UE aperta a trela do capitalismo hardcore

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma importante medida, que se espera promotora de transparência, e que tratará para a luz do dia informação objectiva sobre os lucros que as multinacionais – comunitárias e extra-comunitárias a actuar no interior da União – obtêm em cada Estado-membro, bem como os impostos que aí pagam.

O universo de empresas abrangido engloba todas as multinacionais que gerem facturação superior a 750 milhões de euros, e o âmbito da lei irá para lá do espaço europeu, incidindo também sobre negócios realizados por essas empresas nas jurisdições offshore listadas nas listas negra e cinzenta ds UE, algo que sendo ainda limitado, é um salto significativo em relação àquilo que existe actualmente.

Vai ser interessante, perceber quanto “mamam” os grandes players que usam as nossas estradas, os nossos portos e aeroportos, as nossa redes de comunicação, as nossas universidades, os nossos benefícios fiscais, fundos europeus e apoios dos vários Estados, para, não raras vezes, pagar e tratar miseravelmente os seus funcionários. Nada como ver a big picture para perceber o quão fundamental é manter a trela curta dos pitbulls do capitalismo hardcore.

Rio abaixo, em direcção ao precipício

Entrevistado por Vítor Gonçalves, na RTP, Rui Rio assumiu estar preparado (e determinado) para dialogar com o PS. Para evitar que Costa se volte a virar para BE e PCP, sublinhou. Ou para viabilizar o seu próprio governo, inevitavelmente minoritário, agora que, assegura, não há diálogo possível com o Chega.

Por muito que se possa elogiar este aparente sentido de Estado, mesmo depois de Costa ter feito questão de detonar, com estrondo, a ponte com o PSD, é preciso não conhecer o partido em que se transformou o PSD para cometer este hara-kiri em canal aberto. Um partido em que parte significativa dos seus militantes, altamente radicalizados, agarrados a uma narrativa lunática muito idêntica à pregada pela extrema-direita, defende que vivemos num regime totalitário idêntico ao venezuelano, controlado por um lobby gay-feminista-socialista, financiado pela dupla Soros & Gates, que quer reduzir a população mundial através da ideologia de género, com a lavagem cerebral a começar na escola primária.

Estas pessoas não querem nem ouvir falar de acordos com o PS. Preferem o Chega. A própria IL, para muitas destas pessoas, é uma perigosa agremiação de esquerda. Pessoas que comparam Costa a Salazar e, em caso de dúvida, escolhem o segundo. Rio parece já não conhecer a sua audiência. Paulo Rangel, mais táctico e calculista, agradece.

Longa vida ao SNS!

Em Fevereiro, na unidade de Alfena do Grupo Trofa Saúde, uma mulher caiu nas escadas rolantes do hospital, que lhe exigiu 600 euros para suturas e exames de RX e TAC. A mulher, que não podia pagar os avultados valores cobrados pelo hospital, teve que chamar uma ambulância e fazer os 11KM que separam a unidade privada do Hospital de São João.

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A nota ortográfica

Hugo Stiglitz. Und auf die Entfernung bin ich ein richtiger Fredrick Zoller.
IB

À la fin du XVIIIe siècle, la tolérance perd enfin sa signification restrictive et péjorative.
Denis Lacorne

Bernard Tapie. C’est où la nature?
Michel Polac. En Suisse…
ONPC

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Hoje, não há *fatos no Diário da República, mas há *contatos. Sim, dois *contato no singular e muito perto um do outro. Tudo como dantes. Nada de novo a assinalar no sítio do costume.

Recentemente, recebi um testemunho, em forma de livro, que me trouxe reminiscências de uma prática há muito em voga entre gente forçada, por isto, por aquilo ou por aqueloutro, a adoptar o AO90. Essa prática (conheço exemplos concretos, mas ficam para próximas oportunidades) consiste em grafar alternativas, para que, de facto, o dito cujo não seja utilizado: por exemplo, metas em vez de *objetivos, excelente em vez de *espetacular, maravilhoso em vez de *ótimo, dar o dito por não dito em vez de *retratar-se, justamente em vez de *exatamente, etc.

Todavia, o exemplo desta “Nota Ortográfica” é diferente e, acrescente-se, interessantíssimo.

Os meus agradecimentos à Professora A.

Desejo-vos um óptimo resto de semana.

