TAPar os olhos, TAPar os ouvidos, abrir a boca

Com tanta crítica do PS ao PS, qualquer dia descobrimos que, afinal, o PS não teve culpa nenhuma nisto da TAP.

E é isto!

Hoje no JN,  João Gonçalves, num artigo  sobre a TAP (entre outros assuntos)  cita  Vasco Pulido Valente (em 2001).

“O PS no Estado é isto: uma trupe aventureira e esfomeada, que a seu belo prazer dispõe do património colectivo. No fundo, não se acha representante do povo, mas pura e simplesmente dona do País”.

E assim estamos.

 

 

Exploração infantil do bem

À falta de mão-de-obra nos EUA, os decisores políticos responderam com a flexibilização do trabalho infantil.

Migrantes que vêm para trabalhar?
Deusmelivreeguarde!
Construam um muro e deixem esses violadores do lado de lá, plamôrdeDeus!

Facilitar a contratação de crianças menores de 16 anos com salários miseráveis?
É o mercado livre, estúpido! [Read more…]

Isto foi a TVI a usar a polémica em torno de Maria Botelho Moniz para vender produtos de emagrecimento, não foi?

Eis a transição perfeita: Manuel Luís Goucha leva Maria Botelho Moniz ao seu programa, onde o prato principal foi, sem surpresas, o polémico e cavernícola artigo de Alexandre Pais, e mal termina a entrevista, a emissão muda imediatamente para um momento televendas onde o produto em destaque é o Emagreslim.

Não conhece?

Foi assim que MLG o introduziu:

A Primavera já aí está, o Verão também não tarda, já há pessoas na praia, portanto querem estar em forma. Mas, mais importante ainda, a sua auto-estima! Muitas vezes tem uns quilos a mais e não ser sente bem. Já sabe que a Viva Melhor tem a resposta eficaz: Emagreslim.

E daí se o timing for bom para vender uns produtos de emagrecimento?
Qual é o mal?

(badum tss)

 

Trump, Bolsonaro e José Miguel Júdice entram num bar…

No seu espaço de comentário político da passada semana na SIC, José Miguel Júdice fez, com alguma subtileza, um exercício de normalização da extrema-direita, ao colocar, no mesmo patamar, os protestos em França contra o aumento da idade da reforma e os ataques ao Capitólio e à Esplanada dos Ministérios.

O objectivo do comentador, parece-me, não é tanto condenar os protestos em França. É, isso, sim, minimizar duas tentativas de golpe de Estado, nos EUA e no Brasil, despromovendo-os à categoria de protesto inorgânico.

Não perderei muito tempo com a absurda comparação, até porque a considero normal, vinda de um salazarista que integrou uma organização terrorista de extrema-direita. [Read more…]

Notícias Viriato: uma estória de seis mil euros – parte II

António Abreu, fundador do Notícias Viriato. Imagem retirada do YouTube.

Há cerca de dois meses, o Aventar, pela minha mão, publicou um artigo onde questionava o que tinha acontecido ao “jornal” on-line Notícias Viriato (NV) e onde paravam os mais de seis mil euros angariados pelo seu fundador e único trabalhador, António Abreu, para a suposta realização de um documentário sobre as alegadas vítimas das vacinas administradas durante a pandemia de COVID-19.

Ora, na altura, expusemos aqui o enunciado: que tinham sido angariados mais de seis mil euros para a realização de um suposto documentário e que, pouco tempo depois disso, o Notícias Viriato e o seu fundador António Abreu teriam “desaparecido em combate”. Como tal, enviámos algumas perguntas directamente para o e-mail do Notícias Viriato e para o e-mail de António Abreu. Perguntas essas que, durante uns tempos, ficaram sem resposta. Mas o Aventar insistiu, voltou a enviar as perguntas e, há umas semanas, o Notícias Viriato (que é o mesmo que dizer António Abreu) respondeu-nos às pergunta solicitadas, respostas essas que aqui passamos a reproduzir. Primeiro, relembramos as perguntas enviadas:

1 – O NV surgiu com bastante adesão por parte de alguma direita radical e cavalgou a onda da pandemia. Por que razão não publicam nada desde Fevereiro de 2022? 

