Não à Barragem de Fridão!

Já tive a oportunidade de chamar a atenção para o escândalo que é a construção da Barragem do Tua, que vai destruir um vale único e uma das mais belas linhas férreas do mundo.
No dia em que a TSF, no seu «Terra a Terra«, dedica mais uma emissão a branquear a acção e a hipocrisia da EDP na destruição do património ambiental português, é hora de dar voz a mais uma luta, neste caso a da população de Amarante contra a Barragem do Fridão. Por toda a cidade, pude confirmá-lo pessoalmente, abundam as referências à Barragem e aos apelos à continuidade da luta.
Com a construção da Barragem de Fridão, projectada para o limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, a 6 km de Amarante, é a existência da própria cidade que está em causa. Planeada para atingir 110 metros de altura, irá interceptar o leito do Tâmega, desviar o leito do rio Olo e pôr em causa, de forma irreversível, o caudal ecológico do Tâmega em período de estiagem. Irá pôr em causa, ainda, a integridade e eficiência do sistema de abastecimento público de águas, em consequência da libertação das águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira. Recursos endógenos únicos serão transformados num somatório de albufeiras articuladas entre si em cascata de águas mortas. O vale do rio Tâmega será definitivamente perdido para as albufeiras.
Amarante é o resultado único do percurso do rio Tâmega. Actualmente, já tem a jusante a Barragem do Torrão – Rio de Moinhos(Marco – Penafiel), e agora passará a ter a montante a Barragem de Fridão. Ou seja, ficará completamente à mercê da imprevisibilidade geodinâmica – «uma guilhotina colectiva suspensa sobre Amarante, exposta à imprevisibilidade comportamental da geodinâmica interna geradora de algum fenómeno ocasional de causas naturais, considerado à priori de ocorrência impossível ou de considerada escassa probabilidade estatística.»
Enquanto isso, a EDP evita a discussão pública e monta gigantescas campanhas publicitárias. Como se a cidade de Amarante não existisse e como se tudo fosse apenas radicalismos ambientalistas. Deve ser essa a imagem a transmitir pelo «Terra a Terra» de hoje: só maravilhas!

(elementos técnicos recolhidos aqui)

PS quer expulsar militantes


«PS quer expulsar 147 militantes do Partido no Porto»

«PS: Concelhia de Alandroal quer expulsar militante»

Rolhas há muitas, não há, seus palermas?

PSD: ‘Ora venha de lá um das Caldas’

Na edição de hoje, do jornal i, Ana Sá Lopes publica um artigo de opinião alusivo ao Congresso do PSD, realizado este fim-de-semana em Mafra. O título do artigo é Altos & Baixos do Congresso. Li e concluí tratar-se de um itinerário simplista, sob a forma de visita a perfis e desempenhos dos protagonistas, anciãos e novos, de caminhadas incessantes do PSD, pelo complexo labirinto em que se emaranhou e de que não consegue sair.

Do título, parece legítimo inferir que o congresso do PSD, como seria normal, teve pontos altos e pontos baixos. Em minha opinião, não foi assim. O partido laranja continua a ser um navio encalhado em mar de maré muito baixa, mesmo vazia, órfão de quem, com credibilidade e sabedoria, lhe pudesse imprimir uma navegação firme, com rumo traçado à medida de naturais expectativas dos seus votantes, e dos portugueses em geral. Para tamanho empreendimento, dizem os especialistas politólogos, o PSD precisaria de um timoneiro experiente e de uma tripulação à altura das capacidades do comandante. Marcelo poderia ser esse timoneiro, mas sabe que a tripulação é desastrada e, sendo dos mais sábios militantes, recusa entrar em aventuras. Jogar por fora é a escolha do saber.

