Selecção nacional: professores e jogadores

Os professores e os jogadores da selecção nacional de futebol têm algumas coisas em comum, começando, de uma maneira geral, pela nacionalidade e por outros pormenores como membros inferiores e superiores acompanhados por órgãos e vísceras.

Professores e jogadores estão ao serviço do país, esperando-se que todos sejam sérios e exigentes quando desempenham os respectivos papéis. Há uma diferença: os professores não ganham internacionalizações de cada vez que dão uma aula.

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Juventude frustrada

Viver, estudar e trabalhar em Portugal parece um conto de fadas que rapidamente se destrói. Aos custos associados à vida de estudante, para além das propinas, transportes e alimentação, soma-se os preços inflacionados da habitação precária e das residências. Cada vez mais jovens, desistem dos cursos que outrora sonharam porque não têm capacidade para suportar todas as despesas que a vida académica e pessoal acarreta. Aqueles que conseguem terminar, vêem-se num desespero para encontrar estágios profissionais e primeiros empregos, passando, muitas vezes, por arranjar outros biscates, que nada têm haver com o que estudaram, para ganhar alguma migalha e sobreviver. Pergunto: Como é que é possível termos os jovens mais qualificados, e, ao mesmo tempo, termos a maior taxa de desemprego jovem na UE? Como é que é possível que exista tão pouco suporte para aqueles que saem da vida académica e tentam integrar-se no mercado de trabalho?

Nos dias de hoje, assiste-se a uma descrença por parte dos jovens, no que respeita a ter uma vida digna, com grandes estudos e trabalho devidamente remunerado. Já para não falar das pouquíssimas expectativas em sair de casa dos pais antes dos 25 anos, ou mesmo em comprar ou arrendar casa a preços acessíveis. A suposta solução encontrada por muitos é emigrar à procura de melhores condições de vida e salários, deixando Portugal como um país insípido onde os jovens não atingem o potencial que tanto anseiam por falta de apoios. 70% dos jovens desempregados portugueses (entre os 20 e os 34 anos) são os que estão mais predispostos a emigrar para outro país à procura de emprego, comparativamente com os jovens de todos os países da UE, de acordo com um relatório da Eurostat.

Pergunto: até quando continuaremos na cepa torta?

É urgente pensar-se em habitação académica a preços acessíveis para todos e todas, para que ninguém fique de fora ou para trás, nesta fase tão importante da formação. É urgente pensar-se na abolição das propinas, é urgente pensar-se num melhor estabelecimento de contactos entre as universidades e as empresas, para integrar pós universitários no mercado de trabalho. É urgente pensar-se em aumentar o salário mínimo. É urgente pensar-se em reconhecer os jovens e dar-lhes as oportunidades necessárias, para que possam singrar dentro de Portugal e não queiram sair.

A mais recente campanha publicitária do Lidl: quando o capitalismo selvagem se apropria das causas sociais

A mais recente publicidade do Lidl, aplaudida por tantos, mostra-nos crianças a brincar com brinquedos. Inovador, pensam vocês. Não, são só crianças a brincar com objectos de plástico. Mas por que razão foi tão aplaudida, perguntam vocês.

O aplauso advém da ânsia que a sociedade tem em ver grandes empresas, lobbistas ou o Estado resolverem os problemas que o povo desistiu de tentar resolver. A nova campanha publicitária do Lidl mostra-nos rapazes e raparigas, com idades entre os 1 e os 7 anos, a brincarem normalmente – a mesma foi aplaudida porque, supostamente, cria uma ruptura com a “normatividade”, pois há rapazes a brincar com conjuntos de princesas e raparigas a brincar com conjuntos de super-heróis. Estas práticas, toda a gente sabe, a sociedade já não consegue aceitar… ou será que a campanha do Lidl é uma distopia?

É mesmo. A campanha do Lidl é isso mesmo: uma estratégia de marketing pura e dura, onde a publicidade apelativa leve os leitores a serem potenciais compradores… numa altura em que estamos quase no Natal… e onde gastamos dinheiro… para as crianças. Visa, acima de tudo, vender: e numa época de polarização, que tal tentar fazer a venda apelando à Humanidade do potencial comprador, usando uma causa social pelo caminho para lá se chegar? É o que acontece aqui. E o Lidl já venceu a causa.

Venceu, porque usou uma fórmula que, hoje, é o B A B A do marketing: usar causas sociais (sejam os direitos das crianças, das mulheres, das diferentes etnias, das diferentes sexualidades) como combustível para apelar à compra. Venceu, porque, inteligente, não colocou o anúncio na TV, apenas o colocou nos folhetos, os quais chegam a grupos restritos de pessoas e… à internet, onde, aí sim, o Lidl sabia que faria as delícias de alguns internautas mais “woke” e que estes se encarregariam de partilhar a campanha do Lidl, fazendo publicidade gratuita sem que o Lidl mexa mais do que uma palha. Está de parabéns, o Lidl.