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Já começou

Já era esperado e não tardou: o medo está de volta.

Vem aí a quinta vaga.

Os casos pelo Natal chegarão aos 2500 por dia e os mortos 20.

Vêm aí o terror. Preparem-se para o pior.

Comprem já tudo antes que seja tarde: bacalhau, cabrito, e papel higiénico. Pois no Natal, além de infectados e mortos, vamos ter prateleiras vazias. E, quiçá, não haverá brinquedos para as criancinhas.

O medo vai apoderando-se das mentes e, depois, dos comportamentos. E é uma arma terrivelmente eficaz para manipular massas, povos. Como, aliás, a história da humanidade, já demonstrou à saciedade.

Tenham medo. Muito medo. Pois haverá quem agradeça.

Salazar e o atraso estrutural de Portugal

Ouço e leio muita gente falar no atraso de Portugal em relação aos países de Leste, simplificando e reduzindo a complexidade do problema a “são países liberais”, como se, para além da Estónia, onde a pobreza e a exclusão social têm uma dimensão bem mais preocupante do que em Portugal, mais algum país de leste fosse verdadeiramente liberal, para lá de meia-dúzia de reformas, privatizações ou destruição de direitos laborais.

Se vamos simplificar, comparemos ditaduras e olhemos para o que foi e Educação no Estado Novo e na União Soviética. Censura e doutrinamentos à parte, que existiam em ambos os regimes, há algo que salta à vista: enquanto a estratégia de Salazar residia na ignorância programada de crianças descalças com escolas miseráveis, com a maior parte a não passar do ensino primário, quando o concluíam, a União Soviética investia rios de dinheiro na educação dos cidadãos, o que garantia uma sociedade com elevados níveis de literacia, apesar da opressão e dos pés não menos descalços. De outra forma, não teria tido sequer a possibilidade de competir com os EUA durante as décadas da Guerra Fria.

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Bom dia?

Inspirado num texto da página https://www.facebook.com/Livrodponto

 

Era um professor que não cumprimentava colegas, porque, no fundo, detestava professores. Imagine-se o que será detestar professores e conviver com professores todos os dias da semana. Como se isso não bastasse, era casado com uma professora e meio professor por parte da mãe, mais um quarto do lado do avô materno. Como acontece com todos os professores, antes de ser professor, já tinha lidado com dezenas de professores, entre escola primária (era do tempo em que se chamava escola primária ao primeiro ciclo, imagine-se a antiguidade, a senectude) e a faculdade. Entre a casa e as escolas, nunca teria passado um dia sem se relacionar com, pelo menos, um professor.

O professor F. (vamos chamar-lhe assim, para manter o anonimato) vivia, por isso, em estado de sítio por se sentir sitiado, cercado de professores que nunca levantariam o cerco. Um dos dias mais felizes da sua vida consistira naquele em que passara a escrever sumários numa plataforma digital – nunca mais o viram na sala dos professores.

Um leitor aparentemente mais inteligente poderia perguntar por que razão um homem que tanto odiava professores não escolhia outra profissão. Aviso, desde já, o leitor de que a minha responsabilidade de narrador não faz de mim um ser omnisciente. Por outro lado, a vida está cheia de incongruências e o ser humano raramente é racional. Finalmente, se o leitor não gostar da história, escolha outra e meta-se na sua vida, que uma coisa é ler, outra é coscuvilhar. [Read more…]

Operações “standard” para lesar o bem comum

Pagar imposto do Selo é para a arraia-miúda. À EDP basta-lhe declarar que a venda das barragens do Douro à Engie foi uma reestruturação empresarial e já as santas operações – cisão, seguida de fusão, que serviram para transferir activos da EDP para a Engie – ficam isentas de pagamento do Imposto do Selo.

Lembrando que a empresa está amparada neste processo, como habitualmente, por assessores jurídicos e financeiros, Stilwell (que falava com os analistas a propósito dos resultados da EDP, cujo lucro subiu 21%, para 510 milhões de euros, até Setembro), repetiu que se tratou de uma “operação standard”.

Ou seja, não se metam connosco. Aliás, o dinheiro fica bem melhor onde está; impostos para financiar o SNS, as escolas, a Cultura?? Era o que faltava.

A EDP é livre de fazer os seus negócios usando as arquitecturas legais para não pagar impostos, mas alguém tem dúvida??

