Moedas, family & friends

Há dias escrevi aqui que Carlos Moedas foi uma boa escolha de Rui Rio para a CM de Lisboa. Uma escolha forte e agregadora. Continuo convencido disso. E a quantidade de partidos que o apoiam parece confirmar a ideia, pelo menos no que ao factor agregador diz respeito: CDS, Aliança, MPT, PPM e até o RIR, do antigo autarca socialista e ex-candidato presidencial, Vitorino Silva, a.k.a Tino de Rans. Só falta a IL. Parece que o Chega foi pré-excluído por Moedas. Tem o meu respeito por isso.

Depois fui confrontado com um:

  • Mas tu sabes quem é Carlos Moedas?

Não o conheço, claro está, mas sei umas coisas. Lembro-me do tempo em que era o Secretário de Estado Adjunto de Pedro Passos Coelho, e um dos responsáveis por acompanhar o takeover da Troika. Um dos homens por trás da máxima “ir além da Troika”. Um político que, antes de chegar ao governo, esteve no Deutsche e no Goldman Sachs, dois dos beneficiários da desnecessária privatização dos CTT, com os resultados que se conhecem. Os CTT que, anos mais tarde, convidaram Celine Abecassis-Moedas para a administração da empresa.

Quem?

Exactamente: a esposa de Carlos Moedas.

Por isso sim, sei umas coisas sobre Carlos Moedas. Mas isso não invalida que seja um dos nomes mais fortes que o PSD poderia avançar, mais ainda se considerarmos o período particularmente delicado que o partido atravessa. Pese embora o mau arranque, com a péssima (e desnecessária) encenação do “sonho” e do “projecto de vida” de vir um dia a presidir à CM de Lisboa. Consegui visualizar o jovem Carlos, num banco do liceu de Beja, a sonhar com o dia em que entrava pelos Pacos do Concelho de Lisboa, com o colar ao pescoço. Não havia necessidade…

*

P.S. Estou particularmente curioso para saber se a IL alinha na coligação de direita, encabeçada por Moedas. Se fosse socialista, certamente teria direito a um cartaz @comPrimos. A ver vamos, se isto é uma questão de primos. Ou de socialismos.

Carta Aberta ao jornalista Pedro Tadeu (DN)

O jornalista Pedro Tadeu escreveu ontem, no DN, um artigo sobre jornalismo. Sobre o que se passa no jornalismo actualmente. Citando:

“Desde que esse meu amigo me contou o que se passou com ele, sempre que vejo uma notícia sobre a covid-19 fico desconfiado: “Será mesmo assim ou isto foi uma encomenda?” E quando constato a grande quantidade de peças que estão dentro da área de interesses destes “recrutadores de jornalistas”, quando vejo que essas peças se repetem no foco e na mensagem, exageradamente, nos últimos meses, fico espantado com a minha ingenuidade estúpida: “Como é possível eu ter achado que isto era, apenas, um exercício editorial insensato e incompetente, mas genuíno?” A seguir vem o desgosto: “Como é que a minha profissão chegou a este ponto!?”

Aqui fica a minha carta aberta ao Pedro Tadeu:

Caro jornalista Pedro Tadeu, eu tenho um amigo, não sei se o mesmo, que já nos idos de noventa me contava existirem jornalistas no activo a fazer assessoria de comunicação para privados. Esse meu amigo deparou com altos quadros, dirigentes, de canais de televisão cujas mulheres (ou irmãs ou mesmo primas, a minha memoria já não me ajuda muito) trabalhavam ou eram donas de empresas de assessoria de comunicação e ele, pasme-se, avisava que se o “pedido” viesse por essa mão amiga, a coisa teria direito a telejornal e tudo, veja bem. Isto já em pleno novo milénio e, suponho, não deve ter mudado assim tanto. E advogados comentadores nos media que, simultaneamente, tratavam dos problemas pessoais dos seus entrevistadores? E o mesmo se diga no tocante a médicos? Já ele me falava na confusão entre o que era pessoal e o que era profissional. Nisso e nos políticos que conseguiam ser, simultaneamente, informadores do jornalista A ou B e articulistas no mesmo jornal ou comentadeiras na mesma televisão. Uma festa. Ou, usando as palavras desse meu amigo (será p mesmo?), um festim.

Caro Pedro Tadeu, pelo que percebi do seu amigo e juntando com o meu, desconfio que não se fique apenas pelo Covid, ao que parece já não se pode confiar em praticamente nada do que se vê nos noticiários tal a confusão entre o que são noticias e o que são apenas encomendas. É claro que aqueles 15 milhões não ajudam nada. Isso e a propriedade actual dos meios de comunicação. De qualquer forma, obrigado pelo seu artigo e que nunca nos faltem os amigos.

