Pior que todas as touradas

 

 

Será o espectáculo popular com que umas centenas de animais se deliciarão esta noite em Medinaceli, um município de Soria no reino de Castela e Leão.

As bestas lançarão fogo aos cornos de um touro indefeso, terminando por soltá-lo entre fogueiras e outras chamas, para seu gaúdio de pobres seres sem inteligência.

Eu sei que os animais são inimputáveis. Mas estes deviam ser enjaulados por uns bons tempos, ou talvez convertidos ao reino vegetal, ao menos não incomodavam, e daí, bestas destas viravam no mínimo em silvas bem espinhosas.

Um anúncio contra a estupidez

 

 

Este anúncio foi considerado o "melhor anúncio governamental europeu de prevenção da sida".

A minha dúvida é se será o mais eficaz. Leiam a caixa de comentários no youtube e vejam como aparece gente que leu a mensagem ao contrário.

É um velho problema na comunicação humana, o raio da ironia. Podem dizer que a culpa é do ensino mas não é: nenhum sistema educativo pode resolver o facto de existir gente muito pouco inteligente. Tapada. Bloqueada. E momentos infelizes todos nós temos.

Por essa mesma razão ainda gosto mais do vídeo: pelo menos um dos comentadores teve de exercitar o cerebrozinho, e abrir os olhos para a evidência de a vida ter mais cores para lá do preto, do branco e do óbvio.

No Centenário (3): Faces nada Ocultas

  

 

"(…) Affonso Costa recebia treze contos, a título d’umas tretas, por … sustentar, como influente republicano, como dirigente republicano, como deputado republicano, o pleito da "Companhia dos Phosporos", n’um caso escuro, n’uma infame negociata em que iam envolvidos os interesses e a honra do paiz, n’uma vil judiaria. Uma grande vergonha. Porque evidentemente, a Companhia não foi procurar o Affonso Costa como advogado. Não precisava d’elle para nada. Já lá tinha advogados e advogados  eminentes. Precisava d’elle mas era como deputado republicano, e deputado republicano por Lisboa."

 

Ver mais no Centenário da República

 

Portugal é um país onde se "vive habitualmente".

 

Olha prá Zèzinha…

A Zèzinha há 30 anos que anda de emprego em emprego pagos por nós todos. Nada a segura, é com o CDS, é com o PSD, é com o PS e agora é com o PSD na AR e com o PS na CML.

 

Sempre muito politicamente correcta e com opiniões chegadas aos movimentos mais conservadores, gente de poder que lhe vai dando acesso aos empregos, à comunicação social.

 

No DN não está por menos e titula " A coisificação da criança ".

 

" Não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente,  nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil" .

 

" A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado".

 

"Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo ( 5,10,20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e três homens). Fazia mais sentido a devolução desse contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união."

 

"Quanto à adopção, enquanto o casamento envolve duas partes, a adopção implica terceiros,crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente."

 

" O casamento homo acarreterá, automaticamente, o direito a adoptarem."

 

" Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguem recebeu mandato!"

 

PS: esta do adorno é bem real

Um ministro com as gravações bem contadas

Augusto Santos Silva é um bocado desbocado, sabia-se, e vai ter agora de explicar como sabia o número exacto de cassetes (52) onde terão sido gravadas conversas do grande líder. O Sol online confirma uma suspeita que me ficou quando ontem o ouvi na SIC Notícias: tal número era desconhecido do público, ao contrário do que afirmou.

Tratando-se do actual ministro da Defesa ficam suposições no ar sobre a forma como obteve a informação, suposições óbvias e que nos fazem entrar no território do golpe de estado, uso dos serviços de informação para cobertura partidária, etc. etc.

Já agora, essa de as escutas serem gravadas em k7’s dá vontade de rir: a polícia portuguesa ainda anda no analógico? Não gravam em suporte digital porquê? Será que têm medo da pirataria informática?

Jogada de Mestre

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PSD DEIXA CAIR SUSPENSÃO

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Num repente, deixa de ser o CDS a mandar na oposição ao governo, e volta o PSD a estar na ribalta, ao fazer com que o governo não «perca a face».

Ao propor uma substituição em vez de uma suspensão do modelo de avaliação dos srs professores, fez uma jogada de mestre, fez uma aliança estratégica com o PS, e deixou o resto da oposição de cara à banda.

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Poemas com história: Esplanada da praia

 

 

 

Numa tarde de sábado, em Abril de 1988 (foi a data que pus no final do poema) estava sentado numa esplanada de uma praia da linha de Cascais. Lembro-me que fazia uma temperatura elevada para a época e bebia cerveja enquanto observava as pessoas que colhiam os últimos raios de sol daquele belo dia. Sentia-me bem. Depois comprei o Diário de Lisboa, que ainda se publicava e publicou por mais um ano ou dois, folheei-o, li as notícias e lá se foi a sensação de beleza e de tranquilidade…

Esplanada da praia

Ah, meu amigo, o que é o coração do homem!

(Goethe)

Sim, na verdade

o coração do homem é assim,

espalha-se no vento,

escreve gritos na paisagem,

viaja no silêncio, enfim,

é assim –

é veleiro e astronave

em permanente viagem,

o coração do homem.

Coração, é um modo de dizer,

é uma expressão nada científica,

por sinal, que serve para definir

o local, o território misterioso

onde habitam o amor, o afecto,

o ódio, o medo e a coragem.

Onde mora também

A capacidade de sentir

os oceanos que golpeiam

o peito da humanidade.

Dizemos coração,

talvez por ser mais simples situar

num simples órgão

tudo aquilo que em nós transcende

o bisonho animal

que nos domina e vigia.

Por exemplo,

é Abril e é sábado,

estou aqui na esplanada da praia,

a cerveja está fresca,

a temperatura é amena,

o mar é azul, as pessoas são bonitas,

o céu é um lago de serenidade.

Tudo é tranquilo e belo.

Porém, compro o jornal da tarde

e a tranquilidade

quebra-se logo,

como um vidro frágil agredido

pela fúria selvagem

de um martelo à solta.

O meu coração viaja até à Palestina,

à África Austral, à América Latina,

onde a ânsia animal de dominar,

destrói a vida,

oculta o Sol,

impede o amor…

 

O meu coração,

muito habituado a caminhar,

abandona o corpo sentado na esplanada,

a cerveja, o mar azul,

o céu sereno, as gaivotas;

viaja até onde a morte é lei,

o passado e o futuro

se defrontam em áridas colinas

revolvidas por obuses.

Se queres que te diga,

A tarde deixou de ser tranquila

e primaveril,

a cerveja sabe-me a sangue

e no sangue passa-me a circular

vitríolo.

Nesta tarde de Abril,

em que tudo estava a correr

tão bem,

antes que me esqueça,

pergunto-me:

terá sido a cerveja

que me caiu na fraqueza,

ou terá sido o coração

que me subiu à cabeça?

