O primeiro astronauta arguido

 

Enquanto está a decorrer o processo de seleção de astronautas da ESA através do qual Portugal poderá ter finalmente @ primeir@ astronauta, Mário Ferreira (imagem Blue Origin), igual a si próprio, está a tentar antecipar-se ao processo e pagar um bilhete num voo parabólico da Blue Origin para rapinar para ele o título de primeiro astronauta português. Uma coisa é certa poderá ter o fantástico título de primeiro “astronauta” arguido, esse será garantido. Quanto ao resto não me representa, nem como português, nem como astronauta (um espertalhaço num voo parabólico de 10 min. não tem nada de astronauta). Ele que leve uma bandeirinha de Malta e um crachá da International Trade Winds, a empresa offshore que ajudou a criar.
#espaco #fraude

PS- os humanos que voaram acima da linha de Kármán (que se convencionou ser a altitude a partir da qual é espaço) recebiam da Federal Aviation Administration (FAA) as Asas de Astronauta Comercial. A partir de 2022 esse critério foi abandonado pela FAA que exige que um astronauta realize atividades mais consentâneas com um verdadeiro astronauta do que alguém que faz um mero voo parabólico de 10 min. a bordo da Blue Origin ou de outra companhia que promova voos parabólicos turísticos.

E da união da Opus Dei com o Chega, nasceu… o pai de Famalicão

Num país livre e democrático, seitas secretas e que conspiram na sombra contra o Estado de Direito não deviam ter lugar. É o caso da Opus Dei (ou da Maçonaria).
Da mesma forma, um Partido racista, xenófobo, homofóbico, aporofobico, é um Partido que afronta a Constituição da República e, como tal, também não devia ter direito a existir.
Ora, no Portugal do primeiro quartel do sec. XXI, a Opus Dei uniu-se ao Chega e pariu um espécime máis conhecido por pai de Famalicão. Um amish à moda do Minho.
Tal como a Opus Dei que lhe deu forma, afronta o Estado de Direito e as instituições democráticas e sente-se no direito de ter leis próprias para si e para os seus filhos, diferentes das dos comuns dos mortais.
Nada a que o Clero não tivesse direito nos tempos do Antigo Regime. Mas na altura, não precisavam de recorrer a tribunais.
É uma chatice.

A culpa é do socialismo

Mimimi impostos!
Mimimi socialismo!
Mimimi Venezuela!
Mimimimimimimimi…

Os moços de recados deste late stage capitalism, selvagem e canalha, são como aqueles cães raivosos que estão à porta das casas, presos por uma corrente e sem ponta de mimo, e ainda assim a ladrar a quem passa, determinados em proteger os donos até à asfixia. Mas ficarão para sempre na casota, presos, mal tratados e com carraças, sem nunca pôr uma pata na casa grande. A diferença é que os cães são irracionais. Se não fossem, certamente não seriam tão palermas.

O senhor doutor arquitecto

O senhor doutor arquitecto chegou a casa, descalçou-se e, sem mais nada, cumpriu a rotina do dia arreando na mulher.

Pousou os pés em cima da mesa, ordenando à arreada que lhos lavasse, senão levava mais. A senhora lavou-lhe os pés, como bem manda a lei e porque é bem mandada. Saraiva, o senhor doutor arquitecto, calçou depois as suas pantufas peludas, dignas de um homem com vários h capitais, como deve ser. Serviu um copo de vinho e, ao terceiro, arreou na mulher – estava com fome e o jantar ainda ao lume. “Para que me serve a mulher senão para me cumprir horários?”, exclamou, enquanto a pobre coitada, dolente e cansada, pousava os tachos na mesa.

O jantar era arroz de cabidela. O senhor arquitecto gosta dele salgadinho e com um bom travo a vinagre. Colhe a primeira garfada, sopra-lhe um bocadinho com a ponta dos lábios – mas à homem, com letras capitais! – e… falta-lhe sal. Nisto, porque não há duas sem três, pousado o garfo, o senhor arquitecto olha de soslaio para a sua fiel mandatária doméstica, como quem avisa: não há duas sem três. [Read more…]

Incêndios: o jornalismo de merda da CMTV exposto em 7 segundos

Abençoada mulher.

