Os meus terroristas são melhores que os teus

Há uns tempos, acerca das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre os incêndios de Pedrogão, Ricardo Araújo Pereira notou que o Presidente começou por “Antes de mais, quero dizer que sou um ser humano” e que isso fazia falta. E parece que não era só aí. Os seres falantes que vemos por aí deveriam começar por se identificar para saber se vale a pena continuar a ouvir ou se vamos apenas assistir a uma subversão aos donos. A maioria dá mesmo vontade de ir lá dizer baixinho ao ouvido “diz lá algo de ser humano”.

Mais uma vez, o mundo percebeu que um conflito existe. Tal como aconteceu na Ucrânia, muitos colocam a mão à boca totalmente chocados com algo que não é de hoje. Tal como sempre, o ocidente só acorda para um conflito quando se sente minimamente afetado. Enquanto os conflitos são negócios lucrativos para a restante Europa e para os EUA, tapamos os olhos e beneficiamos disso. O meu lado político tem tendência para lhe chamar mercado livre. Enquanto temos uma direita que ignora atrocidades a troco do bem-estar de uma pequena parte da humanidade da qual fazemos parte, temos uma esquerda que tapa os olhos a atrocidades se estas afetarem a UE e os EUA. Todas estas posições são de um fanatismo atroz. Decidem em escritórios no centro de Lisboa o que declaram sobre situações que tiram vidas a pessoas diariamente. Eu também costumo mandar umas bocas meio-parvas no descanso do meu sofá. No entanto, é a insinuar que até eu marcava o que o Galeno falhou na Supertaça, não é a brincar com vidas de pessoas. [Read more…]

António Costa, o bom aluno

Tenho aqui uma reflexão para partilhar convosco.

É o seguinte:

O governo anunciou um excedente orçamental de 0,8%. Qualquer coisa como 2.190.000.000€.

Há quem olhe para isto e veja o copo meio-cheio.

Eu vejo um governo que optou por andar mais rápido do que aquilo que se propôs, para mostrar a Bruxelas que é o “bom aluno”, prejudicando, para o efeito, o funcionamento dos serviços do Estado.

Prejudicando as condições dos profissionais da Educação, da Saúde, da Justiça e da generalidade da Administração Pública.
Com as consequências que se conhecem: greves, escolas disfuncionais, urgências encerradas e processos adiados e prescritos.

E porquê? [Read more…]

Outra oportunidade perdida

Depois de Santana Lopes ter vindo “esta quarta-feira afastar-se da corrida presidencial”, era ter atalhado imediatamente: «Já que fala nisso,  então “agora facto é igual a fato (de roupa)”»?”

Vamos comer gelados com a testa…

Eu ainda não tinha percebido o que ganhava Israel com o ataque a um hospital. Mesmo sabendo de que são feitos os gajos do Hamas ainda não tinha percebido o “para quê” pois Israel já não está bem visto na foto e não era preciso tanto para ficar pior (pois, como diz o outro: pior que está não fica). Até ver o Rei da Jordânia cancelar a reunião entre ele, a Autoridade Palestiniana, o presidente do Egipto e Biden.

Não é só uma questão de humilhação para os EUA. É mesmo rumo à capitulação de Israel e perda total da influência do ocidente. Que nem ginjas para o Irão (localmente) e a China globalmente com a Rússia pela trela e os EAU a acreditarem que se vão safar pelo caminho. E os Palestinianos? Para todos estes a conclusão é óbvia: que se lixem, servem para usar e deitar fora (como sempre o foram para os seus “amigos” ao longo dos séculos. Touché China….

No final desta história, se tudo correr como planeado, o Hamas será decapitado, os palestinianos deixados ao Deus dará (no caso, Alá dará), a Rússia fica com o rebuçado ucraniano, os EUA elegem Trump e fecham-se sobre si próprios e o que resta do chamado mundo ocidental terá de aprender mandarim e continuar o “business as usual” com uma trelinha dourada um pouco melhor que a enfiada aos russos….

