Zona de Conforto Europeia

O ministro Relvas, acossado pela significativa desobediência civil à ordem carnavalesca do governo, apressa-se a proclamar que, em 2013, também não haverá tolerância de ponto no Carnaval – eu até não sou dado a festas carnavalescas, fora o Brasil, mas entendo que outros gostem do que eu recuso. Do actual governo, por exemplo.

Miguel Relvas, loquaz viciado, é o governante mais prolixo em declarações públicas. Debita proclamações umas atrás das outras, a propósito ou a despropósito, mesmo que a segunda nada tenha a ver com a primeira e assim sucessivamente.

Como a última palavra tem sempre de ser sua, também ao jeito de ‘Dupond e Dupont’, há tempos reforçou o conselho de que os jovens portugueses deixassem a sua ‘zona de conforto’ e emigrassem – conselho lançado para a opinião pública pelo obscuro secretário de estado Mestre.

Gente desta, como políticos da governação, é incapaz de ter a mínima percepção das tristes figuras que fazem perante os cidadãos que julgam governar. Na estreiteza de pensamento e capacidades que os atinge, revelam absoluta inépcia na compreensão do real fenómeno de emigração e da vida dos emigrantes. Dos mais 15 milhões de portugueses que estão no mundo, cerca de 1/3 residem e trabalham fora do País.

Dispersámos pelo mundo uma massa humana, heterogénea e que  usufrui de níveis socioprofissionais e económicos assimétricos. A ‘zona de conforto’ de uns diverge, e de que maneira!, das ‘zonas de conforto’ de outros, carregados de árduos trabalhos e de dificuldades financeiras.

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Zeca

Pérolas

Aqui com Fausto.

Orquídeas XII: Phalaenopsis

Parecidas com mariposas.

É este o significado do nome desta Orquídea que nos chega da Ásia.

Orquídea, Phalaenopsis

Phalaenopsis (Manuel Lourenço, V. N. Gaia, Portugal)

É uma planta com uma enorme diversidade, quer de tamanho, quer de cores.

Dúvidas nos concursos de professores

O debate corre na rede e os pontos de vista teimam em ser vistas a partir de um ponto.

Especialmente junto dos docentes contratados, uma discussão à volta dos concursos mexe sempre com muitas emoções, algumas das quais um pouquinho excessivas. No entanto, importa dizer que a proposta do MEC não mexe assim tanto no modelo que nos chega da Maria de Lurdes.

Não mexe no que seria preciso alterar, mas clarifica algumas questões importantes: a avaliação de bom ou muito bom acrescenta um ponto à graduação e nada mais que isso; a gestão dos docentes sem componente lectiva é o ponto mais positivo. Retira esse poder aos directores.

No entanto levanta algumas questões muito delicadas:

a) coloca na mesma prioridade docentes do privado e do público. Isto é, um Professor que esteve no privado, com alunos “mais simpáticos”, protegido dos quilómetros e longe da Maria de Lurdes é agora colocado em igualdade de circunstância com um docente que percorreu o país de ponta a ponta, que trabalhou nos bairros mais delicados, etc,etc…

b) coloca os docentes dos quadros das ilhas em igualdade com os docentes dos quadros do continente. Para os de lá é uma vantagem, para os de cá, nem por isso.

A chatice destas coisas é que escolher uma posição ou outra vai implicar deixar no desemprego o professor A ou o professor B, ou se calhar os dois.

Hoje dá na net: Sempre Abril (Gala de homenagem a Zeca Afonso)

Gala de homenagem a Zeca Afonso, co-produzida pola TVG (Televisão da Galiza) e a RTP.

Silvia Alberto co-apresenta, com o galego Carlos Blanco, o espectáculo que assinala a Revolução dos Cravos e presta homenagem a Zeca Afonso. “Sempre Abril”, assim se designa a gala realizada no Paço da Cultura de Pontevedra, conta com as participações de Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, João Afonso, Zeca Medeiros, Tito Paris, Luís Pastor, Trexadura, Victor Coyote, Xico de Carino e o grupo Faltriqueira.

Veja depois do corte a ligação para os outros vídeos sobre José Afonso: [Read more…]

Militantes com esquizofrenia deveriam pagar chamadas ao dobro do preço

Portugal vive há muito tempo um processo estranho de Esquizofrenia militante.