Malditos sensacionalistas.

Fetos abortados usados na produção de energia (e outros sinais de talibanização e demência avançada na América de Trump)

Do que vou lendo por aí, sinto que muita gente não tem noção daquilo que hoje se passa nos EUA. Que acredita que os EUA são o cosmopolitismo de NY ou a vibe hollywoodesca das grandes cidades da costa oeste.

Não é.

Os EUA são hoje uma democracia em profundo declínio, em larga medida fruto da brutal radicalização do Partido Republicano, que sempre teve os seus flirts com extremismos e extremistas.

Podia aqui escrever linhas e mais linhas sobre inúmeros temas, da multiplicação dos tiroteios, sem paralelo à escala mundial, à recente revogação de Roe vs Wade, passando pelo racismo estrutural ou pelo fundamentalismo religioso, que não distingue alguns movimentos americanos da praxis Taliban, mas vou antes pegar num dos grupos que melhor ilustra este estado de alucinação colectiva que parece marcar o início do fim da hegemonia dos EUA: os movimentos “pró-vida”.

Catherine Glenn Foster, uma activista da extrema-direita norte-americana que preside à Americans United for Life, uma dessas organizações radicais travestidas de “pró-vida”, prestou declarações no congresso norte-americano, em Maio deste ano, no âmbito do processo que terminou com a revogação de Roe vs Wade. Sob juramento, Glenn Foster garantiu que as empresas de energia de Washington DC usam fetos abortados para produzir energia:

“Bodies [are] thrown in medical waste bins, and in places like Washington DC, burned to power the lights of the cities’ homes and streets”

E acrescentou:

“Let that image sink in with you for a moment. The next time you turn on the light, think of the incinerators, think of what we’re doing to ourselves so callously and numbly.”

Este discurso absolutamente absurdo, demente e digno do mais radical dos imãs wahhabitas já não é um discurso de franja. É mainstream. É o legado de Trump. E será gravado na campa do Ocidente: aqui jaz a civilização mais avançada de sempre, que decidiu sucumbir à estupidez, à conspiração mais idiota e ao mais arcaico fundamentalismo religioso.

RIP, uncle Sam.

Crise, inflação, capitalismo

A Estónia, supremo unicórnio liberal, lidera agora o ranking da inflação dos 27, que naquele país ronda os 22%. A situação não difere muito do restante Báltico ou dos países que fazem fronteira com a Federação Russa, e a causa é demasiadamente evidente, pelo que não perderei tempo a elaborar.

Contudo, importa recordar muitos dos que agora acenam, e bem, com a guerra da Ucrânia, e respectivas ondas de choque, como causas primárias para este aumento da inflação no El Dorado do crescimento económico a leste, são mais ou menos os mesmos que se recusaram a aceitar o impacto da crise de 2008 na hecatombe portuguesa que se seguiu. A culpa era do Sócrates, apenas e só do Sócrates, e de mais ninguém para lá do Sócrates.

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A histeria estorva a acção

O humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica a “atacar” a tentativa de pinkwashing da Fox News, em parceria com o braço armado da comunidade LGBTQI+ do Partido Socialista, a ILGA, onde aponta o facto de, nessa mesma parceria, se descolar o género da identidade sexual (que, na verdade, andam e andarão sempre de mãos dadas, pois um não existirá sem o outro). Conclui o humorista que, se querem tirar a carga sexual das atracções que são, fundamentalmente, sexuais, então que chamem homogenerais aos homossexuais.

Para melhor compreensão do tema, recomendo também a crónica de Carmo Afonso no jornal Público, onde a mesma tem uma frase salutar: “É uma chamada de atenção para a esquerda. (…) Leiam antes de atirar as pedras. Pode não ser uma blasfémia.” O que parece ser a espuma das ondas em que se mergulha hoje em dia: a opinião imediata, nunca fundamentada e que procura dividir, à esquerda e à direita, a sociedade entre “nós” e “os outros”, sem atender ao que, de facto, está escrito e fundamentado.

