Um tacho, é um tacho é um tacho….

Nunca fui meigo quando a coisa vinha do PS. Nunca serei meigo quando a coisa é obra do PSD. A fonte é o Observador, a realidade é portuguesa. E não há inocentes nesta matéria.

Comunicação Social: Esquerda? Direita? Volver…

se o twitter fosse uma mesa de voto em legislativas, a discussão pelo primeiro lugar seria renhida entre o Bloco e a IL mas se fosse colocada uma mesa de voto só para as redações, a disputa pelo lugar cimeiro seria entre o PCP e o Bloco? Mas é mesmo assim?

 

Nas redes muito se discute quem é que domina a comunicação social. Para uns, com o nosso João Mendes à cabeça, é a direita. Para outros, não senhor, é a esquerda até porque domina as redações – se o twitter fosse uma mesa de voto em legislativas, a discussão pelo primeiro lugar seria renhida entre o Bloco e a IL mas se fosse colocada uma mesa de voto só para as redações, a disputa pelo lugar cimeiro seria entre o PCP e o Bloco? Mas é mesmo assim?

Recentemente, Pedro Guerreiro (jornalista do Público) e João Zamith discutiam esta dicotomia “esquerda VS direita” sobre os artigos de opinião do Público. Zamith atirava que a opinião no Público estava dominada pela direita (João Miguel Tavares, F. Bonifácio, MJMarques, Paula Teixeira da Cruz, Francisco Mendes da Silva, etc) ao que Pedro Guerreiro recorda outros opinadores de esquerda (Mamadou Ba, Domingos Lopes, RT, JPP, Loff, etc). Estou a resumir o “bate papo” entre eles e não a transcrever ipsis verbis, só para avisar.

Já João Mendes tanto nos seus escritos no Aventar como nas suas intervenções nas Conversas Vadias como em tweets na sua página do Twitter, segue a opinião de que a comunicação social em Portugal é dominada pela direita e, mais recentemente, que o PCP está em desvantagem total nesta matéria por falta de comentadores nas televisões e jornais. Será que é mesmo assim?

Não é alheia a esta choradeira da direita e da esquerda sobre a comunicação social o mais recente deboche com o Chega. Ou seja, desde a noite eleitoral das legislativas temos assistido a um corrupio de eleitos do Chega nas televisões a opinar. A coisa dá audiências e as televisões não se fazem rogadas. 

Posto isto, a direita domina a comunicação social? Ou é a esquerda que interpreta esse papel na perfeição?

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Deus perdoe a Rio….

 

150 mil votos de portugueses a viver na Europa foram para o lixo. Qualquer coisa como os votos de um concelho inteiro da Área Metropolitana do Porto ou de Lisboa. Foram só 80% dos votos. Só! Porquê?

A imprensa conta a coisa com detalhe. Primeiro o PSD aceitou que fossem validados os votos sem cópia do cartão do cidadão e depois voltou atrás com a sua decisão. O representante do PSD nesta brincadeira chama-se António Maló de Abreu, vice-presidente do partido. Certamente, confundiu as eleições para a sua concelhia com eleições legislativas. Que o senhor deputado esteja habituado a batotas nas eleições internas do seu partido, estou como o outro, quero lá saber. Agora que adopte o mesmo tipo de pensamento para umas eleições sérias e a sério, isso já é outra conversa. É que isto foi uma cuspida na cara aos portugueses que, vivendo fora do seu país de origem, entenderam exercer o seu DIREITO de voto. Um direito que foi conspurcado e violado pelo senhor Maló. No alto da sua arrogância e na sua pequenez mentalidade este vice-presidente do PSD desrespeitou os seus eleitores e a história do seu partido. Num partido decente e com liderança o senhor Maló já tinha ido borda fora. Num país a sério os senhores Maló não teriam este tipo de poder. 

Ora, António Costa, ainda tentou que Rio demovesse a figura. Não foi fácil. Até que o “sabidola” do Costa jogou a cartada essencial para convencer o contabilista que ainda lidera o PSD: anular 80% dos votos era um rombo considerável nas contas da subvenção dos partidos. Foi tiro e queda para Rio se mexer da cadeira. Mas foi tarde. Isto realmente não se inventa.

