Prós e Contras – A escola autónoma

Ontem o Pós e Contras foi um programa de enorme importância. A vários títulos. Desde logo porque o assunto era a escola e a sua autonomia, porque participaram pessoas das escolas, que estão no terreno, e porque com grande surpresa minha, estão basicamenet de acordo.

Uma escola com autonomia, capaz de se “individualizar” na medida em que tem que se adaptar ao ambiente  em que se insere, írreptível, e por isso, única.

Uma hierarquia decisória e displinadora, com rosto, democrática, mas sem dúvidas quanto a quem manda e a quem representa a autoridade e a disciplina.

Responsável na medida em que tem que responder pelos meios e pelos objectivos que lhe são consignados.

A possibilidade e a liberdade dos pais escolherem o que consideram melhor para os seus filhos.

Uma escola “local” interagindo com o universo de alunos e de famílias, com os poderes locias e ser capaz de dar resposta apropriada e célere aos problemas, eles tambem únicos, que tem que enfrentar. O que ficou tambem claro, é que não há fatos feitos cozinhados num qualquer gabinetes, entre burocratas, que sirva às milhares de situações com que as escolas se confrontam todos os dias.

No essencial, gente responsável, que trabalha arduamente, está de acordo.

A escola autónoma caminha inexoravelmente para ser uma realidade, contra os que vêm na escola campo de experiências e de luta política. Uma boa notícia!

Falando de sentimentos.Resposta ao Prof. Adão Cruz

Caro Adão Cruz,
Por andar sempre a usar estas linhas para escrever do que sinto, vejo, analiso e psicoanaliso, não tinha reparado no seu texto tão temido por falar de sentimentos. Não me parece possível fazer uma biologia do espírito. Seria uma ofensa aos sentimentos. A Biologia, e a palavra o diz, é uma dissecção dos sentimentos, uma autópsia dos mesmos, o que me parece impossível: nem há ideias, nem há elementos para abrir o espírito. Repare, se quiser entender assim, que a minha frase no rasto da sexualidade, caminha o amor, indica já uma autópsia dos sentimentos. A sexualidade é uma força da natureza, sem a qual não podemos viver. É essa força colocada pela biologia em nós, para nosso prazer que não tem palavras, especialmente se quisermos definir o orgasmo e não apenas a paternidade. A paternidade é uma relação social em segunda instância, porque na primeira, é o amor. Não o amor com quem podemos sentir o prazer sem palavras, sempre a dois, mas eternamente solitário. Compara um filho seu, existente ou não, com um de uma favela. Os sentimentos que existem neles, embora não se conheceçam e pertençam a classes sociais diferentes, são exactamente iguais

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Somewhere over the rainbow (um ano de Aventar)

Não fui um dos fundadores do Aventar. Apenas comecei a publicar regularmente em Junho. Nestes dez meses, muita coisa mudou. Por exemplo, eu mudei a maneira de apreciar os blogues (de céptico passei a blogo dependente) e, por outro lado, o Aventar também foi paulatinamente mudando. Quanto a mim para melhor.

A qualidade média dos posts parece-me ter subido. Um regionalismo e um clubismo exagerados, com que deparei à chegada, estão bastante atenuados. O Aventar está mais pluralista do que era no Verão passado. Mas tem ainda margem de progressão. Eu diria que era necessário erradicar completamente a futebolite e o regionalismo excessivo, sem abdicar de analisar o futebol com serenidade e objectividade e de discutir com seriedade a questão da regionalização. O Aventar deve ser um blogue de todo o País, em que um algarvio e um minhoto se sintam tão à vontade como um tripeiro ou um alfacinha. [Read more…]

Sugestões a Passos Coelho – as privatizações

Para onde vai o dinheiro das privatizações? Para manter os erros, os vícios, as mordomias, os desperdícios? Se é, as privatizações são um péssimo negócio, vendemos os anéis e ficamos com os problemas todos, nem um resolvemos.