O Lidl é uma rede de supermercados, presente em 32 países, pertencente ao Grupo Schwarz (o maior grupo de retalho na Europa e o sexto maior do mundo), avaliado em cerca de 57.000 milhões de dólares. O seu objectivo é vender os seus produtos e a forma de lá chegar… pouco importa. Não podem, portanto, ser deixadas nas mãos de uma empresa capitalista, avaliada em biliões, as causas sociais que dizem respeito a toda uma sociedade… sem cotação em bolsa. O mais curioso é esta campanha ter surgido depois da notícia que dava conta de, num armazém alemão de um fornecedor do Lidl, terem sido encontrados pintainhos mortos, cadáveres debicados e galinhas mal tratadas.

O povo e as suas causas não são piada, não são bens de consumo, não são folhetos divertidos para vender plásticos. O povo é carne e osso. O povo e as suas causas não são matérias primas prontas a ser transaccionadas, como se os direitos sociais fossem meros produtos de consumo, como um Action Man ou uma Cinderela de plástico. Às empresas o que é das empresas.

Ao povo o que é do povo.

Da literatura à politiquice

Como é habitual num blogue plural como é o Aventar, se um dos autores for visado ou criticado, publica-se a crítica e o autor que se amanhe. É esta pluralidade mais uma das razões que me levam a sentir orgulho de fazer parte deste colectivo.

Assim, foi publicado um texto de Joana Fonte em resposta a uma crítica que fiz a um outro texto desta autora. Passarei, então, a comentar a resposta em que sou visado, um texto carregado de tresleituras e de outros problemas que passarei a enumerar.

  1. Da suposta crítica à referência às habilitações literárias e à filiação partidária

Em momentos diferentes do seu texto, Joana Fonte afirma que critico o facto de se apresentar como mestranda em Ensino do Português e militante do Bloco de Esquerda. Basta reler o meu texto para confirmar que a crítica não é essa. Esclareço, aliás, para quem for mais duro de leitura, que é absolutamente legítimo que a autora apresente os títulos que muito bem entender.

As minhas críticas são outras e passo a repeti-las, pedindo que se leia devagarinho: como mestranda em Ensino do Português, Joana Fonte deveria usar instrumentos que as áreas dos estudos literários e da história literária põem à sua disposição; como militante de um partido de esquerda, escolhe um caminho que, na minha opinião, configura uma perversão dos ideais de esquerda, acumulando com o facto de que esse desvio contamina a visão que Joana Fonte revela acerca de Literatura e de Educação.

2 . Do direito absoluto à opinião

Joana Fonte consegue depreender que eu, ao fazer uma referência implícita à sua juventude (pelo facto de ser mestranda), estaria a defender que a autora não tem capacidade ou experiência para participar neste debate. São, efectivamente, tresleituras em catadupa ou, pior, na minha opinião, reacções de quem não gosta de ser confrontada com opiniões contrárias. Reafirme-se, então, o óbvio: Joana Fonte, como qualquer pessoa num país democrático, tem todo o direito a escrever aquilo que pensa, o que, por outro lado, pode implicar concordância ou discordância. Efectivamente, discordo de quase tudo o que Joana Fonte afirma e penso que, na verdade, as insuficiências que revela estão também relacionadas com o facto de lhe faltar estudo e experiência. Ainda assim, repito: liberdade de expressão absoluta.

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E se aceitássemos a mudança como forma de evolução?

Joana Fonte*

No dia 25 de agosto, António Fernando Nabais recorre à sua liberdade de expressão e publica, no P3, uma resposta ao meu artigo de opinião, citando-me e expondo a sua visão crítica sobre o assunto.
Fernando Nabais envereda por um caminho e uma postura já bastante conhecida por todos nós, a de opor-se a uma mudança cuja necessidade já se torna gritante em todas as salas de aula das escolas. O autor depreende que, por me identificar como mestranda, provavelmente não possuo experiência profissional suficiente para ter feito as ditas afirmações, ou para participar neste debate – engana-se. [Read more…]

E se não mexêssemos nos programas de Português?

Joana Fonte defende, no P3 de 21 de Agosto uma “revisão ao programa de Português”, começando por afirmar que, no ensino secundário, “há alunos que perdem o gosto pela disciplina de Português – se algum dia o tiveram.” Depreende-se, tendo em conta o objectivo da autora, que haverá uma relação entre o programa a rever e a perda de gosto de alguns alunos. Seria importante, a propósito, saber em que se baseia para afirmar que há alunos que perdem o gosto e, sobretudo, se são muitos, poucos ou nem por isso. Estará isso estudado ou é uma mera impressão pessoal?

Nesse mesmo parágrafo, surge um verbo muito usado em discursos sobre Educação, o verbo ‘identificar-se’: “Os e as estudantes lutam por conseguir identificar-se com a linguagem de Fernão Lopes, Gil Vicente, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Luís de Camões e Fernando Pessoa.”