Digo isto com alguma pena de mim próprio, porque, infelizmente, parece que não podemos ser crianças para sempre; mas sou do tempo em que a esquerda se unia em torno de causas que achava primordiais e saía à rua, fazia barulho na rua pelos direitos que achava serem inalienáveis. Hoje, também com muita pena minha, denoto que esquerda, em vez de se unir nas ruas por esse país afora, inunda as redes sociais e as caixas de comentários com opiniões enraivecidas que, ao invés de tentarem “educar”, tentam impor uma visão unipessoal de alguns temas, sem que o debate se faça seriamente e com fundamento. [Read more…]

Desapareceu uma biblioteca.

 

 

 

“É sempre possível fazer melhor. Mas já sentirei que a minha missão foi cumprida que se aqueles que lerem este livro – e sobretudo aqueles que me confiaram as receitas e os segredos da cozinha tradicional portuguesa -reconhecerem nele a imagem gastronómica da velha Nação que somos. Foi esse o meu objectivo. Oxalá, no final, todos sintam que esta é a verdadeira cozinha portuguesa.”

Maria de Lourdes Modesto, in Cozinha Tradicional Portuguesa, Editorial Verbo, Lisboa/S. Paulo , 1982

 

Missão mais que cumprida.

O cheiro a Venezuela logo pela manhã

Andaram décadas a embargar a economia venezuelana, pediram aos “parceiros” europeus que fizessem o mesmo (e Portugal acedeu a tudo, se bem se lembram, era Augusto Santos Silva – hoje presidente da Assembleia da República – Ministro dos Negócios Estrangeiros), condenaram um povo à miséria e à fome, com a conivência da comandita de Maduro, que com isso aumentava a sua política de opressão das massas, tentaram, mais do que uma vez, um Golpe de Estado à lá Operação Condor. E tudo isto sem que a Venezuela tivesse invadido alguém.

Em Portugal, andaram José Sócrates, Pedro Passos Coelho ou Paulo Portas a apertar a mão aos sanguinários políticos venezuelanos, na Venezuela, quando os interesses falavam mais alto; mas, quando voltavam a Portugal, lá vinham os da ‘team’ mocassim e os da ‘team’ ‘portas giratórias’ (dos Mesquitas Nunes aos Chernes) dizer cobras e lagartos do “socialismo” venezuelano… e depois lá iam, outra vez, à Venezuela fechar um qualquer acordo com aqueles sobre quem, em Portugal, diziam “nunca mais!”.

Agora, como virgens arrependidas e inocentes pedintes de mão estendida, querem o petróleo da Venezuela, porque o aliado Putin se virou contra eles, e querem-no a qualquer preço, tanto que, para esses patetas, é um escândalo que seja a Venezuela a impor as suas regras na venda do seu petróleo.

Para quem se acha dono do mundo, dos Putins europeus aos norte-americanos desde sempre putinistas, deve ser um forte revés no ego construído ao longo do último século, ter de implorar de joelhos ao regime venezuelano pela subsistência dos povos norte-americano e europeu. E, confesso, dentro da tragédia, até tem a sua piada. É o inferno de Dante para essa gente.

É bem feita!

Parasitas

Calotes novos.

 

Transfobia Gramatical

Sei que a reflexão que agora apresentarei não cumpre o agenda setting da sazonalidade das crises globais, que o Pride Month terminou e que o meu foco deveria estar agora nestes insustentáveis e inauditos vagalhões de calor à qual os nossos avós apelidaram erroneamente de Verão. Tendo em conta que considero estudar e discutir os elementos do clima tão fastidioso como assistir a Stranger Things estando sóbrio, pronunciar-me-ei sobre gramática, que domino com um bocadinho mais de familiaridade.

A prova definitiva de que a preocupação delirante com pronomes alternativos não é o reflexo de sensibilidades ou preferências individuais, mas sim mais uma importação das doutrinas perturbadas dos manicómios universitários americanos, é o facto de ninguém querer saber dos determinantes.