Em toda esta história fica uma conclusão: a liderança de Rio no PSD é absolutamente tóxica. Deus lhe perdoe. Eu não.

A Direita e as Direitas – Parte 2

No passado dia 2, no rescaldo das eleições legislativas, publiquei uma análise sobre o resultado das direitas e deixei algumas pistas daquilo que entendo serem os desafios do futuro para a reorganização deste espaço político em Portugal.

Ao longo dos dias seguintes vi surgirem outros “escritos” a reflectir sobre o mesmo. Como vi nas televisões alguns a procurar fazer o mesmo, independentemente de seguirem ou não a mesma lógica de raciocínio da minha análise (um deles foi o João Miguel Tavares no programa Governo Sombra e agora é só aguardar para ver o que vai, sobre isso, escrever na sua coluna de opinião no Público, não deve tardar…). Entretanto, tropecei em duas opiniões que, a meu ver, merecem alguns apontamentos. Um artigo de opinião no Observador e uma entrevista ao semanário Novo.

Em artigo de opinião publicado hoje no Observador, Pedro Guerreiro debruça-se sobre a Direita que não está no parlamento. Um artigo bastante lúcido e que deveria servir de base para a discussão interna do CDS. No seu entender, a democracia cristã “é a representante de uma Direita moderada a que gosto de chamar social”, uma direita personalista defensora da iniciativa privada equilibrada com a intervenção do Estado. Mas aquilo que mais me chamou à atenção no seu artigo e que está, a meu ver, em linha com aquilo que escrevi logo após as eleições, é este ponto: “O problema da Direita não é de liderança e só pode ser resolvido ao contrário: percebendo primeiro o país, para depois escolher as pessoas”. 

Por outro lado, o Professor Nuno Garoupa, em entrevista ao semanário Novo, analisando o que se passou no CDS (uma vez mais coincidimos) atira com a necessidade do PSD se transformar – em linha com aquilo que eu, no meu artigo, referi sobre a necessidade do renascimento do PPD. Para ele, o PSD necessita de fazer internamente o que Monteiro e Portas fizeram ao CDS quando o transformaram em PP, “Um partido completamente novo, com uma mensagem nova e gente nova”.

Ora, o PSD não percebeu que o nascimento e a afirmação da Iniciativa Liberal mataram, de vez, a possibilidade do PSD continuar a ser o albergue espanhol de todas as correntes do centro direita e da direita. Como antes escrevi, os liberais não voltam ao PSD. Por sua vez, os conservadores em todas as suas vertentes não são social democratas. E o PS, enquanto casa dos social democratas, não vai desbaratar esse capital que, como bem sabem, lhe é fundamental eleitoralmente. Por isso mesmo, o caminho do actual PSD é a afirmação do PPD como a casa do centro direita e da direita não conservadora nos costumes deixando para o CDS ou para o que dele resta os conservadores “tout court”. A maioria absoluta do PS e de António Costa é uma oportunidade de ouro para a transformação do PSD. E será um erro e um suicídio de o actual PSD se dedicar a escolher simplesmente um líder em vez de debater o futuro – debater o futuro é compreender o que resta do PSD, o que realmente representa e para onde quer ir para ser uma alternativa credível aos olhos dos portugueses. O passismo, bem ou mal, com ou sem razão, por culpa própria ou da Troika – não vou discutir esse tema – afastou franjas da população que sempre foram próximas do PSD como os reformados, os funcionários públicos, os micro e pequenos empresários, os profissionais liberais e uma parte importante dos professores e todos estes não regressam sem uma profunda mudança que não pode ser meramente cosmética. 

Será que o “povo militante” do PSD percebe isto? É que pela amostra dos últimos dias, o seu “povo dirigente” ainda não percebeu nada, ainda não saiu da bolha. 

A Direita e as Direitas – Crónicas do Rochedo 48

 

O principal pecado de RR começa logo nesta divisão. Rio era conservador às segundas, quartas e sextas e liberal às terças e quintas. Nos sábados e domingos dividia-se entre o descanso em Viana do Castelo e afirmar que era de centro esquerda. Em suma, RR era tudo e o seu contrário. No fundo, não era nada. E como não é nada, nada é o resultado da sua liderança no PSD. Um enorme nada.

