Lambedoras de quê, Dr. Renato Serrano Vieira?

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“Woman performing cunnilingus on another woman”, de Achille Devéria

Não admira que os humoristas não “deslarguem” o juiz Neto de Moura. E, há que dizê-lo com frontalidade, como dizia o pai deles todos, que tanto Ricardo Araújo Pereira, como a dupla Quadros/Nogueira, foram exímios na mais recente sentença que aplicaram ao juiz do momento.

E se não fosse já suficientemente cómico, ver um juiz que considera que ofensas verbais e ameaças “não revelam uma carga de ilicitude particularmente acentuada”, surgir agora no papel de virgem ofendida, por não conseguir encaixar meia-dúzia de crónicas ou sketches humorísticos, preparado para processar meio mundo, eis que descobri outra pérola, digna de registo: então não é que a escolha de Neto de Moura para defender a sua honra é o advogado Renato Serrano Vieira? [Read more…]

Quererão os juízes transformar-se na classe mais odiada em Portugal?

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Quero começar por dizer que tenho máximo respeito pelo princípio de separação de poderes, que entendo ser condição sine qua non para a existência de uma verdadeira democracia, e que respeito (quase todos) os juízes portugueses que, acredito, não conseguem mais resultados por vivermos num país onde praticamente toda a coisa pública está viciada.

Posto isto, e sem mais demoras, o assunto do momento: Neto de Moura. Não vou perder grande tempo com uma cronologia que todos conhecemos, ou não estivesse ela em todo o lado. Conhecemos os polémicos acórdãos, as considerações bíblicas que não têm lugar no ordenamento jurídico de uma democracia liberal e a forma como o juiz desvalorizou actos de violência atroz. E, estou disso convencido, existe unanimidade entre a sociedade portuguesa, no que à condenação da conduta de Neto de Moura diz respeito. [Read more…]

Essa coisa da “honra”…

Poderá ser especificidade conotativa minha, mas ouvir falar em “honra” provoca no meu córtex cerebral a desbobinagem de um filme antigo e mau: vejo homens violentos a matarem ou “castigarem” a mulher, filhas ou irmãs “desonradas” (e/ou eventualmente os supostos rivais) para “lavarem” com sangue a “honra” da família…

Sou tresladada por via de maior incidência para a Índia, Turquia, Bangladesh ou Egipto, assisto mentalmente ao enterro de mulheres vivas ou ao seu apedrejamento pela vergonha que trouxeram à “honra” da família…

Sinto espetar-se-me na nuca a ponta aguçada da dupla moral.

“Honra”, na minha idiossincrasia, está nos antípodas de “dignidade”, que associo aos direitos humanos e ao Artigo 1 das constituições portuguesa e alemã.

Fui verificar; o dicionário diz que o significado é o mesmo; pois será, mas não sinto assim.

Aliás, “honra” também é: Virgindade ou castidade sexual, em geral nas mulheres (ex.: perder a honra)

Vem isto ao caso de um certo juiz ter declarado que vai processar quem o criticou no contexto de decisões em casos de violência doméstica por sentir ofendida a sua “honra pessoal e profissional”. Logo a “honra” sr. Juiz? ??? Isto será puro acaso??? Não estou a reconhecer aí o exacerbado ego machista a abespinhar-se?

Acalme-se, olhe que até Vital Moreira comenta que “não lembrava ao diabo a ideia de o Juiz-Desembargador Neto de Moura de acionar judicialmente, para efeitos de reparação de danos, por alegado atentado à sua honra, todos os que (políticos, comentadores e, mesmo humoristas!) comentaram com maior ou menor severidade, aliás merecida, as suas bizarras conceções acerca das mulheres quando vítimas de violência doméstica”, começa por escrever, considerando que, com esta decisão, o juiz arrisca a “tornar-se no bombo da festa de todos os humoristas deste País”.

Essa coisa da “honra” dá sempre para o torto.