Os pronomes são utilizados para evitar a repetição de palavras já referidas; no limite, podem ser completamente evitados. Já os determinantes, no português, são pedidos pela língua, exigidos de cada vez que a expiramos. Até aqui, nestas curtas frases, já escrevi dezenas de determinantes, entre artigos, possessivos e contracções; e só usei um pronome aqui e ali. Eu não preciso de me referir a alguém como “ele” e “ela” se utilizar o seu nome. Já o uso dos determinantes, esse é ineludível. Alguém que vive o seu quotidiano dentro da língua portuguesa teria então no uso incorrecto dos determinantes, e não dos pronomes, uma dor de cabeça muito maior.

Até porque, em português, os determinantes assumem género: sejam artigos (o, a, os, as, um, uns, uma, umas), sejam demonstrativos (este, aquela, etc…), praticamente não conseguimos fazer referência a pessoa ou coisa alguma sem assumirmos um género para o determinante. Acontece que o inglês, essa língua bárbara moldada à imagem das cognições mais limitadas, utiliza raros determinantes e os que utiliza – tirando os possessivos – não variam em género.

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A melhor escola do país

A melhor escola do país é aquela em que os alunos não são seleccionados à entrada (por imperativos legais que, por coincidência, também são éticos), em que os alunos não são convidados a sair porque as notas baixaram (mais uma vez, por razões legais e éticas, extraordinária coincidência), em que os alunos são mantidos dentro da escola e das aulas, à custa do esforço e do risco de funcionários e de professores que falam, exigem, discutem, abraçam, debatem, convencem, vencem, sentindo-se frequentemente derrotados.

A melhor escola do país é aquela em que se consegue que um aluno assista a mais uma aula, que pegue finalmente num caderno mesmo que se recuse a escrever, que se esqueça, por instantes, de que tem o pai na prisão, a mãe a drogar-se em casa e os irmãos sozinhos, entre uma galáxia de problemas que afectam qualquer ser humano que é obrigado a perder inocência demasiado cedo ou que não tem a mínima possibilidade de estar isolado no luxo de um quarto individual.

É a escola em que se consegue que um aluno assista, pela primeira vez, maravilhado, a uma peça de teatro, ou que o leve, pela primeira vez, a visitar uma cidade (que pode ser aquela em que vive e não conhece) ou que o leve a entrar, pela primeira vez, num palácio tão espectacular que chega a parecer estrangeiro, o que faz sentido porque, em tantas vidas de tantos alunos, a beleza, a cultura ou o conhecimento são bens estrangeiros sujeitos a taxas alfandegárias proibitivas. [Read more…]

Quem é Vladimir Putin? Retrato do homem que enganou o mundo

O FC Porto de Pinto da Costa é um circo


Não vale a pena virem falar do passado, dos milhares de títulos conquistados, dos 7 troféus europeus e mundiais e da transformação de um clube regional num clube internacional.
Pinto da Costa foi provavelmente o melhor dirigente da história do futebol. Mas hoje vive da gratidão de todos aqueles que, como eu, viveram toda aquela transformação. Vive do passado, mas a mim o que me interessa é o futuro.
A verdade é que Pinto da Costa e finito.
Há muitos anos. Embora Sérgio Conceição, com o seu trabalho, tenha vindo a esconder a incompetência de quem já não tem idade, nem energia, nem visão, para dirigir um clube como o FC Porto.
A incompetência de alguém cuja única preocupação, neste momento, é a de sustentar, com o dinheiro do clube, uma turba de comissionistas e de tachistas, na qual se inclui a sua família, dirigentes e empresários do seu círculo e uma guarda pretoriana constituída por macacos e macacas. [Read more…]

Crónica de uma decisão anunciada

PÚBLICO, 16 de Julho de 2022

Lendo este artigo percebe-se que há um forte lobbying para se fazer o aeroporto no Montijo, apesar de ser uma escolha pior – a pior – e que não resolve os problemas, segundo o que afirma Carlos Matias Ramos.

A quem interessa esta má solução? Para além da Vinci, claro. Ao País não será. E porque é que o ministro sem coluna vertebral se lançou nesta cruzada?

Estaremos daqui a dez anos no habitual rol de processos judiciais com o Ministério Público a investigar porque é que alguém – pessoas com nome, como o ministro gelatina – escolheu determinada opção? Obviamente que sim, porque é que haveria de ser diferente desta vez?

