
António Costa, a linha de sucessão e o futuro do país, ilustrado com a habitual genialidade do Nuno Saraiva, para o Inimigo Público, Série II. O jogo de tronos dos social-democratas segue dentro de momentos.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

António Costa, a linha de sucessão e o futuro do país, ilustrado com a habitual genialidade do Nuno Saraiva, para o Inimigo Público, Série II. O jogo de tronos dos social-democratas segue dentro de momentos.
Agora que temos um novo governo em Portugal e que António Costa, um político com MUITA sorte se livrou do seu Podemos (o Bloco), Sánchez começa o seu caminho das pedras que vai levar Espanha, não tarda nada, a eleições antecipadas.
São constantes as quezílias entre ministros(as) do PSOE e do Podemos. Constantes. As duas últimas bastante graves. Uma profunda divisão sobre a invasão da Ucrânia (o Podemos começou por ter uma posição parecida com a do PCP em Portugal e reafirmou a sua oposição à NATO) e agora sobre a questão do Saara Ocidental (neste caso o PSOE esteve mal, muito mal e apanhou tudo e todos de surpresa). Ora, o Podemos não percebeu o que aconteceu ao PCP e ao Bloco em Portugal e está a empurrar Sánchez e o PSOE para uma tomada de posição similar a que Costa e o PS tomaram em Portugal. E umas eleições antecipadas agora apenas servem ao PSOE e ao VoX. Com o PP em processo de renovação e o Podemos desacreditado (e cada vez mais odiado, diga-se) pode o PSOE conseguir um milagre idêntico ao de Costa e o VoX reforçar, ainda mais, a sua posição de terceira força espanhola com possibilidade de até, pasme-se, chegar a segundo partido mais votado. Uma verdadeira tragédia.

Finalmente, vamos voltar a ter um novo governo. Um governo do PS com maioria absoluta e, por isso mesmo, sem absoluta desculpa para fazer o que deve ser feito: um Portugal melhor, com mais qualidade de vida, menos pobreza e preparado para o futuro. Será que vai ser assim? Não sei, não faço a mínima ideia.
O que sei é que, desta vez, António Costa não se pode desculpar com o Bloco ou o PCP. Nem com a Europa. E mesmo no caso da guerra na Ucrânia, a nossa situação não é mais grave que a dos outros. É, quando muito, igual. Ao centro esquerda em Portugal, representado pelo Partido Socialista, foram dadas pelos eleitores portugueses todas as condições necessárias para governar, para aplicar o seu programa. Todas. E, para ajudar, até a oposição está entre a que está fraquinha (PSD) e a moribunda (PCP). E o Presidente da República é Marcelo Rebelo de Sousa, que António Costa conhece muito bem e sabe que ele não quererá representar o papel de líder da oposição. Por feitio e por estratégia. Nem Cavaco Silva em 1997 teve um cenário tão positivo.
Existia uma velha tradição de dar os primeiros 100 dias a qualquer governo. Uma espécie de acalmia antes da tempestade. Nestes estranhos tempos em que vivemos, aqui está uma tradição que merece regressar. E quem sabe se Costa não nos surpreende. Eu não acredito no Pai Natal mas estou sempre pronto a mudar de ideias.