Algo muito comum ao nível dos clubes, mas também permanente nos partidos. Para os militantes que sofrem desta patologia, o que o seu partido faz no poder, está sempre certo. Já os da oposição estão sempre contra.

O mesmo é válido para os partidos que se limitam a dizer que não: o que defendem está sempre certo. O que os outros dizem está sempre errado.

Quando mudam de canto, trocam também de opinião e o que hoje era defensável, amanhã passa a ser uma parvoíce.

Calculo que isto além de ser completamente estúpido, traga despesas acrescidas em comunicações entre os militantes-trocadores-de-opinões.

Assim, seguindo o exemplo dos gagos no Brasil, sugiro que em Portugal seja taxada a dobrar qualquer conversa de alguém com esquizofrenia militante: com o preço agravado, pode ser que as conversas sejam em menor número e a troca de opiniões não aconteça com tanta rapidez. Ou então, alarga-se a limitação de mandatos e cada um dos trocadores de opiniões fica limitado a uma troca a cada quatro anos. Talvez duas se tiver ADSE ou algum talão de desconto.

 

Gaia com Carnaval e com neve

Passos disse e Menezes nem pensou duas vezes – foi para a neve  e deixou a casa entregue ao seu Vice. Choveram as explicações! Com mais ou menos fartura todos perceberam que em Gaia houve um feriado do tamanho da lista de potenciais candidatos ao lugar do Presidente que não vai continuar. Ainda se tentaram construir pontes entre as duas cidades, para ver se poderíamos estar na presença de BUDA+PESTE…

Estamos então num outro ponto – Menezes quer saltar para o Porto, um salto do tamanho da ponte.

Um pincho que Rui Rio não vai dar no sentido inverso.

E por cá?Como é que fica?

Marco António estava na linha da frente, mas preferiu dar um saltinho maior e ir para o governo. O Filipinho, entenda-se, o filho do Sr. Presidente, era o senhor que se seguia – ele, que candidato a deputado visitou escolas públicas em dia exame nacional, distribuindo canetas aos pequenos e promessas aos docentes.

Era… Era, mas não é porque não daria muito jeito uma disputa entre pai e filho pelas margens do Douro.

Sobra uma terceira escolha – será que irá para a neve no próximo Carnaval?

Seria natural num processo de transmissão de poderes tão pouco acertada.

As «regalias» dos trabalhadores das empresas de transportes e o Secretário de Estado: O Patinho Feio

Por HENRIQUE OLIVEIRA

Ontem uma das notícias do dia foi a “denúncia” das regalias dos trabalhadores das empresas de transporte por parte do Governo.

O senhor Secretário de Estado dos Transportes Sergio Monteiro está a revelar-se um verdadeiro populista, do mais baixo que há. Ao mesmo tempo que o governante saía de uma reunião com os sindicatos deste setor e afirmava que estas empresas “passaram de patinho feio para cisne”, libertava para a imprensa uma lista de regalias dos trabalhadores destas empresas.

Esta sórdida forma de fazer política, aliás muito utilizada quando não existem argumentos sólidos para explicar as medidas, está de volta e em força.

O senhor secretário de estado dos transportes está a comportar-se como um verdadeiro pistoleiro ao criticar estas empresas e as suas dívidas acumuladas, não querendo perceber que a responsabilidade maior está no comportamento de três décadas do Estado e dos seus governantes e não percebendo nada acerca das externalidades. [Read more…]

Portugal no bom caminho: fome nas escolas

No mesmo jornal, dois títulos: “Troika. Portugal “no bom caminho” e sem reajustamentos” e “Pobreza nas escolas. A fome sentou-se na primeira fila da sala de aula”. Assim, segundo os tecnocratas da troika, o facto de Portugal estar a cumprir as medidas impostas para baixar o défice e pagar os juros exorbitantes impostos significa que estamos a ir pelo trilho acertado, mesmo que, pelo caminho, seja necessário que as crianças passem fome. João Teixeira Lopes, aqui, comenta também o admirável mundo da troika.

Os marialvas da direita alegadamente católica e estranhamente darwinista levarão tudo isto à conta da pieguice e exultarão com os amanhãs que gemem, porque o sacrifício do luso preguiçoso e parasita é fundamental, para que a raça se fortaleça. Diante desse magno projecto que significam os estômagos vazios e os sonhos esvaziados das crianças?