Outra coisa fantástica neste país é andar-se 50 anos em estudos para a frente e para trás (belo negócio para os estudiosos) para depois a decisão ser tomada por uma pessoa – uma!, passando por cima da extensa documentação produzida ao longo de décadas.

A solução do ministro tem, porém, um grande mérito. Para quê construir um aeroporto quando se podem construir dois? Só me espanta que, no país da Santíssima Trindade, ainda não tenha aparecido uma alma a defender a solução Ota + Alcochete + Montijo.

É um revés para o Governo

Não, é um revés para os contribuintes. Quem se mete com a EDP, leva. Por isso os sucessivos governos preferem acarinhá-la. 218 milhões para o bolso do costume.

Um programa político numa imagem

Zé Povinho, a personagem criada por Rafael Bordalo Pinheiro em 1875, costuma simbolizar o português ignorante das grandes questões do país, que resmunga perante a corrupção, a injustiça e a carga fiscal mas resumindo a sua intervenção política a um inconsequente “eles são todos iguais”, acompanhada de um manguito cheio de intenções que levam a lugar nenhum.

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A realidade nunca perdoa

No dia 4 de Maio, estávamos assim:

Notícia TSF.

Hoje, dia 16 de Julho, estamos assim:

Notícia SIC Notícias.

Visionários.

O desfasamento da realidade de Carlos Guimarães Pinto.

O Aventar não censura comentários

Por regra, o Aventar não censura e não apaga comentários.
Ontem, após o aviso de um aventador, que não via publicados os comentários aos seus posts, fomos ver e havia dezenas deles retidos pelo sistema do WordPress.
Sem nenhuma razão aparente.
Foram todos aprovados de uma vez só. Mesmo aqueles que nos acusavam de censura.
Mas hoje já havia mais comentários na mesma situação e voltámos a aprová-los.
Tentaremos saber qual é o problema. Até porque é um problema que também nos afecta: o ordenado de cada um de nós é pago pela gerência em função do número de comentários obtidos.

Faz de conta

Na Bélgica, onde o governo é liberal (partido Open VLD, do grupo dos Democratas e Liberais na UE), decidiu-se, tal como em Espanha, Reino Unido e Itália, taxar as margens de lucro das empresas de energia e dos bancos.

Aqui, em Portugal, onde o tão afamado governo “socialista” impõe uma ditadura maoísta, segundo alguns dementes liberais, parece que PS é o melhor amigo das grandes empresas e dos grandes grupos económicos.

E assim se prova que os nossos social-democratas e os nossos liberais são de marca branca. Não servem nem para lavar canos.

É de pequenino que se corrompe o menino

Na capa do Expresso da semana passada, nada de novo: há colégios privados que continuam a corromper o sistema e a vender médias elevadas para quem as pode e quer pagar.

Seja génio ou mandrião, qualquer filho ou filha de pais ricos pode corromper o sistema educativo e comprar as notas que pretende para o curso que quiser. É um modelo de negócio de décadas, e eu ainda sou do tempo em que alunos do meu liceu, na Trofa, iam para colégios no Porto “subir a média”.

Igualmente grave é a afirmação na primeira página do Expresso:

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O Super Bock Super Rock e o egoísmo imbecil travestido de liberdade

Julho de 2011. Desci o país em direcção ao Meco, na única edição do Super Bock Super Rock em que acampei na Herdade do Cabeço da Flauta, ainda no tempo em que o rock não se esgotava no nome. Por lá passaram Artic Monkeys, Tame Impala a dar os primeiros passos, The Legendary Tiger Man, Arcade Fire, The Strokes e um gigante chamado Slash, entre outras coisas boas como Portishead, Rodrigo Leão ou Sven Väth. Um senhor cartaz.

Foram três dias bem passados, quase perfeitos, não fosse um pequeno detalhe: a viagem para o Meco. A viagem não. A viagem fez-se bem. Refiro-me àqueles 10km finais, que separam Fernão Ferro do recinto do festival, e que demoraram umas quatro horas a fazer. Ou mais, mas fiquemo-nos pelas quatro horas.