Democracia representativa sim, mas só quando interessa ao PSD

Quando o PS ficou em segundo lugar nas Legislativas de 2015 e, ainda assim, conseguiu maioria parlamentar para governar, parte muito significativa da direita portuguesa traduziu “democracia representativa” para “golpe de Estado”. O PSD esteve na linha da frente da narrativa.

Anos mais tarde, quando o PSD ficou em segundo lugar nos Açores e construiu a sua própria geringonça, a narrativa do golpe de Estado desapareceu e foi substituída pelo som de grilos a cantar numa noite de Verão. [Read more…]

A mão invisível

É conhecida a teoria liberal, de que o mercado se regula por si mesmo.

No fundo, tudo se resume à ideia de que numa economia livre, o mercado regula-se por uma espécie de mão invisível que vai acertando, entre a oferta e a procura, o preço dos bens, sem necessidade de intervenção de terceiros – seja o Estado ou qualquer outra entidade.

Quem quiser perceber melhor a ideia, é ler “A riqueza das nações” e a “Teoria dos sentimentos morais”, de Adam Smith. E, depois, aconselho a apreciarem os resultados obtidos sempre que se optou por dar rédea solta aos mercados e abdicar-se da regulação. Uma dica: comecem pelo mercado financeiro.

Mas, adiante.

Olhando para o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo para 2024 (numa sessão digna de entrega de Óscares), detecta-se que houve uma adaptação da lógica da mão invisível.

Neste caso, o que o Governo pretende fazer é recuperar com a mão invisível dos impostos sobre o consumo, a propriedade e outros, o que estará a dar (ou a não tirar tanto) com a alteração dos escalões do IRS.

Na verdade, não está bem a recuperar: está superar. Pois que, na prática, e pelas contas apresentadas por diversos economistas, aquilo que o Governo espera arrecadar com a mão invisível, supera aquilo que anuncia dar (ou não tirar tanto dos bolsos) aos contribuintes na tributação sobre os rendimentos singulares.

No fundo, é tirar aos ricos para dar aos pobres, numa versão cínica de Robin dos Bosques, pois que os ricos e os pobres são exactamente os mesmos: a classe média. [Read more…]

Senhorio de deus

Qatar, o financiador do Hamas que não aparece nas notícias

Um facto curioso sobre a ampla cobertura de que o Hamas tem sido alvo é a total ausência de referências a um dos seus principais aliados e financiadores: o Qatar.

Somos constantemente recordados das ligações ao Irão e ao Hezbollah, mas, por algum motivo, o Qatar fica sempre fora do radar a comunicação social ocidental.

O próprio líder do Hamas, Ismail Haniyeh, tem residência em Doha, a mais de 2 mil quilómetros de Gaza. Podia viver em Teerão ou Beirute, mas é possível que a presença de Alá se faça sentir com mais intensidade na luxuosa capital do Qatar.

E qual será a razão para a total omissão do papel desta monarquia absoluta na manobra do Hamas?

Não faço ideia. Mas suspeito que será a mesma que garantiu o branqueamento das manchas de sangue do Mundial de 2022.

Bernie Sanders

Uma fonte de inspiração. Vale a pena ver o podcast!

Naftali Bennett passou-se (e disse a verdade)

Captura de ecrã da entrevista da Sky News ao ex-PM israelita.

Entrevistado pela Sky News, Naftali Bennett, o antigo primeiro-ministro de Israel que disse já ter “matado muitos árabes” e não ver “mal nenhum nisso”, predecessor daquele que sucedeu, do partido de extrema-direita New Right, passou-se. [Read more…]

Israel: produto e devir do holocausto

FOTO DE MOHAMMED SALEM / REUTERS

 

Não foi preciso muito para que saíssem do armário um exército de genocidas disfarçados de defensores dos direitos coloniais israelitas. De forma absolutamente descarada, os apelos ao massacre do povo palestiniano, sobretudo os que vivem na Faixa de Gaza, sucedem-se, seja a partir da carta branca dada pela generalidade dos governos – sim, é isso que querem dizer quando aplaudem o direito de Israel se defender – seja a partir do silenciamento dos factos no terreno desde 1948.