Ao pensar em ‘Altos & Baixos do Congresso’, reafirmo, pois, que o evento ocorreu, todo ele, em baixíssima qualidade, mesmo quando a plateia – e Passos Coelho e respectivos apoiantes em especial – se deleitaram e se expressaram de forma efusiva perante a prestação de um tal Fernando Costa, boçal, truculento e que, pelo que confessou, não deve e deve tudo o que é ao partido – 10 anos de AR e 24 anos como Presidente da Câmara Municipal das Caldas. Ao ver as reportagens televisivas, tive a paciência de assistir aos entusiasmados risos, gritos de euforia e aplausos de uma plateia até então dormente. E pensei que, para o PSD, o melhor estímulo para se agitar em congresso é clamar: “Ora venha de lá um das Caldas” – os interesses do País que se … lixem! acrescento eu.

A psicóloga e o filho da ministra: «O Crime» ou um jornalismo de latrina

Depois de ter recebido um mail, que denunciava o caso de uma psicóloga que fora substituída por um filho da ministra da Saúde, o Aventar começou a investigar e publicou, no dia 5 de Março, o post «Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da ministra Ana Jorge».
Foi aquilo que no jornalismo se costuma designar por «furo». Mesmo sem ser essa a sua vocação, o Aventar entendeu por bem investigar e publicar. Paulo Guinote fez o link em «A Educação do Meu Umbigo» e durante alguns dias, o assunto dominou a blogosfera.
Na semana que passou, o jornal «O Crime» trouxe como manchete o mesmo tema. Ficámos contentes, no Aventar, porque alguém pegara na nossa história. No entanto, quando abrimos o jornal, ficámos espantados: não havia uma única referência ao blogue. O «jornalista» conseguiu escrever uma página inteira sem referir a fonte que utilizara e a forma como tivera acesso às informações. Numa caixa, apenas uma breve referência ao filho da ministra, que diz saber que a polémica foi despoletada por um blogue na internet.
Pois foi, o caso iniciou-se com um post do Aventar. Mas o «jornalista» de «O Crime» preferiu omiti-lo. Esquecendo o artigo 6.º do Código Deontológico dos Jornalistas, que diz que «o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes».
O que por um lado foi bom. Porque nos lembrou, caso estivessemos esquecidos, que «O Crime» continua a fazer, como sempre fez ao longo da sua história, um jornalismo de latrina.
Senhor jornalista de «O Crime»: esteja à vontade para usar este post da forma que entender. Publique-o na próxima edição do jornal. Se não quiser, como diz o outro, besunte-se com ele.

Sr. Anacleto da Cruz, Pensamentos XLVII e XLVIII

XLVII

Quem tem mente,

mente.


XLVIII

É por te sentires estúpido,

que não o és completamente.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

Barragens tambem não!

Contra as barragens no Tâmega, Tua e Paiva, porque  a sua contribuição é muito pequena para a energia necessária, não substituem a importação de petróleo e têm um impacto irrelevante ao nível da emissão de poluentes. Por outro lado, uma vez construídas, as barragens não vão contribuir para manter postos de trabalho. O problema é que dizem o mesmo para todas as barragens mas  todas juntas terão as vantagens que não se reconhece quando  se analisa uma só!

Podemos viver sem barragens? A água, como se sabe vai ser ainda mais uma necessidade estratégica no futuro, sem água não vamos a lado nenhum, não podemos deixá-la correr livremente para o mar, porque recuperá-la custa muito dinheiro (dessalgar por osmose inversa) em energia que temos que importar.

Implica uma destruição ambiental imensa, milhares de hectares de reserva agrícola e ecológica vão ser submersos, a qualidade da água vai deteriorar-se, o sistema piscícola será alterado e os lobos deixarão de poder movimentar-se. Bem, a pata do homem, neste caminho que nos leva a ter muitas coisas materiais, foi e será sempre um factor de destruição da natureza. Os próprios desenhadores das grutas do paleolítico (neolítico)? de Foz Côa foram os primeiros a deixarem a sua marca na paisagem. Não há como evitar isto mas, evidentemente, devemos lutar para que as coisas se façam com conta, peso e medida.