Com os melhores cumprimentos.

A triste realidade do País em que a Burocracia e a Incompetência continua a fazer escola

O caso da jovem Constança Bradell é um daqueles filmes que tantas vezes vimos ao longo das últimas décadas no nosso país, em particular, nos casos que envolvem a relação entre o Estado e os portadores de doenças raras: é uma manifesta incúria, uma manifesta incompetência, uma manifesta negligência provocada por um sistema altamente burocrático que reflecte sobretudo a falta de empatia dos decisores e dos funcionários públicos perante o seu semelhante. Sim, o funcionalismo público português está, para nossa infelicidade, desde as camadas de base até ao topo, cravejado de funcionários que aparentam (ou talvez não tenham mesmo essa capacidade de tão insensíveis à dor do outro que se tornaram) não ter o mínimo de empatia perante o problema e a dor do próximo. A não ser que os visados pelo infortúnio sejam os seus filhos, os filhos dos seus colegas, os filhos dos seus hierárquicos ou os filhos dos deuses com pés de barro a quem lambem sistematicamente as botas à espera de benefícios.

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O negócio de Montijo

Governo já tem proposta para substituir lei que bloqueou aeroporto no Montijo

Essencialmente, o que António Costa e o seu PS, apoiado pelo PSD de Rui Rio, se prepara para fazer é deixar claro que estamos num Estado onde a lei não é o alicerce da governação mas sim um instrumento para se atingir um fim. Não é propriamente uma novidade mas é de registar que a inversão de valores não é alheia a este executivo. Também mostra bem de que lado está o Governo e não é do lado dos cidadãos.

Sobre o negócio de ocasião para a ANA e a Vinci, pouco há a acrescentar ao que anteriormente se disse. Excepto que é de se sublinhar que os dois submarinos ainda vão dar jeito ali.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)

Crónicas do Rochedo 43 – Ainda discutem um novo Aeroporto???

Nos últimos dias foram publicadas duas notícias que são todo um programa para o que nos espera nos próximos tempos. A primeira foi no Observador, uma entrevista ao Presidente do Grupo Jerónimo Martins onde ele explica que estamos a caminhar para uma crise grave, muito grave. Profunda, nas suas palavras. “Relativamente ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “que está proposto, para mim ainda não está totalmente claro como é que vai funcionar, nem em que áreas”, prosseguiu, salientando que aquilo que tem sido transmitido pela comunicação social portuguesa sobre o tema não o deixa “minimamente confortável”, fim de citação.

A outra foi num dos jornais de economia de Espanha, o Expansión. Onde é explicado que este verão é a última oportunidade para salvar a economia espanhola se e só se o governo espanhol consiga elaborar um plano de regresso a uma normalidade económica. Caso contrário, o abismo. Algo que se aplica a Portugal – a Grécia, a Turquia e o Chipre já se adiantaram e ficaram com a fatia de leão das reservas de verão que se vendem no primeiro trimestre do ano. Ora, perante tudo isto, qual a mensagem que passam os nossos governantes?

Estão a discutir o novo Aeroporto de Lisboa. Ainda e sempre. Ora agora é no Montijo, ora depois é em Alcochete e por fim será onde as negociatas do eterno e sempre em pé bloco central deseje. A sério que estão a discutir esta merda? No meio de uma crise económica sem precedentes continuam com a treta do novo aeroporto? Olhem, aproveitem o elefante branco de Beja, metam um comboio rápido e vão ver que não será muito diferente, em termos de distância/tempo do caso de Beauvais (Paris) ou Memmingen (Munique), entre outros exemplos nas grandes cidades da Europa.

A sério que os nossos (ir)responsáveis políticos consideram, hoje, que a construção de um novo aeroporto é algo útil para a nossa economia? É o novo aeroporto que vai salvar o turismo (em Lisboa, no Algarve, no Porto, nas ilhas?), que vai salvar da falência as centenas de milhar de empresas que estão, na realidade, falidas? Que vi criar postos de trabalho em número suficiente para regressarmos aos valores pré pandemia? É esta a visão de futuro do governo de Costa?

António Barreto e o “sistema”

António Barreto voltou a dar o ar da sua graça na imprensa nacional. Ainda no início de Fevereiro deu uma entrevista à TSF/DN, mas no Sábado passado estava de regresso à capa de um jornal de grande tiragem, desta feita o Sol, que agora se chama Nascer do Sol, excluído, perseguido e censurado como só este eterno barão do bloco central sabe ser.