2 – O NV perdeu relevância depois de contido o vírus e ficou sem material? 

3 – Em Outubro de 2021, o NV organizou uma angariação de fundos. Segundo o que foi publicado nas suas redes sociais, conseguiu uma quantia no valor de €6.476, com o objectivo de produzir uma reportagem intitulada “Vítimas do Medo”. Quando sairá essa reportagem, uma vez que não foi publicada, nem no site do NV nem nas suas redes sociais? 

4 – Por que razão a última publicação acerca do tema “Vítimas do Medo” foi, precisamente, a informação sobre os €6.476 angariados? 

5 – Está o NV disponível para apontar uma data para o lançamento do documentário “Vítimas do Medo”, para o qual angariou €6.476? 

A tudo isto, o NV respondeu-nos que: [Read more…]

A descomunal tareia de Meloni em Macron

Não obstante a dissidência intelectual e política com a Primeira-Ministra de Itália, não desprezo nunca uma lição de história, venha ela de Adriano Moreira ou de Fernando Ruas, avatares que cito como mera explicação à distância que os separa, sobretudo politicamente.

Vem isto a propósito da tareia, um autêntico massacre ao esquecimento das vicissitudes da história, que a Senhora Giorgia Meloni desferiu sobre o presidente francês, Emmanuel Macron.

Pelos vistos, o nada arrogante, pouco ostentoso, quase inexistente tribuno e chauvinista graduado classificou os italianos como “irresponsáveis”, “cínicos” e “repugnantes”.

Perante as insistências dos meios de comunicação, a Senhora Meloni não se fez rogada, juntou uns milhares para ouvi-la, puxou a culatra atrás e disparou de rajada: “Os irresponsáveis, Emmanuel Macron, são aqueles que bombardearam a Líbia porque não queriam que a Itália obtivesse concessões energéticas importantes junto de Kadhafi, e nos deixaram perante o caos das migrações ilegais que ainda estamos a enfrentar”. [Read more…]

O calvário de Jesus Trump

Al Capone foi apanhado por evasão fiscal, um crime menor comparado com os restantes.

Donald Trump está prestes a ser apanhado por falsificação de registos comerciais, relacionados com um suborno a uma actriz porno, Stormy Daniels, por serviços sexuais.

E a parte mais engraçada, no meio desta salgalhada, é que este indivíduo, que já deu mostras de ser uma heresia – no sentido cristão do termo – com pernas, é uma espécie de Messias para uma importante fatia dos cristãos americanos e europeus, como é o caso de André Ventura e seus discípulos.

Ou seja, o novo Jesus dos neofascistas é um tipo enterrou a ex-mulher num campo de golfe, que visitava a ilha do Epstein com frequência e usou dinheiro da campanha para fazer a girlfriend experience com uma estrela da indústria pornográfica, com a qual traiu a antiga primeira dama, Melania Trump.

Haverá homem mais cristão que este?

Oremos.

Má educação

Os profissionais de Arqueologia da Administração do Património Cultural enviaram um documento, em 7 de Março, subscrito por 70% daqueles profissionais, para o Ministro da Cultura (solicitando também uma audiência), para o Governo (1º. Ministro) para a Presidência da República e para a Assembleia da República.

O documento em causa prende-se com o que já abordei aqui e aqui, e as consequências danosas para o nosso Património Cultural.