A primeira opção é saber se estamos dispostos a trocar o confortozinho pelas belas paisagens. Eu acho que a coisa mais bela, são as margens de um rio, mas não sei se as posso ter todas assim selvagens, ou se tenho que contentar-me com menos.

Mas sei que não podemos deixar a água perder-se no mar !

Mr Phelps Morreu

Fez parte da minha juventude.Durante alguns anos, muitos, Mr Phelps, o chefe da “Missão Impossível” entrava-me pela casa dentro e eu adorava aquela personagem. Mais tarde foram as reposições, e ainda hoje em dia elas vão aparecendo, de vez em quando, para fazerem as delícias dos mais velhos e também dos mais novos.

Peter Graves morreu hoje, aos oitenta e três anos. O cinema está mais pobre e só nos restarão as reposições dos seus filmes e séries.

Descansa em paz.

Mais um caso de publicidade sexista

http://www.dailymotion.com/swf/bSoJ72AAmzen46e8C

Mais um caso de utilização abusiva do corpo feminino para fazer passar agressivamente uma mensagem publicitária, neste caso a de um ginásio. A nudez, a insinuação sexual ainda por cima anal, subtil mas patente, a exposição despudorada do corpo, tudo razões mais que suficientes para pelo menos duas petições e três queixas.

Além das feministas retardadas neste caso tem todo o sentido que também se manifestem os vegas, já que a imagem das nozes fica um bocado maltratada.

Ter ou não ser (Memória descritiva)

Talvez Shakespeare pudesse ter formulado a famosa dicotomia deste modo – To have or not to be – that is the question. Contudo, para que assim tivesse sido, teria de conhecer a sociedade actual onde, para se ser, para se existir, é preciso ter. Nos nossos dias, perder tempo com introspecções sobre o ser ou o estar? Inútil, pois uma coisa e outra confundem-se – uma olhadela à conta bancária resolve a questão. Se tem, é e está. Não tem? Não existe, é como se não estivesse.

E, no entanto, ainda há poucas décadas, Jean-Paul Sartre e o existencialismo afirmavam a prevalência do ser e o primado da existência sobre a essência, afirmando que a primeira antecede e governa a segunda. Mas o bom William viveu a época em que os dados acabavam de ser, décadas antes, lançados por Lutero e a semente não produzira ainda os seus perversos frutos. O protestantismo vinha impor o dever da riqueza, o pecado de ser pobre e de um homem não poder prover todas as necessidades da sua família, por oposição ao catolicismo que defendeu sempre (e persiste) na pobreza como virtude. E a igreja de Inglaterra aderiu à Reforma, mas não às teses de Lutero. O anglicanismo erradicou o papa, mas conservou toda a restante parafernália herdada de Roma. [Read more…]

Carrosséis

Não há gente mais triste do que a que se dedica aos divertimentos de feira. O homem do carrossel, que recebe as fichas das mãos das crianças, encosta-se a uma das colunas, vai remexendo, sem olhá-las, as fichas entre as mãos encardidas, fixa o olhar no chão e nada mais vê nem ouve até o carrossel novamente se deter. Tem os olhos inchados, a barba por fazer e um sorriso manso, que logo se apaga. A sua sócia, e mulher, vai vendendo as fichas, sentada na cabine onde há uma televisão que ela já não vê. Deve ter sonhado por muito tempo com as carruagens douradas que o carrossel reproduz em infantil escala, mas há muito que se resignou a olhar os três ou quatro botões que controlam as engrenagens do engenho, e a contar as moedas com que dá o troco aos paizinhos. [Read more…]

Faltam 419 dias para o Fim do Mundo

O Congresso do PSD terminou à Lei da….Rolha. Um magnífico presente ao PS e a Sócrates. Nem encomendado

Entretanto desapareceu mais um processo ligado ao PM, nada que nos espante. O crescimento do suicídio em Portugal é um sinal, um grave sinal do estado de espírito dos portugueses. Mas as vitórias do benfas podem sempre ser motivo de alegria para os 6 milhões (quantos???)…

