Angola: à direita, nada de novo

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Em teoria, MPLA e PSD professam da mesma ideologia: ambos se assumem como social-democratas. No mundo real, os primeiros agem como os colonos que outrora combateram, explorando um país vasto em recursos, enquanto a esmagadora maioria da população definha. Os segundos, reféns de uma variante muito particular de liberalismo, sacrificaram o Estado Social em detrimento dos apetites do capital privado. Muito mais é o que os une, do que aquilo que os separa.

Sem surpresas, o PSD integrou a coligação (im)provável que chumbou os votos de condenação apresentados por PS e BE contra a prisão dos activistas angolanos que ousaram debater e lutar pela liberdade. Tal como o CDS-PP, a argumentação dos “social-democratas” não difere muito da argumentação dos comunistas: soberania e não-ingerência nos assuntos internos de Angola. [Read more…]

Respostas para a crise no Brasil?

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Escrevi, há dias, um post sobre a crise no Brasil que, mais do que respostas, fornecia perguntas. A minha ignorância, a distância, o desconhecimento de muitos dos protagonistas e dos seus interesses e ligações, a não verificação da verdade ou da mentira nos “factos” mediáticos, a velocidade dos acontecimentos e a minha própria estupefacção, tudo isso me aconselhava a ter mais dúvidas do que certezas.

Nestes dias vertiginosos fui procurando entender melhor a situação. Avancei pouco e, separado o joio, quase não me sobra  trigo.

Duas ou três certezas,  tenho: o país está divido, a Política e a Justiça não estão devidamente separadas (e ambas albergam muita gente pouco recomendável), o regime (não me refiro ao governo) precisa de refundar-se, a corrupção é transversal e endémica – chegando-se ao ponto de indiciados e pronunciados por corrupção se atreverem, sem um pingo de vergonha ou de oposição no interior dos seus próprios partidos, a acusar, apreciar, votar e pertencer a comissões de investigação de corrupção (aqui chegados, estamos no grau zero da credibilidade)-, a democracia corre riscos evidentes de sequestro. [Read more…]

Brasil: o povo na rua?

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Flutes, iates, limousines e extrema-direita. Eis a face visível da agenda política que procura aproveitar o tiro no pé do governo de Dilma para regressar ao passado de opressão e exploração do povo brasileiro. Os tais que se manifestam pelo fim da democracia. Que se manifestam contra o direito de se manifestar. Irónico e triste.

Fotomontagem via Diário de uma Cadeirante Cinefila

A ditadura da democracia

Consta que Churchill terá dito na Câmara dos Comuns, a 11 de Novembro de 1947, que “A democracia é a pior forma de governo, à excepção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”

A tónica a reter é forma de governo, já que fora da política muitas outras formas de organização existem na sociedade.

Quando eu era músico, o meu maestro dizia que ele era o ditador da batuta. E era.  Imaginem o que seria, por exemplo, uma valsa ter a cadência decidida por maioria. Ou pensemos numa empresa gerida democraticamente, sendo as decisões estratégicas tomadas por votação. Ou, ainda,  o que seria da coesão de um grupo se os seus elementos não fossem unanimemente aceites por todos.

Poderá haver quem ache que todos os grupos se devam reger como se fossem organizações políticas ou projectos de poder, mas há que ter a inteligência suficiente para perceber que a realidade é outra. E isto é um facto, seja em que século for.

Por onde andas querida democracia?

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Hoje, em pleno século XXI, num país livre e democrático, por incrível que possa parecer o conceito de democracia para alguns é inexistente ou então lamentavelmente é algo completamente desvirtuado.

A democracia teve origem na Grécia tendo a palavra por base os vocábulos demos “ povo ” e kratós “ poder ” e/ou “ governo ”. O conceito de democracia é milenar tendo começado a ser utilizado em Atenas no século V A.C.

A democracia contrasta com outras formas de governança em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos como numa oligarquia ou então onde o exercício do poder é detido por uma única pessoa como no caso do sistema monárquico absoluto.