O que aconteceu então? Os órgãos de soberania ( Assembleia da República e  Presidência da República) e o Gabinete do 1º. Ministro acusaram a recepção do documento nos dias seguintes ao envio. Aliás o Presidente da Assembleia enviou o texto para a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Passaram 3 semanas. E dada a ausência de resposta do Ministro da Cultura (nem sequer a acusar a recepção ) o documento foi enviado apenas  para o Jornal Público, dia 23, devido ao facto de aquele jornal ter abordado o assunto nas edições de 12 e 18 de Março (curiosamente sem ouvir os profissionais, apenas ouviu pessoas externas à administração do Património Cultural e chefias……).

Passou mais de uma semana. Nada de resposta, nem o Público acusou a recepção, nem “pegou” no assunto, quando os profissionais se disponibilizaram para serem ouvidos! Muito estranho…..

Assim, em 2 de Abril, texto foi enviado para uma série de jornais. O DN fez uma notícia sobre o assunto, nesse mesmo dia. Assertiva e tocando nos pontos essenciais.

O que aconteceu no dia 3 de Abril durante a manhã? 

O Ministro da Cultura acusou a recepção do mail e documento, tendo reencaminhado o assunto para a Secretária de Estado da Cultura!

Entretanto foram saindo várias notícias sobre o assunto, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

 

 

O que é o “homem não-branco”?

um homem não-branco

Ou seja, existem os brancos e existem os outros, os não-brancos.

E quem são os outros?

Um morenaço algarvio conta como homem branco ou não-branco?

O Bounou, guarda-redes da selecção de Marrocos, conta como não-branco por ser marroquino ou o facto de ser mais clarinho que muitos europeus já faz dele homem branco?

O que é um homem não-branco?

Um saco onde se mete tudo o que não tenha o pantone caucasiano pré-aprovado pela nova Inquisição, para posterior exploração pelos profissionais da raça, que fazem disto e de outros temas similares o seu modelo de negócio?

Não sei o que seja. Mas parece-me que oprime mais do que liberta. E que a terminologia foi gizada por homens brancos.

Enfim…

Atropelar o neoliberalismo com um rolo compressor

foi o que fez Ricardo Paes Mamede. No Público.

Maria Botelho Moniz!

Uma grande resposta👏👏👏

Ponte Almeida Garrett

O autor aborreceu-se muito com as alusões políticas pessoais que inimigos e maus amigos se empenharam em achar no primeiro volume deste romance.
Almeida Garrett

***

A ponte Almeida Garrett será a nova ponte sobre o rio Douro e ligará o portuense Campo Alegre à gaiense Arrábida e, obviamente, a gaiense Arrábida ao portuense Campo Alegre. Irá  servir a linha Rubi do metro de superfície, que terá oito estações: Casa da Música, Campo Alegre, Arrábida, Candal, Rotunda, Devesas, Soares dos Reis e Santo Ovídio.

Apesar do meu empenho, a ponte Almeida Garrett ainda não tem nome. Curiosamente, entregaram a uma comissão de selecção a tarefa de dar nome à dita cuja. A comissão é composta por Amândio Barros, Hélder Pacheco, Germano Silva, Humberto Varum e Rui Veloso.

Ontem, Pacheco propôs e eu sugeri: ponte Almeida Garrett. Garrett é o maior escritor nascido no Porto e criado em Gaia. Como o próprio escreveu:

Ora eu nasci no Porto e criei-me em Gaia.

 

Hoje, durante o pequeno almoço, algures em Lavadores, enquanto folheava o Jornal de Notícias de ontem, dei por mim a rir-me às gargalhadas, ao ler [Read more…]

Medina Zero

O estranho caso do IVA zero tem tudo para dar em nada.

Em Espanha correu mal. Teve, tal como a própria taxa de IVA, impacto zero na vida do cidadão comum.

Aqui tudo parecia encaminhado para não se cometer o mesmo erro. Fernando Medina, não há muito tempo, achava que o caminho não era por aí:

Já me pronunciei mais do que uma vez, nós não a consideramos como uma medida prioritária elas consequências que já foram visíveis nos países que a aplicaram.