 

A noite eleitoral de ontem foi um desastre absoluto para parte da direita portuguesa. O CDS-PP desapareceu do mapa que conta e o PSD levou uma pancada monumental. 

Podemos considerar que existem razões internas fruto das respectivas lideranças. Por um lado, temos o CDS-PP de Francisco Rodrigues dos Santos (FRS) que cometeu o erro de não ter feito as directas e, pelo outro lado, Rui Rio (RR) que foi péssimo na oposição. É uma leitura possível mas, a meu ver, simplista. 

Simplista porque o problema do CDS é anterior a FRS. O CDS estava em queda livre e vertiginosa desde que Paulo Portas desertou. A liderança de FRS foi minada desde o momento em que este decidiu, consciente ou inconscientemente, largar as amarras do “portismo”. A partir daí nunca mais teve sossego. Conviveu com um grupo parlamentar que não era o seu e com comentadores CDS nos diferentes órgãos de comunicação social que eram oposição à sua liderança e de fidelidade canina ao “portismo”. Como alguém escreveu (não sei se foi o Rui Calafate ou o João Gonçalves), FRS teve que viver rodeado de lacraus. O cúmulo foi ver como uns desertaram logo no momento anterior à campanha eleitoral e os restantes desertaram da campanha sem desertarem dos palcos oferecidos pelos OCS. Mesmo assim, sem grandes meios humanos, sem meios financeiros e sem boa imprensa até esteve bem na campanha eleitoral. Mas não foi suficiente. 

Por sua vez, Rui Rio com a vitória nas directas conseguiu ter tudo: os meios, a máquina, os opositores e até, pasme-se, boa imprensa. Mesmo assim, não evitou o desastre. Mesmo com a estratégia de comunicação do Rio bonzinho, tolerante e simpático. Quem não o conhecia até podia ser levado a acreditar. Quem conhecia o RR original (que ressuscitou na noite das eleições com o momento alemão) sabia que tudo aquilo era plástico. Não critico a opção dos seus estrategas de comunicação. Apresentar o RR original seria arriscar nem chegar aos 20%. Como os compreendo.

Contudo, o desastre eleitoral do PSD é mais complexo que isto. 

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O extremismo é isto, Dr. Rui Rio

Numa das várias vezes em que André Ventura entalou Rui Rio no lamaçal, durante o frente a frente na SIC, o líder do PSD não foi apenas incapaz de afirmar, de forma categórica, que o CH não entra nas contas do PSD, perdendo-se em ambiguidades e engasgando-se em “se’s” e “mas”. Dias depois, num outro debate, chegou mesmo a usar parte dos seus 12 minutos para defender a posição do líder da extrema-direita sobre a prisão perpétua.

Rui Rio foi igualmente incapaz de explicar aos espectadores em que medida o CH é extremista. Como não sei se foi por ignorância, cobardia ou tacticismo, aqui fica uma lista, com vários exemplos daquilo que é o extremismo do Chega, no improvável caso de se voltar a encontrar com Ventura para debater:

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Rui Rio prestou um péssimo serviço ao regime democrático português

Rui Rio prestou um péssimo serviço ao regime democrático português, ao não ter tido a vontade, a coragem e a determinação de se demarcar categoricamente de André Ventura e do discurso desonesto, manipulador e de ódio da extrema-direita. Para quem tanto gosta de aludir à Alemanha, e elogiar o seu sistema político, Rio deveria estar mais atento ao exemplo de Angela Merkel, que sempre defendeu o cordão sanitário em torno da AfD, mesmo quando isso significou entregar o poder ao Die Linke, o homólogo alemão do BE, na Turíngia.