Esse ‘identificar-se’ está muito na moda no que se refere, repito, a uma determinada visão da Educação. É sinal de um pensamento que encara o currículo escolar como um conjunto de conteúdos que não causem nenhum estranhamento ao aluno, como se o estranhamento não fosse, entre outras virtualidades, um caminho para o conhecimento, com tudo o que esta palavra deve implicar, incluindo o exercício do espírito crítico (em tempos de proscrição de palavras e conceitos, é estranhamente fundamental reafirmar o óbvio). Assim, o aluno, na Escola, só deveria encontrar a sua própria identidade, como se a Escola fosse um simples espelho e não um território onde deverá encontrar desafios minimamente controlados. Ainda por cima, esta ideia de uma identificação é redutora sob variadíssimos pontos de vista, desde logo porque parte do princípio de que os alunos são um todo uniforme por pertencerem a uma mesma geração.

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Impingir a democracia, disse ele

«A escola deve ser democrática, mas não impingir a democracia.»
António Barreto

Eu talvez preferisse a ditadura à democracia, se fosse ditador vitalício, rodeado por uma guarda pretoriana e com direito a pensão completa. Seria um ditador benevolente, amigo do meu amigo. Os meus inimigos teriam, apesar de tudo, a possibilidade de me criticar, desde que o fizessem em silêncio, porque o barulho faz-me dores de cabeça. O meu retrato, como é óbvio, estaria em todas as salas de aula e todos os alunos ficariam a saber que sou uma pessoa naturalmente bondosa, desinteressada, inteligentíssima e modesta.

Não é necessário impingir as virtudes da ditadura, porque, como predadores que somos, sermos lobos uns dos outros está-nos na massa do sangue e isso nota-se todos os dias.

A democracia, por ser tão custosa, por nos obrigar a contrariar a natureza do animal, tem de ser imposta, criando reflexos condicionados que nos levem a perceber que a sociedade humana não é a selva em que queremos viver.

Apesar da minha vocação para ditador, impingiram-me a democracia ainda em tenra idade. Devo isso a algumas pessoas e instituições, nomeadamente à Escola, onde fui alvo de doutrinações mais ou menos explícitas, entre benignas e malignas, sentindo-me sempre protegido e exposto e, com alguma frequência, obrigado a exercer o espírito crítico que me levou a escolher um caminho, quando me mostraram tantos.

A obsessão da direita, incluindo a alegadamente moderada, com a doutrinação de que os alunos são alvo é muito divertida, como todas as coisas perigosas. A propósito de António Barreto, diria que ser senador não é algo que se escolha, é algo que nos é oferecido e que devemos rejeitar. Escolher um verbo como ‘impingir’ no contexto que usou é um direito que a democracia lhe concede, porque a democracia também aceita a parvoíce.

O senhor doutor arquitecto

O senhor doutor arquitecto chegou a casa, descalçou-se e, sem mais nada, cumpriu a rotina do dia arreando na mulher.

Pousou os pés em cima da mesa, ordenando à arreada que lhos lavasse, senão levava mais. A senhora lavou-lhe os pés, como bem manda a lei e porque é bem mandada. Saraiva, o senhor doutor arquitecto, calçou depois as suas pantufas peludas, dignas de um homem com vários h capitais, como deve ser. Serviu um copo de vinho e, ao terceiro, arreou na mulher – estava com fome e o jantar ainda ao lume. “Para que me serve a mulher senão para me cumprir horários?”, exclamou, enquanto a pobre coitada, dolente e cansada, pousava os tachos na mesa.

O jantar era arroz de cabidela. O senhor arquitecto gosta dele salgadinho e com um bom travo a vinagre. Colhe a primeira garfada, sopra-lhe um bocadinho com a ponta dos lábios – mas à homem, com letras capitais! – e… falta-lhe sal. Nisto, porque não há duas sem três, pousado o garfo, o senhor arquitecto olha de soslaio para a sua fiel mandatária doméstica, como quem avisa: não há duas sem três. [Read more…]

A histeria estorva a acção

O humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica a “atacar” a tentativa de pinkwashing da Fox News, em parceria com o braço armado da comunidade LGBTQI+ do Partido Socialista, a ILGA, onde aponta o facto de, nessa mesma parceria, se descolar o género da identidade sexual (que, na verdade, andam e andarão sempre de mãos dadas, pois um não existirá sem o outro). Conclui o humorista que, se querem tirar a carga sexual das atracções que são, fundamentalmente, sexuais, então que chamem homogenerais aos homossexuais.

Para melhor compreensão do tema, recomendo também a crónica de Carmo Afonso no jornal Público, onde a mesma tem uma frase salutar: “É uma chamada de atenção para a esquerda. (…) Leiam antes de atirar as pedras. Pode não ser uma blasfémia.” O que parece ser a espuma das ondas em que se mergulha hoje em dia: a opinião imediata, nunca fundamentada e que procura dividir, à esquerda e à direita, a sociedade entre “nós” e “os outros”, sem atender ao que, de facto, está escrito e fundamentado.