António Barreto personifica, como poucos, aquilo a que comummente nos referimos que recorremos ao termo “sistema”. Se Olof Palme, sobre quem escrevi há dias, estava sempre do lado certo da luta, António Barreto tende a estar sempre do lado certo do poder, de mãos dadas com ele.

Senão reparem: António Barreto foi comunista durante o declínio do fascismo, quando era moda ser oposição ao Estado Novo, ministro do PS no tempo do soarismo, virou mais tarde à direita, trabalhou no sector público, trabalhou no sector privado, andou por fundações e órgãos de comunicação social, escreveu e escreve regularmente nos principais jornais nacionais, comenta a actualidade nos telejornais, enfim, está – literalmente – em todo o lado. E, curiosamente, nunca – mesmo nunca – é nada com ele. São os outros. É o sistema. O sistema que ele conhece, por dentro, como poucos. Muito poucos.

Mas não é nada com ele.

Rigorosamente nada.

Comuno-liberais: os campeões das utopias na Avenida dos Aliados

O Partido Comunista Português faz 100 anos.

Para assinalar a comemoração, o partido decidiu espalhar, por toda a Avenida dos Aliados, no Porto, bandeiras com o símbolo do partido. Como esperado, a direita neo-liberal barafustou, esperneou, vociferou e espumou, dizendo que era de mau gosto (os liberais, esses exclusivos donos do bom gosto e da verdade em geral) e um ataque à democracia.

Nada contra a estarem contra. Mas eu também acho ridículos, de mau gosto e populistas, os outdoors do Iniciativa Liberal espalhados pela EN-14 e pela VCI, também na zona metropolitana do Porto, e nunca barafustei, esperneei, vociferei ou espumei por causa disso; ou os outdoors do Chega com a cara do querido líder e frases desconexas espalhadas pelo país fora. Antes pelo contrário, acho sempre piada à capacidade do ser humano de manipular para se engrandecer, dos “direitolas” aos “esquerdalhos”, passando pelos canonizados “centristas”, e, por tal, sorrio a todos os outdoors. Provavelmente, na cabeça dos neo-liberais, seria preferível, em vez das bandeirinhas do PCP, umas bandeirinhas com o símbolo da Vista Alegre de um lado da Avenida, e outras com o símbolo da Amazon do outro, rematando com uma grande bandeira com a cara do Jeff Bezos sobre a Câmara Municipal do Porto. Quem sabe? [Read more…]

Milagres e Fantasmas – A Presidência Portuguesa da UE

Hoje tropecei nesta notícia sobre Portugal na imprensa internacional. Espantado? Não. Reparem no que apontam:

“The presidency spent €260,591 to equip a press center in Lisbon — even though the presidency’s press briefings are being held online and foreign journalists aren’t traveling to the Portuguese capital. It agreed to pay a wine company €35,785 for drinks — at a time when few people are gathering. And it signed a €39,780 contract to purchase 360 shirts and 180 suits — at a time when many people are working from home”.

Não foi Portugal que construiu um aeroporto internacional em Beja que está às moscas? O mesmo país que comprou dois maravilhosos submarinos (um que sobe mas não desce e um que desce mas não sobe).

Outra pérola que é estranha para um estrangeiro mas familiar para nós:

“To observers, one of the more baffling decisions the presidency made was spending hundreds of thousands of euros furnishing the press center in Lisbon, a city that has experienced a dramatic rise in new coronavirus cases this year. The public project was entrusted to a company that hasn’t obtained a public contract since 2011, and whose previous experience in public sector contracts involved organizing entertainment for village festivals“.

A empresa em causa é a Sociedade de Gestão e Marketing S. João S.A. São 260 mil euros. Especialista em actuações de Nuno da Câmara Pereira nos idos de 2008 e nas festividades de Nossa Senhora da Orada (Albufeira) em 2011. Isto segundo o site dos ajustes directos citado na peça. Como que por milagre renasceu em 2021 para “Adaptação de Instalações Módulo IV CCB para Centro de Imprensa” pela módica quantia de 260 mil euros. Um centro de imprensa fantasma, diz a peça internacional. Não é nada fantasma, é mesmo um milagre.

E uma empresa experimentada em trabalhos para a Nossa Senhora dos Remédios e com a Nossa Senhora da Orada  e que se chama S. João, é a ideal para tratar de milagres. Ai Portugal, Portugal….

O estranho caso do desastroso plano de vacinação

Muito curiosa, a forma como, todos os dias, quase sem excepção, a imprensa controlada pela esquerda e pelos 15 milhões de publicidade antecipada pelo governo insiste e persiste na narrativa “o plano de vacinação está a ser um desastre”. Agora imaginem que a imprensa era controlada, total ou parcialmente, pela direita. Até porque, convenhamos, o Observador, o Sol, o I, o Eco, o CM, o Negócios, Sábado e o JN são esquerdalhos que dói. Para não falar nos espaços de opinião nos canais noticiosos, onde o CDS ainda tem mais comentadores de serviço que qualquer partido à esquerda do PS. Onde o CH e a IL têm (muito) mais tempo de antena que o PCP. São redacções e redacções repletas de camaradas de punho cerrado, foice na não e martelo no coldre.

