Monte negro e Moedas pretas

Temos que escolher pessoas mais compatíveis com o nosso modo de vida. Procurar pelo mundo comunidades que melhor possam interagir com os portugueses

Esta frase, ao contrário do que possa parecer, não foi dita pelo líder da extrema-direita portuguesa. Foi dita pelo proto-líder da oposição, o presidente do PPD sem SD, Luís Montenegro, aos microfones abertos de alguns jornalistas, quando questionado sobre o incêndio que vitimou duas pessoas imigrantes na Mouraria.

Traduzindo, diz o líder dos laranjas que imigrantes em Portugal só se forem da nossa cor, partilhem da mesma cultura e tenham muitos euros na conta (numa offshore suíça, de preferência). A maçonaria fez muito mal a Luís Montenegro (e o legado de Passos Coelho, também).

O PPD vive este dilema (e não é se assume, ou não, a herança de Pedro Passos Coelho – essa herança passeiam-na com bastante orgulho): se se afasta do CHEGA para conquistar eleitorado ao centro (e, por conseguinte, ao Partido – quase nada – Socialista) ou se se cola à extrema-direita para ir buscar eleitores que, descontentes, votaram nos proto-fascistas portugueses. Nuns dias, aparece-nos como moderado, dizendo que quer voltar a ocupar o centrão e a pôr de parte o papão da extrema-direita; noutros, decide imbuir-se do espírito populista e demagogo que André Ventura e a sua máfia destilam por esse Portugal afora. Mas terá de se decidir rapidamente. Ou quer ser o partido do centro e tirar o lugar ao PS, ou quer ocupar a direita inteira, fazendo também o papel dos populistas. O Montenegro só cá quer montes brancos. 

Se Luís Montenegro não se galvanizar e não for galvanizado, Carlos Moedas, hoje presidente da Câmara Municipal de Lisboa, estará à coca para lhe ocupar o lugar. Mas, infelizmente para os portugueses, Moedas decidiu, também, abrir a bocarra para nos fazer sentir o seu bafo de onça.

Imigrantes em Portugal só se tiverem contrato de trabalho

A tradução: imigrantes em Portugal só endinheirados e montados num unicórnio colorido que vomite muitos euros. Moedas não quer cá moedas pretas.

Portanto, talvez seja ainda pior a emenda do que o soneto. E se é este tipo de posições políticas e este tipo de políticos que o PPD tem para oferecer, a bem que se juntem ao CDS e se enterrem na mesma campa, porque para lá caminham. Um partido que está refém da extrema-direita, pois sabe que não chegará ao poder sem a ajuda do ex-militante André Ventura (um prodígio, convém lembrar, lançado por Passos Coelho), é um partido que não pode, em condições algumas, governar Portugal.

Lia por aqui sobre os dilemas do PPD na assunção da herança de Passos. Não há qualquer dilema: o PPD juntar-se-á à extrema-direita, que foi uma criação do ex-Primeiro-ministro, e tem todo o orgulho em fazê-lo, por muito que o esconda para não parecer mal (e Miguel Pinto Luz – e, imagine-se, Miguel Relvas – já não o esconde). Pedro Passos Coelho baixou as calças do PPD e mostrou o olho a André Ventura, que se lambuzou todo e está, desde 2017, a sodomizar o partido de Sá Carneiro.

André Ventura enfiou o braço todo no PSD. Bem até lá ao fundo. E eles estão a adorar. É um amor de perdição.

PSD: O dilema

O PSD pós Passos tem mesmo um problema grave. Estava a ver o Expresso da Meia Noite. Tema, os professores. Professores e jornalistas a dar pau no governo. Ok. Fala a representante do PSD e TODOS lembram 28 mil profs mandados borda fora, congelamento dos salários, etc. Mudou logo a agulha…..

Não estou nem a criticar nem a elogiar. Estou a constatar um facto. Ou o PSD assume integralmente as políticas do passismo (boas ou más não discuto) ou então terá de fazer um corte radical com o passismo. Se ficar no meio da ponte não sobrevive.

Bora para a ponte 25 de Abril….