Digo isto com alguma pena de mim próprio, porque, infelizmente, parece que não podemos ser crianças para sempre; mas sou do tempo em que a esquerda se unia em torno de causas que achava primordiais e saía à rua, fazia barulho na rua pelos direitos que achava serem inalienáveis. Hoje, também com muita pena minha, denoto que esquerda, em vez de se unir nas ruas por esse país afora, inunda as redes sociais e as caixas de comentários com opiniões enraivecidas que, ao invés de tentarem “educar”, tentam impor uma visão unipessoal de alguns temas, sem que o debate se faça seriamente e com fundamento. [Read more…]

Parasitas

Calotes novos.

 

A melhor escola do país

A melhor escola do país é aquela em que os alunos não são seleccionados à entrada (por imperativos legais que, por coincidência, também são éticos), em que os alunos não são convidados a sair porque as notas baixaram (mais uma vez, por razões legais e éticas, extraordinária coincidência), em que os alunos são mantidos dentro da escola e das aulas, à custa do esforço e do risco de funcionários e de professores que falam, exigem, discutem, abraçam, debatem, convencem, vencem, sentindo-se frequentemente derrotados.

A melhor escola do país é aquela em que se consegue que um aluno assista a mais uma aula, que pegue finalmente num caderno mesmo que se recuse a escrever, que se esqueça, por instantes, de que tem o pai na prisão, a mãe a drogar-se em casa e os irmãos sozinhos, entre uma galáxia de problemas que afectam qualquer ser humano que é obrigado a perder inocência demasiado cedo ou que não tem a mínima possibilidade de estar isolado no luxo de um quarto individual.

É a escola em que se consegue que um aluno assista, pela primeira vez, maravilhado, a uma peça de teatro, ou que o leve, pela primeira vez, a visitar uma cidade (que pode ser aquela em que vive e não conhece) ou que o leve a entrar, pela primeira vez, num palácio tão espectacular que chega a parecer estrangeiro, o que faz sentido porque, em tantas vidas de tantos alunos, a beleza, a cultura ou o conhecimento são bens estrangeiros sujeitos a taxas alfandegárias proibitivas. [Read more…]

Rankings das escolas: 21 públicas nos primeiros 25 lugares

O post original já tem alguns anos, mas por continuar muito actual, justifica-se a repetição.
A nossa Comunicação Social acéfala teima em repetir ano após ano um conjunto de dados que nada diz sobre o ensino em Portugal – como comparar uma escola pública gratuita e universal com outra que selecciona os seus alunos?
Assim, como quem de direito não faz o seu trabalho, o Aventar decidiu elaborar o seu próprio «ranking» das escolas secundárias.
Partindo das Classificações de Exame em cada escola, decidimos acrescentar uma variável sócio-económica e uma outra relacionada com o número de alunos que cada escola levou a exame. Estas variáveis destinam-se a corrigir as assimetrias regionais e económicas que se verificam no nosso país e a dimensão de cada estabelecimento de ensino.
Essas duas variáveis traduzem-se da seguinte forma no nosso «ranking»:

– bonificação de 20 pontos (em 200) para as escolas públicas dos distritos do interior do país;
– bonificação de 10 pontos (em 200) para as escolas públicas dos distritos do litoral do país (excepto Lisboa e Porto)
– bonificação de 10 pontos (em 200) para as escolas privadas do interior do país;
– bonificação de 5 pontos (em 200) por cada 100 exames realizados para todas as escolas.

Tendo em conta estes valores, obviamente subjectivos (mas tão subjectivos como a lista que a comunicação social anualmente publica), o «ranking» do Aventar é o seguinte:

1 – Escola Secundária Alves Martins (PUB, Viseu) – 215,69
2 – Escola Secundária Jaime Moniz (PUB, Madeira) – 196,37 [Read more…]

Um povo sem memória é um povo sem futuro (a propósito do ataque à História no sistema de ensino)

A desvalorização, o desprezo com que as Ciências Sociais são encaradas, não é de hoje.
Ciências como a História, que nos dão o passado, a memória, a identidade, começam lentamente a ser apagadas do sistema de ensino.
Em algumas escolas, no 3. ciclo, História é unida à Geografia e à Cidadania (uma disciplina que engloba tudo como se fosse tudo a mesma coisa). Noutras escolas, vão mais longe e apagam mesmo o nome da História e da Geografia. Passam a chamar-lhes Ciências Sociais. Noutras ainda, História e Geografia já desapareceram do 7. ano. Ou deram-lhes 50 ou até 25 minutos semanais.
Do 3. ciclo, rapidamente se seguirá o secundário e depois o superior. Afinal, quem quererá seguir uma disciplina que não existe?
Compreende-se. Para o poder político, quanto mais ignorante for o povo, melhor. Mais fácil é de conduzir a manada. E nada melhor do que apagar toda a sua identidade, a sua memória, o seu passado.
Há quem chame a isto democracia.