Mas… desculpem, porque é que isto é legal?

 

 

O Velhaco

     Hugo Arsénio Pereira
     Ainda não percebi se por desleixo, se por tropeçar em si próprio de tão sôfrego e ansioso que é, se fez de propósito, ou se se está já a “cagar” simplesmente por ser o segundo mandato, este discurso da raposa que está em Belém foi tão óbvio e descarado naquilo que são as suas intenções desde sempre, que é facílimo de desmontar e contradiz-se a si mesmo. Senão vejamos:
     «Era um orçamento importante num momento importante (…) de acesso a fundos europeus. (…) A rejeição ocorreu logo na primeira votação, não esperou pelo debate e discussão na especialidade (…)»
     Engraçado…Foi precisamente ele, o Presidente da República, que não esperou sequer pelas negociações e conversações públicas e, precisamente, as da Assembleia da República, para gritar aos quatro ventos que ia dissolver a Assembleia e convocar eleições…Precisamente “num momento importante (…) de acesso a fundos europeus.”
     «A base de apoio do Governo mantida desde 2015. (…) [houve] divergências (…) que pesaram mais do que o percurso feito em conjunto até aqui.»
     Marcelo, o Presidente, a fazer de comentador televisivo, novamente. Marcelo sabe que desde 2019 que não existe base formal (repito, formal) de apoio ao Governo, que este, again, formalmente, claro, governa sozinho, em minoria, contrariamente ao que sucedia entre 2015-2019, onde havia…formalmente, again…aquilo a.k.a. acordos de incidência parlamentar. Marcelo sabe isso, mas decidiu fazer de Marques Mendes. «(…)e pesaram [as dissidências] mais do que o momento vivido (…) à saída da pandemia, e da crise económica e social (…) já bastava uma crise na saúde, mais outra económica e outra na sociedade e que, por isso, dispensava mais uma crise política a somar a todas elas». E, perante essas crises todas, o que é que este rato velho faz? Grita, antes das conversações, again, formais, que vai convocar eleições, comprometendo qualquer remota hipótese de mudança de posição e, por conseguinte, de aprovação do orçamento.
     «[eu] disse atempadamente que a rejeição do Orçamento conduziria a eleições antecipadas e que não haveria terceiras vias (…), a de um novo orçamento». Marcelo, não o Presidente, nem o comentador, mas o professor de Direito, sabe que, constitucionalmente, o chumbo de um orçamento não leva automaticamente à dissolução da Assembleia e a eleições. Sabe que existem, constitucionalmente, again, formalmente, aquilo a que ele chama de terceiras vias. Mas fingiu que não é prof. de Direito, e fez disso tábua rasa [não estou a dizer, atenção, que o ideal era o PS apresentar um novo orçamento, estou só a tirar a maquilhagem à raposa].

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Tudo correu conforme Marcelo previu

Marcelo ameaçou BE e PCP para aprovarem o orçamento de Estado com a dissolução da Assembleia da República e dissolveu-a.
Marcelo disse que queria eleições o mais rapidamente possível porque o país não poderia continuar sem orçamento, e assim marcou para dia 30, não de Dezembro, embora pudesse ser, mas de Janeiro de 2022.
Marcelo prometeu eleições em Janeiro, embora depois dos desenvolvimentos mui dignos dentro do PSD e do CDS, preferisse marcar as eleições para o dia 43, mas tal não foi possível porque 2002 não será ano bissexto. Ficou a 30 por ser Domingo.
Enfim, tudo previu e tudo aconteceu.

Que mais irá acontecer nas previsões do Presidente da República? Não perca os próximos episódios desta 2º série.

Delírios neofascistas e a direita dita moderada que a normaliza

Assunção Cristas tinha dúvidas entre ele e Haddad. Preferia não votar. Paulo Portas não via nele nada de reprovável. Maria Luís Albuquerque foi apresentar um livro dedicado ao fascista brasileiro, com Passos Coelho na audiência. O livro era de Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente da sociedade partidária unipessoal de André Ventura, que há dias classificou os jornalistas portugueses de “tumor maligno da democracia”. É isto que a direita dita moderada tem andado a fazer de há uns anos a esta parte: branquear fascistas, apoiar a sua ascensão (como se viu também nos Açores) e defender-se com falsas equivalências, como se a agenda de ódio da extrema-direita fosse comparável às lutas da comunidade LGBT, à fantasia do marxismo cultural ou à não-ameaça da ideologia de género. E esta gente não está só no CH. Alguns estão no PSD, um ou outro no IL e no CDS têm até uma corrente de neosalazaristas que praticamente não se distingue da nova extrema-direita parida por Bannon.