Alessandra Strutzel, a merda que resulta do politicamente incorrecto

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Este monstro cruel e hediondo, que dá pelo nome de Alessandra Strutzel, está longe de ser um caso isolado. A blogger brasileira é até bastante representativa daquilo que é parte muito significativa do eleitorado de Jair Bolsonaro, repleto de defensores da violência indiscriminada, que sonham com o regresso da tortura e com fuzilamentos à moda antiga, que querem ser livres para espancar homossexuais, e quem diz homossexuais diz a própria mulher, ou outra mulher qualquer, e que desejam armas, muitas armas na rua. Gente que celebra o torturador Ustra ou a morte de Marielle Franco. É deste tipo de “gente” que estamos a falar. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XXVIII – Justiça Perdida

Quando uma sociedade deixa de acreditar na justiça é o princípio do fim.

As decisões do juiz Neto de Moura e dos seus pares – sim, como bem lembrou o Professor Aguiar Conraria no último programa “Governo Sombra” da TVI 24 as decisões deste juiz não foram tomadas apenas por ele – são uma machadada na credibilidade da justiça em Portugal. A ameaça de processar todos aqueles que o criticam e a posição tomada pela Associação de Juízes é a cereja no topo do bolo.

Tempos perigosos estes…

 

Entre a censura e o negócio – Objectivo: O controlo total

1- “O problema é que é esse mesmo mecanismo que está a matar a privacidade, a minar a democracia, a aumentar a crise da imprensa livre e a promover genocídios.

Esta semana a plataforma (FB) bloqueou o acesso à ProPublica, um serviço noticioso de investigação que se especializa na investigação da qualidade cívica e que já ganhou um Pulitzer de Serviço Público. O que a Propublica fazia era um ato de transparência: expunha aos utilizadores a forma como os seus perfis eram utilizados no Facebook e que anúncios chegavam a quem, permitindo o escrutínio e forçando a transparência que são essenciais nas sociedades liberais.”

2- “A privacidade está a ser substituída pela tecnovigilância e a transparência dos algoritmos é impossível de conseguir. Em causa fica o livre arbítrio e toda a ideia da sociedade aberta.

O modelo de negócio das grandes empresas digitais assenta na recolha e utilização da maior quantidade possível de dados pessoais, frequentemente de forma ilegal e certamente anti-ética. E depois usa esses dados com um determinismo sócio-tecnológico que nega o reconhecimento do indivíduo.

A Amazon, que alberga a grande maioria da internet no seu negócio de servidores, tem contratos de milhares de milhões com os serviços militares e de segurança do governo americano; a Google, que domina o negócio das nossas personagens digitais (desde as pesquisas na internet ao conteúdo dos emails) faz o mesmo e negoceia individualmente com governos vários o acesso a informações sensíveis.

A vigilância transforma-se rapidamente em controlo de formas que são cada vez mais cinzentas, como já acontece em França numa parceria entre o Eliseu e o Facebook para policiar o discurso de ódio. Some-se a isto as tecnologias de reconhecimento facial e de voz e temos todas as características de um estado policial em formação.” [Read more…]

Descrédito social

23 milhões de chineses foram impedidos de comprarem viagens pelo governo chinês, em consequência do sistema de crédito social.

“De acordo com o Centro Nacional de Informações ao Crédito Público, os tribunais chineses proibiram viajantes de comprar voos 17,5 milhões de vezes até o final de 2018. Cidadãos colocados em listas negras de crimes de crédito social foram impedidos de comprar bilhetes de comboio 5,5 milhões de vezes. O relatório divulgado na semana passada referia: “Uma vez desacreditados, limitado em todos os lugares”. ” [The Guardian]

O sistema de crédito social da China foi comparado ao Black Mirror, Big Brother e a todas as outras distopias que os escritores de ficção científica possam pensar. A realidade é mais complicada – e, de certa forma, pior.

Não se pense que o conceito é estranho na Europa. O mesmo princípio subjacente ao crédito social existe igualmente nas bonificações dos seguros, no sistema de reputação em sites como YouTube, eBay e Amazon e na avaliação mútua de passageiros e condutores da Uber.

