Luís Montenegro: do México, com amor

“O PSD não terá um segundo de descanso.”

Alguém ponha o Carlos Moedas a funcionar, perdão, a aquecer, que o PSD precisa de reforçar o sector da atacante.

“Quem os pariu que os lamba”

Vocês (nós) que continuam a votar nos partidos do sistema. Vocês (nós) que continuam a pagar os impostos sem ai nem ui. Vocês (nós) que continuam a aceitar ter serviços públicos de merda pagando imposto de nórdicos. Vocês (nós) que continuam mais revoltados com o golo em fora de jogo contra o vosso clube do que com a mão que embala os vossos impostos para as mordomias dos senhores da política. Vocês (nós) que se irritam mais com as entrevistas do Ronaldo do que com as tristes figuras do Presidente da República. Vocês (nós) que preferem votar no que rouba mas faz na vossa autarquia do que ouvir gajos que sejam sérios e que se limitam a dizer a verdade. Vocês (nós) que preferem a novela da TV a pensar e agir em colectivo contra a forma como esta merda é sugada pelos mesmos de sempre.

Vocês (nós) não se podem queixar da senhora dos 500 mil ou de qualquer um dos outros senhores de outros tantos 500 mil dos nossos impostos gastos em despesas cómicas (entre telemóveis, carros de serviço, gota, férias, jantaradas e outras mordomias x 300 municípios e um sem número de institutos públicos ou direcções gerais ou o caralho a quatro) mensais todos os anos. Não, vocês (nós) não se podem queixar porque não fazem nada para o evitar. Não se organizam. Não tomam em mãos a acção. Na verdade não quereis saber. E nem vos passa pela cabeça organizar uma desobediência civil a, por exemplo, não pagar impostos (é onde lhes dói mais). Nada. E por isso, não se queixem sobre os 500 mil da senhora e de tantas outras senhoras e senhores. Porque vocês (nós) são cúmplices. A culpa não morre solteira. É vossa. É nossa.

Como dizia  a minha avó, “quem os pariu que os lamba”. É começar a dar à língua…

André Coelho Lima ARRASA a extrema-direita

Este PSD tem que sair do armário e impor-se ao PSD que quer alianças com a extrema-direita. Ao PSD que faz fretes ao CH. Ao PSD que não aprendeu a lição de Angela Merkel. Ao PSD que, no fundo, deu à luz André Ventura. Ponham os olhos em André Coelho Lima. Nesta fase do campeonato, com o seu partido já tão comprometido com o CH, é preciso coragem para chamar os extremistas pelos nomes.

Costa contra Costa (e o passismo)

Não me surpreenderia se aquilo de que Carlos Costa acusa António Costa fosse verdade. Acredito até tratar-se de um standard procedure, inclusive para filhas de ditadores menos influentes na política e na economia do nosso país. E tenho um palpite que Costa, o governador, terá provas factuais das suas acusações. O que faria de Costa, o governante, um player menor, vergado aos interesses de Luanda. Como o foram todos os seus antecessores. Um caso interessante para acompanhar nas próximas semanas.

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O Mundial do Qatar, o lobista Sarkozy e as armas que al Thani lhe comprou

O Qatar garantiu a organização do Mundial em 2010. Na altura, Nicolas Sarkozy era presidente de França e lobista do violento regime Qatari. A UEFA, fundamental na escolha do Qatar, era liderada por Platini. E Platini foi um dos convidados para uma célebre reunião na residência oficial de Sarkozy, juntamente com o Vladimir do Qatar, Tamim bin Hamad al Thani. A reunião terminou com duas certezas: que o Mundial de 2022 seria no Qatar e que o Qatar encomendaria 14 mil milhões de dólares à indústria francesa do armamento. Pelo caminho, com os trocos que sobraram, ainda compraram o PSG.

Ainda bem que estas coisas não passam na televisão. É um aborrecimento, ter que levar com a realidade, quando há tanto futebol para ver.

Aquilo que não lhe foi dito sobre o ataque de Marcelo Rebelo de Sousa à ministra Ana Abrunhosa

Foto: Lusa

Existe um detalhe que escapou a maior parte dos comentadores nacionais, sobre a forma como Marcelo Rebelo de Sousa tratou a ministra Ana Abrunhosa, na inauguração dos Paços do Concelho da Trofa. Um detalhe que, tendo passado despercebido, não terá escapado ao radar dos seus assessores.