Mas vá, se calhar sou eu que estou a ser mauzinho. E daí se um presidente da República de uma democracia (ou do que resta dela), que é também um fundamentalista cristão, logo negacionista absoluto de todo o conhecimento científico, assina um decreto presidencial para atribuir a si próprio uma medalha de mérito científico, após dois anos a negar a covid-19 e a ver os seus concidadãos morrer, enquanto combatia activamente todas as medidas de controlo da pandemia? Se achas que não tem mal nenhum, vota Chega e, da próxima vez que tiveres um problema de saúde grave, não vás ao hospital. Reza muito e pode ser que vás mais cedo ter com o teu criador, com uma medalha de mérito de cepo na lapela.

A Virgem já não é virgem

Dança das Virgens na Lousã em risco por falta de jovens, diz a RTP.

Por falta de jovens ou por falta de virgens?

Marcelo a fazer o jogo do PS

A máquina socialista montou o spin, a comunicação social amplificou e o Presidente da República oficializou: não houve orçamento por causa do PCP e do Bloco.

Porém, não houve orçamento porque António Costa colocou à frente o seu interesse pessoal, e por ventura do PS, em vez do interesse do País.

Em orçamentos anteriores, a negociação nunca foi um problema. Até porque muitas medidas foram orçamentadas e depois congeladas devido às cativações.

Porque é que Costa não fez agora o mesmo? O que é que mudou? PSD e CDS em cacos, Chega a crescer e PCP e Bloco em queda.

O que mudou foi a leitura calculista de Costa. Que Marcelo acabou de subscrever. Miséria política!

O mijo e o leite

No frio beirão de uma aldeia já quase espanhola, em tempos que ainda cá estão, o rapaz, o mais novo de nove irmãos, estava sentado na cozinha, olhando para a mãe, que lavava a louça do jantar. A casa alimentava marido, filhos, trabalhadores, uma pequena multidão no tempo em que os animais falavam e as máquinas de lavar louça nem sequer eram ficção científica, porque ali ainda não tinham inventado a ficção científica.

O cheiro dos animais, do suor e do fumo misturava-se com o próprio odor do frio. O rapaz, irrequieto, irreverente, vivia revoltado com os óbices do mundo, com a falta de lógica de um universo que parecia inventar obstáculos à simplicidade que deveria ser a vida. Um dia, talvez incomodado com a necessidade de ordenhar vacas, perguntou em voz alta por que raio não haveríamos de beber o mijo em vez do leite.

Nessa, como em muitas outras ocasiões, diante da constante contestação do filho, o pai, já cinquentenário e absoluto respeitador da Criação, abria a boca de assombro e de preocupação, chegando a pôr a cabeça entre as mãos e perguntando “O que há-de ser deste rapaz?”, antevendo um futuro negro a quem dizia palavras como heresias.

Ver a mãe a lavar tanta louça ferveu dentro do rapaz como uma queimadura, uma revolta proporcional à compaixão que lhe nascia de ver a mãe sobrecarregada. De repente, entre a facilidade do mijo e a dificuldade do leite, encontrou mais uma solução: “Os pratos deviam deitar-se fora todos os dias e havia outros novos. Acabava de se comer e atirava-se com o prato assim!” E imediatamente juntou a palavra ao arremesso, pondo um prato a voar pela janela, enquanto abria a porta a um novo mundo.

Uma velha tia, visita habitual da casa, vinha a subir as escadas e foi atingida pelo prato que nunca tinha chegado a sair do mundo em que se bebe o leite das vacas.

O Sonho de uma Vida

Metropolitano em greve. Autocarros lotados por falta de oferta pública. Serviços privados de transporte a mais de 15€ (ah, a mão invisível a funcionar…). Lisboa está um sonho. Se estivesse a chover, como ontem, seria um sonho molhado.

O que nos vale é que temos a Web Summit. Viva! Viva! Viva!