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Genocídio à vista no gueto de Gaza?

Conhecendo Israel como qualquer político americano conhece, Joe Biden deixou um recado, após declarar total apoio à ofensiva.

Recordou que a guerra tem regras. Mesmo quando estamos muito zangados.

E não foi o único a dar ênfase ao direito internacional.

E porque o fez?

Porque Israel comete crimes de guerra há décadas, por questões menores, pese embora raramente se lhe aplique qualquer tipo de consequência.

Ter o tio Sam como padrinho tem as suas vantagens. [Read more…]

Montenegro com pipi?

Foto: LUSA/RODRIGO ANTUNES

À falta de conteúdo sobre a proposta de Orçamento do Estado de 2024 – e muito independentemente de todas as críticas sólidas que haja a fazer ao mesmo, e há -, Montenegro agarra-se, para ser ouvido, a uma linguagem ridícula e populista com que espera apanhar moscas. Pipi??? A única coisa a que chamávamos pipi era aos órgãos genitais externos das meninas pequenas. O pipi das meninas e a pilinha dos meninos.

Pelos vistos era mesmo preciso traduzir, como pediu Medina e Montenegro apressou-se a debitar a sua definição.

Mas tanto faz, a demagogia e o vazio daquela cabecinha PSDesca ficaram mais uma vez expostos e comprovados. Pode ser que haja gente que acabe por perceber. Embora… parece que muitos até gostam assim do básico.

O País mais imbecil do mundo

Público/ Daniel Rocha

Se não somos, andamos lá perto. Estão a ver uma desgraçada que se farta de levar “arraiais de porrada” e acredita sempre e sem excepção nas palavras do FdP do companheiro que lhe promete que nunca mais o fará? Pois, de certeza que acham que, pelo menos, à segunda (exagerando porque nem 2ª oportunidade devia ser concedida) a Senhora devia virar costas, ir à Policia e colocar o “anormal” na cadeia. Estou certo, não estou?

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Orçamento do Estado para 2024: o dia seguinte

It may be noted that in discussions of the tense/lax opposition in English vowels, differences in duration are often considered to be secondary to other differences (Hockett, ref. 31, p. 31; Chomsky and Halle, ref. 29, pp. 324- 325; Perkell, ref. 32, p. 64).
— Sibout Govert Nooteboom (1972)

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Efectivamente, tudo na mesma.

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Uma fotografia que conta a estória da hipocrisia Ocidental

Imagem retirada de: AFP

Na imagem, vemos retratados um soldado e uma criança que o enfrenta, no que aparenta ser uma acção de valentia face ao poderio militar visível.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, esta imagem circulou o mundo. Na legenda, líamos que “uma menina ucraniana enfrenta soldado russo e diz-lhe que deixe o seu país em paz”. A internet comoveu-se, a imagem foi partilhada, uma e outra vez, enaltecendo a coragem da menina ucraniana face à vileza do exército russo. Tudo muito bonito, de facto; e inspirador.

Só que esta menina da imagem não é ucraniana. É palestiniana. E o soldado não é russo. É israelita.

A verdadeira origem da imagem remonta a 2012. Tudo se passou em Nabi Saleh, na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. A menina, Ahed Al Tamimi, enfrentava, sozinha, soldados israelitas e implorava-lhes que libertassem o seu irmão de 15 anos.

Tamini acabaria presa, cinco anos depois, em 2017, depois de voltar a enfrentar soldados israelitas que invadiram a sua casa. Depois de ela e uma prima os abordarem, pedindo que se retirassem – pedido que foi ignorado pelos soldados das forças ocupantes -, Tamini e a prima muniram-se do que tinham (as mãos) e começaram a empurrar os israelitas para fora de casa. Foi presa e cumpriu 8 meses de pena.