É uma questão de até onde se irá ente nós, sendo sabido que os interesses comerciais e políticos pressionam nesse sentido. Os cidadãos, nesta Europa das decisões autistas, têm pouco poder. Ironicamente, é possível que um sistema de crédito social aplicado aos políticos fosse mais eficaz do que o voto eleitoral. A questão é o que traria a seguir o cavalo de Tróia.

Aventar – Foi há 10 anos

No dia 30 deste mês que hoje se inicia, o Aventar vai comemorar 10 anos.

Uma década não é muito. Aliás, uma década não é nada. Num universo de milhares de milhões de anos e de milhares e milhões de pessoas, o que são 10 anos? O que é uma pessoa?

Ainda assim, porque cada um de nós tem uma história, queremos assinalar a data. Porque o Aventar tem sido muito importante na nossa vida. E porque vai perdurar mesmo depois do fim. Por muitas razões, mas sobretudo pelas amizades que se fizeram por aqui ao longo deste tempo.

Queremos que comemorem connosco. Escrevendo, que é o que se faz por aqui. Autores, ex-autores, comentadores, leitores, bloggers, políticos, humoristas e por aí fora. Sobre o que quiserem e da forma que quiserem. Nem que seja para dizerem mal de nós, que poder de encaixe é o que não falta ao pessoal (bem, a alguns…).

Estão todos convidados. O mail para envio dos textos é este:
e

O estado a que a justiça chegou e o canto da sereia de cabeça rapada

Após a decisão do juiz Neto de Moura, que mandou retirar a pulseira electrónica ao indivíduo condenado a 2 anos e 8 meses de pena suspensa por rebentar o tímpano da mulher ao soco, a vítima que a Justiça Portuguesa se recusa a auxiliar foi novamente ameaçada pelo agressor.

Chegará o dia em que ninguém mais acreditará nesta espécie de justiça, fraca com os fortes e forte com os fracos, permissiva com a violência exercida sobre os mais frágeis, mas também com a corrupção e com outras formas de criminalidade que engordam as carteiras de uma certa elite de traficantes de influências e poder.

Nesse dia, suspeito, aparecerão por aí uns tipos sinistros, de suástica no braço e crucifixo ao peito, a prometer justiça divina, respeito e ordem, mas apenas para aqueles que pensarem como eles. Não sei quanto a vocês, mas eu vou sentir saudades da liberdade. Resta saber quanto tempo irá a maioria aguentar o estado a que isto chegou, sem se render ao canto da sereia de cabeça rapada.

Portugal, um país de brandos costumes onde se espancam mulheres ao abrigo da lei

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Extracto do acórdão do Tribunal da Relação do Porto assinado pelo juiz Neto de Moura

Em Portugal, um indivíduo que deseje rebentar com o tímpano da sua mulher ao soco pode fazê-lo, sem que tal resulte em consequências particularmente relevantes para a sua existência. Foi o que aconteceu recentemente com um desses indivíduos, a quem foi aplicada pena suspensa de dois anos e oito meses, e ao qual o célebre juiz desembargador Neto de Moura decidiu retirar a pulseira electrónica, porque, na República das Bananas Portuguesas, a aplicação da pulseira electrónica, em casos como este, segundo pude apurar, depende da vontade da indivíduo que se entretém a espancar da sua mulher. O que, convenhamos, faz todo o sentido. Era o que mais faltava, um homem não poder rebentar com o tímpano da mulher ao soco, no recato do lar, e ainda ser forçado a usar uma pulseira electrónica, como se de um criminoso se tratasse. Se não se põe mão nelas, qualquer dia querem salários e direitos iguais. O que nos vale são mulheres como Joana Bento Rodrigues, que estão cá para nos recordar que o lugar da mulher é na cozinha.

Uma lufada de ar fresco

mais que necessária, depois do enjoo provocado por este expoente de tacanhice feminina.
Para a huelga, estão convidados todos os homens de bem.