Agora a sério: é chocante ler esta notícia da morte de uma jovem de 20 anos que, na brincadeira, atirou a sua moto 4 contra um pinheiro. Eu sou um adepto e praticante de todo terreno, gosto igualmente de andar de moto 4 e tenho pena de não ter uma. Estou farto de avisar amigos e conhecidos dos perigos deste tipo de veículo, um perigo que deriva do facto de se pensar que as quatro rodas a tornam menos perigosa que uma mota normal. Não é verdade, bem pelo contrário, até pelo excesso de confiança. Mais uma vida que se perde, uma jovem de 20 anos…

opinadesinformadisse aguda

Violência, Indisciplina e os professores

Nos posts anteriores tenho procurado ajudar a reflectir sobre as questões da educação que nos últimos tempos têm vindo para cima da mesa.
Penso que as escolas precisam de uma REAL autonomia e isso passaria por tornar da escola o que não deve ser central, ainda que de forma gradual: selecção de professores, de organização da mancha horária, da oferta curricular, do estatuto do aluno… Isto é, cada escola tem que ser capaz de crescer por si. Com instrumentos, recursos e competências – estou a falar de uma nova ESCOLA PÚBLICA.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA os professores têm que se assumir como quadros superiores da administração pública – não podemos ter medo de decidir, de escolher, de fazer opções.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA é fundamental que o governo e a sociedade sintam a escola como importante – consigam eles passar a mensagem que a aprendizagem é importante e, estou certo, todos os problemas começarão a desaparecer. Porque, caro leitor, quando morre um professor e um quadro da administração vem falar sobre as fragilidades do Professor, está TUDO errado! TUDO!
E, por isso, temos que mudar TUDO!

Apontamentos de Óbidos (10)

(Chafariz da Vila (1575) e Pelourinho (1513))

A canalhice é verde

Corre por aí que o Carlos Carvalhal vai ser substituído pelo André Vilas-Boas.

Numa altura em que a equipa joga como há muito não jogava e mais do que isso marca golos e ganha jogos, é deveras curioso que se dê esta substituição como adquirida, sendo certo que não há um sócio que tenha sido sondado ou que esteja de acordo. A verdade é que se vão perder seis meses de trabalho, de mútuo conhecimento, de confiança, de métodos de trabalho que estão a dar resultados. Que dizer disto?

Há quem diga que os agentes só ganham dinheiro se houver movimento, que se não há movimento não há jogadores bons na agenda ou podem fugir para outras bandas. E sem movimento de jogadores e técnicos não há movimento de dinheiro e sem movimento de dinheiro não há comissões. Aqui não entra o interessse do clube, dos sócios ou da “colectividade”, (como se diz na gíria das colectividades de dança e recreio), aqui o que há é o carcanhol, e portanto não interessam nada pormenores como os de a equipa estar ou não a ganhar.

Desta vez ( a ser verdade) a canalhice é verde, mas já teve outros tons como se sabe, praticamente todo o arco íris, mas aqui na lagartagem usa-se e abusa-se. Basta lembrar quando o Sousa Cintra despediu o Mr Robison que ia em primeiro, o Pintinho foi buscá-lo e o Porto ainda foi campeão nesse ano.

E o mister inglês foi despedido porque apesar de ir em primeiro no campeonato perdeu um jogo em Viena por uns quantos de que me não lembro bem. E assim o Sporting de uma assentada perdeu o campeonato, a taça Europeia e o treinador tudo numa decisão inteligente!

Mas a memória é curta!

