Todavia:
«A digressão comemorativa do 60.º [fmv] aniversário do primeiro concerto dos Rolling Stones começa esta quarta-feira em Madrid e não passa por Portugal»
(Expresso)
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Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Todavia:
«A digressão comemorativa do 60.º [fmv] aniversário do primeiro concerto dos Rolling Stones começa esta quarta-feira em Madrid e não passa por Portugal»
(Expresso)
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„Sie sind ein Monster!“
„Und Sie sind Anwalt! Niemand ist vollkommen.“
— Dracula
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No tal artigo do “nobody is perfect”, Cavaco grafa 30 de Janeiro. Muito bem. 30 de Janeiro. Lindo menino. Mas Cavaco grafa perspetivas (muito bem, dirá um adepto português do #AO90, muito mal, dirá um homólogo brasileiro e muito mal, direi eu também, obviamente). Cavaco grafa diretamente (muito mal, direi eu, muito bem, dirão os nossos amigos de há pouco). Logo nos primeiros parágrafos do artigo de hoje, Cavaco explica-nos as virtudes do #AO90. Cavaco mandou. Santana cumpriu. Por isso, por haver tanta sabedoria e sensatez, tivemos há uns anos o “agora facto é igual a fato (de roupa)” de Santana. Quod erat demonstrandum. Agora, vou mas é trabalhar.
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“Tele-trabalho é fingir que se trabalha” – disse um bilionário que nunca trabalhou na vida
“nobody is perfect“, lembrei-me do English As She is Spoke.

Frédéric Leclerc-Imhoff
Era operador de câmera. Tinha 32 anos. Trabalhava para o canal BFM TV. É mais uma das vítimas às mãos da tirania putinista, na Ucrânia. O jornalista francês fazia-se transportar numa caravana humanitária, quando a mesma acabou bombardeada pelo exército russo.
A todos os jornalistas e foto-jornalistas que se encontram a cobrir situações de guerra e que vêem, todos os dias, os seus direitos subjugados às mãos dos imperialismos – silenciados ou mortos -, a minha solidariedade.
Ao Frédéric, um brinde.
I hate rock stars.
— Phil AnselmoStill, some target language phones may in fact be sufficiently close to L1 counterparts that their perception and production in terms of the L1 category may be undetected by native listeners (Flege, 1992). These can be referred to as identical or near identical L1-L2 pairs and would not require a separate L2 category (e.g., Spanish and English [f]).
— Cebrian, Gorba & Gavaldà (2021)
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Efectivamente, Marcelo Rebelo de Sousa não adopta o Acordo Ortográfico de 1990. Mas isso já sabíamos.
Aquilo que não sabemos é, por um lado, porque é que o caro leitor, sim, caro leitor, porque é que continua a adoptar o AO90? Se nem sequer o Presidente da República adopta o AO90, por que motivo continua o caro leitor a adoptá-lo? Deixe de andar por aí a adoptar o AO90 e faça o favor de seguir os bons exemplos ortográficos.
Por outro lado, continuamos sem conhecer a razão que leva Marcelo Rebelo de Sousa a continuar indiferente, letárgico e hiperpassivo, enfim, a não fazer nadinha de nada para acabar, de uma vez por todas, com esta mixórdia acordesa e esta hipocrisia ortográfica. Efectivamente, Rebelo de Sousa, além de nada fazer, continua calado, sim, calado, perante esta vergonha constante, diariamente apreciável, por exemplo — e que exemplo! — no sítio onde os cidadãos portugueses alfabetizados tomam conhecimento dos actos que regem a vida da sociedade portuguesa: [Read more…]

Alguém me sabe dizer se André Ventura já se pronunciou sobre o ajuste directo de 100 mil euros que o governo, através do Banco de Fomento, deu ao escritório de Luís Montenegro? Só para perceber onde acaba a “vergonha” e começa a vassalagem da extrema-direita ao sistema.