Eu até concordo com a assessora do Ministério do Trabalho. Vamos todos para a Ponte 25 de Abril, com as “nikes” calçadas e munidos dos nossos suplementos. Vai ser o máximo e sempre dão umas fotos do caraças no insta…. Bora lá Inês, “tamo juntos”

Uma inócua nótula sobre o ChatGPT e mais do mesmo no sítio do costume

Dear reader, we have a confession to make.
— Vogel & Hamann, JLL 12 (2023): 1–7 (pdf)

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Hoje de manhã, ao ler que Chomsky se pronunciara sobre o ChatGPT nos seguintes termos:

No fundo, é plágio de alta tecnologia e uma forma de fugir à aprendizagem,

lembrei-de vos recomendar cinco artigos importantes para este momento de reflexão:

Os dois últimos foram publicados nesta Nature (v. 613, n. 7945 ), com esta belíssima capa:

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Mudando de assunto, eis mais um maravilhoso exemplo da ortografia actualmente aplicada em Portugal: [Read more…]

Quem regula o PS?

Santos Silva tem razão. As redes sociais estão a enfraquecer as instituições. Mas nada que se compare ainda aos danos causados por partidos como o PS que, com os seus boys, má gestão pública e esquemas mais ou menos corruptos, enfraquece transversalmente a democracia e estende a passadeira vermelha aos herdeiros de Salazar.

Mais vale tarde….

…que nunca:

Depois de lhe ter feito, aqui no Aventar, uma critica sobre a questão PSD/Chega não me custa nada publicar esta sua intervenção que contraria os meus piores receios. Antes assim.

Para quem não gosta da Greta…

 

Os ataques a Greta Thunberg são virulentos e baixos, disparam em todas as direcções. Para quem se incomoda com ela e prefira ouvir a mesma mensagem por uma rapariga alemã mais bem-apresentada, aqui fica ela, Luisa Neubauer. Companheira de Greta e de muitas outras. Fala-nos dos contos de fadas que nos contam e termina:

“Esse novo amanhã não será à medida daqueles que nos conduziram a este caos e em quem não temos razão para confiar e que querem sentar-se à mesma mesa que nós, mas que nunca se sentarão ao nosso lado. Mas será construído para todos os outros, colocará as pessoas acima dos lucros e as vidas acima dos combustíveis fósseis. Será justo e seguro, por fim. Por isso eu diria, mãos ao trabalho.”

Não é novo, mas é sempre bom ouvir. E querer acreditar que David conseguirá vencer Golias. Olhando em volta, não temos razões para pensar que isso será provável. Mas não desistir faz parte da remota (im)possibilidade. E empresta sentido.

As jornadas do contentamento do sistema

Hoje, graças ao João Mendes, tropecei naquele que é, até agora, o melhor artigo sobre as jornadas da juventude. Está no Página Um e é do Eng. Tiago Franco:

“É legal, bem sei. É uma opção política num país laico, certamente. Não podia o Banco do Vaticano fazer uma vaquinha e raspar uma ou outra parede para entregar o ouro à Mota-Engil? Isso é que seria uma multiplicação dos pães bonita de se ver”

Clicando na citação acedem ao artigo. Só duas notas: infelizmente não nos vai custar 40 milhões mas muito mais e não são 100 mil jovens. Igualmente, muito mais. O que ainda agrava as conclusões….

 

Pela criação de uma Entidade Reguladora da Charlatanice

Se estamos numa de apelar, queria aqui apelar à criação da Entidade Reguladora da Charlatanice, para supervisionar vendedores de curas milagrosas a troco de dízimos, personal coaches de cenas cósmicas, que garantem que ficamos milionários se quisermos muito, e burlões populistas com santos no calçado e lágrimas de crocodilo. São mais perigosos que a unipessoal do André Ventura. Porque André Ventura, honra lhe seja feita, diz ao que vem. Os charlatões são mais dissimulados. Todo o cuidado é pouco.