P.S. Estar em 10° lugar entre a UE + UK não é nenhuma proeza digna do Guiness, mas é menos ainda o reflexo do desastre que a tal narrativa nos tenta impôr.

Moedas irá privatizar Lisboa e entregar a gestão à esposa

Carlos Moedas, candidato do PSD à câmara de Lisboa, foi um súbdito fiel de Passos Coelho, esse Miguel de Vasconcelos que esteve ao serviço do poder estrangeiro, durante o período em que Portugal esteve sob ocupação da troika.

Uma das promessas que levou Passos Coelho ao governo foi a de não privatizar à toa, como podemos verificar num vídeo inesquecível, criado pelo Ricardo Santos Pinto.

Os CTT foram privatizados, sabendo-se que davam lucro e tinham, ainda, outras funções na compensação de um dos maiores problemas nacionais, o desequilíbrio entre litoral e interior, num país com regiões que caminham a velocidades demasiado diferentes.

Carlos Moedas teve um papel fundamental nessa e noutras privatizações. Por coincidência, a esposa de Carlos Moedas veio a integrar a estrutura que passou a gerir os CTT privatizados e transformados em lojas de má literatura, ao mesmo tempo que abandonaram povoações e passaram a funcionar pior, porque a incompetência é exclusiva do sector público, uma das mentiras da direita liberal para tomar conta de negócios e de monopólios.

Note-se que o PSD, na oposição, e bem, atacou o PS devido às teias familiares que atravessam o actual governo, mas já se sabe que o argueiro no olho alheio é sempre maior do que a trave que está no meu.

Caso ganhe as autárquicas em Lisboa, será que Carlos Moedas irá privatizar a câmara? Se isso acontecer, a esposa transitará para a equipa que passará a gerir a cidade? A brincar, a brincar…

Deixo, a seguir umas ligações sobre a importância de Carlos “videirinho” Moedas nesta história. É instrutivo, divertido e poupa-me trabalho. [Read more…]

Diálogo fictício, com recurso ao imperfeito, entre dois treinadores de futebol

SC: 11 contra 11, levavas cinco ou seis.
CC: Levava? Porquê? Já não levo?
SC: Não.
Fim

Assédio de menores: Um manto de silêncio insuportável… Parte 2:

DepoIs das publicações no facebook e da queixa apresentada pelo pai da menor assediada, o artista plástico Jorge Curval foi entrevistado pelo Notícias Viriato.

(Fotografia do artista plástico da autoria de Pedro Meira/Olhares)

Os Hugos e as Venezuelas

Aos bimbos e às bimbas: fazemos vaquinha para expatriar o Hugo e salvá-lo desta Venezuela europeia?

Portugal não é a Venezuela. Portugal é Portugal, mas o Hugo é dos que acham que o PS, por ter “socialista” no nome, é, de facto, socialista; ou que o PSD, por ter “social-democrata”, seja realmente social-democrata – só isso demonstra que somos, de facto, Portugal. Ao Hugo falta ler mais e ler melhor, ver mais e ver melhor: pois, dizia Francisco Fanhais na sua “Cantata da Paz” que se “vemos, ouvimos e lemos”, então, “não podemos ignorar” – o Hugo aparenta ler pouco, ouvir mal e ver o que lhe convém. O Hugo não tem de pensar igual a uns, nem diferente de outros, mas sim pensar por ele : o princípio democrático aceita de bom grado que pense diferente; mas o princípio democrático também repele os Hugos da vida, que são anti-democracia e manipulam para proliferar: André Ventura…? Quem?

A extrema-direita ganha forma, ganha força e ganha ódio. O Hugo tem 22 ou 23 anos, frequentou exactamente a mesma escola secundária que eu. À época, e usando do clichê, parecia um miúdo normal, como o são tantos outros que, aos 17 e 18 anos, estão ainda na definição do carácter e do seu caminho. Estudou Ciências e Tecnologias, o que, à partida, poderia indicar que acabaria o 12.º ano preparado para enfrentar a vida com o conhecimento científico que nos impede, julgamos nós, de enveredarmos pelo caminho do populismo (um conceito, em si, anti-ciência, mas que terá a sua cientificidade). O Hugo cresceu, no seu contexto, moldou-se. Não privei assim tanto com o Hugo da escola secundária, que apesar de parecer pouco desenvolto para a altura nas conversas que tinha, parecia minimamente empático e nada reaccionário nas suas abordagens.