 

 

En defensa del ateismo, de la discussion y del pensamientp libre

En defensa del ateísmo, de la discusión y del pensamiento libre

 

Jorge Luis Rojas D’Onofrio

Rebelión

 

(2) ¿Sobre qué discutir?

El objetivo más importante de este texto es convencer a los lectores sobre la importancia de una sana discusión sobre temas de religión, superstición, divinidades y creencias. Al hablar de discusión no nos referimos a un intercambio de insultos y descalificaciones con el objetivo de herir emocionalmente al adversario, sino a un intercambio de opiniones e ideas con el objetivo de contrastar nuestras creencias con las creencias de otros, y con el fin último de acercarnos a la verdad, de acercarnos al conjunto de creencias que aumentan nuestras probabilidades de obtener la felicidad.

Pero la discusión está condicionada por nuestra realidad, y por el tiempo del que disponemos para debatir. La cantidad de temas y de creencias posibles parece ser infinita. Aceptar la importancia de discutir sobre religión puede ser completamente inútil si la discusión se centra en los temas menos esenciales, en los temas periféricos, que dan por ciertas las suposiciones más fundamentales. Discutir sobre religión no debería empezar por discutir cuál de tantos libros o escrituras consideradas sagradas, o cual de su versiones o interpretaciones, es correcta, sino por establecer las bases o principios de nuestras creencias, la manera en la que obtenemos el conocimiento, y la naturaleza de este conocimiento. Discutir sobre religión no debería empezar por analizar la virginidad de María, o la resurrección de Jesús, sino por examinar la posibilidad o imposibilidad de lo sobrenatural. Una discusión sobre religión debería empezar por cuestionar la existencia de uno o varios creadores, no por debatir sobre su nombre, sus poderes o su personalidad.

A descoberta da verdade é uma grande gargalhada

Para o público saber da utilidade social da Antropologia.

Todos começaram a rir! Às gargalhadas! Éramos vários cientistas a vender o seu peixe aos caloiros. Não era na praça do mercado, antes fosse, facilitava o debate. Era dentro de um grande anfiteatro. Por acaso, três académicos no estrado,Maat, a Deusa da Justiça e da Verdade, ligada ao equilíbrio de trezentos caloiros na plateia do auditório. Os peixes cheiravam de acordo com a pronúncia e a voz de quem falava. No meu caso, sempre cheirava a mar de rosas: o meu sotaque era pesado, especialmente para os mais novos, não habituados a ouvir a sua língua portuguesa, falada de forma britânica, galega, castelhana ou afrancesada. Os vendedores de peixe, muito sérios, usavam palavras caras nas suas intervenções. Caras, pelo rigor do vocabulário e a dificuldade do conteúdo. Minutos passados foi a minha vez. Perguntaram para que servia a Antropologia? Para sintetizar devido ao meu modo de falar, (denominado por alguns alunos pelo termo carinhoso de Iturrês) lentamente respondi: "Nunca perguntamos quantas pessoas vão à Missa aos Domingos para depois juntar um grupo deles e fazer um inquérito a um número proporcional; nós perguntamos, em que dia da semana é dita a Missa, e as explicações começavam para o coitado que nada sabia de catequese dentro de um País Fatimizado". A gargalhada foi grande pela raridade da resposta e por fatimizar o país, como se fosse um assassínio maciço. Fatimizar Portugal? Mas, que laia de académico é este estrangeiro que nem sabe que Portugal é terra sagrada por ter aparecido na vila de Fátima a Nossa Senhora? Fiz cabeça de turco e pedi explicações. Não paravam. Os que por sentimento de fé diziam, os que por simpatia narravam, os que por colaborar ao saber histórico provavam, e o debate nunca mais acabava..! Tinha vendido o meu peixe, imensos caloiros passaram para o curso de Antropologia do ISCTE dos anos 80 do Século passado, como anteriormente tinha acontecido com o meu sotaque castelhano na Grã-Bretanha, ou antes ainda, com o meu sotaque britânico na Galiza. O elo era sempre atingido: começava, sem saber como e por onde, a interacção.           Fátima, procissão das velas

 

Interacção, como fatimizado? Não será intercalado? Não, interacção era e é, esse diálogo que abre as portas à intimidade com desconhecidos, que com a sua amabilidade, gostavam de colocar dentro da sua história pessoal, o coitado que nada sabe porque vem de fora. E com cara séria mas sempre surpreendido, abria-se o diálogo entre os que sabiam muita ciência ou essa lógica metódica para avaliar o saber empírico, e os possuidores do saber empírico, alvo do cientista social. Saber empírico que se pode definir como o cálculo feito com os dedos, uma lei que é costume praticar ainda que não esteja escrita, como esse morgadio desaparecido na ciência do direito mas não entre os habitantes de uma aldeia ou vila, a economia baseada na poupança do cêntimo, estruturada na colaboração de angariar força de trabalho para semear e plantar, força de trabalho que deriva do parentesco e das histórias de vida ou, simplesmente da vizinhança, mas nunca de Adam Smith ou Milton Freedman, saber doutoral que não tem cabimento dentro da empiria ou esse saber lógico que acredita nas experiências como principais formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas, definidas pelo saber doutoral. Adam Smith,leitor Edimburgo 1754

O saber do Antropólogo é a procura do saber da economia empírica, que faz, pelo saber académico, o denominado PIB ou Produto Interno Bruto, a base da riqueza de uma nação, do saber matemático dedilhado e dos teoremas retirados da reciprocidade. Essa base obrigatória de colaborar uns com os outros. Especialmente, quando dentro de una nação há diversas formas de ser, várias etnias diferentes, porém saberes e racionalidades que não se encontram facilmente, é dever do Antropólogos explicá-las para si próprio e transferi-las para as palavras simples e quotidianas do saber da já referida interacção social. O povo português, como todos os outros, não é apenas uma estirpe, são várias ao encontro da Nação. Nem uma só classe social, mas tantas como nem Marx imaginou. Saberes em desencontro que o Antropólogo tem o dever de explicar aos seus contemporâneos e aos mais novos para que possam ser cidadãos de utilidade social e não apenas operariado urbano ou rural. O elo central da Antropologia é a descoberta dessas palavras, teorias e conceitos culturais ou costumeiros, para os explicar aos formadores nacionais com palavras usadas no dia a dia e transferir as ideias empíricas para as ideias académicas.