Paula, despejada e sem talento

Paula

Foto via Esquerda.net

Paula, uma reclusa a cumprir pena por tráfico de droga em Santa Cruz do Bispo, foi despejada pela CM do Porto, apesar de, segundo pude apurar, nunca ter deixado de pagar a renda e as contas. Foi despejada porque a autarquia quis e tem poder para o fazer. Mandou retirar os seus bens da habitação, no chiquérrimo Bairro do Lagarteiro, trocou a fechadura e deixou mais uma casa vazia, numa cidade de preços exorbitantes onde tantos dormem na rua. Agora, Paula e os seus três filhos ficaram sem tecto. É a sociedade civil a fazer o seu papel e a reinserção social a funcionar em pleno. [Read more…]

O tudólogo d’Entre Douro e Minho

[maquinistas.org]

Chegou ao nosso conhecimento esta pérola do tudismo, actividade muito peculiar da cultura Portuguesa, onde alguém, que não percebe absolutamente nada de um determinado assunto, se põe a fazer opinações de fundo sobre o mesmo na imprensa. Não que ponhamos em causa o irrevogável direito de o fazer, que defendemos solenemente, mas sim a obrigação moral que quem está no mundo da política tem de se pautar como um exemplo ético para a sociedade (nem que seja de aparências!).

Ricardo Santos, Engenheiro de Software, ex-líder da JSD Paredes, candidato vencido à concelhia de Paredes do seu partido, membro da Assembleia Municipal de Paredes e aparentemente tudólogo de serviço à coluna de opinião do Verdadeiro Olhar, emanou o seu parecer sobre o projecto da linha do Vale do Sousa através da referida publicação. E, do alto da sua sapiência de tudólogo, aparentemente não gostou… [Read more…]

Os rankings e o colaboracionismo dos professores

Copio do facebook do José Gabriel, com uma vénia demorada, um excerto que corresponde àquilo que penso sobre a publicação dos rankings, ou melhor, sobre o modo como os rankings são interpretados: «Esta fraude estatística, destinada, inicialmente, a acalmar os ardores hormonais das direcções do Público – e, como é costume, a sangrar o erário público a favor das empresas privadas -, transformou-se numa anedota de efeitos nefastos e pasto fácil de comentários analfabetos.»

Não me espanta, portanto, que os ignorantes atrevidos e mal-intencionados continuem a transformar este rito anual num momento de propagação da ideia de que os rankings são um instrumento de avaliação do trabalho das escolas.

Também já não me espanta, por ser habitual, que, ao fim destes anos todos, directores de escolas e professores se tenham deixado contaminar por esta febre, ao ponto de comemorarem subidas em rankings ou de transformarem descidas em momentos de pura depressão, aceitando méritos ou culpas que não lhes cabem completamente, contribuindo para que a Educação não seja verdadeiramente discutida, aceitando o pensamento simplista de que o sucesso dos alunos depende apenas das escolas ou a ideia de que as escolas devem assumir uma atitude de concorrência empresarial, desvirtuando, afinal, a sua função.

Um dos problemas da Educação – que são muitos – consiste, cada vez mais, no facto de que os professores interiorizam – ou normalizam, como está na moda – os disparates proferidos e impostos por ignorantes e vendedores de banha da cobra com poder político e/ou mediático. Quando, numa área de actividade, os profissionais agem contra a própria área, a esperança é cada vez menor. Hoje, é dia de rankings: não faltarão patetices.

Odorico Paraguaçu é o Secretário de Estado da Energia

Odorico Paraguaçu é uma personagem aparentemente ficcional (porque é a realidade que, de tão absurda, parece verdadeira ficção). Odorico ganhou as eleições para a prefeitura de Sucupira, graças ao seu verbo e à promessa de criar um cemitério. Este espaço, depois de inaugurado, ficou às moscas, porque as pessoas insistiam em não morrer, para raiva e desgosto do prefeito.

João Galamba, uma criação socrática reciclada por António Costa, deslocou-se ao concelho da Guarda, na qualidade de Secretário de Estado da Energia, e, anunciando investimentos na região de uma empresa chinesa conhecida por EDP, levantou o queixo na direcção dos munícipes, exigindo-lhes que consumam mais, quase anunciando que, caso não o façam, serão mal agradecidos. Se coubesse ao Estado abrir bordéis, sendo Galamba secretário de Estado da prostituição, imagino o que estaria a exigir, neste momento, aos habitantes da Guarda.