Mas o dinheiro das privatizações pode ser bem aplicado, e assim, a saída do Estado da economia já pode ser uma coisa boa. Por exemplo, utilizar o dinheiro para baixar a dívida, os juros vão subir, o serviço da dívida é monstruoso, está ao nível do que gastamos no SNS em relação ao PIB, é como ter dezenas de hospitais, pagar vencimentos a milhares de profissionais , ter a despesa de tratar milhões de pessoas, é isso o serviço da dívida anual.

Se esse dinheiro não for sujeito a uma discussão e a uma decisão na Assembleia da República,  vai-se evaporar no desperdício, nos mega projectos sem retorno, no TGV, nas autoestradas em duplicado, nas parcerias público.privadas, nos vencimentos milionários…e ficaremos sem empresas e sem dinheiro!

Utilizar esse dinheiro para sanear empresas com potencialidades e fechar as que têm que ser fechadas, pagar indemnizações a quem quizer sair para trabalhar por conta própria, modernizar e apoiar as empresas exportadoras e com tecnologia de ponta. Estão inscritos no Orçamento para o TGV 900 milhões de euros enquanto se vai dizendo que o projecto é para adiar.

Fazer um levantamento sério dos serviços que estão em duplicado, que não têm razão de existir, e terminar com eles. Sem esse trabalho prévio, as privatizações ( com as quais eu concordo) vão servir exclusivamente , para manter os erros que há muito existem.

Parabéns a mim

Hoje de manhã, quando olhei de relance para o espelho com o ar fugidio de quem evita prender o olhar para não encontrar mais uma ruga, ele falou comigo e exigiu-me atenção. Eu sei que é um lugar comum de quem ficciona pôr o espelho a falar. Mas, comigo, é também lugar comum o espelho pôr-se a atirar sentenças.

– Então hoje estás de parabéns.

– Eu? Porquê?

– Por causa do Aventar, porque é que havia de ser?

– Quem está de parabéns é o Aventar.

– Não sejas vaidoso, pá. Tu é que estás de parabéns. Foste convidado, aceitaste o convite, fazes parte daquela equipa, és um aventador, fizeste amigos que não conhecias, partilhas um espaço de liberdade, deixam-te escrever, estás de parabéns, deixa-te de caganças.

– Queres dizer modéstias.

-Caganças. Deixa-te de caganças. O Aventar é que é bom. Tu, quando muito, estás de parabéns por lá estares.

Pela primeira vez, desde há uns tempos, olhei para o meu espelho com simpatia. Não reproduz com a beleza necessária a minha sedutora imagem. Mas não é burro de todo e até tem dias em que acorda bem disposto.

Resumo de uma entrevista a Sócrates

A Sábado resume assim uma entrevista de Sócrates ao JN:

“Calúnia”, “campanha negra”, “ofensa gratuíta” , “ataque pessoal”, ” insulto”, ” maledicência”, “mesquinhez”, “golpe baixo”, “hipocrisia”, “insulto”, (outra vez) “calúnia” (outra vez) e “insulto” (mais outra) !

Primeiro Aniversário do Aventar

Hoje o Aventar festeja o seu primeiro aniversário e fá-lo com todos os leitores nesta semana aberta especial.

Quando o Zé Freitas me convidou para este projecto eu andava pelo Sinaleiro, o meu blog pessoal, depois de cinco anos dividido por vários blogues. Nem pensei duas vezes. Eu sentia que este projecto tinha tudo para dar certo. E deu. Entretanto muitos mais chegaram.

Há tempos perguntaram-me qual o segredo do sucesso do Aventar. Simples: a diversidade. Temos por cá gente de esquerda, de direita, do centro, das extremas, católicos, judeus, agnósticos, ateus e muçulmanos. Gente do Algarve ao Minho, passando pelo Interior profundo. Convivem portistas com benfiquistas e sportinguistas, adeptos do belenense e da briosa e malta que detesta futebol. Mulheres e homens, de todas as idades e de gerações tão diversas. Diferentes formas de ver e estar no Mundo.

Francamente, conhecendo eu tão bem a blogosfera e estudando profundamente as Redes Sociais, pelo menos boa parte delas, ainda não encontrei um blog assim, com tal diversidade.