O Hugo jogou polo-aquático muitos anos e, segundo sei, com bastante sucesso. Deduzo que o esforço físico e o número/nível de pancadas na cabeça tenham prejudicado o crescimento do Hugo e consequente desenvolvimento cognitivo. Poderá ser uma explicação para o desvio do Hugo, neste caso concreto, mas não explica o desvio de outras centenas de jovens, nascidos na década de 90, pois nem todos somos do polo-aquático, mas alguns já são da extrema-direita. [Read more…]

Assédio de menores: Um manto de silêncio insuportável…

Ontem, no seu facebook, Filipe Ribeiro denunciou um caso de assédio à sua filha feito pelo conhecido artista plástico Jorge Curval (vou colocar aqui a palavra ALEGADAMENTE para evitar chatices para o Aventar). A sua filha tem 12 anos.

O que mais me choca é que passadas 24 horas persiste um manto de silêncio estranho na comunicação social. Sempre tão lesta quando toca a políticos ou jogadores de futebol…

 

Os independentes e o sistema

Quero começar por sublinhar que não me iludo com qualquer independentismo autárquico, ou não resultassem eles, tantas vezes, de cisões partidárias, de guerras entre caciques e das mesmas ambições desmedidas que conhecemos da política convencional. Não obstante, não pretendo embarcar em generalizações, até porque todos conhecemos casos de movimentos verdadeiramente independentes, feitos de cidadãos com uma ideia muito concreta para os seus municípios, que, numa democracia madura, devem ter o direito de apresentar projectos de governação local. A democracia, quando nasce, é para todos. Ou pelo menos devia ser.

Não admira, portanto, que, numa primeira fase, PS e PSD se tenham unido para tentar dificultar a tarefa destes independentes, procurando condicionar as suas liberdades civis e políticas. Porque são eles quem mais tem a perder, e porque os seus partidos, bem como parte significativa das suas bases, vive em exclusivo das redes de influência e do dinheiro que jorra das diferentes câmaras municipais, que garantem os lugares que mantêm as tropas motivadas, sem os quais os exércitos tenderão, naturalmente, para a extinção.

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Sondagem Aximage


Sondagem Aximage para o JN/TSF/DN. Que nos diz ela?

– Que o PS segue confortavelmente na liderança, a 11% do PSD, que não consegue descolar, apesar da pandemia e de todos os casos que envolvem o governo e o PS;

– Que o BE recupera, com uma ligeira subida nas intenções de voto, tal como o PCP, o PAN e o Livre, que regressa a valores que lhe permitem figurar nestes estudos e até eleger um deputado, ultrapassa o CDS. Boas notícias para a esquerda europeísta! Espero que não voltem a cometer o mesmo erro de casting que foi JKM;

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Olof Palme

Reza a lenda que, no pós-25 de Abril, numa visita de Estado a Estocolmo, Olof Palme terá questionado Otelo Saraiva de Carvalho sobre o propósito da revolução. Perante a resposta “acabar com os ricos”, Palme ter-lhe-á dito que, na Suécia, estavam há 20 anos a tentar acabar com os pobres. Nos 11 anos que se passaram entre este encontro e a noite do seu assassinato, a 28 de Fevereiro de 1986, Olof Palme dedicou a sua carreira política a este e a outros propósitos, igualmente nobres, deixando para trás um legado que se perpetuou até aos dias de hoje e que em muito contribuiu para que a Suécia se tornasse numa das mais prósperas nações do planeta, onde os poucos pobres que restam estão mais protegidos do que muitos daqueles que, por cá e não só, trabalham de sol a sol.

Olof Palme foi uma das grandes figuras da social-democracia, apologista de um modelo económico misto, capaz de conciliar uma iniciativa privada livre com um Estado Social robusto e abrangente, que não deixava ninguém para trás. Destacado defensor do sindicalismo, foi sob a sua batuta que se registaram os maiores avanços em matéria de legislação laboral, garantindo uma ampla moldura de direitos e protecções aos trabalhadores.

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Orgulho no passado?

Há pessoas que louvam a grandiosidade do passado português, com um discurso que revela arrepios e êxtases. As batalhas medievais, a gesta dos Descobrimentos, a acção dos restauradores da Independência, tudo é apainelado, pintado em murais virtuais gigantescos, do tamanho de uma glória incomensurável.