Vila do Conde Contra as Touradas

“1 – No próximo dia 23 de Julho de 2022, terá lugar em Vila do Conde, na União de Freguesias de Bagunte, Ferreiró, Outeiro Maior e Parada, uma tourada organizada pela Juntos Pelo Mundo Rural.
2 – As touradas são eventos obsoletos e sem tradição em Vila do Conde, onde o repúdio às touradas é maioritário entre os cidadãos do concelho. Contra a barbárie e pelo fim das touradas, os vilacondenses pautar-se-ão, sempre, por uma postura de rejeição em relação a estes tristes “espetáculos”, alicerçados no mau-trato animal.
3 – Pela proteção animal, convocamos todos os cidadãos a compareceram, pelas 16 horas do dia 23 de julho de 2022, junto ao Largo da Trindade, em Ferreiró, onde se irá realizar uma manifestação contra a realização deste triste evento que mancha a imagem do nosso concelho.”
LINK DO EVENTO: AQUI.

Jéssica morreu e os abutres atacaram

O triste espectáculo com que as televisões nos brindaram durante a última semana acerca da morte da menina Jéssica, é sintomático do estado a que chegou a comunicação social em Portugal.

Com excepção da RTP, o canal público, todas as estações de televisão de cariz informativo tornaram a morte trágica de uma criança num espectáculo de circo que faria corar Victor Hugo Cardinali. O jornalismo caminha a passos largos para a degradação da informação, fabricando factos e aproveitando todo e qualquer fait-divers para lucrar com audiências. Foi assim, também, durante a última semana. O jornalismo tem o dever de informar e relatar os factos com o maior distanciamento possível e não, como parece ser o caso, de ir atrás de evidências de papelão, onde o que interessa fica sempre para trás: o respeito à memória de uma criança assassinada brutalmente.

Os directos que CMTV, SIC ou TVI/CNN Portugal fizeram à porta do velório da menina Jéssica devem envergonhar todos os portugueses. Os códigos deontológicos têm de valer para alguma coisa; e a lei também. Não pode valer tudo, no jornalismo como na vida, para que se tente chegar ao topo de qualquer maneira, pisando quem não tem capacidade de se defender – e, nestes casos, são sempre os mais pobres aqueles que estão em situação débil e sem capacidade de se poderem proteger.

É sabido que nada vai mudar na comunicação social. Vivemos, hoje, na época do mediatismo sem filtro, da azáfama da rede social, da ganância do lucro a qualquer preço. E, com estes pressupostos, não há espaço para se fazer jornalismo.

Jéssica morreu, já nada a traz de volta. Mas os abutres logo cobiçaram o seu corpo. Vivemos as trevas.

E assim vamos!

 

 

 

Aeroporto Francisco Sá Carneiro, 27 de Junho, 18.00h (que raio de ideia baptizar um aeroporto com o nome de um 1º. Ministro que morreu na sequência de um voo!)  Estou a aguardar um voo para Faro. Como tenho tempo, vou circular, e entre lojas de bebidas, de perfumes, de roupa, de calçado e de comes e bebes, entro numa que tem revistas, jornais, livros, brindes, e coisas afins. Depois de ver as capas dos jornais vou dar uma pestanada aos livros. Reparo em dois, um ao lado do outro. Nada contra vender livros, e onde queiram e os aceitem. Tiro a foto que acompanha este post, e pergunto-me se estes livros são a imagem do país que somos. Se calhar são. Se se anda a promover o nosso sol e as nossas praias (do melhor que há) a nossa comida (nem tenho palavras), e o nosso vinho (excelente, quer o dito Vinho do Porto, baptizado em Gaia, quer os tintos do Douro, etc), onde fica a nossa literatura ? (Eça, Pessoa, Camões, Camilo, Gil Vicente, Saramago, Lobo Antunes, Torga, Aquilino, e tantos outros). Deve ser mesmo muito fraca e envergonha-nos, portanto não pode estar nas portas de entrada e de saída do nosso País.

 

Continua a porcaria do experimentalismo

O que se tem feito na Educação desde que começou o experimentalismo anual nos tempos da PGA é deveras execrável.

São mais de 30 anos sem rumo, pois é disso que trata quando as mudanças são anuais, ou quase, e sempre realizadas de um momento para o outro, quantas vezes até no próprio ano lectivo.

Esta é apenas mais uma, saída da cabeça de alguma luminária que acabou de descobrir a pólvora.

O rei morreu. Viva o rei.

‘A Prova dos Factos’ (RTP1) e a Farfetch

Na próxima Sexta-feira (dia 27 de Maio), na RTP1, o programa ‘A Prova dos Factos’ abordará as denúncias de abusos laborais, morais e sexuais por parte da Farfetch. Uma investigação que tardou, mas chegou. Acabar com a impunidade das multi-nacionais e com as loas que recebem, ao mesmo tempo que devastam os seus trabalhadores e os oprimem.

Iniciei, há umas semanas, um trabalho de investigação sobre o assunto, que podem ler, em duas partes, aqui no Aventar:

 

 

Palavras para quê? É ministro da Educação!

Por razões de higiene também ortográfica, é raríssimo comprar o Expresso. Recentemente, João Costa deu a este jornal a sua primeira entrevista na qualidade de ministro da Educação.

Relembre-se, a propósito, que João Costa foi secretário de Estado do mesmo ministério durante os últimos seis anos.

A entrevista já foi devidamente escalpelizada pelo Paulo Guinote em quatro textos com a acutilância do costume: um, dois, três, quatro.