Há muito insucesso escolar por se querer organizar uma população que pense como os doutores. O dever do Antropólogo, após interagir, em terreno, de trabalhar, suar e produzir, na vida quotidiana de um grupo social, é transformar esse saber em conhecimento erudito, simplificado e assim organizar o saber para educar e desenvolver a lógica da pesquisa dentro da lógica empírica. É assim que muitos vão morar com habitantes de outras terras, de outras nações, de outr
a
classe social para aprender o que eles sabem. Não para guardar o saber em livros ou aulas universitárias, mas sim para explicar aos membros do saber doutoral que existe um saber paralelo dentro da lógica da mesma nação, que deve ser incorporada no que eu denomino o saber doutoral. Todo o ensino é especial e deve ter duas entradas: as da filosofia dos cientistas e a da filosofia do empirismo ou esse saber pragmático que permite acumular bens, armazenar os usos e costumes não escritos para não desaparecerem. Toda a ciência tem um saber especial para se traduzir à lógica da cultura, no nosso país, orientada pelo saber religioso pragmático. Existe a semiologia que explica o que uma palavra significa, a economia doméstica que produz e acumula património, o saber lógico da religião que orienta a interacção social com palavras pragmáticas e, especialmente, o saber da educação usado para ensinar os mais novos. Saberes todos para serem usados como ponto de união entre duas culturas da mesma nação: a heterogénea do povo, dividida entre vários conhecimentos, e a hierárquica, arrogante e difícil da denominada saber doutoral, essa que vive e mora entre quatro paredes e uma biblioteca e que não permite ao povo entender. Pierre Bourdieu, que viveu infância e juventude entre os Kabila da Argélia, costumava dizer-me: "Nós não somos o que pensamos ser, nós somos o que os outros pensam de nós", saber que, nos nossos debates, aparecia sempre marginalizado por ser menosprezado pela cultura doutoral, que inclui pessoas do saber empírico que, como Pierre dizia, eram trânsfugas do seu saber pelo orgulho e anseio de se ser doutor que não permite a acumulação do capital social do saber popular que, doutores ou não, vive dentro de nós. Saber que pode ser retirado com o método aplicado por Paulo Freire e por mim, ao retirar o conhecimento costumeiro, esse que parece não pensar, para o levantar às palavras e consciência do marginalizado povo, esse que é o nosso, mais uma vez, capital social.

Telefonei um dia a uma amiga, do grupo saber doutoral, para lancharmos juntos, disse que não podia por estar à espera de sua equipe que trazia dados para ela analisar. Era simpática e amiga, não era Antropóloga: explicava a empiria através de estatísticas. O Antropólogo tem a utilidade social de interpretar a cultura para descobrir o saber popular e acumular esse saber empírico em interacção entre iguais e fornecer a descoberta do capital social do país na reciprocidade do, tu trabalhas para eu comer, eu oiço como uma árvore, surda, cega e muda, para entender e te explicar a ti e aos meus colegas, o que nós somos. Daí o saber médico do povo, da médica doutora Berta Nunes, daí o saber botânico da Amélia Maria Frazão, daí os saberes educativos de tantos, entre eles Ricardo Vieira, que auxilia o nosso Ministro de Ciência, como tenho feito eu, para converter esse capital social em formas de ensino entendidas por todos, por ter sido retirado ao saber da acumulação social a mais valia que configura o saber social. É este papel, não reconhecido ao Antropólogo entre os doutores, que tentamos resgatar, por ser de utilidade social ao auxiliar as denominadas ciências académicas, com palavras simples do saber popular. Uma aluna sintetizando dizia-me: a Antropologia é a ciência comparada, ou do saber comparado, dos diferentes. Logo descobrir a verdade não é gargalhar, é aproveitar as gargalhadas para saber, qual de entre todos os saberes comparados, é o verdadeiro.

 

 

Escutas ilegais, o tanas…

Diz o Juiz Rui Rangel, se o Primeiro Ministro é apanhado numa escuta telefónica legal, em que não é ele que está sob suspeita, e dessa escuta resultar índicios criminais, deve ser retirada uma certidão para efeitos de abertura de inquérito se um Juiz considerar relevantes esses índicios.

 

Se o objecto da escuta for o Primeiro Ministro, aí a escuta tem que ser autorizada por um Juiz do Supremo. É essa a letra e o espírito da Lei. Só se a escuta  tiver como objecto o PM, o PR ou o PAR, é que  é necessária a autorização (prévia) do Juiz do Supremo.

 

Não pode ser de outra maneira, pois se a PJ recolhe indicios de crime tem que os dar a conhecer a um magistrado para este avaliar do valor de tais índicios. A não ser assim, teríamos os mais altos dignatários do Estado a cometer crimes, a polícia a saber, ou melhor, o Magistério Público a saber, e o crime seguiria impune.

 

Por redução ao absurdo. Um dos três dignatários era apanhado numa escuta (a um amigo, como diz Sócrates) a preparar um golpe de Estado, com vista a terminar com a Democracia e a instaurar uma ditadura. Então o que se faria? Metia-se a cabeça debaixo da areia ? Deixava-se fazer o golpe de Estado ?

Outra coisa seria se alguem, a polícia, por  iniciativa própria, andasse a escutar aquelas personalidades porque desconfiava que estavam a preparar um golpe!

 

E dizer na AR que não conhecia o negócio PT/TVI, calar a voz incómoda e agora dizer que sabia "oficiosamente" e não "oficialmente" é uma grande treta!

 

 

Vale a pena reproduzir

Mário Crespo

A cabeça do polvo

 O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia. Até aqui o processo tem tido um avanço modelar. Não houve interferências políticas. Lopes da Mota não veio dFausto ae Bruxelas discutir com os seus pares metodologias de arquivamento e, no que foi uma excelente janela de oportunidade de afirmação de independência, não havia sequer Ministro da Justiça na altura em que o País soube da enormidade do que se estava a passar no mundo da sucata. Mas há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Bibi e Manuel Godinho, o sucateiro, no mundo da alta finança política não pode ser muito mais do que Carlos Silvino foi no mundo da pedofilia. Ambos serviram amos exigentes, impiedosos e conhecedores que tentaram, e tentam, manter a face oculta. É preciso ter em mente que as empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para ser complicadas. Com os tempos foram-se tornando cada vez mais sinuosas. Nas EPs, as tecnoestruturas, que Kenneth Galbraith identificou e descreveu como o cancro das grandes organizações, ocupam tudo e têm-se multiplicado, imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática, num universo onde não conta o bom senso ou a lógica de produtividade. Parecem ter um único fim: servirem-se a si próprias. Realmente já não são fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas é possível roubar tudo. Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte. Tudo isto já foi feito. Por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo soturno que muito poucos dominam. Por causa disso, grande parte do património nacional é já propriedade dos conglomerados político-financeiros que hoje controlam o País. Por tudo isto é inconcebível que Manuel Godinho tenha sido o cérebro do polvo que durante anos esteve infiltrado nas maiores empresas do Estado. Ele nunca teria conhecimentos técnicos para o conseguir ser. Houve quem o mandasse fazer o que fez. Godinho saberá subornar com de sacos de cimento um Guarda-republicano corrupto ou disfarçar com lixo fedorento resíduos ferrosos roubados (pags 8241 e 8244 do despacho judicial). Saberá roubar fio de cobre e carris de caminho de ferro. Mas Godinho não é mais do que um executor empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele. É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam. Nas finanças públicas, Manuel Godinho não é mais do que um Carlos Silvino da sucata. Se se deixar instalar a ideia de que ele é o centro de toda a culpa e que morto este bicho está morta esta peçonha, as faces continuarão ocultas. E a verdade também.