Comentando a composição do novo governo Costa, esta manhã no Fórum TSF, o deputado do PSD André Coelho Lima afirmou que a orgânica reflecte aquilo a que o PS nos habituou, um cenário em que o governo se confunde com o partido.
A colocação de sucessores em posições-chave [do Governo] expõe uma confusão entre o que é o Estado e o Partido [Socialista]
Confesso que fiquei perplexo, com este comentário de André Coelho Lima. E não ficaria, tivesse o comentário sido proferido por um deputado de qualquer outro partido (com excepção do PS, claro). Não sei se o deputado laranja está como o seu líder – parado no tempo, numa galáxia far far away – e não percebeu ainda que o PSD não será junior partner governamental do PS. De outra forma, o que esperava Coelho Lima? Que o PS, com maioria absoluta, fosse recrutar ministros a outros partidos? O que fez o PSD, sempre que esteve no governo? Não o preencheu com os seus? Com os quadros partidários que Cavaco, Durão ou Passos consideraram mais aptos (e com toda a legitimidade, sublinhe-se)? Não colonizaram também eles a administração pública, com militantes e familiares de militantes do PSD?
Em boa verdade, diga-se, este tipo de comentário até se compreende. É que o PSD está cada vez mais longe do poder e cada vez mais próximo de partidos de protesto, de tal maneira que começa a soar como eles. Mas basta dar um salto às autarquias governadas pelo PSD, e são muitas, para ver que mais do que autarquias, há concelhos inteiros que se confundem com os aparelhos locais do PSD. O concelho da Trofa, governando pelo conselheiro nacional do PSD Sérgio Humberto, é um bom exemplo. Da colonização da administração pública local até aos inúmeros ajustes directos que pagam tudo, de iPhones até jornais ilegais de propaganda, não falta cá nada (alguns exemplos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). De maneira que a diferença entre o PS e o PSD, actualmente, é apenas uma: o PS é, actualmente, mais competente na obtenção e manutenção de poder. O que não é de estranhar, sendo Rui Rio o líder do partido.
Vladyslav Starodubcev, líder da ala esquerda do “Sotsialniy Rukh” dá uma entrevista esclarecedora ao “Business Insider” sobre o que o opõe ao neoliberal Zelensky e, muito particularmente, o que o separa das esquerdas ocidentais, europeias e norte-americanas.
Sendo um forte opositor à desregulamentação do mercado de trabalho levado a cabo por Zelensky e, mais recentemente, contra a suspensão de 11 partidos por usarem na sua designação palavras como “progressista”, “esquerda” ou “socialista”, apoia agora, perante as circunstâncias, o presidente, particularmente por considerar que ele conseguiu unir o país através da sua experiência mediática.
Perante a invasão de Putin a sua posição é muito clara: “Fico na Ucrânia porque quero participar na defesa do meu país e ajudar as pessoas que precisam. Se a Ucrânia foi ocupada, temos de resistir a essa ocupação.”

E é exactamente sobre este aspecto que diverge frontalmente de algumas esquerdas [Read more…]
A livertação é, como diria um amigo meu, brill. O massacre contínuo, efectivamente, continua. Mas só surte efeito do lado do eleito. Rima e, salvo melhor opinião, é verdade


O PS tem mais do dobro dos votos do PSD.

Com “irmãos” da índole de Nyusi e Bolsonaro, não espanta a falta de escrúpulos de Marcelo em se dispor a vender o peixe desses indignos personagens.
O entendimento de Marcelo sobre o que é a soberania de um país – com a qual enche a boca cada vez que vai a Moçambique para se escusar a tocar em pontos difíceis – é tão rasinho como é elevada a sua falta de sentido de estado ao se pronunciar com uma preferência tão exagerada, empolada e desapropriada pela terra em que o seu pai foi governador geral entre 1968 e 1970. Diz Marcelo que anda pelo mundo inteiro a ver se encontra outra terra que mais o enfeitice, mas não, Moçambique é o melhor país do mundo.
Só para explicar: falar de problemas de direitos humanos – como existem massivamente em Moçambique – faz parte da bagagem que chefes de estado ou de governos deveriam levar ao visitar um país, até mesmo quando vão falar de negócios, ou inaugurar hotéis de luxo, como Marcelo achou por bem fazer, ocasião que aproveitou para engraxar o Moçambique do corrupto Nyusi até doer. [Read more…]

A Cristina Rodrigues foi deputada eleita pelo PAN e depois, em ruptura coma direcção do partido passou a deputada independente. Agora é assessora do Chega.
A confirmação é da própria nas suas redes sociais: “Com toda a transparência quero dizer vos q irei trabalhar p o chega. As minhas funções serão jurídicas e foi me assegurada a possibilidade de continuar a trabalhar certos temas q acho prioritários. Apenas vos quero dizer q continuo aqui, sp disponível p ajudar no q me for possível“.
Do fundamentalismo animal ao fundamentalismo ideológico é um saltinho.

O PS elegeu os dois deputados….

O PSD, através da JSD, decidiu colocar este outdoor. A cópia ao estilo IL é por demais evidente. Será isso um problema?
Podia até nem ser. Uma boa cópia até pode ser valorizada. Só que a questão é outra: a mensagem é absolutamente de nicho. A esmagadora maioria das pessoas vai olhar para o cartaz sem fazer a mínima ideia do que raio é a “Succession”. E a minha questão é um pouco mais simples: o objectivo do PSD agora é falar para os nichos? Um partido que se quer líder da oposição e o maior partido do centro direita vai dedicar o seu tempo e os seus recursos a falar para a malta do twitter? É esse o caminho? Cheira a despiste…