Há blogues melhores? Certamente. Não temos a qualidade do Blasfémias ou do 5Dias, a originalidade do 31 da Armada, a irreverência do 31 da Sarrafada, o mediatismo do Jugular ou do Abrupto, a profundidade do Insurgente ou do AspirinaB, o bom gosto do E Deus Criou a Mulher, a sabedoria do Origem das Espécies, a acutilância do Delito, do Corta-fitas, do Cachimbo ou do Albergue, a dimensão do Arrastão, a especialização do Educação no meu Umbigo ou as audiências do Gatas-qb. Não, não temos mas procuramos, tentamos, esforçamo-nos.

Num ano foram quase 400 mil os que nos visitaram, 900 mil as pageviews, mais de 1000 seguem-nos no Twitter e mais de 2500 no Facebook. São números que falam por si e que muito nos orgulham. É muita fruta. Mas sabem quais são os números que mais nos orgulham? Eu digo-vos: mais de 6300 post e mais de 17 mil comentários. O nosso orgulho!

Somos os “maiores, carago”? Não, mas vamos ser!

Há um ano, o Aventar começou assim

Exactamente há um ano, passava um minuto da meia-noite, o Aventar começou assim…

CORO

“Mãos de mulheres, cheias de ternura,
cozinharam seus filhos,
que lhes servirão de alimento,
quando da ruína da filha do meu Povo.”
Bíblia. Livro das Lamentações, Jod

«O que é um homem bom?»
O que é um homem bom?, penso e pergunto-te
sem medo da palavra que não trova com o mundo,
de quando em vez, acosso-te: «O que é um homem bom?»
novamente assomo sem pudor de te perturbar ainda; vivo assim:
sem medo da tua pele tão à beira de mim, sem me retrair nos olhos
e fico de borco desejando despenhadeiro – tua voz – essa vida com sotaque vigilante
e se a minha palavra se abeirasse dos teus olhos
não sei se seria um lago, neve, iogurte dentro do prazo, a leve vida,/
ou Elisa cantando: Tanzânia, T-a-n-z-â-n-i-a, T-a-n-z-â-n-i-a,
T-a-n-z-â-n-i-a sem adivinhar um punhal
levando a morte ao seu corpo;
sei, talvez, que essa palavra seria sempre um objecto secundário,
um acessório de uma memória suja, demente ou ambição de vertigem
face de um fragmento rudimentar com que irias à procura
de qualquer coisa que te lembrasse
que não existe diz-que-diz-que na solidão
essa pele que absorve a fundo a noite
outra vez vem ter comigo, imploro!
acossa de relance – nos meus olhos – a tua mão, par
da mão que desossa com o cutelo os ossos, toca piano,
mão engatilhando, levando a extinção na sua força, fixando
os corpos no seu tempo “ A guerra foi há duas semanas”, diz o homem
com as duas mãos no volante
. O que é um homem bom?, vacilo
— a mão de Sacha nas mãos
da mãe de Sacha; os olhos das mães crescendo
como a tensão nas mãos da mãe de Sacha

tanta face de lume! quando pensas noutro humano
tão impartilhável como é para mim o teu corpo de remendos,
depois vêm as palavras que seguram
o homem empoleirado, podando a preceito os ramos
de árvores russas, isso, as árvores eram russas,
as copas das árvores russas, a cidade ao fundo,
um enquadramento, um plano
tal como o rosto de infância a ser enterreado
na improvisada vala comum,
a areia tapando o rosto infantil de olhos abertos,
os corpos amontoados na carrinha de caixa aberta,
mas esse relâmpago em câmara-lenta — a última imagem — os olhos abertos
o bebé, e outras palavras juntam-se a ti
: manga-curta manga-comprida
porco-preto porco-branco
« o porco-preto é mais difícil de conseguir, corre mais
»

e os corpos arrojados até à porta da embaixada
as copas das árvores russas, os sacos de comida para o gato
a cultura do açafrão, Maria, a campa da Maria, as mãos da Marias
separandos as lágrimas do rosto, para se sentir mais na morte do filho,
o filho da Maria a galope do cavalo entrando pelo lago num dia de verão
russo, a aldeia russa da Maria, o marido da Maria e a nova mulher nova
a Maria entrando terra adentro com as suas mãos respirando a força do sol,
a comoção do realizador com a morte e campa da Maria, com as palavras da filha da Maria,/
a Maria fixando-se palavra viril
e ficas a pensar na possibilidade do nome das coisas, das tuas coisas quotidianas, tão a jeito e próximas da tua indiferença,
« o porco-preto é mais difícil de conseguir, corre mais»