Como remover o seu histórico da Web (versão Google)

By tom burke from Morgan Hill, CA, USA (Flickr) [CC-BY-2.0 (www.creativecommons.org/licenses/by/2.0)], via Wikimedia Commons

Estou-me a referir à funcionalidade que a Google oferece, onde guarda de forma automática o seu histórico de navegação, as buscas que efectuou e ainda mais dados. Esta funcionalidade até ao dia 1 de Março é estanque em relação aos outros produtos oferecidos pela Google aos seus utilizadores.

No entanto, a partir de 1 de Março os outros produtos da Google vão ter acesso a este tesouro de informação (não só à informação gerada a partir desse dia em diante, mas a todo o histórico). Esta é informação muito sensível, se tem o serviço activo pode lá encontrar indícios acerca da sua orientação sexual, preferências políticas, religião que professa, produtos que compra e em que lojas, viagens que realizou, problemas de saúde, etc. Em suma, a maior parte da sua vida on-line pode lá estar espelhada, para a maior parte das pessoas, será 100% da vida on-line.

Imagine o quanto não vale esta informação para os clientes da Google. Se tiver, por exemplo, algum tipo de doença e estiver fragilizado. E, de repente, começar a receber anúncios de curas milagrosas para a sua doença. É normal que tente a cura. É o que toda a gente faria. Não pense que este é um caso hipotético, é o que já acontece hoje em dia.

A seguir ao corte mostro como eliminar esta informação.

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Miopia

Por vamoslevantarportugal@gmail.com

Miopia: 1. Imperfeição ocular que só deixa ver os objetos a pequena distância do olho. 2. [Figurado] Falta de inteligência. (Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

A falta de visão e o marasmo da “elite”, por vezes mais interessada em prosseguir objetivos individuais em detrimento dos comuns, num tempo onde prosperam os pseudointelectuais comentadores político-económicos e a qualidade da intervenção pública dá lugar ao mediatismo fácil, justifica a forma superficial como são, por vezes, tratadas as sucessivamente reformas e medidas estruturais que têm vindo a ser anunciadas. A confusão generalizada entre aquilo que diz respeito à economia e aquilo que diz respeito às finanças, aliada ao crescente distanciamento das pessoas e instituições do conhecimento, tem-nos impedido alterar o rumo quase certo em direção ao eminente descalabro económico e social.

Aquilo que alguns referem como “crise profunda” apontando a “conjuntura internacional” como causa, não é mais do que o reflexo do acumular de um conjunto de debilidades de natureza estrutural. A manutenção de elevados níveis de endividamento associados à excessiva dependência do exterior deixou a economia portuguesa extremamente vulnerável, acontecendo mesmo que, em abril de 2011, o país veio a solicitar assistência financeira à Comissão Europeia.

Na génese do problema está o desmantelamento de sectores estratégicos, como sejam os casos da agricultura, das pescas, ou das indústrias pesadas, a aplicação inconsequente dos fundos comunitários e o acesso ao crédito fácil por parte das famílias, maioritariamente destinado ao financiamento de bens de consumo imediato e produzidos externamente. [Read more…]

Povo GREGO vai votar na TROIKA

Somos todos gregos (galo de Barcelos com as cores da Grécia)O povo português é por natureza solidário. Apareceu por aí um manifesto de apoio ao povo grego e sucedem-se as manifestações de meia dúzia de pessoas com as mesmas intenções. Até eu, mudei no meu perfil do Face a localidade para ATENAS! SOMOS todos gregos.

Mas, estou curioso com uma coisa – a Democracia. Essa chatice!

Por cá, quando se perguntou ao povo “Troika” ou Não Troika, a resposta foi esmagadora: TROIKA!

Na Grécia? Como é que vai ser?

É que a malta até pode ser solidária, mas dá jeito que eles façam a parte deles!