A comunicação social já está de olhos postos no Portugal X Turquia de amanhã. Como sempre, mesmo em tempos de guerra, nada como o futebol para interferir com a grelha informativa, há um mês obcecada, como nunca, por uma das muitas guerras que decorrem no planeta Terra.
O jogo é a primeira etapa dos playoffs que poderão levar Portugal ao Mundial do Qatar. Um Mundial marcado desde cedo por suspeitas de corrupção na escolha do anfitrião. Um Mundial que acontece numa monarquia absoluta, com níveis de opressão não muito diferentes dos da Federação Russa, que também organizou, recentemente, um Campeonato do Mundo de Futebol. Um Mundial ensombrado pelas denúncias internacionais de abuso de direitos humanos, com trabalho escravo na construção dos estádios e infraestruturas, sem condições dignas, que de resto levou à morte de mais de 6500 trabalhadores. Ou escravos, como preferirem, até porque, em muitos casos, os “trabalhadores” podem legalmente ser sujeitos ao trabalho escravo, não podendo sequer ausentar-se do país sem autorização do patrão. Ou, se preferirem, do oligarca lá do sítio.
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Esta não é uma guerra ideológica. Ao contrário do que alguns (fracos, fraquinhos) tentam fazer crer, não são ideologias políticas que aqui estão em confronto. No limite, poderão estar (e provavelmente estarão) em causa os extremos da geometria política. No limite, poderão estar em confronto a democracia e todas os outros sistemas que não respeitam os direitos fundamentais.
[Read more…]Podem ir buscar as pipocas.

Segundo Nuno Melo, jovens delinquentes ganhariam com a formação das Forças Armadas. Acho que ganharíamos todos. Acontece que há quem faça o serviço militar obrigatório para depois chegar cá fora e se ver envolvido em esquemas criminosos com luvas e submarinos, para não falar em financiamentos ilícitos à Jacinto Leite Capelo Rego. Há até quem assine resoluções de bancos na praia, enquanto degusta um cocktail com um mini-guarda-sol e fruta na borda, sem ler as letras pequenas. Ou as grandes. Ou qualquer letra. Se a tropa poderia ter feito alguma coisa por isto? Não sei. Mas três meses na solitária sempre dariam para reflectir sobre o sentido da vida.
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Ontem, na SIC Notícias (o vídeo ainda não está disponível mas podem ver AQUI) José Milhazes colocou o dedo na ferida sobre a questão dos ucranianos em Portugal, relembrando o que se passou há uns valentes anos. Foi nos anos noventa do século passado que Portugal recebeu um número bastante elevado de ucranianos que vinham procurar uma vida melhor.
Uma boa parte deles, provavelmente a maioria, eram trabalhadores qualificados no seu país (cirurgiões, enfermeiros, professores, engenheiros, etc.). Em Portugal trabalhavam nas obras, na limpeza de casas, na hotelaria. E porquê? Como José Milhazes muito bem sublinhou: “graças ao sistema corporativo existente nas nossas universidades de defesa do nosso tachinho” e prosseguiu recordando que muitos deles andaram anos e anos para verem os seus cursos superiores reconhecidos (e alguns nunca o conseguiram). O mesmo se passou (será que ainda passa?) com muitos brasileiros.
Agora, por causa da invasão da Ucrânia e segundo os números divulgados ontem por António Costa, já chegaram mais de 14 mil ucranianos a Portugal e muitos mais estão a caminho por este andar da guerra. Será que Portugal mudou? Será que o corporativismo da nossa Universidade é coisa do passado? Não acredito mas….
É o que se pode ler na capa do DN de hoje. Lê-se também:
“Não queremos este tipo de pessoas no nosso país.
A pessoa que refere não pode ser aceite na legião internacional”, garante adido militar ao DN, justificando-se com o facto de serem excluídos combatentes com cadastro. E rejeita a hipótese de o neonazi condenado se juntar a uma milícia.
Não sei quanto a vós, mas eu tenho o DN como um jornal sério. Sendo verdade, isto é um embaraço ainda maior para a justiça portuguesa, que suspendeu as apresentações quinzenais de Mário Machado sem se certificar que o líder neonazi reunia condições para combater na Ucrânia. Pelos vistos, não reúne. Agora – em princípio – vai ter que abrir um procedimento para anular a suspensão das apresentações quinzenais do arguido. E entretanto ele já foi. Não aprenderam nada com o João Rendeiro.
Mais uma vez, a posição de Portugal é contra os portugueses. Como aquela história do corte de subsídios às renováveis: a Espanha, enfrentou, fez às abertas e viu-se a braços com 50 casos de ISDS. Mas, pelo menos, os espanhóis sabem que estão a ser atacados em grande pelo capital estrangeiro. Portugal, fez tudo por baixo da mesa, orgulha-se de nunca ter sido processado pelos amigos investidores que têm a faca e o queijo na mão e andamos a pagar tarifas feed ins e outras que tais há uma data de anos sem sequer sabermos disso, e vamos continuar a pagar.
“A generalidade da opinião publica não se apercebeu disso, mas estamos amarrados a contratos que o Estado fez em nosso nome até 2032. Alem de termos uma dívida tarifária, proveniente desse completo disparate tecnológico a que estamos amarrados”, diz.
Esta avidez dos governantes pelos negócios, à custa dos portugueses e do ambiente, é asquerosa.