Recuemos até à Assembleia Municipal da Trofa de 28 de Fevereiro de 2020. No final da sessão, o presidente da câmara, Sérgio Humberto, propôs-se “bater no presidente da República”. E estas foram as suas palavras:

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Luís Montenegro, potencial futuro vice-primeiro-ministro de André Ventura

Luís Montenegro está a dar tudo para fazer o frete ao CH. Por estes dias, está transformado num embaixador dos interesses da extrema-direita, que de resto nasceu no seu partido. Talvez chegue a vice-primeiro-ministro de André Ventura.

Que não restem dúvidas sobre o buraco em que Montenegro está a enfiar a direita moderada. E depois não venham com tretas que a culpa é da esquerda que empurrou a direita para os braços da extrema. Não é. Foi uma escolha deste PSD. Uma escolha consciente e informada.

O estranho caso da aliança entre Montenegro e Ventura

Miranda Sarmento, líder da bancada parlamentar do PSD escolhido por Luís Montenegro, apelou aos seus colegas conservadores para votarem no candidato da extrema-direita para a vice-presidência da AR, alegando tratar-se de uma prática parlamentar, pese embora aquilo que está consagrado no regimento seja apenas a possibilidade de propor alguém para lugar, cabendo aos deputados decidir se aprovam ou não.

E se o critério são práticas parlamentares fundadas na tradição, seria de esperar que a maioria dos deputados do hemiciclo, incluindo os parlamentares do PSD, se mantivessem fiéis aquela outra que se traduz na boa velha máxima, “fascismo nunca mais”, mantendo a robustez do cordão sanitário à volta dos herdeiros da ditadura salazarista.

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Marta Temido, Miguel Gonçalves e Ana Rita Cavaco entram num bar

Li por aí que certas ordens estão ao serviço de certas agendas políticas. Que por sua vez poderão estar relacionadas com o cerco e queda de Marta Temido. Mas tal não pode ser verdade! Se fossem sindicatos, seguramente estariam ao serviço da agenda do PCP. Mas as ordens são muito independentes e estão sempre, mas sempre acima de qualquer suspeita. Mesmo quando uma certa bastonária apresenta despesas onde garante percorrer 400km por dia, durante um mês. De maneira que tais acusações só poderão ter origem no Largo do Rato. Ou no Kremlin, claro.

A Tecnoforma, as golas antifumo e o OLAF entram num bar

Leio por aí que o caso das golas antifumo estará a ser investigado pela UE. A julgar pelo sucesso da investigação do OLAF ao caso Tecnoforma, tem tudo para correr bem. Agora é que eles vão ver que em Bruxelas não é a bandalheira que vemos aqui.

Passismo sem Passos

Luís Montenegro foi finalmente rei e senhor do congresso do seu partido. Teve-o na mão. Subiu várias vezes ao púlpito, com a confiança de quem passou anos a preparar este momento, sorriso de orelha a orelha e muitas ideias para o futuro do país.

É bom que o PSD tenha muitas ideias para o futuro do país. O país precisa sempre de muitas ideias para o futuro, porque costuma ter poucas. E o PSD de Montenegro deve apresentar as suas, que, a julgar pelas escolhas para a nova cúpula da São Caetano, serão, pelo menos em parte, previsíveis.
Montenegro serviu-nos um appetizer do PSD que se segue, logo na sua primeira intervenção. Começou por puxar o partido para a direita, “à velha moda do PPD”. Seguiram-se as demarcações. Primeiro do “socialismo” do PS, com o busto de Sá Carneiro a ver lá atrás, a seguir do “ultraliberalismo”, numa clara alusão à IL, feita, em boa medida, de dissidentes do PSD. Estranhamente, ou talvez não, não se falou no CH, no segmento dedicado aos afastamentos.
Quem se afastou, e fez questão de o dizer com todas as letras no congresso, foi Jorge Moreira da Silva:

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Luís Montenegro e a extrema-direita

A política é uma arte, para quem a tem e domina. É verdade que as massas são predominantemente ovinas, a começar pelo centrão, onde qualquer filho do papá ou da mamã com posses pode ser líder da jota e chegar ao Parlamento, lambendo ou até fornicando as solas certas, mas isso não invalida que por ali pontuem alguns artistas.

Luís Montenegro tem arte, e isso é inegável. A cria do maior da aldeia até pode chegar a deputado, mas não vai para líder parlamentar com a massa encefálica de uma alforreca. E Montenegro, gostemos ou não do homem, tem retórica acima da média da classe.