Em Cartaz: Um PSD ensandecido…

Manuela Ferreira Leite anunciara a suspensão da democracia… por isso, não poderá ser surpreendente para quem nela acreditou, o facto de, para quem nunca reconheceu seriedade e credibilidade às suas palavras, o PSD, enquanto organização partidária denotar agora sinais inequívocos que o demonstram ensandecido. Primeiro, os delegados só puderam participar activamente nos trabalhos do Congresso (ainda que, em democracia, um Congresso partidário se presuma como Forum onde a participação é equitativa e apenas sujeita às inscrições prévias acessíveis a todos); depois, foram as sanções para quem “falar mal” dos líderes, sanções que culminam com a expulsão dos críticos!!!… A loucura total!… para abrir os trabalhos e para os fechar… com coerência, está à vista! Faz, por isso, sentido que o populismo do discurso dispersivo do Presidente da CM Caldas da Rainha tenha galvanizado o Congresso… apesar de ter dito coisas espantosas para quem defende o projecto PPD-PSD (que nem me atrevo a designar por social-democrata!); como, por exemplo: “(…) onde é que Sá Carneiro aceitava, Dra. Manuela Ferreira Leite, que os mercados mandassem no Orçamento ou na Assembleia da República? (…)”… e, provavelmente, faz também sentido que Rui Machete tenha declarado (corroborando a tese simplória da ainda líder, sobre o facto das regras, quando existem, serem para cumprir mesmo se é de uma versão da “Lei da Rolha” que se fala), que se não trata de uma medida persecutória!!!… Palavras para quê? … eles falam por si!… e sim, são artistas portugueses cuja marca de pasta dentífrica, mesmo se medicinal, é seguramente venenosa para a Democracia e para a sociedade portuguesa!

(Também Aqui)

Tierras de Miranda – Nuobas

Na semana em que os Galandum Galundaina apresentam o seu novo disco, destaque para um blogue em mirandês que para lá de fazer o que fazem outros blogues locais ainda serve de veículo à nossa belíssima segunda língua oficial.

Noubas, blogue da aldeia dos irmãos Meirinhos que com o Paulo Preto formam os Galandum, um grupo que só podia existir nas terras de Miranda do Douro onde a música faz parte da paisagem, é mais uma paragem obrigatória na Volta a Portugal em Blogues.

E aqui fica um dos temas de Senhor Galandum:

In limine

(desenho de Manel Cruz)

 Pelos caminhos de prantos e sorrisos, dentro de um tempo farto de horas sem minutos, a vida vai colhendo flores que murcham, por não serem simples flores ou flores simples, sem exigências de estufa ou jardim, flores de terra húmida, céu por cima e sol de permeio.

 Em tudo o que me é vida interfere a vergonha de ser adulto. Descortino as janelas que me disseram haver dentro dos homens e só vejo muralhas. Nada de crianças. Os homens comeram as crianças, os homens comeram-se crianças, os homens pariram-se adultos.

 Os pongídeos chegaram a homens. Quinze milhões de anos para o homem ser bicho. Bicho erecto. Rastejo de púrpura.

 Eu nasci na erva e dormi no feno, e acordei com a voz dos melros e rouxinóis e saltitei com os pardais. Vesti-me de sol e despi-me de luar. Estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios. Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. A vida viveu em mim crescendo todos os tamanhos e medindo todos os céus. Também eu fui criança e matei em mim a criança que procuro, ao pensar que eram de amor as mãos que a mataram.

 Passei a vida a correr tropeçando nas sombras. Arrumei ao canto da luz mil horas vazias, sangradas a curricular futuros para ser gente na praça dos homens. Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.

 Vestido de ausências fui renascendo de amor pela vida fora, nos infinitos da fantasia que outros foram lentamente matando com fruído prazer.

Filosofia de bolso (3)

– O medo e a coragem são a raiz da vida. Principalmente o medo: somos treinados para ter medo, e para ter coragem perante o medo. Dificilmente somos treinados para ter coragem pela coragem, sem ideia de medo.