Isto foi há três semanas.

Três semanas. [Read more…]

Brace yourselves: a gasolina e o gasóleo vão subir

O preço do barril de Brent vai subir. Agradeçamos aos nossos amigos das monarquias totalitárias do Golfo, ao nosso ex-amigo Putin e às restantes autocracias que compõem a OPEP+, que decidiram cortar a produção. Tudo gente boa, excepto a Venezuela. E o Putin, claro.

Por falar em Putin, esta malta da OPEP+ não deve fazer parte da comunidade internacional que está em peso contra a Federação Russa. Se fizesse, não lhe faria um frete destes.

IA – Ideologia Artificial

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, diz não ter comparecido na manifestação de hoje porque esta era “de cariz ideológico”. No entanto, diz estar “de coração com aqueles que se manifestam nas ruas”. De coração… ou de fígado… ou de rins.

Dito isto, ainda bem que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa não marcou presença na manifestação marcada pelos donos de Alojamentos Locais há uns dias, onde também estiveram a Iniciativa Liberal e o Chega… ainda apanhava alguma doença ideológica ou assim, do género ficar meio neo-liberal. Toda a gente sabe que neste momento não é aconselhável ter uma mão invisível dentro de si.

Fotografia retirada de: https://www.lisboa.pt

AL – Atarantado de Lisboa

Fotografia retirada de: https://www.lisboa.pt

Depois do líder do Iniciativa Liberal, Rui Rocha, e do proto-fascista André Ventura, do Chega, Carlos Moedas também esteve presente na manifestação organizada pelos donos de Alojamentos Locais.

Para a semana, a não perder: Carlos Moedas marcará presença numa manifestação organizada pelos donos das grandes empresas de distribuição. Daqui a duas semanas, estará numa manifestação organizada pelos CEOs das tecnológicas e, daqui a três semanas, numa manifestação organizada pelos donos das gasolineiras. Tudo pelo direito destes a saquear (ainda mais) os plebeus.

Agora, resta saber se Carlos Moedas marcará presença na manifestação marcada pelo direito à habitação: dia 1 de Abril, às 15h, em Lisboa (na Alameda) e no Porto (na Batalha) – onde certamente estará o rei-sol da Foz, Rui Moreira.

Se o ridículo matasse… a direita já não existia.

Longa vida ao Aventar

O Aventar faz 14 anos.

14 anos a expor ao vento. A arejar. A segurar pelas ventas. A farejar, a pressentir e a suspeitar. A chegar.

14 anos a agitar a blogosfera e outras esferas mais.

14 anos de uma casa feita de pessoas diferentes, que pensam diferente, unidas em torno da santíssima liberdade de expressão.

Uma casa de muitas ideologias, onde a unanimidade fica à porta.

Uma casa onde regresso todos os dias, e onde espero regressar muitos mais.

Uma casa onde encontrei amigos, família, professores e inspiração.

Longa vida ao Aventar!

Mais um exemplo do processo de degradação do edificado

“Let them play jazz,” the second man said.
William Faulkner

***

No sítio do costume e embrulhado numa redacção para encher chouriços, eis este magnífico exemplo do processo de degradação do edificado.

Já agora, acrescente-se o lado B.

Em Diário da República, há registo electrónico [Read more…]

João na Terra do Jaze

 

João na Terra do Jaze é o título de um livro de José Duarte, dado à estampa em 1981. Cito parte do prefácio (escrito por José Mário Branco, também já falecido):

Não moro na terra do jaze, esse país que tu nos contas, onde as coisas ouvidas não se complicam, são o que som. Aliás, também tu não moras nesse reino poderoso e antigo. Viémos à luz dentro dele, isso eu juro que viémos porque, no princípio , cada homem foi João.

Um, dois, três, quatro……isto não acaba, Zé, vós todos de algum modo resistentes, em nome de todos os Joões que a vida-cabra nos foi levando.