O “sistema” em defesa de André Ventura: o caso de Miguel Relvas

Disse Miguel Relvas, a propósito da integração da extrema-direita num governo PSD:

A verdade é que  há um grande preconceito por parte da comunicação social e do país em relação ao discurso do CH e à imagem do CH.

Mas Relvas não partilha desse preconceito. Aliás, não lhe repugnaria ver o CH integrado num governo PSD. Se dúvidas restassem sobre a capacidade da elite capitalista em acolher a extrema-direita nos seus braços, Relvas foi claro e transparente a esse respeito. Coisa que Montenegro, entre uma dissimulação e outra, não conseguiu ainda ser, apesar de ser evidente, o caminho que pretende seguir.

P.S: Se André Ventura é tão “antissistema” como afirma ser, estou certo que rapidamente se afastará deste endorsement. Ou expõe ainda mais a sua hipocrisia e a falsidade da sua narrativa.

Bons tempos…

… aqueles em que Nossa Senhora apareceu numa azinheira. Primeiro a 3 pastorinhos e depois perante uma pequena multidão.

Houve lugar a efeitos especiais desde clarões, mar de fogo, demónios, anjo com uma espada a jorrar fogo, trovões, relâmpagos, fenómenos atmosféricos, etc.

Nesse tempo, Nossa Senhora até terá recusado curar um paralítico ou tirá-lo da pobreza. Antes terá dito para que rezasse o terço e que lhe daria meios de subsistência. Numa lógica “Não o cures. Ensina-lhe a ganhar a vida”.

Certo foi que o Estado português não gastou um tostão. A produção foi toda de borla!

Foi tudo feito com recurso à natureza e, claro está, a um ou outro poder divino para dar aquele sainete de coisa fenomenal para converter os mais incréus.

Hoje, gastam-se milhões só num palco, para receber o Papa e as Jornadas Mundiais da Juventude. Especulam-se preços. Descoordena-se a coordenação. E temos Carlos Moedas a clamar “Eu quero o Papa!”, quando se fala acerca de gastos financeiros.

Imaginem se era a vinda de Nossa Senhora!

Ui! Ia ser bonito…

Este materialismo selvagem de hoje, está tipo a desvirtuar completamente a cena da fé.

Porto: E quando volta o presidente?

Foto Fernando Veludo / Lusa

Quando foi criada a lei de limitação de mandatos para os Presidentes de Câmara fiquei dividido. Por um lado compreendia a necessidade mas, pelo outro lado, temi pelos últimos mandatos e o efeito “ser não o sendo“. Este efeito pode ter múltiplas consequências. Uma delas é um certo desprendimento às responsabilidades para as quais se foi eleito, utilizando uma linguagem cuidada. Na minha terra, o Porto, existe uma expressão que define este estado de alma noutro género linguístico: o “que se foda“.

Uns dias antes de regressar ao Porto tinha lido um pequeno texto do Professor Rui Albuquerque na sua página de facebook sobre os sem abrigo na cidade. Citando:

“Porto, Rua do Campo Alegre, princípio de manhã de uma quinta-feira chuvosa. Quem desce, à direita, debaixo das arcadas de um prédio de habitação, oito miseráveis dormiam no chão, muitos, ou todos, provavelmente ainda a ressacar. Urina, lixo, detritos por todos os lados. Trezentos metros mais abaixo, à esquerda, no Fluvial, encostadas ao muro de uma escarpa relvada que ladeia prédios de habitação, mais de dez barracas onde habitam outros miseráveis e toxicodependentes. Em volta, urina, detritos, lixo. Meia hora mais tarde, chegado à Praça da Batalha, ladeio o Teatro Nacional de S. João. Nos nichos do prédio habitam agora inúmeros miseráveis, alguns, provavelmente todos, toxicodependentes. Montam tendas nas reentrâncias do edifício, onde outrora se viam portas da fachada lateral. No passeio, urina, detritos, lixo abundante”. Rui  Albuquerque, Novembro de 2022.

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É preciso ter Olhão, mas a PSP não tem olhinhos

Imagem retirada de Rádio Renascença.

Nos últimos dias, muito se especulou acerca da origem e das motivações dos gandulos que agrediram um cidadão imigrante em Olhão.