 

 

 

 

 

Ufff!

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ESCUTAS ANULADAS E DESTRUÍDAS

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A revolta e a indignação do nosso Primeiro, Sócrates II O Dialogador, lembrando o seu antecessor, Sócrates I O Arrogante, e o pedido de explicações a Pinto Monteiro, acabou por dar frutos, e, as escutas que tanta polémica tem gerado, vão ser anuladas e após isso, destruídas.

Mas a suspeição ficará por muito tempo a manchar a reputação do chefe do governo. Disso não se irá livrar facilmente. Não vai dar para anular e destruir.

Mais uma machadada na credibilidade deste senhor.

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Os monstros que moram ao nosso lado

 

Monstros. Esta será, porventura, a palavra mais serena que encontro para classificar Burrell Edward Mohler Sr. 77 anos, e os seus filhos David A. Mohler, 52 anos, Burrell Edward Mohler Jr. 51 anos, pai de seis filhos, Jared Leroy Mohler, 48 anos, e Roland Neil Mohler, 47 anos.

O primeiro cabrão acima identificado é pai das restantes bestas que surgem a seguir. Foram detidos há dois dias pelas autoridades da pequena cidade do estado do Misouri, nos EUA.

 

Foram todos acusados de sodomia forçada, violação criança menor de 12 anos e uso de criança para práticas sexuais, actos de bestialidade, obrigar crianças a encenar falsos casamentos e provocar a gravidez e aborto de uma menor a abortar. Muitas das vítimas eram familiares dos acusados, netas, filhas, sobrinhas.

Os crimes, diz a polícia, terão decorrido entre meados dos anos 80 até, pelo menos, 1995. O caso começou a ser investigado quando uma das vítimas contou tudo às autoridades. Seis outras vítimas, hoje já adultas, seguiram o exemplo. A polícia acredita que na propriedade desta ‘família’ haja corpos de outras vítimas que não terão escapado com vida.

Na sexta-feira, Darrell Mohler, outro elemento desta coisa pavorosa, foi detido e acusado de duas violações.

 

A pequena comunidade onde os cabrões viviam diz-se em choque. Três dos filhos da puta, Burrell Mohler Sr., David Mohler e Jared Mohler eram ministros da “Community of Christ”, uma pequena igreja local.

 

Algo me diz que esta história não vai ficar por aqui e que nos próximos dias teremos conhecimento de mais detalhes sórdidos de uma história quase inacreditável. Como, por exemplo, é que aquela gente não deu por nada?

 

 

 

 

Quem namora quem

A questão de os jornalistas poderem ou não tratar a sua colega Fernanda Câncio por "namorada do primeiro-ministro", agora ratificada pelo plenário da Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, parece-me um bocadinho provinciana e desinteressante.

O que questiono é porque não tratam os jornalistas José Sócrates por "namorado de Fernanda Câncio".  O sentido unívoco no tratamento das relações amorosas que remata amiúde no clássico "a senhora de", fazendo de uma mulher pouco mais que uma posse do seu homem, mete nojo.

No mesmo dia em que li no Público uma atabalhoada explicação dos autarcas famalicenses sobre o desaparecimento das vereadoras do PSD/CDS, que decoraram as listas para cumprir a lei mas uma vez eleitas suspenderam os mandatos, com frases deste gabarito:

 

“As senhoras foram convidadas pelo presidente da câmara, por carta, para exercerem determinado tipo de funções a tempo inteiro e para os quatro anos e foi nesta contingência que tomaram uma decisão”

ou

"Não posso obrigar as senhoras a assumir o mandato”

 

gostava de ver estes senhores a ganhar em respeito o que bem podiam perder no tratamento cerimonioso e obviamente hipócrita.

Boletim Meteorológico

Céu muito nublado vento

fraco moderado de sudoeste

soprando forte nas terras

altas aguaceiros em especial

nas regiões do Norte e Centro

e que serão de neve nos

pontos mais altos da Serra

da Estrela e no teu coração.

 

Jorge Sousa Braga, in "Porto de Abrigo"

Masturbar é pecado, e é pecado sim senhor

 

O Conselho da Juventude do governo da Extremadura decidiu promover oficinas sobre sexualidade onde entre outras coisas os jovens podem aprender alguma teoria sobre o acto masturbatório.

Vai daí a direita mais tolinha teve o seu ataque de idiotice aguda adequado às circunstâncias: desde queixas por corrupção de menores à habitual acusação de esbanjamento de dinheiros públicos (14000 Euros, uma fortuna), petições, exaltações, e outras formas menores de sublimarem a sua própria sexualidade reprimida.

Entretanto as oficinas decorrem com toda a tranquilidade  e a notícia corre mundo. Como dizia Woody Allen: "não digas mal da masturbação, é sexo com alguém que amo". Mas será que esta gente é capaz de amar alguém, a começar por si próprio?

 

Face Oculta

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ESCUTAS, APANHADOS A FALAR DO QUE NÃO DEVIAM

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.Seja qual for o lado por onde se queira olhar, não restam dúvidas seja a quem for que o nosso Primeiro, Sócrates II, O Dialogador, for escutado a falar com o seu amigo Vara, e essas conversas foram gravadas e transcritas.

Seja qual for o lado, não deverão restar dúvidas seja a quem for, que algo de menos correcto se deverá ter escutado, para que tanta tinta se tenha gasto por aí, e para que ninguém diga do que se trata.

Seja qual for o lado, não restarão dúvidas seja a quem for, que por causa disso, o na altura nosso Primeiro, Sócrates I, O Arrogante, sabia das coisas que se estavam a passar no que respeita à PT/TVI, embora, como mesmo ele afirma agora, tanto ele como o seu governo, não tenham tido qualquer conhecimento «oficial» seja do que for.

Seja ainda qual for o lado por onde se queira olhar, não restarão dúvidas seja a quem for, que o agora nosso Primeiro, está entalado, não sabe o que responder às perguntas directas que lhe fazem, e que a sua credibilidade, aos olhos da opinião pública, anda pelas ruas da amargura.

Ainda, seja qual for o lado, não restam dúvidas que os elementos do partido do governo, andam aflitos, que os partidos da oposição andam esfaimados, e que hoje são uns mas ontem foram os outros, e ninguém se safa de culpas seja em que altura for.

Por último, seja qual for o lado por onde se queira olhar, não poderá restar qualquer dúvida, seja a quem for, que o nosso País está a saque, que a corrupção grassa por todo lado, e que todos, mas todos os que nos governam, deveriam ir plantar batatas e viver do ordenado mínimo.

Uma renovação total da nossa classe política e dirigente, deveria ser feita.

Uma revolução, precisa-se!

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Cheira a bloco central

Ao apresentar as suas propostas sobre a avaliação dos professores o PSD deixou cair a suspensão da aplicação do modelo em vigor.

No mínimo estranho. A avaliação que ainda decorre além de patética varia conforme as escolas e a interpretação que os seus directores fazem das leis. Acabará na pior das hipóteses a entupir tribunais administrativos.