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Rácios

Fizeram-no nas nossas barbas e nós, passivos internautas, resignamo-nos, que remédio: em Novembro de 2021, o Youtube removeu a contagem pública de dislikes de todos os seus vídeos. O botão continuou disponível, o número de likes continua a ser exibido, mas o rácio like/dislike já não está exposto.

A razão para tão bizarra e impopular decisão? Nobre, claro está, ou não se tratasse esta de uma corporação alinhada com o eixo do qual vemos emanar nada senão probidade. Alega a presidente, a Sra. Susan Wojcicki, que detetaram ondas de dislikes que prejudicavam imenso os pequenos e novos criadores de conteúdos (A Sra. Wojcicki é conhecida, aliás, pelas suas posições em defesa da liberdade dos seus criadores de conteúdos de crescerem independentemente das suas posições políticas e sociais. Mas a isso iremos noutro dia.)
 
Não é preciso chamarem o Poirot para descortinar o verdadeiro motivo desta mudança: o rácio like/dislike era tão hilariantemente negativo em relação a tudo o que se relacionava com o Partido Democrata, Joe Biden e o “combate à pandemia” que começou a tornar-se um glitch na Matrix difícil de ignorar. Os sapientes líderes do “mundo livre” sabem melhor do que ninguém a importância que tem a opinião das massas na moldagem das posições individuais. Usaram isso para todos os pontos da sua agenda criminosa. E as narrativas, para serem mantidas, têm de apresentar a ilusão do consenso à sua volta, precisam de ser blindadas com o escudo da inegabilidade, para que qualquer contestação possa ser descartada como loucura.
 
Eis o guião que temos todos de seguir para que os hamsters continuem, entretidos e sem sobressaltos, a correr na sua roda: Joe Biden foi o presidente mais votado da história dos Estados Unidos da América, logrando mais votos do que Barack Obama e Donald Trump, incríveis fenómenos de popularidade que arrastam legiões massivas de fanáticos seguidores. Ora, se esta premissa já custa aceitar com base no mero contraste entre o carisma de uns e a decrepitude oca do outro, é com certeza mais difícil acreditar quando toda a actividade online do Partido Democrata, ou de Joe Biden em particular, estava eivada de feedback negativo por toda a internet. E não o feedback artificial, incutido, afagador de egos anti-fascistas, propagado por celebridades do bem e propalado pela imprensa em letras garrafais e bombardeamento incessante dos talking points das linhas unidimensionais de pensamento virtuoso; mas sim o feedback do internauta comum, pobre, amante de memes, ignorado por uma cúpula cujos nobres se desligaram tanto da humanidade – quer física, quer espiritualmente – que agora têm dificuldades em sequer agir normalmente como seres humanos, quanto mais falar para eles.

Este feedback negativo estende-se, naturalmente, ao “combate à pandemia”, a maior experiência psicológica em massa da história da nossa incauta humanidade. Até hoje, continuamos a fingir que acreditamos nos preceitos mágicos da seita covidérica com medo da censura social que acarreta qualquer posição contrária (ao qual se juntou, naturalmente, a aversão à admissão do erro). Essa ideia de unanimidade – que os portugueses, tão bem amestrados, adoptaram como bons meninos que são – não foi igual em todo o lado: enquanto os covideiros se masturbavam com as suas fotos, uma grande parte da sociedade americana desde cedo se prontificou a denunciar os crimes hediondos do farsante e despótico Dr. Faucci. No processo de beatificação do salvador da nação, ousaram fazer um filme da Disney de adulação divina e o resultado foi o esperado: apesar das tentativas desesperadas de ocultar a chacota do povo – leiam a nota feita pelo IMDB – este é, sobre qualquer perspectiva, um dos filmes mais odiados de sempre, sem precisar sequer de ser visto. É descarada e abjeta propaganda e a internet, sem desiludir, correspondeu condignamente cuspindo-a fora.

 
A agenda globalista avança a todo o vapor porque é carregada por uma unanimidade mitológica, inexistente, mas artificialmente construída por uma brilhante estratégia, que orbita em redor da disputa social para ver quem tem melhor coração e quem se preocupa mais com as pobres minorias ucranianas não-binárias vítimas de racismo climático. As causas virtuosas – ambiente, rituais covideiros, Ucrânia… – são os escudos perfeitos a qualquer acusação de vileza. A olho nu se vê que todas estas causas são, claro está, burlescos teatros canastrões. Contudo, estar contra o pedantismo nojento destes fidalgos e contra as suas ditatoriais, opressivas e distópicas soluções é estar contra as próprias causas. Ousar questionar a perversidade indisfarçada desta oligarquia psicótica é colocar em causa o futuro da humidade.
 