Rio falhou quando se enterrou em ambiguidades para se esquivar a dizer aos portugueses se conta ou não com a extrema-direita, deixando a porta aberta a entendimentos. Falhou ao ser incapaz de enumerar as características extremistas do Chega, que são inúmeras e evidentes, situação que vem reforçar a ideia de que a porta está e estará aberta a entendimentos. Falhou quando se deixou enredar na teia de Ventura, permitindo-lhe marcar o passo do debate, fazendo o seu jogo e respondendo às suas perguntas. Falhou quando gastou tempo precioso, que nestes debates é escasso, para responder a vacuidades como a questão da prisão perpétua. Quem não consegue debater com Ventura sem ser capturado por ele não tem condições para liderar o país. Vice-primeiro-ministro de António Costa é o máximo que poderá aspirar. E mesmo assim…

The Valongo-Panamá Connection: o regresso de Agostinho Branquinho (e de Marco António Costa)

Ao contrário daquilo que normalmente acontece no PS, onde qualquer militante da mais recôndita freguesia, quando em contacto com alguém que esteve em contacto com alguém que esteve em contacto com Sócrates, corre risco iminente de ser imediatamente infectado com o vírus da corrupção, no PPD-PSD a vida tende a ser mais tranquila. Ou, como um dia lhe chamou Paulo Portas, “O PPD é o Estado em movimento. É a versão carnal, física do Estado”. Em princípio é isto.

Veja-se o caso de Dias Loureiro, que, tal como José Sócrates, não foi ainda condenado por coisa nenhuma, mas que, ao contrário do antigo PM, faz a sua vidinha na descontra, sem que perigosa imprensa controlada pela esquerda e pelo PS ouse incomodar a paz de um dos banqueiros por trás desse grande sucesso de bilheteira que foi o BPN. Tirando um ou outro meme, inócuo, com o qual ocasionalmente nos cruzamos numa qualquer rede, já não me lembro de ouvir ou ler uma linha sobre Dias Loureiro. A última vez que me recordo ouvir falar nele, foi quando Pedro Passos Coelho, nos idos tempos de além-Troika, decidiu elogiá-lo e apresentá-lo ao país como um exemplo de sucesso.

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Cavaco Silva e André Ventura: a mesma luta

Segundo Cavaco Silva, o PSD devia entender-se com o Chega. É uma opinião legítima, entenda-se, mas que surpreende um total de zero pessoas, excepto as que estiveram hermeticamente fechadas numa arca criogénica nos últimos 40 anos. Falamos do mesmo Cavaco que se sentia perfeitamente integrado no regime fascista, politicamente e moralmente abonado por três fascistas no exercício de funções. O mesmo Cavaco que recusou uma pensão a Salgueiro Maia e atribui a dois inspectores da PIDE, António Augusto Bernardo e Óscar Cardoso. O mesmo Cavaco que boicotou Saramago por motivos ideológicos. O mesmo Cavaco que apelidou o 10 de Junho de “dia da raça”. O mesmo Cavaco que votou contra a resolução da ONU, aprovada por esmagadora maioria, em 87, que exigia a libertação de Mandela. The list goes on, pelo que não existe surpresa alguma em ver Cavaco do lado dos neosalazaristas. A única surpresa é não ter sido ele a fundar o Chega. Ou ter assentado arraiais num partido de centro-direita com designação oficial de ideologia de centro-esquerda. Isso sim, surpreende.

As purgas que não te farei: uma história de perdão e estratégia, com Rui Rio e Nuno Morais Sarmento

Há purgas e purgas. E se foram por demais evidentes os ajustes de contas no aftermath das internas, reflectidos na construção das listas do partido à Assembleia da República, nem todos os opositores, desertores e/ou traidores foram tratados da mesma maneira por Rui Rio. Veja-se o exemplo de Morais Sarmento. Integrou a actual direcção desde o início, abandonou o barco após Rangel ter desafiado Rio para o duelo eleitoral, mostrou-se indisponível para voltar a integrar a direcção, recusou-se a apoiar o líder posto em xeque, colocando-o no mesmo patamar do “oportunista” que desestabilizou o partido na antecâmara das Legislativas, e agora, consumada nova vitória de Rio, não foi acossado ou alvo da vendeta do incumbente. Antes, foi premiado com a presidência do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD.

E porquê?

Porque, como em tudo na vida, nem todos os barões são iguais. Alguns são mais iguais que outros. E porque o spin, neste caso o do Robin Hood laranja, que tira aos notáveis para dar às bases, não passa disso mesmo: propaganda.