A não aprovação das propostas no sentido da suspensão, como ponto de partida para um novo modelo, seria um mau prenúncio, entre promessas eleitorais e realidade parlamentar. Para os lados do PSD parece que a lição está mal estudada. Ainda chumbam.

Método Científico

Fui desafiado. Desafio impossível de não responder. Foi-me dito por pessoas de respeito e de saber, que os meus (últimos) escritos não são científicos nem académicos e que, aliás, escrevia em sítios não ligados à vida universitária, como por exemplo, o Aventar. Não devem saber que Marx escrevia em papel de envolver o pão comprado ou nas margens dos jornais….

É pena, porque, uma das pessoas, que me lançou o repto de luva branca, aprendeu o abecedário da ciência comigo. Uma outra, ainda não tem provas de ciência examinadas para saber se um texto é académico, científico ou se descobre uma verdade provada, isto é, não se encontra, ainda, legitimada pela Academia. Longe de mim pensar que o dito foi com má intenção, mas parece-me um desafio digno de responder.

 

 

 

 

Tenho escrito textos sobre a psicologia da infância, a sua educação, a interacção com os seus pares e com os seus adultos, a partir de ideias apontadas no que na Ciência Social denominamos Diário de Campo, livros que servem para «prender» rapidamente ideias que ouvimos enquanto estamos em trabalho de investigação,  no sítio de pesquisa e que, seguidamente, em casa introduzimos essas ideias no nosso computador, em cadernos maiores, ou em folhas que passam nas máquinas de escrever, como nos tempos do meu "cátedro" Sir Jack Goody (e mesmo meus): não havia computadores.   As ideias e factos são normalmente retirados  do que em Antropologia, e na ciência em geral, designamos factos aprendidos no trabalho de campo. A teoria, connosco, permite-nos formular uma hipótese para a pesquisa, hipótese base de formulação do que pretendemos  encontrar a partir de uma dúvida suscitada por um facto ou uma leitura. O Diário de Campo é o instrumento fundamental e factual de um investigador, útil para apontar ideias novas que nos aparecem nas conversas, na interacção com vizinhos, que mais tarde, no decorrer do tempo, passam a ser amigos. O Diário de Campo utiliza-se para anotações rápidas, enquanto olhamos para a pessoa que nos fala: é preciso inventar uma grafia para não perder palavra nenhuma de tantas que se ouvem. Ou, uma outra forma, jogar a ser tonto, dizer que não sabemos onde estamos e solicitar à pessoa que desenhe o sítio no qual estamos parados. Este livro é para os factos descobertos, é o arquivo que um historiador usa para encontrar ideias de um passado já desvanecido, mas que ficam nos documentos que os dedicados investigadores usam para aprender essa parte da história social e os seus costumes, diálogos nunca ouvidos e analisar as palavras com a metodologia que usam os semiológicos, começada por Ferdinand de Sausure (1857-1913)

 

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continuada por Marcel Mauss e aperfeiçoada por Luc d’Heusch e Claude Lévi-Strauss, em datas por todos conhecidas. A novidade da semiologia está definida pelo próprio autor: a singular entidade psíquica de duas faces que cria uma relação entre um conceito (o significado) e uma imagem acústica (o significante) – conduz à necessidade de conceber uma ciência que estude a vida dos sinais no seio da vida social, envolvendo parte da psicologia social e, por conseguinte, da psicologia geral. Chamar-lhe-emos semiologia. Estudaria aquilo em que consistem os signos, que leis os regem.». Fonte: Cours de Linguistique Générale, 1905-1906. Os seus conceitos serviram de base para o desenvolvimento do estruturalismo no século XX. As  dicotomias linguísticas, descobertas por ele, são base para uma das metodologias científicas usadas na ciência social. Mas, não é tudo para entender o método científico.

O método científico é um CUP, conjunto de conhecimentos fundados sobre princípios certos.

A Hipótese (do gr. Hypóthesis) é uma proposição que se admite de modo provisório como princípio do qual se pode deduzir pelas regras da lógica um conjunto dado de proposições, ou um mecanismo da experiência a explicar.

Literalmente pode ser compreendida como uma suposição ou pergunta, conjectura que orienta uma investigação por antecipar características prováveis do objecto investigado e que vale quer pela confirmação através de deduções lógicas dessas características, quer pelo encontro de novos caminhos de investigação (novas hipóteses e novos experimentos).

No método científico, a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. O cientista, na sua hipótese, tem dois objectivos: explicar um fato e prever outros acontecimentos dele decorrentes (deduzir as consequências). A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais controladas. Se, após muitas dessas experiências, os resultados obtidos pelos pesquisadores não contrariarem a hipótese, então ela será aceite como uma lei e integrada a uma teoria e/ou sistema teórico. As minhas referências são as de Karl Popper(Viena, 28 de Julho de 1902Londres, 17 de Setembro de 1994). Popper cunhou o termo "Racionalismo Crítico" para descrever a sua filosofia, especialmente no livro A Sociedade Aberta e os seus Inimigos (1943), CUP base dos meus textos ingleses.O desespero dos cientistas é a descoberta do que é o método científico. Cada intelectual procura a sua metodologia e é classificado por ela. As ciências sociais confundem-se com o senso comum já que, para além da inexistência de códigos e instrumentos específicos, todos os indivíduos procuram orientar e racionalizar as suas acções dentro de uma determinada estrutura social, verificando-se assim a dificuldade de eliminar aspectos subjectivos na análise do cientista. Tarefa difícil de realizar. O caminho mais simples é o preconizado por John Stuart Mill, filósofo e economista escocês, que em 1895 no texto Utilitarianism, editado por William Colins Sons & Co, Glasgow, diz que o caminho mais simples para saber a verdade de um facto, é o da lógica ensinada por David Hume em 1739: A Treatise on Human Nature, Oxford University Press, versão portuguesa da Editora Gulbenkian, 2001. A lógica recomendada é da indução, dedução. A indução é entender os factos que pretendemos desvendar, aplicando teoria e, através de outras hipóteses, explicar a nossa pretensão; alternativamente, mas em conjunto, a hipótese da dedução: estudar os factos e retirar deles teoria ao comparar com métodos provados de pesquisa. A meu ver, indução e dedução devem ser usados em conjunto. É impossível teorizar sem factos investigados, bem como fazer da teoria, factos. Este foi o caminho que aprendi com o meu orientador de estudos, Jack Goody, que me ensinou também que os factos são retirados do t
ra
balho de campo e dos arquivos onde eles constam, uma teoria teoria histórico antropológica 

Sir John (Jack) Rankine Goody (nascido a 27 de Julho de 1919) é um Antropólogo Social Britânico British social anthropologist. Tem sido um proeminente na Universidade de Cambridge University, foi eleito membro de Número da British Academy em 1976, e associado à US National Academy of Sciences. Entre várias das sua inumeráveis publicações, destaco Death, property and the ancestors (1962), The myth of the Bagre (1972) The domestication of the savage mind (1977), todas traduzidas em vária línguas, entre elas, a luso brasileira.