Laila

adão cruz

Laila nunca fora feliz. Nem muito nem pouco. A felicidade não engraçara com ela, talvez por ser feia. Feia não era. Até era muito bonita por fora, o que não acontecia por dentro. Tinha sempre a alma do avesso e os sentimentos fora do corpo. Nunca atravessava a rua pela passadeira, entrava nas portas sempre às arrecuas e não beijava o Senhor na visita do compasso. Puxava o manto do Senhor dos passos na procissão da Paixão e fazia caretas às zeladoras do Coração de Jesus. Assistia à missa de costas para o padre. Não rezava nem comungava. A bruxa já havia dito que algum mau-olhado caíra sobre ela quando era criança ou que o diabo lhe cravara as garras na gola do casaco. [Read more…]

O Carnaval dos contratos colectivos

Disse o ministro da destruição da economia que a culpa de o país não ter cumprido o encerramento da terça-feira de Carnaval é dos contratos colectivos.

Agora percebo a verdadeira intenção da coisa (além de mostrar serviço a uma troika em visita): colocar a contratação colectiva do trabalho na berlinda.

É um velho sonho da concertação social, que por natureza se concerta sempre para o mesmo lado. Num mundo perfeito cada trabalhador é chamado ao patrão, ou aos “recursos humanos”, e metem-lhe umas folhas de papel à frente. Assine aí se faz favor, se não assinar a porta da rua é a serventia da casa, e já agora à saída mande entrar as centenas de candidatos ao seu emprego que estão lá fora à espera.

Mais de um milhão à espera já, têm só falta o resto, ou pelo menos retirar os sindicatos do assunto, que sobre uma comissão de trabalhadores espevitada é muito mais fácil exercer represálias.

Por estas e por outras, onde se lê austeridade, produtividade e flexibilidade deve ler-se trabalho sem direitos e aumento da prepotência e dos lucros, é tudo a mesma coisa.

A Troika no Carnaval do Porto

Hoje dá na net: Zeca Afonso – Ao Vivo no Coliseu, 1983

Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé.

Este a RTP lá teve de gravar. Sabia-se que a doença era irreversível e já parecia mal. Não havia um único grande concerto de José Afonso gravado pela televisão portuguesa.

Futebol e racismo

Não gosto de insultar ninguém, evito chamar nomes, odeio qualquer laivo de racismo, irrita-me a xenofobia e abomino o machismo quotidiano que leva a que a violência possa ser considerada um animal doméstico. No entanto, não me coíbo de contar anedotas sobre qualquer tema escabroso, como não deixo de me rir com piadas de mau gosto, talvez porque, inconscientemente, veja nisso um escape para a estupidez, uma catarse, um modo de deitar fora aquilo a que os videntes das manhãs televisivas chamam más vibrações.

Sempre que vou ao futebol, mantenho uma contenção verbal que deriva mais da cobardia do que da vontade idiota de insultar os adversários, mas sei que não há que esperar o mesmo das multidões que frequentam os estádios. É por isso que não perco tempo a pensar nos cânticos que os adeptos dirigem aos clubes adversários e é também por isso que encaro com bonomia o “fiiiiiiilhooooooo da puta” com que os guarda-redes são presenteados quando executam um pontapé de baliza.

O mundo do politicamente correcto tomou-se de ódios por algumas expressões insultuosas, deixando outras intactas. No mundo do futebol, não é importante que se chame nomes às mães dos adversários ou que se ponha em dúvida a orientação sexual dos desportistas ou que a honestidade dos árbitros seja sempre considerada inexistente. O único insulto que é, agora, considerado, grave é aquele que está contido em expressões racistas, o que me parece redutor.

Assim, relativamente a este assunto, na ordem do dia devido ao processo de que poderá ser alvo o Futebol Clube do Porto, defendo que só fará sentido castigar jogadores e clubes por todo e qualquer insulto, o que poderia tornar uma ida ao futebol muito menos cómica, ainda que extremamente correcta. Muito a propósito, subscrevo este texto. Também a propósito, reveja-se o maravilhoso sketch dos Gato Fedorento. [Read more…]

Suas finas Excelências, os deputados da nação

São muito sensíveis, pobres coitados, não podem beber água da torneira. Felizmente, já que assim ao consumirem água engarrafada, poupam dinheiro aos contribuintes. Dizem que a água da torneira fica 30 vezes mais cara do que engarrafada porque foram incluídos os custos de pessoal “para o enchimento, limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames”.