De Puta Madre

Linha do Corgo – Anos 80

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Foi-lhes dito que não era rentável, que vinham aí as auto-estradas “gratuitas”. Parvos, acreditaram e quase não deram luta. De 1978 a 2008, Portugal octaplicou o número de veículos nas estradas e tem já mais estradas rápidas que caminho-de-ferro, outro record europeu. Povo na merda. Cada um tem o que merece!

Como F**** Trás-os-Montes em Suaves Prestações

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A primeira parte deste documento factual está aqui.

Depois vieram os anos-maravilha 1990, Soares dizia que não podia, Cavaco não teve dúvidas,  até vai de comboio para o Algarve. Trás-os-Montes, aos bocadinhos, têm-se transformado numa reserva de caça. Sinto vergonha.

A prenda de feliz aniversário do Aventar

Já fomos várias vezes citados em jornais e em programas radiofónicos, não é para nós surpresa, mas não deixa de ter piada sermos hoje, logo hoje, abundantemente citados na secção “Blogues em papel” no Público.

E somos citados propondo uma série de medidas políticas que de tão óbvias, só ainda não foram implementadas por irem contra o interesse de quem verdadeiramente manda neste pobre país. O diagnóstico está há muito feito é só preciso ter coragem de andar para a frente, implementar medidas tendo como horizonte o interesse nacional.

Nessas sugestões falamos da autonomia da escola, da política do medicamento, do papel do Estado na economia, na Justiça na dependência da Assembleia da República e do Presidente e, apontamos o dedo à chantagem dos nossos gestores e empresários que passam a vida a dizerem que se vão embora do país, como se encontrassem algum lugar na terra onde os mercados sejam tão protegidos e o Estado distribua tão generosamente ajudas financeiras, fiscais e outras menos “on shores…”

Como Passos Coelho se reuniu agora, de várias pessoas para concretizarem o seu programa de governo, talvez leiam o que aqui escrevemos. É que ouço falar destas medidas há vinte anos…

Aventar: 1 Ano

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Una chica de Almodóvar

Ela está aborrecida, entediada, fartinha de aturar chatos. O queixo apoiado na mão, a unha do dedo pequenino a roçar os lábios, o olhar perdido no vazio, e os caracóis louros a pender sobre os ombros.

Pigarreio. Repito: Boa tarde.

Ela rola os olhos, desde o infinito por onde eles vagueiam, e encara-me, com uma expressão de asco e de infelicidade, e pergunta em tom monocórdico: Tem cartão-cliente?

Não tenho.

Vai tocando no monitor com as unhas pintadas de um vermelho muito polido, mas onde se notam pequenas marcas de mordidelas. Suspira.

Aproxima-se o rapaz da caixa do lado. [Read more…]

A propósito do comentário do amigo Prof. Raul Iturra

 

Amigo Raul Iturra, em primeiro lugar, as melhoras da sua gripe.
Em segundo lugar queria dizer-lhe que nos encontramos em campos opostos, no que respeita ao entendimento das emoções e dos sentimentos. Desta forma, é sensato não querermos ter a pretensão de nos convencermos um ao outro. Mas é saudável, sob todos os pontos de vista, dialogarmos sobre tão cativante tema. Assim sendo, gostaria de lhe dizer que a biologia do espírito é um conceito muito actual, praticamente irreversível, e cada vez mais aceite por, praticamente, todos os neurobiologistas contemporâneos. O facto de se usar a palavra espírito, não significa que a ciência tenha necessidade dela, mas utiliza-a, exclusivamente, como contraponto ao raciocínio.