Lia ontem no jornal Público que, supostamente, estes faziam parte de uma classe sócio-económica mais baixa, viviam num bairro ”problemático” (adjectivação bacoca e discriminatória), não estudavam nem trabalhavam. Ora, tendo os jovens idades compreendidas entre os 16 e os 19 anos, achei muito estranho que, pelo menos, não estudassem, uma vez que até aos 18 anos está em vigor a escolaridade obrigatória (12° ano). Se, como dizia o Público, “não estudam”, então saber-se-ia se a CPCJ e outros acompanhavam, ou não, os jovens e respectivas famílias (mas a notícia era omissa em relação a isso).

Hoje, no Expresso, ficamos a saber que estes jovens não são de nenhum bairro social “problemático”, mas sim “jovens bem enquadrados socialmente”. Trocado por miúdos (no pun intended), são jovens que não passam dificuldades sócio-económicas de sobremaneira. Apenas um desses jovens faz parte do tal bairro mencionado na notícia do Público de ontem.

Diz a PSP que acredita que a motivação dos jovens criminosos é apenas o roubo e que os ataques a imigrantes, por parte do grupo, são meramente feitos por estes (os imigrantes) serem “alvos fáceis”, afastando a hipótese de xenofobia. Vamos lá ver uma coisa: a PSP não tem formação sobre o que são as várias formas de discriminação? É que, segundo entendo, atacar um imigrante (ou vários) por estes, no entender de quem ataca, serem “alvos fáceis” e, assim, perpetrar o roubo, parece-me uma atitude xenófoba, pois pressupõe a “fraqueza” do cidadão ou o deslocamento da pessoa face à sua terra natal, para que o ataque seja efectuado. Ou seja, se o alvo são imigrantes, seja por que motivo for, mas exclusivamente imigrantes, como é que está “excluída” a hipótese de xenofobia? Mais: se os jovens são pessoas “bem enquadradas socialmente”, como é que a única motivação pode ser, simplesmente, o roubo de imigrantes com recurso à violência? 

Em Portugal, sabemos, faz-se de tudo para que crimes de ódio não sejam tratados como crimes de ódio. E, depois, acontece-nos ter um deputado da extrema-direita, já condenado por crimes de ódio, a processar uma outra deputada da esquerda por esta ter afirmado que a extrema-direita comete crimes de ódio… vá-se lá perceber. 

É o país (e a polícia) que temos.

O Sam é Tio de Putin

Fez Domingo 20 anos que Colin Powell foi à Assembleia Geral das Nações Unidas garantir ao mundo que o Iraque detinha um poderoso arsenal de armas de destruição maciça. Uma informação, afirmava o secretário de Estado de Bush, baseada em factos e apoiada em “solid intelligence”. Poucos questionaram ou puseram em causa estas afirmações.

Seguiu-se a invasão do Iraque e uma guerra que, em bom rigor, nunca mais acabou. Uma guerra para a qual fomos arrastados pelo governo de Durão Barroso, que serviu de mordomo nas Lajes e que daí partiu para uma carreira que começou na Comissão Europeia e terminou no Goldman Sachs, abutre-rei da alta finança.

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Ventura e Montenegro: descubra as diferenças

Nunca pensei dizer isto, mas quando André Ventura fizer ao PSD de Montenegro o que fez àquele pequeno partido do pai da deputada Rita Matias, vou ter saudades do CDS. E vocês também. Eram tempos mais simples.

Entre *caceiteiro e qu’azeiteiro

há um contraste de vozeamento. Direis que *caceiteiro não existe. Existe, sim, garanto-vos. Esteve aqui. Hoje. No Aventar. E é palavra candidata a Palavra do Ano 2023. E só tenho direito a um terço do prémio.

Vida escravinha

Arquivo Rocha Peixoto, Castro Laboreiro, 1902. Fonte: Rede Portuguesa de Museus. Publicado no Blogue do Minho.