Também em absoluto contraste com a tirania ou ditadura a democracia proporciona que todos os cidadãos tenham uma participação activa e directa nas tomadas das decisões que afectam o seu livre quotidiano.

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Sim miserável, a culpa é tua

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A culpa é tua porque não percebes a economia, não percebes os mercados, não percebes a importância das agências de rating e dos especuladores. Se percebesses, facilmente entenderias que este mundo precisa de milionários tanto quanto precisa que tu vivas a contar tostões. E daí se um grande banco provoca uma gigantesca crise mundial que leva milhões a perder as suas casas e a não saber como pagar as refeições do dia seguinte? Não és também tu livre de fundar um banco e enganar uns quantos milhões para que nunca falte gasolina no teu helicóptero? Quem nos manda a nós ser estúpidos? Afinal de contas, nós temos esse direito: o direito de ser estúpidos, de nos deixarmos enganar. Não é bela, esta democracia? [Read more…]

Ne me quitte pas

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Foi ao som de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel que Bono Vox, ajoelhado,  fez a homenagem dos U2 a Paris e encerrou a iNNOCENCE Tour.

Ver Bono ajoelhado fez-me pensar na política francesa e europeia. Está quase a fazer um ano que regressei a Paris e voltei a ver/sentir o que já tinha visto e sentido poucos anos antes. Desconforto.

Desconforto de muitos franceses, portugueses, africanos ou asiáticos que se sentiam (e sentem) “abandonados” por um conjunto de políticas internas descuidadas que os atiram para os braços da Frente Nacional, uma espécie de “lado negro” da política francesa. E as últimas eleições em França (tanto as europeias como agora as regionais) são disso testemunha.

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Asfixia democrática no PSD

PP

Com a ajuda de um título sugestivo do Expresso, disseminou-se a ideia de que Pacheco Pereira apoia a candidatura de Marisa Matias à presidência da República pelo simples facto de ter participado num fórum organizado pela mesma. Segundo o mesmo jornal, Duarte Marques ter-se-á mostrado “chocado com o suposto apoio de Pereira à candidatura de Marisa Matias“, algo que o próprio Pacheco Pereira acabaria por desmentir. À boleia desta nada surpreendente manipulação, o deputado do PSD aproveitou o momento para apelar à saída voluntária do histórico social-democrata de um partido pelo qual já lutava ainda Duarte Marques brincava no recreio da escola primária. [Read more…]

É giro perceber como a história se repete

SNAP em 2016, a forçar a Democracia como em 1986. Da série Sondagens e eleições.

Já estou na fila

vez

para ser ouvido.

A insaciável sede de poder de Pedro Passos Coelho

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A sede de poder de Pedro Passos Coelho não conhece limites. Ressabiado pelo seu afastamento legítimo e legal da governação, o primeiro-ministro cessante não olha a meios para regressar ao poder e pede agora uma revisão constitucional que permita a convocação de novas eleições.

O pedido de eleições antecipadas não é uma novidade por cá. Aliás, justiça seja feita, quase qualquer motivo serve para o invocar e os partidos usam e abusam dele. Em 2013, pelo menos por duas vezes a oposição pediu eleições. A primeira, logo no início do ano, ocorreu quando um relatório do FMI tentou impor medidas de austeridade adicionais, entendendo a oposição que o governo não estava mandatado para tal. A segunda decorre da demissão de Paulo Portas, cuja sede de poder custou ao país no próprio dia uma subida dos juros da dívida para 8% e perdas no valor de 2,3 mil milhões de euros para o PSI-20, e que Passos Coelho resolveu cedendo à chantagem dos centristas, promovendo Portas e entregando o ministério da Economia a Pires de Lima. Um dos vários golpes políticos promovidos pela direita “teapartizada” de quem aparentemente nos livramos na passada Terça-feira. [Read more…]

«O ‘Jornal de Negócios’, relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF,

tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País.»
[Carlos Fonseca disse-o e agora repetiu-o]

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Outono Vermelho

Vermelho

Eles estão impacientes. A máquina de propaganda era uma das mais fortes e bem oleadas de que havia memória, a estratégia de se fingirem de mortos resultava a ponto de haver quem não soubesse que o PàF era afinal uma coligação entre o PSD e o CDS-PP, os trambolhões da campanha do PS faziam a sua parte e algumas sondagens chegavam mesmo a atribuir maioria absoluta às tropas de além-Troika. A coisa não correu como esperado mas nem tudo estava perdido. Não seriam os primeiros a governar com maioria relativa. [Read more…]

Que Europa é esta?