Uma reportagem da CNN Portugal apresenta-nos Ana de cara tapada, uma cidadã portuguesa a combater na Ucrânia.
Uma reportagem da CNN Portugal apresenta-nos Ana, uma portuguesa que se encontra na Ucrânia e “serve como enfermeira”, estando integrada num “pelotão internacional”.
Entrevistada pela CNN, Ana diz que só “a tia e o irmão” é que sabem onde se encontra. Durante a reportagem, e ao contrário de outros soldados entrevistados, Ana nunca mostra a cara e apresenta-se como “Ana Nunes”. Diz-se que está na Ucrânia como enfermeira mas, durante a entrevista, gravada via Zoom, não fala uma única vez do trabalho como enfermeira.
Quem é, então, esta portuguesa, de nome Ana, que está na Ucrânia? Trata-se de Ana Cristina Cardoso. Antiga militante do Chega, membro da Nova Ordem Social (NOS) de Mário Machado e da Resistência Nacional, grupos neo-nazis portugueses. Foi também Ana quem organizou a parada racista ao estilo do Ku Klux Klan em frente à sede da SOS Racismo. Na Grande Reportagem da SIC, conduzida pelo jornalista Pedro Coelho, Ana é uma das figuras que nos aparece como fazendo parte do submundo do partido proto-fascista de André Ventura.

Parada racista convocada pela NOS e pela Resistência Nacional em frente à sede da SOS Racismo, 2020. Fotografia: Observador
Tal como Mário Machado, também Ana quis ir combater para a Ucrânia, junto de um “pelotão internacional”. E foi. Mas, ao contrário de Mário Machado, não tem a exposição suficiente, quer a nível nacional, quer a nível internacional, para ser recusada e, como tal, passou pelos pingos da chuva e foi integrada. Não sei por que razão a CNN Portugal não esclarece que pelotão é esse, parecendo ficar a peça jornalística muito aquém daquilo que poderia ser.

Ana Cristina Cardoso, membro do NOS e da Resistência Nacional, antiga militante do Chega, agora na Ucrânia.
Ana foi inteligente para poder alcançar os seus objectivos. Não anunciou que queria ir combater para a Ucrânia e ser integrada nos pobres batalhões neo-nazis que, desde 2014, se misturaram nas forças armadas ucranianas. Ao invés, apenas foi. E, como tal, só a tia e o irmão têm conhecimento do facto. E, como tal, não mostra a cara na entrevista que dá. Dar a entrevista, mesmo de cara tapada, é que foi o erro. Até porque é, quase sempre, este o erro dos nazis: acharem que todos os outros são parvos. Não são. E vocês não enganam ninguém.

Ana Cristina Cardoso e colegas neo-nazis.
Sabemos que muitos grupos e indivíduos neo-nazis partiram, nos últimos anos, para a Ucrânia, onde novas correntes nazis se fundaram e se fundiram com as velhas. O surgimento dos movimentos neo-nazis na Ucrânia é conhecido, é factual, mas é complexo. Nada é a preto e branco. Só que a treta dos nacionalismos nunca foi sobre nações: é sobre nazis, dos Wagner às “enfermeiras” “voluntárias”. O orgulho em excesso é uma parolada. O orgulho em ser nazi tramou o disfarce de Ana.
Só o povo salva o povo. A reportagem da CNN Portugal na íntegra: clique aqui.

Tinha este rascunho de molho, e entretanto passou um mês. O PSD anda tão apagado que acabei por me esquecer que existia. Mas ontem lá tropecei numa notícia sobre as internas de amanhã, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade de tweet. Existem muitas maneiras de criticar um partido ou governante, bem mais eficazes e inteligentes, e dignas também, mas isto é bater no fundo. É, inclusive, um grande favor que faz ao PS. Um “regime totalitário socialista”? Contrataram os estrategas de marketing do CH, foi?
O PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que bem entender. Vivemos em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre a realidade que observamos. O PSD, por exemplo, entende que ficou provado, pelo próprio António Costa, que o que Portugal poderá esperar deste governo é:

You’re gonna like this guy. He’s all right. He’s a good fella. He’s one of us.
Na próxima Sexta-feira (dia 27 de Maio), na RTP1, o programa ‘A Prova dos Factos’ abordará as denúncias de abusos laborais, morais e sexuais por parte da Farfetch. Uma investigação que tardou, mas chegou. Acabar com a impunidade das multi-nacionais e com as loas que recebem, ao mesmo tempo que devastam os seus trabalhadores e os oprimem.
Iniciei, há umas semanas, um trabalho de investigação sobre o assunto, que podem ler, em duas partes, aqui no Aventar:
Enquanto as maiores cidades europeias dão passos rumo ao progresso, alterando as formas de locomoção das suas populações, a pouco e pouco, num processo que vem de trás, Portugal continua a correr atrás do prejuízo, como sempre.
E, mais grave do que Portugal num todo, é Lisboa, particularmente. Uma cidade que, em comparação com as maiores cidades europeias, é pequena, decide, pela mão do seu presidente da Câmara, Carlos Moedas, e pelo executivo que a compõe (PSD/CDS e mais uma catrefada de movimentos políticos), atrasar ainda mais Lisboa em relação às outras capitais europeias. Portugal sempre foi atrasado… mas deve ser dos únicos países da UE neste momento, onde andar a pé ou de bicicleta é “desporto”.
O que se está a passar, quer com a polémica da Av. da Liberdade, quer com a polémica ciclovia da Almirante Reis, atesta a incompetência do executivo e a prepotência e arrogância, com laivos autoritários, do senhor presidente da Câmara (tão lesto, antes, a mostrar a face do conciliador). A título de exemplo, ontem, depois de já se ter comprometido com forças da oposição de que iria ser aberta uma consulta pública para a ciclovia da Almirante Reis, Carlos Moedas desfez o acordo e desdisse a promessa: mandou iniciar as obras que desfizeram a ciclovia… que passa a não existir. Mais carros. Portanto, inevitavelmente, mais poluição; estamos sempre na vanguarda. Lisboa, que tem o potencial para ser uma cidade feita para as pessoas, até pelas características do país, continuará (o que só se acentuará com este executivo) a ser, apenas e só, uma cidade para os negócios e para os carros. Pessoas? Nos escritórios. Unicórnios, de preferência. Com dinheiro. Pessoas? Só fora da cidade. O neo-liberalismo que tinha sido (mais por obrigação eleitoral do que por vontade própria) posto na gaveta nos últimos anos em Lisboa, voltou em força com Moedas.
Um bando de tartufos governa a CML como bem entende, fazendo acordos e prometendo consensos para, depois, agir sozinho, a bel-prazer. Mas não vamos, agora, fingir que isto não era expectável. Votar no mal-menor para afastar um patego, pode ser perigoso, por muito que o patego o merecesse (mas, afinal, o patego foi promovido). Votar a medo dá sempre mau resultado, quando o voto deve ser convicto e não medroso. E é nisto que dá.
Menos de um ano de governação autárquica… e Moedas, perdoem-me o francês, vai fodendo isto tudo. Não que seja surpresa, sabíamos ao que vinha, apesar das máscaras que usou entre campanhas… e sabemos sempre ao que vem a direita: ao retrocesso.
Expectável, amigos. Aguentem.
Já agora, a EMEL anda a passar muitas menos multas, não é?

Fotografia: Tiago Sousa Dias
O turista que queremos, segundo o rei dos festivais que vive de turistas de mochila. pic.twitter.com/zFHWuaRKen
— Vitor S. (@homemdasteclas) May 25, 2022
Isto é extraordinário. Um empresário que tem nos festivais de Verão a sua maior fonte de rendimento, a afirmar que “ninguém quer turismo de mochila”, é anedótico. Isso e a total falta de noção sobre o que é o turismo, como se o turista de mochila fosse necessariamente pobre. Como se o miúdo que juntou uns trocos para vir a Portugal fazer uma road trip com passagem no NOS Alive não fosse o adulto que no futuro poderá cá voltar com mais recursos. Álvaro Covões acha que o país deve ter uma estratégia, mas, a julgar pela eloquência, deve ser de curto prazo. Haja coragem, porque noção não tem nenhuma.