Ouvi, há tempos, a entrevista de Fernando Alves a Maria Antónia Lopes, professora na Universidade de Coimbra e que tem centrado a sua investigação num grupo de pessoas que descreve como “os invisíveis” – os pobres e as mulheres. Contava a historiadora que, à sua cadeira de História das Mulheres, os alunos chegam com a ideia de que o trabalho feminino começou na I Guerra Mundial ou, quando muito, nos começos da industrialização. Isto é, que foi só na ausência dos homens que as mulheres começaram a assumir tarefas fora de casa. Tendemos a esquecer-nos, e não são apenas estes alunos a fazê-lo, que as mulheres sempre trabalharam. As mulheres pobres, com certeza. E que esses trabalhos, invariavelmente árduos, deixam a ridículo a etiqueta “sexo frágil”. Estas mulheres eram lavadeiras, pastoras, artesãs, agricultoras. Cuidavam da casa, dos filhos, dos pais. E se perdiam a capacidade de trabalhar, fosse por envelhecimento, doença ou acidente, restava-lhes apelar à caridade. [Read more…]

Este velho caceteiro, dedicado companheiro

Talvez não fosse má ideia criar uma escola de estadistas, porque, na política portuguesa, há um excesso de palavrosos e de caceteiros. Uma pessoa olha em volta, vê sócrates, passos, portas, costas, marcelos e não encontra um estadista, um bocadinho de gravitas que seja.

Santos Silva, que, actualmente, é, pasme-se!, a segunda figura do Estado e putativo candidato a Belém, não destoa.

O actual Presidente da Assembleia da República é um antigo guterrista e socratista reciclado, tal como António Costa, aliás. Se a uns lhes foge o pé para a chinela, a mão de Santos Silva foge-lhe para o cacete, por muito que se disfarce de fato e de gravata. Como mau democrata, se é contrariado o poder que defende ou que exerce, só pensa em bater.

Há uns anos, quando era ministro de Sócrates, ao ser confrontado com protestos de professores, declarou que estes não distinguiam «entre Salazar e os democratas», o que, curiosamente, o afastou do lado dos democratas. Recentemente, criticou, a propósito da greve dos professores, o «modelo anarco-sindical» de «sindicatos recentes» (é claro que, antes disso, disse que as pessoas têm direito a protestar, sim, mas), recorrendo a uma estratégia suja que pretende apenas desacreditar as críticas, não contribuindo, por puro desinteresse, para a resolução dos problemas dos professores, que são, também os problemas da Educação. Tudo isto é triste, tudo isto é fado, tudo isto é costume.

Saudades da guerra santa dos bolsominions

Jihad cristã, como não amar?

Na Mouraria, Montenegro ficou mais próximo de Ventura

No rescaldo do incêndio na Mouraria, que vitimou mortalmente dois emigrantes e expôs as condições desumanas em que vivem, com a cumplicidade dos senhorios que não têm como ser alheios ao que se passa nas suas propriedades, Luís Montenegro apresentou ao país a sua visão para a emigração: um programa para escolher os colaboradores que queremos em Portugal.

Se Montenegro descesse ao país real, rapidamente perceberia que os colaboradores que a economia procura são sobretudo aqueles que estão disponíveis para trabalhar, por salários miseráveis, nas entregas, na restauração, na construção civil e no lado menos glamouroso do turismo. Projectos com nomes pomposos e objectivos moderníssimos como “atrair talento” não resolvem o problema imediato de grande parte dos empresários portugueses, que é encontrar quem venda a sua força de trabalho pelo menor valor possível, para fazer as tarefas que a maioria dos portugueses já não quer fazer.

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Os esquemas de contratações de Santana Lopes na Figueira da Foz

Denunciámos os esquemas de contratações através de avenças de Santana Lopes na Figueira a 4 de dezembro de 2022. Alguma imprensa local publicou o nosso comunicado, como a Figueira TV ou o Diário As Beiras, mas outros houve que pura e simplesmente nos ignoraram. Informalmente, foi-nos comunicado que os editores tinham receio de perder receitas da publicidade institucional da câmara ou de empresas que dela dependem. Também enviámos a denúncia para a Lusa. Na altura, nas redes sociais locais as reações foram mínimas, aqueles que nos atacam furiosamente por tudo e por nada quando criticamos o executivo, desta vez, estavam estranhamente calados, percebemos que houve ordens para não reagir. A estratégia era abafar o assunto. O que é certo é que o assunto esteve perto de ser abafado não fosse a nossa insistência na Assembleia Municipal.