Vamos fazer de conta que levamos a sério a justificação apresentada. Acontece que na última vez que estive reunido com representantes dos grupos parlamentares serviram-me a tal garrafinha de água mas também tive direito a um copo. Lá se vai o argumento da “limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames”. Sobra o trabalho de enchimento, mas aí este é bem menor do que o trabalho de encomendar, armazenar, distribuir e remover, depois de usadas, as garrafas de água (terá este trabalho também sido contabilizado?).

Mas já que andam com tantas preocupações de custos, façam como os restantes trabalhadores – sim, o deputados são trabalhadores – deste país: peguem no copinho e encham-no eles mesmos, ó finezas.

PS: ó deputados, lembram-se da lei que a AR aprovou, lá por 2000, a proibir a restauração de servir água em garrafa de plástico? Perguntem ao Guterres que ele esclarece-vos. Mas claro, o Parlamento não é uma casa de pasto, logo a lei não se lhe aplica…

Orquídeas XI: Catasetum

Brasil. Em dia de Carnaval, o destino não podia ser outro. Senhoras e senhores, a Catasetum:

catasetum

Catasetum (Manuel Lourenço, V.N. Gaia, Portugal)

 

Exemplar: Carnaval em Gaia

Pode ler-se hoje no Público: “O presidente da Câmara de Gaia, o social-democrata Luís Filipe Menezes, não vai estar hoje na autarquia, apesar de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários, ao contrário do que fez Rui Rio no Porto. Menezes está a gozar umas curtas férias na neve.”

Salazar nunca morrerá

Acredito, intimamente, que isto de se ser democrata não está inscrito no ADN de nenhum animal e que, portanto, a solidariedade, o respeito pelo outro, a aceitação da opinião contrária faz parte do treino para que o homem seja diferente do resto dos animais. Dentro de cada um de nós, está o lobo do homem que pode chamar-se Salazar ou Hitler, mas que é sempre o mesmo animal.

Ser democrata é, portanto, uma aprendizagem e um homem será tanto mais humano quanto mais democrata conseguir ser. Julgo que não será muito arriscado dizer que foi a Europa que inventou a democracia e que a levou a patamares inimagináveis há menos de cem anos. É a mesma Europa que, comandada pelo instinto ditatorial, castiga jornalistas da TVI por divulgarem uma conversa sinistra entre um empregado português e o seu patrão, conversa essa que deveria ser do domínio público, porque diz respeito ao público.

Em Portugal, os homenzinhos que detêm poder não conseguem chegar a ser lobos, ficando-se pelo pior que há nas raposas, verdadeiros pilha-galinhas da liberdade de expressão, como se pode deduzir das decisões tomadas na RDP porque um cronista resolveu exprimir aquilo que pensa, atitude condenável pelos pequenos salazares que infestam administrações e chefias.

Professores: Avaliação de desempenho e ECD publicados

Estou de acordo com o Arlindo – o dia de Carnaval é perfeito para a publicação destes dois documentos. A ler com atenção.

Qual o momento da demissão?

O Chefe de Estado alemão C. Wulff demitiu-se na sequência de um escândalo de corrupção e tráfico de influências. Sentiu a pressão da opinião pública e não resistiu ao braço de ferro com os media. Finalmente, disse as palavras certas: “a confiança dos meus cidadãos foi abalada, pelo que não me é possível exercer as minhas funções”.

Faltando a confiança do povo que os elegem, o que estão lá a fazer? A cumprir o seu dever? Porque teimam em ser vaiados e criticados, fazendo ouvidos de mercador? A descida de popularidade é um sinal a que devem estar atentos. Refiro-me mais concretamente à polémica das despesas de Cavaco que atirou a sua popularidade para mínimos históricos. Não servirá este resultado para uma reflexão do nosso chefe de Estado?

Perdendo-se a confiança do eleitorado, o que os mantém no poder?

O próprio poder.

Vou expurgar o Centro de Saúde do Lumiar

msOs sábios quadros do Ministério da Saúde, a começar pelo titular da pasta e ex-bancário Macedo, têm uma imaginação prodigiosa e um apurado sentido de melhoria da produtividade na função pública. Segundo se depreende do divulgado na imprensa, em cada ‘centro de saúde’, diariamente, um funcionário passará a pente fino a lista informática dos doentes inscritos e quem não tenha recorrido ao centro há 3 anos será eliminado.