Foi com estes textos e outros, assim como com as suas palavras, que aprendi o método substantivistas para a investigação da mente humana, os seus pensamentos e a origem dos grupos sociais que tenho estudado ao longo das últimas 4 décadas. Jack Goody, explicada a organização da estrutura social e a sua mudança, na base de três factos importantes da sua teoria. O primeiro, é o desenvolvimento de formas intensivas de agricultura que permitiram uma larga acumulação de mais-valia –  mais-valia que explica  aspectos de práticas sociais, desde o casamento até ao funeral, bem como a grande diferença entre as sociedades africanas e euro asiáticas. O segundo, centra-se na mudança social partindo da urbanização e crescimento das instituições  burocráticas, que modificaram e apagaram formas tradicionais de organização social, como a família tribal, identificando civilização como a "cultura das cidades”. Finalmente, o terceiro, destaca a importância das tecnologias de comunicação como instrumentos de mudança psicológica e social. Associou o começo da escritura com a necessidade de gerir a mais-valia recebida pelos mosteiros, como define no seu importante ensaio escrito e pesquisado com Ian Watt (Goody e Watt, 1963), provando o argumento de que o nascimento da ciência e da filosofia na Grécia Clássica dependeu essencialmente do surgimento de um engenhoso sistema de escrita, o alfabeto.

Os factos atrás enumerados podem-se aplicar a um qualquer sistema social contemporâneo, através do tempo ou a mudanças sistemáticas ocorridas ao longo dos tempos. O seu trabalho é relevante para qualquer disciplina, como o é, para esta minha hipótese, o trabalho de David R. Olson, ed. Technology, Literacy and the evolution of society: implications of the work of Jack Goody. E mais nada acrescento. Os meus livros falam, eles próprios, do método científico, especialmente o Capítulo VI: Trabalho de Campo e Observação Participante em Antropologia, páginas 149 a 163, do texto Metodologia das Ciências Sociais, 1986, Afrontamento, organizado por Augusto Santos Silva e José Madureira Pinto. Texto em que doze de nós coloca a questão do Método Científico, com doze respostas diferentes….

 

 

 

Estranhas aventuras… pelos caminhos da devoção

Como a religião, e neste caso particular, a devoção, influencia as pessoas actualmente ou como a sociedade (uma parte dela, pelo menos) funciona na realidade.

O que levará as pessoas a acreditarem que alguém, que foi muito boa pessoa ao ponto de ser “santo”, mas que morreu há centenas de anos, consegue, na actualidade, interceder em favor dos terrenos, seja para milagrosamente salvar o filho da morte, salvar a Segurança Social da instabilidade financeira ou fazer com que o Benfica seja campeão?

Há uns anos atrás, fiz uma viagem até ao expoente máximo da devoção, Fátima, para tentar perceber melhor e in loco o fenómeno. Se calhar, por não ser católico, admito que vim como fui. Este fenómeno social permaneceu para mim como um mistério total, até que vi por acaso uma pequena entrevista a uma devota ao Senhor dos Aflitos.

Numa entrevista para um programa qualquer na televisão, uma senhora já nos seus 60 ou 70 anos explica para o intrigado jornalista o quanto ela acredita nas acções benéficas do Senhor dos Aflitos e como é fácil demonstrar que de facto ele age se assim lhe for pedido. O exemplo: uma comadre dessa mesma senhora contou-lhe que por causa de problemas de falta de dinheiro na Segurança Social, poderiam perder as reformas. Sim, as reformas!

“O quê? Como é que eu vou viver sem a minha reforma?” – responde a senhora com uma reacção mista de resignação e incredulidade.

 

Numa tentativa de solucionar um problema que pode ser real muito brevemente, a senhora recorre ao Senhor dos Aflitos, pedindo-lhe que a situação se resolva.

O principal motivo porque a tal senhora não deveria perder a reforma era o seguinte: com a perda da reforma, se ela não tiver dinheiro disponível, como o poderá doar para as obras do Senhor dos Aflitos?!? Se ela não tiver dinheiro, como lhe poderá oferecer flores?!? Aparentemente e perante este argumentos, o Senhor dos Aflitos interferiu mesmo, agiu e milagrosamente fez com que a simpática senhora não perdesse a reforma!

Isto faz-me concluir que a devoção é uma espécie de troca comercial ao nível espiritual: “eu dou o que te prometo SE tu me deres o que te peço”. “Ah, e faço-te publicidade!” É um compromisso negocial que se cumpre. Uma raridade hoje em dia.

Sendo assim, como é que é possível não gostar do Senhor dos Aflitos ou qualquer outro “santo” que cumpra o seu contrato?

Nos estranhos caminhos da devoção, o que conta é mesmo é ter uma excelente argumentação. Mas mais importante que a argumentação é… que funciona mesmo! Finalmente percebi.

“O Senhor dos Aflitos é bom para a gente” – senhora simpática que esteve quase a perder a suas reforma, não fosse a intervenção do Santo na estabilização financeira da Segurança Social e dos estranhos desígnios da devoção. Eu assino por baixo.

Volta e meia, as coisas correm-me mal e por isso preciso de “ajuda externa”. Como tal e já que trabalho na área gráfica com muita incidência na área da publicidade, vou-me tornar devoto da Santa Tecla e da Nossa Senhora dos Anúncios. Pode ser que ajude.

 

Baixa política e nervoso miudinho

Num intervalo das aflições porque passam os seguidores do grande líder Eduardo Pitta comenta a decisão da Assembleia da República proposta por Jaime Gama em acabar com algumas das mordomias deputais.

A proposta teria sido motivada por um fim de semana no Dubai onde, segundo EP, teriam participado "deputados do PS (Leonor Coutinho, Miguel Ginestal e Rui Vieira), do PSD (Duarte Pacheco) e do Bloco de Esquerda (Miguel Portas)".

Cheirou-me a esturro, porque Miguel Portas nunca foi deputado (na AR), e fui espreitar:

Os Deputados Rui Vieira (PS), Presidente da Delegação, Rosa Maria Albernaz (PS), Miguel Relvas (PSD), Miguel Ginestal (PS), Duarte Pacheco (PSD), Leonor Coutinho (PS) e Joaquim Couto (PS) participam na  120.ª Assembleia da União Interparlamentar (reunião plenária) tem lugar em Addis Abeba, de 5 a 10 de Abril próximo

 

Miguéis há muitos. É dos nervos.

Poemas do ser e não ser

A dor vestiu-se de mulher

 

A dor vestiu-se de mulher

de terra e flores

e voou para lá das nuvens onde mora o vento.

A vida é um lugar muito longe

lá para as bandas do sonho

nas margens do silêncio

na arte do encontro – desencontro

na alegria de ser triste.

Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão

onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós

pinta Jordi um rosto de mulher

a ocre

terra-siena e carmim.