Em 2017, a petrolífera Exxon foi multada em 2 milhões de dólares, por violar as sanções impostas por Washington a Moscovo.
O CEO da empresa, à data dos factos, era Rex Tillerson. Acontece que, à data da multa passada pelo Tesouro norte-americano, Tillerson já não dirigia a Exxon. Era o Secretário de Estado dos Estados Unidos. Under Donald Trump.
Os factos remontam a 2014. Dizem respeito a sanções aplicadas pelos EUA à Federação Russa, no contexto da ocupação da Crimeia e da queda do voo da Malasyan Airlines. Sanções que a Exxon violou aquando da joint venture com a Rosneft no mar de Kara.
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O surgimento do Chega envergonha a minha direita. Sempre soubemos que eles “andavam por aí”, nalgumas conversas de café, no átrio de algumas empresas, nos corredores de algumas universidades. Com o Chega perderam a vergonha. Aliás, para ser justo, com as redes sociais perderam a vergonha e com o Ventura fizeram matilha. A minha direita sempre temeu que esta malta saísse da caverna. E porquê? O meu velhinho Tom Tom já vai explicar.
A minha direita, defensora dos três pilares fundamentais da sociedade (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) sabia que, com o surgir do Chega, outras direitas aproveitariam para atiçar a matilha e colocarem os gajos das cavernas a fazer aquilo que eles não queriam fazer/dizer e, com isso, como bem me avisou o meu Tom Tom, servirem de ponto de defesa para uma outra esquerda continuar a ser aquilo que sempre foi. A minha direita não precisa de comparar o Chega com o PCP. A minha direita sabe muito bem o que historicamente as ideias do Chega representam. Tal como sabe muitíssimo bem o que historicamente representa o comunismo internacional em geral e o PCP em particular.
O Chega, nos últimos anos, foi um desbloqueador de alguma continência a que a direita se sentiu forçada durante alguns anos. Dito de outra maneira: alguma direita perdeu a vergonha e voltou a sentir o odor do 25 de Novembro, porque a direita adora o cheiro a extinção de esquerda pela manhã.
Muita dessa direita, alegadamente defensora da democracia, começou a aproveitar as críticas ao Chega para dizer que os extremos se tocam e que, portanto, o PCP ou o Bloco, por exemplo, eram tão maus como o partido de André Ventura, porque defendem ditaduras ou porque ser de esquerda é ser inevitavelmente defensor de ditaduras.
Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita, mas não o Chega, mesmo sabendo-se que esta espécie de partido é mais uma jogada populista do que uma agremiação ideologicamente consistente. A verdade, no entanto, é que a quantidade de nazis e de fascistas assumidos torna a subida do Chega preocupante. [Read more…]

Este senhor chama-se Rui Pedro Braz. Andou pelas televisões como “comentador independente” mesmo quando muitos diziam que ele não era independente, era um cartilheiro do Benfica. Entretanto, deixou de ser comentador e foi para…….exacto, dirigente do Benfica.
Enquanto andou pelas televisões criticava, violentamente, o que se passava nos bancos de suplementes de todos os clubes. De todos? Bem, quase todos. Ora, a personagem em causa foi hoje condenado a 23 dias de suspensão. E porquê? Porque na qualidade de dirigente do Benfica e estando sentado no banco, proferiu as seguintes declarações:
“É uma vergonha caralho. És um filho da p. caralho!” Após o final do jogo, quando a equipa de arbitragem se dirigia para o balneário, Braz disse: “És uma vergonha, não olhes para mim que eu não tenho medo! Vai para o caralho!”
A piada faz-se sozinha….
A Renault, a exemplo da Nestlé*, a manter uma velha tradição nacional colaboracionista. Anda Macron pelos palcos internacionais a bradar contra Putin e no segredo dos gabinetes do capitalismo selvagem business as usual…. hipócritas do caralho.