 

O nosso comunicado de dezembro denunciava a distribuição de avenças a alguns dos seus apoiantes, amigos e companheiros de estrada, sem qualquer justificação plausível. Para a Câmara da Figueira vieram pessoas, de Lisboa a Montemor-o-Velho, que trabalharam anteriormente com Santana Lopes no partido Aliança e no PSD para realizar trabalho para o qual já existe pessoal especializado e com qualidade na própria câmara. Uma das avençadas, Ana Isabel Martins, veio assessorar a vereador da Ação Social, auferindo uma remuneração superior à da própria vereadora. [Read more…]

O Expresso faz 50 anos, o saco azul que o GES usou para comprar jornalistas faz 7

Ora aqui está uma boa ideia para as festividades em torno da celebração dos 50 anos do Expresso: divulgar a lista dos jornalistas que recebiam subornos do saco azul de Ricardo Salgado. Imaginem vocês quem é que não terá sido apanhado lá no meio para se abafar a coisa desta maneira.

Dois meses de greves dos professores

Parte do editorial de hoje do PÚBLICO, pela mão de Andreia Sanches.

O que ministério também não diz é quantos alunos estão sem aulas por falta de professores.

Mas houve quem fizesse esse trabalho, o qual foi apresentado no programa da RTP chamado “É ou não é? – O grande debate“.

Há alunos que ficam sem aulas a pelo menos uma disciplina todo o ano. Quantos são agora? É sincera esta onda de preocupação por os alunos não terem aulas? Ou é por não terem um depósito para ficarem durante o dia? Algo que os que botam faladura na comunicação social poderiam e deviam questionar. Afinal, quer-se a escola para aprender ou para centro de dia?
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Ana Catarina e a beleza de normalizar fascistas

Foto: Leonardo Negrão/Global Imagens

Durante a ditadura, o regime glorificado por grande parte dos militantes e apoiantes do CH perseguiu, prendeu, torturou alguns daqueles que viriam a fundar e a militar no PS.

Há uma semana, o PS enviou Ana Catarina Mendes à convenção da extrema-direita, contribuindo para a sua normalização. Soares, com todos os seus defeitos, e Sampaio nunca permitiriam tal coisa. Porque tinham memória. [Read more…]

Esmifrar os cidadãos e engordar os poderosos

A forma colossal e brutal como este lema vem sendo posto em prática há décadas pela UE e pelos seus estados-membros (Portugal à cabeça) ultrapassa por completo a minha capacidade de discernimento. É com toda a consciência que esta criminosa geração está a conduzir-nos activamente para o abismo mortal da extrema-direita. É desesperante.

Aqui ficam excertos de um artigo da insuspeita revista alemã Der Spiegel:

Os bancos alemães arrecadam milhares de milhões do BCE

Enquanto as poupanças dos alemães continuam a perder valor, as instituições de crédito estão a ganhar muito bem com a política monetária do Banco Central Europeu. De acordo com uma estimativa, só em 2023, elas poderão ganhar 27 mil milhões de euros.

Os bancos beneficiam da subida acentuada da taxa de depósito, uma das principais taxas de juro do BCE. O Banco Central utiliza esta taxa para pagar juros sobre o dinheiro excedente dos bancos comerciais (…). Desde quinta-feira, a taxa tem sido de 2,5 por cento – e, portanto, tão elevada como a última em 2008. [Read more…]

E/ou

O Tribunal Constitucional (TC) chumbou, mais uma vez (a terceira vez desde que a Lei foi aprovada na Assembleia da República), a Lei da Eutanásia.

No seio da discórdia está uma conjunção. Quando se lê que, aquando do pedido do paciente para ser eutanasiado, este tenha de estar dotado de sofrimento “físico, psicológico e espiritual”, o TC questiona se “e” quer dizer “ou”.