Ted Cruz, senador ultraconservador do Partido Republicano, teve mais um momento de brilhantismo, a propósito de mais um massacre numa escola americana. O 30° este ano. 39°, se contarmos com universidades.
Afirma Cruz que o problema não é a proliferação descontrolada de armas nos EUA. O problema é as escolas terem demasiadas portas, quando deveriam ter apenas uma, guardada pelas forças de segurança. Estava resolvido o problema. Nunca um destes terroristas se lembraria de estacionar o carro em frente à escola e esperar pelo toque de saída. Ou de saltar o muro. Ou de começar por matar os polícias que guardavam a porta. Nada disso. Um génio, este Ted sem X.
Não admira, portanto, que Ted Cruz seja um dos oradores da conferência da NRA, o poderoso lobby que garante que a ideologia da morte sobre a qual assenta a proliferação descontrolada de armas continue a matar crianças, adultos e idosos todas as semanas, em escolas, igrejas e supermercados, só para citar os massacres deste mês. Em 2022, registos oficiais revelam um acumulado de 251 tiroteios, uma média de 1,7 por dia. Mas campanhas de Cruz não se vão pagar sozinhas. Dance, monkey, dance.

Já repararam que os “pró-vida/deixem as crianças em paz” nunca emitem um pio quando um terrorista americano entra numa escola aos tiros?
E sabem porquê?
Porque a vida, as crianças e tudo o resto são apenas meios que se instrumentalizam para atingir fins. São fachadas politicamente correctas para ocultar o que realmente os move: o fundamentalismo religioso e o ódio à democracia liberal.
Nos EUA, alegadamente a maior democracia do mundo, os massacres continuam. Só em escolas e universidades, contam-se já 39, só em 2022.
A grande maioria dos conservadores americanos, assim como a extrema-direita e toda a alt-right, que mais do que defender a livre circulação de armas, se recusam a aprovar o procedimento de background check, tem o sangue das crianças de Uvalde nas mãos. São os ayatollahs do terrorismo transformado num dos negócios mais rentáveis da maior economia do mundo. E as contribuições que recebem da NRA valem mais do que a vida das crianças assassinadas em mais um atentado em solo americano. As campanhas eleitorais e as troll farms não se vão pagar sozinhas.
Por razões de higiene também ortográfica, é raríssimo comprar o Expresso. Recentemente, João Costa deu a este jornal a sua primeira entrevista na qualidade de ministro da Educação.
Relembre-se, a propósito, que João Costa foi secretário de Estado do mesmo ministério durante os últimos seis anos.
A entrevista já foi devidamente escalpelizada pelo Paulo Guinote em quatro textos com a acutilância do costume: um, dois, três, quatro.
Limito-me a realçar o que, de qualquer modo, já foi realçado, roubando, ainda, uma imagem ao Paulo.

Em primeiro lugar, note-se que não há resposta à pergunta. Depois, a verdade é que João Costa trocou a função de professor pela de secretário de Estado e pela de ministro, o que não lhe retira nem acrescenta qualidades. Acrescente-se que João Costa é professor universitário, o que o coloca numa situação diferente da dos professores do Básico e do Secundário (e mesmo nestas duas áreas, há distinções importantes a fazer) e, portanto, afirmar que é “professor” é uma manobra de relações públicas altamente enganosa. Não se trata, aqui, de uma questão de superioridade ou de inferioridade.
A cereja em cima do bolo, no entanto, está nesta ideia insidiosa e repetida de que os professores não sabem lidar com a diversidade social e que isso se resolve com uma qualquer formação milagrosa. Os professores são um dos grupos profissionais que se encontram na primeira linha do contacto com a diversidade social, com tudo o que isso implica de frustrações, de imprevistos, de derrotas e de conquistas, muitas conquistas. [Read more…]