De vitória em vitória: até à vitória final

Haver, em África, mais pessoas com smartphones do que com água potável em casa, será, certamente, uma vitória do capitalismo.

Por isso, parabéns.

As alternativas a António Costa são estas? Então a culpa é do socialismo.

Aplicada a machadada final no que restava da Geringonça, da qual o BE já havia debandado ao chumbar o Orçamento do Estado para 2021, os partidos à direita deram início às celebrações, que, de resto, já haviam começado com a vitória de Carlos Moedas em Lisboa, que muitos consideraram ser o ponto de viragem e o acontecimento que marcava o início do fim da hegemonia do PS. E talvez o seja, a ver vamos.

Contudo, que direita se propõe governar o país? Um PSD entregue a uma guerra interna, mal cheirou a poder, com Paulo Rangel a liderar a rebelião, o mesmo Paulo Rangel que, não há muito tempo, afirmava, convictamente, que Rui Rio seria o próximo primeiro-ministro de Portugal, e expressava todo o seu apoio ao ainda líder do PSD, para no final da passada semana protagonizar uma espectáculo de facas longas em Belém, com um Marcelo que, no processo orçamental, falhou em toda a linha? Um CDS que, perante a crise à esquerda, decidiu ter o seu momento “hold my beer” e entrou em processo de autodestruição, com uma debandada geral da inteligentsia portista? Um CH cada vez mais extremista, que, só nestes últimos dias, teve o seu dono a insurgiu-se contra a expressão “Fascismo Nunca Mais”, um vice-presidente a fazer um ataque misógino e ordinário a uma deputada e outro a atacar jornalistas, acusando-os de serem “o tumor maligno da democracia”? Uma IL irrelevante, que está para o PSD como o Bloco está para o PS? O que têm estes partidos, no presente momento, para oferecer? Pouco ou nada, parece-me.

Entretanto, no Largo do Rato, António Costa sorri e debate, internamente, dois cenários: ganhar com maioria absoluta ou ganhar sem maioria. Se o primeiro se verificar, algo que me parece pouco provável, pouco haverá a dizer. Caso ganhe sem maioria, importa saber o que restará das pontes que uniam o PS aos partidos de esquerda, e se ainda será possível reconstruí-las. Seja qual for o cenário, tudo indica que o poder continuará do lado esquerdo do espectro. A direita está demasiadamente ocupada consigo própria, e com quem decidirá a formação das listas de deputados para as próximas Legislativas, para discutir o país e apresentar uma alternativa credível. Mas o responsável pelo buraco em que se enfiou, seguramente, há-de ter sido o socialismo.

16 de Janeiro

Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.

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SMN: um elogio ao governo das esquerdas

A maioria dos meus artigos tem em comum serem extensos e críticos contra a classe política. Este será um pouco extenso, mas para destacar o que entendo ser o feito mais positivo dos governos das esquerdas.

Portugal tem sido muito mal gerido, não só mas também pela classe política. Ainda assim acho que todos os governos deixaram algo positivo. De forma sucinta e focando-me apenas no positivo, tentarei partilhar o que guardo na memória de cada um. [Read more…]

Um conto de fadas

Quando chega a altura da Web Summit, há políticos que, do centro à direita, se revelam exímios grossistas. É vê-los, tão contentes, a vender o País por inteiro. Há um que até já vê unicórnios.

Karl Moedas e os transportes públicos gratuitos em Lisboa

Quando, na antecâmara da campanha eleitoral pela CM de Lisboa, Beatriz Gomes Dias e João Ferreira avançaram com propostas para que a autarquia garantisse transportes públicos gratuitos na cidade, a direita arrancou as vestes, “monelhos de cavelo”, e guinchou, em uníssono, o conteúdo da cassete que é hoje a sua imagem de marca: comunismo, extrema-esquerda, marxismo cultural.

Agora, que Carlos Moedas reafirma a intenção de garantir transportes públicos gratuitos “para os mais novos e para os mais velhos”, sem contudo clarificar até que idade se é considerado “mais novo” e a partir de que idade se é considerado “mais velho”, dessa direita histérica acima descrita, que se agita ao sabor do vento e sem um plano para o país, nem um pio.