E é esta fotografia – e as suas duas estórias, a falsa e a verdadeira – que ajudam a pintar o quadro da hipocrisia que o Ocidente orgulhosamente exibe, seja no apoio a Israel, seja na condenação à Rússia. Em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a menina era “corajosa”, porque era “ucraniana” e pedia aos soldados que “deixassem o seu país em paz”; acredito que muitos dos que se comoviam com a fotografia, partindo da falsa premissa, não se comovam agora. Afinal, Tamini é capaz de ser uma perigosa terrorista. E Israel é que tem o direito a defender-se.

Em 2022, Tamini foi entrevistada pelo canal AJ+. A entrevista, abaixo.

Israel e Ucrânia: a realidade é uma maçada

Quando o mundo ocidental se uniu em torno da Ucrânia, Israel foi um dos Estados que prometeu ajudar, com um enorme “mas”.

E se países como a Hungria ainda se deram ao trabalho de tentar disfarçar, a mensagem de Israel foi clara: perante a invasão russa da Ucrânia, escolheram a neutralidade.

Não me interessa aqui discutir a legitimidade da neutralidade, se faz ou não faz sentido. Já dei várias vezes para esse peditório. [Read more…]

A energia nuclear é segura? (parte I)

Chernobyl são mais de 10 000 km2 contaminados durante centenas de anos, 100 mil pessoas evacuadas, custos para lá dos 250 mil milhões de dólares, um sarcófago temporário (50 anos) para proteger o reator danificado que custou 2 mil milhões de euros (pago pela UE).

Fukushima foram 155 mil evacuados (atualmente 37 mil com estatuto de refugiados), 600 km2 contaminados durante décadas, 1,2 milhões de toneladas de água contaminada que serão largadas durante décadas para o oceano e onde os custos atuais de limpeza já ultrapassam os 200 mil milhões de dólares (2/3 do orçamento português).

Acidentes como o de Three Mile Island (EUA, 1979) necessitaram 2 décadas e mais 1,2 mil milhões de dólares para encerrar em concreto o combustível do reator 2 (em instalação provisória no Idaho). O acidente de Kyshtym (URSS, 1957) resultou em 10 mil pessoas deslocadas, 200 milhões de rublos (de 1957) de prejuízos imediatos e 4 décadas de limpeza. O acidente de Windscale (RU, 1957) já custou mais de 2 mil milhões de libras e o processo de limpeza está longe de estar concluído.

Efeitos da radiação de acidentes nucleares na população

Depois do bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki foi criado o centro de investigação conjunto nipo-americano Radiation Effects Research Foundation (RERF) que estudou durante décadas os efeitos na saúde humana das populações irradiadas na sequência da explosão das 2 bombas nucleares. O RERF produziu um trabalho extenso e robusto sobre os efeitos da radiação na população. Outros desastres ajudaram a validar e consolidar os resultados do RERF: o acidente da explosão de Castle Bravo no Pacífico (população irradiada em ilhas a diferentes distâncias onde as doses foram bem medidas) e ensaios nucleares militares a cargo de Los Álamos (soldados a distâncias precisas e doses bem medidas). Uma das consequências destes trabalhos foi o tratado internacional de interdição de ensaios nucleares na atmosfera assinado em 1963. Os cálculos mostraram que a precipitação radioativa resultante destes ensaios produziriam cerca de 170 mil cancros mortais na população mundial durante um período de 50 anos.

Em 2005 foi organizado o Forum de Chernobyl [Read more…]

O muro de Joe Biden

Um dos compromissos eleitorais de Joe Biden, que alegadamente o distinguia de Donald Trump, assentava na total oposição à construção do muro na fronteira sul, para conter a emigração ilegal.

Nem um centímetro de muro, garantia o então candidato democrata.

E o que sucede?