Recado de amor é coisa sempre complicada e meio parva na aparência. Uma respiração contigo, uma reivindicação contigo e com eles – a música é possível, sous le pavé l´herbe pousse não é só ecologia.

O preço destas coisas é sempre elevado como numa corrida de fundo. Aqui estamos, neste momento do percurso, meio contentes meio alegres, cada um vindo não se sabe de onde, indo não se sabe para onde, nós dois de calções e sapatilhas, a corrermos lado a lado.

Topas? Mais uma vez…..que linda figura a nossa!

LX. 2901,81

José Mário Branco.”

Escolhi esta foto do livro por causa de alguns Aventadores……..

Um, dois, um, dois, três, quatro, Cinco Minutos de Jazz

José Duarte (1938–2023)

Os Megadeth merecem muito melhor

We use the concepts of first strike, retaliation, megadeaths, and so forth, which we apply in just the spirit of those discussing strategy for a board game, while averting our minds from what it is that we are actually talking about.
— Michael Dummett (1986)

***

No relato, César Mourão menciona duas vezes os Megadeth: “Megadeth, Metallica e Nirvana” e “Nirvana, Megadeth, Metallica e Iron Maiden”. Mas o título selecciona: “Nirvana, Metallica e Iron Maiden”. E os Megadeth? Onde estão os Megadeth? Nenhures. Porquê? Integre-se esta lista na instrução a ministrar ao autor do lapso.

***

Mais uma machadada em Abril!

Numa entrevista ao JN em 7 de Fevereiro, o Sr. Ministro da Cultura (Ministro sem Ministério, diga-se), aborda as questões do Património Cultural. Cito :

“O património é exatamente aquilo que não é efémero e que garante a nossa identidade. Nós todos vamos passar, mas há uma permanência e uma continuidade, um conjunto de elementos, que são a nossa memória coletiva e que existem além do período em que nós vivemos. Portanto, preservar o património é garantir a memória. E a memória não é apenas um olhar nostálgico sobre aquilo que fomos, é uma forma de nos projetarmos, de olharmos para o futuro. E é por isso que nós precisamos, por um lado, da preservação do património – e isso, aliás, eu tenho dito várias vezes, e a prioridade política em 2023 no Ministério da Cultura é olhar de forma diferente com o investimento político, desde logo, e numa atenção particular àquilo que é o nosso património, os museus, os monumentos nacionais… Mas o património não é apenas um olhar de memória, é a forma como nós dinamicamente olhamos para a sociedade que somos hoje e procuramos projetar o futuro.”

Estas declarações merecem-me um grande LOL!

Para o Sr. Ministro, “olhar de forma diferente” é o que ele está a fazer, que é desmantelar a administração pública da área do Património Cultural, uma conquista do 25 de Abril!

O que é que interessa, por exemplo,  uma Igreja em Freixo-de-Espada-à-Cinta, propriedade do Estado, Monumento Nacional (Grão Vasco, esse mesmo, João de Castilho, o do Mosteiro dos Jerónimos) ?

O que é que interessam outros Monumentos, Igrejas, Castelos, Sítios Arqueológicos do país? Se ainda estivessem no Bairro Alto…….

Desculpem, fascistas, mas não vai colar

É possível que aquilo a que hoje assistimos tenha sido premeditado. Não tenho dados para o afirmar, mas é um facto que sunitas e xiitas têm um historial de hostilidade que fala por si. Mas mesmo que estejamos perante um acto terrorista, é curioso que o mesmo não tenha como alvo as instituições da democracia secular, que representam os “infiéis”, mas uma comunidade religiosa que reza ao mesmo Alá que o monstro que hoje assassinou duas mulheres com a brutalidade de um selvagem.

Claro que, para aqueles que fazem do ódio aos migrantes o seu ganha pão, a tragédia caiu-lhes que nem ginjas. Para esses, tenho duas palavras: Alcindo Monteiro. [Read more…]

Ser ou não ser (um populista)?