Contudo, sotor Carlos Moedas, se o objectivo é garantir a descarbonização, é fundamental que clarifique também qual será a situação dos principais utilizadores dos automóveis na cidade de Lisboa, que não são nem os mais novos, nem os mais velhos, mas a população trabalhadora que, regra geral, é mãe e pai dos primeiros, filho ou filha dos segundos. Dito isto, avante, camarada Moedas! Os transportes públicos brilharão para todos nós!

Parabéns, Forbes, acertaste em cheio

Em 2018, ainda a liderar a jota do partido, Francisco Rodrigues dos Santos integrava a lista da Forbes dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa, com menos de 30 anos, na categoria Direito & Política”, podia ler-se no jornal Público. Quase quatro anos depois, parece que a conceituada publicação acertou em cheio. Se o CDS acabar por falecer nos próximos dias, ninguém terá brilhado tão intensamente como ele. E, convenhamos, só alguém muito influente consegue uma façanha destas. Não obstante, uma coisa é certa: não foi ele quem deixou o CDS ligado às máquinas. Foram os mesmos que agora abandonam o barco a afundar. Chicão poderá não ser a figura mais preparada e competente, mas pelo menos não é um rato. Podia ser pior.

O PCP e outras mortes anunciadas

Há pelo menos uns 20 anos que ouço a direita, e também alguma esquerda, anunciar a morte do PCP. Over and over again. E os comunistas lá se vão “aguentando”, com o quarto maior grupo parlamentar num hemiciclo com nove partidos, que eram 10 no início da legislatura, e uma sólida terceira posição no mapa autárquico, só ultrapassado pelos dois partidos que controlam o sistema. Caso para dizer, parafraseando Mark Twain, que mais de duas décadas de notícias sobre a morte do PCP foram manifestamente exageradas.

Do outro lado do espectro temos o CDS, também ele fundador da democracia portuguesa. Esteve na AD, esteve nos dois governos de direita deste século, onde ocupou pastas importantes, tem presença autárquica significativa, ainda que, essencialmente, numa relação com o PSD cada vez mais idêntica àquela que Os Verdes têm com o PCP, e, não há muito tempo, a sua anterior líder, Assunção Cristas, afirmava estar preparada para governar o país.

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Tumor maligno da democracia

É o partido cujo vice-presidente afirma que o jornalista é o tumor maligno da democracia.

O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

 

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.

Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.

Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida. [Read more…]

mais um Natal de miséria?

A quase totalidade dos partidos pede eleições no dia 16 de Janeiro. Ou seja, campanha partidária em força e em cima do Natal e Ano Novo. É tudo o que as pessoas precisam depois da forma como celebraram as festas de 2020.
Será maravilhoso ver terras com um amontoado de decoração natalícia e outdoors políticos. Ou ir a almoços, jantares e outros convivíos típicos da época e pelo caminho levar com as arruadas das comitivas dos candidatos.
Será delicioso estar a comer a bacalhoada de Consoada e ser brindado com tempos de antena do Dr Costa a falar da sua bazuca ou a Maria Vieira em cabedal e lantejoulas a cantar o hino de campanha do Chega.
A sério, esta merda nem pintado!

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Economia para totós

Como um simples tweet mostra a iliteracia da esquerda. Delicioso.

“History will judge you” – Greta Thunberg

Estes irresponsáveis e cobardes governos do mundo que são culpados da situação a que chegámos andam há mais de 30 anos a lamber as botas ao negócio, às multinacionais e aos fundos financeiros, sem capacidade nem vontade de mudar este sistema predatório e poluidor, abrem-lhes todas as portas para lhes aumentar o lucro e o poder, vergam-se aos lobbies, mantêm, em todos estes anos, os combustíveis fósseis sabendo que o planeta está a aquecer, ainda os subsidiam, dão às grandes empresas todas as regalias, fazem tratados de livre comércio e alimentam uma justiça privada exclusiva à custa dos cidadãos, argumentam com postos de trabalho, sabendo que a transformação é inevitável, esta cambada destes governos não se importam de lançar o planeta e as pessoas para o abismo e continuam a falar de crescimento e competitividade, estes governos são assassinos e culpados.

Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.

Feels So Good

Chuck Mangione toca Feels So Good, em 2 de Junho de 1978, durante o 271.º episódio do programa The Midnight Special, de Burt Sugarman.

Dedico esta interpretação ao j. manuel cordeiro, o nosso campeão da rubrica Hoje dá na net. Ele sabe porquê.