Já se imagina, entretanto, nos lares egitanienses, as reprimendas que os pais passarão a dirigir aos filhos: “Então tu, minha besta quadrada, vens para a sala e apagas a luz da cozinha? Tu queres a ruína da Three Gorges, queres que o senhor Mexia tenha menos uma gravata  e que o senhor Galamba receba um puxão de orelhas do senhor primeiro-ministro? Vá lá acender a luz e aproveita e liga dois aquecedores, já! O que é que disseste?! Estamos no Verão? Ó rapaz, tu até me tiras do sério, pá! Vais já de castigo para o teu quarto e ligas o computador, a televisão e a playstation! Eu que veja que está escuro, meu animal!”

Dias Gomes está às voltas na tumba, triste por descobrir que, afinal, a realidade é um guionista verdadeiramente genial: Galamba será menos tétrico, mas não fica atrás de Odorico.

O fato de apresentação

If ifs and buts were candy and nuts we’d all have a Merry Christmas.
Sheldon

Acquisition takes time; it takes far more than five hours per week over nine months to acquire the subjunctive.
Stephen Krashen

***

Como ontem e anteontem, temos na epígrafe uma referência ao conjuntivo. Como ontem e anteontem, temos grafias exóticas, no sítio do costume:

Amanhã e depois de amanhã, felizmente, é fim-de-semana e não há Diário da República. Efectivamente, fim-de-semana: com hifenes, com certeza, logo, sem fatos e sem contatos no sítio do costume. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Os hospitais privados e a ADSE

Sem rodeios, a gestão hospitalar privada faz-me pensar num filme saído da sequela animada pela personagem Don Corleone, faltando-lhe, no entanto, o lado lúdico. Em O Padrinho, Marlon Brandon, Robert De Niro e Al Pacino seguem um caminho de poder, dinheiro, esquemas e spaghetti emocional, embrulhado numa melancolia musical por vezes interrompida por uma tarantela.

Nos hospitais privados, a música é outra e teria o som dos euros a cair, caso os electrões fizessem barulho ao passar pelo terminal Multibanco.

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Quer um milagre? Verifique os horários e passe numa IURD perto de si

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Todos os Domingos, numa IURD perto de si, há milagres às 07h30, às 09h30, às 15h e às 18h. É só escolher a hora e o milagre pretendido. E não se esqueça de pagar o dízimo, que a obra social de Edir Macedo, livre de encargos fiscais, precisa de si!

Engenharia e evasão fiscal: a receita para o sucesso do eterno aumento da desigualdade

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Imagem via The National Business Review

Os lucros actualmente obtidos por gigantes como a Google ou o Facebook, que vivem essencialmente daquilo que quase todos, directa ou indirectamente, lhes damos voluntariamente, colocam estas empresas, a par de outras tecnológicas como a Amazon ou a Alibaba, entre as entidades mais poderosas do mundo. Não existem, nos dias que correm, muitos chefes de Estado ou de governo com poder efectivo comparável ao de pessoas como Larry Page, Jeff Bezos ou Mark Zuckerberg, apenas para citar alguns nomes da nova oligarquia mundial.

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Edir Macedo: impunidade e vigarice, livre de encargos fiscais

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Na foto, o elevador do bólide de Edir Macedo, no seu luxuoso apartamento em Miami, pago com donativos dos fiéis da IURD em Portugal

Estive ontem a ver a reportagem que passou na TVI sobre a IURD, da jornalista Alexandra Borges, que aconselho vivamente. E devo dizer, apesar de não ter ficado minimamente surpreendido com o conteúdo, que as façanhas do terrorista social Edir Macedo nunca desiludem nem cessam de elevar a fasquia do que de mais reles e desprezível existe no ser humano. Macedo é absolutamente repugnante. Um nojo sem igual. Não admira que tente impedir o seu rebanho de ver notícias, ler jornais, ouvir rádio ou consultar as redes sociais durante estes dias. Quem deve, teme. [Read more…]

Upgrade

Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal, Invicta e Destino Mais Instagramável de 2019 Cidade do Porto.