Não sou insensível aos feitos extraordinários dos nossos antepassados. É verdadeiramente incrível a coragem de quem participou num combate medieval ou a abnegação de quem viajou em frágeis naus por oceanos desconhecidos e entrou em selvas inóspitas. Talvez por ser um impotente de sentimento, como dizia Carlos da Maia, não consigo, no entanto, sentir orgulho, admiro à distância, gosto de saber, consigo espantar-me.

As mesmas pessoas que sentem orgulho no passado relativizam quase sempre as atrocidades. Ou porque outros fizeram antes o mesmo ou pior ou porque não fomos tão maus como os outros ou (e este é sempre muito interessante) porque é preciso atender ao contexto. Também há quem defenda que, no meio de tudo, interessa realçar o papel civilizador.

Colonizar um território foi sempre o mesmo – é como se eu, transportando uma arma, uma cultura e uma religião, entrasse no apartamento de uma família desarmada e lhes explicasse, tendo em conta a evidência da arma e a superioridade da cultura, que teriam de passar a viver na despensa, passando a existir para me servir a mim e aos meus. Algures, no meio ou no fim da história, ainda ficaria surpreendido com alguma reacção agressiva. [Read more…]

Os “burgueses do teletrabalho” e outras oligarquias

Há tempos, quando a Mercadona abriu a sua loja na minha cidade, escrevi no Facebook que não me via ser cliente do supermercado espanhol, por ter o mesmo que os outros, que são portugueses, e por praticar mais ou menos os mesmos preços. Pouco tempo depois, ironia das ironias, tornei-me cliente da Mercadona, que ocupou o lugar outrora ocupado pelo Continente. E a que se deveu esta minha mudança de comportamento? A vários factores: o primeiro foi ter descoberto que a Mercadona tem políticas laborais que, no sector, se distinguem claramente dos restantes, nomeadamente na forma como tratam e recompensam os seus trabalhadores. A isto acresce que, em bom rigor, comprar à Mercadona ou comprar ao Continente, ou a outro supermercado qualquer de nacionalidade portuguesa, com sede na Holanda, vai dar ao mesmo. Para além de que a Mercadona, usando código de barras espanhol, compra grande parte dos seus produtos a produtores portugueses, numa proporção que não estará muito distante da concorrência. On top of that, é ao lado da minha casa, ao passo que os restantes supermercados está quase todos concentrados do outro lado da cidade. E isto, numa primeira fase, chegou-me.

Posteriormente, um novo factor veio juntar-se aos restantes. Se precisar de ajuda, para encontrar um produto na Mercadona, não tenho que andar de um lado para o outro à procura de um funcionário para pedir ajuda. Há, pelo menos cá na Trofa, funcionários em praticamente todos os corredores. E isso não acontece nem no Continente, nem no Pingo Doce. E eu ainda sou do tempo em que essa era a regra. Hoje, neste tempo em que o sector está dominado por estes dois gigantes, com sorte encontramos um funcionário a fazer reposição, que, em princípio, irá chamar um colega, porque a área dele não é aquela e ele não consegue ajudar.

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A fotografia e os interesses de negócio de António Costa

Para sair bem na fotografia, António Costa diz assim:

Claro que a prioridade climática só interessa na medida em que não colida com o negócio, sendo metida na gaveta quando se trata de empurrar a todo o vapor e contra amplos protestos da sociedade civil um acordo de comércio livre (UE-Mercosul) que promove a desflorestação na Floresta Amazónica e no Cerrado, a expansão das monoculturas e pecuária intensiva à custa da destruição de ecossistemas naturais, a utilização maciça de pesticidas e a perda da biodiversidade, para além de pactuar com um presidente negacionista das alterações climáticas e sem escrúpulos em expropriar e violar os direitos dos povos indígenas.

Não saberá António Costa que, nos dois anos como presidente, Bolsonaro já vendeu 20.000 km2 de floresta tropical às companhias petrolíferas e de gás e que em 2020 a área desflorestada aumentou 10%, para mais de 11 mil quilómetros quadrados, ou seja, cerca de um nono da área de Portugal perdida em apenas um ano? Não saberá António Costa que o acordo vai agravar as alterações climáticas e perpetuar um modelo insustentável de negócio?

E tudo isto para trazer carne, soja e etanol para a Europa e vender carros e químicos aos 4 países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai)??? Ou talvez azeite?

Sr. Primeiro Ministro, basta de hipocrisia, dê ouvidos aos portugueses: segundo resultados de um recente inquérito em 12 países europeus, 85% dos portugueses concordam que o processo de ratificação deve cessar enquanto não parar a desflorestação da Amazónia.

E não nos queira deitar areia para os olhos com um anexo interpretativo, como aconteceu no caso do acordo EU-Canadá (CETA), que não vale o papel em que foi escrito, pois nada nele é vinculativo, “com dentes”, à altura do próprio acordo.