Como poderia então a elite globalista, alicerçada no falso consenso que as suas marionetes asseguram existir e que tem nestas corporações como o Youtube os cordelinhos com que manuseia os nossos cérebros-fantoche, passar a ideia de que os líderes seleccionados a dedo e as suas ideias não são completamente populares? O risco era demasiado grande. Num mundo em polvorosa, a indignação começa numa acendalha e espalha-se em incêndios descontrolados de rebelião.
 
“Removam-se os dislikes“. A ordem foi dada no Capitólio.
 
Sem eles, volta a reinar a sua unanimidade; sem eles, Biden e Faucci são venerados. E tu, se não queres ser fascista, venerarás também. E sempre que um acesso súbito de consciência te fizer discordar dos seus preceitos perversos e falaciosos, o sistema estará aqui para te mostrar que estás errado, que a maioria discorda de ti e, pior, que a tua posição é perigosa, subversiva, jacobina, uma ameaça à ordem pública e, como tal, justifica-se o seu silenciamento, e o teu. Embalado pelos comprimidos de Soma, adormecerás esfomeado, despersonalizado e oco, um corpo moribundo que usará das suas derradeiras forças para acenar uma última vez a bandeira assassina da unanimidade virtuosa.

Carta de amor à Bárbara Bandeira

À Leonor, amor da minha vida

Olá Bárbara.
Pensei muito em declarar-me. E apesar de teres Holanda no nome, acabei por escolher o dia da França, 14 de Julho, para fazê-lo.
A verdade é que te amo.
Ouvi falar de ti pela primeira vez num programa da RTP, o “Cosido à Mão”, em que participaste como convidada.
Valha a verdade que não despertaste grande interesse na Leonor, por isso em mim também não.
Os meses passaram e em meados de 2019 voltei a ouvir falar de ti como cabeça de cartaz das festas de S. Bento das Peras. Apesar de morar em Rio Tinto, não fui. A Leonor nada sabia de ti, por isso eu também não.
Parece que chegaste muito atrasada ao concerto. Ainda hoje, a D. Cátia da minha rua diz mal de ti por causa desse atraso. A D. Cátia é a mãe do Serginho, um amigo da Leonor.
Foi poucos dias depois que o nome Bárbara Bandeira passou a ser uma presença assídua cá em casa.
Era tarde e Inês era morta. Ainda hoje a Leonor, então com 10 anos, lamenta não te ter conhecido alguns dias antes, por isso eu também lamento.
Mas não tivemos de esperar muito tempo. [Read more…]

Os One *Diretion e os *Artic Monkeys

Exactamente. Acabado o reinado dos One Diretion, os Artic Monkeys são os candidatos naturais à sucessão.

Pois é.

Don’t believe the hype.

Sobre a robusta e consolidadíssima democracia dos EUA

A admissão de culpa que faltava. Nada de novo.

Boa Vista, Leiria

«Em Boa Vista, Leiria, um homem salva uma ovelha das chamas, transportando-a às costas durante o incêndio que ali lavra».

Liberais ou cheerleaders do “lá fora é que é bom”?

Ultimamente, tem havido posições da IL que se tornam difíceis de explicar para um liberal como eu. Acreditando que cada liberal deve defender a menor minoria de todas, o indivíduo, custa-me ver liberais a defender grupos ou instituições, criando aqui uma ideia fantasiosa de bons contra maus. Sempre que se coloca esta divisão corremos vários riscos: pressionar quem nos ouve, toldar a nossa visão perante o que é mais fácil e não ver algumas coisas que deveriam ser óbvias. Prefiro uma opinião controversa de alguém que tenta perceber o outro lado do que ouvir algo totalmente alinhado com aquilo que é seguro defender. Há dois campos em que a IL me desiludiu um pouco como liberal: posições em relação à invasão russa à Ucrânia e aos LGBT.