Quando andava no ensino secundário, eu até era bom a Português. Ainda assim, a parte gramatical era a que me subtraía pontos em cada teste escrito. Contudo, acho que estou em condições de aferir que “e” significa “e” e não “ou”.

Em primeiro lugar, é improvável que uma pessoa que sofra fisicamente não seja, também, afectada psicologicamente. Se psicologicamente está afectada, por conta de questões físicas, então está afectada espiritualmente. Como tal, faz sentido o “e” na frase “físico, psicológico e espiritual”.

Em segundo lugar, há uns tempos, quando João Caupers (que, ao que parece, até é a favor da aprovação da Lei) foi anunciado como o novo presidente do TC, vieram a público umas (estranhas) opiniões sobre vegetarianismo e homossexualidade, algumas já datadas, por parte do mesmo. Escrevi aqui, deixando um conselho ao então recém eleito presidente do TC, “(…) Quanto a João Caupers, um conselho: coma folhas de alface. Ou leve no cu. É à sua escolha. (…)”. Ora, a conjunção “ou”, na frase supracitada, pressupõe a liberdade de escolha por quem é receptor das palavras proferidas. Se tivesse escrito “coma folhas de alface [e] leve no cu”, estaria a fazer uma relação entre as duas partes, como na frase “físico, psicológico [e] espiritual”, em que existe relação entre as três (em oposição a “físico, psicólogo [ou] espiritual” – se assim o fosse, pressupor-se-ia que o paciente pudesse pedir a Eutanásia caso as três características não fossem cumulativas).

O que é certo é que, agora, a Lei é devolvida ao Parlamento, deixando os deputados com uma batata quente nas mãos. Ao mesmo tempo, sabe-se que alguns dos juizes que votaram contra a Lei com base das conjunções e/ou sairão brevemente. Não se sabe é se serão substituídos por juizes mais progressistas.

Da série: diz o roto ao nu

Sticker de @filhobastardo

Foi notícia:

Rui Moreira critica excesso de opinião de Marcelo

O Rui Moreira que:

1 – Rui Moreira acusa PSP de “tentativa de cosmética”;

2 – Rui Moreira perplexo com custos da JMJ. Portugal “vive de festas e eventos”, quando “aqui e ali está a cair aos pedaços”;

3 – Rui Moreira: “Marginalizar o Chega é excelente para Ventura, mas objetivamente mau para o sistema político”;

4 – Rui Moreira admite restrições ao automóvel no Porto já fora do seu mandato;

5 – “É preciso ter uma lata descarada para dizer que a descriminalização do consumo de droga é um sucesso”, diz Rui Moreira;

6 – Rui Moreira questiona capacidade do IPMA para prever fenómenos torrenciais;

7 – Rui Moreira agradece apoio da China no início da pandemia;

8 – Rui Moreira recusa que Pedro Nuno Santos seja “único responsável” pela situação na TAP e fala em “vícios instalados”;

9 – Rui Moreira sobre estacionamento em segunda fila: “É absolutamente intolerável”;

Carvalho da Silva em entrevista à TSF e JN: um exercício de clarividência

Manuel Carvalho da Silva, antigo dirigente da CGTP. Foto: Leonardo Negrão

Perto do fim de uma entrevista conduzida por Domingos de Andrade (TSF) e Rafael Barbosa (JN), Carvalho da Silva elenca os problemas que deveriam ser as prioridades de qualquer governo.