…Que os cabelos e os jardins

querem-se soltos e naturais

como as aves e as manhãs!

Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo

como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.

Bem perto daqui

há muito foi sonhada Nostalgia

mas ninguém viu a luz vermelha

fendendo as águas verdes

e a dor já se vestia de terra e flores

e a dor já fugia para lá dos montes

onde moram mulheres de vento.

 

Que bem se está cá em cima

Recebi há pouco um convite para participar num jogo online. Não me atrevi a espreitar a página web que me convidavam a visitar, mas a descrição deixou-me intrigada. A mensagem explicava o jogo da seguinte forma:

 

“LiZboa é um First Person Shooter de Survival Horror onde os jogadores assumem o papel de um sobrevivente num cenário de holocausto onde Lisboa se tornou o “ground zero” para uma pandemia Zombie.”

 

E depois espantam-se que os portuenses não queiram pôr os pés na capital.  

Em defensa del ateismo, de la discussion y del pensamiento libre

Transcreverei aqui, por partes, dado que é um texto longo, este trabalho de Jorge Luis Rojas, que me parece bastante pedagógico

 

En defensa del ateísmo, de la discusión y del pensamiento libre (Jorge Luis Rojas D’Onofrio Rebelión)

 

Sobre las razones para discutir acerca de religión, para rechazar el adoctrinamiento y para respaldar el ateísmo.

 Este artículo pretende, más que convencer a la mayoría de la gente sobre las ventajas del ateísmo, convencer a la mayoría de la gente sobre la importancia de discutir sobre la religión y sobre el ateísmo. Creemos que lo primero es consecuencia inevitable de lo segundo.

(1) En defensa de la discusión

Las diferencias religiosas han sido en el pasado motivo o excusa de numerosos conflictos, guerras, homicidios, persecuciones, invasiones y robos. Persecuciones en el Imperio Romano, Guerras Santas y Yihades en Medio Oriente, Guerras de Religión en Europa, la Santa Inquisición, Cruzadas, colonizaciones evangelizadoras en América, la Rebelión Taiping en China, son algunos ejemplos de cruentos conflictos en los que las diferencias religiosas jugaron un papel importante. Es posible pensar entonces que la discusión sobre temas de religión debe ser evitada para así evitar esos conflictos. ¿Pero realmente evitamos conflictos religiosos evitando la discusión? ¿Nuestras creencias, incluidas las religiosas, no son acaso la base a partir de la cual tomamos decisiones y realizamos acciones? Personas con diferentes creencias pueden tomar decisiones antagónicas, a partir de estas decisiones se realizan acciones y de éstas acciones pueden surgir conflictos. Entonces, ¿no es mejor resolver los conflictos discutiendo, antes de que las creencias repercutan en acciones?

 

La historia nos muestra que aplazar las discusiones hasta el momento en el que los conflictos son inevitables no hace sino potenciar los daños del conflicto. De los conflictos religiosos del pasado, ¿cuántos surgieron como consecuencia de un debate amplio de la sociedad? Probablemente ninguno. Las guerras religiosas se han basado en el fanatismo fomentado por instituciones poderosas que tratan de prohibir la discusión y el debate religioso. Los grandes cismas religiosos fueron hechos por grupos de personas con intereses políticos, sin consultar a la mayoría de la población creyente.

La discusión es un requisito indispensable para la democracia. Es imposible que se tomen decisiones de acuerdo a la voluntad de la mayoría si las personas no dan a conocer sus opiniones. El hecho de que no se discuta implica tácitamente que se acepta el estado actual de las cosas, el statu quo. La historia nos muestra cómo muchas religiones se han opuesto a la democracia, evitando o prohibiendo la discusión, la cual pone en duda muchas de las creencias religiosas.

La discusión es además una de las herramientas más poderosas para la destrucción de prejuicios y estereotipos. Muchos de los conflictos étnicos, religiosos o políticos son el resultado de la formación de prejuicios, generalizaciones y estereotipos que deshumanizan al adversario, y que son consecuencia del aislamiento entre los diversos grupos. El contacto y el intercambio de ideas que impone la discusión, corroen poco a poco este aislamiento, haciendo evidentes las incoherencias y las falacias presentes en esos prejuicios y estereotipos.

 

 

Não acredito…

Cá e lá

Publicado por PauloMorais em 12 Novembro, 2009

 

“Só em Espanha, por exemplo, o caso “Malaya” pôs na cadeia mais de cem famosos. Por cá, nem um único rico condenado por corrupção! (…)

Com leis e regulamentos claros, uma justiça eficaz e célere – a corrupção será residual.”

No

Jornal de Notícias

 

PS . Aventado ao Blasfémias

 

 

Da Islândia com amor

 

Múm – They Made Frogs Smoke Til They Exploded

 

 

As certidões a fechar o círculo

Diz o Sol que há conversas de Sócrates com Vara a pedir dinheiro para a campanha socialista das últimas eleições.

 

É para isto que servem as empresas públicas e os boys, que vão pagando as nomeações políticas com estas comissões de negócios "à sucata", desculpem, à socapa.

 

Sócrates vai dizendo que não sabe de nada, e quando sabe, é campanha negra. Esta teia fecha-se ferozmente quando é apanhada,  há cumplicidades perigosas e o poder dá poder, passe a evidência,  veja-se a embrulhada em que estão metidos o PGR e o Presidente do Tribunal Superior de Justiça, a ver qual dos dois dá o passo para o pântano em que se transformou a Justiça.

 

Levanta-se uma certidão e lá está Sócrates, em todas, e se não é ele são os amigos, ou os familiares e ele de nada sabe, escolhe as palavras "oficialmente", mente à Assembleia da República e os outros é que estão a "politizar" um assunto que é da Justiça.

 

Deixem a Justiça funcionar, a tal que o PS e o PSD ataram de pés e mãos, para não a deixarem ir a lado nenhum, só faltava a sociedade civil não ter opinião, já tivemos isso durante 40 anos sabemos "ler a partitura".

 

É possível este homem continuar como Primeiro Ministro? Felizmente as  escutas vão todas ser escarrapachadas nos jornais.

 

E não tenham pena, o PS fez isto a muita gente !

A máquina do tempo: Os dicionários, nossos amigos

 

Já aqui revelei o meu apego ao «Grande Dicionário da Língua Portuguesa», de José Pedro Machado, meu querido e saudoso amigo. Mas, numa estante na minha frente tenho algumas dezenas de outros que utilizo com frequência, monolingues e bilingues; o onomástico e o etimológico também de José Pedro Machado o de sinónimos e antónimos de Houaiss, vocabulários, gramáticas (entre elas a do Lindley Cintra e do Celso Cunha), ensaios sobre linguística, alguns «thesaurus»…  

Entre os monolingues, estão os seis volumes do «Houaiss da Língua Portuguesa». Um que não tenho e que sei fazer-me falta é o «Aurélio» (»Novo Dicionário da Língua Portuguesa», de Aurélio Buarque de Holanda(1910-1989); com uma primeira edição de 1975 e uma segunda, revista, corrigida e aumentada, de 1986). São amigos que permanentemente me aconselham e esclarecem. E, mesmo com tão boa companhia e assessoria tão qualificada, de vez em quando descubro (ou outros descobrem) erros no que escrevo.