"Lei da rolha" o tanas, "lei da censura"

Hoje aconteceu uma coisa estranha no PSD. Ou no PPD-PSD, não sei bem. Um partido que se apresenta como democrata e defensor da liberdade de expressão aprovou uma regra que penaliza quem critique o partido nos 60 dias anteriores a eleições. Normas internas, dizem. Sem se rir.

Já lhe chamam a “lei da rolha“. Eu prefiro chamar-lhe a lei da censura. Bem sei que a palavra pode parecer demasiado pesada e causar urticaria a muitos milhares de militantes. Mas a realidade é esta: os sócios do PSD serão castigados se disserem “ai” quando os dirigentes afirmam “ui”. Se faltarem menos de 60 dias para actos eleitorais. Se o prazo for maior, já não há problema. É uma questão de unidade, alegam do comité central que propôs a norma.

Ah, pois, a norma foi proposta por um ex-presidente do partido. Os actuais candidatos estão contra mas o congresso não teve vergonha em a aprovar.

Vindo de quem vem, daqueles que se dizem herdeiros do pensamento político de Sá Carneiro, ainda espanta mais. Deixemo-nos de paninhos quentes, trata-se de uma censura.

(GOLO)BENFICA vence na Madeira – veja o golo de Cardozo!

Uma vitória com golo de Cardozo:

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/TLzSjRBRlAtvVs9Nfd5e/mov/1

Bullying ou Má Criação?

Já aqui falei do Louzã Henriques e eis que, surpresa, encontro um depoimento dele num jornal sobre a patetice do conceito de bulingue:

E é neste ponto que o psiquiatra Manuel Louzã Henriques também se concentra. “É essencial que os professores sejam respeitados, que tenham autoridade e que possam aplicar uma disciplina actuante.” Para o clínico, actualmente os professores não são respeitados, considerando que os alunos vêem os docentes como alguém para “dar marradas”, até porque os próprios encarregados de educação acham que podem “bater e exigir dos professores“.

Louzã Henriques salienta ainda que “fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação. A sociedade quer que cada um acorde o selvagem que tem em si. Pessoas vistas como tímidas ou que gostam de reflectir sobre os assuntos são muitas vezes vistas como frouxas”. Firmeza, não enveredar pela hipertolerância, são soluções a adoptar.

Um aluno suicidou-se! Coitadinha da escola!

um dia destes não precisamos de burocratas!

“Para entender é preciso esquecer quase tudo o que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. (…)”. Ruben Alves

O suicídio de alguem é algo de pavoroso, chegar ao ponto de só assim, neste acto último, conseguir chamar a atenção para si e para os seus problemas é algo que aflige, que nos deixa sem esperança.

Num acaso, particularmente infeliz, deram-se dois suícidios e ambos no âmbito da escola pública. Um professor incapaz de aguentar rapazes e raparigas sem vergonha, que o atormentavam com piadas para as quais não encontrava saída digna, escolheu a morte. Um jovem, justamente pelas mesmas razões, optou pelo mesmo caminho pondo fim à vida.

As razões são as mesmas, não vale a pena fazer de conta que não são, a mesma falta de atenção, os mesmos energúmenos, a mesma incapacidade de se fazer ouvir, a escola que nem sequer se apercebeu do problema ou que não soube geri-lo. A incapacidade de uma organização resolver ou prever um problema desta dimensão, mostra-nos tambem a que distância a escola pública está de se poder considerar uma organização eficiente e eficaz.

Mas é esta escola pública que é defendida com unhas e dentes por quem encontra nela a razão do seu poder. É esta escola pública que é considerada inamomível, onde toda e qualquer tentativa de mudar é acompanhada por um ruidoso coro de senhores muito importantes, que representam, são a voz, de uma massa amorfa de pessoas que se acomodam a troco de quem trave os combates que não têm coragem de travar.