“A união europeia é tão anti-democrática que ela própria não se aceitaria como estado-membro por não cumprir os padrões mínimos de uma democracia moderna. E no entanto, cerca de 80% da nova legislação que regula a nossa vida quotidiana é produzida em Bruxelas. Em grandes pacotes, as competências de decisão são transferidas para o nível europeu, enquanto os cidadãos perdem cada vez mais influência sobre políticas. Em Bruxelas, democracia continua a escrever-se com letra pequena.” (ONG Mehr Demokratie)

Senhores, quando se dignarão a democratizar a Europa? Para quando referendos a nível europeu, por exemplo sobre o TTIP e CETA, os tais negociados em segredo e que querem impingir-nos – alegando que vão criar emprego – para truncarem a soberania nacional dos países e potenciarem os lucros à custa dos cidadãos? Ó todo-poderosos, já viram que, após nos terem recusado o registo de uma Iniciativa de Cidadania Europeia para a suspensão do TTIP e do CETA, a fizemos na mesma e conseguimos, num ano, 3.284.289 assinaturas, três vezes mais do que as necessárias, e que foram 23 países, em vez dos 7 obrigatórios, que excederam o quórum estabelecido pelas vossas regras?

Vocês bem gostariam, mas não, não queremos ser as marionetas que de nós pretendem fazer e não podem pressupor a vosso bel-prazer que recebem o nosso GOSTO!. Queremos participar a sério, queremos discussões públicas e alargadas sobre democracia directa e participação dos cidadãos e queremos ser informados e intervir em legislação que mudará as linhas com que se cose a Europa de todos nós. Chega de secretismo e abuso de poder!

E já agora, a PàF ama este estado de coisas e, pressurosa de estar na fileira da frente dos entusiastas incondicionais, até a carta de apoio ao famigerado e escandaloso mecanismo ISDS, previsto no TTIP e CETA, subscreveu!

Da fidelidade à política

«O PS, enquanto partido, só pode sobreviver no futuro, fazendo o que está a fazer, apesar dos ataques de Assis e acólitos seguristas.» [Maria João Cantinho]

A política no ” grau zero “.

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Virgílio Macedo tomou hoje posse como secretário de estado da administração interna do novo governo. Talvez seja uma boa desculpa para mais um ” golpe palaciano ” na Distrital do PSD do Porto.

Há cerca de 10 anos que nenhum presidente da distrital do PSD do Porto completa o seu mandato. Foi assim com Agostinho Branquinho, Marco António Costa e Virgílio Macedo. Esta é sempre uma forma de apanhar desprevenidos os seus antagonistas, não permitindo que haja tempo necessário para que possa aparecer uma alternativa política com tempo efectivo para apresentar uma candidatura credível e para fazer uma campanha séria e verdadeira junto dos 30.000 militantes do PSD no distrito do Porto.

Defendo, por várias razões, que o financiamento dos partidos deve ser exclusivamente público. Este é um passo importante para o fim da corrupção. Até agora só ganha eleições internas quem tem recursos financeiros para pagar as quotas aos ” seus ” militantes. E este dinheiro para pagar quotas de militantes de onde vem? De alguma árvore das patacas ou aparece após um toque de midas? Está provado que não se ganham eleições internas por mérito, mas ganha quem tem dinheiro. Por isso os dirigentes políticos são aqueles que conhecemos. Não se discutem ideias ou projectos, apenas prometem-se e oferecem-se ” tachos “.