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Maria Luís Albuquerque

A Maria Luís Albuquerque que foi eleita no segundo lugar na lista de Luís Montenegro ao Conselho Nacional do PSD não é aquela Maria Luís Albuquerque que há uns meses apresentou um livro de um extremista dedicado a Trump, Orban e Bolsonaro, pois não?

Não, não pode ser. O PSD é um partido moderado que não se mete com essa gente nem se mistura com extremismos.

Pois não?

As fragilidades do SNS e outras áreas menos frágeis do sector público

Faltam médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares em praticamente todas as unidades de saúde do SNS. Não há dinheiro para mais contratações, alega o governo, mas depois vão contratar tarefeiros pelo triplo ou pelo quádruplo do valor pago aos profissionais com vínculo contratual. E depois queixam-se que os portugueses não acreditam na gestão pública. Pudera…

Num outro Portugal, numa galáxia far far away, vive-se uma realidade totalmente diferente, das autarquias ao Parlamento, onde não falta nem nunca faltou um euro que fosse para contratar assessores, adjuntos, chefes disto e daquilo e mais uns quantos profissionais do tacho político-partidário. Uma casta sobretudo proveniente do Largo do Rato e da São Caetano à Lapa, mas que vai hoje muito para lá do centrão das negociatas e dos escândalos de corrupção, fraudes variadas e tráfico de influências.

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E que tal um artigo sobre a máfia do BPN, professor Cavaco?

Cavaco Silva voltou a sair para o recreio, rancoroso como sempre, para bater nos meninos mais pequenos e recordar ao país a sua espectacularidade. Bateu em Costa, bateu em Rio e fez o número habitual que sempre faz quando tem oportunidade: auto-elogiou-se, com o pretenciosismo arrogante que há muito lhe conhecemos. Cavaco será sempre o maior da aldeia, pelo menos na perspectiva de Cavaco.

Pena nunca o ouvirmos sobre outros temas, mais caros a todos os portugueses. Nomeadamente sobre o saque que a sua antiga eutourage provocou com o BPN. Sobre a permuta com Fernando Fantasia na Herdade da Coelha. Sobre a compra e venda de acções da SLN. Sobre a coragem que não teve de abordar o assunto com a frontalidade que diz ter, ele que se acha o mais honesto dos homens.

Cavaco poderá ter sido um grande estadista para alguns, mas o final da sua carreira política é um completo desastre. Para a sua imagem, para o legado que afirma ter deixado e para o seu partido, que contínua refém da sua existência auto-centrada, qual Salazar deitado na cama após cair da cadeira, cuidando ainda governar o país. E a reverência da direita, para com este sombrio personagem, ilustra bem a sua incapacidade de voltar ao poder.

Os ajustes directos de Luís Montenegro

Há dias descobrimos que o escritório de advocacia do qual Luís Montenegro é co-proprietário era o mais recente avençado do papão socialista. Uma vergonha, parafraseando o seu futuro parceiro de coligação.

Hoje – talvez vocês o soubessem há mais tempo, eu não – vim a descobrir que as autarquias de Espinho e Vagos, ambas governadas pelo PSD, gastaram cerca de 400 mil euros no escritório do novo líder do PSD. São 10 contratos, todos por ajuste directo, no espaço de apenas 4 anos (2014-2018).

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A domesticação de André Ventura, fase I

Alguém me sabe dizer se André Ventura já se pronunciou sobre o ajuste directo de 100 mil euros que o governo, através do Banco de Fomento, deu ao escritório de Luís Montenegro? Só para perceber onde acaba a “vergonha” e começa a vassalagem da extrema-direita ao sistema.

O PSD de cabeça perdida, rendido aos métodos da extrema-direita

Tinha este rascunho de molho, e entretanto passou um mês. O PSD anda tão apagado que acabei por me esquecer que existia. Mas ontem lá tropecei numa notícia sobre as internas de amanhã, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade de tweet. Existem muitas maneiras de criticar um partido ou governante, bem mais eficazes e inteligentes, e dignas também, mas isto é bater no fundo. É, inclusive, um grande favor que faz ao PS. Um “regime totalitário socialista”? Contrataram os estrategas de marketing do CH, foi?

O PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que bem entender. Vivemos em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre a realidade que observamos. O PSD, por exemplo, entende que ficou provado, pelo próprio António Costa, que o que Portugal poderá esperar deste governo é:

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A vida das pessoas não está melhor, mas os cofres do escritório de Luís Montenegro estão muito melhores

Parafraseei a célebre – a socialmente sensível – frase de Luís Montenegro, que foi aquilo que me ocorreu quando descobri que o Banco de Fomento fez um ajuste directo de 100 mil euros com o escritório Sousa, Pinheiro e Montenegro. É que o eterno candidato a líder do PSD passa a vida a queixar-se do socialismo do PS, que é na verdade a social-democracia a que Montenegro diz pertencer, mas esse socialismo parece bastante generoso com os negócios do antigo deputado.

Se este ajuste directo fosse feito a uma empresa detida por um alto oficial do BE ou PCP, estaríamos, sem sombra de dúvida, perante o pagamento de um favor. Ou perante a compra de silêncio ou vassalagem. Neste caso, tratando-se de gente impoluta de direita, será, seguramente, uma questão mérito.

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Se vamos investigar o PCP, investigue-se o PSD também

Essa ideia de se investigar um partido, por ter uma posição com a qual não se concorda, parece-me uma ideia pouco democrática. Mas se é para ser, então que seja retroactiva. Porque se vamos investigar as ligações do PCP ao Kremlin, talvez fizesse igualmente sentido investigar o PSD, porque a ascensão meteórica de Durão Barroso, da Cimeira das Lajes para a presidência da CE, e daí para a do Goldman Sachs, para ainda ir parar à Aliança Global para as Vacinas, também dava uma bela de uma investigação.

Putinistas há muitos, seus palermas

Apesar de não ser comunista e de não me rever nas tomadas de posição do PCP, não no conteúdo, mas na forma, assumo que vai-me dando um gozo especial ouvir aqueles que nunca perdem a oportunidade para vaticinar a morte do Partido Comunista, um partido “moribundo”, dizem, mas que sempre ocupa o imaginário de vingança PRECquiana de tais neurónios. O imaginário de vingança e os sonhos molhados, acredito, porque isto é gente com patologias.

Digo isto porque não deixa de ser estranho que os que acusam o PCP de “totalitarismo”, sejam os mesmos que agora querem afastar um executivo democraticamente eleito, com base em “alegadamente”s. É Putin na Ucrânia, os EUA em qualquer sul-americanismo que mexa, o PSD em Setúbal, centenas nas redes sociais e dois ou três no Aventar. Tudo ganha ainda mais cinismo quando situações como a de Setúbal aconteceram em Albufeira, Gondomar ou Aveiro, em Câmaras governadas por PS ou PSD, mas aí está, aparentemente, tudo bem. Ou isso, ou os jornalistas ainda não descobriram tal. Confesso que teria a sua piada, e é bem possível que aconteça, que em Setúbal se realizassem eleições para a Câmara Municipal e a CDU ganhasse outra vez. [Read more…]

PSD, PS e CDS na rota da espionagem russa

Depois do escândalo em Setúbal, que ocupou o espaço mediático e os feeds das redes sociais durante todo o dia de ontem, pouco se falou sobre as exactas mesmas suspeitas em torno das autarquias de Albufeira, Aveiro e Gondomar. O facto de serem governadas por PSD, PSD/CDS e PS, respectivamente, não terá sido motivo de interesse, como se verificou no caso de Setúbal. E isto diz-nos muito sobre a agenda que norteia este debate, que parece ter mais a ver com a necessidade de manter o cerco ao PCP do que com o apuramento daquilo que realmente se passou ou com o perigo que tal representa para os refugiados ucranianos. Business as usual.

Será Jorge Moreira da Silva o que o PSD precisa?

Em fevereiro escrevi sobre o futuro do PSD tendo presente a direita e as direitas (Aqui e Aqui). De entre várias coisas, escrevi isto:

Ora, o PSD não percebeu que o nascimento e a afirmação da Iniciativa Liberal mataram, de vez, a possibilidade do PSD continuar a ser o albergue espanhol de todas as correntes do centro direita e da direita. Como antes escrevi, os liberais não voltam ao PSD. Por sua vez, os conservadores em todas as suas vertentes não são social democratas. E o PS, enquanto casa dos social democratas, não vai desbaratar esse capital que, como bem sabem, lhe é fundamental eleitoralmente. Por isso mesmo, o caminho do actual PSD é a afirmação do PPD como a casa do centro direita e da direita não conservadora nos costumes deixando para o CDS ou para o que dele resta os conservadores “tout court”. A maioria absoluta do PS e de António Costa é uma oportunidade de ouro para a transformação do PSD. E será um erro e um suicídio de o actual PSD se dedicar a escolher simplesmente um líder em vez de debater o futuro – debater o futuro é compreender o que resta do PSD, o que realmente representa e para onde quer ir para ser uma alternativa credível aos olhos dos portugueses“.