Costuma dizer-se que os dicionários se inspiram uns nos outros o que, em parte, será verdade. Sem o «Vocabulário» do Padre Rafael Bluteau, talvez o «De Moraes», não existisse, sem o «De Moraes», dificilmente José Pedro Machado teria construído o seu e, sem o «Machado», Antônio Houaiss talvez também não tivesse concluído o seu trabalho tão depressa. Isto, para simplificar, pois a realidade é bastante mais complexa.

 

Entre o «De Moraes» e o Houaiss, para falar num com duzentos anos e noutro publicado há cerca de dez, vamos encontrar entradas iguais ou quase iguais. Digamos que um dicionário depois de acabado constitui um ponto de partida para outro. Mas não é dessas semelhanças que quero falar.

Também não vos vou falar da proto-história da ciência dicionarística, que remonta à Mesopotâmia. Apenas vou traçar, e de modo muito abreviado, a genealogia dos dicionários monolingues da língua portuguesa. O primeiro problema que se levantou, quando alguém pensou em organizar um dicionário da língua, foi questionar a sua utilidade: para que serve um dicionário monolingue se as pessoas, de um modo geral, conhecem todos os vocábulos do seu idioma? Para que precisa um português de um dicionário onde se explica o significado de palavras que ele usa todos os dias? Por isso, o  conceito inicial de dicionário apenas abrangia os bilingues. O primeiro que se fez no nosso País, foi o de Português – Latim, com o título «Dictionarium ex Lusitanico in Latinum Sermonem», foi publicado em 1569 e foi seu autor Jerónimo Cardoso (c,1510-1569); tinha cerca de 13 mil entradas.

*

O «Vocabulário Português e Latino», do padre Raphael Bluteau, editado entre 1712 e 1728, é geralmente considerado como o «pai» de todos os dicionários gerais – seguiu-se o «Dicionário da Língua Portuguesa», de António de Moraes Silva, o velho «De Moraes», publicado em Lisboa no revolucionário ano de 1789. Em 1813, ainda sob a supervisão do autor, publicou-se uma segunda edição.

Ainda hoje, o «De Moraes» é considerado como uma referência e como um ponto de partida para tudo o que se faça nesta área da linguística. Uma pequena curiosidade de almanaque – interessante como, de um modo ou de outro, alguns dos nossos melhores dicionários se relacionam com o Brasil – António de Moraes Silva (1755-1824) nasceu no Brasil (então colónia portuguesa), Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989) e Antônio Houaiss (1915-1999) eram distintos filólogos brasileiros. José Pedro Machado(1914-2005), bem este não era brasileiro, mas casou com a Professora (e também filóloga) brasileira Elza Paxeco (1912-1989).

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Há um livro da Professora Isabel Casanova, «A Língua no Fio da Navalha», com prefácio do Professor Malaca Casteleiro e editado pela Universidade Católica, onde Isabel Casanova lecciona, que aborda toda esta temática, com uma profundidade que não alcancei aqui, por limitações de espaço e, sobretudo, por limitações de saber – desde a história dos dicionários a questões relacionadas com a utilização do idioma, nomeadamente o papel da Língua como forma de identidade nacional, os neologismos e a ortografia. Para quem se interessa por esta problemática é um livro a não perder.

Os dicionários são nossos amigos, ajudam-nos a respeitar o nosso idioma. Um aviso, sobretudo aos estudantes: não confiem nos correctores dos programas informáticos – estão cheios de erros. Um dia que esteja com paciência, organizarei uma lista com os erros mais gritantes destes supostos auxiliares. Com amigos destes quem precisa de inimigos?

Amigos verdadeiros e insubstituíveis, são os bons dicionários. Fiéis como bondosos cães, repousam nas estantes e acorrem solícitos a tirar-nos dúvidas. Os dicionários, nossos amigos, nunca nos negam a sua ajuda.

A nova filosofia do futebol do Sporting

 

De manhã não estou para ninguem

Acordo às dez, com a voz do mulherio na cozinha, conversa abafada, de onde sobressai a voz estridente da D. Maria, a porteira do prédio, sobressaltada pela chegada da Zèzinha.

 

Chegam-me emoções que não sei colocar no tempo, serão certamente as vozes das minhas irmãs no fundo das escadas na nossa casa. Ali me mantenho por algum tempo, enquanto me habituo à claridade que  entra generosa pela ampla janela.

 

A caneca do café com leite fumega na mesinha e enquanto tomo o único alimento da manhã, vou-me fazendo à vida. Aventar, ler e-mails e blogues preferidos e são 11 horas. Hora da ginástica matinal.

 

Enquanto sigo as notícias na SIC-N, vou pedalando como um louco na bicicleta fixa que tenho no escritório, a suar ao fim de 40 minutos vou direitinho para o melhor do dia. O banho, depois do exercício físico, é um prazer sempre renovado.

 

Mais Aventar, leituras e escrever o poste diário, chega a hora do almoço que a D. Emília, a senhora que trabalha cá em casa há 30 anos, apresenta fumegante na sala de jantar. Primeiro pecado, almoçar, enquanto torno a ouvir as notícias, agora nos canais generalistas.

 

Passo pelas brasas, reflectindo nas dificuldades do dia, e por volta das 15 horas saio de casa, para o Tejo, para a Baixa ou para a Guerra Junqueiro. Hora de leitura dos jornais, espraiar o olhar nas coisas bonitas da vida, passear, eventualmente ir ao cinema…

 

Se estou em dia de trabalho, recebo pedidos de ajuda do meu sócio, Vensã, com quem tenho uma empresa de prestação de serviços de contabilidade e finanças, jovem de 38 anos, 1,90 metros de altura e uns 100 Kilos, negro da Guiné: "Dôtor, estás pronto para reunião com cliente?", como se não fosse a primeira vez que me fala no assunto; ou então o meu filho "pá, podes vir ajudar que chegou uma carta das finanças?", e aí vou eu suar as estopinhas a bem desta juventude.

 

A noite prolonga-se até às três da manhã, televisão e livros, Aventar e ficar quietinho a ouvir a noite, a rua e os prédios sem luz, sem carros, a cidade a dormir para outro dia de trabalho.

 

Mato-me a rir com os meus amigos que dizem que não sabem estar sem fazer nada, deprimidos, o dia é longo, e eu a explicar-lhes que o pessoal das aldeias senta-se à porta, a  fazer nada, que é um exercício que explica a serenidade e o prazer de viver.

 

Andam cheios de comprimidos e de doenças mas sempre muito atarefados, e eu a perceber muito bem aquele ditado que diz " trabalhar dá saúde"!

 

Sem dúvida, está aqui, neste vosso amigo, a prova viva!