Limito-me a realçar o que, de qualquer modo, já foi realçado, roubando, ainda, uma imagem ao Paulo.

Em primeiro lugar, note-se que não há resposta à pergunta. Depois, a verdade é que João Costa trocou a função de professor pela de secretário de Estado e pela de ministro, o que não lhe retira nem acrescenta qualidades. Acrescente-se que João Costa é professor universitário, o que o coloca numa situação diferente da dos professores do Básico e do Secundário (e mesmo nestas duas áreas, há distinções importantes a fazer) e, portanto, afirmar que é “professor” é uma manobra de relações públicas altamente enganosa. Não se trata, aqui, de uma questão de superioridade ou de inferioridade.

A cereja em cima do bolo, no entanto, está nesta ideia insidiosa e repetida de que os professores não sabem lidar com a diversidade social e que isso se resolve com uma qualquer formação milagrosa. Os professores são um dos grupos profissionais que se encontram na primeira linha do contacto com a diversidade social, com tudo o que isso implica de frustrações, de imprevistos, de derrotas e de conquistas, muitas conquistas. [Read more…]

A lata de Maria de Lurdes Rodrigues

Fotografia encontrada no mural do Maurício Brito

Ontem, tive o duvidoso prazer de assistir a um dos reaparecimentos de Maria de Lurdes Rodrigues.

Não escondo o asco que gentinha como a ex-ministra da Educação me causa. Não se trata de uma questão pessoal – os políticos incompetentes e/ou desonestos que prejudicaram o país metem-me nojo, é algo visceral.

Maria de Lurdes Rodrigues faz parte desse rol. A mando do viscoso José Sócrates, foi a responsável por vários desmandos no âmbito da Educação, prejudicando toda a comunidade educativa nacional, sempre adorada por gentalha de vários quadrantes político, ralé fascinada por uma espécie de marialvismo que leva milhares de parolos a adorar cavacos, sócrates, passos e costas, um marialvismo que será ainda um resquício de um sebastianismo pobrezinho que gosta muito de figuras paternas com um ar severo, substitutos de salazarinhos, ai que saudades meu deus. [Read more…]

A FDUL e o Alexandre Guerreiro – esclarecimento:

Sobre a “notícia” que teve origem na Revista Visão sobre o Alexandre Guerreiro, o Professor Carlos Blanco ( FDUL) já esclareceu* o seguinte

“A informação é falsa.
1. Guerreiro que é doutorado pela Faculdade foi proposto na reunião de ontem como investigador numa lista de pessoas ao Conselho Científico do Centro de Investigação.
2. Vários investigadores objectaram à inclusão.
3. Clarifiquei, como coordenador científico, que a não inclusão se deveria centrar em razões científicas e de mérito e não por delito de opinião. Tanto mais que foi convidado como orador externo para uma iniciativa em Abril sobre a Ucrânia.
4. Por proposta do Presidente do Conselho, Prof. Sérvulo Correia, de forma a que não fosse prejudicada a inclusão de outros candidatos que era pacífica, foi adiada a votação sobre a inclusão do dr. Guerreiro para uma sessão futura do órgão.
5. Não se pode expulsar de um centro de investigação alguém que não o integra como investigador. A notícia foi deliberadamente deturpada.”

A notícia foi escrita por Mafalda Anjos, directora da revista Visão.. Não foi uma estagiária, foi mesmo a directora….

*Informação recolhida na página do João Gonçalves

José Milhazes explica o corporativismo tuga

Ontem, na SIC Notícias (o vídeo ainda não está disponível mas podem ver AQUI) José Milhazes colocou o dedo na ferida sobre a questão dos ucranianos em Portugal, relembrando o que se passou há uns valentes anos. Foi nos anos noventa do século passado que Portugal recebeu um número bastante elevado de ucranianos que vinham procurar uma vida melhor.

Uma boa parte deles, provavelmente a maioria, eram trabalhadores qualificados no seu país (cirurgiões, enfermeiros, professores, engenheiros, etc.). Em Portugal trabalhavam nas obras, na limpeza de casas, na hotelaria. E porquê? Como José Milhazes muito bem sublinhou: “graças ao sistema corporativo existente nas nossas universidades de defesa do nosso tachinho” e prosseguiu recordando que muitos deles andaram anos e anos para verem os seus cursos superiores reconhecidos (e alguns nunca o conseguiram). O mesmo se passou (será que ainda passa?) com muitos brasileiros.

Agora, por causa da invasão da Ucrânia e segundo os números divulgados ontem por António Costa, já chegaram mais de 14 mil ucranianos a Portugal e muitos mais estão a caminho por este andar da guerra. Será que Portugal mudou? Será que o corporativismo da nossa Universidade é coisa do passado? Não acredito mas….