“A preocupação primeira do Governo, do presidente da República e de quem quiser intervir na política deve ser a de olhar para os bloqueios com que o país se debate. Há quatro ou cinco grandes questões que têm que passar para o centro da observação de forma clara, ou vamos andar na reprodução contínua de casos e casinhos, ou de intervenções do presidente, umas vezes a meter a mão por baixo do Governo, outras vezes a dar-lhe uma martelada. Isto não tem interesse nenhum. A questão em que nos devemos centrar quando discutimos hipóteses de futuro, é, em primeiro lugar, como se resolve o baixo perfil da economia e do tipo de emprego. E aí há três coisas a considerar. A desvalorização salarial e das profissões como estratégia da economia não pode continuar. Não é possível termos um futuro melhor se as empresas portuguesas não se posicionarem melhor nas cadeias de valor. Não é possível persistir-se nesta ideia de que o modelo de turismo que temos é a grande salvação e secundarizar-se a industrialização. O segundo grande problema é o demográfico. Não podemos estar a exportar jovens que formámos, quando necessitamos deles, e, por outro lado, não podemos utilizar a imigração como fator de manutenção de baixos salários e de exploração. São os défices na habitação, na mobilidade e na coesão territorial. É o problema da pobreza estrutural, tema a que nem o Presidente da República, nem outras instituições dão grande atenção. É chocante a condescendência com a pobreza que temos.”

Uma entrevista muito interessante, da qual deixo mais algumas partes.

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Balada de Despedida do 5º Ano Jurídico 88/89 – Toada Coimbrã

Ah!, saudade. Até uma ou outra nota semitonada tem outro encanto.

PSD: Montenegro ainda não percebeu?

Ao longo das nossas vidas fomos conhecendo pessoas. Na nossa rua, na escola, na universidade, no trabalho, etc. Umas parecidas connosco. Algumas muito diferentes de nós. E foram diversos os laços criados. Aliás, seja na rua, na escola ou no trabalho as diferenças existem. Criam-se grupos, existem lados e fazem-se escolhas. É a vida em sociedade.

Quem nunca teve um amigo mais bronco? Daqueles que sabíamos que tanto nos podia deixar perdidos de riso como cobertos de vergonha? Quem nunca? Aliás, quem teve “grupos” de amigos sabe que existia sempre um que era como aquele tio que nos deixa desconfortáveis nas festas de família. Porém, com o tempo, e sobretudo com a seriedade das coisas e dos momentos, a nossa complacência para com o amigo bronco vai desaparecendo. Em princípio pela vergonha perante as suas atitudes e depois pelo nosso sentimento de incapacidade. Não fomos capazes de lhe explicar que a cor da pele, o credo, a ideologia, a orientação sexual não faz das pessoas nem melhores nem piores. Fomos incapazes de lhe incutir os chamados “mínimos de civilização”. E com o agravar dos sintomas a amizade perdeu-se na medida em que a esperança se foi. E essa foge-nos entre os dedos com o passar dos anos. Porque “burro velho não aprende línguas” e nós não podemos estar sempre nem a justificar o injustificável nem em permanente explicação. Não. Primeiro deixa de ser um amigo, depois deixa de ser um conhecido e finalmente transforma-se num activo tóxico.

Esta é a realidade do PSD em pleno 2023. Nem dilema pode ser.

E seja claro, não há linhas vermelhas nem azuis nem amarelas, o que existe é um só caminho: Não se dá a mão a grunhos. Não há espaço para saudosistas de ditaduras, para racistas, para homofóbicos, para machistas ou marialvas de pacotilha. E não, a frase do enganador do Ventura está errada, a frase do PSD deveria ser esta: “Não há governos de direita em Portugal com o Chega!”

Ao longo da sua vida o PSD procurou ser uma espécie de “grande casa do centro direita e direita” em Portugal. O albergue espanhol daqueles que eram conservadores ou liberais ou democratas cristãos ou de qualquer outro grupo de centro direita e direita. E sabia que existiam uns tipos meios raros, os tais aparentados daquele nosso amigo grunho. Nos vários conclaves, melhor dito, nos grandes eventos do partido não era assim tão estranho no meio de toda aquela gente existir uma (ou duas ou três) ave rara que, num corredor ou no bar, entre uns finos, tivesse uma qualquer tirado sobre as maravilhas do tempo da outra senhora ou que arrotasse umas coisas desagradáveis sobre africanos ou ciganos ou sobre o lugar das mulheres. Com o passar dos anos, tal como nos nossos grupos de amigos, o grunho foi-se sentindo rejeitado. As piadas já não resultavam em risadas e o desconforto era notório. Era um activo tóxico. E ele percebeu que estava na hora de se juntar aos seus e partiu.

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