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Com bateria II

Este fez o que fez na STCP e na Metro e agora, como prémio, o Novo Banco! Viva a Direita!

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Democracia e liberdade de informação

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(imagem Rui Tukayana/TSF)

A proibição de publicação no Correio da Manhã (CM) e demais órgãos de comunicação social detidos pelo grupo Cofina de notícias ou outros conteúdos informativos sobre a investigação que prossegue no DCIAP ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é um evidente excesso. Um excesso censório que atenta contra a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito à informação.

Podemos não gostar do jornalismo que é praticado pelo CM, considerar que peca por manifesta falta de isenção e pluralismo, e também por excesso de perseguição política a determinados actores e/ou sectores da sociedade portuguesa, isto é, por falta de imparcialidade – condição do jornalismo deontologicamente auto-enquadrado, o único que aceitaríamos legítimo num mundo idílico, onde para além de jornalismo tablóide e sensacionalista não houvesse também médicos esquecidos do juramento de Hipócrates, advogados a soldo, etc.

Podemos considerar que esse jornalismo cabe na categoria do entretenimento mediático ou que é propaganda, por evidente e reiterada manipulação da informação e dos dados e factos que a sustentam, omissão de contraditório, anulação de adversários, violação do segredo de justiça, etc., práticas que revelam um exercício deliberado de desinformação, em favor da manutenção de audiências populares. [Read more…]

«Portugal foi vítima de um golpe de Estado silencioso

que confirma a natureza profundamente anti-democrática não apenas da zona euro mas, e devemos lamentá-lo, da União Europeia.» [Blog de Jacques Sapir]
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Sobre Jacques Sapir

Tudo pela nação, nada contra a nação

Cavaco

O Presidente da República tem toda a legitimidade para interpretar os resultados das eleições e tomar as decisões que lhe competem em conformidade com essa interpretação e com a lei. Não me choca, por isso, que Cavaco Silva tenha indigitado Pedro Passos Coelho. Até porque, sejamos sérios, por maior que seja a vontade de PS, BE e CDU de chegar a um entendimento, a verdade é que esse entendimento não foi ainda oficializado e na prática não existe. [Read more…]

ONU pede libertação imediata

dos 15 activistas detidos em Angola.
[Rede Angola]

Quantos de nós estaríamos dispostos a morrer por uma causa?

Uma pergunta de Patrícia Fonseca, na Visão, num belo resumo sobre o que se passa em Angola.

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(c) Luaty Beirão fotografado por João Pacheco

Conversas sem gravata

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Ouvi com interesse a emissão diferida do último debate da série Conversas sem gravata, uma audaz iniciativa do Sindicato de Jornalistas. Falava-se sobre os negócios passíveis de assegurar a sobrevivência do jornalismo – sendo certo que, ao menos nesse plano, há soluções, umas tentadas e outras ainda não. João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, disse coisas interessantes, que denotam um conhecimento profundo do tema e pensamento estruturado e prospectivo sobre as estratégias vindouras de financiamento do jornalismo.

No que respeita à maneira de encarar o mundo dos mercados da informação (deve ser assim que se chamam) pelos jornalistas portugueses, as coisas parecem-me ainda turvas. A Agência Lusa anda aos papéis – embora eu não perceba porquê. David Diniz está contente com o Observador – e também neste caso não percebo porquê, atendendo ao fraco jornalismo que por lá se faz.

Já Pedro Santos Guerreiro, deixou o Jornal de Negócios (onde se faz actualmente um jornalismo “analógico” no pior dos sentidos, aplicando à plataforma web os princípios obsoletos do papel) para ir fazer o Expresso Diário – online bem feito, cuja cadeia de valor assentará porventura e justamente no facto de não ser o resultado de uma transposição do papel para o online, dessa forma não transportando as lógicas e os procedimentos que vêm do papel.