A ciência não procura controvérsias, mas apenas tentar com toda a seriedade e honestidade explicar os fenómenos da vida, como é seu dever natural e seu objectivo incontestável. Todos sabemos que hoje, na vida, tudo se processa á base dos conhecimentos científicos, desde o lavar dos dentes às viagens interplanetárias. E ninguém contesta. Este conceito de biologia do espírito, ao contrário do que o meu amigo diz, em nada afecta a natureza das emoções e dos sentimentos, totalmente diferentes, umas e outros, em cada pessoa. [Read more…]

Declaração: eu não gosto dos Tokyo Hotel

Eu sou uma pessoa que respeita a opinião dos outros.  Tenho amigos que fazem parte de juventudes partidárias, tanto da JSD como da JS, tenho amigos comunistas,  embora estes não tenham coragem para se filiarem, tenho alguns que não sabem quem é o Primeiro-Ministro e em Inglaterra até conheço pessoas que inclusivamente vão votar no BPN  na próxima general election.

É também verdade que falo com pessoas que acham que os Delfins cantam bem e que um homem pintar o cabelo é aceitável e bonito. Amigas minhas adoram o Nicholas Spark e aquelas histórias em que alguém tem um cão e depois morrem com uma doença desconhecida e complexa. É assim, não tenho nada contra. Eu até conheço pessoas que acham que o Thomas Crowmell era boa pessoa e que Henrique VIII era um bom Rei (se bem que aqui a culpa é do J. Rhys Myers).

Mas há uma coisa que eu não tenho e dou graças a Deus por isso (não sei bem se agora se pode dar graças a Deus, isto agora com a pedofilia não se sabe. Tenho que rever o meu manual das coisas que são ou não socialmente aceitáveis). Eu não tenho amigos que gostam dos Tokyo Hotel. Porque eu posso tolerar a malta das jotinhas, a malta que acha que o Nick Griffin até tem boas ideias, a malta que acha que o Nicholas Spark é literatura, mas agora os Tokyo Hotel é algo completamente diferente. Temos que enfrentar isto: eles são maus. Não, a sério. Cantam mal, escrevem mal, não há nada de certo com aquele grupo de adolescentes. Pior que os Tokyo Hotel só mesmo as fãs dos Tokyo Hotel e talvez seja esta o cerne do problema.  Eu conheço pessoas que dormiram no chão por causa do concerto dos U2. Ok, mas são os U2. O Bono canta bem e faz coisas boas.

Os Tokyo Hotel têm aquele efeito que os Beatles tinham só que os Beatles eram bons. Há dois anos, acho eu, choravam e berravam na televisão porque o Bill tinha um problema na garganta e não podia cantar. Este ano esperemos que o Bill não tenha nada porque de novo aquelas cenas em directo é…mau. Sim porque os Tokyo Hotel vão voltar. E aproveitando as férias já há tendas no pavilhão atlântico. Eu devo ser a única que vai ter que trabalhar nas férias. A culpa é de História. E do bom gosto certamente.

Palavras velhas e gastas

As palavras estão gastas, estão gastas as palavras. Mas há pessoas que têm sempre dentro de si uma permanente sensação de paisagem. Pode ser o Universo, uma floresta, um rio ou um sorriso.

Mesmo gastas, as palavras são olhos de distância e água, as palavras são sopros de horizonte, as palavras são bonitas. São bonitas as palavras ditas e não ditas.

São boas as palavras, por fora e por dentro, mesmo as palavras más, para ver e falar com a paisagem, sobretudo se não somos capazes da poesia de Grieg numa Canção de Solveig, ou da melodia de Smetana nas ondulações do Moldava.

Mesmo gastas, as palavras gastas ainda têm dedos, olhos e lábios.

Eu ainda acredito nas palavras velhas e gastas.

Mesmo gastas, puídas, sem cor, são elas que dão a tangência da música e acendem as noites com unhas de fora.