Ser campeão do Clima tem consequências e não são só as boas oportunidades de negócio das renováveis…

https://vimeo.com/454069419

P.S.- Petição Pública contra o acordo UE-Mercosul

Este país não é para resilientes

Transição energética, digitalização e obras públicas. É sobretudo destas três áreas que temos ouvido falar, quando o tema é o Plano de Recuperação e Resiliência. E poucas coisas nos dizem tanto sobre o país em que vivemos, sobre a União que integramos, como este conjunto de prioridades, que, não sendo negligenciável, em particular naquilo que diz respeito ao combate contra as alterações climáticas, parece ignorar uma parte do país real. A parte que foi silenciosamente empurrada para a pobreza, pela pandemia e pela ausência de uma estratégia que a contemple, que quer trabalhar e não pode, sem que nenhuma solução alternativa lhe seja apresentada. Os segregados deste admirável mundo novo.

E não, isto não se resume apenas à crise que se abateu sobre a restauração, sobre a cultura, sobre turismo, ou sobre o tecido produtivo, feito de micro, pequenas e médias empresas. Estão todos em muito maus lençóis, no doubt about that. Mas não são invisíveis, ou sequer ignorados, como outros que, não dispondo de tempo de antena, organização de classe ou de figuras mediáticas que os representem, com amigos influentes no Twitter e no Instagram, acabam esquecidos, nesta guerra pelos recursos europeus, ou pelas migalhas que sobrarão do banquete que se antevê.

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Estreia a Aventar

[Renato Teixeira]

Em tempos, quando saí do 5Dias, cheguei a conspirar com o João José Cardoso para rumar ao Aventar. Hoje já não temos entre nós o saudoso JJC mas essa conspiração ganhou forma pelo convite do Fernando Moreira de Sá. A blogosfera mudou muito nos últimos anos e eu não serei excepção a esse fenómeno. Dos acesos debates sobre este mundo e o outro, onde o tempo era mais importante que a gramática, agora o que se mantém vivo parece ser à conta mais da análise do que pelo relato do quotidiano. Mais pela investigação e denúncia, do que pelo pulsar de estados de alma. Não sei, agora que dou início a esta participação, o que mais me motivará, cá estaremos, eu e vocês, para o descobrir. Para quem nunca se tenha cruzado comigo cabe-me fazer a devida apresentação e declaração de interesses. Sou jornalista de formação e trabalho como consultor de comunicação, actualmente ao serviço do Sindicato dos Estivadores. Como jornalista trabalhei sobretudo temas relacionados com a política nacional e internacional e como consultor de comunicação passei de forma fugaz pela NextPower, do universo da LPM, e de forma mais prolongada pela CV&A. Politicamente comecei o meu envolvimento no movimento estudantil e no movimento antiglobalização e estive nos primeiros anos do Bloco de Esquerda, projecto que abandonei quando a maioria do partido deixou de colocar o PS no arco da governação para o passar a ter em conta para uma alternativa política. O Zé que fazia falta ao PS na CML, foi mesmo o balão de ensaio da geringonça. Depois de sair do partido dediquei-me sobretudo ao movimento social e sindical, bem como à causa palestiniana. Sou um refugiado de Coimbra em Lisboa, antigo da República Prá-kys-tão, apreciador de futebol e de gastronomia e serei sempre antifascista antes de tudo o resto. Obrigado ao colectivo pela abertura das portas deste espaço, onde espero poder contribuir para a bonita história de longevidade e diversidade que o Aventar representa.

Não podia dar inicio à minha participação no Aventar sem a devida homenagem a João José Cardoso, com quem partilhei a experiência militante, o amor pela escrita e a paixão pela Briosa.

Alfredo Quintana (1988-2011)

Em memória do menino de Havana que veio para Portugal cumprir o desiderato de ser o melhor do mundo, e que nosso país, pátria que já era a sua de coração, se tornou grande e nos tornou grandes. Um gigante do desporto português. Uma força viva da natureza, com uma capacidade de trabalho, com uma entrega e com uma paixão abismal pela sua profissão. O nosso desporto ficou mais pobre. Adeus Alfredo. Obrigado por tudo!

Como era óbvio!

O Ministério da Saúde decidiu usar SMS para convocar pessoas com mais de 80 anos e pessoas com 50 a 79 anos que sofrem de comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica.