Sucede que, na semana passada, a Casa Branca anunciou a construção de 32km de muro em Starr County, no Texas.

Donald Trump agradece. Vai dar um cartaz muito jeitoso, para campanha que se avizinha.

Contra o Orçamento do Estado para 2024

Dich, teure Halle, grüss’ ich wieder,
froh grüss’ ich dich, geliebter Raum!
Elisabeth

I walk the valleys by the Cerne
on a path cut fifteen hundred years ago
and I know these chalk hills will rot my bones
PJ Harvey

***

O espectáculo repete-se.

Efectivamente, continua tudo na mesma, com o poder político a sorrir, a encolher os ombros, a assobiar para o ar e a tapar o sol com a peneira. Por isso, não admira que o episódio de hoje seja idêntico aos anteriores, aquando dos textos apresentados para os anos de 20122013201420152016201720182019, 20202021, 2022 [1] e [2] e 2023. Os papéis são os mesmos e o enredo mantém-se. Os actores, sim, de vez em quando mudam. Os intervenientes de hoje, todavia, já vão na terceira representação desta cena.

Foto: Bruno Gonçalves (https://shorturl.at/fntM7)

E qual é o resumo do enredo? É muito simples: todos os anos, duas personagens sorriem, enquanto uma entrega um texto a outra. E por que motivo sorriem? Não faço a mínima ideia. Provavelmente, não conhecem o conteúdo do texto. Pior, no caso em apreço, desconhecerão o conteúdo das duas propostas anteriores: OE2022 (2/2) e OE2023. Se estes membros da classe política portuguesa lessem aquilo que todos os anos entregam e recebem, saberiam que há um problema. Um problema que se arrasta há imenso tempo. Um problema grave.

Vejamos, pois, uma pequeníssima amostra das pérolas que só não viu quem não leu o conteúdo do Relatório (pdf) que acompanha a Proposta de Lei n.º 109/XV/2 — Aprova o Orçamento do Estado para 2024: [Read more…]

Israel, em conformidade com a sua própria brutalidade

Israel decidiu retaliar contra a população civil de Gaza, como se décadas de opressão naquela prisão ao ar livre não fossem suficientes.

O ministro da defesa, Yoav Gallant, explicou como:

Ordenei um cerco total a Gaza. Corte de electricidade, de comida, de combustível e água. Estamos a lutar contra animais humanos e agimos em conformidade. (tradução livre)

Há quem celebre esta decisão. A mim parece-me algo que Putin faria à Ucrânia, se tivesse essa oportunidade.

O próprio Hitler, podendo fazer o mesmo aos judeus, não teria hesitado.

Não sei quanto a vós, mas eu não partilho valores com este governo de fascistas, que está disposto a matar crianças de fome e sede, para mostrar ao mundo o poderio da sua vingança.

Para um país com um dos exércitos tecnologicamente mais avançados do mundo, matar civis inocentes e destruir as suas casas, hospitais e escolas não é sempre um dano colateral. É, muitas vezes, uma escolha.

Uma escolha que não surpreende.

Surpreende, isso sim, haver quem condene – e bem – o terrorismo do Hamas, ao mesmo tempo que se recusa a condenar o terrorismo de Estado de Israel.

Até porque, convenhamos, massacrar as populações civis nunca foi um problema para os governantes israelitas.

E quem insiste em apoiar o apartheid israelita sabe disso. Em pouco ou nada se diferencia daqueles que apoiam os monstros do Hamas.

“Crematório“, de Vasco Gargalo

Cartoon de Vasco Gargalo

Quando em 2020 Vasco Gargalo desenhou este cartoon, alertando para a limpeza étnica e para o apartheid que Israel impõe nas prisões a céu aberto que se chamam Territórios Palestinianos Ocupados (TPO), logo foi colocado no sítio por quem de direito.