The Rui Rio conspiracy

Rui Rio ficou aborrecido com a detenção de Rendeiro. O timing não serve os seus interesses ou os do seu partido. Só lhe faltou dizer que foi tudo engendrado pelo PS, para completar o ramalhete. Presumo que a detenção de Manuel Pinho, ocorrida ontem, fará igualmente parte do plano eleitoralista do PS. Tal como o facto de Mario Lino, Paulo Campos e Teixeira dos Santos terem escapado à justiça pela via da prescrição. Uns safam-se, outros lixam-se, mas, na verdade, na disso importa: é tudo parte de um grande esquema para beneficiar o PS, mesmo quando o prejudica.

Claro que Rio é livre de fazer os números que quiser. Estamos a pouco mais de um mês das Legislativas que decidem o seu futuro político e, a bem da verdade, disparar parvoíces não é um exclusivo seu. No entanto, a forma como desprezou e menorizou o trabalho da PJ, destratando o papel da polícia portuguesa na detenção de Rendeiro, ficou-lhe muito mal. É óbvio que foi a polícia sul-africana que deteve Rendeiro. Nem poderia ser de outra maneira, ou não tivesse a detenção ocorrido em território sob sua jurisdição. Daí até reduzir a acção da PJ a nada, vai um longo e lamentável caminho.

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Directas PSD 2021 – Final

Rui Rio ganhou as eleições directas.

Directas PSD 2021 – 2

Apuradas pouco mais de 50% das secções:

Directas PSD 2021 – 1

Apuradas que estão 1/3 das secções de voto:

 

 

Rangel ganhou distrito de Castelo Branco. Rio ganhou distrito de Viana do Castelo.

 

EM ACTUALIZAÇÃO

Paulo Rangel e a Comunidade LGBTQIA+ do PSD

Estou persuadido de que Rangel obterá uma vitória significativa nas eleições internas, talvez por ser o primeiro candidato a líder que consegue arregimentar, em torno de si, a vastíssima, embora silenciosa, Comunidade LGBTQIA+ do PSD.
A ver vamos

A vingança de André Ventura

Foto: Eduardo Costa/Lusa@Público

Quero começar por endereçar os merecidos parabéns a Rui Rio, que teve visão e habilidade política para mandar o cordão sanitário às urtigas e escancarar os portões da democracia para a entrada da extrema-direita. Um ano depois, o resultado está à vista: perdeu eleitorado para os extremistas, viu o seu junior partner ser canibalizado, a ponto de ficar ligado às máquinas, e o acordo para os Açores está na iminência de cair à primeira birra de André Ventura, que andou a mendigar ministérios num hipotético governo PSD, não conseguiu e lá se vingou no arquipélago. Lição nº 1 da extrema-direita: a extrema-direita não tem palavra: move-se, única e exclusivamente, pela destruição da democracia, pelo ódio e pela agenda pessoal do seu dono. [Read more…]

Quem é Nuno Miguel Henriques?

é o militante do PSD que também quer liderar o partido e que vai obrigar Paulo Rangel a debater. The plot thickens…

Rio abaixo, em direcção ao precipício

Entrevistado por Vítor Gonçalves, na RTP, Rui Rio assumiu estar preparado (e determinado) para dialogar com o PS. Para evitar que Costa se volte a virar para BE e PCP, sublinhou. Ou para viabilizar o seu próprio governo, inevitavelmente minoritário, agora que, assegura, não há diálogo possível com o Chega.

Por muito que se possa elogiar este aparente sentido de Estado, mesmo depois de Costa ter feito questão de detonar, com estrondo, a ponte com o PSD, é preciso não conhecer o partido em que se transformou o PSD para cometer este hara-kiri em canal aberto. Um partido em que parte significativa dos seus militantes, altamente radicalizados, agarrados a uma narrativa lunática muito idêntica à pregada pela extrema-direita, defende que vivemos num regime totalitário idêntico ao venezuelano, controlado por um lobby gay-feminista-socialista, financiado pela dupla Soros & Gates, que quer reduzir a população mundial através da ideologia de género, com a lavagem cerebral a começar na escola primária.

Estas pessoas não querem nem ouvir falar de acordos com o PS. Preferem o Chega. A própria IL, para muitas destas pessoas, é uma perigosa agremiação de esquerda. Pessoas que comparam Costa a Salazar e, em caso de dúvida, escolhem o segundo. Rio parece já não conhecer a sua audiência. Paulo Rangel, mais táctico e calculista, agradece.