As reivindicações dos enfermeiros são justas?

Esta é a pergunta cuja resposta interessa verdadeiramente conhecer. O problema, no entanto, está no muito ruído que é gerado à volta das greves.

António Costa considerou que a greve dos enfermeiros é “ilegal” e “selvagem”. O primeiro-ministro tem direito à sua opinião, embora o segundo adjectivo seja demasiado sensacionalista para que possa ser usado de modo leviano. Sendo licenciado em Direito, estará obrigado também a usar com parcimónia um termo como “ilegal”.

Os políticos, quando estão no poder têm, sobre greves, o mesmo discurso redondo: não está em causa o direito à greve, mas ou é injusta (mesmo selvagem) ou as reivindicações não poderão ser satisfeitas, porque o défice iria ser agravado, ou não é a altura ideal para se fazer greve. Os mesmos políticos, na oposição, são a favor das justas reivindicações dos trabalhadores e fazem de conta que não são igualmente culpados da destruição do sistema.

A Comunicação Social, nestas alturas, prefere o óbvio e entrevista os utentes que estão a ser prejudicados pela greve, como se houvesse greves sem incómodos. Há, com frequência, histórias de alguém que se tinha levantado de madrugada para ter uma consulta por que esperava há meses. Curiosamente, a Comunicação Social perde muito menos tempo a investigar os milhares de casos de pessoas que precisam de madrugar nos Centros de Saúde ou de consultas que só têm lugar muito tempo depois de serem marcadas. [Read more…]

E se forem todos culpados?

“Sou contra achar-se que todos os que passaram pela CGD são culpados” – Paulo Macedo

Aquele momento em que a SIC deixou de ser Notícias

Reduzida a opinião. Múpis com temas diversos versando um ponto de vista, em vez de uma notícia.

Há dias, a SIC publicou uma reportagem sobre fake news, olhando para as redes sociais e para os blogs de forma acusadora. Nunca precisaram de sair de casa, como agora novamente se constata.

imagem: jmc

Os cabelos brancos de Letizia

A mulher estava parada frente a uma montra de marmitas e lancheiras. Levava na mão um saco de uma loja famosa, já deslavado, destes que se conseguem uma vez e são usados todos os dias para transportar o almoço, as compras, a bata do trabalho, e duram anos até se romperem. Dentro do saco, via-se o cabeçalho da revista ¡Hola!.

A mulher esticava a cabeça para ver todos os preços das marmitas da montra, mas não se decidia a entrar. Passou um autocarro e o ruído deve tê-la feito tomar consciência de que já tinha perdido demasiado tempo. Seguiu caminho com passos rápidos. Por curiosidade, fui até ao quiosque ao lado e procurei a capa da ¡Hola!. Havia umas quantas mulheres, algumas desconhecidas para mim, mas a foto central era da rainha Letizia, de quem se garantia estar a “apostar na naturalidade” e orgulhosa dos seus cabelos brancos. Inclinei-me para ver melhor a foto. Os cabelos brancos da rainha resumiam-se a umas linhas estrategicamente dispersas por um cabelo imaculadamente castanho. Não eram cabelos brancos, eram madeixas de realismo pintadas com mestria para fazê-la parecer quase uma de nós.  [Read more…]

Com a Saúde brinca-se

Concorrência, meritocracia, eficiência e outros chavões aparentemente virtuosos foram o cavalo de Tróia que permitiu que os privados deitassem a mão a áreas essenciais da sociedade, como a Saúde ou a Educação. O empresarialês é a linguagem que tudo explica, disfarçando o que não é mais do que a sede de lucro. O gestor-economista-empreendedor-consultor é o guru da boa nova, a luz que guiará os ignaros.