Conforme foi anunciado em início de Fevereiro, o SMS “vai ser a modalidade preferencial de convocatória das pessoas destes grupos, sempre que haja informação no sistema que permita esse contacto”, explicou o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro

Como é fácil de constatar, nesta faixa etária há enormes dificuldades no uso da tecnologia, pelo que se poderia prever este desfecho: “Apenas 55% dos convocados responderam ao SMS para serem vacinados contra a covid-19“. [Read more…]

Marcelino da Mata e outros instrumentos de propaganda

Não vou entrar no debate Herói VS Vilão. Na Guerra Colonial, o vilão era Salazar e o seu indissociável regime. Não havia outro. Todos os outros foram vítimas, umas mais que outras, e cada um fez as suas escolhas, mais ou menos condicionadas. Marcelino da Mata escolheu servir o regime fascista. Se o serviu por convicção, interesse ou medo, é dúvida que dificilmente será esclarecida. Podemos apenas especular. Mas isso também não interessa para nada! Porque a discussão que se gerou não foi sobre Marcelino da Mata, mas sobre o que certas forças quiseram que Marcelino da Mata representasse na hora da sua morte.

Digam o que disserem os saudosistas, Marcelino da Mata foi instrumentalizado pelo Estado Novo. Foi, literalmente, sem aspas, um instrumento de propaganda. Não está em causa se voluntariamente ou não. Poderá não o ter sido numa fase inicial, mas, seguramente, houve um momento em que percebeu qual o seu propósito e utilidade para o regime fascista: um negro leal ao regime opressor, que Salazar usou para dizer aos negros colonizados que aquela guerra não era entre a metrópole autoritária e as colónias subjugadas, mas entre um Portugal de todas as etnias e raças, que nunca existiu, e um bando de insurgentes criminosos, que calharam de ser todos negros e descendentes dos povos colonizados.

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Vai ficar tudo bem? Não,vai ficar tudo na mesma

A organização international ONE – que conta, no seu “board of directors”, com perigosos paladinos anti-capitalistas como David Cameron, Lawrence Summers, Sheryl Sandberg ou Bono Vox – publicou, no final da passada semana, um relatório que revela que o excedente de vacinas adquirido pelas nações mais ricas (UE, EUA, UK, Austrália, Canadá e Japão) seria suficiente para vacinar toda a população adulta do continente africano. Só que não, porque vamos todos sair disto mais unidos e fortes, a fazer corações com as mãos e a desenhar arco-íris nas janelas, a cantar kumbayas e o “põe tua mão na mão do meu Senhor”. E vai ficar tudo bem, eventualmente, excepto para aqueles que nasceram do lado errado da sociedade capitalista.

“Vida digna”, disse António Costa

Entretanto, do alto da sua função de presidente temporário e decorativo da burocracilândia europeia, António Costa quer um salário mínimo europeu que permita uma “vida digna” aos cidadãos da União, enquanto milhares de cidadãos do país que governa, dos sectores mais afectados pela crise, os chamados “não-essenciais” (apesar de essenciais para quem deles depende para comer e pagar as contas básicas), submergem na degradação provocada pelo abandono e pela ausência de soluções concretas, aprofundando a discórdia e a fractura social, a divisão e o confronto, que, em bom rigor, lhe permitem continuar a reinar. Que se desenrasquem, dizem uns. Que morram os velhos, dizem outros. Que triste enfrentamento, penso eu. E que excelente oportunidade de capitalizar com o sofrimento e a revolta, afirmará o neofascista de serviço, enquanto esfrega as mãos e se passeia, aos saltinhos de coelho-anão, por entre a merda que espalhou por todo o lado.

Sem um Plano Nacional de Vacinação Brasil segue no caos

O Brasil já ultrapassa 240 mil mortes pela covid 19 e a (falta) de gestão bolsonarista segue aumentando o número de mortos. Fakenews, negacionismo, teatro para manter a boiada  cativa enquanto líderes tomam vacina na calada e falta de um plano nacional de vacinação, colocaram o país na berlinda. Para completar; várias denuncias de vacina fake, onde pessoas não são vacinadas de fato, além de doses inteiras perdidas por má gestão municipal. Parece um roteiro de um filme de terror mas está acontecendo na vida surreal brasileira.

 

Organograma: a repetitiva, populista e demagógica cassete do fascismo português


Neste organograma, podemos contemplar o funcionamento simplificado do falso patriotismo e do racismo primário, inerentes à condição de militante/simpatizante da extrema-direita portuguesa, ela própria uma existência simplificada, falsa e primária. Nunca falha. Vira a cassete e toca a mesma.

Prof. Saúde & Investigadores

Obrigado a todos os profissionais que nos hospitais asseguram o bom funcionamento dos regulares serviços de saúde e simultaneamente lutam contra a Covid. Obrigado a todos investigadores que ajudam a conhecer o vírus, a combatê-lo e se batem contra a desinformação. Este Benjamin Biolay é para vós, merecem-no.