Não matem as palavras gastas, velhas, assim sem mais nem menos, não deitem fora as palavras velhas, até que me ofereçam, no dia em que ficar mudo, uma caixa de palavras novas.

Terrorismo Islâmico em Moscovo

Trés dezenas de mortos e centenas de feridos em mais um ataque suícida em Moscovo. Em plena hora de ponta com o metro cheio de gente, cujo o único crime que comete é ir para o trabalho todos os dias, duas mulheres com cintos explosivos fizeram-se explodir.

Segundo a polícia e as autoridades de Moscovo trata-se de mais uma manifestação dos movimentos independentistas de Regiões que reinvindicam a independência face a Moscovo.

O Presidente Russo aponta como objectivo do ataque desestabilizar a paz que se vive no país e criou uma célula para gerir a crise. Um minuto de silêncio foi guardado em memória das vítimas.  As autoridades tentam passar a ideia que estes movimentos são já muito residuais.

Cem Anos Sem Rei

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CEM ANOS SEM REI

O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e “chacun s’amuse à ça façon”.
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?

A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767 [Read more…]

Greve dos Enfermeiros – Como se Pode Perder a Razão

Estamos, hoje, confrontados com o início de mais uma greve. A dos Enfermeiros. A segunda deste ano, e ainda só estamos em Março.

Não discuto o direito que cada um, e os enfermeiros em particular, têm, de fazer greve. Neste caso, as razões prendem-se especialmente com discriminações salariais, para além de, assunto menor mas não menos importante, alguns aspectos da «nova carreira». Entendem as senhoras e os senhores enfermeiros, que ganham pouco, se os compararmos aos outros licenciados, e queixam-se de que, só dez por cento dos seus profissionais podem aceder à categoria de «enfermeiro principal».

Para além da greve, e a exemplo do que fizeram no Porto, há dois meses, vão fazer um buzinão em Lisboa. Nunca soube muito bem para que poderá servir um buzinão, mas enfim, é mais uma forma de protesto que chateia toda a gente, já que, buzinão de fazer cair um governo, só mesmo no tempo do da ponte, aquela que agora se chama de 25 de Abril.

Terão no entanto, toda a razão, as senhoras e os senhores enfermeiros.

Na greve de Jeneiro, aderiram à causa cerca de noventa por cento dos enfermeiros, e agora, prevê-se que os números sejam idênticos.

Não poderia estar mais de acordo com estes profissionais. [Read more…]

Muito barulho por nada (Memória descritiva)

Much ado about nothing, é, como se sabe, o título de uma peça do divino Shakespeare. Vi-a há uns bons vinte anos muito bem encenada e representada no Teatro da Cornucópia, dirigido pelo excelente Luís Miguel Cintra. Para o que quero dizer hoje, a história que o mestre William conta não interessa; com a minha consabida cleptomania, apenas aproveitei o título.

Nestes últimos dias, vejo aqui pelo blogue uma excessiva e desproporcionada agitação a propósito da eleição de Pedro Passos Coelho como novo líder do Partido Social Democrata. Pergunto: o que tenho eu, o que têm os cidadãos que não são militantes do PSD a ver com isso?

A cada facto da actualidade deve ser dada a importância que ele realmente tem e para mim (e se fosse só para mim, não valeria a pena escrever este post) isto é completamente irrelevante. Note-se que não quero minimizar particularmente o PSD e estaria aqui a dizer o mesmo se o espalhafato fosse a propósito de eleições internas do PS, do PCP, do BE ou do CDS. Quanto a mim, as eleições internas dos partidos são coisas irrelevantes para o comum dos cidadãos.