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«O golpe de Cavaco não foi palaciano

[mas] profundamente provinciano. (…)» [Pedro Lains]

O momento do nosso embaixador João da Câmara

João Pacheco, jornalista

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Já deve ter passado ao lado do grande momento. Já deve ter passado ao lado daquele momento em que poderia ter feito a diferença, o nosso embaixador português em Luanda. Ao embaixador João da Câmara exigia-se coragem na representação da república portuguesa. Nada disso se viu até agora, mas o nosso embaixador ainda vai a tempo de tomar uma última atitude digna em Luanda, uma última atitude que o salve como homem e como diplomata.

O nosso embaixador João da Câmara visitou Luaty Beirão passados mais de trinta dias de greve de fome deste preso político luso-angolano. Consta que cá fora não quis falar. E já mais tarde, o respectivo ministério contou ao mundo o que o nosso embaixador português em Luanda teria a dizer de útil.
Parece que Luaty Beirão está a ter um bom acompanhamento médico, acha o nosso embaixador em Luanda.

E acompanhamento político? [Read more…]

Pedido de ajuda

E, caro leitor, é mesmo um pedido sério porque me parece que o mais alto cargo da nação merece a nossa atenção. Repare, por um lado, diz:

A última palavra cabe à Assembleia da República ou, mais precisamente, aos Deputados à Assembleia da República.

Mas, no mesmo discurso, diz:

Considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

O maior defensor da Constituição sublinha que há uns deputados com cotação diversa, em função do  seu lugar no Paralento. Trata-se de uma interpretação absolutamente insólita do documento fundador. Por um lado, os Deputados têm a responsabilidade de decidir, mas se for para escolher como ele quer. Se a Democracia parlamentar escolher um Governo de Esquerda, então, ai Jesus! Nem pensar. O senhor não quer. Os mercados não deixam.

Só uma atenção da área clínica poderá ajudar a resolver tantas contradições, já que, ao nível político não há nada mais para dizer, ou se calhar até há: nunca mais chega o dia de Portugal se ver livre de Cavaco Silva.

 

Luaty Beirão: até ao fim se for preciso

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Petição pela intervenção do Governo português na libertação de Luaty Beirão

Assinem. Não nos resta muito mais do que pressionar os cobardes que simulam governar o país.

À saída de Belém

António Costa marca um momento histórico da Democracia Portuguesa: “Dissemos ao PR que, em face dos contactos com o PCP e BE, estamos em condições para formar governo com suporte maioritário no parlamento e estável.”

Sim. É mesmo isso, se Carlos Abreu Amorim e Luís Menezes estão contra, é porque deve ser bom para o povo.

Um super-Estado sem rosto chamado Europa

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«A Europa está a transformar-se num continente anti-democrático onde a força conta mais que a lei»

«Na actual arquitectura do poder em Bruxelas, apenas as empresas com implantação global e os lobbies das indústrias multinacionais parecem deter influência. Para os negócios, isso significa que é quase impossível negociar com a Europa, a não ser que o negócio tenha uma mega-dimensão ou haja a intenção de dissolver interesses específicos na agenda de um determinado sector de actividade – negócio que, entretanto, será mediado através de sequências de camadas protocolares. Mas para os cidadãos individualmente considerados é pior ainda. O único poder real de influenciar as enormes estruturas burocráticas da Europa tem de ser expresso através de um de dois canais: o Governo britânico e o Tribunal Europeu. A Comissão não responde perante o Parlamento e o Banco Central apenas parece responder a Angela Merkel. (…) Este problema de poder é de tal ordem que ambos os lados no referendo têm interesse em ignorá-lo. Mesmo saindo o Reino Unido da UE, continuará a ser também um problema britânico que o desequilíbrio de poder entre os povos e as instituições no interior da UE se mantenha. A facção pró-UE parece disposta a tolerá-lo, permitindo que gerações e gerações de europeus venham a viver numa semi-democracia. O verdadeiro poder, entretanto, está nas mãos das grandes empresas, dos bancos e das elites.» [Paul Mason no The Guardian]

Paul Mason é o Editor de Economia do Channel 4 News