As alternativas a António Costa são estas? Então a culpa é do socialismo.

Aplicada a machadada final no que restava da Geringonça, da qual o BE já havia debandado ao chumbar o Orçamento do Estado para 2021, os partidos à direita deram início às celebrações, que, de resto, já haviam começado com a vitória de Carlos Moedas em Lisboa, que muitos consideraram ser o ponto de viragem e o acontecimento que marcava o início do fim da hegemonia do PS. E talvez o seja, a ver vamos.

Contudo, que direita se propõe governar o país? Um PSD entregue a uma guerra interna, mal cheirou a poder, com Paulo Rangel a liderar a rebelião, o mesmo Paulo Rangel que, não há muito tempo, afirmava, convictamente, que Rui Rio seria o próximo primeiro-ministro de Portugal, e expressava todo o seu apoio ao ainda líder do PSD, para no final da passada semana protagonizar uma espectáculo de facas longas em Belém, com um Marcelo que, no processo orçamental, falhou em toda a linha? Um CDS que, perante a crise à esquerda, decidiu ter o seu momento “hold my beer” e entrou em processo de autodestruição, com uma debandada geral da inteligentsia portista? Um CH cada vez mais extremista, que, só nestes últimos dias, teve o seu dono a insurgiu-se contra a expressão “Fascismo Nunca Mais”, um vice-presidente a fazer um ataque misógino e ordinário a uma deputada e outro a atacar jornalistas, acusando-os de serem “o tumor maligno da democracia”? Uma IL irrelevante, que está para o PSD como o Bloco está para o PS? O que têm estes partidos, no presente momento, para oferecer? Pouco ou nada, parece-me.

Entretanto, no Largo do Rato, António Costa sorri e debate, internamente, dois cenários: ganhar com maioria absoluta ou ganhar sem maioria. Se o primeiro se verificar, algo que me parece pouco provável, pouco haverá a dizer. Caso ganhe sem maioria, importa saber o que restará das pontes que uniam o PS aos partidos de esquerda, e se ainda será possível reconstruí-las. Seja qual for o cenário, tudo indica que o poder continuará do lado esquerdo do espectro. A direita está demasiadamente ocupada consigo própria, e com quem decidirá a formação das listas de deputados para as próximas Legislativas, para discutir o país e apresentar uma alternativa credível. Mas o responsável pelo buraco em que se enfiou, seguramente, há-de ter sido o socialismo.

16 de Janeiro

Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.

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Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.

Deve ter ido pagar as quotas para poder votar no Rangel…

Após chumbo do Orçamento, Marcelo saiu de Belém para ir… ao multibanco

Marcelo, Rangel e a selfie da filhadaputice

Aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Rui Rio, ao receber Paulo Rangel em Belém, não na qualidade de eurodeputado, mas na de candidato a líder do seu partido, que vem a ser o mesmo do presidente, tem um nome. Chama-se filhadaputice.

A filhadaputice torna-se ainda mais filha da puta se considerarmos o momento que vivemos, com o chumbo do orçamento iminente, a possibilidade de dissolução da Assembleia da República e as internas do PSD no horizonte. Internas que Rangel está a tentar, a todo o custo, antecipar, correndo atrás de assinaturas para um conselho nacional extraordinário. Terá reunido com o presidente para coordenar o calendário da dissolução da AR? Não sabemos. Mas sabemos que já cheira a sangue e a poder, que Rio está na linha da frente para ser primeiro cordeiro a ser sacrificado e que o velho Marcelo, não o performer das selfies, está oficialmente de volta.

Repito o que já escrevi estes dias: Rangel está em melhor posição que Rio para derrotar Costa nas urnas. E em pior para formar governo, por ter queimado as pontes com o CH, cujos deputados poderão ser fundamentais para a aritmética à direita. Da minha perspectiva, que tenho como prioridade máxima a reposição do cordão sanitário com a extrema-direita do lado de fora, Rangel serve melhor os meus interesses do que Rio. Mas esta sequência de punhaladas nas costas de Rui Rio, à qual se junta agora Marcelo, é reveladora daquilo que poderá vir a seguir. Não surpreende. Rangel tem a escola dos grandes escritórios de advogados neste país. É um lobo com pele de cordeiro. Mal por mal, de Rio sabemos o que esperar.