Diz-se que será o futuro primeiro-ministro de Portugal. Será ou não será, mas, mesmo que seja, o que irá isso mudar nas nossas vidas? Do Partido Social Democrata, ou do seu antecessor PPD, nunca saiu uma palavra, um conceito, uma ideia. Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador arguto, inteligente, mas previsível. Não é um criador de ideias – é um consumidor e um destruidor das ideias alheias; Pacheco Pereira é um homem de cultura, inteligente também, mas confuso, perdendo-se em labirintos que ele próprio constrói. Intelectualmente, Pedro Passos Coelho, fica muito atrás de qualquer deles (mas talvez seja mais pragmático). Em suma, o PSD é um deserto de ideias. [Read more…]

Face Oculta – 2 despedimentos

Dois quadros da Galp arguidos no processo “Face Oculta” já foram despedidos após inquérito interno da empresa anuncia o DN

Sugestões a Passos Coelho -2

É fácil congelar salários mas é muito injusto, porque são os que ganham menos e os que vivem pior que pagam a factura, só têm o pecado original de serem muitos e tirando um bocado a cada um junta-se muito. Mas chega, é sempre assim e no essencial, os erros, as duplicações, os desperdícios ficam lá todos.

Seria melhor ser um homem de Estado a sério e  avançar com medidas corajosas que, essas sim, além de justas, ficam para sempre. Exemplos? [Read more…]

As Redes Sociais e as Directas no PSD:

Eu já o tinha afirmado aqui e até destacado alguns dos principais animadores com quem tive o privilégio de partilhar grandes momentos ao longo destes últimos meses. Agora, no Sapo, leio Artur Alves a destacar a importância das Redes Sociais nestas eleições. Sobre o tema espero, daqui a alguns meses, partilhar convosco muito do que consegui escrever e o resto, imenso, que ainda falta.

Estamos a viver uma revolução silenciosa na comunicação política.

O zumba no caneco…

Estes rapazes e raparigas de capa e batina, com instrumentos musicais a tiracolo, com as as capas no chão a pedirem dinheiro para uma qualquer viagem de  curso, cheiram-me a carnaval, a “fazer de conta”, aquilo não é nada para arranjar dinheiro para uma viagem.

Hoje no Mosteiro dos Jerónimos lá vi uma “Tuna académica” e fiquei com a ideia que é de uma das novas Universidades, há por ali muita novidade quanto à vestimenta, parece que sairam do atlier da Ana Salazar, barretes, casacas à maneira, botas a condizer. Cheira-me a fim de semana bem passado, com uma noitada no Bairro Alto e umas quecas longe das vistas .Estamos a melhorar, até agora o que se via (na mais bela praça do Mundo) eram excursões de gente da terceira idade, garrafão na mão e uns petiscos de fazer água na boca, saboreados entre os belos jardins e àrvores frondosas.

Mas, estava eu, com a “tuna”, os rapazes e as raparigas têm um grande orgulho em serem alunos universitários e tocarem um qualquer instrumento porque não fraquejam, não desistem, não param um minuto que seja. E, ali estão, com o pézinho a dar para o lado compassadamente, e nem se apercebem do alívio na cara dos turistas quando se vêm livres deles.

É que visitar o mosteiro com aquelas dezenas de pessoas à nossa frente é penitência suficiente!

Golos do FCP em Belém:

E com Hulk a coisa pia mais fino, como o Sr. Ricardo Esbulho Costa bem sabe!

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/ZoT0D6UdLkUsiTYBVLYj/mov/1

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Mãe Querida

Ao longo dos anos já me habituei à constante preocupação do Prof. Cavaco Silva com o que os outros pensam de nós. A sua carreira política é pródiga em momentos como este último: “O Presidente da República felicitou hoje o novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, sublinhando que Portugal precisa de estabilidade política porque, neste momento, “depende muito” da apreciação de outros países”.

A minha mãe, uma santa, também pensa assim. Ao longo da minha vida sempre lhe ouvi tiradas como: “coloca uma gravata, filho, olha que eles estão a olhar para ti”. Lá fui e vou resistindo como posso, explicando-lhe que não é a gravata que nos torna melhores, etc e tal. Quando era mais novo e um valente cábula na faculdade, a minha mãe consumia-me a alma com as comparações com primos e vizinhos. É por isso que a minha mãe é uma santa. O que ela aturou.