Os serviços contarão com a ajuda do sistema ‘SINUS’ que com o ‘SONHO’ são duas históricas obras de arte informática do Ministério da Saúde, pelo ex-IGIF e agora ACSS-Administração Central do Sistema de Saúde.

Se a finalidade principal da medida é “expurgar” das listas os falecidos, porque não criam um sistema integrado com as Conservatórios de Registo Civil relativamente a óbitos registados, procedendo, automaticamente, à eliminação, por telecomunicação entre sistemas? A interacção poderia ser feita até através do SINUS. Claro que também o ‘sistema de registo de doentes’ teria de ser implementado a nível nacional, com outras vantagens – processo clínico electrónico, por exemplo – de produtividade e economias na prestação de serviços do SNS e no atendimento de doentes.

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A crise vista da Alemanha

A Helena é uma portuguesa há muitos anos a viver na Alemanha, é dá-nos no 2 Dedos de Conversa a visão de quem lá está. A leitura deste artigo parece-me muito proveitosa para entendermos o assado onde estamos metidos.

Não concordo com ela, e muito menos com os portugueses que aqui também acreditam no discurso medinocarreirista, deixo de lado a questão das dívidas históricas da Alemanha, e retenho o que me parece fundamental: se em Portugal, ou na Grécia, muitos não percebem que por cada euro recebido apenas 19 cêntimos são utilizados pelo estado grego e que na prática as ditas ajudas vão direitinhas para os bancos, na Alemanha muito menos se entenderá o mecanismo da crise. Da crise dos banqueiros e da forma ardilosa como, eles sim, estão a ser ajudados, à custa da destruição da economia dos países que levaram com a especulação em cima, da crise que nenhuma austeridade pode resolver porque impede quem a aplica de pagar dívida alguma. [Read more…]

Problemas belenenses

Hoje dá na net: Especial Zeca Afonso na RTP Memória

Programa emitido a 23 de fevereiro de 1987, logo após a morte de José Afonso. Não sobrava muito no arquivo. A RTP nunca gostou do Zeca, que também não era muito de estúdios, e no pós-PREC houve uma limpeza de memória aos anos de 1974-75. Mas foi um bom esforço de Luís Andrade, Brito Macedo e Carlos Pinto Coelho,que coordenaram e de  António Faria e Luís Filipe Costa que realizaram.

O Luxo no Norte de Espanha. Sobre Carris.

Bilhetes a partir de 2.400 euros. É favor reservar com muita antecedência.

A crise do sistema e a banalização da violência policial

A ensaísta, superdotada ‘tudóloga’, escrevente aqui, palradora acolá, manifesta-se incomodada. Coitada da criatura está molestada contra jornalistas que considerem que a liberalização das leis laborais, em Espanha ou em Portugal, esteja a suscitar vasta contestação popular; o que, de resto, sucedeu este fim-de-semana em 57 cidades espanholas.

Presumo que ‘a ensaísta’, especializada em tudo e mais alguma coisa, tenha igualmente desenvolvido um complexo modelo matemático e macroeconómico, para sustentar a tese de que despedimentos mais fáceis e económicos, bem como relações de trabalho mais precárias, constituem factores criadores e multiplicadores de desenvolvimento e emprego.

Recusa-se a entender que, na Europa, os sistemas económico e financeiro estão em aguda crise. Não resolúvel através de modelos de austeridade severa, os quais, felizmente para ela, lhe passam ao lado.

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Um velho caminho para CGTP

A CGTP mudou!

Uma história que vai para o terceiro acto: congresso, manifestação e greve  geral!

Carvalho da Silva foi durante algum tempo – especialmente no último mandato – um dirigente que parecia valer mais que sua organização. Talvez por isso o PCP o tenha “suportado”, até porque os estatutos da Inter resolveriam o problema.

Entrou Arménio Carlos e chegou a hora de afirmar a diferença. A estratégia política da CGTP é hoje muito clara: mostrar que a CGTP voltou à casa mãe. Mais uma Greve Geral mostra bem essa realidade onde parece haver muito pouco (nenhum!) cuidado em ouvir quem trabalha. Alguém decide, marca-se e ponto final! Um erro porque leva a única organização de trabalhadores do nosso país para um canto que não é o seu!