Terrorismo em Lisboa?

Hoje, Lisboa, testemunhou um crime horrendo. Felizmente, as forças policiais actuaram com profissionalismo e rapidez evitando números ainda piores. O acto deste radical terá como consequência imediata que demagogos, xenófobos e outros tresloucados entrem no velho espiral primário de fobia ao outro. Seja o outro branco, negro, católico, judeu ou muçulmano. E os “Chegas” da vida vão aproveitar a coisa até ao tutano. E vão ter acolhimento em muitas casas espalhadas por Portugal continental e ilhas. Como acontece com os primos desta malta noutros países. E porquê?


Por causa de uma política que, em Portugal, começou nos anos 90 e agrava-se a cada ano que passa: a cultura do fácil na Educação. O facilitismo. O não se pode ser exigente com as criancinhas e os jovens. Se na geração dos meus pais o exagero de exigência era tal que até sabiam, na ponta da língua, todas as linhas de comboio passámos para o mínimo dos mínimos para não traumatizar os meninos e, de repente, nem os “Cinco” escapam à ditadura da ignorância. Sim, fomos do oitenta ao oito em pouco mais de três décadas. Uma maravilha para a execução das lavagens cerebrais de extremistas. A ignorância é a mãe de todos os aproveitamentos extremistas. Sejam eles de direita ou de esquerda. E não se vai conseguir discutir, como adultos, a questão essencial. A extrema esquerda vai gritar “racistas”, a extrema direita vai gritar “fechem a porta” e o bom senso vai ficar fora da sala…

Uma pequena lufada de ar fresco no jornal A Bola

Some argue that explicit instruction methods encourage children to view mathematics as a set of facts and procedures rather than a reasoning process.
— Fisher et al. (2012)

***

Efectivamente, o excelente comunicado de Éder, o herói de Paris, é uma lufada de ar fresco n’A Bola.

Com carácter e adoptada, sim, mas também Outubro e objectivo.

 

A Bola, francamente, o herói Éder grafou Outubro e objectivo (alguém d’A Bola deu-se ao trabalho de traduzir — e mal , obviamente —  *outubro e *objetivo).

 

Exactamente.

Valha-nos o Éder.

No entanto, com o Diário da República… [Read more…]

Cavaco & Moedas

Para o desmentir Carlos Moedas, na ode que dedicou ao “humanismo” de Cavaco Silva e onde lhe elogia a “dignidade, credibilidade e respeito democrático”, basta uma nome, um banco e uma infraestrutura: Sousa Lara – que entretanto já foi porta-voz do Chega – o BES – que faliu um par de dias depois de Cavaco garantir a sua robustez e a carga policial da ponte 25 de Abril. É este, a par das negociatas obscuras, o legado do cavaquismo: ignorância, submissão ao sistema financeiro e muita porrada.

David não é Ron Jeremy

Nem só de wokes alienados se faz a imbecil cultura do cancelamento. Nos EUA – where else? – um puritano evangélico entendeu que apresentar uma imagem do David de Michelangelo nas aulas dedicadas ao Renascentismo era expor o seu filho a pornografia.

Sim, pornografia. Para este indivíduo, a pila de pedra do David equivale a uma suruba suada com esperma por todo o lado.

Ou vocês acham que os fundamentalistas religiosos são melhores que os fundamentalistas que querem “higienizar” a semântica?

É tudo malta muito virtuosa.
E estúpida.

Quem se lixou foi a directora da escola – privada – que acabou no olho da rua.

A guerra cultural em curso tem tanto de patética como de perigosa. E ambos os lados da contenda são igualmente dementes.

E inimigos da democracia.

Fundamentalismo religioso do bem

Israel está a ficar tão Gilead que as handmaids já andam na rua. Mas não se preocupem que é fundamentalismo religioso do bem. E a separação de poderes está overrated.