E então de quem é a culpa? Do estatuto do aluno porque foi longe demais e do estatuto do professor porque não chegou aonde nós queríamos! Mas isso tem um rosto? Tem, a Maria de Lurdes ! Mas a Maria de Lurdes esteve no Ministério 5 anos e a escola pública há vinte que é má! Há gente que esteve sempre a tomar decisões durante todo esse tempo, mas esses não têm culpa! Os burocratas do ministério estão lá desde sempre, os burocratas dos sindicatos estão lá há pelo menos  30 anos, mas não têm culpa.É que esses entendem-se, são cá da gente!

Tudo muda menos a mudança! Mas não é verdade, a escola pública tambem não muda!

Os professores e os seus sindicatos não deixam! E os burocratas do ministério tambem não!

Porque será?

PSD: Discurso de Fernando Costa, o Momento!

Aqui se coloca o vídeo da intervenção de Fernando Costa, Presidente das Caldas da Rainha, o grande momento do Congresso do PSD:

http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/07UyybfUG6zTP4t456oA/mov/1&Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2010/3/fernando-costa-o-discurso-que-incendiou-o-congresso-do-psd14-03-2010-22738.htm&ztag=/sicembed/info/&hash=FF3C1208-4291-4FCC-8A32-9B9AB0E99B57&embed=true&autoplay=false

Não sei onde é que este país vai parar, não

Refastelada num sofá da livraria, com um volume esquecido sobre os joelhos, a senhora gritava ao telemóvel e olhava em volta para assegurar-se de que a olhavam.

“É verdade, parece impossível… Coitadito, acabou o curso mas nada… Ainda o chamaram para um estágio, mas ele não gostou daquilo. Foi à entrevista e quando chegou a casa disse-me logo “Ó mãe, olhe que eu para ali não vou. Eles o que querem é escravos a trabalhar de borla, que trabalhem eles!”… Sabe que também há muito aproveitamento nestas coisas, não é? …  Ninguém valoriza o esforço deles, não, não, nada! Como é que o país há-de andar para a frente, com estas pessoas assim? Este Sócrates… olha, é um melagómano!! E estas coisas emergentes da educação e da saúde, as mais importantes, não é?, ele não lhes passa cartão.”

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Ao comentário de Talvez…

Caro Talvez…parecem, mas não são falácias. No que respeita à “falácia” ad hominem, há que reconhecer que o papa é, na realidade, para mim, o representante de uma instituição verdadeiramente indecorosa. Todos os dias surgem na imprensa, e não me digam que é perseguição, relatos escabrosos atribuídos ao clero (passados em muitos países de que há muito temos conhecimento, agora vem a Irlanda envergonhada, a Alemanha incomodada, a Holanda estupefacta, a Suiça de boca aberta e o que mais se vai ver. Não tenho dúvidas de que as grandes revelações, isto é, revelações de abomináveis crimes de perversão sexual e pedofilia da igreja, praticados não só pelo clero mais subalterno mas também pela alta hierarquia, não tardam. O tempo levantará todos os véus sujos e conspurcados). A “falácia” ex populum também não é verdadeira, até porque as pessoas que se sentem repugnadas com os actos da igreja desde há séculos, mas sobretudo da metade do século passado para cá, gravosos crimes economico-financeiros, tráficos de influência, compadrios, nepotismos, intrigas e intromissão vergonhosa em países soberanos, “assaltos” ao poder e ao domínio, ao ensino, à saúde, às instituições e aos bancos, políticas e intervencionismos camuflados em conflitos bélicos, sempre ao lado dos agressores e dos poderosos, tudo isto caldeado numa monumental hipocrisia sem a mais pequena centelha de humildade cristã, são muitos milhões. São pessoas que, como disse no post, têm uma testa e dois olhos debaixo dela, e não podem deixar de se sentir incomodadas e ofendidas com a visita do papa.