Paulo Rangel, a crise política e a incompetência da direita

Apesar de situação delicada em que se encontra a esquerda e, em particular, o governo de António Costa, o PSD decidiu, uma vez mais, dar a mão ao regime vigente. Bem sei que Paulo Rangel tinha a coisa bem estudada, montou e pôs um prática um plano bem pensado e estruturado, e até contou com o contributo de altas personalidades do partido, que, de forma mais ou menos dissimulada, se prontificaram a apoiar o assalto ao castelo da São Caetano. Azar o deles, a política não é uma ciência exacta e as sondagens autárquicas não se confirmaram, oferecendo a Rui Rio um prémio de consolação que foi bem para lá do expectável e daquilo que está direcção do PSD podia aspirar. E que pôs em causa o plano de Paulo Rangel, que contava com um desaire nas Autárquicas para chegar, sem sobressaltos, ao topo da hierarquia do partido.

Sucede que já era tarde demais para Rangel recuar. E com o exército passista mobilizado à sua volta, com a perspectiva de regressar ao governo e de pôr as mãos na bazuca, colocar o plano em lume brando já não era opção. Vai daí, Rangel não teve outra opção que não fosse avançar. E Rio, com toda a legitimidade, decidiu defender a sua posição, depois de três anos e meio de travessia no deserto. É natural que não queira ser o António José Seguro de alguém que, ainda há meses, dizia estar de pedra e cal com o ainda líder do PSD. E com razão, diga-se. E escrevo isto com a certeza que Rangel está em melhores condições para derrotar Costa nas urnas.

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Resumo do artigo do Cavaco

Tudo o que correu mal é da responsabilidade do PS, do BE e do PCP.

João Rendeiro e Cavaco Silva: uma pequena história com pouco interesse

João Rendeiro, o gangster financeiro do BPP que soma acusações e condenações, fugiu do país. Era expectável. Um criminoso condenado, a quem era permitido viajar sem limitações, foi dar um passeio a Inglaterra mas acabou por se escapulir para um país sem acordo de extradição com Portugal. Era interessante saber que juiz permitiu que viajasse para fora do país, com uma condenação que já transitou em julgado. Se fosse o juiz Ivo Rosa já se sabia, mas este deve ser dos bons e só se enganou desta vez. O gajo era capa das Exames da vida, em princípio era bom rapaz. Deve ter sido isso.
Importa clarificar que João Rendeiro, ao qual a imprensa habitualmente se refere como “banqueiro”, e só como “banqueiro”, é alguém que, noutra vida, circulou nos corredores do poder. Em 2006, João Rendeiro foi um dos principais financiadores da primeira campanha presidencial de Cavaco Silva, atribuindo aos político dos políticos o donativo máximo permitido por lei (22.482€), a par de personalidades tão distintas como Ricardo Salgado ou Oliveira e Costa. A fina flor da banca portuguesa, que sempre encheu as contas bancárias das campanhas de Cavaco.

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António Costa, o vencedor das Autárquicas 2021

Confesso que estou surpreendido com alguns comentários e comentadores que falam numa grande derrota do PS. E se é verdade que as derrotas de Coimbra e Funchal eram expectáveis, a queda de Medina é a grande surpresa da noite e um ponto importante para o PSD, que regressa ao poder na capital. Mas, sejamos sérios: controlar a capital vale por isso mesmo, pelo controle da capital, mas não equivale a vencer as eleições. E o controle que Moedas exercerá sobre a capital, convenhamos, tem muito que se lhe diga, na medida em que a sua coligação tem 7 vereadores, o PS outros 7, o PCP tem 2 e o BE tem 1. O mesmo se passará na Assembleia Municipal, onde Moedas não tem maioria e a direita tem menos quatro representantes do que a esquerda. Pelo que Moedas tem duas opções: ou negoceia à esquerda, ou não governará.