Ora, o Prof. Cavaco Silva é a modos que a minha mãezinha, um Santo. Anda sempre preocupado com o que os outros possam pensar destes imberbes. Quando foi Primeiro-ministro, fartou-se de recordar a oposição do que os outros, no caso a Europa, podiam pensar de Portugal ao ouvi-los dizer aquelas coisas. Agora, enquanto Presidente da República, anda preocupado com o que possa Pedro Passos Coelho vir a fazer e dizer. É o espírito maternal a vir ao de cima.

Até no modo: a minha mãe adorava mandar recados. Mas a Maria da Conceição é a minha mãe e a uma mãe perdoa-se tudo. A uma mãe, claro está.

marx,durkheim e a teoria da infância

Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias.

Não é a infância de Marx e Durkheim que eu refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobra a infância, o meu tema preferido, o da criança.

O fundador da Sociologia francesa, espalhada pelo mundo,Émile Durkheim

Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, em conjunto com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a sua análise da vida social. No entanto, no seu livro escrito em 1888 e publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, tal como a descreve em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, no seu Essais sur la conception materialiste de l’histoire.

Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.

No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais…há uma considerável distância entre as qualidades naturais da infância e a forma especial que devem adquirir para serem utilizadas durante a vida…. Ao longo de duzentas páginas ou mais, o nosso autor desenvolve a sua teoria sobre a educação moral e a pedagogia, para acrescentar mais à frente que a existência de classes sociais, caracterizadas pela importante desigualdade de quem tem e de quem apenas possui a sua capacidade de produção como força de trabalho, torna impossível que contratos justos sejam negociados, entre um possuidor e um não possuidor de meios de produção (a minha síntese). O sistema de estratificação social existente, constrange uma troca igual de bens e serviços, ofendendo assim as expectativas dos povos das sociedades industriais. A exploração impossibilita…uma igualdade necessária para exprimir a vontade…. (a minha tradução).

As ideias expressas nas páginas 209 e seguintes, delimitam a sua ideia original do desenvolvimento das capacidades da criança. Estas parecem depender da classe social, como refere Durkheim e os seus comentaristas.

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A gentileza dos estranhos

Será porque a vida se vai fazendo mais dura, com a famigerada crise, a precariedade laboral, o aumento da violência, a fragmentação do tecido social, a desestruturação da família, será por tudo isto que nos fomos esquecendo da amabilidade?

Há dias, no supermercado, uma senhora em cujo rosto se viam as marcas de muitas aflições, sorria docemente aos comentários que o meu filho ia fazendo e insistiu em que passássemos à sua frente, porque a fila era prioritária para idosos, grávidas e pessoas com crianças. E era, de facto, mas eu nem me lembrava disso porque raramente alguém me havia cedido passagem mesmo quando eu estava grávida ou quando o meu filho ainda era um bebé de colo.

E muito menos se havia visto por ali quem cedesse passagem a alguém por ter apenas um ou dois artigos ou por parecer debilitado, ou simplesmente porque se tem tempo e atrás está alguém que aparenta estar genuinamente apressado. Desconfiamos das intenções de quem pede alguma coisa, tememos ser tomados por parvos e já nem ouvimos, levantamos a mão, abanamos ligeiramente a cabeça, em jeito de quem diz “dispenso” e passamos ao largo.

Há uns anos tive a experiência de estar noutro continente, numa cidade de milhões de habitantes, a distribuir panfletos à saída do metro. [Read more…]

Umas papas de sarrabulho!

Num pequenino restaurante do Porto, onde se comem, a meu ver, as melhores papas de sarrabulho, estava eu deliciando-me com uma tigelinha das ditas. Ao meu lado esquerdo, de pé e encostados ao balcão, encontravam-se dois homens com aspecto de imigrantes ucranianos, bebericando cada um o seu copo de vinho tinto.

Quando viram as minhas papas fumegantes, um deles perguntou ao dono do restaurante quanto custava uma malga de papas. Um euro e meio, respondeu o patrão. O homem contou os trocos na palma da mão, encolheu os ombros e meteu os trocos no bolso. [Read more…]

Salvar a Pátria! (aqui está um texto que deve ser lido !)

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado ‘rico’ e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser ‘rico’… Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e – de uma forma inovadora – pagando mais impostos. [Read more…]