Recebeu ameaças de morte, perdeu o emprego na revista Courrier International, uma das publicações com as quais trabalhava e foi-lhe retirado o ‘Prémio Plumes Libres’ que a publicação lhe atribuiu. Na altura, afirmou à revista Sábado: “É mais um sinal de que a comunidade judaica não pode ser criticada. Cada vez que isso acontece [é-se] logo acusado de antissemita. É uma perseguição para aniquilar o meu trabalho”.

Mas não foi o único a ver os seus trabalhos anti-apartheid serem censurados. Também Onofre Varela, cartunista, viu um seu trabalho ser retirado da Bienal Internacional de Arte, depois de pressões da Comunidade Israelita de Lisboa, assunto que foi aventado.  [Read more…]

Nunca haverá uma Palestina livre, enquanto houver Hamas

Sou insuspeito de simpatia pelos sucessivos governos israelitas, que desde sempre condeno pela ocupação ilegal da Cisjordânia, pelo Apartheid vigente na Faixa de Gaza ou pela brutalidade e desproporção dos métodos empregues.

Mas o que aconteceu no final da passada semana, para mim, não é resistir à ocupação.

É crueldade pura.

Atacar civis, raptar jovens e crianças, torturá-los em público e exibi-los como troféus não é resistência. É barbárie.

E sim, o Hamas é uma organização terrorista. [Read more…]

Nojentos “Bobos da Corte”

Imagens: CNN

Para todos os “cabrões” relativistas que tentam desculpar, explicar ou amparar o que o Hamas está a fazer:
– estes FdP entraram por um festival de música a disparar, matando, pelo menos, 260 (DUZENTAS E SESSENTA) Pessoas e fazendo um número indeterminado de reféns.

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Os Lobos!

O vídeo.

Os Lobos!

« Le Portugal l’a emporté ce dimanche à Toulouse face aux Fidji (24-23), dernière nation qualifiée pour les quarts de finale. Première victoire au Mondial pour Os Lobos »

Facto

 

 

Israel. Mais pequeno que o Alentejo. Há eleições. Imprensa vária (jornais, TVs). Parlamento. Liberdade de expressão. Direitos LGBTs. Direito a manifestações. Defeitos? Também e não são poucos.

Quando olho para o Médio Oriente e procuro um país democrático, constato que só há um.

Israel.

A inquebrantável resistência palestiniana

A única surpresa nos atos da resistência palestiniana não é o facto de terem acontecido, é o facto de terem tardado. São 75 anos de ocupação, onde todas as vias da coexistência esbarraram inevitavelmente num projeto confessional, segregacionista e genocida, que quer transformar toda a Palestina num Estado exclusivo para judeus. Começou com vilas inteiras queimadas, continuou com colonatos duplamente ilegais, construídos no pouco da Palestina que ainda falta ocupar ao sionismo. Todos os castigos repetidos até à náusea, água envenenada, campos queimados, bombardeamentos permanentes, locais sagrados atacados, prisões arbitrárias, assassinatos na ordem de todos os dias e um país reduzido a um arquipélago de prisões a céu aberto, onde a simples sobrevivência se tornou um ato de bravura. Numa ocupação é sempre o ocupante que ataca, ao ocupado cabe-lhe a resistência. Se isto é evidente na Ucrânia também tem que o ser na Palestina.

Dog whistle

Quatro meses separam estas duas notícias: 

Kiev critica Israel por ter uma “clara posição pró-russa””, em Junho.

Zelensky condena ataque do Hamas e defende direito à autodefesa israelita”, em Outubro.

Caso para dizer:

Follow The Leader

O sketch humorístico de Pedro Marques Lopes

No Eixo do Mal, Pedro Marques Lopes afirmou que o futebol é uma indústria onde há rigor.

A corrupção, os negócios manhosos e ruinosos, os clubes maioritariamente em falência técnica e a promiscuidade com a política e a justiça serão, em princípio, fruto da nossa imaginação.

Rigor é, de facto, a palavra certa.

Se foi sketch humorístico – fiquei com essa sensação – teve a sua piada.