O que ganha eleições autárquicas, como em anos anteriores, é a conquista de mais câmaras municipais e freguesias. O PS conquistou 148, o PSD, sozinho ou nas múltiplas coligações em que se envolveu (e aqui vou incluir as câmaras do CDS, para dar volume à coisa) não chega às 120. Serão 119, se não estou em erro, menos 29 que o PS. Significa isto, portanto, que o PS mantém o controle sobre a Associação Nacional de Municípios.

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Não é vitória. É castigo

Em 2001, Fernando Gomes perdeu a Câmara do Porto, por castigo.

Foi o preço por ter aceite trocar a cidade do Porto, pelas delícias do estatuto de Ministro-adjunto e da Administração Interna na capital do império em 1999, em pleno mandato de Presidente da Câmara do Porto.

As gentes do Porto não gostaram da troca. E, tal como a mulher abandonada que vê à porta o marido regressado da casa da amante, porque as coisas não deram certo, as gentes do Porto bateram-lhe com a porta na cara.

Rui Rio, contra os oráculos, tornou-se presidente da Câmara do Porto, porque Fernando Gomes foi castigado pela infidelidade.

Ontem, as gentes de Lisboa não deram a vitória a Carlos Moedas: castigaram Fernando Medina.

O socialista, há poucos dias, tinha sido considerado pela esmagadora maioria dos inquiridos numa sondagem, como mais arrogante do que Carlos Moedas.

Foi a permanente arrogância de Fernando Medina, a principal razão do castigo. E o caso das informações às embaixadas – e, pior, o modo como lidou com todo o processo a salvar o seu gabinete de apoio e queimar na praça pública um funcionário -, caiu mal. Muito mal.

Até porque os valores de Abril, são queridos por muita gente que não é comunista ou sequer socialista. É gente de um centro social-democrata que sem cravos ao peito, defende, também, a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito à manifestação, à privacidade, à inviolabilidade da sua correspondência e o respeito pela dignidade da pessoa humana. E, também, não suporta bufice. [Read more…]

The Loures-Amadora connection

Há quem ainda não tenha percebido isto, em particular a direcção nacional de Rui Rio, mas Suzana Garcia corre em pista própria e o PSD não passa de mero hospedeiro temporário. Garcia é candidata à CM da Amadora, mas tem concentrado parte da sua campanha no concelho de Lisboa, investindo tempo, energia e recursos no ataque aos vários partidos políticos, ao invés de se focar na autarquia que se propõe dirigir, com a qual, de resto, não aparenta ter grande ligação. O objectivo é a notoriedade, é afirmar-se a nível nacional, com outros voos em mente, porque na Amadora, como ela e o PSD bem sabem, não tem a mínima hipótese.

Em campanha, financiada por um dos dois grandes partidos que formam o so called sistema, Suzana Garcia afirma-se anti-sistema, enquanto adjudica mais um outdoor pago com as subvenções que o sistema atribui ao PSD. Rui Rio sorri e garante que Garcia é a pessoa certa para o lugar. E ao invés de se concentrar nesse lugar, opta por fazer marcação cerrada aos diferentes partidos, com cartazes populistas e insultuosos instalados à porta das suas sedes nacionais, como se fossem eles os seus adversários na corrida à CM da Amadora. Todos vão tremer, seja a “direita fofinha” da IL, a “esquerda caviar” do BE, os “eco-fascistas-animalistas” do PAN e nem os “populistas” do Chega, seu principal adversário pós-autárquicas, escapam. A ironia.

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Suzana Garcia: candidata do sistema ameaça o sistema

Suzana Garcia, a candidata recrutada pelo que resta do PSD para concorrer à CM da Amadora, que, segundo o próprio PSD, serve para a Amadora mas seria sujeita a um “crivo de análise” mais exigente caso fosse equacionada para a Assembleia da República, decidiu presentear o concelho vizinho, ao qual não concorre, com este outdoor, que, estranhamente, não é uma montagem. E onde o colocou? Exactamente: em frente à Assembleia da República.

Afirma o cartaz de Garcia que “o sistema vai tremer”, o que é no mínimo notável, se tivermos em conta que Suzana Garcia concorre por um partido do sistema, apesar das semelhanças entre o seu discurso e o de qualquer discípulo de André Ventura, que não lidera um partido do sistema, apesar de politicamente nascido e criado no seu seio, e de o querer ocupar.

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