Desde que a Guerra começou, a IL tomou um lado claro: a Ucrânia. E bem. É claro que há um invasor e um invadido. Mas à boleia começou uma defesa cega dos mesmos que rebentaram, por exemplo, com Belgrado. Que espalham a democracia à lei da bomba pelos mais variados pontos do planeta: a NATO. A IL chegou ao ponto de defender que pertencer à NATO é pertencer ao mundo livre. Eu já fiz tweets meio parvos, mas normalmente eram sobre foras-de-jogo e a Dua Lipa, não era a chamar “mundo livre” aos genocidas de curdos, o Estado Turco, aos opressores da liberdade sexual, a Polónia, ou até a Portugal de 1949. Pior do que isto foi ver a IL a festejar o facto da Finlândia ter sido convidada a entrar na NATO, porque temos de ser contra autocratas e ditadores em toda a linha. Esqueceram-se de que a Finlândia teve de ceder à Turquia, aos conhecidos genocidas do povo curdo, para poderem ser aceites. Aceitar que seja normal o Estado Turco fazer exigências para alguém ser aceite é como meter o Sócrates a dar aulas de gestão pessoal ou o Ferro Rodrigues a dar aulas de educação sexual. A IL sabe que é um jogo seguro ficar sempre ao lado da NATO, porque esta tem bom nome. É uma típica jogada de centrista que só não quer ver o seu nome na lama e não arrisca verdadeiramente romper com os limites do pensamento. As pessoas, como não ouvem falar, aceitam facilmente um genocídio, enquanto mandam paletes para outro povo massacrado. Estes países acusarem-se uns aos outros é o mesmo que um violador virar-se para um assassino e dizer “Não cuspas para o chão, que é chato”.

A mesma estratégia usada para a questão da Guerra, pensada mais na reação dos outros do que baseada nos próprios valores, é também a mesma para as questões LGBT. Que fique claro: por defender a liberdade sexual de qualquer indivíduo sou contra estas marchas e estes associativismos, não sendo contra a liberdade de associação, pois cada indivíduo escolhe como pretende defender o que acredita. Como liberal, defendo a 100% a liberdade de cada um marchar por aquilo que quiser. Como liberal, nunca iria a uma marcha dessas, nem que me pagassem. A Iniciativa Liberal não se pode abster e ser contra medidas que os LGBT, como trupe que se autoproclama dona das “minorias” sexuais, e querer ir a uma marcha destas. É o mesmo que ir a uma festa para a qual não sou convidado. A marcha LGBT, os grupos LGBT, todos esses movimentos não são livres de ideologia, nunca o foram. Ter uma identidade sexual diferente de heterossexual cisgénero não é sinónimo de defender estas grupetas instrumentalizadas pela esquerda. Felizmente, sei que não sou nenhum heterossexual doido que acha estas coisas e conheço bastantes pessoas homossexuais que não se revêem nessas práticas. As críticas da esquerda à presença da IL na marcha são mais do que legítimas. Afinal, o pride nunca serviu para defender a liberdade, mas sim grupos.
Quem defende a liberdade sexual não se associa a movimentos que se sentem donos da identidade pessoal de outros, quase num negócio perverso entre lealdade e proteção. Um pouco ao estilo da máfia.

Parece-me que a IL começou a deixar os valores liberais por eles mesmos para defender aquilo que parece liberal, como se o mundo fosse linear como num livro de História do 4º ano. Defende-se aquilo que se ouve nas redes e nas notícias, aquilo que se acha que nos vão chatear menos, não pensando que por vezes há valores liberais colocados em causa. Ser liberal está longe de ser apenas apoiar sempre a UE, a NATO e todas as grandes organizações. Não querer ultrapassar um caminho que pode ser longo é o mesmo que pisar um jardim bonito para chegar mais rápido ao destino. Mais tarde ou mais cedo, as consequências virão. E Portugal em nada ganhará ao tentar conquistar os votos daqueles que nunca colocarão a cruz num partido liberal.

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E que direitos serão esses, Ritinha?

Rita Matias: “Há direitos que os homens têm que eu não quero”