Kissy chamava ternurentamente o pai Henry a seu filho Peter

Foi em 69, sim, que um dos mais emblemáticos filmes da geração “hippie” estreou. “Easy Rider”, foi realizado por Dennis Hopper, tendo como protagonistas o próprio, Peter Fonda e Jack Nicholson.
O filme trata de 2 motociclistas, um vestido à americano motoqueiro e outro com vestimentas de nativos norte-americanos, que viajam juntos pelo Sul e pelo Sudoeste americano em busca da liberdade, liberdade representada pelo uso de estupefacientes e vida comunal, em contraponto à ideia de família ideal (patriarcal, claro, defendida pelos evangélicos e católicos. Sem ser um filme de qualidade de monta, a verdade é que se tornou em ícone de “contra-cultura”, abrindo as portas de Hollywood para uma nova geração que pretendia, iludida ou não, experimentar outro estilo de vida, livre de conceitos e preconceitos raciais e religiosos em forte tensão à época nos Estados Unidos.

Ah, sim, não era sobre o filme que pretendia falar, mas do facto do pai tratar carinhosamente o filho Peter por Kissy, Kissy Fonda.

Porque me lembrei disto? Porque em mim se aflorou [Read more…]

Normalizar o ódio

“Facebook e Instagram vão permitir temporariamente incentivos à violência contra a Rússia em publicações sobre a Ucrânia.

Meta vai alterar temporariamente a política relativa aos discursos de ódio. Utilizadores de alguns países vão poder incentivar à violência contra a Rússia em publicações no contexto da invasão da Ucrânia.”

Começo a pensar, seriamente, em sair de todas as redes sociais. O pior é que, no mundo global de hoje, todos nós, mais ou menos, dependemos, directa ou indirectamente, das redes sociais. No meu caso, por causa da Fotografia, uso o Instagram para divulgar trabalho.

Mas isto é o cúmulo dos cúmulos. É a normalização do ódio como um todo (porque, convenhamos, já ele estava normalizado há muito nestas redes). É a banalização da atrocidade. É a apologia da indiferença.

Eu não estou contra a Rússia enquanto país. Eu não estou contra os russos enquanto povo, porque para mim também eles são joguetes e sofrem às mãos do tirano que os governa há décadas. Em meu nome, não. Banalizar os insultos a um povo, seja ele qual for, é não entender nada do que nos trouxe até aqui. É não perceber minimamente o conceito de empatia. Eu sou pela causa Palestiniana, mas não estou contra o povo de Israel.

Sei que a Meta, dona do Facebook e do Instagram, entre outras, é uma empresa privada e, como tal, gere-se da maneira que bem entende. Quem nela está inscrito, ou aceita, ou não aceita os termos a que se compromete quando se inscreve. No entanto, e apesar do facto que supracito, sabe a empresa, e concordaremos todos nós, que quando num mundo global como o de hoje, onde milhões de pessoas se encontram ligadas a estas redes sociais, esta última terá, em última instância, algumas responsabilidades sociais que não pode, em circunstância alguma, deixar de lado. Mas todos sabemos de onde vem o lucro destas empresas. Por isso, por muito que nos escandalize, cá continuamos muitos, senão a maioria. E porquê? Que droga é esta que muitos de nós não conseguimos largar e que cada cada vez nos divide mais? Que instituto do mal é este que nos instiga a, gratuitamente, odiarmos um povo que muitos de nós nem sequer conhece?

Depois do escândalo com a Cambridge Analytica e tudo o que daí veio a público, começa a tornar-se óbvio quais as reais intenções de quem quer este mundo “conectado” ao máximo. E não é para o nosso bem.

Estou na trincheira dos que querem a paz e não desarmam por um mundo sem guerra. Dos que nunca querem a guerra. Nunca estarei na trincheira dos que fazem da guerra lucrativa. Em meu nome, não.

8M, por Todas As Mulheres do Mundo

Neste dia da Mulher, o meu coração está, como sempre esteve, com todas as Mulheres, sem excepção.

Mas, neste dia da Mulher, quero prestar homenagem às Mulheres ucranianas de todas as idades, crianças, adolescentes, mães e avós. Para além disso, presto homenagem às Mulheres que neste momento se encontram em cenários de guerra: às Mulheres na Palestina, no Iémen, no Afeganistão, no Líbano, na Etiópia ou na Argélia. Resistam. Nunca desistam. O vosso amor é maior.

Feliz dia da Mulher a todas as Mulheres do Mundo.

Está aberta a época de caça ao voto docente!

O governo de António Costa, durante os últimos seis anos, não reverteu as várias malfeitorias perpetradas por Maria de Lurdes Rodrigues e por Nuno Crato e conseguiu acrescentar algumas da sua responsabilidade, incluindo o roubo de tempo de serviço.

Como há eleições, cá está a prometer fazer o que não quis fazer e deveria ter feito enquanto foi primeiro-ministro.

Note-se que não é possível discordar do ainda chefe do governo quando afirma que é preciso acabar “de uma vez por todas com este absurdo que é [a carreira docente] ser a única carreira no conjunto do Estado em que durante décadas as pessoas têm de obrigatoriamente se apresentar a concursos e andar com a casa às costas e andar de escola em escola de quatro em quatro anos”.