Marcelo Rebelo de Sousa defende a existência de consensos no que se refere ao Serviço Nacional de Saúde, deixando a ameaça vetar o projecto de Lei de Bases da Saúde, caso não conte com voto favorável do PSD. Há pouco tempo, Luís Filipe Pereira, economista, claro!, e antigo ministro da Saúde de Passos Coelho, defendeu que deve haver mais parcerias público-privadas (PPP) na Saúde.

O desinvestimento nos hospitais públicos é mau para a saúde dos portugueses. As PPP são más para a saúde de Portugal. Tudo isto, no entanto, é bom para Luís Filipe Pereira e para Marcelo Rebelo de Sousa.

Jamaica

Pessoa amiga disse-me, há uns anos, depois de dar aulas a criancinhas de um bairro problemático, que nunca pensou ser possível odiar criancinhas de oito anos. Terão sido momentos, mas esses momentos em que o comportamento é todo bairro, já família, impõem a selvajaria na sala de aula, numa agressividade incontrolável, seja contra quem for. Coube a essa pessoa, irrepreensível, manter-se no seu posto, cumprindo um dever profissional e social, porque é a Escola que, tantas vezes, faz pelas crianças aquilo que família e sociedade não fazem, uns porque não sabem, outros porque não querem.

Imagino o que será a raiva reprimida de um polícia sério obrigado a lidar diariamente com gente agressiva que a sociedade mantém na pobreza e no crime ou com gente agressiva que se mantém na pobreza e no crime, que um pronome pode fazer diferença quanto às causas, mas não apaga a realidade. Explicar as razões de um crime não é, evidentemente, razão para perdoar um crime: se um polícia for agredido por um pobre ou por um negro, o pobre ou o negro continuam a ser criminosos, por muito que a vida lhes seja madrasta ou guarda prisional. [Read more…]

O marxismo e outros demónios

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Aprecio bastante esses grandes debates virtuais, por estes dias a propósito da mais recente crise política venezuelana, em que se mistura socialismo, comunismo, marxismo ou até – juro que vi – anarquismo, como todos estes conceitos correspondessem a uma e à mesma coisa. Alarvidades deste género, naturalmente, servem na perfeição a agenda de estupidificação promovida por certos sectores à direita, uns assumidamente violentos e antidemocráticos, outros aparentemente muito bonzinhos e cristãos, apesar de servirem, entre outras coisas, de asilo para o que sobrou do energúmeno salazarismo. [Read more…]

A arte como solução contra a epidemia de plástico no oceano e nas praias portuguesas

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Apresento-vos Goby, The Fish. Trata-se de um escultura feita de arame e malha de ferro ou aço, a fonte não é esclarecedora, instalada numa praia não faço ideia onde, algo que de resto é complemente irrelevante para o caso, onde se pode ler: “Goby loves plastic, please feed him”.

Esta foi a solução que as autoridades locais encontraram para substituir os velhos contentores. E o sucesso foi imediato, principalmente entre as crianças. Todas querem alimentar o Goby! E quanto mais se alimenta o Goby, menos plástico fica no areal das praias. Menos plástico chega ao oceano, que, neste ritmo, poderá em 2050 ter mais plástico do que peixes. [Read more…]

Isto sim, tresanda a estalinismo e fascismo por todos os lados

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Imagem: Fernando Pessoa – Heterónimo, 1978, óleo sobre tela de António Costa Pinheiro

Vivem-se tempos de polarização, de radicalizações mil, marcados pelo regresso de fantasmas de outros tempos, que procuram usar a democracia e a liberdade de expressão na tentativa de as suprimir.

Fruto deste extremar de posições, que alimenta discursos cada vez mais carregados de ódio e ignorância, termos como “fascista” ou “estalinista” são usados e abusados, e servem hoje para tudo e mais alguma coisa. O governo português, por exemplo, é estalinista. Os conservadores, por seu lado, são fascistas. Hitler, segundo algumas almas perdidas que deambulam pelas redes sociais (e em alguns projectos políticos travestidos de jornais), era socialista, porque o nome do seu partido incluía o termo. Qualquer dia, ainda nos tentam convencer que a República Popular Democrática da Coreia do Norte é uma democracia. [Read more…]