*Sim, erro meu, a Nestlé não é francesa. De todo o modo, aqui ficam outras empresas (palmado ao nosso Carlos Osório) que, tal como a Renault, continuam na Rússia: Leroy Merlin, Danone, Auchan ou Decathlon.

Abaixo o mistério da poesia
Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for precido lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA.
António Gedeão

A extrema-direita, querendo apresentar-se como antissistema, teima em ser o seu pior reflexo. Basta ver o caso de André Ventura, que passa a vida com o sistema na boca, mas também no bolso. Ou no bolso dele, do sistema. Do SL Benfica à CMTV, passando pela elite de milionários com quem se reúne e junto da qual obtém financiamento para o seu partido, não esquecendo as origens políticas do outrora afilhado de Pedro Passos Coelho, que nunca deixou Ventura cair, mesmo quando o próprio CDS se afastou da sua candidatura à autarquia de Loures, nas Autárquicas de 2017. O cheiro a racismo era já demasiadamente nauseabundo para tolerar. E quando abandonou o PSD, um dos partidos que é em si mesmo o sistema, o líder da extrema-direita não veio sozinho. Trouxe e continua a atrair inúmeras figura da casta de privilegiados da São Caetano à Lapa. E do que resta do Caldas.

Primeiro começaram a dizer que o Putin não ia invadir a Ucrânia e que as informações dos serviços secretos dos EUA eram falsas e uma forma de Biden pressionar para uma guerra. Putin invadiu.
Depois veio a treta que Putin apenas estava a realizar uma “operação militar” em zonas historicamente russas. Putin começou a invadir em zonas diferentes das tais “historicamente” russas.
A seguir a narrativa passou a ser que a Rússia apenas estava a bombardear zonas militares. Rapidamente se viu que Putin manda bombardear tudo e um par de botas. Nem escolas, teatros ou hospitais escapam.
Como a coisa estava a ficar pouco suportável para as teses do “putinismo escondido” nas mentes de certas almas de extrema esquerda e direita, passaram à fase da pornografia pura: a solução passa pela rendição da Ucrânia, por promover a paz impedindo a Ucrânia de receber armas e pela rendição sem condições de Zelensky.
Como diz o João Mendes: ide-vos foder!

Refugiados da 1ª Grande Guerra
Blood starts drippin’ from the soldier’s wound
Seeps like sewage ‘neath the politician’s room
Deep in the house, white fades to red
And the freedom we’re fighting for seems to be dead
‘Cause we can’t win like he once said
No we can’t triumph over the hate in our enemy’s head
But we’re deep in mud over the bullshit we’ve been fed
While more and more soldiers awake in Heaven’s bed
The wind is blowing like a hurricane
In the frightening desolated lands
Where the wolves are insane
And hawks feast on bloody hands
Bullets flying, children dying, mothers crying
While the beasts are lying and hiding
Behind black curtains that no one’s finding
But God knows the truth, and He’s forevermore sighing
Too many hands washed in widows’ tears
Too many echoed gun shots ringing in ears
Too many hearts frozen numb from fears
Of hope too distant, like skylight chandeliers
Wounded souls soaked in blotched black fate
Disillusioned by dark demons’ fate
Persistent nightmares of woebegone escape:
Screeching fervently under Liberty’s Gate
I grasp the rope fabric with delicate care,
Neck tickling from its bristly hair
My chapped, dry lips whisper a final prayer
Before a tightening ravish pain permeates the air
A bright radiant flash scorches the cloudless horizon
And ashes drift upward, caressing my bare, dangling feet
Bleak, barren, biting malice below seems blazon
But the dead know not the sentiment of defeat.
Michael Prochaska, 2007

@observador.pt
Fiquei chocado com a evidente hipocrisia que a esquerda histericamente demonstrou a propósito do despacho judicial que alterou as medidas de coacção aplicadas a Mário Machado de forma a permitir-lhe deslocar-se para a Ucrânia. Além de ninguém se ter preocupado ou sequer referido a fundamentação jurídica do despacho, a “ira” focou-se na alegada normalização da “extrema-direita”.
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Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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