O problema é que “este absurdo” é antigo, não apareceu a semana passada – no mínimo, António Costa teria de explicar por que razão não resolveu este problema, mas o que interessa agora é o soundbite da promessa, sequioso de votinhos. Do lado dos professores, se houver sensatez, só pode haver desconfiança e votos contra. Basta lembrarmo-nos das maiorias absolutas de sócrates e de passos para sabermos do que as casas gastam.

Costa ainda faz uma ligação vazia, fazendo depender a vinculação de mais professores aos quadros de uma alteração do modelo de concurso. Não se percebe (ou talvez se perceba, mas já lá vamos), uma vez que é perfeitamente possível vincular mais professores mantendo o modelo.

O modelo é centralista, é verdade, e cego, é certo, fazendo depender a colocação de uma nota. As injustiças que advêm deste modelo, no entanto, são também a garantia de que não há possibilidade de cunhas. Costa, tal como o resto do arco da governação, sonha entregar as escolas às câmaras municipais, incluindo no embrulho a escolha dos professores.

A municipalização da Educação, tal como a regionalização, é uma ideia maravilhosa no papel e terrível em Portugal. Diante do caciquismo endémico que transforma tantos presidentes da câmara em pequenos ditadores que distribuem favores e dinheiros, as escolas ficariam entregues a caprichos e cunhas.

Costa, amigo, não contes comigo!

É abuso de autoridade, é violência policial, é terrorismo pago por todos nós, ó animais – ou quando o racismo vem fardado

“É gás pimenta, ó animal”: militares da GNR torturam por diversão imigrantes de Odemira

Quantos mais “casos isolados” de violência policial terão de haver para percebermos, enquanto sociedade, que já não são casos isolados?

As autoridades competentes da UE ou da ONU têm alertado: cuidado com a infiltração da extrema-direita nas Forças de Segurança portuguesas. Mas ninguém parece estar minimamente interessado. [Read more…]

Algumas confusões (minhas) sobre Educação para a Cidadania

Faz-me confusão que faça tanta confusão a tanta gente a existência de uma disciplina ou de uma área disciplinar ligada à cidadania.

Faz-me confusão que seja considerado fundamental por tanta gente a existência de uma disciplina ou área disciplinar ligada à cidadania.

Faz-me confusão que haja tantas pontes queimadas entre quem se interessa por Educação e que as políticas educativas continuem a ser imposições erráticas e avulsas com origem em gabinetes ministeriais e/ou departamentos universitários carregados de gente que se julga dona da Educação, incluindo a que se refere ao ensino básico e ao ensino secundário.

Faz-me confusão que haja quem pense que é possível estar na Escola sem aprender, directa ou indirectamente, cidadania.

Faz-me confusão, a propósito dessa aprendizagem inevitável, que haja quem pense que é possível ensinar Humanidades, Ciências ou Artes sem fazer referências constantes a questões e problemas de cidadania.

Faz-me confusão que haja quem acredite que é possível viver numa escola asséptica e absolutamente imparcial, em que os professores não tenham opiniões ou preferências ideológicas, religiosas ou clubísticas. Aproveito este ponto para informar, para grande surpresa de uma larga maioria, que os professores são pessoas, sendo que alguns chegam a ser pais.

Faz-me confusão que haja quem acredite que os professores são, na sua larga maioria, pessoas sem o mínimo de ética, que aproveitam todos os momentos para catequizar os pobres alunos, arrastando-os para o seu partido, para a sua religião, para o seu clube ou para a sua associação recreativa. [Read more…]

Tiros de pólvora seca – uma explicação aos “activistas” das redes sociais sobre três L: Linguagem, Ligações e Luta

Fotografia: MAYO

Teve lugar, ontem, na Universidade do Minho, uma manifestação contra o assédio. Depois de várias queixas e denúncias sobre um alegado agressor no campus da U.Minho, centenas de alunos saíram à rua, muitos deles segurando cartazes que diziam “mexeu com 1 mexeu com todEs”. Obviamente, e porque vivemos na Era do Clique, a manifestação e a causa da mesma passaram para segundo plano porque, hoje, de parte a parte, o que interessa é aparecer numa fotografia de cartaz na mão com uma frase impactante, se fores de um lado, ou ir para as redes sociais balbuciar contra os manifestantes, se fores do outro. Já não interessa a luta, já não interessa a realidade. Interessa, sim, aparecer. E se para aparecer eu tiver de escrever “mexeu com todEs”, eu vou escrever, porque sou “bué” inclusivo, sigo a tendência, revolucionário e uma vez até respondi “já vou!” à minha mãe quando ela me chamou para a mesa.

Primeiro, temo ter de explicar, ainda, que os plurais das coisas já englobam vários géneros. Quando dizemos “estamos todOs” ou “estamos todAs” “aqui”, não estamos, em linguística, a discriminar ninguém; estamos, simplesmente, e mediante, muitas vezes, o género do inter-locutor (muitas vezes, até, do género que predomina nos receptores), a indicar que as pessoas estão reunidas naquele mesmo espaço, tanto quanto as que deveriam estar. [Read more…]