Só hoje tive tempo suficiente para ler a entrevista de Jorge Moreira da Silva, candidato à liderança do PSD, ao Diário de Notícias. Depois de um discurso de apresentação demasiado longo mas muito bem estruturado e detalhado, esta entrevista veio confirmar a primeira boa impressão que tive. E todos sabem que não há uma segunda hipótese para uma primeira boa impressão. Nesta sua entrevista, a dado momento, Jorge Moreira da Silva afirma: “O PSD precisa de fazer duas coisas. Uma é reposicionar-se ideologicamente como um partido que tem de abandonar a conversa do centro, da esquerda e da direita. Esses pontos cardeais estão completamente ultrapassados. O PSD tem de ser um partido à frente, não tem de ser um partido que se posicione como centro, centro-esquerda, ou como direita, essa é uma conversa datada. Temos de ser o partido que agrega os reformistas, essa é a marca identitária do PSD, capacidade de reformar, de ousar, de ultrapassar obstáculos. O partido que integra os sociais-democratas, mas também os liberais-sociais. Julgo que esta forma de definir o PSD nos cria condições para captar muito facilmente as expectativas que as pessoas têm. A segunda questão é a organização interna. Como disse, gostaria que o PSD fosse conhecido como o partido mais moderno de Portugal, que utiliza a inteligência artificial, que utiliza o big data, que tira partido das tecnologias digitais, que substitui a lógica meramente residencial pela lógica temática. Eu sou do PSD de Famalicão, mas se calhar os meus filhos preferiam ser do PSD Ambiente, do PSD Saúde, ou do PSD Educação”.

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A brincar, a brincar, o macaco…

O meu passado chama-se Passos, o passado de Costa chama-se Sócrates. 

Disse Luís Montenegro, candidato à liderança do PPD sem SD.

De facto, fica provado: o legado de Sócrates não serve ninguém. O legado de Passos só serve mesmo aos boys do PPD. Mas, se o passado é Passos e isso é assim tão bom… por que razão o PPD sem SD se encontra “mais para lá do que para cá”? Se Passos foi assim tão bom, não seria suposto que o PSD se apresentasse pujante, feroz e a fazer a melhor oposição de sempre?!

Noutra afirmação, o agora candidato à liderança dos Laranjas disse que com o socialismo as desigualdades aumentaram. Primeiro, a real confusão ideológica: eu sei que o PPD não sabe o que é a social-democracia, por isso é normal que ache que o PS é socialista. Segundo, é falso: as desigualdades não só não aumentaram como diminuíram com a social-democracia. Perdoo esta… mas só porque sei que o PSD só conhece o significado de neo-liberalismo e de conservadorismo social.

Esta gente não se enxerga e chega ao ponto de achar que Sócrates e Passos não são farinha do mesmo saco. E, com isto, diz ao que vem: reconstruir e reerguer o legado de Passos… que o país não quis… porque foi enganado. Dito isto… que o povo nunca se volte a enganar.

Boa Páscoa de ilusões.

O mestre e o seu delfim. Fotografia retirada do Jornal de Notícias.

Cavaco Silva e PSD, defensores do Apartheid

Em 1987, Cavaco Silva votou contra a resolução da ONU que exigia a libertação imediata de Nelson Mandela, alegando, mais tarde, que o texto continha “um incentivo à violência”.

Em 2022, o grupo parlamentar do PCP votou contra a vinda de Volodymyr Zelenskyy à Assembleia da República, alegando que a sua presença no hemiciclo contribui para a escalada do conflito.

À luz da narrativa dominante, que considera que o PCP está ao serviço da Federação Russa e de Vladimir Putin, validando os seus métodos, é legítimo considerar que o PSD esteve ao serviço do regime do Apartheid, validando o racismo, a segregação e a tirania do regime sul-africano de então. Portanto, se o PCP é o partido do Kremlin, o PSD é o partido do Apartheid.

Mónica Quintela, os funcionários públicos e o estado a que o PSD chegou

Mónica Quintela, uma das mais altas oficiais da deprimente bancada parlamentar do PSD, mostrou ontem ao país porque é que o maior partido da oposição é cada vez menos alternativa e cada vez mais parecido com o CH.