De forma inteligente e educada, e com o Kremlin enquanto alvo das suas declarações, o presidente finlandês explicou, há dias, o porquê do seu país estar à beira do fim de uma longa tradição de neutralidade, estando já em processo de adesão à NATO:
– Foram vocês que causaram isto.
Compreende-se. Se eu vivesse num país que partilha 1300km de fronteira com a Federação Russa, já teria metido os papéis mais cedo.
Sim, já sei que vou levar com malta a falar dos crimes da NATO. Não os ignoro. Nem vou perder tempo a argumentar porque a complexidade dessa discussão daria para um outro post, ou vários, mas não será este.
[Read more…]https://twitter.com/i/broadcasts/1YpKkZvjLEExj?t=JKRBLAhBGIzdWFo00XKF6A&s=09
Depois de se ter esquecido que, a exemplo do FC Porto, também o SLBenfica e o Sporting foram recebidos pela Câmara Municipal da sua cidade. Realmente, é uma agenda que mais parece um queijo suíço….
Sérgio Sousa Pinto é um senhor que encontramos sempre no café da rua, de há uns 20 anos para cá. É quase mobília. Está lá sempre, nunca falha, a compor a sala.
Antigamente, quando era mais jovem, o senhor Sérgio era um homem activo, dinamizador, pungente. Falava com toda a gente, ajudava a servir às mesas, deixava as maiores gorjetas e ainda era capaz de fazer o fecho – só na carolice.
Agora? Agora não. Não sei se foi da vida, não sei se lhe aconteceu alguma coisa, mas o velho Sérgio hoje não fala com ninguém a não ser com um puto de gravata, chamado Sebastião, que lá aparece e que pede sempre um copo de leite morninho (o Sérgio que só se sentava connosco, a malta do lúpulo, do tinto e da aguardente!). Sentam-se os dois, velho e adolescente, todos os dias no canto direito da sala – lugar taciturno, lúgubre e húmido. O Sérgio, hoje já sem a genica de outros tempos, lá vai resmungando umas coisas imperceptíveis. Imperceptíveis para nós que conhecemos o Sérgio há mais de 20 anos… mas o jovem que com ele se senta ri-se de tudo o que o Sérgio diz. Não admira que seja o Sérgio a pagar os copos de leite ao miúdo.
Quando era jovem, antes de se ir embora, o Sérgio dizia sempre:
Hoje em dia, a única coisa que conseguimos perceber vinda dos lábios do Sérgio é, também, a despedida. Só que a memória não é mesma e as palavras já não saem iguais. Agora, antes de sair, o Sérgio grita sempre:
Não sei se é a ânsia de não se esquecer, não sei se é para nos relembrar, mas a verdade é que parece ser a única de que se orgulha na vida, pois é a única coisa que sai perfeita da sua boca. Não é bonito de relembrar, mas percebe-se a dicção.
E depois lá vão eles, o Sérgio agarrado à bengala a murmurar desalentos (bengala que diz, com orgulho, ter sido feita pelo mesmo madeireiro que fez a cadeira ao Botas) e o jovem Sebastião (que foi quem lhe ofereceu a bengala) ao lado a rir muito de tudo o que o Sérgio diz e não se percebe.
No outro dia, surpreendentemente, o Sérgio berrou a toda a gente no café uma frase que se ouviu inteira:
E responde-lhe o Oliveira, um social-democrata:
O Sérgio e o Sebastião nunca mais lá apareceram.
A Maria Vieira teve mais coragem do que os direitolas todos que andaram anos a apertar a mão a Putin & Oligarcas Lda.
Nisto, já deu 10-0 a Adolfos, Cotrims e Durões. Ao menos, não se fez de dissimulada. Mais vale assim.

Um trio higiénico… com o penso no sítio errado.
Vitória!
O Governo, por proposta do Livre e da Iniciativa Liberal, decidiu baixar o IVA dos produtos menstruais para a taxa mínima.
Estes produtos, outrora sujeitos à taxa mínima de 6%, passam agora a estar disponíveis… à taxa mínima de 6%.
Portugal sempre na vanguarda! Viva Portugal!

Sinto-me na obrigação de elogiar Maria Vieira. Perante o surto de cobrado-hipocrisia na área mais extrema da direita, Vieira é uma lufada de ar fresco de honestidade. Diz ao que vem e quem diz ao que vem não merece castigo.
Duas décadas a financiar a extrema-direita, e é esta a paga que Putin recebe. Mas nem todos são traidores, ou dissimulados, ou sleeper agents. Algumas, como Maria Vieira, não cospem no prato que deu de comer ao projecto ideológico em que o seu partido se insere. Uma Europa de soberanias nacional-fascistas.

