remissão; infalíveis tratantes; uma congregação de gente moldada (…). O nivelamento por baixo atingiu todos os sectores da sociedade.” [Read more…]
Os problemas de comunicação do governo
Por muito que queiramos (ou quiséssemos) olhar para os políticos como casos individuais, o seu comportamento é demasiado estereotipado para que o mereçam, tornando, por exemplo, as Farpas queirozianas textos infelizmente intemporais, tal é a triste semelhança entre os politicotes da Regeneração e os espécimes ministeriais nossos contemporâneos.
Sempre que algum aspecto da governação suscita crítica ou revolta, lá surge um sequaz do governo a choramingar que os ataques resultam da dificuldade em explicar as medidas. Na realidade, o governante limita-se a agredir o cidadão, esperando que este compreenda que o soco que lhe acerta na queixada é, afinal, beijo apaixonado, manifestação evidente de um amor mal compreendido. No fundo, o governo pouco difere do perpetrador de violência doméstica que explica à vítima que a quantidade de porrada é directamente proporcional à paixão. [Read more…]








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