Podem ouvir a intervenção completa da deputada aqui, mas, resumidamente, Mónica Quintela defendeu, com todas as letras, que teria sido bom que os funcionários públicos ficassem alguns meses sem salário, com todas as consequências que isso traria, que era para aprenderem. Como se fosse sua a culpa pela bancarrota de 2008. E não, isto não é uma posição isolada dentro do partido. E o efusivo aplauso da sua bancada é revelador disso mesmo. [Read more…]

André Coelho Lima numa galáxia far far away

Comentando a composição do novo governo Costa, esta manhã no Fórum TSF, o deputado do PSD André Coelho Lima afirmou que a orgânica reflecte aquilo a que o PS nos habituou, um cenário em que o governo se confunde com o partido.

A colocação de sucessores em posições-chave [do Governo] expõe uma confusão entre o que é o Estado e o Partido [Socialista]

Confesso que fiquei perplexo, com este comentário de André Coelho Lima. E não ficaria, tivesse o comentário sido proferido por um deputado de qualquer outro partido (com excepção do PS, claro). Não sei se o deputado laranja está como o seu líder – parado no tempo, numa galáxia far far away – e não percebeu ainda que o PSD não será junior partner governamental do PS. De outra forma, o que esperava Coelho Lima? Que o PS, com maioria absoluta, fosse recrutar ministros a outros partidos? O que fez o PSD, sempre que esteve no governo? Não o preencheu com os seus? Com os quadros partidários que Cavaco, Durão ou Passos consideraram mais aptos (e com toda a legitimidade, sublinhe-se)? Não colonizaram também eles a administração pública, com militantes e familiares de militantes do PSD?

Em boa verdade, diga-se, este tipo de comentário até se compreende. É que o PSD está cada vez mais longe do poder e cada vez mais próximo de partidos de protesto, de tal maneira que começa a soar como eles. Mas basta dar um salto às autarquias governadas pelo PSD, e são muitas, para ver que mais do que autarquias, há concelhos inteiros que se confundem com os aparelhos locais do PSD. O concelho da Trofa, governando pelo conselheiro nacional do PSD Sérgio Humberto, é um bom exemplo. Da colonização da administração pública local até aos inúmeros ajustes directos que pagam tudo, de iPhones até jornais ilegais de propaganda, não falta cá nada (alguns exemplos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). De maneira que a diferença entre o PS e o PSD, actualmente, é apenas uma: o PS é, actualmente, mais competente na obtenção e manutenção de poder. O que não é de estranhar, sendo Rui Rio o líder do partido.

Isto envelheceu muito bem…

O PS elegeu os dois deputados….

PSD: o problema do original e da cópia

O PSD, através da JSD, decidiu colocar este outdoor. A cópia ao estilo IL é por demais evidente. Será isso um problema?

Podia até nem ser. Uma boa cópia até pode ser valorizada. Só que a questão é outra: a mensagem é absolutamente de nicho. A esmagadora maioria das pessoas vai olhar para o cartaz sem fazer a mínima ideia do que raio é a “Succession”. E a minha questão é um pouco mais simples: o objectivo do PSD agora é falar para os nichos? Um partido que se quer líder da oposição e o maior partido do centro direita vai dedicar o seu tempo e os seus recursos a falar para a malta do twitter? É esse o caminho? Cheira a despiste…

O sítio do Pica-Pau laranja

 

O PSD perdeu as eleições. Na noite eleitoral o seu Presidente foi, na minha opinião, ambíguo quanto à sua permanência como líder. Entretanto tem havido movimentações várias, umas noticiadas, outras não, sobre a vida interna do PSD. Rio vai embora, Rio não vai, Rio vai mas…..

Enfim, um barco encalhado, em que o comandante diz que só desencalha quando achar (tem mau perder, e quer condicionar tudo e todos, para tentar negociar com António Costa alguns assuntos, regionalização, por exemplo, pois quer ser mais um líder regional, perdida a hipótese de ser 1º. Ministro). Rui Rio, que se acha um homem providencial, quer definir o futuro do partido, pasme-se! 

Os eventuais candidatos Rangel, Pinto Luz, Montenegro, continuam no jogo táctico, qual ciclistas num velódromo, antes da última volta, a marcarem-se uns aos outros. O outro eventual candidato, Ribau Esteves, também quer ser líder regional e daí se ter atirado para o jogo.

O Chega e a IL agradecem.

António Costa assiste com um sorriso de orelha a orelha.