Dá asco ou não dá, ouvir uma entrevista da RTP tão vazia que bem espremida se resume a 3 ou 4 novos dados em quase 11 minutos? De Galamba já sabemos que procura falar sem revelar nada de verdadeiramente importante da área que gere. Os cidadãos, quanto menos perceberem e souberem do assunto, melhor. Repetir qual papagaio as mesmas superficialidades chega a ser doloroso, mas não o rala. Por três vezes pensei que a entrevista tinha voltado ao princípio.
Da jornalista, que dizer? Em que mundo viverá? Não havia uma perguntinha sobre o impacto ambiental da coisa? Nunca terá ouvido falar do impacto devastador na biodiversidade? Não havia uma perguntinha sobre protestos dos cidadãos? Não havia uma perguntinha sobre o fracking para obtenção do LNG que por ali vai adentrar? Não havia uma perguntinha sobre o tipo de contratos que vão ser feitos com a REN? Não havia uma perguntinha sobre os benefícios reais para o bem público?
Não há esperança. O reinado da ganância está de tal modo legitimado em PT, que a crise climática e a biodiversidade não passam de enteadas a enxotar. Interessa só e apenas o valor embusteiro do PIB e que se continue a consumir de modo a não haver amanhã.
Esta geração vai merecer o prémio histórico da Devastação. Mas até lá não lhes doa a eles a cabeça.

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente
Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua.
De Sophia de Mello Breyner Andresen
Catarina Eufémia foi assassinada a 19 de Maio de 1954.

Imagem retirada de https://imeu.org/
Este é Ragheb Samhan. Tem 13 anos e uma deficiência intelectual.
No passado dia 28 de Março de 2022, Ragheb brincava com outras crianças e adolescentes na rua quando, de súbito, estas acabam perseguidas pelo exército israelita. Encurralado, Ragheb é capturado, de acordo com a organização humanitária israelita B’Tselem, “o centro israelita para os direitos humanos”, que tem denunciado inúmeros casos de abuso por parte das forças israelitas.
Posteriormente, os soldados israelitas ataram as mãos do pequeno Ragheb, vendaram-no e agrediram-no, sem nunca avisarem a família do paradeiro do jovem palestiniano. Horas depois, largaram-no à entrada de Ramallah, o bairro onde vive Ragheb, sem nunca lhe retirarem a venda e as algemas. Foi, depois, encontrado por familiares.
Mais tarde, os mesmos membros da IDF apareceram à porta da casa dos familiares de Ragheb Samhan, prendendo dois familiares, também menores, agredindo-os com socos e pontapés para, depois, os soltarem sem qualquer acusação.
Cerca de 160 crianças palestinianas são presas pelas autoridades israelitas todos os meses. Em 2021 Israel assassinou 86 crianças.
O CHEGA quer governar o país, mas depois não sabe a diferença entre o 25 de Novembro de ‘75 e o de ‘76 e ainda equipara a data dos reaccionários ao 25 de Abril.
A Iniciativa Liberal quer governar o país, mas depois diz que em 1949 Portugal pertencia ao “mundo livre” e ainda troca a bandeira da Polónia pela da Indonésia.
Direita muito torta, esta.

Fotografia: jornal Expresso
Uma hipotética implosão da Federação Russa poderá revelar-se uma catástrofe mundial sem precedentes. A transformação do gigantesco território russo numa manta de repúblicas “independentes” e “populares”, com a proliferação nuclear que daí resultará, multiplica por horrores a hipótese remota, mas não impossível, de um disparo fatal. A julgar pelos senhores da guerra que se seguiriam, como o carniceiro Checheno Ramzan Kadyrov, julgo que não demoraria muito até aparecer alguém a dizer “volta, Putin, estás perdoado”. Bem sei que é uma infâmia, sequer pensar uma coisa destas, mas o Saddam também era uma monstruosa besta e o que se seguiu foi bem pior. Sorte a nossa, as armas de destruição maciça não estavam lá. Acontece que a Federação Russa não é o Iraque e o que para lá não falta são nukes. Be careful what you wish for…

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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