Faltam 420 dias para o Fim do Mundo:

O Comunismo Social-democrata arrancou hoje com toda a força: agora, durante 60 dias impera a lei da rolha. Ou muito me engano ou os bloggers vão ter de repetir a manif pela Liberdade. E que excelente motivo. Uma medida que vai obrigar Cavaco a incomodar o TC, penso eu de que…

O congresso acabou e as opiniões são como as cerejas. E Sócrates parece ter sido visto a sorrir enquanto tomava café com Portas. E já nem se pode dar uma queca no carro, será que foi o Mickey? Deve ter sido motivado pelas alterações estatutárias no congresso. Isto é coisa da Manuela e do Pacheco…

Viva o PCP-SD!

Habemus paxem

Habemus paxem

Magnífica surpresa nesta saga de poetas para as cinzas nocturnas!

Há um labirinto de ismos que se entrecruzam

de pontes sobre um rio seco ou rio desviado para lá de mim

lago de silêncio com a cidade ao longe

regateando simbolismos de esferas ocas semeadas pelo parque

monumental parque de outros ismos já mortos

à espera de uma ressurreição sob o reflexo de mil janelas

empoleiradas nos altos muros da cidade virtual

em serena ode à quietude universal.

Ali na esquina há fumo branco e o estribilho feroz

de um surrealismo macabro, de um débil concretismo

experimentalista hermeticamente grosseiro

gritando aos ares habemus paxem.

Na deserta anatomia do silêncio onde outrora a poesia já morou

grita bem alto o histórico fóssil da verdade

em pedaços de vida fumegante

e monstruosas resmas de páginas em silêncio.

Montanhas de nomes a apodrecer entre escombros de pensamentos

que embrulharam a consciência adormecida durante séculos

Inglórios sufocos de ar emoldurados de paz e de vida. [Read more…]

Eles ferram!

Eu confesso que já tinha reparado. Aliás, já toda a gente tinha reparado. O jornalista Ricardo Costa da SIC é um daqueles típicos casos de homem apaixonado pela política mas sem paciência para o trabalho de formiguinha obrigatório na vida partidária. O jornalismo é a escapatória.

Convinha ter cuidado, procurar disfarçar preferências, acautelar a voz do coração impondo a da razão. Não lhe peçam, nem a ele nem a mim nem a ninguém, equidistância, pureza absoluta de distanciamento ou uma ditatorial independência. Não se consegue sem se perder a espontaneidade, o brilho certeiro, a análise com substância. Nós não somos máquinas.

Ora, foi o João Carvalho, no Delito de Opinião, o primeiro que se atreveu a chamar a atenção para a prestação paupérrima de Ricardo Costa no Congresso do PSD. Estava eu a almoçar, com a SIC Notícias ligada e ouço o Ricardo Costa a dizer, mais coisa menos coisa, o seguinte: “Isso não interessa nada, então não foi no congresso que elegeu Cavaco que João Jardim falsificou assinaturas de delegados da Madeira que estavam a dormir? E quem hoje se lembra disso, o importante foi que dessa forma Cavaco venceu e o PSD teve 10 anos de glória”. Confesso, fiquei com o maravilhoso covilhete da Gomes entalado entre os dedos e a boca. Desculpe, disse? Isso não interessa nada? Então o que importa é vencer, sejam quais forem os meios utilizados?

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Coerências #3:

Não posso deixar de citar Vasco Campilho:

02.09.2009 :

Passos Coelho foi também hoje criticado por Paulo Rangel, depois de ter afirmado que o PSD deveria pedir, nas próximas eleições legislativas, maioria absoluta. “Acho que isso não tem sentido nenhum, sinceramente não tem sentido nenhum. Este é um número que se repete. O doutor Pedro Passos Coelho já tinha feito uma coisa do género nas europeias. Penso que não teve grande sucesso e penso que não vai ter agora também com este tipo de afirmações”

13.03.2010 :

Paulo Rangel diz não haver nenhuma razão para “nas próximas eleições não pedir mais uma vez para o PSD uma maioria absoluta como uma grande meta para o partido”. “Isto, para mim não é um sonho, é uma realidade que está ao nosso alcance”, afirmou.
publicado por Vasco Campilho no 31 da Armada